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	<title>A Bacia das Almas &#187; ambiente</title>
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	<description>Onde as ideias não descansam</description>
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		<title>O aniquilamento da não-violência</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 08:13:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
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		<description><![CDATA[Minha ideia – embora tenha sido inteiramente mal compreendida pelos ecologistas – é que o progresso não é uma ameaça à natureza, mas à liberdade. Bernard Charbonneau, falando em nome do anarquista cristão Jacques Ellul &#160; Aquilo que o diabo sonhou por milênios, um mundo em que não fosse mais possível viver uma vida de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><small><br />
<em>Minha ideia – embora tenha sido inteiramente mal compreendida pelos ecologistas – é que o progresso não é uma ameaça à natureza, mas à liberdade.</em><br />
<strong>Bernard Charbonneau</strong>, falando em nome do anarquista cristão <strong>Jacques Ellul</strong></small> </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aquilo que o diabo sonhou por milênios, um mundo em que não fosse mais possível viver uma vida de não-agressão, o capitalismo neoliberal possibilitou, evangelizou e metastaseou planeta afora. O nosso é um mundo em que não há mais santos, pacifistas ou mesmo gente boa. Ele foi de fato concebido, no seu ventre ideológico, de modo a que não subsista a virtude nem tenha como subsistir.</p>
<p>Houve épocas em que bolsões de paz e de boa vontade, muitos deles sustentados diretamente pelo sopro de Jesus de Nazaré, proveram santuário a este mundo. Os ramos da família anabatista em particular (por exemplo, os irmãos menonitas) foram por séculos os portadores de uma longa e radical tradição cristã de não-violência – inspirando e sendo inspirados por gente como Erasmo, Tolstoi, Gandhi e Martin Luther King. Um fogo semelhante nunca deixou de arder no coração da experiência católica, encarnado (por exemplo) nas paixões de Francesco, no ideal da aventura monástica e na lucidez de Dorothy Day. A não-agressão está, além disso, muito entranhada no ideário de tradições religiosas não-cristãs, em especial no budismo e no jainismo.</p>
<p>Esses, no entanto, foram ideais e realidades de uma outra era, açudes esgotados e sonhos anulados pela amoral capitalista. Ninguém mais é livre, por isso ninguém mais tem como dar-se ao luxo de ser bom.</p>
<p>Oculta por trás de multiformes manifestações e múltiplos falsos destinos, o capitalismo tem uma só regra, mas é uma regra rígida: <em>conforme-se</em>. Não me interessa o quê, consuma. Acredite no que quiser, apenas compre. Quem não <em>sabe comprar</em> deve ser ensinado a aprender, e as culturas e pessoas que não estão interessadas em consumir ou em impor seu modo de vida às demais estão condenadas à execração e à morte social, cultural e econômica.</p>
<p>Resistir é inútil. A função da propaganda (e a propaganda ocupou cada centímetro do espaço social) é evangelizar você com a má nova de que você não é feliz, e de que não terá como ser feliz até aprender a comprar o quanto baste, isto é, sem parar. Olhe pra você. Você está longe de ter toda a autorrealização que pode comprar. Para imprimir credibilidade à sua mediocridade você deve consumir. Para se destacar você deve fazer como todos.</p>
<p>A questão central, que as luzes do shopping simplesmente não nos deixam enxergar, é que consumir é agredir, especialmente num mundo interligado como o nosso. Não restam pessoas pacíficas entre nós, nem uma sequer. Não há gente não-violenta, porque todos consumimos. </p>
<p>Há inúmeros sentidos em que, dentro de um capitalismo global, consumir é agredir. Talvez baste citar dois.</p>
<p>Primeiro há a questão dos recursos naturais, e mesmo aqueles dentre nós que creem que o espírito empreendedor não tem limites deveriam poder entender que os recursos têm. Se 20% da população da Terra consomem 80% dos recursos disponibilizados pelo planeta, resulta em primeiro lugar que os bem-sucedidos dentre nós são os que desfrutam muito desautorizadamente do que não é seu. Não importa o que você acredite, o seu MBA não o qualifica a usar o recurso planetário que pertence tanto a você quanto ao seu irmão de um dos sertões do mundo. Na marca dos 7 bilhões de condôminos, a Terra é um cortiço que está ficando pequeno, e nesse condomínio uma minoria dilapida segundo os seus (os nossos) próprios caprichos um patrimônio que é comum, e despeja ao mesmo tempo o seu (o nosso) lixo sobre a cabeça de uma minoria que absolutamente não é responsável por ele.</p>
<p>Além disso, a presente taxa de utilização dos recursos naturais representa não apenas um ultraje para o presente, para gente que está viva agora, mas uma ameaça para o futuro – uma ameaça para os que nascem hoje e terão de encontrar espaço de vida e de dignidade amanhã. Não há como não concordar com os que alertam que é tarde demais para ser pessimista: “sustentável” é menos uma diretiva do que um sonho. Sustentável é o que o futuro seria na melhor das hipóteses, se o nosso presente também fosse. Consumir é agredir porque é de fato <em>consumir</em>, fazer desaparecer – é queimar um mundo que não nos pertence, e como se não houvesse amanhã.</p>
<p>Em segundo lugar, consumir é agredir porque, num espaço de produção globalizado, você não é obrigado a testemunhar as injustiças que patrocinam os seus hábitos de consumo. O capitalismo não apenas alienou o trabalhador do fruto do seu trabalho, conforme diagnosticado por Marx, mas separou também o consumidor da realidade do valor e da produção. Amigo, nada neste mundo custa 1,99. Tudo neste planeta é muito valioso. Tudo é caríssimo, em especial as horas-gente e as horas-futuro, que são horas-vida. Acredite, a máquina fotográfica que você tem no bolso é uma milagre e o seria em qualquer tempo e qualquer universo; se você paga por ela coisa de 30 almoços é porque <em>alguém está pagando o restante do valor</em> – e via de regra é o chinês apertado numa fábrica, com as mesmas condições de conforto e o mesmo espaço para se esticar que o frango industrial de que você comprou ontem o filé. E os operários em todo o mundo se sujeitam a esse tipo de indignidade apenas porque vendemos a eles, constantemente e com toda a eficiência, o sonho de aprenderem a comprar com a mesma eficácia que nós mesmos. E quem não gostaria de estar no nosso lugar? Todos os que consumimos, de iPads a goiabinhas Piraquê, somos senhores de escravos.</p>
<p>Desse modo não é difícil entender, com Jean Baudrillard, porque discriminação e exclusão são consequências diretas e imediatas da globalização. O capitalismo tecnológico quer impor sobre as culturas e sobre os indivíduos uma solução de vida sem verdadeira alternativa; todos os que não se submetem ou não desejam esse modo de vida estão por definição discriminados e excluídos. E mesmo os que se sujeitam a desejar a solução indiferenciada tem de submeter-se ainda à pedra de moer da eterna insatisfação: a máquina capitalista só funciona enquanto e porque todos nos sentimos pelo menos um pouco discriminados e excluídos, e entendemos que o consumo do produto almejado nos curará dessa inadequação. Gente satisfeita com o que tem (ou com o que não tem) representa a morte do capitalismo; não é à toa que o capitalismo esteja tão bem de saúde.</p>
<p>Não foi à toa que Gandhi entendeu depressa que para abraçar adequadamente o ideal da não-agressão não bastava baixar as armas e oferecer a outra face: era preciso afastar-se deliberadamente das cadeias do consumo e adotar um modo de vida ao mesmo tempo responsável e sustentável. Ele intuiu que a verdadeira não-violência, no seu sentido mais radical da coisa, requer consumir o que se planta, vestir o que se fia, assumir a responsabilidade pelo próprio lixo, abrir mão das ilusões do consumo, abandonar as armadilhas da novidade e ignorar a ficção útil da propriedade privada<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2012/o-aniquilamento-da-nao-violencia/#footnote_0_2765" id="identifier_0_2765" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Uma aspira&ccedil;&atilde;o e um recuo semelhantes caracterizam o movimento evang&eacute;lico do neomonasticismo.">1</a></sup>. E o capitalismo está construído de modo a que você permaneça convencido de que não tem liberdade para fazer qualquer uma dessas coisas. </p>
<p>A perfeição do mecanismo está em que somos nós mesmos nossos catequizadores. Nosso modo de vida insiste, na verdade ele comprova, que não existe uma alternativa ao moinho do consumo. Você não é livre e jamais será, mas não vai sentir falta da liberdade enquanto estiver com um cartão de crédito ou sonhando com um.</p>
<p>Como resultado, a violência foi efetivamente institucionalizada, tendo se tornado o combustível até mesmo dos mais inocentes. A liberdade que temos, quando temos, é a de escolher, a cada momento, a agressão menor – e mesmo essa frágil decisão está se tornando cada vez mais difícil e improvável. As cadeias são cada vez mais eficazes e os encadeamentos cada vez mais complexos. Quem pode nos ensinar a viver de outra forma? Somos paupérrimos, só sabemos comprar para viver. O ciclo de agressão da produtividade e do consumo está entranhado em tudo que fazemos, tudo que desejamos, tudo que sonhamos. Os mais carolas, amantes de paz e inofensivos dentre nós patrocinam a agressão aberta e foram para sempre maculados por ela. Somos todos cúmplices e vítimas da mesma violência capital.</p>
<p>A tragédia está em que o amor não foi capaz de nos unir, mas a complacência universal com a injustiça nos tornou irmãos. Somos a máfia, e na máfia todos se cuidam, para que a máfia não tenha como mudar. Da máfia ninguém sai.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug000.png"></p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2765" class="footnote">Uma aspiração e um recuo semelhantes caracterizam o movimento evangélico do <a href="http://www.christianitytoday.com/ct/2005/september/16.38.html">neomonasticismo</a>.</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Joquempô</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 07:33:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[Nossa alegria de existir naquele domingo debaixo do sol era tão sem limites que beirava a fraude ou a extravagância. Era incrível, mas nos bastávamos ali, com os pés cravados na areia, chupando os gelos do copo vazio de caipirinha e a pele rejeitando gota a gota o protetor solar. Junto da nossa frota de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nossa alegria de existir naquele domingo debaixo do sol era tão sem limites que beirava a fraude ou a extravagância. Era incrível, mas nos bastávamos ali, com os pés cravados na areia, chupando os gelos do copo vazio de caipirinha e a pele rejeitando gota a gota o protetor solar.</p>
<p>Junto da nossa frota de cadeiras de lona as crianças brincavam de alguma modalidade particularmente violenta de joquempô, inteiramente perplexas diante da ideia e despreparadas para a execução de uma brincadeira que não acontecesse pela mediação azul do computador ou do iPad.</p>
<p>&#8211; Em suma &#8211; disse o Marcelo, &#8211; o Steve Jobs era um idiota, e sinto-me rebaixado até de ter de explicar isso às pessoas.</p>
<p>Estávamos conversando sobre o problema das interfaces de programas de computador e discutíamos a questão das áreas clicáveis dentro de um jogo eletrônico, aquelas porções do cenário ou dos personagens com as quais você pode interagir através de um clique do mouse ou um toque do joystick. A questão, naturalmente, é que mesmo num jogo com o mais elaborado dos cenários, um número limitado de áreas visíveis da tela acaba sendo clicável. De outra forma o jogo seria um pesadelo tanto para se programar quanto para se jogar.</p>
<p>Enquanto o Fabrício oferecia sua opinião, fechei os olhos. Debaixo das pálpebras incandescentes, com o sal beliscando a pele e as ondas varando horizontalmente os tímpanos, entendi subitamente esta vertigem: que o universo, apesar dos vastíssimos recursos energéticos e da abundância de lugar para o armazenamento de dados, provavelmente tem <em>uma única e minúscula interface</em> para a interação da criação com Deus e vice-versa: a superfície do planeta Terra.</p>
<p>Como que para confirmar a sacada, o Marcelo terminou de esmagar um cubo de gelo entre os dentes e opinou:</p>
<p>&#8211; Interface boa mesmo é a do mundo. Não só você pode clicar em qualquer coisa; as coisas também clicam em você.</p>
<p>E, de olhos fechados, senti no joelho um toque amigável.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug005.gif"></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O crepúsculo dos deuses</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 08:16:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[Quase Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[demografia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mito]]></category>
		<category><![CDATA[progresso]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu Quero um lugar Que não tenha dono Qualquer lugar Azymuth, Linha do horizonte &#160; Somos gente, e gente precisa de mitos, aquelas grandes narrativas formadoras que nos alçam para além das perplexidades paralisantes da realidade cotidiana e servem de espinha dorsal sobre a qual suportamos e orientamos o arco da vida. Como já foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><small>Eu<br />
Quero um lugar<br />
Que não tenha dono<br />
Qualquer lugar<br />
</small></p>
<p align="right"><small><strong>Azymuth</strong>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0RghFsHGk7c">Linha do horizonte</a></small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Somos gente, e gente precisa de mitos, aquelas grandes narrativas formadoras que nos alçam para além das perplexidades paralisantes da realidade cotidiana e servem de espinha dorsal sobre a qual suportamos e orientamos o arco da vida.</p>
<p>Como já foi <a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/qual-mito/">suficientemente demonstrado</a>, todos vivemos debaixo de uma narrativa deste tipo, mesmo os mais céticos e descrentes dentre nós. Talvez não baste dizer que os seres humanos precisam de mitos; mais acertado seria dizer que são os mitos que nos tornaram humanos em primeiro lugar, e que são eles os patrocinadores do que nos resta de humanidade.</p>
<p>O ocidente pré-moderno via o arco ascendente da existência como desenhado exclusivamente por Deus: era a divindade que víamos nos conduzindo gradualmente de um presente incerto a um futuro de segurança. A condução divina era nossa narrativa sustentadora.</p>
<p>Na era moderna, Deus foi grosso modo substituído pela razão. Passamos a crer que a razão (equipada por todos os seus periféricos ideológicos: a ciência, a autonomia, a liberdade, a democracia, o materialismo, a privatização da produção e da vida social, o otimismo humanista, o capitalismo liberal) é quem nos guiaria de um presente incerto para um futuro de segurança. <span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Criamos coletivamente a narrativa da colonização do espaço.</span>Nossa narrativa orientadora passou a ser arco ascendente do progresso conduzido pela mente racional.</p>
<p>Parte fundamental da estrutura de um mito (como tentei indicar acima na expressão &#8220;arco ascendente&#8221; e em verbos como &#8220;conduzir&#8221; e &#8220;guiar&#8221;) é o seu componente geográfico. Em cada mito está embutida uma promessa de <em>deslocamento</em>, a promessa de que seremos através da eficácia do próprio mito transferidos de um lugar para outro &#8211; em particular, do lugar em que estamos para um lugar melhor.</p>
<p>Independentemente do mito/narrativa que nos conduz, estamos todos antevendo e ansiando por esse &#8220;lugar melhor&#8221; de tranquilidade e abundância ao qual cremos que o mito pode nos levar. Esse destino já foi, para um punhado de hebreus sem-terra, o fulgor da Terra Prometida, que manava leite e mel. Para milhões de mulheres, escravos, párias e marginalizados de todos os impérios, foi o Paraíso em que reinariam a paz e a justiça que não encontraram na experiência terrena. Para a Europa cristã saturada, exaurida, injusta e infértil da segunda metade do milênio passado, a Terra Prometida foram as Américas, destino de impensável abundância e de irrestrita liberdade. Para os norte-americanos decepcionados com o convencionalismo, a rigidez social e o corporativismo das colônias do Atlântico, o &#8220;lugar melhor&#8221; foi o Oeste Selvagem, terra da oportunidade, da igualdade e do ouro<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/o-crepusculo-dos-deuses/#footnote_0_2663" id="identifier_0_2663" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Os exemplos se pode indefinidamente multiplicar: para nordestinos esmagados pela seca, o destino de esperan&ccedil;a foi o sul Brasil; para gente apertada pela falta de oportunidade no interior, &eacute; a cidade grande.">1</a></sup>. </p>
