Genuína mundanidade • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 29 de setembro de 2008

Genuína mundanidade

Estocado em Goiabas Roubadas

As ideologias descarregam sua fúria sobre os seres humanos e depois deixam-nos da mesma forma que um pesadelo deixa a pessoa que desperta dele. Sua lembrança é amarga. Não tornaram a pessoa mais forte ou mais madura, apenas mais pobre e mais desconfiada.

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Minhas atividades recentes, que têm se desenrolado predominantemente na esfera secular, dão-me muito que pensar. Impressiona-me o fato de viver, e poder viver, por dias sem a Bíblia; se me obrigasse a lê-la sentiria estar fazendo isso por auto-sugestão, não por obediência […] Sei que basta abrir meus próprios livros para ouvir o que pode ser dito contra essa postura. E não quero também me justificar, porque sei que “espiritualmente” já experimentei períodos muito mais ricos. Porém sinto apenas crescer minha resistência contra tudo que é “religioso” […] Vida, autenticidade, liberdade e compaixão significam muito para mim; apenas suas manifestações religiosas é que são tremendamente sem atrativos.

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A cruz de expiação é a liberação para uma vida diante de Deus em meio a um mundo sem deus; é a liberação para uma vida de genuína mundanidade/identificação com o mundo.

 

Dietrich Bonhoeffer, citado por Eberhard Bethge em A Biography. O manuscrito com esta última citação estava sobre a escrivaninha de Bonhoeffer na Marienburger Allee quando ele foi preso em abril de 1943 por seu envolvimento numa conspiração para eliminar Hitler.

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Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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