A arte perdida do cavalheirismo cristão • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 10 de setembro de 2013

A arte perdida do cavalheirismo cristão

Estocado em Manuscritos

Não faz muito tempo, querendo exibir minha perplexidade diante de uma controvérsia corrente, desenhei e publiquei um cartum que mostra, de um lado, um casal de homossexuais carregando um cartaz:”JESUS FAZIA COM QUE AS MINORIAS SE SENTISSEM ACEITAS”; do outro, um pastor protestante e um sacerdote católico estão erguendo um cartaz que responde: “JESUS NÃO ME REPRESENTA”.

Um leitor, sem qualquer dúvida cristão evangélico, corrigiu-me quase imediatamente: “Jesus nunca fez com que as minorias se sentissem aceitas. Ele pregava, levando os pecadores ao arrependimento e à mudança de vida!”

A resposta me pegou desprevenido porque para mim a graça (!) do cartum está em que os dois cartazes declaram uma verdade ao mesmo tempo difícil de refutar e poucas vezes articulada, que em cada caso introduz uma reviravolta na tensão que está sendo tratada.

Aquele “Jesus nunca fez com que as minorias se sentissem aceitas”, tão convicto e sem atenuantes, me pegou de jeito. Fui arrastado a lembrar que grande parte do público de herança evangélica ignora ou escolhe ignorar aspectos da personalidade de Jesus que os evangelhos se esforçam para reforçar, e também este.

Vi-me então na ingrata posição de ter de explicar a piada, e resignadamente o faço agora. Porque o formidável é que sim, Jesus de Nazaré – aquele que anunciava o perdão universal dos pecados tendo em vista a mudança de vida – de fato fazia com que as minorias se sentissem aceitas: fazia-o de modo consistente, ininterrupto e deliberado, e os evangelhos conjuntamente se empenham em deixar muito demarcado esse seu traço de personalidade.

Na verdade, Jesus tornou-se modelo para uma postura que depois dele nunca deixou de ter representantes sobre a terra, e que na falta de expressão melhor escolho chamar de cavalheirismo cristão.

Não ignoro que o termo “cavalheirismo” está impregnado de implicações classistas e sexistas. Eu poderia dizer simplesmente “gentileza”, mas “cavalheirismo” exprime melhor as conotações de uma gentileza provocadora, deliberada e desarmante que os exemplos que tenho em mente fazem evocar.

Para ser um cavalheiro no sentido de que estou falando é preciso primeiro ser um pouco fanfarrão, no sentido de estar inteiramente imbuído de autoestima, mas também no de não deixar passar nada: não deixar que nenhuma injustiça, simplificação ou meia-verdade passe sem ser devidamente examinada e, se necessário, publicamente denunciada e corrigida. Ao mesmo tempo, requer-se um compromisso com a gentileza que com frequência envolve custosas medidas de autossabotagem e de autodepreciação. Um gesto cavalheiresco é uma gentileza trazida de caso muito pensado a determinada situação, de modo a restaurar um equilíbrio que o cavalheiro detecta que havia sido perdido. O que ele quer é denunciar a injustiça – mas, tendo acumulado as qualidades de um fanfarrão às de um santo, só estará pronto a fazê-lo de modo exuberante, hábil, ao mesmo tempo galante e indefensável.

E baseio essa descrição, claro, na figura de Jesus como ele é apresentado nos evangelhos. Porque o que tornava o rabi de Nazaré irresistível para alguns e insuportável para outros era essa sua mesma característica: sua gana por partir em defesa daqueles que, em um dado contexto, eram tidos como indefensáveis.

Na prática, seu cavalheirismo intervia de modo a promover uma uma reversão inesperada e imediata de papéis e de expectativas. A mulher apanhada em adultério saiu da presença de Jesus viva, livre e em pé, sua situação inteiramente revertida pelo toque da gentileza do homem que escrevia no chão como se tivesse mais o que fazer. Conforme apontado por Paul Tournier (ele mesmo um impenitente cavalheiro cristão) Jesus promoveu nesse caso o que trabalhava para promover em todos: a reversão da culpa, o ministério benfazejo e altamente subversivo de fazer com que os inocentes se sintam culpados e os culpados se sintam inocentes.