<p>Portanto cada época (e, num certo sentido, cada lugar) teve seu próprio &#8220;mito de migração redentora&#8221; subalterno ao seu mito principal. Vivemos todos debaixo da expectativa perpétua desse lugar de abundância e de realização, esse destino ao mesmo iminente e distante, onde poderemos finalmente ser quem somos e não teremos mais de viver debaixo das limitações e constrangimentos da vida que temos agora &#8211; isto é, aqui.</p>
<p>No século XX, ao mesmo tempo em que a tradição cristã perdia definitivamente para a ciência o primeiro lugar como mito orientador no ocidente, os homens terminavam de mapear o globo e ponderavam com terror crescente as consequências da limitação de sua circunferência. Havendo os destinos terrestres de abundância finalmente se esgotado, a humanidade esboçou um mito de migração redentora que se adequasse ao seu novo mito orientador, e criamos coletivamente a narrativa da colonização do espaço.</p>
<p>As profecias do novo mito, contendo suas promessas e advertências, passaram a ser registradas nos livros de ficção científica, que são um ramo contemporâneo da milenar literatura apocalíptica. No Apocalipse de João a salvação dos homens está na cidade celeste que desce do céu à terra; na ficção científica a salvação da terra está nos homens que sobem ao céu para edificar as cidades celestes.</p>
<p>A ficção científica prometeu que colonizaríamos os planetas, que viveríamos em estações orbitais sustentáveis, que exploraríamos galáxias e pisaríamos sistemas planetários repletos de riquezas que a imaginação não pode conceber. Ensinou-os que descobriríamos no espaço novas formas de vida, novas fontes de energia e recursos, para todos os efeitos, inesgotáveis. Doutrinou-os com a ideia que a exploração espacial representaria uma retomada muitas vezes multiplicada do espírito da Grandes Navegações dos séculos XV e XVI, e que recuperaríamos nela nossa vocação de plantar colônias e esbarrar em novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.</p>
<p>O espaço tornou-se o nosso destino redentor, &#8220;a fronteira final&#8221; que prometia e possibilitava a grande futura migração &#8211; a mágica transferência para um domínio que representaria a solução de todos os problemas energéticos, populacionais e culturais que caracterizam a condição circular do nosso planeta.</p>
<p>A ideologia da exploração espacial ao mesmo tempo justificou a exploração dos recursos da Terra e a requereu. Se não tomamos medidas para conter a superpopulação foi porque a ficção científica implantou no inconsciente coletivo a noção de que no futuro estaríamos colonizando o espaço sem fim. Se não tomamos medidas para conter a radical espoliação dos recursos da terra foi porque a literatura apocalíptica<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">A exploração dos recursos do espaço talvez requeira mais recursos do que a Terra tem de sobra para oferecer.</span> da exploração espacial prometeu que em breve teríamos acesso aos recursos inesgotáveis e sem precedentes das estrelas e dos planetas<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/o-crepusculo-dos-deuses/#footnote_1_2663" id="identifier_1_2663" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Ou seja, nada mudou muito desde que a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; ensinou que pod&iacute;amos violentar esta terra sem qualquer escr&uacute;pulo porque em breve Deus nos daria outra.">2</a></sup>. </p>
<p>Porém nas últimas décadas temos testemunhado o que pode ser uma interrupção radical de toda essa narrativa, e o recente encerramento do projeto do ônibus espacial é apenas o símbolo mais recente dessa quebra de continuidade. A exploração espacial como a sonhamos talvez não seja impossível, mas o sonho tem perdido em golpes implacáveis da realidade o seu poder de factibilidade e de oportunidade, e portanto sua força de mito redentor.</p>
<p>Tudo que diz respeito à colonização do espaço tem se mostrado mais complexo e cheio de obstáculos do que costumávamos prever. Colocamos o pé na lua meia dúzia de vezes &#8211; custou caro e ensinou-nos muito em todas as áreas, mas foi só. Nenhum pé humano pisou o solo do mais próximo dos planetas do nosso próprio sistema, e não há qualquer perspectiva de que essa visita possa materializar-se nas próximas décadas. Se não temos como sequer antecipar ou arrebanhar a tecnologia e os recursos necessários para a mais simples das viagens interplanetárias, o sonho da colonização do nosso próprio sistema permanece distante ao ponto do irreal &#8211; quanto mais o de uma viagem a outro sistema planetário, quanto mais o de uma realidade em que esse tipo de viagem se torne coisa comum, factível e de retorno garantido.</p>
<p>Em particular, os cientistas intuem com cada vez mais clareza que a exploração dos recursos do espaço talvez requeira mais recursos do que a Terra tem de sobra para oferecer. Se, apesar das dificuldades, conseguirmos acesso aos recursos de outros destinos planetários, será com toda probabilidade tarde demais &#8211; tarde demais, isto é, para resolver os problemas que nos apertam na nossa presente experiência no planeta. </p>
<p>Os cientistas esperavam, pelo menos tanto quanto os cristãos, que a salvação viesse do céu, mas estamos todos aprendendo juntos a perder essa fé<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/o-crepusculo-dos-deuses/#footnote_2_2663" id="identifier_2_2663" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Essa quebra de paradigma tem se refletido na pr&oacute;pria fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. O seu mito de migra&ccedil;&atilde;o redentora permanece mais ou menos inalterado, mas com cada vez menos frequ&ecirc;ncia chegamos a esse novo destino atrav&eacute;s de foguetes, tecnologia convencional ou iniciativa humana. Da&iacute; a crescente import&acirc;ncia, na literatura de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mais recente, de abismos negros, portais, wormholes e fendas no tecido espa&ccedil;o-tempo &amp;#8211; solu&ccedil;&otilde;es ou atalhos que aproximam-se, em esp&iacute;rito e em execu&ccedil;&atilde;o, do arrebatamento dos santos e da transi&ccedil;&atilde;o ao c&eacute;u prometidos pela tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Exemplos: a saga Stargate e as s&eacute;ries Primeval, Torchwood e Terra Nova.">3</a></sup>. Perdemos nosso mito subalterno de migração redentora, e hoje em dia contribuímos para o naufrágio planetário sem contar sequer com a ilusão de um plano de fuga. </p>
<p>Talvez não seja cedo para concluir que o nosso primeiro planeta será também o nosso último. Talvez não seja cedo para celebrar que o universo pode estar para sempre a salvo de nós.</p>
<p align="center">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug073.gif"></p>
<p>&nbsp;</p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2663" class="footnote">Os exemplos se pode indefinidamente multiplicar: para nordestinos esmagados pela seca, o destino de esperança foi o sul Brasil; para gente apertada pela falta de oportunidade no interior, é a cidade grande.</li><li id="footnote_1_2663" class="footnote">Ou seja, nada mudou muito desde que <a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/a-longa-rixa-da-misericordia-com-as-ordens-da-criacao/#planeta">a tradição cristã ensinou</a> que podíamos violentar esta terra sem qualquer escrúpulo porque em breve Deus nos daria outra.</li><li id="footnote_2_2663" class="footnote">Essa quebra de paradigma tem se refletido na própria ficção científica. O seu mito de migração redentora permanece mais ou menos inalterado, mas com cada vez menos frequência chegamos a esse novo destino através de foguetes, tecnologia convencional ou iniciativa humana. Daí a crescente importância, na literatura de ficção científica mais recente, de abismos negros, portais, <em>wormholes </em>e fendas no tecido espaço-tempo &#8211; soluções ou atalhos que aproximam-se, em espírito e em execução, do arrebatamento dos santos e da transição ao céu prometidos pela tradição cristã. Exemplos: a saga <em>Stargate </em>e as séries <em>Primeval</em>, <em>Torchwood </em>e <em>Terra Nova.</em></li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Notas no caderno da revolução</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 11:45:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para trazer a efeito a revolução não basta simplesmente compartilhar as mesmas ideias, é necessário poder viver juntos, numa base diária, se possível em contato direto com a natureza. Embora pareça paradoxal, apenas uma comunidade de homens &#8220;unidos e isolados&#8221; pode garantir a vida interior autêntica negada pela civilização tecnológica. Jacques Ellul É precisamente isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para trazer a efeito a revolução não basta simplesmente compartilhar as mesmas ideias, é necessário poder viver juntos, numa base diária, se possível em contato direto com a natureza. Embora pareça paradoxal, apenas uma comunidade de homens &#8220;unidos e isolados&#8221; pode garantir a vida interior autêntica negada pela civilização tecnológica.</p>
<p align="right"><small><strong>Jacques Ellul</strong></small></p>
<p>É precisamente isso que distinguía Ellul de todos os totalitaristas, panteístas e naturalistas daquele tempo: Minha ideia – embora tenha sido inteiramente mal compreendida pelos ecologistas – é que <em>o progresso não é uma ameaça à natureza, mas à liberdade</em>.</p>
<p align="right"><small><strong>Bernard Charbonneau</strong></small></p>
<p>Ellul e Chabornneau insistiam constantemente na necessidade de estabelecerem-se, localmente, pequenos grupos auto-governados que seriam federados entre si. Deveriam funcionar como contra-sociedades, esses grupos exemplares, manifestações concretas da ordem a ser construída. Seu propósito não era derrubar o regime mas servir de evidência, aqui e agora, da <em>revolução instantânea.</em> Gradualmente, de forma contagiosa, essa rede fundada nas bases poderia espalhar-se além das fronteiras nacionais, que estavam fadadas a desaparecer de qualquer maneira.</p>
<p>
<p style="text-align:right;"><small> <strong>Patrick Troude-Chastenet,</strong><br />sobre os projetos anárquicos de Jacques Ellul </small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug028.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/o-profeta-e-a-revolucao/">O profeta e a revolução</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>As profecias do homem-consumo e o esvaziamento das necessidades</title>
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		<pubDate>Tue, 17 May 2011 20:35:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[illich]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; É o paradoxo das nossas vidas. Nunca tivemos tanta liberdade para moldar nossas vida do modo como queremos, mas nunca estivemos sujeitos a tantas pressões nos dizendo o que é desejável. David Rowan, The Times, 6 de setembro de 2003 &#160; Parece estar suficientemente demonstrado que, quando o ocidente abandonou a noção (antes bastante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p align="right"><small>É o paradoxo das nossas vidas. Nunca tivemos tanta liberdade para moldar nossas vida do modo como queremos, mas nunca estivemos sujeitos a tantas pressões nos dizendo o que é desejável.<br />
<strong>David Rowan</strong>, <em>The Times</em>, 6 de setembro de 2003</small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Parece estar suficientemente demonstrado que, quando o ocidente abandonou a noção (antes bastante popular) de que a pobreza é uma virtude, foi com a ardente aprovação da Reforma Protestante &#8211; e provavelmente <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/a-teologia-do-capital/">por direta inspiração dela</a>. O que ainda não sabemos avaliar são todos os resultados que essa mudança de paradigma lançou futuro adentro. Algumas dessas flechas estão apenas começando a nos atingir; outras já nos atravessaram as pernas e o coração.</p>
<p>Mesmo antes da era da mecanização, alguns observadores, avaliando essa formidável transição, olharam com nostalgia para o passado e com temor para o futuro. Hoje em dia discute-se se um mundo que não acredita em Deus irá manter-se abraçado à ética; naquela época discutia-se se um mundo que acredita na ambição e no lucro pode alegar estar abraçado a Deus.</p>
<p>Quando a revolução industrial era menos do que uma promessa e a era da informação menos do que um sonho, esses sujeitos enxergavam o que hoje deveria ser visto como lugar-comum: que a ganância, liberta de suas cadeias ancestrais e alimentada pela tecnologia, poderia se mostrar a chave da destruição do mundo e da mais fatal cegueira da história da humanidade. </p>
<p>Em seu <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/so-a-duvida-brilhara/">A Vida de Fausto</a>, de 1791, Friedrich Maximilian Klinger coloca na boca de Satã algumas dessas profecias: </p>
<blockquote><p>Em breve, o perigoso veneno da sabedoria e da ciência contaminará a todos! Sua fantasia inflamar-se-á para criar milhares de novas necessidades. Loucura, dúvida e intranquilidade e novas necessidades alastrar-se-ão, e eu duvido que meu terrível reino possa abarcar todos aqueles que serão contaminados por esse veneno sedutor.</p></blockquote>
<p>Este é Novalis (1772-1801), escrevendo mais ou menos na mesma época, em seu <a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/a-cristandade-ou-a-europa/">A Cristandade, ou a Europa</a>:</p>
<blockquote><p>Uma prolongada associação de homens diminui suas inclinações para a sua fé e para sua raça, e habitua-os a aplicar seus pensamentos e esforços à tarefa de adquirir conforto material. As necessidades, bem como as artes de satisfazê-las, tornam-se mais complexas; o ambicioso requer tanto tempo para conhecer e ganhar habilidade nessas artes que não tem mais tempo para a silenciosa reunião de ideias e a atenta consideração do mundo interior. Se um conflito surge, seu interesse presente lhe parece representar mais; desse modo fenecem as belas flores de sua juventude, da fé e do amor, dando lugar aos frutos amargos do conhecimento e da possessão. </p></blockquote>
<p>Acho especialmente relevante e lúcido que esses autores tenham entendido, de seu posto há duzentos anos, de onde não tinham como saber o que hoje sabemos, que o segredo da vitória final da ganância residiria<em> na manipulação das necessidades</em>. </p>
<p>Novalis enxergou que necessidades mais complexas requerem mais recursos e mais tempos para serem satisfeitas. O mero tempo necessário para aprendermos a nos tornar &#8220;produtivos&#8221; e a nos mantermos assim pode estar sequestrando partes muito legítimas da existência &#8211; porções e pausas de vida que perdemos inteiramente de vista enquanto corremos atrás do vento. Antes dos engarrafamentos e dos shopping centers, Novalis entreviu que a tarefa de nos tornarmos consumidores eficazes pode estar nos subtraindo o privilégio e a tarefa mais essencial de viver.</p>
<p>Klinger olhou ainda mais longe, e na mesma página diz duas vezes que a chave da manipulação e da ruína da humanidade residirá na &#8220;criação de necessidades&#8221;. Antes da televisão de tela plana e do iPad, ele entendeu que o homem abraçará os pés do diabo para não ter de resistir ao apelo de &#8220;novas necessidades&#8221;.</p>
<p>Essas profecias falam de um momento no futuro em que os homens finalmente dominariam a arte de transformar o que é supérfluo em necessidade. Essa hora, naturalmente, já chegou. Mais do que Novalis jamais poderia sonhar, aprendemos a validar nossa humanidade através daquilo que consumimos. E, numa vertigem que levaria Klinger à loucura, a subsistência dos sistemas do mundo absolutamente depende da criação e da divulgação insaciável de novas necessidades. </p>
