25 de Novembro de 2011

A guerra dos reis

Goiabas Roubadas



ABRAÃO: A guerra dos reis

Em seu retorno do Egito as relações de Abraão com sua própria família foram perturbadas por circunstâncias importunas. Conflitos surgiram entre os pastores do seu gado e os pastores de Ló. Abraão colocou focinheiras no seu gado, mas Ló não se importou em fazê-lo. Quando os pastores que cuidavam do gado de Abraão confrontaram os pastores de Ló a respeito dessa omissão, eles responderam:

– É sabido que Deus disse a Abraão: “à sua descendência darei esta terra”. Mas Abraão é estéril como uma mula: nunca vai ter filhos. No dia em que ele morrer, Ló será seu herdeiro. Os rebanhos de Ló só estão consumindo o que é por direito deles e do mestre deles.

Mas Deus disse:

– É verdade, eu disse a Abraão que daria a terra à sua descendência, mas só depois que as sete nações fossem eliminadas da terra. Hoje em dia habitam ali os cananitas e os perizitas. Eles têm ainda o direito de habitação.

Porém, quando a disputa estendeu-se dos servos para os senhores, e Abraão inutilmente chamou Ló à responsabilidade pelo comportamento impróprio deles, Abraão decidiu que seria obrigado a separar-se de seu familiar, ainda que tivesse de obrigar Ló a fazê-lo à força. Desse modo Ló separou-se não apenas de Abraão, mas também do Deus de Abraão, e dirigiu-se a uma região na qual a imoralidade e o pecado reinavam sem rédeas, pelo que lhe sobreveio punição, pois mais tarde sua própria carne seduziu-o ao pecado.

Deus ficou desgostoso com Abraão por não viver em paz e harmonia com sua parentela do modo como vivia com o restante do mundo. Por outro lado, Deus também ressentiu-se de que Abraão estivesse aceitando tacitamente Ló como seu herdeiro, muito embora tivesse prometido a ela em palavras claras e inequívocas: “À tua descendência darei a terra”.

Depois de separar-se de Ló Abraão recebeu a confirmação de que um dia a terra pertenceria à sua descendência, a qual Deus multiplicaria como a areia da praia. Do mesmo modo que a areia enche a terra, os descendentes de Abraão se espalhariam por toda a terra, de um extremo a outro; do mesmo modo que a terra só é abençoada quando é umedecida com água, seus descendentes seriam abençoados através da Torá, que é comparável à água; do mesmo modo que a terra perdura mais do que o metal, sua descendência perduraria para sempre, enquanto os gentios desapareceriam; e do mesmo modo que a terra é pisoteada, sua descendência seria pisoteada pelos quatro reinos.

A partida de Ló teve sérias consequências, pois a guerra travada por Abraão contra os quatro reis esteve intimamente relacionada a ela. Ló desejava estabelecer-se no círculo bem irrigado do Jordão, mas a única cidade da planície disposta a recebê-lo foi Sodoma, cujo rei admitiu o sobrinho de Abraão por consideração ao tio.

Os cinco reis ímpios planejaram fazer primeiro guerra contra Sodoma, por causa de Ló, e em seguida avançar contra Abraão – pois um dos cinco, Amrafel, não era outro que não Ninrode, antigo inimigo de Abraão.

O motivo imediato da guerra foi o seguinte: Quedorlaomer, um dos generais de Ninrode, rebelou-se contra ele depois que os construtores da torre foram dispersados, declarando-se rei de Elam. Ele em seguida subjugou as tribos canitas que viviam nas cinco cidades da planície do Jordão, tornando-as suas tributárias. Por doze anos essas cidades foram fiéis ao seu soberano governante Quedorlaomer, mas depois disso recusaram-se a pagar o tributo, persistindo em sua insubordinação por treze anos.

Aproveitando-se do embaraço de Quedorlaomer, Ninrode conduziu um exército de sete mil guerreiros contra seu antigo general. Na batalha travada entre Elam e Shinar, Ninrode sofreu uma desastrosa derrota, perdendo seis mil soldados, e entre os abatidos estava o filho do rei, Mardon.

Humilhado e abatido, Ninrode voltou para seu país e foi obrigado a reconhecer o suseranato de Quedorlaomer, que por sua vez formou em seguida uma aliança com Arioque, rei de Elasar, e Tidal, rei de diversas nações, com o propósito de esmagar as cidades do círculo do Jordão.

A força conjunta desses reis, totalizando oitocentos mil homens, marchou contra as cinco cidades, subjugando o que quer que encontrassem no caminho e exterminando os descendentes dos gigantes. Fortalezas, cidades muradas e terrenos em campo aberto caíram todos nas suas mãos.

