Sobre o livro da Bacia • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 02 de setembro de 2009

Sobre o livro da Bacia

Estocado em Pormenor

Anunciado o lançamento do livro da Bacia, recebi inúmeras reações por e-mail: algumas com felicitações, algumas com dúvidas. Porém a maior parte dos que me contataram saiu em defesa da integridade dos ideais de beleza, liberdade, anarquia e amor (acima de tudo o amor. All you need is love, como lembrava o Christian de Moulin Rouge) que têm regido a Bacia desde os seus primórdios. Até que ponto estarão comprometidos?

Deixe-me tirar um momento, então para esclarecer aqui algumas dessas dúvidas e iluminar alguns receios. Espero que, dito isto, possamos seguir com a programação habitual ou ausência dela.

1. O que vai conter o livro?
A bacia das almas, o livro, é uma coletânea de artigos e documentos que publiquei nesta Bacia desde sua origem, em algum momento de 2004, até o final de março de 2009. A seleção dos artigos e sua distribuição em seções dentro do livro foram feitos por mim e por mais ninguém. Muita coisa teve de ser deixada de fora, mas meus critérios [arbitrários] foram preservar o que considero essencial e manter (dentro das limitações do meio) o espírito eclético, anárquico e transversal da Bacia, o sáite.

2. O que está no sáite e vai ficar de fora do livro?
Todos os vídeos e ilustrações, para começar. E ainda a esmagadora maioria das goiabas roubadas (embora tenhamos conseguido preservar uma meia dúzia). Tudo que pertence a séries não concluídas, como os infindáveis episódios de Nasce um homem e Rastros dos apóstolos, também ficará de fora. Do que está concluído no sáite, a única ausência digna de nota é a série Em seis passos que faria Jesus, que deve ter outro destino.

3. Alguma coisa foi censurada ou amenizada?
Caraca, cada pergunta. Tudo que está numa Bacia está na outra. O livro não é em nenhum sentido mais inofensivo do que o sáite.
A Bacia é aqui.

4. Que dizer do material que sempre esteve disponível no sáite e agora faz parte do livro? Esses documentos vão ser retirados do ar?
Púats, outra pergunta ofensiva. É comigo que você está falando. Não, nada vai mudar no sáite da Bacia. O que sempre esteve disponível aqui, aqui vai permanecer, enquanto restar o último monge vivo neste monastério. Não se engane: a Bacia das Almas é o sáite, não o livro. O livro recebeu permissão condicional para repetir o conteúdo que pertence a este lugar. Dito de outra forma, se você estiver disposto a [a] prescindir da facilidade da página impressa, [b] adentrar um labirinto e [3] abrir mão da ordem arbitrária que impus ao material, pode ler o livro completo online agora mesmo – com uma única exceção.

5. O livro contém material inédito?
Se não quem iria querer comprar, certo? A resposta é sim. Tudo que está no livro está no sáite, com exceção de um único capítulo, o último, que escrevi exclusivamente para o livro – e assim deverá permanecer por motivos contratuais. Em compensação, esse capítulo inédito chama-se Os livros não mudam ninguém, e quem me conhece saberá antecipar ou antever sem margem de erro o que está dito nele.

6. O sonho acabou? O Brabo “se enquadrou”? Vendeu-se ao sistema? Rendeu-se ao establishment? Dobrou-se ao status quo? Alinhou-se com aqueles que jurou denunciar? Dobrou-se ao brilho do Anel do Poder? Passou de incendiário a bombeiro? Vai passar a vender seminários de autoajuda? Esqueceu a lição de Borges, de que a fama é uma espécie de incompreensão? Vai deixar de recomendar filmes de gosto questionável? Vai deixar de questionar a rigidez das leis de copyright? Vai colocar o Rick Warren na lista de sáites indicados? Vai ajustar sua profissão de fé? Vai dar entrevista nas páginas amarelas da Veja? Vai posar nu para a revista G?
Evidente que sim. Admira-me você ter tido a ilusão de que poderia ser diferente.

Agora um passinho a frente.

Veja também:
A bacia das almas, o livro

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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