<p>Até mais ou menos recentemente, a durabilidade de um produto era encarada como valor: os produtos eram feitos e comprados para durar. Esse paradigma, no entanto, não funcionava a serviço de um capitalismo que depende do consumo sem pausa para sobreviver. As indústrias aprenderam não apenas a lançar novos produtos (coisa que fizeram desde o começo), mas a encaixá-los num rigoroso programa de obsolescência programada. Mesmo quando compradas para durar, as coisas passaram a ser feitas <em>para não durar</em>. Hoje em dia um produto apresenta falhas técnicas muito antes do que já foi considerado aceitável, e o custo do conserto e da manutenção se mostra muitas vezes maior do que o custo da aquisição de um produto novo. O verdadeiramente notável nessa equação é que aprendemos a deixar de ficar indignados com isso, devidamente aplacados pelas vantagens anunciadas do novo produto-necessidade.</p>
<p>O último estágio da transição de valor do durável para o instantâneo ocorreu quando as indústrias deixaram de ocultar o seu projeto de obsolescência programada e passaram a anunciá-lo aos quatro ventos como evidência de compromisso com a inovação. Hoje não há quem compre um equipamento eletrônico desconhecendo que daqui a um dia ou dois, talvez antes, um equipamento com mais botões estará ocupando o mesmo lugar na estante. Não há quem compre um iPhone 4 sem saber que este ano ainda deve sair o 5. A perspectiva da obsolescência deixou de ser um problema e passou a ser um componente legítimo do produto, um de seus mais irresistíveis atrativos.</p>
<p>E, como diz a piada, com esses dez por cento nós vamos vivendo. Os profetas continuam falando e sendo solenemente ignorados, porque ouvi-los seria morder a mão que nos alimenta &#8211; ou mais propriamente, seria deixar de morder a mão que estamos consumindo: a nossa própria. Ivan Illich <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/vitimas-do-seculo-xx/">explica além da dúvida</a> que nos tornamos tão habituados às soluções da tecnologia que ficamos cegos ao fato de que estamos sendo aprisionados por elas. As soluções que deveriam tornar a vida mais fácil, bem como a obediente satisfação das necessidades novas e complexas que nos vende o sistema, pouco fizeram além de criar novos problemas, e crônicos. Entre eles estão as chamadas &#8220;doenças da opulência&#8221;, invenções do nosso sucesso em canalizar o nosso modo de vida de modo a perseguir a prosperidade &#8211; coisas como obesidade, depressão, ansiedade, hipertensão e diabetes. Essas novas doenças aplacamos com novos remédios, é claro, porque seria pedir demais que nos rebaixássemos a mudar de vida. Para que o sistema continue rodando, nada nem ninguém &#8211; nem nossa própria qualidade de vida nem o esgotamento dos recursos do mundo &#8211; deve ser considerado motivo legítimo para atrasarmos o relógio e voltarmos ao ritmo das meras necessidades, as antigas.</p>
<p>Onde o supérfluo é visto como necessário, o próprio conceito de necessidade é sequestrado e esvaziado para sempre. Havia uma coisa importante que era necessário eu dizer para concluir, mas dizê-lo neste mundo não faz sentido.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug042.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-direito-ao-desemprego-criador/">O direito ao desemprego criador</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/o-profeta-e-a-revolucao/">O profeta e a revolução</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-ciclo-pendente-das-coisas/">O ciclo pendente das coisas</a></p>
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		<title>A saracura cibernética</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2011 12:13:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quase Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[biologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Folheando algumas fotos digitais que tirei de uma saracura que vem tomar banho junto à minha janela (outra foto aqui), encontrei o que pode ser um daqueles pequenos deslizes temporários da matrix. Nesta foto em que a asa aparece estendida, a extremidade revela o cabo motor, a curva metálica e o minúsculo rebite do que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Folheando algumas fotos digitais que tirei de uma <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Saracura">saracura</a> que vem tomar banho junto à minha janela (outra foto <a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/6560027">aqui</a>), encontrei o que pode ser um daqueles pequenos deslizes temporários da <em>matrix</em>. Nesta foto em que a asa aparece estendida, a extremidade revela o cabo motor, a curva metálica e o minúsculo rebite do que é muito claramente uma pena biônica, de uma estética com influência <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Steampunk">steampunk</a>.</p>
<p>Veja a foto em tamanho grande <a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/6606012/original">aqui</a>, e um detalhe abaixo.</p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/6606012"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/6606012_72457ee775008073622aa609678abfc0_standard.jpg" height="306" width="460" /><br />
</a></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2011/cyber-saracura.jpg" alt="" /></p>
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		<title>Traga-me um futuro novo</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Oct 2010 10:33:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>
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		<description><![CDATA[Que o velho já não me interessa. Foi Jean Delumeau, cuja História do medo no Ocidente voltei a percorrer descalço todas as manhãs, quem me chamou a atenção para o fato de que o temor da novidade e a glorificação do passado são motivo de todo o tipo de conflito contraditório no estreitíssimo (mas perene) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que o velho já não me interessa.</p>
<p>Foi Jean Delumeau, cuja <em>História do medo no Ocidente</em> voltei a percorrer descalço todas as manhãs, quem me chamou a atenção para o fato de que o temor da novidade e a glorificação do passado são motivo de todo o tipo de conflito contraditório no estreitíssimo (mas perene) fio do presente.</p>
<p>Quem administra o passado pode nos manejar como bem lhe parece, porque a humanidade não tem olhos para o futuro. Um menino caminha e caminhando chega a um muro, mas é só ali &#8211; só até aqui &#8211; que conseguimos chegar. Mesmo quando procura acenar com a promessa retórica de um futuro melhor, o estadista usa como moeda as memórias de uma longínqua e idealizada idade do ouro ou, como alavanca, os desafios deixados pela utopia de um profeta que já morreu. Ele precisa se alicerçar em seduções do passado, porque gente de carne é incapaz de desejar, verdadeiramente desejar, o futuro.</p>
<p>Em consequência, grande parte dos movimentos que acabamos classificando como revolucionários não fundamentam o seu discurso na construção de um futuro previamente inconcebível, mas num esforço declarado de recuperação do passado (ou de um ideal do passado) &#8211; que se toma por mais admirável e digno de perpetuação do que a condição presente. Os revolucionários, hereges e insurgentes enxergam-se, regra geral, como a sagrada elite dos verdadeiros conservadores.</p>
<p>Foi esse, muito evidentemente, o caso com os proponentes da Reforma Protestante, que exigiam um retorno à pureza original (isto é, pertencente ao passado) do evangelho e rejeitavam todas as inovações introduzidas ou toleradas pela igreja medieval: o culto dos santos, as indulgências, a missa em latim, as imagens, os votos monásticos a confissão obrigatória. Foi assim, paradoxalmente, com a Contra-Reforma, movimento católico que se inflamou em várias frentes contra o que era visto como as novidades introduzidas pelos protestantes, e tomava como inadmissível que os reformadores rejeitassem o formidável monumento de séculos e séculos de um sistema eclesiástico universal. Embora discordassem espetacularmente sobre a natureza ideal do presente, os discursos de um e de outro &#8211; defensores da Reforma e da Contra-Reforma &#8211; estavam alicerçados na preservação de ideais e valores do passado. Discordavam apenas quanto a por qual passado valia à pena lutar, morrer e matar.</p>
<p>Qualquer um que se levanta contra os sistemas do mundo, portanto, se vê inevitavelmente sujeito à mais mesquinha e incontornável das denúncias: &#8220;então você está certo e mil (ou dois mil, ou cem) anos de tradição estão erradas?&#8221; Não apenas qualquer avanço se vê impedido por essa intransigência, mas o próprio espaço do presente se vê inteiramente tomado por diferentes facções definidas por sua lealdade a determinada fatia do passado &#8211; facções que estarão prontas a levantar cercas e espadas para proteger a honra e a supremacia dessa sua distância da inovação.</p>
<p>Em nenhum caso esse cativeiro voluntário com o passado é mais paradoxal do que na postura do cristianismo institucional, que manifesta lealdade nominal a um movimento que em sua forma original representava um compromisso inegociável, sem precedentes e sem sucessores, com a inovação.</p>
<p>Que se devassem os arquivos de todas as religiões, revoluções e ideais já abraçados pela humanidade. Afirmo sem o temor da hipérbole que nenhum, mais do que o inquieto movimento delineado no Novo Testamento, propôs o novo, fez do novo sua bandeira, postulou o novo e resolutamente o requereu. Ideologias como o marxismo, o satanismo e o anarquismo parecerão cautelosos e conservadores quando comparados ao rigor iconoclasta e obsessivamente inclusivo do cristianismo das primeiras gerações.</p>
<p>A doutrina do reino de Deus pleiteia um homem irretocavelmente renovado e, consequentemente, outorga a promessa de um mundo inconcebível de tão novo. Na esteira da sua implantação, seus proponentes trabalharam sistematicamente para derrubar, diante dos outros e de si mesmos, as barreiras ancestrais de sexo, nacionalidade, classe social e ideologia que haviam delimitado as fronteiras da ordem e da civilização &#8211; e nada sugere que esperassem que essa onda revolucionária de inclusividade pudesse ser contida com a última página do Novo Testamento.</p>
<p>Nenhuma dessas posturas representava meias-medidas; encarnavam inovações no sentido mais revolucionário e controverso da coisa, e requeriam a dissolução sistemática do próprio tecido da cultura, da economia e da sociedade. O reino de Deus anuncia o fim do mundo porque sua implantação ab-roga o castelo de cartas que teimamos chamar de civilização.</p>
<p>A inclusão e a indiferenciação demandada pela doutrina graça, em particular, soa para ouvidos humanos como um perigoso flerte com o próprio caos, uma entrega inadmissível ao mais rigoroso terror. Você já parou para ponderar como seria, para além da retórica, um mundo em que não houvesse de fato &#8220;judeu nem grego, empregado nem empregador, homem nem mulher&#8221;?</p>
<p>De modo algum: nosso amor à ordem e à tradição recusam-se resolutamente a acompanhar essas sugestões até suas necessárias consequências. Não é à toa que os cristãos das gerações posteriores tenham se desviado deliberadamente desse projeto, porque nós mesmos recuamos em horror diante dele.</p>
<p>O paradoxo está em que, enquanto pretendemos ou fingimos voltar continuamente (e com maior fidelidade do que qualquer facção concorrente) ao Novo Testamento, o Novo Testamento propõe-nos incessantemente que avancemos para além dele. Em sua inclusividade, em sua intransigência, em seu anti-imperialismo, em sua visão comunitária, em sua generosidade e sua gentileza, o movimento do reino encarna esse ideal ativamente comprometido com o incondicionado, o não-previsto, o sem precedentes.</p>
<p>Esse compromisso com uma onda sem volta de inovação foi, na verdade, articulado em atos pelas testemunhas e em palavras por todos os proponentes do reino. &#8220;As coisas velhas já passaram&#8221;, decreta o Apóstolo, e celebra ao mesmo tempo a recém-instaurada vertigem: &#8220;tudo agora se fez novo&#8221;. O livro de Apocalipse descreve a dissolução sistemática (e, em última instância, absolutamente revolucionária) de todas as estruturas de intimidação e de dominação jamais empunhadas pela humanidade, e conclui sua ascensão rumo a uma impoluta glória com a mais desconcertante e embaraçosa auto-definição da divindade: &#8220;Eis que faço novas todas as coisas&#8221;. </p>
<p>Um Deus comprometido com a novidade, e não com a tradição, nunca voltou a frequentar os sonhos dos homens. E Jesus, seu representante e desbravador, só tinha olhos, gestos e palavras para o reino dessa devastadora inovação. Ele alertou claramente que o vinho da sua revolução era de natureza tão ebuliente que não podia ser contido em recipientes de couro velho, que não se mostrariam flexíveis o bastante para preservá-lo e distribuí-lo. O sumo perpetuamente renovado do reino requer continuamente recipientes novos, sempre temporários e sempre irrestritamente maleáveis. O novo só se dobra diante da necessidade de uma renovação adicional: a semente deve morrer para brotar, o homem deve morrer para ressuscitar. As coisas velhas já passaram, e o que um dia já foi unânime e útil deve ser deixado agora mesmo para trás.</p>
<p>E ali logo em frente, a esperar pela gente, está um futuro inteiramente condicionado, inteiramente amordaçado pelo nosso temor do outro e nosso pavor da novidade.</p>
<p>Coloque a palma da sua mão ao lado da minha e posso lê-las como as páginas de um livro. Tudo que faremos eu e você nos próximos dias, nos próximos anos e nas próximas décadas &#8211; em nosso trabalho, em nosso voto, em nossos planos, em nosso círculo de relações, na carne de nossas tatuagens e no esqueleto de nossas omissões &#8211; terá em vista manter (ou estabelecer) um estado de coisas confortável para nós mesmos, um mundo em que não tenhamos de olhar a diferença nos olhos. Por certo haverá progresso, mas manteremos seus pés acorrentado ao rigor das nossas alianças, obrigando-o a avançar nos passos diminutos limitados pela pequeneza de nossas concessões &#8211; concessões que celebraremos dentro de nós como sinal muito evidente de nossa própria grandeza, como se representassem um grande avanço e não encarnassem em sua cautela o nosso próprio horror de dar um passo maior.</p>
<p>Olhando na palma da sua mão e na minha, vejo por exemplo que no futuro haverá igrejas autodefinidas como tradicionais que acolherão homossexuais declarados em suas congregações, concedendo-lhes a princípio os mesmos direitos relutantes e sem alarde que foram concedidos aos divorciados. Por outro lado, haverá um número ainda maior de igrejas que condenará explicitamente esses e outros liberalismos, tomando-os por concessão a Satanás, até que a pulverização das posições dos que se definem como cristãos termine por sujeitar o nome e a herança de Jesus à mais completa irrelevância cultural.</p>
<p>E é preciso lembrar que nada há de revolucionário em que a igreja termine por se dobrar, acolhendo gente constrangedora como são atualmente os homossexuais; é na verdade absolutamente esperado que o faça, depois das necessárias contorções em contrário. Porque a igreja formal se mostrará disposta a qualquer concessão a fim de manter o seu status de igreja &#8211; um mundo em que haja pastores, templos, reuniões semanais, ofertas, testemunhos e o correspondente tráfico de culpas e fidelidades. A igreja-instituição fará tudo e qualquer coisa para preservar um mundo em que retenha a reputação de generosa mas reguladora, porém ela mesmo reservará as decisões realmente radicais para o último momento, quando sua própria posição não representar qualquer diferença diante da postura geral da sociedade sobre determinado assunto.</p>
<p>Dessa forma, a igreja permanecerá fazendo concessões que não são motivadas pela misericórdia, mas por seu compromisso com a autoperpetuação. Não o fará motivada pelo amor à relevância, mas pelo medo da irrelevância. Não o fará conduzida pelo amor à minoria, mas para não perder a aprovação da maioria.</p>
<p>Olhando na sua mão e na minha vejo que, quando for absolutamente impossível deixar de desviar nosso olhar dos limites muito evidentes de um mundo redondo, e quando nós poucos privilegiados já tivermos queimado a maior parte dos recursos que tardiamente se reconhecerá pertencerem a todos, a humanidade passará a de fato regulamentar e fazer cumprir a justiça ambiental &#8211; mas isso quando não restar qualquer espaço de manobra, quando tivermos muito literalmente derrubado a última floresta: quando for em muitos sentidos tarde demais.</p>