Eles avançaram deserto adentro até a nascente que brotava da rocha de Kadesh, o lugar apontado por Deus como lugar onde se proferiria julgamento contra Moisés e Arão por causa das águas da discórdia.

Dali voltaram-se para a porção central da Palestina, a região das tâmaras, onde foram ao encontro dos cinco reis sem deus: Bera, o vil, rei de Sodoma; Birsha, o pecador, rei de Gomorra; Shinabe, o odiador do pai, rei de Admá; Shemeber, o voluptuoso, rei de Zeboim; e o rei de Bela, a cidade que devora seus habitantes. Os cinco foram empurrados para o fértil vale de Siddim, cujos canais formam o Mar Morto. Os soldados que restaram fugiram para as montanhas, mas os reis caíram nos poços de lodo e ficaram presos ali. Só o rei de Sodoma foi resgatado, miraculosamente, para que pudesse converter à fé em Deus os pagãos que não haviam crido, no maravilhoso livramento de Abraão da fornalha ardente.

Os vitoriosos despojaram Sodoma de seus bens e provisões, e tomaram também Ló, vangloriando-se: “Tomamos cativo o filho do irmão de Abraão!” – revelando nisso que o verdadeiro objeto de sua empreitada era o mais profundo desejo de atingir Abraão.

Era a primeira noite da Páscoa, e Abraão estava comendo do pão sem fermento, quando o arcanjo Miguel trouxe a ele a notícia do cativeiro de Ló. Essa anjo tem também outro nome, Palit – o sobrevivente, – porque quando Deus lançou Samael e seu exército de seu lugar santo no céu, o líder rebelde agarrou Miguel e tentou arrastá-lo consigo para baixo, e Miguel só escapou de cair do céu através da ajuda divina.

Quando chegou-lhe a notícia da condição de seu sobrinho perverso, Abraão colocou imediatamente de lado todas as suas desavenças com Ló, e sua única preocupação passou ser encontrar modos e meios de libertá-lo. Ele convocou seus discípulos, aos quais havia ensinado a verdadeira fé e que chamavam-se todos pelo nome de Abraão, deu-lhes ouro e prata e disse:

– Saibam que estamos partindo para a guerra com o propósito de salvar vidas humanas. Peço, portanto, que não cobicem o dinheiro dos outros; eis aqui ouro e prata diante de vocês.

E advertiu-os também com as seguintes palavras:

– Estamos nos preparando para guerrear. Que não se aliste qualquer um que tenha cometido uma transgressão e que teme que a punição divina pode recair sobre ele.

Alarmados por essa advertência, ninguém quis alistar-se no seu exército, temerosos por causa dos seus pecados. Somente Eliezer permaneceu com ele, pelo que Deus disse:

– Todos o abandonaram, menos Eliezer. Pois saiba que darei a ele a força dos trezentos e dezoito homens cujo auxílio você buscou em vão.

A batalha travada contra os poderosos exércitos dos reis, e da qual Abraão saiu vitorioso, aconteceu no décimo quinto dia do mês de Nisã, a noite designada para feitos miraculosos. As flechas e pedras lançadas contra ele não produziram efeito algum, mas a poeira, a palha e o restolho que Abraão atirasse contra o inimigo era transformada em dardos e espadas mortais. Abraão, com a altura de setenta homens, e requerendo a comida e a bebida de setenta homens, marchou avante com passos de gigante – cada passo medindo quatro milhas, – até alcançar os reis e aniquilar as suas tropas. Mais adiante ele não teve como ir, pois havia chegado a Dã, onde mais tarde Jeroboão ergueria os bezerros de ouro, e nesse local fatídico a força de Abraão diminuiu.

Sua vitória só foi possível porque os poderes celestiais tomaram o lado dele. O planeta Júpiter fez com que a noite ficasse iluminada, e um anjo chamado Laila lutou por ele. Num sentido muito verdadeiro, foi uma vitória de Deus. Todas as nações reconheceram a sua como uma realização mais do que divina; fizeram um trono para Abraão e o colocaram no campo de batalha. Quando tentaram fazer com que se assentasse nele, entre exclamações de “És nosso rei! És nosso príncipe! És nosso deus!”, Abraão os repeliu, e disse:

– O universo tem o seu Rei, e tem o seu Deus!

Ele recusou todas as honras e devolveu a cada homem a sua propriedade. Só as criancinhas ele reteve para si; criou-as no conhecimento de Deus, e elas mais tarde expiaram a desgraça de seus pais.

