O Circo • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 17 de agosto de 2005

O Circo

Estocado em Goiabas Roubadas · Ilustração

Sidney Miller

Vai, vai , vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem vem, ver o circo de verdade
Tem, tem, tem, picadeiro e qualidade.

Corre, corre minha gente
Que é preciso ser esperto
Vai melhor quem vai na frente
Vê melhor quem vê de perto
Mas no meio da folia
Noite alta céu aberto
Sopra o vento que protesta
Cai no teto rompe a lona
Prá que a Lua de carona
Também possa ver a festa

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Faço versos pro palhaço
Que na vida já foi tudo
Foi soldado, seresteiro
Carpinteiro, vagabundo
Sem juiz e sem juízo
Fez feliz a todo mundo
Mas no fundo não sabia
Que em seu rosto coloria
Todo o encanto do sorriso
Que seu povo não sorria.

De chicote e cara feia
Domador fica mais forte
Meia-volta, volta e meia
Meia vida, meia morte
Mas findado seu batente
De repente a fera some
Domador que era valente
Noutra esfera se consome
Seu amor indiferente
Sua vida e sua fome.

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Fala o fole da sanfona
Fala a flauta pequenina
Que o melhor vai vir agora
Que desponta a bailarina
Que seu porte é de senhora
Que seu rosto é de menina
Quem chorava já não chora
Quem cantava desafina
Porque a festa só termina
Quando a noite for se embora

Vai vai vai terminar a brincadeira
Que a charanga já tocou a noite inteira
Morre o circo, renasce na lembrança
Foi-se o tempo e eu ainda era criança

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Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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