<p>Porém esse mundo de gente possuidora de uma forçosa consciência ambiental será ainda um mundo de corporações e de lucros, de alianças e de traições, de países, nacionalidades e fronteiras. Permanecerá um mundo condicionado.</p>
<p>Em outras palavras, a sanidade que hoje seria admirável e permanece rigorosamente improvável está na verdade predestinada a ocorrer no futuro &#8211; porém deve ficar muito evidente que tomaremos todas as providências para que a misericórdia e o respeito aos direitos do outro permaneçam no âmbito do condicionado, e que sua inevitável aplicação seja adiada até o último momento.</p>
<p>Em outras palavras, manteremos o vinho da novidade contido em recipientes de couro velho, até que finamente se rompam e não tenhamos outra escolha que não contê-lo novamente num outro recipiente destinado para durar.</p>
<p>Veja que já são passados dois mil anos e ainda volto infantilmente, condicionadamente, a essa metáfora dos odres, que já deixaram de ser usados há tanto tempo. Meu temor do futuro é tão grande que sequer consigo contextualizá-la.</p>
<p>O que se requer, muito evidentemente, não são metáforas novas, porque palavras saberemos sempre dobrar de modo a justificar os nossos discursos. O que se requer é um homem novo, em que o próprio coração seja um recipiente imoderadamente flexível e em tudo maleável.</p>
<p>A única metáfora que resta é a mais iconoclasta, niilista e existencialista de todas: a Palavra se fez carne. O necessário é que o homem não traga dentro de si qualquer coisa que não sua precária humanidade, cujo único mérito será o de pertencer a todos.</p>
<p>Porque quando o homem for humano será o reino de Deus, e Deus não nos perdoe se escolhermos um futuro menor.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug072.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/a-invencao-do-nao-condicionado/">A invenção do não-condicionado</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/a-longa-rixa-da-misericordia-com-as-ordens-da-criacao/">A longa rixa da misericórdia com as ordens da criação</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/a-pastoral-do-medo/">A pastoral do medo</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Laranjas</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 02:01:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[coreldraw]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://farm2.static.flickr.com/1065/5103221097_06986f9e5c_b.jpg"><img src="http://farm2.static.flickr.com/1065/5103221097_06986f9e5c_z.jpg" alt="Laranjas" title="Clique para ampliar" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O direito ao desemprego criador</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Sep 2010 04:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>

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		<description><![CDATA[A partir daí tento mostrar à maioria que a diferença é que nossas casas são centros de consumo, enquanto as de nossas avós e bisavós eram centros de produção. Comida, roupas, energia, insumos, decoração, presentes e objetos de uso eram produzidos nas casas. Quase tudo que a família precisava estava ao alcance das mãos &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A partir daí tento mostrar à maioria que a diferença é que nossas casas são <em>centros de consumo</em>, enquanto as de nossas avós e bisavós eram <em>centros de produção</em>. Comida, roupas, energia, insumos, decoração, presentes e objetos de uso eram produzidos nas casas. Quase tudo que a família precisava estava ao alcance das mãos &#8211; de habilidosas mãos &#8211; que não só produziam, mas também consertavam, mantinham e adaptavam a novos usos quando algo se tornava definitivamente irrecuperável.</p>
<p>[...]</p>
<p>Veja bem: tudo que entra em casa gera embalagem e sai na forma de poluição. Nada fica, nada é aproveitado, tudo é jogado fora, como se “fora” existisse. Para tantos que falam de jogar algo fora, deve existir uma mágica no universo, uma vez que “fora” significaria uma espécie de buraco negro onde tudo sumiria, <span style="float:right;text-align:right;width:35%;font-family:georgia, times new roman, serif;font-variant:small-caps;font-size:1.3em;color:#5b211a;line-height:1.3em;margin:20px 0 20px 20px;">Emprego polui.</span>quando de fato o que ocorre é que nosso “fora” significa que algo que não queremos deva ser lançado na cabeça de outra pessoa, de outro sistema ou de outra vizinhança. Transformamos o <em>ciclo da vida</em> em <em>cadeia de geração de lixo</em>. E nos prendemos nessas correntes intermináveis que acabam por nos envenenar corpos e mentes.</p>
<p>Para termos acesso a essa cadeia, buscamos dinheiro, e para obtê-lo nos submetemos a mais emprego. Nos coisificamos – reificamos segundo Marx – viramos peça de engrenagem e para manejar a situação buscamos ter mais e melhores empregos e com isso criamos muita poluição. Além de transformar a cadeia em algemas para a vida toda.</p>
<p>Para empregarmo-nos temos dois carros por família, ou usamos muito transporte de massa. Comemos comida pronta para ganhar tempo, inflamos as praças de alimentação de cada Shopping Center, onde produz-se em média dois contêineres por dia de restos de alimento que irão apodrecer em um aterro sanitário. A cada refeição geramos saquinhos plásticos, colheres plásticas, copos plásticos, facas plásticas e muito papel, energia e barulho que acompanham cada empregado, ou executivo, enquanto usufrui de sua ração diária. Nossos filhos vão a escolas e geram mais engarrafamento e stress, mais transportes, mais lanchinhos, embalagens e mais embalagens. Como a comida deve ser fácil e rápida, snacks entram no lugar de frutas ou pães, e com isso mais embalagens. Máquinas e mais máquinas, roupas compradas em lojas, e tudo que nos auxilia a consumir mais, ter melhor aparência e adequarmos nossa vida ao emprego, polui e acelera o sistema. E como pagamento por nosso esforço, ganhamos dinheiro, para comprar mais, gastar mais e poluir mais.</p>
<p>Emprego polui. E só nos empregamos por que não sabemos fazer outra coisa a não ser gerar dinheiro, para comprar mais e fazer menos. E no meio disso, para obtermos a impressão de descanso, nos entretemos diante de alguma bobagem, para que o consumo nos tenha entre tempos. Nos divertimos, para que nossa mente divirja daquilo que é importante. Saímos em grupos, para não sermos importunados pela família. Ligamos a TV para desligarmos a mente daquilo que nos oprime.</p>
<p>Uma boa medida para combater a extrema poluição que assola nosso planeta seria a busca do <em>direito ao desemprego criador.</em></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug008.gif"></p>
<p align="right"><small>O impenitente <strong>Claudio Oliver</strong>,<br />
que não se cansa de me atormentar<br />
e pode ser encontrado <a href="http://naruacomdeus.blogspot.com/">na rua com Deus</a></small></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/a-ansiedade-das-coisas/">A ansiedade das coisas</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-capitalismo-como-fascismo/">O capitalismo como fascismo</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-ciclo-pendente-das-coisas/">O ciclo pendente das coisas</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O rapaz da via Gluck</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 14:42:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pense comigo]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[canções]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet. Clique o triângulo para ouvir o clipe[Visite a Bacia para ouvir o áudio] Il ragazzo della via Gluck (1966), Adriano Celentano &#160; Esta é a história de um de nós nascido ele também, por acaso, na via Gluck [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#DDD4C2;">Clique o triângulo para ouvir o clipe</span><br />[Visite a Bacia para ouvir o áudio]<br /><small> <strong>Il ragazzo della via Gluck</strong> (1966), Adriano Celentano </small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esta é a história<br />
de um de nós<br />
nascido ele também, por acaso, na via Gluck<br />
numa casa fora da cidade,<br />
gente tranquila, que trabalhava.<br />
Lá onde havia mato agora há<br />
uma cidade<br />
e aquela casa<br />
no meio do verde a essa altura,<br />
onde estará?</p>
<p>Esse rapaz da via Gluck<br />
se divertia brincando comigo,<br />
mas um dia disse:<br />
vou para a cidade,<br />
e enquanto o dizia chorava;<br />
eu lhe pergunto: amigo,<br />
não está feliz?<br />
Vai finalmente morar na cidade!<br />
Lá encontrará as coisas que não pôde ter aqui.<br />
Poderá lavar-se dentro de casa sem precisar<br />
sair para o quintal!</p>
<p>Meu caro amigo, ele disse,<br />
aqui nasci;<br />
nesta estrada<br />
agora deixo meu coração.<br />
Como é que você consegue não enxergar?<br />
É uma fortuna para vocês que ficam<br />
descalços brincando pelos campos<br />
enquanto lá no centro eu respiro cimento.<br />
Mas chegará o dia em que voltarei<br />
ainda pra cá,<br />
e ouvirei o amigo trem que<br />
assobia assim:<br />
&#8220;uau uau&#8221;!</p>
<p>Passam os anos,<br />
mas oito demoram;<br />
aquele rapaz acaba saindo-se muito bem,<br />
mas não se esquece da sua primeira casa;<br />
agora tem dinheiro para poder comprá-la.<br />
Volta e não encontra os amigos que tinha<br />
só casas sobre casas,<br />
alcatrão e cimento.</p>
<p>Lá onde havia mato agora há<br />
uma cidade<br />
e aquela casa<br />
no meio do verde a essa altura,<br />
onde estará?</p>
<p>[...]</p>
<p>Não sei, não sei<br />
Porque continuam<br />
a construir as casas<br />
e não deixam o verde<br />
não deixam o verde<br />
não deixam o verde<br />
não deixam o verde</p>
<p>É, não<br />
Se continuamos assim, quem sabe<br />
como é que vai ser<br />
quem sabe<br />
como é que vai ser</p>
<p align="right"><small>Il ragazzo della via Gluck (1966),<br />
de <strong>Adriano Celentano</strong>,<br />
nascido ele mesmo na <a href="http://maps.google.com/maps?hl=en&#038;safe=off&#038;q=milano+via+gluck&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=Via+Cristoforo+Gluck,+20125+Milano,+Lombardia,+Italy&#038;ei=Ff9KTIWnB86luAf22KG-DQ&#038;ved=0CC8Q8gEwAA&#038;t=h&#038;z=16">via Gluck</a></small></p>
<h5>***</h5>
<p>Questa è la storia<br />
di uno di noi,<br />
anche lui nato per caso in via Gluck,<br />
in una casa, fuori città,<br />
gente tranquilla, che lavorava.<br />
Là dove c&#8217;era l&#8217;erba ora c&#8217;è<br />
una città,<br />
e quella casa<br />
in mezzo al verde ormai,<br />
dove sarà?</p>
<p>Questo ragazzo della via Gluck,<br />
si divertiva a giocare con me,<br />
ma un giorno disse,<br />
vado in città,<br />
e lo diceva mentre piangeva,<br />
io gli domando amico,<br />
non sei contento?<br />
Vai finalmente a stare in città.<br />
Là troverai le cose che non hai avuto qui,<br />
potrai lavarti in casa senza andar<br />
giù nel cortile!</p>
<p>Mio caro amico, disse,<br />
qui sono nato,<br />
in questa strada<br />
ora lascio il mio cuore.<br />
Ma come fai a non capire,<br />
è una fortuna, per voi che restate<br />
a piedi nudi a giocare nei prati,<br />
mentre là in centro respiro il cemento.<br />
Ma verrà un giorno che ritornerò<br />
ancora qui<br />
e sentirò l&#8217;amico treno<br />
che fischia così,<br />
&#8220;uau uau&#8221;!</p>
<p>Passano gli anni,<br />
ma otto son lunghi,<br />
però quel ragazzo ne ha fatta di strada,<br />
ma non si scorda la sua prima casa,<br />
ora coi soldi lui può comperarla<br />
torna e non trova gli amici che aveva,<br />
solo case su case,<br />
catrame e cemento.</p>
<p>Là dove c&#8217;era l&#8217;erba ora c&#8217;è<br />
una città,<br />
e quella casa in mezzo al verde ormai<br />
dove sarà.</p>
<p>Ehi, Ehi,</p>
<p>La la la&#8230; la la la la la&#8230;</p>
<p>Eh no,<br />
non so, non so perché,<br />
perché continuano<br />
a costruire, le case<br />
e non lasciano l&#8217;erba<br />
non lasciano l&#8217;erba<br />
non lasciano l&#8217;erba<br />
non lasciano l&#8217;erba</p>
<p>Eh no,<br />
se andiamo avanti così, chissà<br />
come si farà,<br />
chissà&#8230; </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Marte</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/marte/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=marte</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/marte/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 12:09:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pormenor]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&#160;&#160;) na barra de reprodução. Veja também: O ciclo pendente das coisas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/fullscree-button.png">&nbsp;) na barra de reprodução.</span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
<p align="center"><object width="576" height="324"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12079648&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=c9ff23&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12079648&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=c9ff23&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="576" height="324"></embed></object></p>
</td>
</tr>
</table>
<p>Veja também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-ciclo-pendente-das-coisas/">O ciclo pendente das coisas</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A minha porção é o Senhor</title>
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		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/a-minha-porcao-e-o-senhor/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 08:14:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quase Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Um estudo realizado por um professor da Universidade de Cornell e seu irmão, pastor presbiteriano, mostrou que o tamanho das porções e dos pratos representados nos quadros da Última Ceia têm aumentado sensivelmente no decorrer do último milênio. As descobertas sugerem que o fênomeno de servirem-se porções maiores em pratos maiores, O tamanho do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">
<p><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/bits/super-supper.jpg" alt="Super Supper" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um estudo realizado por um professor da Universidade de Cornell e seu irmão, pastor presbiteriano, mostrou que o tamanho das porções e dos pratos representados nos quadros da Última Ceia têm aumentado sensivelmente no decorrer do último milênio.</p>
<p>As descobertas sugerem que o fênomeno de servirem-se porções maiores em pratos maiores, <span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">O tamanho do prato principal cresceu 69%.</span>que leva as pessoas a comerem mais do que deveriam, tem se acentuado gradualmente no mesmo período,</p>
<p>Os pesquisadores analisaram 52 pinturas da Última Ceia, e descobriram que nos últimos mil anos o tamanho do prato principal cresceu progressivamente 69 por cento; o tamanho dos pratos em si cresceu 66 por cento, e o tamanho do pão cerca de 23 por cento.</p>
<h5>* * *</h5>
<p><small>Fonte: <a href="http://www.reuters.com/article/idUSTRE62M35U20100323">Reuters</a></small></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O ciclo pendente das coisas</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/o-ciclo-pendente-das-coisas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-ciclo-pendente-das-coisas</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/o-ciclo-pendente-das-coisas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Mar 2010 12:35:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia o vídeo abaixo vai ser considerado parte do Novo Testamento &#8211; ou daquilo que no futuro, se houver, será considerado o Novo Testamento. Trata-se de The Story Of Stuff/A história das coisas, no qual Annie Leonard expõe grande parte da má nova e, se você tem fé, parte da boa. Só a exposição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia o vídeo abaixo vai ser considerado parte do Novo Testamento &#8211; ou daquilo que no futuro, se houver, será considerado o Novo Testamento. Trata-se de <strong>The Story Of Stuff</strong><em>/A história das coisas,</em> no qual Annie Leonard expõe grande parte da má nova e, se você tem fé, parte da boa.</p>
<p>Só a exposição dos conceitos de obsolescência progamada e obsolescência percebida valem o preço do ingresso. O vídeo é em inglês, mas escolha no botão CC a opção <em>Portuguese-Português</em> antes de começar para ver as legendas na sua língua.</p>
