03 de Março de 2008

Enos

Goiabas Roubadas

AS DEZ GERAÇÕES: Enos

Perguntaram a Enos o nome do seu pai e ele disse “Sete”. Os que perguntavam, a gente do seu tempo, prosseguiram:

– E o pai de Sete, quem foi?

Enos:

– Adão.

– E o pai de Adão, quem foi?

– Adão não teve pai nem mãe, Deus formou-o do pó da terra.

– Mas o homem não se parece em nada com pó!

– Depois de morrer o homem retorna ao pó, como Deus disse: “o homem ao pó voltará”. Mas no dia da sua criação o homem foi feito à imagem de Deus.

– E a mulher, como foi criada?

– Macho e fêmea os criou.

– Mas como?

– Deus tomou água e terra e moldou-os na forma de homem.

– Mas como? – insistiram os que o questionavam.

Enos tomou seis torrões de terra, misturou-os e modelou-os, formando uma imagem a partir de pó e argila.

– Mas – disseram as pessoas – essa imagem não anda nem tem qualquer sopro de vida.

Enos foi então mostrar como Deus soprara o fôlego da vida nas narinas de Adão, mas quando começou a soprar na imagem que tinha formado Satanás entrou nela, e a figura começou a andar, e as pessoas do seu tempo que haviam estado perguntando a Enos sobre esses assuntos saíram correndo atrás dela, dizendo:

– Qual é a diferença entre ajoelhar diante desta imagem e demonstrar deferência a um homem?

Suas feições passaram a lembrar centauros e macacos, e os demônios perderam o medo dos homens.

A geração de Enos foi por essa razão a primeira de adoradores de ídolos, e a punição pela sua insensatez não demorou a chegar. Deus fez com o mar ultrapassasse seus limites, e parte da terra foi inundada. Foi também ocasião em que as montanhas tornaram-se rochas, e os cadáveres dos homens começaram a apodrecer. Outra conseqüência do pecado da idolatria foi que as feições dos homens deixaram de ostentar a imagem e semelhança de Deus, como faziam os rostos de Adão, Sete e Enos. Suas feições passaram a lembrar centauros e macacos, e os demônios perderam o medo dos homens.

Porém as práticas idólatras introduzidas na época de Enos trouxeram uma conseqüência ainda mais grave. Quando Deus expulsou Adão do Paraíso a Shekiná ficou para trás, entronizada acima de um querubim sob a árvore da vida. Os anjos desciam em hostes do céu e iam até ela para receber suas instruções, e Adão e seus descendentes sentavam-se junto do portão para aquecer-se no esplendor da Shekiná, sessenta e cinco vezes mais brilhante do que o esplendor do sol. Este brilho da Shekiná cura as doenças de todos sobre os quais recai, e nem insetos nem demônios podem aproximar-se deles ou fazer-lhes mal.

Foi assim até o tempo de Enos, quando os homens começaram a ajuntar ouro, prata, pedras preciosas e pérolas de todas as partes da terra, e fizeram com eles ídolos de mil parasangas de altura. E que é pior: através das artes mágicas ensinadas a eles pelos anjos Uza e Azael, fizeram-se passar por mestres das esferas celestes e forçaram o sol, a lua e as estrelas a servirem-nos ao invés de a Deus. Isso levou os anjos a perguntarem a Deus:

– “O que é o homem, para que te lembres dele?” Porque o senhor abandonou o mais alto céu, o assento da sua glória e seu exaltado trono no Arabot e desceu até os homens, que prestam adoração a ídolos, colocando-o no mesmo nível que eles?

A Shekiná foi assim induzida a deixar a terra e ascender ao céu, em meio ao clangor e o trinado das trombetas das miríades de exércitos celestiais.

* * *

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.

18 de Fevereiro de 2008

Formas de uma lenda

Heresias Sensacionais, Traduzindo Borges

Às pessoas causa repugnância ver um ancião, um enfermo ou um morto, porém estão sujeitas à morte, às enfermidades e à velhice; o Buda declarou que esta reflexão o induziu a abandonar sua casa e seus pais e vestir a roupa amarela dos ascetas. O testemunho consta em um dos livros do cânone; outro registra a parábola dos cinco mensageiros secretos enviados pelos deuses; são um louco, um ancião recurvado, um inválido, um criminoso em tormentos e um morto, e avisam que nosso destino é nascer, caducar, enfermar, sofrer justo castigo e morrer. O Juiz das Sombras (na mitologia do Hindustão Yama desempenha esse cargo, porque foi o primeiro homem que morreu) pergunta ao pecador se não viu os mensageiros; este admite que sim, porém não foi capaz de decifrar o aviso; os carrascos o encerram numa casa que está cheia de fogo. Quiçá o Buda não tenha inventado essa ameaçadora parábola; baste-nos saber que a proferiu (Majihima nikaya, 130) e que jamais a vinculou, talvez, à sua própria vida.