De modo um tanto arrogante, o rei de Sodoma resolveu encontrar-se com Abraão. Ele estava orgulhoso de que um grande milagre, seu resgate de um poço de lodo, tivesse sido feito também em favor dele, e propôs que Abraão ficasse com os despojos que havia tomado. Mas Abraão se recusou:

– Elevei minha mão em juramento ao Senhor, o Altíssimo, que criou o mundo por causa dos piedosos, de que não ficaria com um barbante, um cadarço ou coisa alguma que lhe pertence. Não tenho direito sobre quaisquer bens tomados como despojo, com exceção daquilo que comeram os jovens e a porção dos homens que se demoraram nas vizinhanças, embora não tenham se envolvido na batalha em si.

O exemplo de Abraão, de dar uma porção dos despojos até mesmo aos homens que não haviam se envolvido diretamente na batalha, foi seguido mais tarde por Davi, que não deu ouvidos ao protesto dos perversos e indignos que estavam com ele, de que os sentinelas não tinham direito de se beneficiar da mesma forma que os guerreiros que haviam se envolvido na batalha.

Apesar de sua grande vitória, Abraão estava ainda preocupado com a questão da guerra. Ele temia por ter sido transgredida a proibição de se derramar o sangue de seres humanos, e temia também o ressentimento de Sem, cujos descendentes haviam perecido no embate. Porém Deus o tranquilizou:

– Não tenha medo. Você só extirpou os chifres. Quanto a Sem, ele vai abençoá-lo, não maldizê-lo.

E assim foi. Quando Abraão voltou da guerra, Sem – ou, como é às vezes chamado, Melquisedeque, rei da justiça, sacerdote do Altíssimo e rei de Jerusalém, – veio ao encontro dele com pão e vinho. Esse sumo sacerdote instruiu Abraão sobre as leis do sacerdócio e sobre a Torá, e a fim de demonstrar sua amizade Melquisedeque o abençoou e chamou-o de parceiro de Deus na possessão do mundo, visto que através dele o nome de Deus seria primeiro tornado conhecido entre os homens. Melquisedeque, no entanto, arranjou as palavras de sua benção de um modo inconveniente: ele disse primeiro o nome de Abraão, depois o de Deus. Como punição, foi deposto por Deus de sua dignidade sacerdotal, que foi transferida desse modo para Abraão, com cujos descendentes permaneceu para sempre.

Como recompensa pela santificação do Santo Nome, o que Abraão promoveu quando recusou-se a reter qualquer um dos bens que havia angariado em batalha, seus descendentes receberam dois mandamentos: a regra das franjas na borda de suas túnicas e a regra do uso de cadarços como sinais nas suas mãos e por frontais entre os olhos. Desse modo eles celebram o fato de que seu ancestral recusou-se a apropriar-se de sequer um barbante ou um cadarço. E porque ele recusou-se a tocar um cadarço que fosse dos despojos, seus descendentes jogaram seu sapato sobre Edom.

* * *

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.

05 de Agosto de 2011

O primeiro faraó

Goiabas Roubadas

ABRAÃO: O primeiro faraó

O governante egípcio cujo encontro com Abraão mostrou ser ocasião tão infeliz foi o primeiro a levar o nome de Faraó. Os reis que o sucederam foram nomeados a partir dele.

A origem do nome está ligada à vida e às aventuras de Rakyon, o Despossuído, um homem bonito, sábio e pobre que vivia na terra de Shinar. Encontrando-se incapaz de se sustentar em Shinar, Rakyon resolveu partir para o Egito, onde esperava exibir sua sabedoria diante do rei, Ashwerosh, filho de Anam. Quem sabe Rakyon encontrasse graça aos olhos do rei, e ele lhe desse a oportunidade de se sustentar e de tornar-se um grande homem. Quando chegou ao Egito ele descobriu que era costume do país que o rei vivesse retirado em se palácio, distante da vista do povo. Num único dia do ano ele aparecia em público, e recebia a todos que tinham alguma petição a submeter a ele.

Profundamente desapontado, Rakyon ficou sem saber o que fazer para ganhar a vida naquele país estranho. Foi obrigado a passar a noite numa ruína, faminto como estava. No dia seguinte decidiu tentar ganhar alguma coisa vendendo verduras, mas como não conhecia os costumes do país seu empreendimento não foi bem sucedido. Malfeitores o assaltaram, tomaram sua mercadoria e fizeram dele alvo de zombaria. Na segunda noite, que ele foi forçado a passar novamente na ruína, um plano astucioso foi amadurecendo em sua mente. Ele levantou-se, reuniu uma turma de trinta homens vigorosos e levou-os ao cemitério, onde ordenou-os, em nome do rei, a cobrar duzentas peças de prata por cada corpo que enterrassem; sem o pagamento nenhum enterro deveria ser realizado. Desse modo ele conseguiu acumular uma grande fortuna em oito meses; não apenas acumulou prata, ouro e pedras preciosas, mas anexou uma tropa considerável, armada e montada, à sua pessoa.

