30 de Outubro de 2008

O maravilhoso mundo do conhecimento

Pormenor

22 de Setembro de 2008

As 48 Leis do Poder (1 a 30)

Goiabas Roubadas

Segundo Robert Greene and Joost Elffers

Lei Nº 1
Nunca brilhe mais do que o mestre

Faça com os que estão acima de você sintam-se sempre confortavelmente superiores. Eu seu desejo de agradá-los ou impressioná-los, não vá longe demais na exibição dos seus talentos, ou poderá conseguir o contrário: inspirar medo e insegurança. Faça seus mestres parecerem mais brilhantes do que são e você atingirá os píncaros do poder.

Lei Nº 2
Nunca coloque muita confiança nos amigos, aprenda a usar os inimigos

Seja cauteloso com os amigos – eles irão traí-lo com facilidade, por serem estimulados à inveja, e tornam-se também mimados e autoritários. Contrate um antigo inimigo e ele se mostrará mais leal do que um amigo, porque tem mais a provar. Na verdade você tem mais a temer dos amigos do que dos inimigos. Se não tem inimigos, encontre um jeito de obtê-los.

Lei Nº 3
Oculte suas intenções

Mantenha os outros no escuro e em desvantagem, jamais revelando o propósito por trás das suas ações. Se as pessoas não souberem o que você pretende fazer, não terão como preparar uma defesa. Guie-os longe o bastante por um caminho falso, envolva-os numa cortina de fumaça, e quando perceberem suas verdadeiras intenções será tarde demais.

Lei Nº 4
Sempre diga menos do que o necessário

Quando tenta impressionar as pessoas com palavras, quanto mais você diz, mais trivial você se parece e menos no controle você está. Mesmo quando for dizer algo banal, ficará parecendo original se você o fizer de forma vaga, indefinida, indecifrável. Gente poderosa impressiona e intimida dizendo menos. Quanto mais você fala, mais provável se torna que acabe dizendo algo de que pode se arrepender.

Lei Nº 5
Praticamente tudo depende da reputação: guarde-a com a vida

A reputação é a pedra angular do poder. Usando reputação apenas, você consegue intimidar e vencer. Porém basta um deslize para que você se torne vulnerável e possa ser atacado por todos os lados. Mantenha sua reputação inexpugnável. Fique continuamente alerta contra ataques potenciais e elimine as ameaças antes que se tornem realidade. Ao mesmo tempo, aprenda a destruir os seus inimigos abrindo brechas nas reputações deles. Depois fique de lado e deixe que sejam queimados pela opinião pública.

Lei Nº 6
Busque atenção a qualquer custo

Todas as coisas são julgadas pela aparência; o que não é visto simplesmente não conta. Portanto jamais se permita deixar perder na multidão ou cair no esquecimento. Destaque-se. Seja visível a qualquer custo. Torne-se um ímã de atenção parecendo maior, mais exuberante e mais misterioso do que as massas insípidas e tímidas.

Lei Nº 7
Faça com que os outros trabalhem por você, mas fique sempre com o crédito

Use a sabedoria, o conhecimento e o trabalho de campo de outras pessoas para fazer avançar a sua causa. Essa assistência não fará apenas com que você economize valiosos tempo e energia, mas conferirá a você uma aura sobrenatural de eficiência e agilidade. No final seus assistentes serão esquecidos e você será lembrado. Nunca faça você mesmo o que outros podem fazer por você.

Lei Nº 8
Faça os outros virem até você – se necessário use uma isca

Quando força a outra pessoa à iniciativa, é você quem fica no controle. É sempre melhor fazer com que seu oponente venha até você, abandonando no processo os seus próprios planos. Seduza-os com ganhos fabulosos e em seguida ataque. Você é quem dará as cartas.

Lei Nº 9
Vença através de ações, nunca de argumentos

Qualquer triunfo que você obtém através de argumentação é na verdade temporário e ilusório. O ressentimento e a má vontade que você inspirou se mostrarão mais fortes e duradouros do que qualquer mudança momentânea de opinião. É coisa muito mais poderosa fazer com que os outros concordem com você pelas suas ações, sem proferir uma palavra. Demonstre, não explique.

Lei Nº 10
Infecção: evite os infelizes e os sem sorte

É possível morrer da miséria alheia: estados emocionais são como uma doença infecciosa. Você pode achar que está ajudando a outra pessoa a não afundar, mas está apenas precipitando a sua própria ruína. O infeliz por vezes atrai o infortúnio sobre si mesmo, e irá atraí-lo também sobre você. Associe-se, em vez disso, a gente feliz e afortunada.