A realidade pode ser demasiado complexa para a transmissão oral; a lenda a recria de uma maneira que apenas acidentalmente é falsa e que a permite andar pelo mundo, de boca em boca. Na parábola e na declaração figuram um homem velho, um homem enfermo e um homem morto; o tempo fez dos dois textos um e forjou, confundindo-os, uma outra história.

Siddharta, o Bodhisattva, o pré-Buda, é filho de um grande rei, Suddhodana, da estirpe do sol. Na noite de sua concepção a mãe sonha que em seu lado direito entra um elefante, da cor da neve e com seis dentes de marfim1. Os adivinhos interpretam que seu filho reinará sobre o mundo ou fará girar a roda da doutrina2 e ensinará aos homens como livrarem-se da vida e da morte. O rei prefere que Siddartha conquiste grandeza temporal e não eterna, e encerra-o num palácio do qual foram removidas todas as coisas que podem revelar-lhe que é corruptível. Vinte e nove anos de ilusória tranqüilidade transcorrem dessa forma, dedicados à satisfação dos sentidos, porém Siddharta, certa manhã, sai em seu coche e vê com espanto um homem recurvado, “cujo cabelo não é como o dos outros, cujo corpo não é como o dos outros”, que se apóia num bastão para caminhar e cuja carne treme. Pergunta que homem é esse; o cocheiro explica que é um ancião e que todos os homens da terra serão como ele. Siddharta, inquieto, dá ordem que retornem imediatamente, porém em outra saída vê um homem a quem devora a febre, cheio de lepra e de úlceras; o cocheiro explica que é um enfermo e que ninguém está a salvo desse perigo. Em outra saída vê um homem que levam num féretro, esse homem imóvel é um morto, explicam, e morrer é a lei de todo que nasce. Em outra saída, a última, vê um monge das ordens mendicantes que não deseja viver nem morrer. A paz está em seu rosto; Siddharta encontrou o caminho.

A lenda determinou que o Buda fosse canonizado por Roma.

Hardy (Der Buddhismus nach älteren Pili-Werken) aplaudiu o colorido desta lenda; um ideólogo contemporâneo, A. Foucher, cujo tom de gracejo nem sempre é inteligente ou urbano, escreve que, admitida a ignorância prévida do Bodhisattva, a história não carece de gradação dramática nem de valor filosófico. No princípio do século V da nossa era o monge Fa-Hien peregrinou aos reinos do Hindustão em busca dos livros sagrados e viu as ruínas da cidade de Kapilavastu e quatro imagens erigidas por Asoka, ao norte, ao sul, ao este e ao leste das muralhas, para celebrar os encontros. No princípio do século VII um monge cristão redigiu a novela que se entitula Barlaam y Josafat; Josafat (Josafat, Bodhisattva) é filho de um rei da Índia; os astrólogos predizem que um dia reinará sobre um reino maior, que é o da Glória: o rei encerra-o num palácio, porém Josafat descobre a desafortunada condição dos homens através das espécies de um cego, de um leproso e de um moribundo e é convertido finalmente à fé pelo ermitão Barlaam. Esta versão cristã da lenda foi traduzida para diversos idiomas, inclusive o holandês e o latim; a pedido de Hákon Hákonarson produziu-se na Islândia, em meados do século XIII, uma Barlaams saga. O cardeal César Baronio incluiu Josafat em sua revisão (1585-1590) do Martirológio Romano; em 1615 Diego de Couto denunciou, em sua continuação das Décadas, as analogias da fingida fábula indiana com a verdadeira e piedosa história de São Josafat. Tudo isso e muito mais achará o leitor no primeiro volume de Origenes de la novela de Menéndez y Pelayo.

A lenda que em terras ocidentais determinou que o Buda fosse canonizado por Roma tinha, no entanto, um defeito: os encontros que postula são eficazes mas são também incríveis. Quatro saídas de Siddharta e quatro figuras didáticas não condizem com os hábitos do azar. Menos atentos ao estético do que à conversão das massas, os doutores quiseram justificar essa anomalia; Koeppen (Die Religion des Buddha, I, 82) anota que na última versão da lenda o leproso, o morto e o monge são simulacros que as divindades produzem para instruir Siddhartha. Assim, no terceiro livro da epopéia sânscrita Buddhacarita está dito que os deuses criaram um morto e que nenhum homem o viu enquanto era levado, a não ser o cocheiro e o príncipe. Numa biografia legendária do século XVI as quatro aparições são metamorfoses de um deus (Wieger: Vies chinoises du Bouddha, 37-41).

Mais longe havia ido o Lalitavistara. Dessa compilação de prosa e verso, escrita num sânscrito impuro, é costume falar com algum sarcasmo; em suas páginas a história do Redentor infla-se até a opressão e até a vertigem. O Buda, a quem rodeiam doze mil monges e trinta e dois mil Bodhisattvas, revela o texto da obra dos deuses; do quarto céu fixou o período, o continente, o reino e a casta em que renasceria para morrer pela última vez; oitenta mil tambores acompanham as palavras do seu discurso e há no corpo de sua mãe a força de dez mil elefantes. O Buda, neste estranho poema, dirige cada etapa de seu destino; faz com que as divindades projetem as quatro figuras simbólicas e, quando interroga o cocheiro, já sabe quem são e o que significam. Foucher vê neste rasgo um mero servilismo dos autores, que não podem tolerar que o Buda não saiba o que sabe um servente; o enigma merece, em meu entender, outra solução. O Buda cria as imagens e logo em seguida pergunta a um terceiro o sentido que encerram. Teologicamente caberia talvez contestar: o livro é da escola de Mahayana, que ensina que o Buda temporal é emanação ou reflexo de um Buda eterno; o do céu ordena as coisa, o da terra as padece e executa (nosso século, com outra mitologia ou vocabulário, fala do inconsciente). A humanidade do Filho, segunda pessoa de Deus, pôde gritar da cruz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste: O Buda, analogamente, pôde espantar-se das formas que havia criado sua própria divindade… Para desatar o problema, não são indispensáveis, ademais, tais sutilezas dogmáticas, basta recordar que todas as religiões do Hindustão, e em particular o budismo, ensinam que o mundo é ilusório. Minuciosa relação do jogo (de um Buda) representa o Lalitavistara, segundo Winternitz; um jogo ou um sonho é, para o Mahayana, a vida do Buda sobre a terra, que é outro sonho. Siddhartha elege sua nação e seus pais. Siddhartha lavra quatro formas que o encherão de espanto; Siddhartha ordena que outra forma declare o sentido das primeiras; tudo isso é razoável se o consideramos um sonho de Siddhartha. Melhor ainda se o considerarmos um sonho em que figura Siddhartha (da mesma forma que figuram o leproso e o monge) e que ninguém sonha, porque aos olhos do budismo do norte3 o mundo e os prosélitos e o Nirvana e a roda das transmigrações e o Buda são igualmente irreais. Ninguém se apaga no Nirvana, lemos num tratado famoso, porque a extinção de inumeráveis seres no Nirvana é como o desaparecimento de uma fantasmagoria que um feiticeiro numa encruzilhada cria por artes mágicas, e em outro lugar está escrito que tudo é mera vacuidade, mero nome, e também o livro que o declara e o homem que o lê. Paradoxalmente, os excessos numéricos do poema subtraem, não acrescentam, realidade; doze mil monges e trinta e dois mil Bodhisattvas são menos concretos que um monge e que um Bodhisattva. As vastas formas e os vastos algarismos (o capítulo XII inclui uma série de vinte e três palavras que indicam a unidade seguida de um número crescente de zeros, de 9 a 49, 51 e 53) são vastas e monstruosas bolhas de sabão, ênfases do Nada. O irreal foi assim fraturando a história; primeiro tornou fantásticas as figuras, depois o príncipe e, com o príncipe, todas as gerações e o universo.

No final do século XIX Oscar Wilde propôs uma variante; o príncipe feliz morre na reclusão do palácio sem ter descoberto a dor, porém sua efígie póstuma a contempla do alto do pedestal.

