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	<title>A Bacia das Almas &#187; Livros</title>
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	<description>Onde as ideias não descansam</description>
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		<title>A sonegação da graça</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 01:21:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[Os capítulos censurados de Culpa e Graça &#160; É conhecida a observação do Abade Mugnier que, quando lhe perguntaram se acreditava no inferno, respondeu: “Certamente acredito nele; mas também acredito que não há ninguém lá.” Isso me parece mais do que um lampejo espirituoso. É um ponto de vista que é inerente a toda a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2011/culpa-e-graca.png" alt="" /></p>
<p><center><span style="color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family:calibri, georgia, times new roman, serif; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Os capítulos censurados de <em>Culpa e Graça</em></span></center></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>É conhecida a observação do Abade Mugnier que, quando lhe perguntaram se acreditava no inferno, respondeu: “Certamente acredito nele; mas também acredito que não há ninguém lá.” Isso me parece mais do que um lampejo espirituoso. É um ponto de vista que é inerente a toda a perspectiva da Bíblia, de que a severidade e as ameaças de Deus – ou o que o homem em seu remorso atribuem a Deus – são destinadas a nada menos que a sua salvação e a conservá-lo fora do abismo.<br />
<small>Um dos textos censurados do livro de Paul Tournier. Três capítulos e este parágrafo foram suprimidos na edição brasileira.</small></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ele está lá, o número 22 na lista de Ricardo Quadros Gouvêa dos <a href="http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/315/quarenta-livros-que-fizeram-a-cabeca-dos-evangelicos-brasileiros-nos-ultimos-quarenta-anos">quarenta livros que fizeram a cabeça dos evangélicos brasileiros nos últimos quarenta anos</a>. Uma edição despretensiosa, a capinha azul ciano coroada por um austero retângulo preto, uma tradução por vezes truncada e uma redação nem sempre fluente. Nada disso impediu que <em>Culpa e Graça</em>, do médico suíço Paul Tournier, se mostrasse no meio evangélico brasileiro um livro absolutamente seminal: uma semente, mas uma semente cuja potência e singeleza bastaram para produzir nos leitores o seu próprio solo fértil &#8211; o tipo de obra cuja onda de impacto se estende muito além dos limites das páginas e da data de publicação.</p>
<p>Rolava ainda a década de 1980 quando encontrei o livro no apartamento da minha tia Lauriza e rendi-me imediatamente à sua lucidez. Lembro claramente meu assombro ao deparar-me, expostos ao ar livre, sem meias medidas mas com toda a compaixão, com os mecanismos que eu havia lutado desde sempre para permanecerem ocultos no meu interior.</p>
<blockquote><p>&#8220;Minha irmã é tão categórica em suas opiniões&#8221;, disse-me uma senhora, &#8220;que me sinto sempre um pouco culpada se não tenho a sua opinião&#8221;. E uma outra: &#8220;Eu chego a evitar ir visitar a minha irmã, porque no momento em que quero ir embora, ela diz: &#8216;Como? Já vai?&#8217;, com um tom de reprovação que até me faz sentir culpada&#8221;. </p></blockquote>
<p>Que direito tinha esse sujeito de falar publicamente de mim (e das minhas irmãs)? E logo em seguida:</p>
<blockquote><p>Porque a verdadeira culpa é, essencialmente, você não ousar ser você mesmo. É o medo do julgamento dos outros que nos impede de sermos nós mesmos, de nos mostrarmos tal como somos, de manifestarmos nossos gostos, desejos e convicções, de nos desenvolvermos, de nos expandirmos segundo a nossa própria natureza, livremente. É o medo do julgamento dos outros que nos esteriliza, que nos impede de produzir todos os frutos que somos chamados a produzir. &#8220;Fiquei com medo&#8221; diz, na parábola dos talentos, o servo que escondeu o seu talento na terra, em lugar de fazê-lo valorizar.</p></blockquote>
<p>Meu Deus, meu Deus: <em>a verdadeira culpa é você não ousar ser você mesmo</em>. E ainda estávamos no segundo capítulo.</p>
<p><em>Culpa e graça</em> foi lançado no Brasil em 1985, pela Aliança Bíblica Universitária (ABU). Essa versão resiste ao tempo e circula teimosamente em sua forma original (o livro da minha tia transita há décadas entre a minha casa e a dela; às vezes, como agora, não temos certeza de com quem ele está), em cópias reprográficas e em <a href="http://www.scribd.com/doc/60801282/Download">versões pirateadas</a>. </p>
