O ateísmo é a melhor coisa, exceto nos casos em que deixa de ser

O mistério dos ateus que não deixam de acreditar em coisas incrivelmente convenientes

Ateus e desconversos me interessam mais do que crentes e religiosos, porque via de regra submeteram-se a um autoexame mais inclemente e no processo abandonaram um bom número de ilusões a respeito de si mesmos e dos outros.

Para o teólogo Paul Tillich, o marxismo e a psicanálise são grandes e temíveis em que desmascaram níveis ocultos da realidade que antes de serem articulados determinavam o curso das gentes sem que os tivéssemos de olhar de frente. O homem natural tem medo (em alguns casos fundamentado) de que enxergar a realidade como ela é possa destruí-lo, por isso tende a rejeitar com paixão tanto as revelações do marxismo Continue lendo →

Os usos políticos do ateísmo: o capitalismo é o preço da paz

Houve tempo em que o principal método para se justificar o uso da violência era alegando-se o direito divino dos governantes. Nos nossos dias, para substituir as obsoletas justificativas religiosas inventaram-se outras. Essas novas justificativas são tão inadequadas quanto as antigas, mas sendo novas a maioria das pessoas não consegue perceber de imediato a sua futilidade.
Leon Tolstoi em Carta a um hindu (1908)

 

O ateísmo não é reacionário por natureza ou por tradição. É o contrário: pela inclemência do seu ponto de vista, os ateus estiveram por milênios entre os críticos mais lúcidos e articulados da cultura e da sociedade, Continue lendo →

A falta que Deus faz

Existindo fora e acima da narrativa oficial, Deus encontrava prazer em contestar as alegações de justiça e de suficiência das soluções políticas toleradas ou admiradas pelos homens

Parte essencial da imagem que o ocidente faz de si mesmo é que nos consideramos desde sempre mais lúcidos e esclarecidos do que o resto do mundo.

Por quase dois milênios o orgulho ocidental esteve fundamentado no fato de sermos os legítimos bastiões da fé num mundo de resto cheio de incrédulos e pagãos. Como não há narrativa sem paradoxo, hoje em dia nos orgulhamos do contrário: de sermos aqueles que abandonaram as ilusões da religião num mundo de resto cheio de crédulos e fanáticos.

Os abusos do Estado Islâmico servem, em particular, como lembrete do quanto devemos nos congratular e dar tapinhas de aprovação nas costas uns Continue lendo →


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