A cronologia do Hindustão é incerta; minha erudição muito mais; Koeppen e Hermann Beckh serão talvez tão falíveis quanto o compilador que arrisca esta nota; não me surpreenderia se minha história da lenda fosse ela mesma legendária, feita de verdade substancial e erros acidentais.

Jorge Luis Borges, Otras Inquisiciones (1952)

NOTAS
  1. Este sonho é, para nós, uma mera fealdade. Não é assim para os hindus: o elefante, animal doméstico, é símbolo de mansidão; a multiplicação de dentes de marfim não tem como incomodar os espectadores de uma arte que, para sugerir que Deus é o todo, lavra figuras de múltiplos braços e rostos; o seis é número habitual (seis vias de transmigração; seis Budas anteriores ao Buda; seis pontos cardeais, contando o zênite e o nadir: seis divindades que o Yajurveda chama de as seis portas de Brahma). []
  2. Esta metáfora pode ter sugerido aos tibetanos a invenção das máquinas de rezar, rodas ou cilindros que giram ao redor de um eixo, cheias de tiras de papel enroladas nas quais se repetem palavras mágicas. Algumas são manuais; outras são como grandes moinhos, e move-as a água e o vento. []
  3. Rhys Davids condena essa locução cunhada por Burnouf, porém seu emprego nesta frase é menos incômodo que o de Grande Travessia ou Grande Veículo, que teriam detido o leitor. []
22 de Novembro de 2007

Os habitantes das sete terras

Goiabas Roubadas

AS DEZ GERAÇÕES: Os habitantes das sete terras

Quando foi expulso do Paraíso, Adão chegou primeiro à mais inferior das sete terras, Erez, que é escura, sem um raio de luz, e inteiramente vazia. Ele ficou apavorado, especialmente diante das chamas da espada que se revolve incessantemente, e que está nesta terra.

Depois que Adão efetuou penitência Deus conduziu-o à segunda terra, Adamah, onde há luz refletida do seu próprio céu e de suas estrelas e constelações semelhantes a espectros. Aqui habitam os seres semelhantes a espectros frutos da união de Adão com os espíritos. Vivem perpetuamente tristes; a emoção da alegria é desconhecida para eles. Deixam sua própria terra e dirigem-se à terra habitada pelos homens, onde transformam-se em espíritos malignos; depois retornam para sempre para sua residência, arrependem-se de seus feitos perversos e cultivam o solo, que no entanto não lhes produz trigo ou qualquer outra das sete espécies.

Nesta Adamah nasceram Caim, Abel e Sete. Depois do assassinato de Abel, Caim foi mandado de volta para Erez, onde foi conduzido ao arrependimento pelo terror diante da escuridão e das chamas da espada que revolve incessantemente. Aceitando a sua penitência, Deus permitiu que ele ascendesse até a terceira terra, Arka, que recebe alguma luz do sol. A Arka foi cedida aos cainitas para sempre, como seu domínio perpétuo. Eles cultivam o solo e plantam árvores, mas não tem nem trigo nem qualquer outra das sete espécies.

Estão em perpétuo desacordo consigo mesmos.

Alguns dos cainitas são gigantes, alguns são anões. Eles têm duas cabeças, pelo que jamais são capaz de chegar a uma decisão. Estão em perpétuo desacordo consigo mesmos: se estão piedosos agora, podem estar inclinados para a maldade no momento seguinte.

Em Ge, a quarta terra, vive a geração da Torre de Babel e seus descendentes. Deus baniu-os para lá porque a quarta terra não fica longe do Gehenna, e portanto do fogo ardente. Os habitantes de Ge são talentosos em todas as artes e hábeis em todos os departamentos da ciência e do conhecimento, e suas residências transbordam de riquezas. Quando visitados por um habitante da terra eles lhe dão a coisa mais preciosa que possuem, mas conduzem-no em seguida a Neshiah, a quinta terra, onde ele se esquece de sua origem e de seu lar. Neshiah é habitado por anões desprovidos de narizes, que respiram através de dois orifícios. Eles não tem memória; logo que algo acontece eles se esquecem imediatamente do que ocorreu, pelo que sua terra é chamada de Neshiah, “esquecimento”. A quarta e a quinta terra são como Arka; têm árvores, mas não trigo ou qualquer outra das sete espécies.