<p>Para assistir <a href="http://www.storyofstuff.org/movies-all/story-of-stuff/"><strong>clique aqui</strong></a> ou na imagem abaixo. É lucidez garantida ou a sua ignorância de volta.</p>
<p align="center"><a href="http://www.storyofstuff.org/movies-all/story-of-stuff/"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/bits/the-story-of-stuff.png" title="Clique para assistir" /></a></p>
<p><small>via <strong>db</strong>, por email</small></p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Avatar nenhum</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/avatar-nenhum/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=avatar-nenhum</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/avatar-nenhum/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 17:41:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[pacifismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Se você ainda não assistiu Avatar, o primeiro filme do diretor James Cameron depois de Titanic, provavelmente não vai querer ler esta nota. &#160; O protagonista de Avatar ousou adentrar e abraçar um novo mundo; ousou dar um passo além da carne e do sangue e adotar como seus um povo outro e uma outra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small>Se você ainda não assistiu <em>Avatar</em>, o primeiro filme do diretor James Cameron depois de <em>Titanic</em>, provavelmente não vai querer ler esta nota.</small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O protagonista de <em>Avatar </em>ousou adentrar e abraçar um novo mundo; ousou dar um passo além da carne e do sangue e adotar como seus um povo outro e uma outra cultura. <em>Avatar</em>, o filme, apesar da pirotecnia das paisagens impossíveis, da invenção de idiomas e espécies e do descortinar de imensos abismos em 3D, ousou muito menos.</p>
<p>Trata-se, para começar, de um filme com uma mensagem, o que – anote o que estou dizendo – nunca é bom sinal. Na maior parte do tempo o ruído dessa intenção evangelística passa despercebido diante de ofertas mais imediatas e interessantes, mas na meia hora final, quando o diretor/autor se mostra inteiramente incapaz de amarrar a sua mensagem sem maculá-la com contradições, o castelo desmorona por completo. E em 3D.</p>
<p>Apesar do apelo de aventura, apesar de ser a história de um mocinho que contorna perigos e subjuga espécies exóticas, <em>Avatar </em>se considera um filme muito sério, e seu grande conflito fundamental desenrola-se entre capitalistas e populações nativas. De um lado está um modo de vida predatório e desumanizante, de outro uma vida natural e sustentável; de um lado estão burocratas e corporações, de outro xamãs e pés descalços; de um lado exércitos, do outro crianças.</p>
<p>Nada tenho contra esse conflito, que, entre outras coisas e infelizmente, é baseado em fatos reais. Apenas não devemos  absolutamente acreditar quando <em>Avatar </em>dá entender que pode ter encontrado para ele um desfecho satisfatório.</p>
<p>Há, por exemplo, o tremendo desconforto de ver o grande herói branco transformando-se em deus cavalgador de dragões e salvador de civilizações devido à sua mera capacidade de, em poucos meses, aprender a manejar seu avatar melhor do que os nativos adultos de Pandora aprenderam a manejar seus próprios corpos desde que nasceram. É a sobrevivência no nosso tempo da terrível sombra do <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Play_the_white_man">Mighty White</a>, o grande salvador branco das narrativas colonialistas e imperialistas, cujos avatares são Tarzan e Jim das Selvas e Daktari e George, o rei da floresta.</p>
<p>Depois há o constrangimento de ver trazido seriamente à tona, e em pleno terceiro milênio, o mais desgastado e incompetente dos encantamentos naturebas, &#8220;não agrida a natureza ou ela irá voltar-se contra você&#8221;. A fórmula inspirou bons filmes de terror entre as décadas de 1950 e 1970 (&#8220;cuidado ao fazer testes nucleares no deserto ou derramar produtos químicos no pântano mais próximo, do contrário os <-inserir aqui qualquer espécie animal arbitrária-> gigantes irão invadir a sua cidade&#8221;), mas a nossa própria era, que enfrenta dilemas maiores e mais urgentes, requer solução menos infantilizante.</p>
<p>Porque <em>Avatar </em>pretende que o conflito em Pandora seja uma metáfora apta para os conflitos ambientais da nossa própria terra e do nosso própria tempo, e o que sabemos da nossa experiência é que <em>não, a natureza não irá voltar-se contra você</em> não importa o que você faça – pelo menos não a tempo, não de uma forma que o faça reconsiderar sua intenção de destruir e descaracterizar. Não importa o júbilo incandescente que promovam as vitórias de <em>Avatar </em>(e de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1ezRx3J9Ivk">filmes semelhantes</a>), os rinocerontes não irão atacar as lojas do Wallmart e as baleias não vão derrubar as plataformas de petróleo. O mais perto que a natureza chegará de revidar será atendendo nosso pedido de um futuro isento de complicações como rinocerontes e baleias, mas então será tarde demais, e esta é a única moral da história e também sua contradição. Em termos ambientais, só se aprende a noção de sustentabilidade quando é cedo demais, na dura bem-aventurança das populações nativas, ou tarde demais, entre nós que já consumimos o planeta e vendemos o futuro.</p>
<p>Na verdade, as populações nativas acompanham invariavelmente a natureza em sua intransigente sujeição à destruição. Não devemos acreditar em mitos tardios de bons selvagens, mas é preciso reconhecer que uma coisa índios e culturas nativas têm em comum com a natureza: seu cavalheirismo de submeter-se ao apagamento sem luta. Entregam-se invariavelmente com docilidade, como quem cede a um abraço, ao toque que irá cancelá-los da realidade.</p>
<p>Esta é a contradição e a falha final de <em>Avatar</em>, o fato de que no filme a solução que os nativos destilam para vencer a violência dos exércitos financiados pelas corporações é engendrar sua própria estirpe de violência. Avatar não conhece outra solução para a guerra que não seja a guerra, e esta é uma tremenda derrota para narrativa tão bem-intencionada. O que acontece em <em>Avatar </em>é um caso homérico da rivalidade mimética <a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/a-fermentacao-da-morte/">denunciada por René Girard</a>: a fim de vencer o inimigo sem alma os nativos imitam-no em tudo, deixando para trás até mesmo sua característica mais essencial e mais celebrada, seu respeito à vida, na ânsia de empreender justiça e salvar algum terreno. Desnecessário lembrar que na vida real, como provavelmente no universo do filme, as corporações estarão inteiramente prontas para revidar qualquer iniciativa violenta dos nativos, e quando voltarem estarão armados da justificativa inteiramente à prova de balas da vingança. <em>Avatar </em>é nisso indistinguível de<em> Tropa de Elite</em>.</p>
<p>Na vida real os frágeis não fazem guerra e ninguém fala em nome da natureza. Tudo que o meio-ambiente faz diante da violência (e entenda-se meio-ambiente como paisagens, espécies, tradições e culturas) é recolher-se e calar. Sua violência é apagar-se, e só o futuro será capaz de revelar por completo, pelo clamor impensável da ausência, a extensão desse horror.</p>
<p>E não importa o que sugira a ficção, não teremos outro planeta belíssimo para destruir. Não terás avatar nenhum.</p>
<h5>* * *</h5>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/severa-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/severa.jpg" alt="Brabo das selvas e a mais severa das advertências" title="Clique para ampliar"></a></p>
<p align="center"><small>Brabo das selvas e a mais severa das advertências</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug024.gif"></p>
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		<title>A árvore que chora</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 09:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Amazônia ela era conhecida como “a árvore que chora”, o sangue branco da floresta, e por gerações os índios haviam retalhado o seu tronco, deixando o látex gotejar em folhas, de onde podia ser moldado à mão na forma de vasos e lâminas impermeáveis à chuva. Colombo encontrou índios arauacãs jogando com estranhas bolas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/bits/arvore-que-chora-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/bits/arvore-que-chora.jpg" title="Clique para ampliar" /></a></p>
<p>Na Amazônia ela era conhecida como “a árvore que chora”, o sangue branco da floresta, e por gerações os índios haviam retalhado o seu tronco, deixando o látex gotejar em folhas, de onde podia ser moldado à mão na forma de vasos e lâminas impermeáveis à chuva. Colombo encontrou índios arauacãs jogando com estranhas bolas que quicavam e voavam. Thomas Jefferson e Benjamin Franklin descobriram que o material era ideal para apagar anotações à lápis. Devido à crença generalizada de que se originava nas Índias Ocidentais, a substância era chamada de<em> India rubber</em>. Na verdade o produto vinha do Brasil, onde o rei de Portugal já havia estabelecido uma ativa indústria que produzia sapatos, capas e bolsas de borracha.</p>
<p>Todos esses produtos, no entanto, tinham uma grande falha. No frio a borracha tornava-se tão quebradiça que rachava como porcelana. No verão uma capa de borracha reduzia-se a um manto viscoso. Então, em 1839, <span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Cada um deles precisava de borracha, e a única fonte era a Amazônia.</span>Charles Goodyear descobriu (inteiramente por acidente) a vulcanização, um processo que torna a borracha resistente aos elementos, transformando-a assim de curiosidade num ingrediente essencial da Era Industrial. Em 1888 John Dunlop inventou os pneus infláveis de borracha para que o seu filho pudesse ganhar uma corrida de triciclo em Belfast. Sete anos mais tarde os irmãos Michelin deixaram a crítica boquiaberta ao introduzirem pneus removíveis no rally Paris-Bordeaux. Na virada do século havia cinqüenta fábricas de automóveis nos Estados Unidos. A Oldsmobile, a mais bem sucedida, vendeu 425 carros só em 1901. Menos de uma década depois os primeiros 15 milhões de Modelos T deslizaram para fora da linha de produção de Henry Ford. Cada um deles precisava de borracha, e a única fonte era a Amazônia.</p>
<p>O repente de riqueza foi hipnotizante. Em Londres e Nova Iorque homens jogavam moedas para decidir se sairiam em busca de ouro no Klondike ou borracha no Brasil. No pico da corrida 5.000 aventureiros chegavam à Amazônia por semana. Em 1909 os negociantes estavam despachando rio abaixo 500 toneladas de borracha a cada dez dias. Em 1910 a borracha representava 40 por cento das exportações brasileiras. Um ano depois a produção atingia o seu pico máximo de 44.296 toneladas. Isso valia, numa estimativa conservadora, mais de 200 milhões de dólares. Em Pittsburgh o magnata do aço Andrew Carnegie lamentava: “eu deveria ter escolhido a borracha”.</p>
<p>Manaus, situada no coração do comércio brasileiro de borracha, transformou-se em poucos anos de um modesto vilarejo à beira do rio numa próspera cidade cuja opulência atingia níveis bizarros.<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Os barões da borracha acendiam charutos com notas de 100 dólares.</span> Os barões da borracha acendiam charutos com notas de 100 dólares e saciavam a sede dos seus cavalos em baldes de prata cheios de champagne francesa gelada. Suas esposas, desdenhosas das águas barrentas do Amazonas, mandavam seus linhos a Portugal para serem lavados. Prostitutas de Tangiers e de São Petesburgo chegavam a ganhar 8.000 dólares por uma noite de trabalho, tarifas que eram freqüentemente pagas em tiaras e jóias; em 1907 os cidadãos de Manaus eram os maiores consumidores <em>per capita</em> de diamantes do mundo.</p>
<p>Ao longo do território do Amazonas o comércio da borracha desencadeou um reino de terror a que não se via igual desde a consquista espanhola. No fim o que salvou a população nativa foi um ato da política imperial britânica. Em 1877 sementes de borracha trazidas pelos ingleses das florestas do Brasil chegaram à Malaia, uma terra tropical de clima similar à Amazônia, mas intocada pela praga da folha. Aqui não era necessário que as árvores crescessem tão separadas umas das outras; plantações densas e eficientes eram possíveis. Em 1909 mais de 40 milhões de pés de seringueira haviam sido plantados na Malaia (hoje em dia parte da Malásia), em intervalos de apenas seis metros, em fileiras regulares que permitiam que um único trabalhador sulcasse 400 árvores por dia. A produção dobrava a cada doze meses.</p>
<p>Com o sucesso das plantações, o boom da borracha da Amazônia implodiu. Em 1910 o Brasil produzia cerca de metade do consumo mundial; em 1918 a cifra caía para 20 por cento. Em 1940 o Brasil era responsável por apenas 1.3 por cento da produção mundial de borracha, e a nação havia se tornado importadora inveterada do produto que havia dado ao mundo.</p>
<p align="right">
<small>Wade Davis, <strong>Shadows In The Sun</strong> (1998)</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug041.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li>A árvore que chora</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Conversa de um filho da Terra com um filho do capitalismo</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 09:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem o trabalho de vir buscar o seu arabutan. Uma vez um velho perguntou-me: &#8211; Por que vêm vocês, mairs e perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para se aquecerem? Vocês não tem madeira na sua terra?«E vocês por acaso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os nossos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tupinamb%C3%A1">tupinambás</a> muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem o trabalho de vir buscar o seu <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Caesalpinia_echinata">arabutan</a></em>. Uma vez um velho perguntou-me:</p>
<p>&#8211; Por que vêm vocês, <em>mairs</em> e <em>perôs</em> (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para se aquecerem? Vocês não tem madeira na sua terra?<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">«E vocês por acaso precisam de muita?»</span></p>
<p>Respondi que tínhamos muita mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas extraíamos dela tinta para tingir, tal o qual eles faziam com os seus cordões de algodão e suas plumas.</p>
<p>Retrucou o velho imediatamente:</p>
<p>&#8211; E vocês por acaso precisam de muita?</p>
<p>&#8211; Sim &#8211; respondi-lhe &#8211; pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que vocês podem imaginar, e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.</p>
<p>&#8211; Ah! &#8211; retrucou o selvagem &#8211; É assombroso o que você me conta.</p>
<p>E acrescentou, depois de compreender bem o que eu lhe dissera:</p>
<p>&#8211; Mas esse homem rico de quem você me fala não morre?</p>
<p>&#8211; Sim &#8211; disse eu &#8211; morre como os outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><small>O missionário calvinista <strong><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_de_l%C3%A9ry">Jean de Léry</a></strong> tenta explicar <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/a-teologia-do-capital/">o espírito do capitalismo</a> a um índio tupinambá, durante sua permanência <s>no Brasil</s> na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a_Ant%C3%A1rtica">França Antártica</a> em 1557.<br />
<strong>Histoire d&#8217;un Voyage Fait en la Terre du Brésil</strong>, 1578</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug050.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/a-integridade-das-coisas/">A integridade das coisas</a></p>
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		<title>www.historiaambiental.org</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 09:16:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[A Rede Brasileira de História Ambiental é pilotada pelo meu amigo renascentista Alessandro Casagrande, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e obcecado pela História em estágio muito mais adiantado e terminal do que eu mesmo. Mapas históricos, expedições, documentos, fotos, vídeos, entrevistas, artigos exclusivos e reflexões apaixonadas sobre a desconcertante história ambiental do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Rede Brasileira de História Ambiental</strong> é pilotada pelo meu amigo renascentista Alessandro Casagrande, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e obcecado pela História em estágio muito mais adiantado e terminal do que eu mesmo.</p>