No dia em que o rei apareceu entre o povo, as pessoas começaram a reclamar dessa taxa sobre os mortos:

– O que é isso que o senhor está infligindo sobre seus servos: não permitir que ninguém seja enterrado sem que lhe seja pago prata e ouro? Eis algo que jamais aconteceu desde os dias de Adão: que os mortos não sejam enterrados a não ser mediante pagamento! Sabemos que é privilégio do rei tomar uma taxa anual dos vivos, mas o senhor toma tributo também dos mortos, e o faz dia após dia. Ah rei, isso não podemos mais suportar, pois por essa razão toda a cidade está arruinada.

O rei, que nada suspeitava dos feitos de Rakyon, foi tomado de grande fúria quando o povo lhe informou a respeito deles. Mandou que ele e sua tropa armada comparecessem diante dele.

Rakyon não veio de mãos vazias. Foi precedido por um milhar de rapazes e moças, montados em corcéis e trajando indumentárias riquíssimas; esses foram dados como presente ao rei. Quando ele mesmo apareceu diante do rei, Rakyon veio trazendo ouro, prata e diamantes em abundância, bem como um magnífico cavalho de batalha. Esses presentes e a exibição de pompa não deixaram de impressionar o rei, e quando Rakyon, em palavras bem estudadas e com toda persuasão, descreveu-lhe o empreendimento, conquistou não apenas o rei para o seu lado, mas com ele toda a corte. O rei lhe disse:

– De agora em diante você não será mais chamado Rakyon/Despossuído, mas Faraó/Mestre dos pagamentos, pois chegou a coletar taxas dos mortos.

Tão profunda foi a impressão produzida por Rakyon que o rei, os grandes e o povo decidiram de comum acordo colocar o governo do reino nas mãos de Faraó. Sob a suserania de Ashwerosh ele passou a administrar a lei e a justiça ao longo do ano; só no dia em que aparecia diante do povo o rei proferia julgamento e decidia casos. Por via do poder que lhe foi conferido e de estratagemas astuciosos, Faraó conseguiu usurpar a autoridade real, coletando impostos de todos os habitantes do Egito. Apesar disso era amado pelo povo, e foi decretado que todo governante do Egito traria dali em diante o nome de Faraó.

* * *

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.

07 de Julho de 2011

Sua estadia no Egito

Goiabas Roubadas



ABRAÃO: Sua estadia no Egito

Mal Abraão havia se estabelecido em Canaã, irrompeu uma devastadora fome – uma das dez fomes que Deus designou para castigo dos homens. A primeira ocorreu no tempo de Adão, quando Deus amaldiçoou o solo por causa dele; a segunda foi no tempo de Abraão; a terceira forçou Isaque a abrigar-se entre os filisteus; as devastações da quarta levou os filhos de Jacó ao Egito para comprar trigo por alimento; a quinta veio no tempo dos juízes, quando Elimeleque e sua família tiveram de buscar refúgio na terra de Moabe; a sexta ocorreu durante o reinado de Davi e durou três anos; a sétima aconteceu nos dias de Elias, que havia jurado que nem orvalho nem chuva cairiam sobre a terra; a oitava foi aquela do tempo de Eliseu, quando uma cabeça de asno foi vendida por oitenta peças de prata; a nona é a fome que sobrevêm aos homens gradativamente, de tempos em tempos; a décima flagelará os homens antes do advento do Messias, e essa será “não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor”1.

A fome no tempo de Abraão só prevaleceu em Canaã, e havia sido infligida sobre a terra a fim de testar a fé dele. Abraão não murmurou e não demonstrou qualquer sinal de impaciência com relação a Deus, que havia lhe dito pouco tempo antes para abandonar sua terra nativa por uma terra de privação. A fome forçou-o a deixar Canaã por algum tempo, e ele dirigiu-se ao Egito, para conhecer a sabedoria dos sacerdotes e, se necessário, dar-lhes instrução sobre a verdade.

Na viagem de Canaã para o Egito Abraão observou pela primeira vez a beleza de Sara. Casto como era, ele não havia jamais olhado para ela, porém agora, quando cruzavam um riacho, ele viu o reflexo da sua beleza na água como se fosse o esplendor do sol. Pelo que disse a ela:

– Os egípcios são gente muito sensual; vou colocá-la num baú para que nenhum mal me sobrevenha por sua causa.

Na fronteira do Egito, os coletores de impostos perguntaram o conteúdo do baú, e Abraão disse que estava trazendo cevada nele.

– Não – disseram eles, – está cheio de trigo.

– Muito bem – respondeu Abraão, – estou pronto a pagar a taxa pelo trigo.

Os oficiais então arriscaram outro palpite:

– Está cheio de pimenta!

Abraão concordou em pagar a taxa pela pimenta e não recusou a pagar a taxa por ouro, e finalmente pedras preciosas. Vendo que ele não se opunha a taxa alguma, por mais alta que fosse, os coletores de impostos encheram-se de suspeita e insistiram que ele abrisse o baú e deixasse-os examinar o conteúdo.

Quando abriram à força o baú, o Egito inteiro resplandeceu com a beleza da Sara. Comparada a ela, as outras belezas eram como homens comparados a macacos. Sara superava a própria Eva. Cada servo do faraó ofereceu um um preço mais alto para comprá-la, embora opinassem também que beleza tão radiante não deveria permanecer propriedade de um só indivíduo. Foram relatar a questão ao rei, e o faraó mandou uma poderosa tropa armada para trazer Sara ao palácio; tão encantado ele ficou com os charmes dela que os que haviam trazido a notícia de sua chegada ao Egito receberam abundantes dádivas.

Em lágrimas, Abraão elevou uma oração a Deus com as seguintes palavras: “É essa minha recompensa por confiar no senhor? Por sua graça e sua longanimidade, não permita que minha esperança seja envergonhada”.

Sara também implorou a Deus: “Ó Deus, o senhor ordenou o meu mestre Abraão a deixar a sua casa, a terra de seus ancestrais, e viajar a Canaã, e prometeu recompensá-lo se ele cumprisse os seus mandamentos. Agora fizemos como o senhor nos ordenou: deixamos nosso país e nossas famílias, e viajamos para uma terra estranha, a um povo que nos era até então desconhecido. Viemos para cá salvar nossa gente da fome, e agora esse terrível infortúnio nos sobrevêm. Ah, Senhor, ajude-me e salve-me da mão desse inimigo, e pela sua graça mostre-me o seu benefício”.

Um anjo apareceu a Sara enquanto ela estava na presença do rei, a quem o anjo não tornou-se visível, e disse que ela tivesse coragem:

– Não tenha medo, Sara: Deus ouviu a sua oração.

O rei perguntou a Sara sobre o homem na companhia de quem viera ao Egito, e Sara chamou Abraão de seu irmão. O faraó prometeu fazer de Abraão um homem grande e poderoso, e fazer em favor dele qualquer coisa que ela desejasse. Fez com que Abraão recebesse muito ouro e prata, e diamantes e pérolas, ovelhas e bois, escravos e escravas, e designou-lhe uma residência nos átrios do palácio real. Pelo amor que nutria por Sara, o faraó redigiu um contrato de casamento pelo qual lhe transferia tudo que possuía na forma de ouro e prata e escravos e escravas, e ainda a província de Gosém, a região ocupada posteriormente pelos descendentes de Sara, por ser de direito sua propriedade. Ainda mais notável, deu-lhe como escrava sua própria filha Hagar, pois preferia ver sua filha como serva de Sara do que reinando como concubina em outro harém.

Toda essa sua generosidade de nada adiantou. Durante a noite, quando o faraó aproximava-se de Sara, um anjo aparecia armado com um bastão. Se o faraó apenas tocava o calçado de Sara para removê-lo do pé, o anjo plantava-lhe um golpe na mão; se pegava-lhe no vestido, seguia-se um segundo golpe. Antes de cada golpe o anjo perguntava a Sara se tinha permissão de desferi-lo; se ela ordenava que ele desse ao faraó um momento para se recuperar, o anjo obedecia e fazia como ela lhe ordenara.

E outro grande milagre aconteceu. O faraó, seus nobres e seus servos, e até mesmo as paredes de sua casa e sua cama foram afligidos com lepra, de modo que ele não tinha como entregar-se a seus desejos carnais. A noite em que o faraó e sua corte receberam essa merecida punição foi a décima quinta noite de Nisã, a mesma noite na qual Deus posteriormente visitou os egípcios a fim de redimir Israel, os descendentes de Sara.

Horrorizado pela praga enviada sobre ele, o faraó inquiriu de que modo podia livrar-se dela. Ele consultou os sacerdotes, através dos quais descobriu a verdadeira causa de sua aflição, que também foi corroborada por Sara. Ele então chamou Abraão e devolveu-lhe a esposa, pura e intocada, e pediu desculpas pelo ocorrido, explicando que sua intenção tinha sido ligar-se por laços de família a Abraão, que ele pensava ser irmão de Sara, através do casamento com ela. Ele ofertou ao marido e à esposa ricos presentes, e assim partiram para Canaã, depois de uma estadia de três meses no Egito.