<p>O que pouca gente sabe ou percebeu é que, por alguma razão que os editores não declaram no livro (e, que eu saiba, em nenhum outro lugar) os três últimos capítulos da versão original foram suprimidos da versão brasileira. A explicação mais simples e mais provável para essa omissão é que os textos em questão foram considerados fortes ou heterodoxos demais para o público a que se dirigia. Os dois últimos capítulos da versão brasileira, numerados 20 e 21, são intitulados <em>Tudo deve ser pago </em>e <em>Foi Deus quem pagou</em> &#8211; e já são bastante subversivos em si mesmos, mas aparentemente os capítulos seguintes iam ainda mais longe.</p>
<p>Há quase dois anos venho sonhando em rastrear, traduzir e divulgar esses capítulos proibidos, como parte do meu ministério de ver o circo pegar fogo. Poupou-me desse trabalho e dessa glória o Zenon Lotufo Junior, que mandou-me há alguns dias esses textos, na tradução de seu amigo Antonio Augusto Martins Ribeiro. Seu conteúdo subversivo você pode agora avaliar por si mesmo pela primeira vez.</p>
<p>Há por exemplo, o capítulo 24, <em>A ordem de Melquisedeque</em>, com sua ênfase num sacerdócio universal que transcende a esfera da igreja e a engloba. Há o capítulo 23, <em>O caminho da confissão</em>, que sugere que a graça é tão ampla e eficaz que qualquer um pode imprimir, e sobre qualquer um, a divina absolvição. E há em especial o capítulo 22, <em>Amor incondicional</em>, que demonstra que Tournier pensava sobre a graça, em 1962, essencialmente o mesmo que J. Harold Ellens pensa nos nossos dias: é a natureza incondicional do amor divino que possibilita a cura humana &#8211; <a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/o-deus-que-nao-tem-ninguem-na-sua-lista/">Deus não tem ninguém na sua lista</a>:</p>
<blockquote><p>Portanto, insisto na palavra “incondicionalmente”, porque ela me parece muito importante na prática. A maioria das pessoas admite que, se há um Deus, Ele deve nos amar. Mas existe uma diferença decisiva entre um grande amor, ou um amor muito grande, ou um amor muito, muito grande e um amor que é incondicional. É à distância que existe entre o que é finito, seja tão grande quanto for, e o que é infinito.</p></blockquote>
<p>Todas essas posições, bem como a menção, como mera possibilidade, de que a função do inferno é permanecer vazio (conforme a anedota do Abade Mugnier que abre esta nota), podem ter parecido controversas ou pouco ortodoxas o bastante para justificarem a censura.</p>
<p>Resta porém a possibilidade de que o motivo da supressão tenha sido ainda mais prosaico e mais mesquinho. Afinal de contas, o universalismo de Tournier parece ficar bastante estabelecido no capítulo 21, que não foi censurado da versão brasileira:</p>
<blockquote><p>Salvação não é mais uma idéia remota de perfeição, para sempre inacessível; é  uma  pessoa:  Jesus  Cristo,  que  veio  a  nós,  veio  para  ficar  conosco,  em  nossas casas,  em  nossos  corações.  O  remorso  é  silenciado  pela  sua  absolvição. Todos os homens podem se beneficiar desta expiação única; todos os homens, de fato, &#8220;todo o mundo&#8221; como João afirmou (1 Jo 2:2). Jesus Cristo morreu por todos  sem  qualquer  distinção,  para  homens  de  todas  as  idades  e  regiões,  para hindus, para budistas, para muçulmanos, para pagãos e para ateus; basta que nele creiam. </p></blockquote>
<p>Não é impossível, portanto, que a raiz da controvérsia tenha sido as duas ou três ocasiões em que, no capítulo 22, Tournier sugere que os católicos acolhem e aplicam de modo menos neurótico do que os protestantes a boa notícia da graça:</p>
<blockquote><p>É significativo o que um dos meus pacientes protestantes tenha dito: “O protestantismo me parece com um enorme esforço para se ganhar a graça pela boa conduta, enquanto que o catolicismo distribui esta mesma graça a todo aquele que a procura com um padre”.</p></blockquote>
<p>Também aqui:</p>
<blockquote><p>O moralismo restabeleceu a ideia de mérito, de uma graça que é condicional. E, em certos círculos protestantes, estas condições se proliferaram tanto e ficaram tão rígidas que se tornaram opressivas.</p></blockquote>
<p>E aqui:</p>
<blockquote><p>Em um dos círculos intelectuais católicos, um teólogo, Jean Guitton, afirma que “uma das implicações da doutrina cristã da graça é a natureza gratuita dos dons que são oferecidos a nós”. Fico agradavelmente surpreso ao vê-lo acrescentar que “esta é uma implicação sobre a qual os protestantes pensam, talvez com mais frequência do que nós”. Infelizmente, tenho a impressão que esta homenagem ao protestantismo seja imprecisa.</p></blockquote>