<p>Mapas históricos, expedições, documentos, fotos, vídeos, entrevistas, artigos exclusivos e reflexões apaixonadas sobre a desconcertante história ambiental do Brasil aguardam no <a href="http://www.historiaambiental.org">sáite da Rede</a>. Não sei o que você ainda está fazendo aqui.</p>
<p align="center"><a href="http://www.historiaambiental.org"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/bits/rbha.jpg" title="Rede Brasileira de História Ambiental" /></a></p>
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		<title>Somos mais sofisticados</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Jun 2009 09:21:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[nazismo]]></category>

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		<description><![CDATA[A leitura de Hitler teve ajuda me deixou inquieto, e ver o texto arquivado aqui na Bacia deixou-me ainda mais. Embora Edwin Black tenha publicado alguns dos livros-denúncia mais obsessivamente bem documentados dos últimos anos, quando são expostas assim a seco, despidas de qualquer bibliografia, suas conclusões soam excêntricas e improváveis ao ponto do surreal. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A leitura de <a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/hitler-teve-ajuda">Hitler teve ajuda</a> me deixou inquieto, e ver o texto arquivado aqui na Bacia deixou-me ainda mais. Embora Edwin Black tenha publicado alguns dos livros-denúncia mais obsessivamente bem documentados dos últimos anos, quando são expostas assim a seco, despidas de qualquer bibliografia, suas conclusões soam excêntricas e improváveis ao ponto do surreal. <span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Com os erros dos nazistas, aprendemos a ocultar melhor os nossos rastros.</span>Como acreditar que o nazismo existiu e persistiu por mais de uma década na forma como ele o descreve? Como crer que eram seres humanos os envolvidos naquela transação?</p>
<p>Pesquisas como as de Black fornecem indicações de que não é à toa que associamos, inconscientemente, as atrocidades do nazismo aos pecados desumanizadores da indústria. Era ainda 1943 e o desenho animado <em>Der Fuehrer&#8217;s Face</em>, dos estúdios Disney, já <a href="http://www.baciadasalmas.com/der-fuehrer">mostrava o Pato Donald vivendo na Alemanha nazista</a> um pesadelo proletário debaixo de roldanas, esteiras, engrenagens e metas de produção. </p>
<p>Porém essas eram imagens, iconografias &#8211; talvez por demais inclementes, tendo em vista que os norte-americanos viviam naquela época debaixo de limites semelhantes e semelhantes promessas. Foram necessárias multidões áridas de documentos, como os levantados por Edwin Black, para mostrar sem equívoco o fundamento e as <a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/hitler-teve-ajuda">estranhas irmandades</a> por trás da representação.</p>
<p>Hoje podemos concluir, com horrenda sobriedade, que o nazismo era uma indústria de morte e exclusão não porque era regido por loucos sem rédea, mas porque era regido literalmente pelo espírito do capitalismo. </p>
<p>Henry Ford, o americano obcecado com os méritos da performance, engendrou a moderna linha de montagem e dessa forma gerou tudo no nosso mundo: de tuíteres a iPhones, de <a href="http://www.e-brabo.com">ilustradores que vendem seu trabalho pela internet</a> a <a href="http://www.nlcnet.org/article.php?id=613">fábricas chinesas que mais parecem campos de concentração</a>. Adolf Hitler, o austríaco obcecado com os méritos da performance, tinha um retrato de Henry Ford em seu escritório de Munique, e dois anos antos de tornar-se chanceler revelou numa entrevista ter Henry Ford &#8220;como sua inspiração&#8221;.</p>
<p>Essa mostrou ser uma inspiração muito literal. Os campos de extermínio assemelham-se a fábricas de matar porque foram projetados tomando como modelo fábricas de verdade. Tudo nos campos nazistas foi inspirado nas luzes do recém-canonizado capitalismo industrial: as metas, a obsessão com a produtividade e com a limpeza, as chaminés, a sincronia na entrada de insumos, a eliminação eficiente de dejetos.</p>
<p>Porém Henry Ford e Adolf Hitler tinham em comum mais do que uma simpatia pela eficiência e um interesse nos prêmios da mecanização. Ambos compartilhavam de uma convicção mais essencial e mais próxima à raiz dos seus discursos: a crença de que uma raça superior, que fosse capaz de demostrar sua superioridade pela excelência de seu desempenho, merecia privilégios muito evidentes que todos os inferiores deveriam respeitar. Este, que prega o mérito auto-evidente do desempenho superior, não é apenas o espírito do nazismo, como demonstrado pela História, mas o espírito do capitalismo, como ocultado por ela.</p>
<p>Desprezamos Hitler porque sabemos que a superioridade racial que Hitler queria ver premiada não tinha fundamento científico. Sabemos hoje que ser ariano é não ser melhor do que ninguém. A superioridade pregada por Hitler era falsa, portanto as atrocidades realizadas em seu nome declaramos ilegítimas.</p>
<p>Aceitamos de bom grado o capitalismo porque sabemos que a superioridade que ele quer ver premiada tem fundamento no bom senso e na <a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/as-variedades-da-experiencia-capitalista">igualdade de oportunidades</a>; ser trabalhador é, evidentemente, ser melhor de quem não quer trabalhar ou não foi capaz de mostrar o seu valor. Acreditamos que a superioridade pregada pelo capitalismo é verdadeira, por isso são legítimas as atrocidades realizadas em seu nome. Quem demonstra sua superioridade pela excelência do seu desempenho merece privilégios muito evidentes que todos os inferiores devem respeitar &#8211; e crendo nisso nos cremos muito diferentes de Hitler e tantas vezes mais esclarecidos do que ele, embora fosse essencialmente nisso que ele acreditava e sendo isso o que o movia.</p>
<p>A questão é que depois dos erros muito evidentes e públicos do nazismo aprendemos a ocultar melhor os nossos rastros. Onde os nazistas deixaram pontas soltas, somos mais sofisticados. Ninguém deverá ser capaz de rastrear nossos cadáveres, e nossos campos de concentração produzem oportunidades ao invés de montes de cinza.</p>
<p>A quem ousar acusar o capitalismo de alguma injustiça estaremos prontos a lembrar que o socialismo (como se capitalismo selvagem e socialismo cego fossem as únicas opções no mercado de destinos econômicos) gerou injustiças maiores. Aos que ousarem denunciar as condições desumanas de pobres e subempregados, lembraremos que as últimas décadas testemunharam um sensível aumento nos padrões de vida do mundo inteiro, e que mesmo os mais miseráveis estão sendo de alguma forma beneficiados.</p>
<p>O que permanecemos ocultando habilmente, com uma habilidade que os comparsas de Hitler saberiam admirar, é que a raça superior continua a desfrutar de seus merecidos privilégios. O rótulo é diverso, mas permanecemos fundamentados na mesma ideologia e instruídos na mesma tarefa de exclusão e morte.</p>
<p><span style="float:left; text-align:left; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 12px 12px 0px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">20% da população do planeta consomem 80% dos recursos dele.</span>Poderíamos de comum acordo decidir ignorar, por exemplo, que 2% da população mundial retém metade da riqueza do mundo. Esqueçamos isso. Sou o primeiro a admitir que &#8220;riqueza&#8221; é um conceito muito fluido, e que o valor do dinheiro é puramente convencional. Em termos estritos, dinheiro não vale nada.</p>
<p>Muito mais grave, mais irreversível e criminosa é a realidade subjacente, o fato de que 20% da população do planeta consomem 80% dos recursos disponibilizados por ele &#8211; coisas como <a href="www.baciadasalmas.com/2009/esta-e-sua-casa">água potável, ar respirável, madeira nativa, minério, metais, petróleo e biodiversidade</a>.</p>
<p>Os premiados pela performance &#8211; nós, os membros da <a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/a-raca-superior">raça superior</a> &#8211; sentimo-nos autorizados para não apenas confiscar, mas consumir numa transação sem volta os recursos que pertencem a todos.</p>
<p>Este é o nosso crime, e com o tempo os tribunais da sanidade saberão nos encontrar.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug024.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="www.baciadasalmas.com/2007/camera-lenta">Em câmera lenta</a><br />
<a href="www.baciadasalmas.com/2006/o-culto-da-performance">O culto da performance</a></p>
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		<title>Esta é sua casa</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 11:21:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. &#8220;Nos últimos cinquenta anos a Terra tem sido mais radicalmente alterada do que em todas as gerações anteriores da humanidade.&#8221;Este é o trailer de Home, um filme sobre a Terra disponivel em alta resolução e na íntegra no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
<p align="center"><object width="570" height="428"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/G8IozVfph7I&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/G8IozVfph7I&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="570" height="428"></embed></object></p>
</td>
</tr>
</table>
<p><span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">&#8220;Nos últimos cinquenta anos a Terra tem sido mais radicalmente alterada do que em todas as gerações anteriores da humanidade.&#8221;</span>Este é o trailer de <em>Home</em>, um filme sobre a Terra disponivel em alta resolução e na íntegra no youtube. Sua mensagem? &#8220;É tarde demais para sermos pessimistas&#8221;.</p>
<p>Para assistir o filme inteiro em espanhol, <a href="http://www.youtube.com/homeprojectES">clique aqui</a>.</p>
<p>Para assistir o filme inteiro em inglês, <a href="http://www.youtube.com/homeproject">clique aqui</a>.<br />
<small>Para ver legendas em português clique no triângulo na extremidade direita da barra de reprodução do youtube, depois em &#8220;CC&#8221;. Nas opções clique &#8220;Translate (BETA)&#8221;, e finalmente escolha a tradução automática de <em>English</em> para <em>Portuguese</em>.</small></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A infecção humana</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 09:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[A auto-identidade é no fim das contas um sintoma de invasão parasítica, a expressão dentro de mim de forças que originam-se no meu exterior. A linguagem é para o cérebro o que a tênia é para os intestinos. Não só isso: pode ser possível encontrar um espaço digestivo livre da infecção parasítica, mas jamais encontraremos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A auto-identidade é no fim das contas um sintoma de invasão parasítica, a expressão dentro de mim de forças que originam-se no meu exterior. A linguagem é para o cérebro o que a tênia é para os intestinos. Não só isso: pode ser possível encontrar um espaço digestivo livre da infecção parasítica, mas jamais encontraremos um espaço mental que não esteja contaminado [pela linguagem]. Espirais de DNA alienígena distendem-se dentro de nossos cérebros da mesma forma que as tênias estendem-se ao longo de nossos intestinos. Não apenas a linguagem, mas a qualidade completa da consciência humana, como expressa em homens e mulheres, é basicamente um mecanismo virótico.</p>
<p><small><strong>William S. Burroughs</strong>, <em>Cities of the Red Night</em> (1981)</small></p>
<p>Quero compartilhar uma observação que tive durante minha estada aqui. Ocorreu-me quando tentava classificar a espécie de vocês e percebi que não são na verdade mamíferos. Todo mamífero neste planeta desenvolve instintivamente um equilíbrio natural com o ambiente que o cerca, mas não vocês, humanos. Quando se transferem para determinada região o que vocês fazem é multiplicar-se sem cessar até que todo recurso natural seja consumido, e o único meio que têm de sobreviver é alastrando-se para outra região. Há apenas outro organismo neste planeta que segue o mesmo padrão: um vírus. Os seres humanos são uma doença, um câncer neste planeta. Vocês são a praga. Nós somos a cura.</p>
<p><small><strong>Agente Smith</strong>, <em>Matrix</em> (1999)</small></p>
<p>Infelizmente, diz Lovelock, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3tese_de_Gaia">Gaia</a> está em apuros: acontece de estar infectada por um vírus chamado <em>Homo sapiens</em>. Os seres humanos estão destruindo ecossistemas, exterminando milhares de espécies e desestabilizando os climas. &#8220;Tornamo-nos a infecção da terra em algum passado longínquo e indeterminado, mas foi só há 200 anos que teve início a Revolução Industrial: nesse ponto a infecção da Terra tornou-se irreversível&#8221;, afirma ele.</p>
<p>Lovelock chama essa doença de <em>poliantroponomia</em>, condição na qual os seres humanos são tão numerosos que acabam fazendo mais mal do que bem. Projetos de energia renovável, a redução das emissões de carbono e a promoção do desenvolvimento sustentável, bem como outras idéias verdes, nada mais são do que a dissimulação de &#8220;animais tribais acenando bravamente seus símbolos contra a ameaça de uma força inelutável&#8221;.</p>
<p><small><strong>Robin McKie</strong>, em <a href=" http://www.guardian.co.uk/books/2009/mar/01/biography-scienceandnature">resenha</a> de <em>The Vanishing Face of Gaia</em> (2009), de James L. Lovelock</small></p>
<h5>* * *</h5>
<p><small>Originalmente no sempre lúcido, sempre provocador <a href="http://theteemingbrain.wordpress.com/2009/05/09/its-official-the-human-race-is-earths-disease">The Teeming Brain</a>, pilotado por Matt Cardin</small></p>
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		<title>Onde ele estava</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 08:58:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[jesus]]></category>
		<category><![CDATA[teologia narrativa]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto Magru Floriano &#160; Estava sujo de lama quando o vi. Os olhos cheios de lágrimas que escorriam revelando finas linhas de pele escura sob o lodo malcheiroso da enchente. Chorava entre as casas destruídas, entre os destroços, entre o desespero. Vi o amor escorrendo como lágrima em dor e angústia e o desejo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/magru-floriano/3064928928/sizes/l/in/photostream/"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2008/bits/onde-deus-estava.jpg" title="Clique para ampliar" /></a><br />
<small>Foto <a href="http://www.flickr.com/photos/magru-floriano"><strong>Magru Floriano</strong></a></small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Estava sujo de lama quando o vi. Os olhos cheios de lágrimas que escorriam revelando finas linhas de pele escura sob o lodo malcheiroso da enchente. Chorava entre as casas destruídas, entre os destroços, entre o desespero. Vi o amor escorrendo como lágrima em dor e angústia e o desejo de abraçar a todos.</p>
<p>Vi-o também caminhando convicto carregando móveis, roupas e eletrodomésticos completamente destruídos, escorrendo suor, juntando entulhos, limpando bueiros.</p>
<p>Encontrei-o fardado, em tanques e caminhões, carregando macas. Vislumbrei-o de longe, chorando e assustado em casas inacessíveis.</p>
<p>Vi-o passando fome, bebendo água contaminada.</p>
<p>Observei a força de seus braços carregando alimentos e colchões. E vi o misto de tristeza e esperança em seus olhos enquanto separava roupas, brinquedos e comida nos galpões que recebiam doações.</p>
<p>Encontrei-o criança, inseguro, agarrado na saia da mãe; e idoso, suportando o rombo que lhe rebentou a alma enquanto toda sua vida deslizava em avalanches de lama, árvores, telhas e história.</p>
<p>Abracei-o, enfim, num canto isolado e inacessível, e choramos juntos.</p>
<p>Nos últimos 10 dias, Deus estava por todos os cantos em Blumenau.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="right"><small><strong>Tuco Egg</strong>, <em>Em todos os cantos</em>, 4 de dezembro de 2008.<br />