Chegando em Canaã, procuraram as mesmas pousadas em que haviam dormido anteriormente, a fim de pagar suas contas, e também a fim de ensinar, pelo seu exemplo, que não vale à pena buscar um novo lugar para se viver, a não ser quando se é forçado a tanto.

A estadia de Abraão no Egito foi de grande utilidade para os habitantes daquele país, porque ele demonstrou aos sábios da terra quão vazias e vãs eram suas concepções da realidade, tendo também ensinado a eles astronomia e astrologia, desconhecidas no Egito antes da chegada dele.

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Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.

NOTAS
  1. Amós 8:11 []
26 de Abril de 2010

Abraão em Canaã

Goiabas Roubadas

ABRAÃO: Abraão em Canaã

Com dez tentações Abraão foi tentado, e ele resistiu a todas, ficando demonstrado quão grande era o seu amor. A primeira prova a que foi submetido foi a partida de sua terra natal. As dificuldades que enfrentou foram numerosas e severas, e Abraão além disso tinha reservas contra deixar sua casa. Ele disse a Deus:

– Será que não dirão de mim: “ele está se empenhando para trazer todas as nações para debaixo das asas da shekiná/glória divina, mas agora abandona seu velho pai em Harã e vai embora”?

Porém Deus respondeu:

– Descarte do pensamento qualquer preocupação com seus pais ou com seus familiares. Eles podem até dirigir a você palavras gentis, mas estão todos de acordo no propósito de arruiná-lo.

Abraão então deixou seu pai em Harã e peregrinou até Canaã, acompanhado pela benção de Deus, que disse a ele: “Farei a partir de você uma grande nação; eu o abençoarei e farei com que seu nome se torne grande”. Essas três bençãos foram designadas para neutralizar as consequências negativas que, ele temia, ocasionariam a emigração – pois viajar de um lugar para o outro interfere com o crescimento da família, diminui o patrimônio e prejudica a reputação de que a pessoa desfrutava.

A maior de todas as bençãos, no entanto, foi quando Deus disse: “E você mesmo, seja uma benção”, sendo que seu significado ~e que todos que entraram em contato com Abraão foram abençoados. Até mesmo os navegadores no mar tornaram-se devedores dele pelo sucesso de suas viagens. Deus, além disso, manteve a promessa que fez a ele de que no futuro seu nome seria mencionada nas Bençãos – que Deus seria louvado como o Escudo de Abraão, distinção conferida a nenhum outro mortal além de Davi. Porém as palavras “E você mesmo, seja uma benção” só serão cumpridas no mundo futuro, quando a semente de Abraão será conhecida entre as nações e sua geração entre os povos como “a descendência que o Senhor abençoou”.

Na primeira vez em que foi dito a Abraão que deixasse sua terra não lhe foi dito para qual país deveria imigrar – e por obedecer esse comando de Deus sua recompensa se mostraria proporcionalmente maior. Abraão demonstrou sua confiança em Deus, pois disse:

– Estou pronto a ir para onde for que o senhor me mandar.

O Senhor então disse a ele que fosse para uma terra que ele mesmo iria revelar; mais tarde, quando Abraão foi a Canaã, Deus apareceu a ele, e ele soube que aquela era a terra prometida.

Quando entrou em Canaã Abraão não soube imediatamente que aquela era terra que lhe havia sido designada por herança, mas ainda assim encheu-se de alegria por ter entrado nela. Na Mesopotâmia e em Aramnaharaim, cujos habitantes havia visto comendo, bebendo e agindo com impudência, ele sempre havia desejado: “ah, que minha porção não seja nesta terra”; porém quando chegou a Canaã e observou que ali as pessoas se dedicavam diligentemente ao cultivo da terra, Abraão disse: “ah, que minha porção seja nesta terra!”

E Deus disse a ele:

– À tua descendência darei esta terra.

Feliz diante desta boa nova, Abraão erigiu um altar ao Senhor a fim de agradecer-lhe por essa promessa, depois seguiu viagem para o sul, na direção do lugar onde mais tarde se ergueria o Templo. Em Hebrom ele erigiu outro altar, tomando dessa forma posse da terra por completo. Semelhantemente, erigiu um altar em Ai, porque previu o infortúnio que ali recairia sobre a sua descendência, por ocasião da conquista da terra sob a liderança de Josué. Esse altar, ele esperava, seria capaz de impedir os terríveis resultados que se seguiriam.