<p>E aqui:</p>
<blockquote><p>Contudo, noto uma maior proporção de pessoas oprimidas por esta deturpação entre os protestantes do que entre os católicos.</p></blockquote>
<p>Pois, como eu mesmo já tive ocasião de aprender, em muitos círculos evangélicos desafiar abertamente a ortodoxia é visto como pecado menor do que mencionar o catolicismo numa luz positiva. Essa imprudência, em conjunto com a ameaça de ecumenismo do capítulo 24, podem ter representado a ofensa sem perdão que mereceu o silenciamento de Tournier.</p>
<p>O que é certo é que Paul Tournier (1898-1986) não escreveu <em>Culpa e graça</em> para gerar controvérsia ou para produzir uma revisão na ortodoxia. Seu propósito declarado foi ensinar seus colegas médicos a tratarem seus pacientes como gente &#8211; aquela postura que viria a ser conhecida como &#8220;medicina integral&#8221; e da qual Tournier é um dos mais celebrados precursores.</p>
<p>Tournier sonhava com um dia em que os médicos deixassem de olhar seus pacientes como pedaços de carne que só carecem de cura física, um dia em que os cristãos deixassem de ver as pessoas como almas desencarnadas que só carecem de salvação.</p>
<p>Os médicos já estão fazendo a sua parte.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p>Para ler em tela inteira visite <a href="http://www.scribd.com/fullscreen/60945265?access_key=key-3fw4bfb07yahjpfg0hk">esta página</a> ou <a href="http://www.baciadasalmas.com/culpa-e-graca/">clique aqui</a>.</p>
<p><iframe class="scribd_iframe_embed" src="http://www.scribd.com/embeds/60945265/content?start_page=1&#038;view_mode=list&#038;access_key=key-3fw4bfb07yahjpfg0hk&#038;secret_password=1naxmhm3bw7vg4p8v0cp" data-auto-height="true" data-aspect-ratio="0.707514450867052" scrolling="no" id="doc_55341" width="100%" height="600" frameborder="0"></iframe><script type="text/javascript">(function() { var scribd = document.createElement("script"); scribd.type = "text/javascript"; scribd.async = true; scribd.src = "http://www.scribd.com/javascripts/embed_code/inject.js"; var s = document.getElementsByTagName("script")[0]; s.parentNode.insertBefore(scribd, s); })();</script></p>
<p><strong><a href="http://www.scribd.com/fullscreen/60945265?access_key=key-3fw4bfb07yahjpfg0hk">Os capítulos censurados de <em>Culpa e graça</em> (tela cheia)</a></strong></p>
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		<title>O poeta e o pescador</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 07:17:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gírias e Falares]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu pai, pode ser necessário lembrar, usa o termo &#8220;poeta&#8221; como insulto. Encontro em Luis da Camara Cascudo &#8211; Geografia dos mitos brasileiros, prefácio &#8211; um uso análogo: Nas praias do Rio Grande do Norte, poeta é sinônimo de bicho-de-pé. &#8220;Estou aqui vendo se tiro esse poeta&#8221;, respondeu um pescador a Henrique Castriciano que lhe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu pai, pode ser necessário lembrar, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/a-bacia-das-almas-2/">usa o termo &#8220;poeta&#8221; como insulto</a>. Encontro em Luis da Camara Cascudo &#8211; <em>Geografia dos mitos brasileiros</em>, prefácio &#8211; um uso análogo:</p>
<blockquote><p>Nas praias do Rio Grande do Norte, poeta é sinônimo de bicho-de-pé. &#8220;Estou aqui vendo se tiro esse poeta&#8221;, respondeu um pescador a Henrique Castriciano que lhe perguntara por que estava escavacando os dedos com uma ponta-de-faca.</p></blockquote>
<h5>* * *</h5>
<p>O livro oferta ainda generosidades como esta: &#8220;O sertão respira [atualmente] pelas mil bocas das estradas e paga o conforto da eletricidade com o esquecimento das estórias antigas e saborosas&#8221;.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug065.gif"></p>
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		<title>15 de novembro</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 02:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[e os cinco volumes da História da Prostituição no archive.org. Notavelmente ampliada e enriquecida desde 1889. * * * HISTÓRIA DA PROSTITUIÇÃO EM TODOS OS POVOS DO MUNDO DESDE A ANTIGUIDADE ATÉ OS NOSSOS DIAS Obra necessaria aos moralistas, util aos homens de Sciencia e Lettras e interessante para todas as classes ILUSTRADA COM PRIMOROSAS [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>e os<a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o"> cinco volumes da <em>História da Prostituição</em></a> no <a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o">archive.org</a>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/6201874"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/6201874_4d700453e46d3ddc55b3b1671e91f293_standard.jpg" height="339" width="460" title="Clique para ampliar" /><br />
