A natividade de Carnivaldo • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 17 de abril de 2014

A natividade de Carnivaldo

Estocado em Pormenor

Naqueles dias, como ninguém ignora, havia duas academias de filosofia em Grunhos: seus fun­da­do­res, Címbrio e Calâmbrio, àquela altura criavam há décadas barba de raiz, mas haviam deixado dis­cí­pu­los que lhes per­pe­tu­as­sem as disputas. Mal se afastara Mucuruá, deixando Liça Cascaes acocorada sobre o pote com as agonias de Car­ni­valdo, chegaram da cidadinha as duas bogadas de filósofos, de um lado cim­bri­a­nos, do outro calam­bre­ses. Na praça tinha corrido que dentre os convivas da comança havia uma prenha, e para os cim­bri­a­nos não há criação mais bela e admirável do que uma mulher grávida, porque traz ao mundo novos seres humanos; para os calam­bre­ses não há espe­tá­culo mais bruto e repro­vá­vel do que uma mulher grávida, pela mesma razão. No que fica demons­trado que eram homens, porque afluíam para a mesma visão em busca da beleza e da tragédia.

LEIA ANTES QUE CHEGUE NAS PARTES RUINS:
Os Impro­pé­rios de Car­ni­valdo de Bezerros
Uma história da Forja Universal

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

Arquivado sob as rubricas

 

<
>

Depositado em juízo por Paulo Brabo · Desde 2004 · Sobre o autor e esta Bacia · Leia um livro · Olhe desenhos · Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais · Fale comigo · A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna