30 de Março de 2011

A saracura cibernética

Quase Ciência

Folheando algumas fotos digitais que tirei de uma saracura que vem tomar banho junto à minha janela (outra foto aqui), encontrei o que pode ser um daqueles pequenos deslizes temporários da matrix. Nesta foto em que a asa aparece estendida, a extremidade revela o cabo motor, a curva metálica e o minúsculo rebite do que é muito claramente uma pena biônica, de uma estética com influência steampunk.

Veja a foto em tamanho grande aqui, e um detalhe abaixo.



25 de Outubro de 2010

Traga-me um futuro novo

Manuscritos

Que o velho já não me interessa.

Foi Jean Delumeau, cuja História do medo no Ocidente voltei a percorrer descalço todas as manhãs, quem me chamou a atenção para o fato de que o temor da novidade e a glorificação do passado são motivo de todo o tipo de conflito contraditório no estreitíssimo (mas perene) fio do presente.

Quem administra o passado pode nos manejar como bem lhe parece, porque a humanidade não tem olhos para o futuro. Um menino caminha e caminhando chega a um muro, mas é só ali – só até aqui – que conseguimos chegar. Mesmo quando procura acenar com a promessa retórica de um futuro melhor, o estadista usa como moeda as memórias de uma longínqua e idealizada idade do ouro ou, como alavanca, os desafios deixados pela utopia de um profeta que já morreu. Ele precisa se alicerçar em seduções do passado, porque gente de carne é incapaz de desejar, verdadeiramente desejar, o futuro.

Em consequência, grande parte dos movimentos que acabamos classificando como revolucionários não fundamentam o seu discurso na construção de um futuro previamente inconcebível, mas num esforço declarado de recuperação do passado (ou de um ideal do passado) – que se toma por mais admirável e digno de perpetuação do que a condição presente. Os revolucionários, hereges e insurgentes enxergam-se, regra geral, como a sagrada elite dos verdadeiros conservadores.

Foi esse, muito evidentemente, o caso com os proponentes da Reforma Protestante, que exigiam um retorno à pureza original (isto é, pertencente ao passado) do evangelho e rejeitavam todas as inovações introduzidas ou toleradas pela igreja medieval: o culto dos santos, as indulgências, a missa em latim, as imagens, os votos monásticos a confissão obrigatória. Foi assim, paradoxalmente, com a Contra-Reforma, movimento católico que se inflamou em várias frentes contra o que era visto como as novidades introduzidas pelos protestantes, e tomava como inadmissível que os reformadores rejeitassem o formidável monumento de séculos e séculos de um sistema eclesiástico universal. Embora discordassem espetacularmente sobre a natureza ideal do presente, os discursos de um e de outro – defensores da Reforma e da Contra-Reforma – estavam alicerçados na preservação de ideais e valores do passado. Discordavam apenas quanto a por qual passado valia à pena lutar, morrer e matar.

Qualquer um que se levanta contra os sistemas do mundo, portanto, se vê inevitavelmente sujeito à mais mesquinha e incontornável das denúncias: “então você está certo e mil (ou dois mil, ou cem) anos de tradição estão erradas?” Não apenas qualquer avanço se vê impedido por essa intransigência, mas o próprio espaço do presente se vê inteiramente tomado por diferentes facções definidas por sua lealdade a determinada fatia do passado – facções que estarão prontas a levantar cercas e espadas para proteger a honra e a supremacia dessa sua distância da inovação.

Em nenhum caso esse cativeiro voluntário com o passado é mais paradoxal do que na postura do cristianismo institucional, que manifesta lealdade nominal a um movimento que em sua forma original representava um compromisso inegociável, sem precedentes e sem sucessores, com a inovação.

Que se devassem os arquivos de todas as religiões, revoluções e ideais já abraçados pela humanidade. Afirmo sem o temor da hipérbole que nenhum, mais do que o inquieto movimento delineado no Novo Testamento, propôs o novo, fez do novo sua bandeira, postulou o novo e resolutamente o requereu. Ideologias como o marxismo, o satanismo e o anarquismo parecerão cautelosos e conservadores quando comparados ao rigor iconoclasta e obsessivamente inclusivo do cristianismo das primeiras gerações.

