Informes do abismo: disciplinas monásticas • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 30 de maio de 2012

Informes do abismo: disciplinas monásticas

Estocado em Pormenor

Aqui no monastério os prazeres são encorajados em vez de proibidos, mas tentamos manter o masoquismo sob controle debaixo de medidas disciplinárias preventivas. É por isso que não tenho televisão em casa desde 2004, quando mudei-me para cá.

Claro que rola o cinema eventual, o DVD, o vídeo semanal do youtube (I think I want to marry you), a série acompanhada sob a benção da internet, mas fora isso nada. Nenhuma propaganda. Nenhum Fantástico, nenhum Globo Repórter (ainda existe?), nenhuma Malhação (certamente existe), nenhum programa de entrevistas em oito anos.

Como resultado, quando encontro a tv ligada na casa de outra pessoa ou num lugar público desenrola-se um pequeno milagre: a televisão por um instante parece interessante. É como assistir tv num país estrangeiro, onde as pessoas tem uma bagagem cultural comum diversa e um pouco incompreensível. Chega a ser quase agradável – salvo no que diz respeito aos telejornais, que rebaixam a coisa a um nível de perversão que nem eu mesmo consigo aprovar.

Levado tudo em conta, não sinto falta alguma, e é o tipo de abstinência inócua que não hesito em recomendar. Deixar de publicar aqui na Bacia é para mim disciplina monástica muito mais difícil de seguir.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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