Cada altar erguido por ele tornava-se o centro de suas atividades missionárias. Tão logo chega ao lugar em que desejava se demorar, Abraão montava primeiro uma tenda para Sara, depois outra para si mesmo, e passava em seguida a fazer convertidos e trazê-los para debaixo das asas da shekiná. Dessa forma ele cumpria o seu propósito de levar todos os homens a confessarem o nome de Deus.

Por enquanto Abraão não passava de um estrangeiro em sua terra prometida. Depois da divisão da terra entre os filhos de Noé, quando todos haviam ocupado as porções que lhes haviam sido designadas, aconteceu que Canaã, filho de Cão, viu como era boa a terra que se estendia do Líbano ao Rio do Egito, e recusou-se a partir para o seu próprio lote. Ele fixou-se na terra acima do Líbano, a leste da orla do Jordão e a oeste da orla do mar. Cão, seu pai, e seus irmãos Cuche e Mizraim disseram a ele:

– Você está morando numa terra que não é sua, porque não nos foi designada quando as sortes foram lançadas. Não faça isso! Se insistir nesse erro você e seus filhos cairão, malditos, sobre a terra, em rebelião. Foi rebelião você fixar-se nesta região, e através de rebelião seus filhos tombarão, e sua descendência será destruída para toda a eternidade. Não fique vivendo na terra de Sem, pois a Sem e aos filhos dele essa porção de terra foi designada. Maldito é você, e maldito será diante de todos os filhos de Noé por conta dessa maldição, pois fizemos um juramento diante do santo juiz e diante de nosso pai Noé.

Porém Canaã não deu ouvidos às palavras de seu pai e de seus irmãos; habitou com seus filhos na terra do Líbano de Hamate até a própria entrada do Egito. Embora os cananeus tivessem se apropriado ilegalmente daquela terra, Abraão respeitou-lhes os direitos, colocando focinheiras em seus camelos para impedir que se apascentassem na propriedade de outros.

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Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.

12 de Abril de 2010

O iconoclasta

Goiabas Roubadas



ABRAÃO: O iconoclasta

Tera, no entanto, não estava convencido. Em resposta à pergunta de Abraão, sobre qual Deus havia criado o céu e a terra e os filhos dos homens, Tera levou-o até um salão onde se erguiam doze ídolos grandes e uma multidão de ídolos menores, apontou para eles e disse:

– Aqui estão aqueles que fizeram tudo que você vê sobre a terra, aqueles que criaram a mim e a você e todos os homens sobre a terra.

Ele em seguida inclinou-se em reverência aos seus deuses e saiu da sala com seu filho.

Abraão foi então até sua mãe e disse a ela:

– Meu pai mostrou-me aqueles que fizeram o céu e a terra e todos os filhos dos homens. Agora, mande trazer depressa um cabrito do rebanho e prepare uma carne saborosa, para que eu ofereça aos deuses do meu pai; quem sabe através dessa oferta eu me torne aceitável para eles.

Sua mãe fez como ele havia pedido, mas quando trouxe a oferta aos deuses Abraão viu que eles não tinham voz, nem audição, nem movimento, e que nenhum deles estendeu a mão para comer. Abraão zombou deles:

– Está certo, a carne saborosa que preparei não está de acordo com o seu paladar, ou talvez seja porção pequena demais para vocês. Amanhã vou preparar uma nova carne saborosa, mais gostosa e mais abundante do que essa, para ver o que acontece.

Os deuses, no entanto, permaneceram mudos e imóveis diante da segunda oferta de carne saborosa, tal como diante da primeira, pelo que o espírito de Deus veio sobre Abraão, que clamou:

– Ai de meu pai e de sua geração perversa, cujos corações estão inclinados à vaidade, que servem ídolos de madeira e de pedra, incapazes de comer, de cheirar, de ouvir, de falar; que têm boca mas não falam, olhos mas não veem, ouvidos mas não ouvem, mãos mas não sentem, pernas mas não se movem!

Abraão então pegou uma machadinha e quebrou todos os deuses do seu pai, e depois de quebrá-los todos colocou a machadinha na mão do maior dos deuses. Em seguida saiu. Tera, tendo ouvido o barulho da machadinha contra a pedra, correu até o salão dos ídolos e chegou quando Abraão estava saindo. Quando viu o que havia acontecido saiu correndo atrás de Abraão e disse:

– Que maldade é essa que você fez com meus deuses?

– Levei uma carne saborosa para eles – respondeu Abraão. – Quando me aproximei para que pudessem comer, todos estenderam a mão para pegar a carne antes que o grande tivesse se servido. Enfurecido por causa desse comportamento, ele pegou a machadinha e quebrou-os todos. Olhe, a machadinha ainda está na mão dele, como o senhor pode ver.