A doutrina do reino de Deus pleiteia um homem irretocavelmente renovado e, consequentemente, outorga a promessa de um mundo inconcebível de tão novo. Na esteira da sua implantação, seus proponentes trabalharam sistematicamente para derrubar, diante dos outros e de si mesmos, as barreiras ancestrais de sexo, nacionalidade, classe social e ideologia que haviam delimitado as fronteiras da ordem e da civilização – e nada sugere que esperassem que essa onda revolucionária de inclusividade pudesse ser contida com a última página do Novo Testamento.

Nenhuma dessas posturas representava meias-medidas; encarnavam inovações no sentido mais revolucionário e controverso da coisa, e requeriam a dissolução sistemática do próprio tecido da cultura, da economia e da sociedade. O reino de Deus anuncia o fim do mundo porque sua implantação ab-roga o castelo de cartas que teimamos chamar de civilização.

A inclusão e a indiferenciação demandada pela doutrina graça, em particular, soa para ouvidos humanos como um perigoso flerte com o próprio caos, uma entrega inadmissível ao mais rigoroso terror. Você já parou para ponderar como seria, para além da retórica, um mundo em que não houvesse de fato “judeu nem grego, empregado nem empregador, homem nem mulher”?

De modo algum: nosso amor à ordem e à tradição recusam-se resolutamente a acompanhar essas sugestões até suas necessárias consequências. Não é à toa que os cristãos das gerações posteriores tenham se desviado deliberadamente desse projeto, porque nós mesmos recuamos em horror diante dele.

O paradoxo está em que, enquanto pretendemos ou fingimos voltar continuamente (e com maior fidelidade do que qualquer facção concorrente) ao Novo Testamento, o Novo Testamento propõe-nos incessantemente que avancemos para além dele. Em sua inclusividade, em sua intransigência, em seu anti-imperialismo, em sua visão comunitária, em sua generosidade e sua gentileza, o movimento do reino encarna esse ideal ativamente comprometido com o incondicionado, o não-previsto, o sem precedentes.

Esse compromisso com uma onda sem volta de inovação foi, na verdade, articulado em atos pelas testemunhas e em palavras por todos os proponentes do reino. “As coisas velhas já passaram”, decreta o Apóstolo, e celebra ao mesmo tempo a recém-instaurada vertigem: “tudo agora se fez novo”. O livro de Apocalipse descreve a dissolução sistemática (e, em última instância, absolutamente revolucionária) de todas as estruturas de intimidação e de dominação jamais empunhadas pela humanidade, e conclui sua ascensão rumo a uma impoluta glória com a mais desconcertante e embaraçosa auto-definição da divindade: “Eis que faço novas todas as coisas”.

Um Deus comprometido com a novidade, e não com a tradição, nunca voltou a frequentar os sonhos dos homens. E Jesus, seu representante e desbravador, só tinha olhos, gestos e palavras para o reino dessa devastadora inovação. Ele alertou claramente que o vinho da sua revolução era de natureza tão ebuliente que não podia ser contido em recipientes de couro velho, que não se mostrariam flexíveis o bastante para preservá-lo e distribuí-lo. O sumo perpetuamente renovado do reino requer continuamente recipientes novos, sempre temporários e sempre irrestritamente maleáveis. O novo só se dobra diante da necessidade de uma renovação adicional: a semente deve morrer para brotar, o homem deve morrer para ressuscitar. As coisas velhas já passaram, e o que um dia já foi unânime e útil deve ser deixado agora mesmo para trás.

E ali logo em frente, a esperar pela gente, está um futuro inteiramente condicionado, inteiramente amordaçado pelo nosso temor do outro e nosso pavor da novidade.

