Uma utopia interina • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 20 de janeiro de 2014

Uma utopia interina

Estocado em Manuscritos · Política

Este relato é a parte 3 de 6 da série Entre a riqueza e a justiça

Neste recinto maldizemos o capitalismo desde 2004, mas não creio que eu tenha produzido texto mais imediatamente popular (e impopular) do que A direita de Deus – e sua possível esquerda.

A verdade mais crua é que o meu ceticismo político não conhece limites, e enfatizei esse meu cinismo numa nota àquele mesmo documento. Deixo assinado também aqui o meu termo de isenção de responsabilidade. Prefiro, como se sabe, evitar assuntos polarizadores, porque não podem ser tocados sem prejuízo, mesmo com a luva da mais grossa imparcialidade ((Para mais sobre as armadilhas da polarização entre direita e esquerda, leia A fissura do mundo: política, polarização e paralisia.)). O socialismo no poder tem a mesma probabilidade de estabelecer um mundo justo do que um governo de direita – querendo dizer, praticamente nenhuma. Porém isso é culpa do poder, não do socialismo; e a esquerda tem o mesmo direito de tentar, e aspirações e discursos pelo menos tão nobres1.

Como apontei logo de início naquele artigo, este é menos um conflito de argumentos do que de visões de mundo, entre as diferentes respostas que pessoas diferentes tendem a requerer de si mesmas quando se identificam com a herança do cristianismo.

Quando insisto no que há de admirável na esquerda cristã é para dar ferramentas a quem tem razão: a quem é no mínimo tão bem-intencionado quanto um cristão de direita, e não tem motivo para se sentir culpado ou inadequado por pensar como pensa.

Não ignoro que basta que se exponha uma posição para fazer com que o outro lado se sinta inadequado (nada é mais tendencioso do que uma opinião, etc). A própria esquerda faz com que a direita se sinta inadequada, quando insiste que podemos sonhar juntos com um mundo melhor: os de direita, que rejeitam o sonho, ficam parecendo ranzinzas estraga-prazeres de coração duro. A direita, por sua vez, faz com que a esquerda se sinta inadequada explicando que para acreditar no sonho da esquerda é preciso ser uma de três coisas, nenhuma delas especialmente lisonjeira: [1] ingênuo, [2] doente ou [3] mal-intencionado.

Tenho maior horror a que concordem comigo do que de que discordem de mim, mas se for para alguém sentir-se inadequado, que não seja por sonhar com um mundo mais justo.

O obstáculo utópico

O que nos leva à primeira grande objeção ao sonho da esquerda, o obstáculo utópico. Porque mesmo quem sentiu-se inclinado a admirar comigo as aspirações igualitárias do pensamento socialista escreveu-me de coração dividido para apontar que a realidade é aparentemente muito outra.

Ou, como me disse um amigo: quem escreve sobre espiritualidade deve falar de convicções que conduzam naturalmente à prática; quem escreve sobre política deve falar de práticas que endossem naturalmente as suas convicções.

Mais de um interlocutor escreveu-me para lembrar que na prática a esquerda está longe de implantar o céu na terra que descrevi naquele artigo. Certo que mencionei que existem diversas tonalidades de esquerda, e certo que com algumas simpatizo muito mais (ouvi alguém dizer anarquismo?) – mas a do PT, que é por assim dizer a esquerda disponível, não parece estar produzindo (e não parece ter vocação para produzir) o mundo justo com que acenei.

No meu ensaio falei de uma esquerda possível – e foi precisamente esse caráter interino que parece ter exasperado muitos que gostariam de ter concordado comigo.

A utopia é por si só um sonho custoso; porque eu deveria abraçar a utopia do PT se ela não é a minha? Ainda mais importante: como não sentir-me um idiota falando sem cair na risada de um mundo justo, quando parece não haver legislação que faça anular a lei do mais forte? Não parece evidente que têm razão os que acusam a esquerda de engendrar receitas quiméricas que os ingredientes da humanidade não farão jamais sair do forno?

Gandhi acreditava seriamente que a posse privada de capital não tem qualquer legitimidade: aquilo que estamos convencidos que nos pertence nos foi dado em confiança, em regime fiduciário, para que redistribuamos tendo vista a equalização. Se você requer um endosso mais ostensivamente cristão para a mesma ideia, não precisa ir mais longe do que Ambrósio de Milão no século quarto:

Quando dá a um pobre você não está dando do que é seu, está devolvendo o que pertence a ele. Você é quem havia usurpado o que é comum, aquilo que foi dado para o comum benefício de todos.