Não há na verdade postura mais cavalheiresca do que essa, e o Filho do Homem a celebrava por onde fosse. Os leprosos ritualmente impuros que buscavam de Jesus a cura ganhavam dele primeiro o seu toque, sua companhia, sua conversa e seu abraço – coisas que em termos religiosos e culturais lhe custavam muito mais. Zaqueu, o corrupto e impopular cobrador de impostos, foi buscado ativamente pela intransigente gentileza de Jesus, e logo ficou demonstrado que suas públicas e consideráveis inadequações não teriam como não ser revertidas por ela. A mulher sem pretensões e sem ficha limpa que lavava os pés do rabi na casa de teólogos sofisticados foi prontamente denunciada por eles como indigna das atenções de Jesus, mas conheceu ela também o cavalheirismo implacável e redentor do Filho do Homem: a pecadora que todos condenavam sentiu-se aceita e amada, os chanceleres da ortodoxia viram-se publicamente denunciados e embaraçados.

O sofisticado leitor contemporâneo não deixará de encontrar traços de paternalismo e de condescendência nessas intervenções de Jesus. Incomoda-nos em particular que a narrativa dê a entender que uma mulher precisará sempre da defesa e da validação de um homem heterossexual da raça dominante. Pensar assim, é claro, é incorrer num anacronismo, aplicando categorias contemporâneas a culturas fundamentalmente diferentes da nossa, mas é também não entender a natureza do cavalheirismo de Jesus, que era invariavelmente aplicado em benefício dos dois lados de cada tensão social.

Suas intervenções em crises dessa natureza não eram de modo algum ingênuas; em certo sentido não eram nem mesmo não-violentas, porque promoviam a reversão forçada dos pratos da balança de poder que dominava determinada situação social.

Seu gatilho mais comum era este: Jesus se deparava com determinada classe de pessoas promovendo violência (verbal, física ou social – as diferenças são de emergência, não de natureza) contra outra classe de pessoas, com base num discurso. Sendo o cara galante que era, Jesus não podia aprovar que gente cometesse violência contra gente, especialmente com base em algo com tão pouco fundamento e tão sujeito à manipulação quanto um discurso. Por outro lado, e pelo mesmo motivo, Jesus não se permitiria a cometer ele mesmo violência contra gente, mesmo se fosse para atacar quem estava atacando e defender quem estava sofrendo violência.

Quando se via apertado por essa dilema, a solução adotada por Jesus era sempre a mesma: ele não aplicava violência contra ninguém, mas aplicava violência contra o discurso que estava promovendo o desequilíbrio. Uma vez denunciado e desarmado o discurso, ficava denunciada e desarmada a tensão original.

Em sentido estrito essas intervenções não eram nem mesmo feitas “em favor dos oprimidos”, porque o discurso ideológico em operação era anulado de modo a restaurar a humanidade de todos os envolvidos. Jesus não ignorava o que passa facilmente despercebido, que desumanizar é antes de tudo desumanizante. Ele teve provavelmente menos pena da mulher apanhada em adultério do que da postura desfigurante e desfigurada dos seus algozes. Ele não ignorava que classificar como menos que gente determinada categoria (sempre arbitrária) de pessoas rouba a nossa própria humanidade antes de roubar a dos outros. E seu resoluto cavalheirismo – sua graça, que é palavra ainda melhor para essa sua postura – não lhe dava liberdade de omitir-se em situação alguma.