Lei Nº 11
Aprenda a manter as pessoas dependentes de você

A fim de manter a sua independência você precisa ser sempre requerido e desejado. Quanto mais as pessoas dependem de você, mais liberdade você tem. Faça as pessoas dependerem de você para a sua felicidade e prosperidade, e não terá nada a temer. Nunca ensine-as o suficiente para que possam viver sem você.

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13 de Setembro de 2008

A moral camaleônica

Brasil, Goiabas Roubadas, Politica

A população vê com bons olhos a chance de renovar os mandatos dos que vêm a se mostrar bons governantes.
Editorial da Folha de São Paulo, (5/1/1996)

Guilherme Scalzilli

Os governos Lula suscitaram extensas discussões sobre a compatibilidade entre discurso ético e pragmatismo político-eleitoral. Talvez para dissociar-se dos defensores do presidente e estigmatizar seu constrangimento relativista sobre o assunto, a imprensa oposicionista lançou-se numa cruzada de ultralegalismo cívico, que logo receberia colorações partidárias.

É delicioso resgatar os argumentos lançados pela mídia em 1997, em favor da reeleição de FHC. Comparados com a grita contra um terceiro mandato de Lula, eles revelam a tendência a adaptar-se às circunstâncias, típica do camaleão.

Um dos aspectos negativos dessa vertente “cidadã” de tolerância zero é, paradoxalmente, sua permissividade conceitual. A abrangência normativa permite a assimilação de uma grande variedade de preceitos, entre os quais aqueles que aspiram a certa superioridade moral, mas não passam de enunciados discutíveis, contraditórios ou apenas tolos, que a ortodoxia acrítica transforma em dogmas sobrenaturais.

O fetichismo da conduta ideal do administrador revela então seu caráter artificial e ideológico, permitindo a deterioração da moralidade (sistema pessoal de valores) em moralismo oportunista, alimentado para enquadrar adversários e isentar aliados em tempos pré-eleitorais. A manipulação da subjetividade “transcendental” dos princípios morais confere imanência atemporal e incontestável a repertórios de condutas engendrados circunstancialmente, sujeitos às conveniências de seus formuladores.

Analisemos, como exemplo, as reações ao suposto terceiro mandato de Lula.

Hoje parece consensual que mudar as regras eleitorais para favorecer governantes em exercício significa uma afronta aos princípios que regem (ou deveriam reger) a conduta do homem público. A simples hipótese de permitir a Lula candidatar-se em 2010 suscitou indignação uníssona. Os precedentes plebiscitários utilizados por Hugo Chávez e Evo Morales rondam as redações como fantasmas hostis arrastando picaretas. Editoriais e colunas horrorizados defendem a alternância de poder e vociferam que nada justifica a perpetuação de governantes.

Mas não foi sempre assim.

Lembremos a fatídica noite de 28 de janeiro de 1997: por volta das nove horas, o presidente da Câmara dos Deputados, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), decretou a primeira vitória da emenda que permitia a reeleição para cargos executivos. Gritos de “Uh, tererê!” soaram no plenário. Luís Eduardo foi abraçado pelo pai, o senador Antônio Carlos Magalhães, em prantos. Meia hora depois, através do porta-voz Sérgio Amaral, o presidente Fernando Henrique Cardoso rejubilava-se por saber que o Congresso votara “em sintonia com a opinião pública”.

Ressalte-se que a decisão dos deputados, depois confirmada pelos senadores, era juridicamente problemática. Segundo certas interpretações, a reeleição de mandatários em pleitos subseqüentes significava alteração de cláusula pétrea da Constituição de 1988 (Direitos e Garantias Fundamentais), que teoricamente só poderia ser realizada por Assembléia Constituinte. Também o artigo 5º da Carta (Isonomia) teria sido aviltado.

Desde a proposição da mudança, dois anos antes, a imprensa debatia quase diariamente o tema. Alheios à controvérsia legal, todos os grandes veículos defenderam a reeleição, com destaque para o jornal Folha de São Paulo. Editorial de 8 de novembro de 1985 já afirmava “não haver maiores inconvenientes em defender a reeleição.” Depois (5/1/1996), o editorial “Reeleição popular” comemorou pesquisa de opinião sobre o tema: “a população vê com bons olhos a chance de renovar os mandatos dos que vêm a se mostrar bons governantes. (…) Entre a candidatura e a renovação do mandato estará sempre o democrático e o inquestionável veredicto das urnas.”