Você pode ouvir esses caras e pensar que são loucos dignos de confinamento ou iludidos dignos de pena, mas creio que a reação humana mais comum está entre esses extremos. O idealista dentro de nós derrama uma lágrima de simpatia, mas o realista nos chama para a realidade com um tabefe. “Velho, defenda o seu, que no final é o que todo mundo vai fazer.”

O argumento “seria legal se fosse possível, mas o ser humano não muda” é tão antigo quando o ideal socialista. É na verdade mais antigo do que ele, e já foi empregado para desqualificar toda tentativa de reforma social.

Já foi empregado, inclusive, para desqualificar todos os ideais cristãos.

O que aparentemente esquecemos vez após vez é o óbvio: que antes de existir tudo é utópico. O ideal mais nobre, antes de concretizado, é indistinguível de um delírio. Se Jesus tivesse tuitado “Amai os vossos inimigos,” 50 pessoas teriam dado RT achando lindo, 50 teriam respondido perguntando o que ele fumou. Se João tivesse tuitado “Deus é amor”, teria levantado oposição e controvérsia ainda maior.

Para deixar a coisa no terreno prático: se a um norte-americano de 1814 você desenhasse uma sociedade em que as mulheres votam, em que um negro é eleito à presidência e em que se casam gente de raças diferentes e sexos iguais, ele diria que você está delirando – e teria todo motivo para pensar assim. É claro: ele provavelmente veria nessa sociedade “utópica” um verdadeiro inferno, mas nisso não estaria sozinho: muita gente [de direita] pensa da mesma forma passados 200 anos.

Você pode afirmar que o socialismo não é inerente à natureza humana, mas meu amigo Roland Boer vai afirmar que o mesmo pode ser dito da democracia, ou da própria liberdade. E pode ser dito com ainda maior segurança do cristianismo.

A verdade, assinada pela história, é que podemos adiar indefinidamente a implantação imediata de um mundo mais justo pelo simples método de não acreditar nele. E de desacreditar quem o faz.

A verdadeira utopia

Se você quer ver uma utopia, no sentido de farsa formidável e forja universal, deve olhar é para o capitalismo neoliberal.

O governo de tubarões sempre foi a norma; a façanha do neoliberalismo está em convencer o mundo de que esse é um governo justo. Escravos e proletários tradicionalmente se deixaram moer para fazer rodar a máquina, mas antes da nossa época retinham a dignidade de entender que não havia justiça inerente à sua condição. Na presente plutocracia, tendo sido evangelizados que somos milionários em potencial ou em hiato, somos todos apaziguados em satisfeita submissão.

O neoliberalismo de fato pede que você acredite que a mão invisível/divina do mercado promoverá sem qualquer intervenção a justiça social – punindo quem deve ser punido e premiando quem merece ser premiado. Você não tem de se preocupar com nada: tudo já foi previsto. Ninguém precisa intervir, muito menos o governo, muito menos você. Fique aí paradinho e não queira interferir no fluxo natural das coisas. Se você ainda enxerga alguma injustiça é porque o processo está se desenrolando; deixe o mercado trabalhar livremente e você vai ver um mundo cada vez mais ajustado e mais justo.

Permita-me acordar o seu idealista interior com um tabefe: o capitalismo não está produzindo um mundo mais justo. Com a sua conivência e a minha, o que ele está fazendo é queimando os recursos que pertencem a todos na criação de um mundo cada vez mais desigual.

Se você ainda não percebeu que as coisas são assim não creio que se convencerá mesmo diante dos argumentos que eu teria para apresentar. Por hora terá de bastar esta única e desiludida partícula de informação, a notícia de que o capitalismo não está promovendo a justiça nem mesmo dentro do país que mais se beneficia dele.

Entre 1980 e 2007 a desigualdade na distribuição de renda – o índice que mede a distância entre os ricos e os pobres – aumentou exponencialmente nos Estados Unidos.

E essa, incrivelmente, é a boa notícia.

Para seu governo

Porque, por mais que a desigualdade social e econômica apenas se acentue entre os norte-americanos, a situação é pior nos países que o capitalismo utiliza como parque industrial.

Pense muito pior.

Pense acima de tudo no Brasil, porque conhecemos há anos a honra de estar e de permanecer entre os dez países mais desiguais do mundo no que diz respeito à distribuição de renda, ao lado de nações como a Jamaica, a Namíbia, a Zâmbia, Honduras e Paraguai. O Brasil é notavelmente mais rico do que esses países, o que torna a distância entre ricos e miseráveis ainda mais obscena e inaceitável.

Para seu governo: o capitalismo não está distribuindo justiça de modo automático a ninguém, não aqui e não em lugar algum. Deixada a seus próprios recursos, o que a mão do mercado faz é visivelmente acentuar as distinções estabelecidas, privilegiando os privilegiados e cerceando as possibilidades dos que não conheceram privilégio algum.

A esquerda no Brasil tem a meu ver inúmeras falhas, e espero ter paciência de apontá-las em outro momento. Porém tem a virtude comum a todas as esquerdas, a de absolutamente duvidar dos sistemas que afirmam que a justiça está sendo distribuída automaticamente, de modo “natural”. É paradoxal que gente de esquerda, tão comumente acusada de viver iludida, acabe assumindo o papel de nos despertar dos torpores de ideologias que se prestam mais do que outras à manipulação.

Inteiramente convencida (como deveríamos todos estar) de que o capitalismo não está promovendo a distribuição de automática de justiça, a esquerda brasileira tem adotado a medida paliativa de promover a distribuição manual de uma porção mínima dela. É o que tendem fazer todas as esquerdas, distribuir manualmente alguma parcela de igualdade, mas alguns casos talvez sejam mais justificados e bem realizados do que outros. No presente caso você chama isso de paternalismo, eu chamo de reagir com algum senso de justiça ao que é comprovadamente uma das desigualdades mais brutais do planeta.

Você pode questionar a validade dessa política a curto, médio e longo prazo; pode defender a ideia de que este não é de longe o melhor meio de atravessá-lo, só peço que não questione o tamanho do abismo. Só não me peça para acreditar que o capitalismo tende a deixar o abismo menor.

E, se você é cristão, permita-me colocar assim: nenhum governo deveria ter de agir de acordo com os ideais cristãos, mas nenhum cristão deveria condenar um governo nas políticas em que muito claramente acaba fazendo precisamente isso.

Os da direita acusam a esquerda de ter pressupostos nobres e resultados práticos mesquinhos; aparentemente se ofendem quando a esquerda aponta que a direita tem mesquinhos tanto pressupostos quanto resultados práticos.

Se você quer chamar de justo um mundo cada vez mais desigual, isso fala mais sobre o seu estado do que sobre estado do mundo.

 

BÔNUS IDEOLÓGICO:
A liberdade não nos libertará

Você já deve ter ouvido os termos “neoliberal” ou “liberalismo econômico” associados a quem defende um capitalismo sem rédeas, ou seja, a quem pende politicamente para a direita. Parece contraintuitivo, pelo menos em português, associar a palavra “liberal” a quem defende uma posição conservadora e rejeita qualquer reforma gradual ou revolucionária no estado de coisas.

O “liberal” de “neoliberalismo” não se refere a alguém que tem a cabeça aberta, mas a quem insiste que o critério primeiro de justiça numa sociedade deve ser a liberdade – em particular a liberdade individual, e em particular uma liberdade sobre a qual o governo não tenha qualquer direito ou possibilidade de intervir.

É por isso, ao menos oficialmente, que a direita insiste num governo mínimo, que não interfira na sociedade além de promover e garantir o grande valor (a liberdade). Um governo que distribui dinheiro claramente não pende para a direita, porque [1] está intervindo na sociedade e [2] está supostamente passando por cima de uma liberdade com a qual ninguém deveria poder mexer. O rico, prevê esse raciocínio, é rico porque usou da sua liberdade para enriquecer. Distribuir dinheiro é muito injusto porque, se quisesse, o pobre poderia fazer uso do patrimônio de liberdade que todos têm em comum para alçar-se da sua posição.

Para que a justiça flua, insiste a direita, o mercado deve permanecer livre e desregulado. Num mercado e numa sociedade livres as distinções que existem entrem as pessoas, aquelas distinções que a esquerda gostaria de ver minimizadas, são resultado natural da liberdade de que todos desfrutam. São distinções que todos deveriam desejar que existissem, porque tratam-se da marca e do resultado da liberdade – e nada teria como ser mais admirável.

Que haja gente que pensa desse modo torna evidentemente o mundo mais interessante – mas não o torna mais justo, e seguramente não o torna mais cristão.

Há uma visível vantagem ideológica em ocultar a verdadeira ênfase da direita, que é “menos justiça social”, debaixo do slogan “menos governo”2. Tradicionalmente, a direita tende a defender quem distribui e assegura os privilégios vigentes, e no regime capitalista pós-nacional quem detém o poder não são os governos, mas as corporações. O governo é a único e incômodo fator que pode estabelecer algum limite para os destemperos corporativos, pelo que é tremendamente conveniente para o sistema tolher o seu poder de interferência.

