O rapaz da via Gluck • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 24 de julho de 2010

O rapaz da via Gluck

Estocado em Pense comigo

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Il ragazzo della via Gluck (1966), Adriano Celentano | Clique no triângulo para ouvir

 

Esta é a história
de um de nós
nascido ele também, por acaso, na via Gluck
numa casa fora da cidade,
gente tranquila, que trabalhava.
Lá onde havia mato agora há
uma cidade
e aquela casa
no meio do verde a essa altura,
onde estará?

Esse rapaz da via Gluck
se divertia brincando comigo,
mas um dia disse:
vou para a cidade,
e enquanto o dizia chorava;
eu lhe pergunto: amigo,
não está feliz?
Vai finalmente morar na cidade!
Lá encontrará as coisas que não pôde ter aqui.
Poderá lavar-se dentro de casa sem precisar
sair para o quintal!

Meu caro amigo, ele disse,
aqui nasci;
nesta estrada
agora deixo meu coração.
Como é que você consegue não enxergar?
É uma fortuna para vocês que ficam
descalços brincando pelos campos
enquanto lá no centro eu respiro cimento.
Mas chegará o dia em que voltarei
ainda pra cá,
e ouvirei o amigo trem que
assobia assim:
“uau uau”!

Passam os anos,
mas oito demoram;
aquele rapaz acaba saindo-se muito bem,
mas não se esquece da sua primeira casa;
agora tem dinheiro para poder comprá-la.
Volta e não encontra os amigos que tinha
só casas sobre casas,
alcatrão e cimento.

Lá onde havia mato agora há
uma cidade
e aquela casa
no meio do verde a essa altura,
onde estará?

[…]

Não sei, não sei
Porque continuam
a construir as casas
e não deixam o verde
não deixam o verde
não deixam o verde
não deixam o verde

É, não
Se continuamos assim, quem sabe
como é que vai ser
quem sabe
como é que vai ser

Il ragazzo della via Gluck (1966),
de Adriano Celentano,
nascido ele mesmo na via Gluck

* * *

Questa è la storia
di uno di noi,
anche lui nato per caso in via Gluck,
in una casa, fuori città,
gente tranquilla, che lavorava.
Là dove c’era l’erba ora c’è
una città,
e quella casa
in mezzo al verde ormai,
dove sarà?

Questo ragazzo della via Gluck,
si divertiva a giocare con me,
ma un giorno disse,
vado in città,
e lo diceva mentre piangeva,
io gli domando amico,
non sei contento?
Vai finalmente a stare in città.
Là troverai le cose che non hai avuto qui,
potrai lavarti in casa senza andar
giù nel cortile!

Mio caro amico, disse,
qui sono nato,
in questa strada
ora lascio il mio cuore.
Ma come fai a non capire,
è una fortuna, per voi che restate
a piedi nudi a giocare nei prati,
mentre là in centro respiro il cemento.
Ma verrà un giorno che ritornerò
ancora qui
e sentirò l’amico treno
che fischia così,
“uau uau”!

Passano gli anni,
ma otto son lunghi,
però quel ragazzo ne ha fatta di strada,
ma non si scorda la sua prima casa,
ora coi soldi lui può comperarla
torna e non trova gli amici che aveva,
solo case su case,
catrame e cemento.

Là dove c’era l’erba ora c’è
una città,
e quella casa in mezzo al verde ormai
dove sarà.

Ehi, Ehi,

La la la… la la la la la…

Eh no,
non so, non so perché,
perché continuano
a costruire, le case
e non lasciano l’erba
non lasciano l’erba
non lasciano l’erba
non lasciano l’erba

Eh no,
se andiamo avanti così, chissà
come si farà,
chissà…

Paulo Brabo @saobrabo

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