A cura pela internet • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 06 de dezembro de 2004

A cura pela internet

Estocado em The Net

Fiquei 4 ou 5 dias sem internet depois que um raio fritou o modem do Monastério (só descobrimos que um dos computadores havia se perdido quando a luz voltou 24 horas depois; só descobrimos que o modem havia ido junto ainda 24 depois, quando as linhas telefônicas foram restabelecidas; era sábado e tivemos de esperar até segunda-feira para cotar um modem novo) e tive bastante tempo para sentir falta do toque curativo dos comentários da Bacia, das mensagens mais corriqueiras de e-mail e dos bate-papos cabeça com gente querida e distante, especialmente o Jeff de NY e o Julian de Londres.

Tive tempo até para sentir falta do spam.

Fiquei pensando que para talvez muita gente ao redor do mundo foi apenas o advento da Rede que possibilitou viver uma vida emocional integral e saudável. Gente que não chegaria a ser muita coisa no seu local de origem, mas que chega a ser admirada pela internet, por alguma razão que para a internet (isto é, para um conjunto suficientemente significativo de pessoas – isto é, para pelo menos uma) basta. Pessoas que apenas o modem permitiu criar laços com gente que pensa como elas e capaz de aceitá-las como são. Gente que pôde apenas desabrochar integralmente como ser humano porque a confusa graça da internet passou a tocar o mundo.

Mesmo desconectado como estou enquanto escrevo isso, permaneço pelo menos em parte uma dessas pessoas.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.


 

<
>

Depositado em juízo por Paulo Brabo · Desde 2004 · Sobre o autor e esta Bacia · Leia um livro · Olhe desenhos · Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais · Fale comigo · A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna