04 de Agosto de 2011

Só Chuck Norris consegue abraçar todos os gatos

Ilustração



O comentário mais votado no vídeo
Can’t hug every cat

Veja também:
A fabulosa Bíblia dos gatos rsrs

22 de Maio de 2010

Quatro [p]refilmagens históricas

Pormenor

A remixagem não para porque a remixagem somos nós.

Os Caçadores da Arca Perdida (1951)

O Império Contra-ataca (1950)

Forrest Gump (1949)

Os Caça-fantasmas (1954)

30 de Maio de 2009

Auto-Tune the news

Grandes Navegações

Atualização de 30/05
Alguém chamou-me a atenção para o fato de que Martin Luther King também sabe cantar: I have a dream.

* * *

It doesn’t get any better than that. A cultura da remixagem atingiu seu nirvana, seu formidável ápice, diante dos nossos olhos.

Auto-tune é um processador de áudio usado para corrigir as performance de cantores durante shows e gravações em estúdio. Foi esse afinador digital que possibilitou milagres da ciência moderna como discos da Xuxa.

The Gregory Brothers, quem quer que sejam, colocaram finalmente esse recurso para bom uso: remixagens humorísticas, melódicas e hipnóticas de jornais de televisão.

Clique na imagem para assistir. Não tem como ficar muito melhor do que isso.

Também aqui e aqui.

17 de Fevereiro de 2007

Trailer Remix

Sociedade

O que faz um gênero de filme? Para a cultura da reciclagem, o desafio está em encontrar para todas as coisas [pelo menos] um novo sentido.

Harry e Sally – feitos um para o outro remixado como filme de suspense

* * *

Os Dez Mandamentos remixado como comédia teen (“10 coisas que odeio nos mandamentos”)

* * *

Mary Poppins remixado como filme de terror (“Apavorante Mary”)

* * *

Sintonia de amor remixado como filme de suspense

* * *

O Iluminado remixado como comédia romântica (“Iluminado”)

Via BingBoing

Leia também:
Hung Up: A nova cultura da remixagem

19 de Junho de 2006

Hung Up: a nova cultura da remixagem

1984, Sociedade

O canto remix do pássaro-lira me trouxe à lembrança uma das críticas que muitos intelectuais fazem à cultura do nosso tempo: a de que somos uma época de muita reciclagem e pouca originalidade; de muito material requentado e pouca coisa nova.

O ícone e valente precursor dessa tendência é mesmo o remix – “nova mistura” ou “remexida”. Um remix é uma música feita a partir de trechos (samples, em inglês) de outra, dispostos contra um ritmo diferente, de modo a criar uma coisa nova a partir de retalhos do que já existe. Os remixes nasceram, pela iniciativa dos DJs (disk-jockeys), do desejo de reaproveitar uma música conhecida numa versão mais dançante, devidamente palátavel à pista de dança da discoteca ou da rave. Graças à mágica do remix é possível reinventar um sucesso dos anos 80 apertando-o contra uma mais contemporânea batida trance, ou contemporizar Beethoven emuldurando-o num obstinado tuche-tuche. A remixagem vive no limbo entre a criação e a cópia: trata-se de recortar e colar, pinçar, reciclar, redispor, reemoldurar.

Parente próximo da remixagem é o sampling, técnica pela qual se utiliza um trecho de uma gravação como um novo instrumento ou como base para uma nova gravação. Foi assim que a cantora Madonna criou em 2005 uma canção inteira, Hung Up, a partir da repetição de uma base instrumental do megasucesso de 1979, Gimme, Gimme, Gimme (A Man After Midnight), do grupo sueco Abba.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Madonna e Abba: Hung Up

A remixagem e o sampling são sem dúvida características proeminentes da nossa cultura – e em vários níveis além do musical. Somos uma metacultura: uma cultura que faz constantes referências a si mesma. No mundo do cinema, em especial, a remixagem está presente em inúmeras instâncias:

  • nas seqüências comerciais de filmes de sucesso (Parque dos Dinossauros 3, Velocidade Máxima 2, Alien 4, Sexta-feira 13 13);
  • nos filmes baseados em séries de televisão antigas (As Panteras, Os Gatões, Starsky & Hutch, O Fugitivo, A Feiticeira);
  • nos filmes baseados em livros ou histórias de quadrinhos (Homem-Aranha, Harry Potter, Batman, O Código Da Vinci, V de Vingança, Sin City, O Senhor dos Anéis, Corpo Fechado);
  • nas refilmagens de filmes de sucesso (King Kong, Cabo do Medo, O Pai da Noiva, Sabrina, O Massacre da Serra Elétrica, A Gaiola das Loucas, Onze Homens e Um Segredo)
  • nas sátiras de filmes de sucesso (Todo Mundo em Pânico, Top Gang);
  • nos filmes baseados ou “inspirados” em fatos reais (A Luta pela Esperança, Erin Brockovich, A Lista de Schindler).

Esse hábito de Hollywood de requentar material testado e aprovado e servi-lo sob nova roupagem está ligado à mesma lógica do trailer que conta tudo: a certeza de que as pessoas preferem submeter-se a conteúdo com a qual já estão previamente familiarizadas.

O problema dessa visão de mundo, opinam os críticos da cultura, é que ela glorifica a reciclagem em detrimento da criação de material original.

Outra instância em que essa tendência fica muito evidente é na blogosfera – o universo dos blogs – que subsiste basicamente do reaproveitamento circular de material encontrado pelo autor em outro lugar da net. Paradoxalmente, poucos blogs são de fato logs – “registros de atividade” ou “diários de bordo” Na verdade, muitos dos blogs mais populares da net, como o vertiginoso boingboing ou o eclético growabrain, são na verdade repositórios de links: o que eles fazem é redirecionar o leitor para uma série de endereços externos que podem ou não ser do seu interesse. “Está vendo?” exigem triunfantemente os críticos. “Muita reciclagem e pouco conteúdo original.” Como resultado, acusam eles, todos os blogs tendem a apontar para os mesmos destinos da rede, requentando incessantemente os mesmos materiais, afogando a criatividade e gerando uma temerária “mentalidade de colmeia”.

O paradoxo final está em que a remixagem toca terrenos perigosos no domínio do copyright. Tecnicamente, um DJ não pode usar legalmente no seu remix um trecho de uma gravação (nem um blogueiro copiar um parágrafo de outro) sem a autorização expressa do detentor dos direitos do material em questão; e, como a obsessão com os direitos autorais é outra característica dominante da nossa época, a dita autorização é freqüentemente difícil de conseguir, especialmente na ausência de alguma compensação financeira e muitas vezes mesmo diante da possibilidade dela.

O paradoxo está em que nossa cultura, que escolheu definir-se pela remixagem, tornou a remixagem particularmente difícil de legalizar.

* * *