Manuscritos estocados sob a rubrica 'Recomendações'
21 de Junho de 2008

Brush up your Shakespeare

Filmes

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Keenan Wynn e James Whitmore , os gângsters gente boa de Kiss me, Kate (1953), versão para o cinema do musical de Cole Porter.

 

As garotas da sociedade hoje em dia curtem poesia clássica
Então para conquistá-las é preciso citar com desenvoltura
Ésquilo e Eurípedes
Mas o poeta mais unânime
Que vai deixá-las simplesmente delirando
É o poeta que é conhecido
Como o Bardo de Stratford on Avon

Tire a poeira do seu Shakespeare
Comece a citá-lo agora
Tire a poeira do seu Shakespeare
E as mulheres ficarão boquiabertas

Basta declamar algumas linhas de Otelo
E elas vão achar que você é o máximo
Se sua loira não reage quando você a elogia
Diga a ela o que Antônio disse a Cleópatra
E se mesmo assim de tímida ela se finge bem
Basta lembrá-la que Tudo está bem quando acaba bem
Tire a poeira do seu Shakespeare
E ficarão todas aos seus pés

Tire a poeira do seu Shakespeare
Comece a citá-lo agora
Tire a poeira do seu Shakespeare
E as mulheres ficarão boquiabertas

Se sua garota é um sonho de Washington Heights
Dê a ela um Sonho de uma noite de verão
Se ela reclama quando você mexe nas roupas dela
Que são roupas? Muito barulho por nada!
Se ela diz que seus avanços são insanos
Dê-lhe um chute no Coriolanus
Tire a poeira do seu Shakespeare
E ficarão todas aos seus pés

31 de Maio de 2008

Lars and the real girl

Filmes

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Pare tudo.

Assista quando puder o filme (este é o trailer), e retorne sem pressa à análise de meu amigo verdadeiro Manuel Anastácio:

“Lars and the Real Girl” é, para mim, a mais simpática e saudável das alegorias cristãs que já vi até hoje. É uma história de amor na acepção exposta por São Paulo no seu célebre capítulo 13 da Primeira Epístola aos Coríntios. Fosse eu professor de Educação Moral e Religiosa ou catequista, e mostraria o filme sem quaisquer pruridos na consciência aos alunos, como exemplo do que deveria ser a vida cristã.

20 de Março de 2008

Caligrafia no Inkscape

Ilustração, Recomendações

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Baixei ontem e brinquei um pouco com a versão beta, em fase de teste, do Inkscape 0.46.

O Inkscape é um programa de desenho vetorial como o Corel DRAW ou o Illustrator, mas é software livre – gratuito, de uso livre, com formatos abertos e desenvolvido por voluntários. O programa tem uma grande base de usuários e, ao contrário do Corel DRAW, que lançou uma versão nova (X4) sem qualquer novo recurso de desenho, o Inkscape está sempre inovando.

Impressionou-me nesta versão a maturidade da ferramenta de caligrafia. Até agora os melhores resultados que eu havia obtido com caligrafia digital haviam sido no Corel Painter, mas depois de testar esta versão do Inkscape estou sabendo que isso vai mudar.

Além de produzir os mesmos resultados fluentes e naturais, o Inkscape tem sobre o Painter a vantagem de trabalhar de modo nativo com o formato vetorial SVG, em que a imagem não perde a qualidade não importa o quanto você amplie. Se você tem um navegador decente como o Firefox você pode visualizar daqui mesmo imagens com o formato svg – o que não deixa de ser notável, porque a maior parte das imagens que você encontra na net são em formato raster, e não vetorial.

Clique aqui para ver uma imagem em formato svg. Não parece, mas esse arquivo (ao contrário deste) é de um desenho vetorial. Você pode abrir a imagem no Inkscape e editá-la sem perder a nitidez da mesma forma que você vê no vídeo.

Baixe o Inkscape aqui ou aqui. Para aproveitar todos os recursos de desenho você vai precisar de uma mesa digitalizadora sensível à pressão.

