A onipotente irrelevância dos fatos • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 02 de novembro de 2011

A onipotente irrelevância dos fatos

Estocado em Goiabas Roubadas

Deixamos de viver numa época em que os fatos valham alguma coisa por si mesmos. Muito pouca gente se deixa convencer por dados e estatísticas, porque alguém sempre acaba trazendo à luz (ou produzindo sob encomenda) dados e estatísticas que provem o argumento contrário. Chegamos a um ponto em que os candidatos do partido republicano à presidência mentem de forma consistente nos debates – não meramente faltam com a verdade, não meramente tergiversam, mas descaradamente mentem – sobre os fatos que cercam a sua posição e a realidade dos problemas norte-americanos. E as instituições — a política, a mídia, a democracia e em especial a imprensa, acorrentada à falsa objetividade de “ele disse, ela disse” – permanecem fundamentalmente incapazes de lidar com a questão.

A mim parece que as teorias de conspiração, a mentira e a desinformação sejam todas terrivelmente difíceis de combater. Veja-se a questão dos que negam o aquecimento global ou dos que defendem o criacionismo. E não estou certo de que levar-se os argumentos do outro lado a sério o bastante para refutá-los — ao contrário de simplesmente ignorá-los — seja a melhor postura a se tomar.

Isaac Butler, refletindo sobre como refutar os que insistem
que não foi Shakespeare quem escreveu as peças que levam o seu nome

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Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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