Coloque a palma da sua mão ao lado da minha e posso lê-las como as páginas de um livro. Tudo que faremos eu e você nos próximos dias, nos próximos anos e nas próximas décadas – em nosso trabalho, em nosso voto, em nossos planos, em nosso círculo de relações, na carne de nossas tatuagens e no esqueleto de nossas omissões – terá em vista manter (ou estabelecer) um estado de coisas confortável para nós mesmos, um mundo em que não tenhamos de olhar a diferença nos olhos. Por certo haverá progresso, mas manteremos seus pés acorrentado ao rigor das nossas alianças, obrigando-o a avançar nos passos diminutos limitados pela pequeneza de nossas concessões – concessões que celebraremos dentro de nós como sinal muito evidente de nossa própria grandeza, como se representassem um grande avanço e não encarnassem em sua cautela o nosso próprio horror de dar um passo maior.

Olhando na palma da sua mão e na minha, vejo por exemplo que no futuro haverá igrejas autodefinidas como tradicionais que acolherão homossexuais declarados em suas congregações, concedendo-lhes a princípio os mesmos direitos relutantes e sem alarde que foram concedidos aos divorciados. Por outro lado, haverá um número ainda maior de igrejas que condenará explicitamente esses e outros liberalismos, tomando-os por concessão a Satanás, até que a pulverização das posições dos que se definem como cristãos termine por sujeitar o nome e a herança de Jesus à mais completa irrelevância cultural.

E é preciso lembrar que nada há de revolucionário em que a igreja termine por se dobrar, acolhendo gente constrangedora como são atualmente os homossexuais; é na verdade absolutamente esperado que o faça, depois das necessárias contorções em contrário. Porque a igreja formal se mostrará disposta a qualquer concessão a fim de manter o seu status de igreja – um mundo em que haja pastores, templos, reuniões semanais, ofertas, testemunhos e o correspondente tráfico de culpas e fidelidades. A igreja-instituição fará tudo e qualquer coisa para preservar um mundo em que retenha a reputação de generosa mas reguladora, porém ela mesmo reservará as decisões realmente radicais para o último momento, quando sua própria posição não representar qualquer diferença diante da postura geral da sociedade sobre determinado assunto.

Dessa forma, a igreja permanecerá fazendo concessões que não são motivadas pela misericórdia, mas por seu compromisso com a autoperpetuação. Não o fará motivada pelo amor à relevância, mas pelo medo da irrelevância. Não o fará conduzida pelo amor à minoria, mas para não perder a aprovação da maioria.

Olhando na sua mão e na minha vejo que, quando for absolutamente impossível deixar de desviar nosso olhar dos limites muito evidentes de um mundo redondo, e quando nós poucos privilegiados já tivermos queimado a maior parte dos recursos que tardiamente se reconhecerá pertencerem a todos, a humanidade passará a de fato regulamentar e fazer cumprir a justiça ambiental – mas isso quando não restar qualquer espaço de manobra, quando tivermos muito literalmente derrubado a última floresta: quando for em muitos sentidos tarde demais.

Porém esse mundo de gente possuidora de uma forçosa consciência ambiental será ainda um mundo de corporações e de lucros, de alianças e de traições, de países, nacionalidades e fronteiras. Permanecerá um mundo condicionado.

Em outras palavras, a sanidade que hoje seria admirável e permanece rigorosamente improvável está na verdade predestinada a ocorrer no futuro – porém deve ficar muito evidente que tomaremos todas as providências para que a misericórdia e o respeito aos direitos do outro permaneçam no âmbito do condicionado, e que sua inevitável aplicação seja adiada até o último momento.

Em outras palavras, manteremos o vinho da novidade contido em recipientes de couro velho, até que finamente se rompam e não tenhamos outra escolha que não contê-lo novamente num outro recipiente destinado para durar.

Veja que já são passados dois mil anos e ainda volto infantilmente, condicionadamente, a essa metáfora dos odres, que já deixaram de ser usados há tanto tempo. Meu temor do futuro é tão grande que sequer consigo contextualizá-la.

O que se requer, muito evidentemente, não são metáforas novas, porque palavras saberemos sempre dobrar de modo a justificar os nossos discursos. O que se requer é um homem novo, em que o próprio coração seja um recipiente imoderadamente flexível e em tudo maleável.

A única metáfora que resta é a mais iconoclasta, niilista e existencialista de todas: a Palavra se fez carne. O necessário é que o homem não traga dentro de si qualquer coisa que não sua precária humanidade, cujo único mérito será o de pertencer a todos.

Porque quando o homem for humano será o reino de Deus, e Deus não nos perdoe se escolhermos um futuro menor.

Leia também:
A invenção do não-condicionado
A longa rixa da misericórdia com as ordens da criação
A pastoral do medo

22 de Outubro de 2010

Laranjas

Ilustração

Laranjas

26 de Setembro de 2010

O direito ao desemprego criador

Goiabas Roubadas, Sociedade

A partir daí tento mostrar à maioria que a diferença é que nossas casas são centros de consumo, enquanto as de nossas avós e bisavós eram centros de produção. Comida, roupas, energia, insumos, decoração, presentes e objetos de uso eram produzidos nas casas. Quase tudo que a família precisava estava ao alcance das mãos – de habilidosas mãos – que não só produziam, mas também consertavam, mantinham e adaptavam a novos usos quando algo se tornava definitivamente irrecuperável.

[...]

Veja bem: tudo que entra em casa gera embalagem e sai na forma de poluição. Nada fica, nada é aproveitado, tudo é jogado fora, como se “fora” existisse. Para tantos que falam de jogar algo fora, deve existir uma mágica no universo, uma vez que “fora” significaria uma espécie de buraco negro onde tudo sumiria, Emprego polui.quando de fato o que ocorre é que nosso “fora” significa que algo que não queremos deva ser lançado na cabeça de outra pessoa, de outro sistema ou de outra vizinhança. Transformamos o ciclo da vida em cadeia de geração de lixo. E nos prendemos nessas correntes intermináveis que acabam por nos envenenar corpos e mentes.

Para termos acesso a essa cadeia, buscamos dinheiro, e para obtê-lo nos submetemos a mais emprego. Nos coisificamos – reificamos segundo Marx – viramos peça de engrenagem e para manejar a situação buscamos ter mais e melhores empregos e com isso criamos muita poluição. Além de transformar a cadeia em algemas para a vida toda.

Para empregarmo-nos temos dois carros por família, ou usamos muito transporte de massa. Comemos comida pronta para ganhar tempo, inflamos as praças de alimentação de cada Shopping Center, onde produz-se em média dois contêineres por dia de restos de alimento que irão apodrecer em um aterro sanitário. A cada refeição geramos saquinhos plásticos, colheres plásticas, copos plásticos, facas plásticas e muito papel, energia e barulho que acompanham cada empregado, ou executivo, enquanto usufrui de sua ração diária. Nossos filhos vão a escolas e geram mais engarrafamento e stress, mais transportes, mais lanchinhos, embalagens e mais embalagens. Como a comida deve ser fácil e rápida, snacks entram no lugar de frutas ou pães, e com isso mais embalagens. Máquinas e mais máquinas, roupas compradas em lojas, e tudo que nos auxilia a consumir mais, ter melhor aparência e adequarmos nossa vida ao emprego, polui e acelera o sistema. E como pagamento por nosso esforço, ganhamos dinheiro, para comprar mais, gastar mais e poluir mais.

Emprego polui. E só nos empregamos por que não sabemos fazer outra coisa a não ser gerar dinheiro, para comprar mais e fazer menos. E no meio disso, para obtermos a impressão de descanso, nos entretemos diante de alguma bobagem, para que o consumo nos tenha entre tempos. Nos divertimos, para que nossa mente divirja daquilo que é importante. Saímos em grupos, para não sermos importunados pela família. Ligamos a TV para desligarmos a mente daquilo que nos oprime.

