A respeito do colapso da civilização, aquele iminente

Assim como nos dias antes do dilúvio, as pessoas comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento […] e não o perceberam, até que veio o dilúvio.
Mateus 24:38,39

A respeito do colapso da civilização cabe deixar uma nota, já que falamos aqui de coisas muito menos prementes e menos certas. Não deixa de ter uma simetria poética o fato de que ao longo da história as pessoas estiveram prontas a ouvir um maluco ocasional que anunciava sem qualquer fundamento o fim do mundo – que tenham vendido tudo, subido aos montes, raspado a cabeça, mudado de continente, anunciado o fim em bares, feito convertidos, vasculhado o céu em busca Continue lendo →

O gerenciamento da esperança [1]

Quando descrevo meu amigo Claudio Oliver como pessimista e desiludido posso ter desenhado a imagem de um cara amargo e sem esperança, o que não poderia estar mais longe da verdade. O Oliver não deixa que a dureza das suas ideias se cristalize em cinismo, como eu faço, mas transmuta o que poderia gerar cólera e rancor em coragem e gentileza, em disponibilidade e abundância.

Porém, dentro todos, o Oliver terá entendido que não pode haver elogio maior do que “desiludido”. Para se ter esperança é preciso não se ter ilusões: do contrário o que você tem não é esperança, é ilusão.

O gerenciamento da esperança [2]

A carta do Claudio Oliver me trouxe à lembrança o que está escrito na seção A luta por uma eternidade mais justa de As divinas gerações: a noção, soprada para mim por Alan F. Segal, de que a Bíblia é de uma ponta à outra, do Gênesis ao Apocalipse, uma polêmica contra a civilização.

O gerenciamento da esperança [3]

Em sua carta o Oliver esboça duas heranças ideológicas: de um lado a linhagem de Caim, gananciosa e otimista, que ignora a fragilidade e as contradições da condição humana e insiste em construir, cercar, organizar, produzir, conquistar, ampliar, ordenar e progredir (Ordem e Progresso!); do outro, a linhagem de Sete, lúcida e desiludida, que reconhece tanto a sua insuficiência quanto o potencial destrutivo da sua condição, pelo que avança um dia após o outro com toda a cautela, esperando misericórdia de Deus ou do universo. Caim é produtividade, Sete é responsabilidade.

O gerenciamento da esperança [4]

Encerrei aquela nota sobre colapso da civilização com a sentença Nada pode ser feito porque, obviamente, é só em parte verdade. Há um crescente número de climatologistas, ambientalistas, políticos e gente comum que insiste que é tarde demais para ser pessimista.

O gerenciamento da esperança [5]

O que não consigo deixar de pensar é no seguinte: que se você resolvesse mudar de vida,

Os limites físicos da economia: consumo de energia e riqueza são a mesma coisa

► A civi­li­za­ção é um organismo definido pelo modo como consome/transforma energia.

► A riqueza econômica é uma repre­sen­ta­ção da taxa com que uma civi­li­za­ção consegue consumir energia.

► A civi­li­za­ção é um organismo que interage em escala global com os reser­va­tó­rios dis­po­ní­veis de energia e através da trans­for­ma­ção dessa energia.

► O dinheiro é a repre­sen­ta­ção da capa­ci­dade de se realizar coisas nesse espaço físico.

► O PIB não passa de uma repre­sen­ta­ção abstrata da nossa capa­ci­dade de aumentar o consumo de energia no futuro.


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