O bonito é que não era só em situações de crise que Jesus aplicava sua galanteria subversiva. Ele deixava que ela viesse à tona quando menos se esperava, usando-a para desestabilizar sistemas que pareciam estar em equilíbrio mas na realidade não estavam. Deixava que sua gentileza, fluindo em favor de gente inesperada, gerasse desconforto e confronto onde na superfície não se via nenhum. E, obviamente, não encontrava alvo mais frequente e mais destemperado do que o sistema religioso da sua época, que (como os nossos) se mostrava antes de qualquer coisa pronto a categorizar, a denunciar e a excluir categorias inteiras de comportamentos e de pessoas que tomava por inaceitáveis.

Jesus aparentemente não precisava de provocação para contar a religiosos judeus uma história em que um herege samaritano (inaceitável) é um herói incorruptível e em que os igrejeiros se mostram omissos e moralmente ambíguos. Ou para informar a sacerdotes muito puritanos que as prostitutas (muito inaceitáveis) estavam merecendo chegar antes deles ao gostoso abraço da irrestrita aceitação de Deus.

Nessas e em semelhantes provocações, Jesus buscava fazer com que se visse forçada a rever seus julgamentos gente particularmente avessa a rever os seus julgamentos: gente religiosa. Ele tomava como prioritário invalidar os discursos religiosos de exclusão, porque mais do que ninguém os religiosos estão prontos a fazer discriminação e a aplicá-la. Usam Deus como arma, pelo que precisam ser imediatamente desarmados.

O cavalheirismo de Jesus, em sua exuberância, tinha um caráter regulador: buscava reverter a injustiça, e seu método era desqualificar o discurso de exclusão, deixando ao opressor a saída honrosa de desligar-se desse discurso. Desarmada a armadilha, tudo que devia restar era equilíbrio entre os envolvidos: ninguém mata ninguém, todos revêm seus julgamentos e todos voltam para casa em um mundo em que nada é tão simples quanto parecia. Um mundo em que ninguém deve sentir-se livre para usar um discurso de modo a desqualificar ninguém.

Desse modo, em cada passo que dava e em cada história que contava, Jesus fazia avançar seu projeto de inclusão dos marginalizados e de denúncia dos sistemas de opressão e de rejeição.

Quando se ajoelhava para lavar os pés maltratados de homens comuns; quando descrevia a alegria de um pai correndo para acolher como rei o filho que tinha desperdiçado metade do seu capital em baladas e prostitutas; quando contava a história do banquete que os notáveis recusaram e para os quais foram convidados os habitantes da sarjeta; quando abraçava leprosos, quando dormia na casa de agiotas, quando elogiava prostitutas, quando comia com pecadores, quando dormia entre pescadores, quando tomava por digna de memória a postura de mulheres cuja conduta sexual todos condenavam; quando fazia esse tipo de coisa, que para ele era indistinguível de viver, Jesus estava fazendo o que ninguém antes dele havia feito nos anais da história: com que as minorias se sentissem aceitas.

País afora as sandálias voavam, fazendo correr a reputação de um profeta gentilíssimo que transtornava as ditaduras inexpugnáveis das maiorias e deixava que todos, absolutamente todos, se vissem – se soubessem – abraçados por Deus. Tocados por essa desconcertante graça, as irmãs de um leproso, o filho de uma prostituta, um samaritano anônimo na multidão, um cobrador de impostos embaraçado no Templo, um grupo de crianças que só queria abraçar o rabi, uma viúva pobre que tinha de lutar além de tudo contra o embaraço socialmente inventado de ter pouco a ofertar – categorias inteiras de pessoas que até aquele momento só conheciam embaraço e inadequação, podiam encontrar ocasião para sorrir e publicamente, quem sabe pela primeira vez. Caramba, como é bom sentir-se aceito – e o trabalho de Jesus, sua profissão, era tornar possível a cada um o acesso a esse dom.

Até mesmo na cruz, apertado por pressões infinitamente mais prementes, os evangelhos não deixam que Jesus dispa-se da graça que é indistinguível de seu sopro de vida. “Perdoe esses caras, eles não sabem o que estão fazendo”, o crucificado pede em voz alta, querendo que seus algozes sintam-se aceitos, dando-lhes o poder de não se desfigurarem em sua humanidade mesmo diante da coisa desfigurante e desumana que acabaram de fazer. Quem pode sobreviver ao fogo consumidor dessa gentileza? Não houve ninguém maior porque não houve ninguém mais gentil.