A sexta terra, Ziah, é habitada por homens bonitos que são donos de riqueza abundante e vivem em suntuosas residências, mas carecem de água, como indica o nome do seu território, Ziah/seca. Devido a isso a vegetação é esparsa entre eles, e seu cultivo de árvores alcança pouco sucesso. Eles precipitam-se sobre qualquer nascente que encontram, e por vezes conseguem deslizar através delas para a nossa terra, onde satisfazem seu acentuado apetite pela comida consumida pelos habitantes da nossa terra. Quanto ao mais, são homens de fé firme, mais do que qualquer outra estirpe de humanidade.

Adão permaneceu em Adamah até o nascimento de Sete. Em seguida, tendo passado pela terceira terra, Arka, habitação dos cainitas, e pelas três terras seguintes, Ge, Neshiah e Ziah, Deus transportou-o a Tebel, a sétima terra, a terra habitada pelos homens.

* * *

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.

15 de Março de 2007

Adão e Eva no Paraíso

Goiabas Roubadas

ADÃO: Adão e Eva no Paraíso

O Jardim do Éden foi a primeira habitação do primeiro homem e da primeira mulher, e as almas de todos homens passam por ele depois da morte, antes de chegarem ao seu destino final. Isso porque as almas dos finados precisam passar por sete portais antes de chegarem ao ‘Arabot celestial. Ali as almas dos piedosos são transformadas em anjos, e ali permanecem para sempre, louvando a Deus e banqueteando-se com a visão da glória da Shekiná. O primeiro portal é a caverna de Macpelá, nas vizinhanças do Paraíso, que está sob o cuidado e supervisão de Adão. Se a alma que se apresenta diante do portal é digna, ele grita: “Abram espaço! Seja bem-vindo!” A alma prossegue então até chegar ao portão do Paraíso, guardado pelo querubim e pela espada flamejante. Se não é achada digna, a alma é consumida pela espada; do contrário recebe um passe de admissão no Paraíso terrestre. Ali há um pilar de fumaça e de luz que se estende do Paraíso ao portão do céu; se alma conseguirá escalá-lo e alcançar o céu através dele dependerá do seu caráter. O terceiro portal, Zebul, fica na entrada do céu. Se a alma é digna, o guarda abre o portão e admite-a no Templo celestial. Miguel apresenta-a a Deus e a conduz então ao sétimo portal, ‘Arabot, além do qual as almas dos piedosos, transformadas em anjos, louvam ao Senhor e alimentam-se da glória da Shekiná.

Apenas quem consegue abrir caminho através da árvore do conhecimento pode aproximar-se da árvore da vida.

No Paraíso erguem-se a árvore da vida e a árvore do conhecimento, sendo que essa segunda forma uma sebe ao redor da primeira. Apenas quem consegue abrir caminho através da árvore do conhecimento pode aproximar-se da árvore da vida, que é tão imensa que seriam necessários a um homem quinhentos anos para atravessar uma distância igual ao diâmetro do seu tronco, sendo que não é menos vasto o espaço sombreado por sua coroa de ramos. De debaixo dela flui a água que irriga toda a terra, abrindo-se em quatro correntes, o Ganges, o Nilo, o Tigre e o Eufrates. Porém foi apenas durante os dias da criação que o reino vegetal recorreu às águas da terra para o seu sustento. Mais tarde Deus fez com que as plantas dependessem da chuva, isto é, das águas superiores. As nuvens sobem da terra ao céu, de onde a água é derramada nelas para que sirvam de conduto. As plantas começaram a sentir o efeito da água apenas quando Adão foi criado. Embora tenham vindo à existência no terceiro dia, Deus não permitiu que elas brotassem e aparecessem acima da superfícia da terra até que Adão orou pedindo-lhe comida, pois Deus anseia pelas orações dos piedosos.

continue lendo >

22 de Novembro de 2006

Marcha, soldado

Família, MP3

Quem não quer ouvir o Brabinho cantando mais uma?

Gravada pelo meu tio Carlos, o Bondoso, quando eu era ainda menor do que o Arthur é hoje – ou seja, há quase 37 anos de pura travessura. Para algo mais terno e menos imperialista, procure ouvir minha versão de 3 anos cantando Faz três Noites.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Falando nisso, alguém por favor acuda a bandeira nacional.

 

Este documento faz parte da série

3 noites

  1. Faz três noites
  2. Pae e Mãe
  3. Eis a Estrela
  4. Marcha, soldado