Tera ficou indignado com Abraão e disse:

– É mentira! Esses deuses por acaso tem alma, espírito ou poder para fazer tudo isso que você me disse? Não são por acaso madeira e pedra? Não fui eu mesmo que os fiz? Foi você que colocou a machadinha na mão do deus maior, e foi você que inventou dizer que ele matou a todos.

Abraão respondeu ao pai:

– Como pode o senhor, então, servir esses ídolos nos quais não há poder para fazer coisa alguma? Por acaso esses ídolos em que o senhor confia podem salvá-lo? Podem ouvir suas orações quando o senhor os invoca?

Depois de dizer essas e semelhantes palavras, admoestando seu pai a corrigir sua conduta e deixar de adorar ídolos, Abraão pulou diante de Tera, pegou a machadinha do ídolo grande, despedaçou-o com ela e saiu correndo.

Tera correu até Ninrode, ajoelhou-se diante dele e pediu que ouvisse a sua história, do filho que lhe havia nascido cinquenta anos atrás, e o que havia feito aos seus deuses, e o que havia dito.

– Agora, então, meu senhor e rei – disse ele, – mande que ele venha até a sua presença, para que o senhor o julgue em conformidade com a lei, para que sejamos livres deste mal.

Quando foi trazido à presença do rei Abraão contou-lhe a mesma história que havia contado a Tera, sobre o deus grande que havia destruído os menores, mas o rei respondeu:

– Ídolos não falam, nem comem, nem se movem.

Abraão então repreendeu-o por adorar deuses incapazes de qualquer coisa, e admoestou-o a servir o Deus do universo. Suas últimas palavras foram:

– Seu o seu coração perverso não der ouvidos às minhas palavras, levando-o a abandonar sua má conduta e passar a servir o Deus eterno, você morrerá de forma vergonhosa nos últimos dias: você, sua família e todos os ligados a você: todos que ouvem as suas palavras e imitam a sua má conduta.

O rei ordenou que Abraão fosse lançado na prisão, e ao fim de dez dias fez com que comparecessem diante dele todos os príncipes e grandes homens do reino, aos quais expôs o caso de Abraão. O veredito do grupo foi que o acusado deveria ser queimado; em conformidade com isso o rei fez com que um grande fogo fosse preparado por três dias e três noites, em sua fornalha em Kasdim, e Abraão foi levado da prisão até ali para ser queimado.

Todos os habitantes daquela terra, cerca de novecentos mil homens, bem como as mulheres e crianças, vieram ver o que seria feito com Abraão. Quando ele foi trazido os astrólogos o reconheceram e disseram ao rei:

– Com certeza, este é o homem que conhecemos quando criança; foi por ocasião do seu nascimento que a estrela grande engoliu as quatro estrelas. Preste atenção, porque o pai dele transgrediu as suas ordens e zombou da sua autoridade, pois trouxe outra criança até o senhor e o senhor a matou.

Tera ficou muito apavorado, temendo a ira do rei, e admitiu que o tinha enganado. Quando o rei perguntou: “Quem foi que o aconselhou a agir assim? Não esconda nada e você não morrerá”, Tera acusou falsamente Harã, que por ocasião do nascimento de Abraão tinha trinta e dois anos, de tê-lo aconselhado a enganar o rei. Ao comando do rei, Abraão e Harã, despidos de todas as roupas com exceção de suas ceroulas, com as mãos e pés amarrados com cordas de linho, foram lançados dentro da fornalha. Harã, cujo coração não era perfeito diante do Senhor, pereceu no fogo, e os homens que os atiraram na fornalha também foram queimados por chamas que se lançaram sobre eles. Apenas Abraão foi salvo pelo Senhor, e não foi queimado, muito embora as cordas que o amarrassem tenham sido consumidas. Por três dias e três noites Abraão caminhou dentro do fogo, e todos os servos do rei vieram lhe contar:

– Olhe, vimos Abraão andando no meio do fogo.

A princípio o rei não lhes deu crédito, mas quando alguns de seus príncipes mais leais corroboraram as palavras dos servos ele levantou-se e foi ver por si mesmo. Ele então ordenou aos servos que tirasse Abraão do fogo, mas eles não conseguiram, porque as chamas se lançavam sobre eles da fornalha. Quando tentaram novamente, ao comando do rei, aproximar-se da fornalha, as chamas se projetaram para fora e queimaram seus rostos, de modo que oito deles morreram no total. O rei então disse a Abraão:

– Como é que você não foi consumido pelo fogo?

E Abraão respondeu:

– O Deus do céu e da terra, em quem confio e quem todas as coisas sob o seu poder, ele me livrou do fogo no qual você fez que eu fosse lançado.

* * *

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.