Essa é a herança, em grande parte perdida, do cavalheirismo cristão. Tomando como modelo a postura de Jesus, sua aspiração mais consistente é promover a inclusão, denunciando publicamente e anulando os discursos de exclusão. Ele é sempre regulador. É sempre inclusivo. Faz com que os desqualificados sintam-se aceitos, os opressores desarmados.

Historicamente, os cristianismos católico e o ortodoxo se mostraram e permanecem os maiores herdeiros do cavalheirismo cristão. Isso se deve em grande parte à permanência subversiva da ideia monástica, com sua ênfase na fraternidade universal e na pobreza voluntária. Ao contrário de outras alternativas que levam o nome de cristãs, o monasticismo incorpora com menos distorção o ideal do cavalheirismo de Jesus – em grande parte porque não quem ignore que há algo de estudadamente ridículo, algo de subversivamente autodepreciativo, na vocação monástica. Idealmente, um monge ou uma freira são pessoas que se submetem a disciplinas desnecessárias e arbitrárias mas que pressupõem uma inclusão extrema, de modo a denunciar a arbitrariedade de todas as exclusões deste mundo. É tudo uma encenação, mas o homem que lavava pés não desconhecia a importância de encenar uma subversão.

A galanteria embutida no ideal monástico contribuiria para criar a própria noção do cavalheiro medieval, e derramaria sua influência séculos depois no movimento romântico. No arraial católico seus representantes mais visíveis e desarmantes são os monges franciscanos, que refletem quanto podem a luz original de Francisco, cavalheiro cristão por excelência – o ex-militar, o pacifista, o homem descalço, o irmão de todos, o nobre que se despiu publicamente – o trovador amante da natureza, dos homens, das mulheres, das palavras, da gentileza e de seu amabilíssimo Senhor.

A herança cavalheiresca deixada por Jesus contribuiu para moldar a postura de pessoas tão diversas quando Dante Alighieri, Francesco di Assisi, Erasmo de Rotterdam, Abraham Lincoln, os abolicionistas de todas as eras, Leon Tolstoi, Martin Luther King, Dietrich Bonhoeffer e Mahatma Gandhi. Esses e muitos outros enfrentaram severa oposição por ousarem questionar os limites estabelecidos entre as gentes e oferecer ao mesmo tempo uma alternativa mais gentil e inclusiva. Enfrentaram, todos em alguma medida, o que Jesus enfrentou. Sua intransigência em fazer com que as minorias se sentissem aceitas levava as maiorias a sentirem-se ameaçadas em suas certezas e privilégios – em seu poder. Muitos foram considerados tão incômodos que tiveram de ter sua influência deliberadamente removida deste mundo.

Porém ninguém ousou mais do que Jesus. Ninguém despertou maior perplexidade, ninguém minou certezas e sistemas mais entranhados, porque a postura de gentileza universal que ele propunha e vivia – ideia que acabaria contaminando de um modo ou de outro o mundo inteiro, e que os cristãos com o tempo aprenderam a domesticar – era na história dos homens inteiramente sem precedentes.

 

Ao contrário de católicos e ortodoxos, que a seu modo contribuíram para manter sua chama acesa, o ramo protestante da cristandade escolheu desde o princípio rejeitar o cavalheirismo cristão epitomado em Jesus. Não há modo mais claro de se entender isso do que examinando o caso exemplar a que volto sempre, da correspondência entre Erasmo de Rotterdam (o cavalheiro cristão, incômodo e subversivo, mas que nunca rompeu com o catolicismo) e Martinho Lutero (o inflexível, o corrosivo, o promotor da ruptura).

Erasmo era um cara gentil e queria que Deus também fosse, e incomodava-o a ênfase de Lutero na predestinação – a ideia de que Deus decide se merecemos o céu ou o inferno mesmo antes que coloquemos o pé neste mundo. Para Erasmo, Deus era um cavalheiro que jamais imporia sobre ninguém a salvação, muito menos a perdição.