Uma boa medida para combater a extrema poluição que assola nosso planeta seria a busca do direito ao desemprego criador.

O impenitente Claudio Oliver,
que não se cansa de me atormentar
e pode ser encontrado na rua com Deus

Leia também:
A ansiedade das coisas
O capitalismo como fascismo
O ciclo pendente das coisas

24 de Julho de 2010

O rapaz da via Gluck

Pense comigo

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Il ragazzo della via Gluck (1966), Adriano Celentano

 

Esta é a história
de um de nós
nascido ele também, por acaso, na via Gluck
numa casa fora da cidade,
gente tranquila, que trabalhava.
Lá onde havia mato agora há
uma cidade
e aquela casa
no meio do verde a essa altura,
onde estará?

Esse rapaz da via Gluck
se divertia brincando comigo,
mas um dia disse:
vou para a cidade,
e enquanto o dizia chorava;
eu lhe pergunto: amigo,
não está feliz?
Vai finalmente morar na cidade!
Lá encontrará as coisas que não pôde ter aqui.
Poderá lavar-se dentro de casa sem precisar
sair para o quintal!

Meu caro amigo, ele disse,
aqui nasci;
nesta estrada
agora deixo meu coração.
Como é que você consegue não enxergar?
É uma fortuna para vocês que ficam
descalços brincando pelos campos
enquanto lá no centro eu respiro cimento.
Mas chegará o dia em que voltarei
ainda pra cá,
e ouvirei o amigo trem que
assobia assim:
“uau uau”!

Passam os anos,
mas oito demoram;
aquele rapaz acaba saindo-se muito bem,
mas não se esquece da sua primeira casa;
agora tem dinheiro para poder comprá-la.
Volta e não encontra os amigos que tinha
só casas sobre casas,
alcatrão e cimento.

Lá onde havia mato agora há
uma cidade
e aquela casa
no meio do verde a essa altura,
onde estará?

[...]

Não sei, não sei
Porque continuam
a construir as casas
e não deixam o verde
não deixam o verde
não deixam o verde
não deixam o verde

É, não
Se continuamos assim, quem sabe
como é que vai ser
quem sabe
como é que vai ser

Il ragazzo della via Gluck (1966),
de Adriano Celentano,
nascido ele mesmo na via Gluck

***

Questa è la storia
di uno di noi,
anche lui nato per caso in via Gluck,
in una casa, fuori città,
gente tranquilla, che lavorava.
Là dove c’era l’erba ora c’è
una città,
e quella casa
in mezzo al verde ormai,
dove sarà?

Questo ragazzo della via Gluck,
si divertiva a giocare con me,
ma un giorno disse,
vado in città,
e lo diceva mentre piangeva,
io gli domando amico,
non sei contento?
Vai finalmente a stare in città.
Là troverai le cose che non hai avuto qui,
potrai lavarti in casa senza andar
giù nel cortile!

Mio caro amico, disse,
qui sono nato,
in questa strada
ora lascio il mio cuore.
Ma come fai a non capire,
è una fortuna, per voi che restate
a piedi nudi a giocare nei prati,
mentre là in centro respiro il cemento.
Ma verrà un giorno che ritornerò
ancora qui
e sentirò l’amico treno
che fischia così,
“uau uau”!

Passano gli anni,
ma otto son lunghi,
però quel ragazzo ne ha fatta di strada,
ma non si scorda la sua prima casa,
ora coi soldi lui può comperarla
torna e non trova gli amici che aveva,
solo case su case,
catrame e cemento.

Là dove c’era l’erba ora c’è
una città,
e quella casa in mezzo al verde ormai
dove sarà.

Ehi, Ehi,

La la la… la la la la la…

Eh no,
non so, non so perché,
perché continuano
a costruire, le case
e non lasciano l’erba
non lasciano l’erba
non lasciano l’erba
non lasciano l’erba

Eh no,
se andiamo avanti così, chissà
come si farà,
chissà…