Como me tornei insensível • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 25 de setembro de 2015

Como me tornei insensível

Estocado em Brasil · Goiabas Roubadas

Vincent Bevins

Moro no Brasil há mais de quatro anos, o que tem sido incrível em quase todos os aspectos, incluindo as formas que arrumei para me adaptar à cultura local. Por outro lado, há partes do país e do meu processo de adaptação de que não gosto. Odeio sobretudo a forma como me tornei insensível a níveis chocantes, brutais e ridículos de desigualdade, que minam o avanço do país. Me acostumei a eles, passei a vê-los como algo de certo modo aceitável.

Normalizar a desigualdade é uma das características fundamentais para ser um autêntico “brasileiro”. A maioria dos estrangeiros percebe isso logo que chega ao Brasil. Os locais entendem que a desigualdade extrema é apenas um fato da vida e trazer o assunto à tona é considerado de mau gosto, assim como tentar transgredir os limites de classe estabelecidos. Não à toa, se preocupar demais com esse assunto ou querer conhecer o Brasil fora dos círculos da elite é considerado “coisa de gringo”. Quanto mais me vejo virando local nesse aspecto (e apenas nesse aspecto), mais desconfortável fico.

O pior aspecto do Brasil (Folha de São Paulo)


Leia em seguida:
Uma lista de singularidades: porque o Brasil é tão dífícil de explicar

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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