A guerra contra os turcos • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 04 de janeiro de 2005

A guerra contra os turcos

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Preparativos e provisionamento estão sendo feitos neste momento para a guerra contra os turcos. Mas o que os turcos concluirão a nosso respeito, se o nosso modo de vida refletir a presunção da nossa doutrina?

E se eles enxergarem e perceberem na nossa suntuosidade, maior da que usaria qualquer tirano, a nossa ambição e o nosso desejo de honra? Se perceberem nos nossos subornos e plebiscitos a nossa avareza e cobiça, na violação de moças e de esposas a nossa lascívia, nas opressões que perpetramos a nossa crueldade? Com que cara ou de que forma, para vergonha nossa, poderemos oferecer a eles a doutrina de Cristo, que é por completo avessa a todas essas coisas?

O melhor e mais efetivo modo de se vencer e de se conquistar os turcos seria se eles percebessem, brilhando em nós, aquilo que Cristo ensinou e expressou na sua vida. Se eles percebessem que não olhamos boquiabertos para os seus impérios, que não desejamos o seu ouro e os seus bens, que não cobiçamos as suas possessões. e não buscamos coisa alguma além da saúde das suas almas e glória para Deus.

Pois não é apropriado nem conveniente que nos declaremos cristãos por essa evidência ou por essa marca, a de matarmos muitos, mas antes pela de salvarmos muitos.

Erasmo de Roterdã, no Manual do Guerreiro Cristão (1501)

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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