Crendo que a teologia determinista do Reformador drenava graça e humanidade da imagem divina, e que não havia desserviço e monstruosidade maior que um cristão pudesse fazer, Erasmo escreveu a Lutero apresentando seu mais forte argumento: “deixe Deus ser bom”, ele implorou. Lutero famosamente respondeu “deixe Deus ser Deus” – fixando a imagem protestante de Deus como autoridade inapelável e inflexível, inteiramente pronta a desclassificar e a excluir com base em critérios não submetidos à auditoria do amor. É uma divindade caprichosa, em tudo contrastante com o Deus acessível e magnânimo de Jesus, o pai que corre para oferecer banquetes a filhos devassos e derrama o sol da sua graça sobre justos e injustos.

Esse Deus intolerante é, em linhas gerais, o Deus dos protestantes. Foi preciso inventá-lo de modo a anular a força gravitacional do cavalheirismo de Jesus e de seu Pai.

A graça da piada, então, está em que os evangelhos escancaram o que evangélicos e protestantes investem vastos recursos para ignorar: que se não fazemos com que as minorias se sintam aceitas, Jesus de fato não nos representa, e não o representamos.

Se só amarem os que os amam, que recompensa vocês esperam obter? Os agiotas não fazem a mesma coisa? E se limitarem-se a abraçar os que pensam como vocês, o que estarão fazendo demais? Os irreligiosos não fazem a mesma coisa? O que vocês devem ser é perfeitos em gentileza, inclusão e cavalheirismo, como é perfeitamente cavalheiro, inclusivo e gentil o Pai celestial de vocês (Mateus 5:46-48).

Pode não ser tarde para que evangélicos e protestantes voltem a honrar a herança de divino cavalheirismo que têm ignorado por séculos. Toda faceta deste mundo que não é redimida pela gentileza resvala continuamente no desequilíbrio. Cada época e cada ponto de vista tem seus marginais, pelo que a subversão da gentileza deve ser encenada de modo diverso em cada época e em cada nicho social.

Se vivesse nos nossos dias, Jesus por certo defenderia diante de cristãos conservadores aqueles que nesse meio são tomados por particularmente inaceitáveis (“olhem que os drogados, os travestis e os comunistas estão entrando no reino de Deus antes de vocês!”, ele diria, sem ter de recorrer à hipérbole). Ao mesmo tempo não é improvável que, diante de homossexuais, Jesus contasse uma parábola em que um crente ultraconservador é aquele disposto a promover inclusão, e em que gays e transexuais mostram-se falhos e preconceituosos.

Trata-se, em cada caso, de desarmar discursos que promovem a desqualificação, de anular aqueles discursos que num certo círculo determinam que certas pessoas são indefensáveis. O cavalheirismo divino é o regime da gentileza universal, e requer que todos os preconceitos e lugares-comuns sejam revisados. Seu reino é o da inclusão de todos. Não tendo ilusões a respeito da condição humana, ele não ignora que o único modo acurado de nivelar os homens é por baixo – chamando à lucidez e à realidade aqueles de nós que estão se achando.

Com toda a distinção, mas sem deixar margem de dúvida, a mensagem da galanteria cristã dirige-se a quem está promovendo exclusão e diz, essencialmente: “Pare de julgar, velho. Quem é você pra ficar falando do cisco no olho do outro, quando você anda por aí com uma tábua no seu? Não há caso em que julgar alguém mais digno de condenação do que você não implique numa incorreção e numa estupidez. Não há exceções.”

A coisa mais cavalheiresca que Deus fez foi vulnerabilizar-se, foi virar gente de carne, como se não estivesse acima de ninguém. Como o pai do filho pródigo, os olhos fixos na distância, Deus espera contra toda a esperança que reapareçamos diante dele sem outra bagagem além daquela de entender que não somos melhores do que ninguém.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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