03 de Fevereiro de 2008

Se todos tivéssemos sinos como esses

Filmes

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Ben Davis (Papageno) e Amy Carson (Pamina) escapam da morte certa na adaptação de Kenneth Branagh de A Flauta Mágica de Mozart.

PAPAGENO, TAMINA.
Não mais dor e não mais preocupação
Devemos nos apressar, nos apressar
Devemos nos apressar, nos apressar
Nos apressar, nos apressar, nos apressar

MONOTASTOS.
Por que a pressa, por que a pressa,
Por que a pressa?
Ah!
Por que não ficam um pouco mais?
Vocês acham que aprenderão
Se eu lhes ensinar boas maneiras?
Agora Monostatos capturou vocês
Vocês suportarão uma semana de tortura
Implorarão por uma simples morte

PAPAGENO, TAMINA.
Ah, será essa a hora da morte?

MONOSTATOS.
Agora vocês implorarão por uma morte indolor!

PAPAGENO.
Ai meu Deus, esqueci
Esqueci os sinos de prata!
Libertem agora o seu feitiço mágico
Tragam cantando sua música
Liberem o som de suas campainhas

MONOSTATOS, SOLDADOS.
Que música mais adorável!
Tão pura e tão doce!
La la la la la la la la la la!
Ela enche meus sentidos com mágica paz
La la la la la la la la la la!
Ela enche meus sentidos com mágica paz
La la la la la la la la la la!

PAPAGENO, TAMINA.
Se todos tivéssemos sinos como esses
Os inimigos se dispersariam
Em tempos como este ter poder
Parece importante para se viver
Mas poderia haver um mundo melhor
Construído de amor e harmonia
Feito para cada menino e menina.
É no amor que ele começa
A alegria cria este mundo mágico
A música coloca-o para girar.

14 de Novembro de 2007

Pedir demais

Livros

Deve fazer pelo menos cinco anos que não vejo a última página de um livro. Na verdade, grande parte dos livros na minha mesa de cabeceira comecei a ler bem antes disso, e permanecem aguardando pacientemente pela atenção que não sei quando vou dar.

Deve significar alguma coisa, portanto, que terminei em dois dias a leitura de Uma Ortodoxia Generosa do líder emergente Brian McLaren, publicado no Brasil pela editora Palavra.

Mais generosa do que eu jamais seria ou recomendaria ser, Uma Ortodoxia Generosa é porém perfeitamente ortododoxa em sua heterodoxia. Basta verificar o efeito acumulado dos títulos de alguns capítulos: Por que sou evangélico, Por que sou pós-protestante, Por que sou bíblico, Por que sou liberal/conservador, Por que sou fundamentalista/calvinista, Por que sou metodista, Por que sou católico, Por que sou verde, Por que sou depressivo-mas-esperançoso, Por que sou emergente, Por que sou não-acabado.

Dito de outra forma, Por que você deve ler este livro.

 

Estou cada vez mais convencido de que Jesus não veio começar outra religião ou competir no mercado religioso. Creio que ele veio extinguir o padrão de competitividade religiosa (que Paulo chamou de “lei”) ao cumpri-lo.

À luz disso, embora eu não espere que todos os budistas se tornem cristãos (culturais), espero que todos que se sintam chamados se tornem budistas seguidores de Jesus; creio que eles deveriam ter essa oportunidade e receber esse convite. Não espero que todos os judeus ou hindus se tornem membros da religião cristã. Mas espero que todos os que se sentirem chamados se tornem judeus ou hindus seguidores de Jesus.

Finalmente, espero que Jesus salve o budismo, o islamismo e todas as outras religiões, incluindo a religião cristã, que na maioria das vezes parece carecer tanto de salvação quanto qualquer outra religião. (Nesse contexto, desejo que todos os cristãos se tornem seguidores de Jesus, mas talvez seja pedir demais).