Muito, muito mais, se você ousar tomar <a href="http://atrilha.blogspot.com">a trilha</a>.</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug068.gif"></p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/magru-floriano/sets/72157610291762198/detail/">Enchente</a><br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/guilhermespengler/sets/72157610008167700/detail/">Chuvas no vale do Itajaí</a><br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/ffroeschlin/sets/72157610139055679/detail/">Enchente Blumenau 2008</a><br />
<a href="http://www.flickr.com/photos/guimjr/sets/72157610023423949/detail/">Enxurradas Blumenau</a><br />
<a href="http://www.flickr.com/groups/sos-sc/pool/">Santa Catarina pede socorro</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A falta que o inverno faz</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 10:02:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pense comigo]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[biologia]]></category>
		<category><![CDATA[progresso]]></category>

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		<description><![CDATA[Era outono na Itália setentrional e nas florestas, fora um pettirosso ou outro, não havia som ou movimento que não fosse o recatado som e movimento das plantas. Meu amigo naturalista explicou que ao longo do outono os insetos se recolhem e não voltam a dar as caras até a primavera. Para um brasiliano habituado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era outono na Itália setentrional e nas florestas, fora um <a href="http://it.wikipedia.org/wiki/Pettirosso">pettirosso</a> ou outro, não havia som ou movimento que não fosse o recatado som e movimento das plantas. Meu amigo naturalista explicou que ao longo do outono os insetos se recolhem e não voltam a dar as caras até a primavera. Para um brasiliano habituado a encontrar exuberância de vida mesmo em paisagens minimalistas como o cerrado, aquilo tinha um ar um tanto surreal de <em>O Dia em Que a Terra Parou</em>. Nenhuma borboleta, nenhum besouro, nenhuma abelha, nenhum caracol, nenhuma formiga. Nada.</p>
<p>As folhas caíam e os bichos calavam, e mesmo entre os seres humanos havia todos os sinais — no bafo dos caçadores de javali, nos rolos de feno sob a chuva, nos pastores de ovelhas descendo para terras mais baixas, na raposa que atravessou ligeira a estrada e fechou-se floresta adentro — de quem está se preparando para o inverno. A terra se preparava para prender a respiração, e o próximo fôlego só viria dali a três ou quatro meses. Meu amigo disse que o corpo sente uma mudança que é quase hormonal quando, depois da castidade do inverno, chega às narinas o primeiro pólen da primavera.</p>
<p>Uma civilização temperada é obrigada a encaixar no seu modo de vida esse espantoso momento em que o mundo natural encerra-se em jejum. É inevitável ponderar que preparar-se para o inverno é uma disciplina, como tantas, que desconhecemos por completo numa civilização tropical. Ela não apenas envolve um empreendedorismo calvinista de que só ouvimos falar em histórias como <em>A Cigarra e a Formiga</em>, mas exige um regime de rigorosa humildade na relação da gente com a terra. </p>
<p>A natureza das regiões temperadas é tão generosa quanto a nossa, mas periodicamente recolhe a mão; durante pelo menos dois meses a natureza recusa-se a ser explorada — e nas civilizações tropicais, em que temos duas, às vezes três colheitas ao ano, não sabemos o que é isso. Não conhecemos uma natureza que se recuse a ser explorada; desconhecemos um momento em que o mundo natural feche a sua despensa e exija respeito.</p>
<p>Também por essa razão, nosso modo padrão é encarar a natureza como recurso inesgotável; o mundo natural é para nós uma mãe que está continuamente provendo, uma amante que não recusa algum carinho mesmo depois da mais impensável violência. Para nós a natureza não merece periódico respeito, mas contínua exploração, ao ponto da mais completa descaracterização.</p>
<p>Nossa natureza não morre periodicamente, pelo que não temos que orar periodicamente pela sua ressurreição.</p>
<p>É evidente que vivemos no engano, e que nossas florestas morrem tão irremediavelmente quanto qualquer floresta temperada (por vezes mais irremediavelmente, como acontece com a floresta amazônica, seu solo ralinho e seu delicadíssimo equilíbrio ecológico). Nossa natureza não morre periodicamente, mas morre de uma vez só, pelo golpe da nossa própria mão e sem qualquer esperança de ressurreição.</p>
<p>Libertos do inverno, deixamos para trás uma porção da alma européia, uma porção que é cautelosa, austera, mística e respeitadora. Deixamos para trás a porção da alma que abraça árvores, porque o sentimento de viver num mundo sem fronteiras naturais — sem responsabilidades naturais — é eloquente e euforizante e aparentemente suficiente.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug069.gif"></p>
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		<title>O canto remix do pássaro-lira</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jun 2006 11:14:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quase Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[remix]]></category>

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		<description><![CDATA[O naturalista David Attenborough apresentando o atordoante canto do lyrebird &#8211; pássaro terrestre australiano que para impressionar a fêmea é capaz não apenas de imitar acuradamente o sons de outras 20 espécies de pássaros, mas também de incorporar no seu repertório ruídos tecnológicos como obturadores de máquinas fotográficas, alarmes de carro e motosserras. Bastante pós-moderno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O naturalista David Attenborough apresentando o atordoante canto do <em>lyrebird</em> &#8211; pássaro terrestre australiano que para impressionar a fêmea é capaz não apenas de imitar acuradamente o sons de outras 20 espécies de pássaros, mas também de incorporar no seu repertório ruídos tecnológicos como obturadores de máquinas fotográficas, alarmes de carro e motosserras.</p>
<p>Bastante <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-que-e-pos-moderno-e-o-que-nao-e">pós-moderno</a> da parte dele.</p>
<table border="0" height="400" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
[Visite a Bacia para ver o filme]
</td>
</tr>
</table>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/fullscree-button.png">&nbsp;) na barra de reprodução.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Genes na patente</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2005/genes-na-patente/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=genes-na-patente</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2005/genes-na-patente/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 31 Oct 2005 22:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[1984]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[biologia]]></category>
		<category><![CDATA[copyright]]></category>

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		<description><![CDATA[Já mencionei o assunto aqui, mas quero chamar a atenção para o estudo recente, publicado na revista Science, que revela que a quinta parte (20%) dos genes humanos já foram patenteados nos Estados Unidos. Segundo os que apóiam a idéia, patentear material genético humano é conduta legítima porque os genes são ferramentas particularmente valiosas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já mencionei o assunto <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=239">aqui</a>, mas quero chamar a atenção para o <a href="http://news.nationalgeographic.com/news/2005/10/1013_051013_gene_patent.html">estudo recente</a>, publicado na revista <em>Science</em>, que revela que a quinta parte (20%) dos genes humanos já foram patenteados nos Estados Unidos.</p>
<p>Segundo os que apóiam a idéia, patentear material genético humano é conduta legítima porque os genes são ferramentas particularmente valiosas de pesquisa, úteis no diagnóstico de doenças e na descoberta e produção de novas drogas &#8211; em outras palavras, são dinheiro em potencial e precisam ser protegidos de outros abutres pelo abutre que chegar primeiro. </p>
<h5>20% dos genes humanos já foram patenteados nos Estados Unidos.</h5>
</p>
<p>Parte da controvérsia está em requerer direitos comerciais (e de invenção!) sobre seqüências químicas que são, biologicamente falando, mais eu e você do que nós mesmos. A outra está em que, quando o gene é patenteado, apenas o detentor da patente poderá no futuro pesquisar aquela seqüência particular de genes em busca de aplicações medicinais e científicas; apenas ele terá direito a explorar o potencial comercial daquele gene, aos preços que bem entender, na aplicação para a qual o patenteou &#8211; e assim por diante.</p>
<p>Escrúpulos? Melhor não pensar nas implicações morais de se requerer exclusividade comercial sobre o que pertence a todos e a cada um. Nos nossos dias o único pecado a se atribuir a uma conduta é não ser lucrativa.</p>
<p>Dos mais de 4000 genes humanos patenteados, cerca de 63% pertencem a empresas privadas e 28% a universidades.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug047.gif" alt="" width="42" height="65" /></p>
<p>Leia também;<br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=239">Colheita genética</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Ameaça</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2005/ameaca/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=ameaca</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2005/ameaca/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Jun 2005 09:11:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[ellul]]></category>

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		<description><![CDATA[Bernard Charbonneau, comparsa de Jacques Ellul no sensatíssimo movimento anárquico-cristão que agitou a Europa no início do século XX, desconfiava como Tolkien dos efeitos da tecnologia sobre a produção, o meio ambiente e a sociedade. Porém, exatamente como Tolkien, Charbonneau e Ellul não eram ingênuos de acreditar que a principal afronta do progresso tecnológico era [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bernard Charbonneau, comparsa de <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=388">Jacques Ellul</a> no sensatíssimo movimento <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=395#comment-2383">anárquico-cristão</a> que agitou a Europa no início do século XX, desconfiava <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=211">como Tolkien</a> dos efeitos da tecnologia sobre a produção, o meio ambiente e a <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=178">sociedade</a>.</p>
<p>Porém, exatamente como Tolkien, Charbonneau e Ellul não eram ingênuos de acreditar que a principal afronta do progresso tecnológico era contra a paisagem.</p>
<blockquote><p>&#8220;É precisamente isso que distinguía Ellul de todos os totalitaristas, panteístas e naturalistas daquele tempo&#8221;, diz Charbonneau. &#8220;Minha ideia &#8211; embora tenha sido inteiramente mal compreendida pelos ecologistas &#8211; é que <em>o progresso não é uma ameaça à natureza, mas à liberdade&#8221;.</em></p></blockquote>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug006.gif" alt="" width="39" height="62" /></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Jurassic Park</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2005/jurassic-park/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=jurassic-park</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2005/jurassic-park/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 May 2005 09:50:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Conforme prometi, quinta-feira passada caminhei de câmera na mão para registrar a estrada que menciono aqui. O calango que me saudou no começo da jornada, logo depois do portão do Seu Nereu. O portão que leva ao Jurassic Park, que normalmente está fechado e com a placa NÃO ENTRE. Foi daqui que eu, o Marcelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conforme prometi, quinta-feira passada caminhei de câmera na mão para registrar a estrada que menciono <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=464">aqui</a>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/calango.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/calango.gif" alt="" /></a></p>
<p>O calango que me saudou no começo da jornada, logo depois do portão do Seu Nereu.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura1.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura1.gif" alt="" /></a></p>
<p>O portão que leva ao <em>Jurassic Park</em>, que normalmente está fechado e com a placa NÃO ENTRE. Foi daqui que eu, o Marcelo e a Paula vimos a onça com a ajuda do binóculo do vô.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura2.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura2.gif" alt="" /></a></p>
<p>Uma vista geral do <em>Jurassic Park</em>. Não me pergunte que tipo de animal eles planejam soltar aí dentro &#8211; se é que já não estão à solta. Dentro daquela construção à esquerda (a única que estava em pé na época) é que a onça rondava inquietamente os seus gradis.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura3.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura3.gif" alt="" /></a></p>
<p>Outra vista do Parque.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura4.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura4.gif" alt="" /></a></p>
<p>Mais outra, com o Anhangava ao fundo.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/anhangava.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/anhangava.gif" alt="" /></a></p>
<p>O morro do Anhangava, que já subi duas vezes. Acredite ou não, faz frio lá em cima, mesmo no verão.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/roadkill.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/roadkill.gif" alt="" /></a></p>
<p>Um bicho morto na estrada, com sua varejeira.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/serra3.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/serra3.gif" alt="" /></a></p>
<p>Uma vista panorâmica da Serra do Mar como vista do caminho, costurada à mão no Photoshop. Não faz justiça à coisa em si, e o foco automático não ajuda.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/serra2.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/serra2.gif" alt="" /></a></p>
<p>Outro trecho de Serra, aqui quase chegando de volta ao Monastério.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura5.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/jura5.gif" alt="" /></a></p>
<p>Uma visão final do portão aberto do Parque, por onde os velociraptores podem sair correndo à qualquer momento.</p>
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		<title>Pecado nuclear</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2004 08:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé e Crença]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Quase Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1944 os Estados Unidos trabalhavam implacavelmente no desenvolvimento final da bomba atômica. Quando a inteligência aliada divulgou que o Reich não tinha uma bomba atômica, apenas um dos cientistas envolvidos na fabricação da bomba americana renunciou ao projeto. A motivação declarada do Projeto Manhattan era impedir que Hitler fosse o primeiro a ter uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1944 os Estados Unidos trabalhavam implacavelmente no desenvolvimento final da bomba atômica.</p>
<h5>Quando a inteligência aliada divulgou que o Reich não tinha uma bomba atômica, apenas um dos cientistas envolvidos na fabricação da bomba americana renunciou ao projeto.</h5>
</p>
<p>A motivação declarada do Projeto Manhattan era impedir que Hitler fosse o primeiro a ter uma arma nuclear. Quando a inteligência aliada divulgou, em novembro de 1944, que o Reich não tinha uma bomba atômica nem estava desenvolvendo uma, apenas um dos cientistas envolvidos na fabricação da bomba americana, o polonês Joseph Rotblat, renunciou ao projeto. Ele acreditava que, uma vez provado que os nazistas não recorreriam à bomba, a justificativa americana perdera qualquer peso: a conseqüência moral era que o projeto deveria ser abandonado.</p>
<p>Rotblat foi obrigado pelos americanos a não divulgar aos seus colegas o motivo do seu afastamento &#8211; para não influenciá-los a talvez, chegar à mesma conclusão e à mesma decisão que ele.</p>
