EXCLUSIVO: Indiana Jones e a Bacia das Almas • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 17 de junho de 2005

EXCLUSIVO: Indiana Jones e a Bacia das Almas

Estocado em Manuscritos

Você já deve ter ouvido falar que, se tudo der certo, A Última Cruzada não será a última aventura de Indiana Jones no cinema. Depois da Última deve haver mais uma. A saideira.

George Lucas acaba finalmente de aprovar o roteiro de Indiana Jones IV. Boatos sobre o filme correm há anos, mas até agora a coisa havia se amarrado porque ficou decidido que um roteiro tão momentoso deveria ser aprovado não apenas pelo diretor (Steven Spielberg), mas pela tríade de membros fundadores: George Lucas (mentor espiritual e produtor), Spielberg e Harrison Ford (o próprio Sr. Jones). Embora mais de um roteiro tenham sido aprovados pelos dois últimos, até agora nenhum tinha passado pelo crivo de Lucas – talvez ocupado demais na ânsia de despachar Guerra Nas Estrelas para um plano superior.

A notícia é que o último episódio da quadrilogia deverá se chamar, incrivelmente, Indiana Jones and The Basin of Souls (Indiana Jones e a Bacia das Almas).

O ano é 1956, vinte anos depois da ação de Caçadores da Arca Perdida. Indy prometeu a si mesmo que o resgate da tríplice espiral de bronze do Capacete de Hen-Kiang será sua última aventura. Até que chegam os caras do Serviço Secreto. A princípio eles não contam tudo. Revelam apenas que em 30 de agosto de 1883, Dom Bosco (santo italiano, nascido em 1815 e fundador da Ordem dos Salesianos) teve um dos seus famosos sonhos proféticos, mantido em segredo até aquele momento: “Entre os paralelos de 15º e 20º havia uma depressão bastante larga e comprida, partindo de um ponto onde se formava um lago. Então, repetidamente, uma voz assim falou: ‘quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza inconcebível…’”

Indy reconhece imediatamente a lenda da mística Bacia das Almas, depressão onde todos os deuses acharam por bem ocultar dos homens suas riquezas e segredos antes de partirem da terra. A missão de Indy, dizem os agentes do Serviço Secreto, é impedir a construção de Brasília no empoeirado planalto central brasileiro, porque exatamente debaixo do local planejado para a cidade jazem as incalculáveis riquezas da Bacia das Almas. E os comunistas querem colocar suas mãos sujas nelas.

Para salvar a Bacia das Almas, Indiana Jones terá de enfrentar seus mais implacáveis inimigos, incluindo uma temível burocracia e a incompetência dos fiscais que perdem o seu passaporte. Depois de detonar os comunistas, quando chega finalmente à porta da vasta caverna onde se escondem todos os segredos e riquezas dos deuses (exatamente abaixo de onde deverá ficar o edifício do Congresso), Indy é confrontado por um Guardião de terno branco e gravata.

– Quem é você? – Indy pergunta.

– Juscelino Kubitschek – responde o Guardião.

– Eu sabia – mente Indy, embaraçado. – Preciso impedir que você construa Brasília em cima de toda essa riqueza.

– Nós sabemos da riqueza – sorri Juscelino. – Projetamos Brasília justamente para ocultá-la.

– Ah – diz Indy, e fica por isso mesmo.

Em determinado momento do filme, olhando para o mapa de Brasília, Indy inevitavelmente diz: “I’m too old for this shit”.

Garantem meus informantes que o filme deveria se chamar originalmente Indiana Jones a a Civilização Perdida do Brasil, mas achou-se que ficaria óbvio demais.

Veja fotos da construção de Brasília. Indiana Jones aparece nesta aqui, disfarçado de calango.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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