O Tribunal Superior Eleitoral, presidido pelo ministro Ilmar Galvão, atestou que os ocupantes de cargos executivos não precisariam se desincompatibilizar para disputar suas reeleições. Diversos juristas renomados, como Miguel Reali Júnior, apoiaram a decisão. Os analistas concordaram: “Não é o caso de defender que o presidente também se desincompatibilize”, escreveu Valdo Cruz, entre muitos, na Folha (3/2/97).

Mas será que aqueles argumentos não corroborariam a tese do terceiro mandato de Lula? No parecer que permitiu aos mandatários continuarem em seus cargos, os ministros do TSE entenderam que a emenda da reeleição pressupunha o direito do eleitor optar pela continuidade administrativa (daí a desincompatibilização ser desnecessária). Ora, seguindo rigorosamente essa abordagem doutrinária, o número de reeleições jamais poderia ser limitado.

A mesma preferência popular pela manutenção do administrador, soberana e legítima, poderia ser estendida para novos mandatos, além do segundo. O eleitor, que possui prerrogativas para instituir (e eventualmente depor) governantes, também é capaz de decidir por quanto tempo ficarão no poder. Seria antidemocrático frustrar o “inquestionável veredicto das urnas” também quanto ao terceiro mandato.

Para dirimir possíveis questionamentos sobre a vontade popular, a Constituição Federal prevê o instrumento do plebiscito, um dos pilares da democracia participativa. Aliás, foi justamente a consulta popular que a Folha e outros veículos defenderam em 97, para evitar o fisiologismo nas decisões do Congresso.

Se há algum vestígio de golpismo ou manobra casuística nesses argumentos, devemos então creditá-los ao egrégio TSE, à Carta Magna e aos apologistas da reeleição. Acontece que, há onze anos, o governo FHC desfrutava de amplo apoio midiático. A execução de seu programa reformista e a sobrevivência do Plano Real pareciam depender da continuidade reeleitoral, ostensivamente defendida por editoriais e colunas políticas. A popularidade do presidente bastava para legitimar uma discutível intervenção legislativa e até o recurso extremo do referendo – expedientes que, naquele momento, soavam “democráticos”.

Mudaram os fundamentos do Estado de Direito ou mudou a imprensa? Pergunta retórica. A permanência dos primeiros independe das conveniências dos grupos momentaneamente hegemônicos. Quanto à flagrante incoerência jornalística, ela apenas evidencia um padrão de comportamento: adaptar-se às circunstâncias define a própria natureza do camaleão. Mesmo que ele, confirmando sua essência, finja ser outro animal.

06 de Setembro de 2008

As pérolas do Enem e os que usam-nas como colares

Brasil

Recebo pela enésima vez a edição [talvez] mais recente da relação de respostas oficialmente escandalosas coletadas no exame do Enem. A recomendação breve: se você se considera uma pessoa inteligente, ou quer pelo menos dar essa impressão, faça um favor a você mesmo, e não só a mim, e nunca mais encaminhe um email dessa natureza a quem quer que seja. Segue a resposta longa.

Primeiro, se tem acesso à internet e tempo livre para encaminhar mensagens que não escreveu, está imediatamente demonstrado que você respira na rala camada mais privilegiada de um país que tem uma das distribuções de renda mais espetacularmente desiguais do planeta, o que deveria bastar para você ficar muito quietinho no seu canto, e para sempre. Segundo, se você se acha pessoa tão notável, culta e articulada, deveria estar usando os seus recursos para reverter a crise do sistema educacional, ou quem sabe canalizando a sua criatividade para cobrir o espaço da nulidade da nossa produção cultural. Terceiro, se acha realmente engraçado dar risada das mancadas homéricas de quem você acredita ser menos notável do que sua própria pessoa, você é patife muitas vezes mais condenável e perigoso do que os ignorantes de quem está zombando. Conforme adverte a pérola atribuída (talvez ignorantemente) a Diderot, a ignorância está mais perto da verdade do que o preconceito.

Pegue a sua relação de pérolas do Enem e esconda na lixeira da sua consciência, ao invés de ficar usando como colar. A verdadeira demonstração da falência do país não está nos alunos despreparados que deitam respostas absurdas nos exames do Enem, mas nos esclarecidos que remetem-nas uns aos outros na forma de congratulações. Vão à merda. Ou, para ser mais geograficamente preciso, não saiam daí.

23 de Julho de 2008

Teatro Grotesco

Fotografia

Nec ulla satietas talium fabularum,
cum portentosa quædam, de spectris,
de lemuribus, de larvis, de inferis, de id genus
millibus miraculorum commemorantur.

 

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