Essa cuidadosa mudança de nomenclatura demonstra apenas que a direita aprendeu com o capitalismo o poder do reposicionamento de marca. “Liberal” sugere uma lucidez visionária que está absolutamente ausente da palavra “conservador”, e “garantir a liberdade” soa definitivamente mais simpático do que “garantir a distância entre as classes”.

O conteúdo conservador permanece inalterado. Na França monarquista a direita defendia a bandeira “mais governo” contra a Revolução porque isso implicava em “menos reforma e menos justiça social”, e na manutenção dos privilégios de quem os distribuía; hoje em dia a direita clama por “menos governo”, mas apenas porque o resultado desejado e esperado é o mesmo. Deu-se o nome de liberalização, cheio de conotações positivas, ao que é na verdade a manutenção das distâncias sociais de sempre.

Ao longo de décadas organismos internacionais de vertente neoliberal como o FMI e o Banco Mundial catequizaram as nações com crença de que a liberalização dos mercados criaria um mundo mais justo, diminuindo a distância entre países ricos e pobres no cenário global e a distância entre ricos e pobres dentro de cada nação. O que aconteceu, naturalmente, foi o contrário. As distinções apenas se perpetuaram e acentuaram-se as injustiças de sempre. Em 2007:

A globalização e liberalização, como motores do crescimento econômico e o desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas, segundo livro divulgado neste sábado pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A repartição da riqueza mundial piorou e os índices de pobreza se mantiveram sem mudanças entre 1980 e 2000. A desigualdade na renda per capita aumentou em vários países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) durante essas duas décadas, o que sugere que a desregulação dos mercados teve como resultado uma maior concentração do poder econômico.

“Houve uma tremenda liberalização financeira e se pensava que o fluxo de capital iria dos países ricos aos pobres, mas ocorreu o contrário”.
Folha de São Paulo

 

Se você requer notícia mais recente, esta é de hoje: 85 pessoas detém riqueza equivalente à de metade da população global.

“Vivemos num mundo em que impostos mais baixos, saúde e educação de melhor qualidade, bem como a oportunidade de exercer influência, estão sendo cada vez mais concedidos não só aos ricos, mas aos seus filhos.

Sem um esforço conjunto para se atacar a desigualdade, o efeito-cascata que acentua privilégios e condições desfavoráveis se estenderá sem interrupção às próximas gerações. Logo viveremos num mundo em que igualdade de oportunidade não passará de um sonho. Em inúmeros países o crescimento econômico já significa pouco mais do que uma herança ‘cheguei primeiro’ em favor dos ricos.”
The Guardian

 

Finalmente, que o capitalismo liberal é incompatível com os ideais cristãos entendeu Gandhi, entendeu Ambrósio de Milão e entendeu Ludwig von Mises – economista austro-húngaro, grave oponente do socialismo e ele mesmo um dos articuladores originais da doutrina do liberalismo de mercado. Para von Mises, Jesus era um sonhador que toda pessoa sensata deveria querer ignorar: “seus ensinos não têm quaisquer aplicações morais para a vida na terra.”3 Porque, se tiverem, estamos todos em enormes apuros.

Como aconteceu com H. G. Wells, como aconteceu com H. P. Lovecraft e como acontece com pouquíssimos cristãos, o economista liberal von Mises entendeu as implicações econômicas e políticas do ensino de Jesus. Entendeu que se Jesus não for ignorado o mundo terá de mudar de modos embaraçosos que ninguém iria querer desejar. O Filho do Homem insiste com tamanha intransigência na liberalidade (que não é liberalismo), no caráter desfigurante da riqueza e na fraternidade universal que von Mises concluiu ele mesmo o que nos deveria parecer evidente: “um cristianismo vivo não pode, ao que parece, existir lado a lado com o capitalismo”.

Chesterton: “Não é que o ideal cristão foi tentado e mostrou-se insatisfatório; ele foi considerado difícil e foi deixado sem tentar”.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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NOTAS
  1. Acho especialmente revelador que a direita brasileira, que insiste em chamar a esquerda de “despreparada”, não tenha sido capaz de preparar ao longo de mais de uma década um único candidato capaz de articular uma oposição equilibrada e atraente ao governo do PT. Sobre isso leia A sucessora. Naquele artigo previ que Dilma seria seguida por um presidente de direita, mas posso ter superestimado a capacidade da direita de preparar-se. []
  2. Especialmente na América Latina, onde desconfiar das boas intenções dos governos é nossa profissão; nesse sentido tenho orgulho de nós. []
  3. Ludwig von Mises, Socialism: An Economic and Sociological Analysis, capítulo 29. []

 

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