18 de Agosto de 2011

Notas no caderno da revolução

Sociedade

Para trazer a efeito a revolução não basta simplesmente compartilhar as mesmas ideias, é necessário poder viver juntos, numa base diária, se possível em contato direto com a natureza. Embora pareça paradoxal, apenas uma comunidade de homens “unidos e isolados” pode garantir a vida interior autêntica negada pela civilização tecnológica.

Jacques Ellul

É precisamente isso que distinguía Ellul de todos os totalitaristas, panteístas e naturalistas daquele tempo: Minha ideia – embora tenha sido inteiramente mal compreendida pelos ecologistas – é que o progresso não é uma ameaça à natureza, mas à liberdade.

Bernard Charbonneau

Ellul e Chabornneau insistiam constantemente na necessidade de estabelecerem-se, localmente, pequenos grupos auto-governados que seriam federados entre si. Deveriam funcionar como contra-sociedades, esses grupos exemplares, manifestações concretas da ordem a ser construída. Seu propósito não era derrubar o regime mas servir de evidência, aqui e agora, da revolução instantânea. Gradualmente, de forma contagiosa, essa rede fundada nas bases poderia espalhar-se além das fronteiras nacionais, que estavam fadadas a desaparecer de qualquer maneira.

Patrick Troude-Chastenet,
sobre os projetos anárquicos de Jacques Ellul

Leia também:
O profeta e a revolução

04 de Abril de 2007

Em busca da revolução instantânea

Política

Ellul e Chabornneau insistiam constantemente na necessidade de estabelecerem-se, localmente, pequenos grupos auto-governados que seriam federados entre si. Deveriam funcionar como contra-sociedades, esses grupos exemplares, manifestações concretas da ordem a ser construída. Seu propósito não era derrubar o regime mas servir de evidência, aqui e agora, da revolução instantânea. Gradualmente, de forma contagiosa, essa rede fundada nas bases poderia espalhar-se além das fronteiras nacionais, que estavam fadadas a desaparecer de qualquer maneira.

Patrick Troude-Chastenet,
sobre os projetos anárquicos de Jacques Ellul

27 de Março de 2007

O aspecto positivo da negatividade

Goiabas Roubadas

Em primeiro lugar, não sou maniqueísta. No que me diz respeito, teologicamente falando, todos os homens são maus e todos os homens são salvos. Não raciocino em termos de bons e maus ou salvos e condenados, mas em termos dialéticos. Em segundo lugar, não tenho qualquer prazer em nadar contra a maré, mas creio firmemente no aspecto positivo da negatividade. Como Guéhenno, creio que o homem deve primeiro saber dizer não, ou como Descartes que o homem não deve aceitar coisa alguma como fato sem examiná-lo antes. Minha atitude não é mais pessimista da do médico que, depois de ver os resultados dos exames de um paciente, diagnostica um câncer. Tenho tentado sempre previnir as pessoas, colocá-las em postura de alerta. Tem sido sempre a minha convicção que o homem é livre para colocar em andamento eventos além daqueles que parecem inevitáveis.

Jacques Ellul, em entrevista a Patrick Chastenet

07 de Março de 2007

Ao contrário

Fé e Crença, Goiabas Roubadas

– Por que o Espírito Santo tem de intervir?

– Ele na verdade nos faz raciocinar ao contrário. Na revelação [cristã] temos de começar no final a fim de compreender o início. É precisamente isso o que o Espírito Santo nos leva a fazer: ver a cruz através da ressurreição e, similarmente, os pecados do homem através do perdão. A condenação através da graça. É porque Deus nos perdoa que somos capazes de apreender a extensão do nosso pecado, quando para o homem o método natural seria pecar primeiro e pedir perdão a Deus depois. Para mim, isso é absolutamente aberto e absolutamente liberador. É heresia pregar sobre pecado e condenação sem antes pregar sobre liberdade e perdão.

Jacques Ellul, em entrevista a Patrick Chastenet

13 de Junho de 2005

Ameaça

Política

Bernard Charbonneau, comparsa de Jacques Ellul no sensatíssimo movimento anárquico-cristão que agitou a Europa no início do século XX, desconfiava como Tolkien dos efeitos da tecnologia sobre a produção, o meio ambiente e a sociedade.

Porém, exatamente como Tolkien, Charbonneau e Ellul não eram ingênuos de acreditar que a principal afronta do progresso tecnológico era contra a paisagem.

“É precisamente isso que distinguía Ellul de todos os totalitaristas, panteístas e naturalistas daquele tempo”, diz Charbonneau. “Minha ideia – embora tenha sido inteiramente mal compreendida pelos ecologistas – é que o progresso não é uma ameaça à natureza, mas à liberdade”.