Imperdoável • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 20 de janeiro de 2005

Imperdoável

Estocado em Fé e Crença · Política

Dito de forma muito simplista, os muçulmanos odeiam os americanos por causa da simpatia dos americanos por Israel. E, dito de forma não tão simplista, os norte-americanos (especialmente os republicanos/evangélicos fundamentalistas) simpatizam com Israel porque acreditam que ela tem, como nação, um papel vital fundamental a desempenhar no cumprimento das últimas profecias bíblicas ligadas ao Conflito Final e ao Armagedon – e, portanto, à volta de Cristo.

A lealdade de muitos líderes e cidadãos americanos por Israel está ligada à pregação de pastores como o reverendo W. O. Vaught, que sentenciou a Bill Clinton: “Se você abandonar Israel, Deus nunca vai te perdoar”.

Michael D. Evans, autor de The American Prophecies, expõe o argumento geral:

Nossa posição nos últimos dias será determinada pela escolha da nossa lealdade: irão as crescentes tendências liberais do nosso país nos forçar a nos associarmos à União Européia, às Nações Unidas e à Rússia no movimento de globalização, que irá, por fim, forçar uma falsa paz sobre Israel e gerar o início da Tribulação? Ou irá a consciência cristã nos alinhar de forma tão próxima com Israel no conflito final que seremos literalmente indistinguíveis dela no capítulo final da profecia bíblica?

Segundo essa visão, os profetas bíblicos predisseram que os Estados Unidos fatalmente cairão, a não ser que deixem de se dobrar às exigências dos muçulmanos pela ganância do petróleo e comecem a dar completo apoio militar e diplomático a Israel. Tragédias como a de 11 de setembro são um lembrete da ira divina, resultado do flerte dos americanos com Ismael (filho de Abraão, patriarca dos muçulmanos) e de sua deslealdade a Isaque (filho de Abraão, patriarca dos judeus).

Como muitos (inclusive muitos judeus) já enfatizaram, essa lealdade e simpatia dos americanos por Israel é no fim das contas muito questionável, já que, se as profecias se cumprirem como os americanos as interpretam, o controle de Jerusalém pelos israelenses e a restauração do Templo irá desencadear o conflito final, no qual a absoluta maioria dos israelenses será destruída (e os poucos restantes se converterão irresistivelmente ao cristianismo). Dito claramente, os fundamentalistas americanos querem ajudar Israel a subir para que ela possa irremediavelmente descer – liberando dessa forma os últimos gatilhos proféticos que retém a volta definitiva de Jesus.

Muitos americanos votaram em Bush porque enxergam-no como esse João Batista que ousa tomar as duras e impopulares decisões que desencadearão o abençoado fim. Nas palavras de Evans:

Quando presidente Bush estava com a mais baixa popularidade nas pesquisas, quando estava sendo brutalmente atacado pela mídia liberal, a guerra no Iraque no seu momento mais desanimador, quando a Comissão de 9/11 estava tentando minar a sua integridade, ele, com caráter e coragem, fez uma decisão moral fundamentada na Bíblia, de ficar ao lado da nação de Israel. Creio que essa decisão do Presidente George W. Bush foi profética, e irá ecoar pela eternidade.

O próprio Evans, no entanto, tem contra a presente política de Bush que “a América está amaldiçoando o que Deus abençoou (Israel) e abençoando o que Deus amaldiçoou (reconstruindo o Iraque)”.

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Paulo Brabo @saobrabo

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