<p>Três meras semanas antes do lançamento da bomba de Hiroxima, o cientista Leo Szilard escreveu uma petição ao presidente Truman, desaconselhando-o a usar o potencial nuclear e dessa forma abrir um precedente para o seu uso. Ele sabia que, uma vez transposta a <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=70">barreira ética</a> inicial, ninguém que chegasse a desenvolver a bomba atômica teria escrúpulos em usá-la mais tarde. Ele não queria que essa culpa recaísse sobre a iniciativa americana. Ele argumentava:</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">O desenvolvimento do puder nuclear dará aos países novos meios de destruição. As bombas atômicas à nossa disposição representam apenas o primeiro passo nessa direção, e quase não há limite para o poder destrutivo que se tornará disponível no curso de seu desenvolvimento futuro. Assim, um país que institui o precedente de usar essas forças da natureza récem-liberadas para fins de destruição, pode ter de assumir a responsabilidade de abrir a porta para uma era de devastação em escala inimaginável.</p>
<p>A petição, naturalmente, não foi ouvida. Em agosto de 1945 as bombas desceram silvando de seus B-29, com um intervalo de três dias entre a que atingiu Hiroxima e a que tocou Nagazaki. Estima-se que as duas bombas juntas tenham matado 110.000 cidadãos japoneses e ferido outros 130.000. Em 1950 mais 230.000 japoneses haviam morrido como conseqüência da radiação. </p>
<h5>Numa espécie de sentido bruto, os físicos conheceram o pecado.</h5>
</p>
<p>No ano seguinte o físico J. Robert Oppenheimer, líder do projeto da bomba americana, confessou numa entrevista à revista <em>Time:</em></p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">&#8220;Numa espécie de sentido bruto, que nenhuma vulgaridade, nenhum humor e nenhuma declaração exagerada podem extinguir direito, os físicos conheceram o pecado; e este é um conhecimento que não podem perder&#8221;.</p>
<p>Joseph Rutblat, o homem que abandonou o Projeto Manhattan e não quis ter nada a ver com a bomba americana, ganhou em 1995 o Prêmio Nobel da Paz por sua luta posterior em favor do desarmamento nuclear.</p>
<p><strong><small></strong> <a href="http://www.imagoeditora.com.br">Os Cientistas de Hitler</a>, de John Cornwell</small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug021.gif" alt="" width="245" height="181" /></p>
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		<title>Colheita genética</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2004 08:04:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[1984]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[copyright]]></category>

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		<description><![CDATA[Gattaca, filme norte-americano de ficção científica de 1997 , apresenta um futuro em que o mundo jaz sob o controle de um onipresente Grande Irmão científico. As liberdades individuais foram todas suprimidas; as carreiras, os privilégios e os deveres dos indivíduos são todos determinados pelas informações do seu DNA. Ninguém tem controle sobre qualquer aspecto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Gattaca,</em> filme norte-americano de ficção científica de 1997 , apresenta um futuro em que o mundo jaz sob o controle de um onipresente Grande Irmão científico. As liberdades individuais foram todas suprimidas; as carreiras, os privilégios e os deveres dos indivíduos são todos determinados pelas informações do seu DNA. Ninguém tem controle sobre qualquer aspecto da sua trajetória pessoal, da profissão ao parceiro de procriação, já que a análise das predisposições comportamentais e limitações biológicas gravadas no seu DNA, efetuada antes do seu nascimento, determina de antemão o futuro adequado para cada um &#8211; tendo em vista, naturalmente, o bem-estar de todos. A química venceu a ética, a biotecnologia superou a democracia.</p>
<p>O clima é de pesadelo, mas um pesadelo que ao final do filme, quando voltamos às luzes sãs do nosso sol, parece irreal e distante &#8211; tanto da realidade quanto do futuro.</p>
<p>Não é o que pensa um sujeito chamado John Moore.</p>
<h5>Moore começou a suspeitar que seu tecido estava sendo utilizado para outros propósitos quando o médico continuou a recolher amostras não apenas de sangue, mas de medula, pele e sêmen. </h5>
</p>
<p>A historia é contada em <a href="http://www.booksense.com/readup/excerpts/bodybazaar.jsp">Body Bazaar</a> [Bazar do Corpo] &#8211; <em>O Mercado de Tecido Humano na Era da Biotecnologia:</em></p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">Quando John Moore, um homem de negócios de Seattle, adoeceu com leucemia ele recorreu a um destacado especialista de Escola de Medicina da UCLA [Universidade da Califórnia, Los Angeles]. Ele seguiu as ordens do médico, submetendo-se a cirurgia para remoção do seu baço e a outros tratamentos. Ele em seguida voltou a Seattle, acreditando que havia sido curado. Porém nos sete anos que se seguiram o médico da UCLA exigiu que ele continuasse voltando periodicamente a Los Angeles para testes. Moore achava que essas visitas eram necessárias para monitorar a sua condição, e concordou de medo que a leucemia retornasse. O médico, no entanto, tinha outros interesses. Ele não estava interessado na saúde de Moore, mas em certos componentes químicos do sangue dele, e em assinar contratos com uma companhia farmacêutica de Boston, negociando ações estimadas em três milhões de dólares. A Sandoz, companhia farmacêutica suíça, teria pago 15 milhotes de dólares pelo direito de desenvolver a linhagem de células extraídas de Moore &#8211; que os médicos chamaram de linha Mo-cell. </p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">Moore começou a suspeitar que seu tecido estava sendo utilizado para outros propósitos além do seu cuidado pessoal quando o médico da UCLA continuou a recolher amostras não apenas de sangue, mas de medula, pele e sêmen. Quando Moore descobriu que havia se tornado a Patente N<sup>o</sup> 4.438.032, processou os médicos por comportamento não-profissional e roubo de propriedade. Moore sentia que sua integridade havia sido violada, seu corpo explorado e seu tecido transformado num produto: &#8220;Meus médicos alegam que minha humanidade, minha essência genética, é invenção e propriedade deles. Eles me enxergam com uma mina de onde extrair material biológico. Fui a colheita deles&#8221;.</p>
<h5>A Corte, no entanto, negou que Moore era o justo possuidor do seu próprio tecido biológico. Ele não tinha qualquer direito sobre o seu corpo, de forma que os lucros cabiam ao médico e à companhia de biotecnologia. </h5>
</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">Ao julgar o caso de Moore em 1990, a Suprema Corte da Califórnia determinou que a partir daquela data os médicos seriam obrigados a informar antecipadamente os seus pacientes, antes de qualquer intervenção cirúrgica, que o seu tecido poderá ser utilizado para pesquisa. A Corte, no entanto, negou a alegação de Moore, de que era o justo possuidor do seu próprio tecido biológico. Ele não tinha qualquer direito sobre o seu corpo, decidiu a corte &#8211; de forma que os lucros decorrentes cabiam ao médico e à companhia de biotecnologia. Isso era necessário, esclareceu a corte, a fim de encorajar o investimento de capital de risco. O futuro do progresso científico estava em jogo.</p>
<p>O sangue de John Moore continha raros e valiosos anticorpos que, depois de patenteados, renderam mais de 3 bilhões de dólares entre 1984 e 1990. </p>
<p>A decisão da corte americana, de que o indivíduo não tem direito de propriedade sobre componentes fundamentais do próprio corpo, ou pior, que uma corporação pode requerer para si o direito de &#8220;propriedade intelectual&#8221; sobre material que havia sido basicamente extraído de um ser humano livre num país livre, soa para mim como um insano prelúdio aos piores pesadelos de <em>Gattaca.</em></p>
<h5>Eles patentearam genes que fazem o nosso cérebro trabalhar, que constróem os nossos ossos, que mantém nossos corações batendo.</h5>
</p>
<p>O precedente criado pelo caso Moore gerou um ambiente legal em que linhagens de células e até mesmo seqüências de genes estão sendo diariamente patenteadas. De acordo com uma pesquisa divulgada no final do ano 2000 pelo jornal <em>Guardian Unlimited</em>, as companhias farmacêuticas, empresas de biotecnologia, institutos governamentais e universidades haviam registrado até aquela data a desconcertante quantidade de 127.000 genes humanos ou seqüencias genéticas humanas parciais.</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">Eles patentearam genes que fazem o nosso cérebro trabalhar, que constróem os nossos ossos, que fazem nossos rins se desenvolverem, que mantém nossos corações batendo, que podem aumentar as chances de se contrair câncer ou que podem prever a probabilidade de nos tornamos viciados em drogas. Eles pantentearam genes até mesmo antes de saberem o que eles fazem: registraram patentes especulativas de tratamentos baseados em genes quando não existe nenhum tratamento dessa natureza.</p>
<p>O sistema de patentes, naturalmente, foi criado para beneficiar inventores, não &#8220;descobridores&#8221;. Uma patente é, na verdade, coisa muito mais restritiva e abrangente do que o <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=55">copyright</a>. O copyright previne a cópia da expressão <em>particular</em> de uma idéia (digamos, uma cópia ilegal de software ou de uma fotografia). Já o detentor de uma patente pode impedir outros de fabricarem, utilizarem ou venderem uma invenção patenteada, ou mesmo <em>impedi-los de criar outra invenção que execute função similar.</em> Quem patentear a cura de determinado tipo de câncer pode, por exemplo, impedir legalmente que uma cura alternativa (digamos, mais eficaz ou mais barata) para o mesmo tipo de câncer seja comercializada &#8211; ou mesmo pesquisada.</p>
<p>Não importa na verdade o que você pensa sobre o assunto: hoje, agora mesmo, os genes que definem o que você é e como seus filhos serão estão já patenteados. Num certo sentido jurídico muito profundo, você e seu futuro pertencem a uma série pulverizada de corporações, não a você mesmo.</p>
<p>Bem-vindo a 1984.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug022.gif" alt="" width="77" height="161" /></p>
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		<title>O Wal-Mart de Teotihuacan</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2004 07:57:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[A jornalista Naomi Klein, numa palestra recente, chama a atenção do mundo para &#8220;uma facção de extremistas que cruzou a fronteira do Iraque, armada até os dentes, com o propósito de espalhar o terror e estabelecer um estado fundamentalista&#8221;. Ela esclarece: &#8220;Não se trata do Al-Qaeda, não se trata do Taliban, não se trata de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A jornalista Naomi Klein, numa palestra recente, chama a atenção do mundo para &#8220;uma facção de extremistas que cruzou a fronteira do Iraque, armada até os dentes, com o propósito de espalhar o terror e estabelecer um estado fundamentalista&#8221;. Ela esclarece:</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">&#8220;Não se trata do Al-Qaeda, não se trata do Taliban, não se trata de tropas de apoio iranianas; os mencionados fundamentalistas (e não uso a palavra de forma vã) são a extrema direita do partido republicano dos Estados Unidos. Estou falando sobre a sua tentativa de impor não o fundamentalismo religioso, mas o fundamentalismo econômico, fundamentalismo de &#8216;mercado-livre&#8217;, no Iraque&#8221;.</p>
<p>Como que para ilustrar o sucesso das Novas Cruzadas e da expansão do fundamentalismo econômico americano, semana passada saiu a notícia da abertura de uma loja do Wal-Mart a menos de 900 metros das antigas <a href="http://www.photo.net/philg/digiphotos/200311-mexico-city/teotihuacan.half.jpg">pirâmides de Teotihuacan</a>, no México &#8211; sinalizando a derrota final da campanha de oposição dos inúmeros grupos locais e internacionais que sustentavam que a presença do ícone do consumismo norte-americano iria fatalmente macular e prejudicar as ruínas milenares.</p>
<h5>&#8220;Isso é o progresso&#8221;, disse um deles. &#8220;As pessoas precisam bem-estar para as suas famílias mais do que precisam de cultura&#8221;.</h5>
</p>
<p>Teotihuacan, um complexo de pirâmides com mais de 2000 anos de idade, é o maior sítio arquológico mexicano fora da Cidade do México. De acordo com a reportagem que li, muitos moradores da localidade próxima de Bodega Aurrera receberam favoravelmente a inauguração, por causa dos preços baixos e dos novos empregos que o novo Wal-Mart representa.</p>
<p>&#8220;Isso é o progresso&#8221;, disse um deles. &#8220;As pessoas precisam bem-estar para as suas famílias mais do que precisam de cultura&#8221;.</p>
<p>Enquanto isso outro grupo de moradores fazia uma vigília de protesto no parque turístico que abriga as pirâmides, na tentativa de despertar a simpatia internacional para a sua causa.</p>
<h5>&#8220;Hoje não é a igreja, é o Wal-Mart. Não é o deus católico, é o dinheiro&#8221;.</h5>
</p>
<p>A reportagem prossegue:</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">[O Wal-Mart de Teotihuacan] está localizado numa região intermediária que é parte do sítio arqueológico mas onde outros negócios menores brotaram nas últimas décadas.</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">Os oponentes dizem que a nova loja ameaça as ruínas, prejudicará a iniciativa local e dará fim ao modo de vida local. A sua luta ecoa a oposição dentro dos próprios Estados Unidos, onde muitas cidades pequenas tiveram sucesso em evitar a entrada do Wal-Mart.</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">Aqui no entanto a batalha alcança proporções grandiosas, na medida em que os oponentes comparam o avanço do Wal-Mart e da cultura capitalista à conquista do antigo México pela Espanha em nome do cristianismo.</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">&#8220;Hoje não é a igreja, é o Wal-Mart. Não é o deus católico, é o dinheiro&#8221;, disse Jorge Alan Medina, um dos protestantes junto às pirâmides.</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">O Wal-Mart alega que a loja representa um investimento na comunidade que irá gerar melhoria na qualidade de vida. Mais de 2000 moradores locais candidataram-se aos 186 empregos na loja.</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;">&#8220;Eles deveriam pensar a longo prazo&#8221;, declarou Raul Arguello, vice-presidente de assuntos corporativos da Wal-Mart México, a respeito dos oponentes. &#8220;Se eles importam-se de fato com Teotihuacan deveriam respeitar a maioria e deixar de criar maiores divisões&#8221;.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug036.gif" alt="" width="34" height="45" /></p>
<p>Leia também:<br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=126">As variedades da experiência capitalista</a></p>
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		<title>O que o fazendeiro sabe</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Nov 2004 08:20:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[O fazendeiro sabe algo que toda a humanidade civilizada parece ter esquecido, a saber, que os recursos da vida no planeta não são inesgotáveis. [...] Quando o homem civilizado destrói em vandalismo cego o ambiente natural que o cerca e sustenta, está ameaçando a si mesmo com ruína ecológica. . . Ele é o último [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O fazendeiro sabe algo que toda a humanidade civilizada parece ter esquecido, a saber, que os recursos da vida no planeta não são inesgotáveis. [...] Quando o homem civilizado destrói em vandalismo cego o ambiente natural que o cerca e sustenta, está ameaçando a si mesmo com ruína ecológica. . . Ele é o último a perceber o quanto esse processo bárbaro <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=211">causa dano à sua própria mente</a>. [...] Como se pode esperar que os mais jovens desenvolvam um senso de reverência e assombro <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=178">pelo que quer que seja</a> quando tudo que vêem ao seu redor é feito pelo homem &#8211; e ainda com a qualidade e o acabamento mais inferior?</p>
<p><strong><small>Konrad Lorenz,</strong> ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1973</small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug037.gif" alt="" width="36" height="48" /></p>
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