</a></p>
<p>Notavelmente ampliada e enriquecida desde 1889.</p>
<h5>* * *</h5>
<p align="center"><strong>HISTÓRIA DA PROSTITUIÇÃO</strong><br />
EM TODOS OS POVOS DO MUNDO<br />
<small>DESDE A ANTIGUIDADE ATÉ OS NOSSOS DIAS</small><br />
<small><em>Obra necessaria aos moralistas,<br />
util aos homens de Sciencia e Lettras<br />
e interessante para todas as classes</em><br />
ILUSTRADA COM PRIMOROSAS GRAVURAS<br />
</small></p>
<p>Para ler e baixar <a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o">clique aqui</a>.</p>
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		<title>Pela alma do povo: omissões coletivas e bravuras individuais</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/pela-alma-do-povo-omissoes-coletivas-e-bravuras-individuais/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=pela-alma-do-povo-omissoes-coletivas-e-bravuras-individuais</link>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 11:50:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[nazismo]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[Nós e o cristianismo só temos uma coisa em comum: exigimos a pessoa toda! O juiz nazista Roland Freisler a Helmut Moltke, durante o julgamento de Moltke pelo seu envolvimento no atentado de 20 de julho Eu estava a meio caminho da interminável biografia de Dietrich Bonhoeffer (que ainda não terminei) quando comecei a ler [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><small><strong>Nós e o cristianismo só temos uma coisa em comum:<br />
exigimos a pessoa toda!</strong><br />
O juiz nazista Roland Freisler a Helmut Moltke,<br />
durante o julgamento de Moltke pelo seu envolvimento<br />
no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_de_20_de_julho">atentado de 20 de julho</a></small></p>
<p>Eu estava a meio caminho da interminável biografia de Dietrich Bonhoeffer (que ainda não terminei) quando comecei a ler <em>For the soul of the people: Protestant protest against Hitler</em> [<strong>Pela alma do povo: Protesto protestante contra Hitler</strong>], da historiadora Victoria Barnett. Pus de lado esta semana a última página do livro, e posso dizer que encontrei o que não procurava &#8211; talvez justamente porque (e eis a necessária reviravolta) não encontrei o que procurava.</p>
<p>O título do livro é ao mesmo tempo enganador e significativo porque, como  a autora vai deixando agonizantemente claro,<em> não houve protesto protestante contra Hitler</em>. Não na Alemanha nazista. Não quando era necessário. Não quando um protesto poderia fazer diferença. Não com qualquer ênfase ou visibilidade, não por parte de um grupo significativo e certamente não por parte da instituição como um todo.</p>
<p>O que houve, e disso a história fornece redentora e incômoda evidência, foi protesto <em>individual</em> de protestantes contra Hitler. A instituição essencialmente nada fez, mas naquele mais vigiado, preconceituoso, intolerante e opressor dos regimes levantaram-se uns poucos heróis solitários que, precisamente como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dietrich_Bonhoeffer">Bonhoeffer</a>, colocaram-se publicamente em pé diante da máquina simplesmente porque não concordavam com a direção em que ela estava indo, e por causa de quem estava sendo esmagado no caminho. A maioria desses, precisamente como Bonhoeffer, não escapou com vida para testemunhar a primavera de 1945, quando o planeta despedaçado acordou perplexo para o fim da inocência mundial.</p>
<p>É uma narrativa que confirma da forma mais excruciante o que venho intuindo há muito tempo (&#8220;repita comigo: as instituições não existem, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/microsalvamentos-como-salvar-o-mundo-um-instante-de-cada-vez/">só existem pessoas</a>&#8220;) sobre a insuficiência das instituições e a facilidade com que podem tornar-se carimbos coletivos que o sistema usa para endossar a injustiça. Na história como apresentada por Barnett é terrível constatar o tempo que perde, esperando alguma reação ou posicionamento da igreja formal, o punhado de pessoas realmente disposta a se levantar contra o regime &#8211; ou, talvez ainda mais importante, disposta a ajudar quem está sendo prejudicada por ele. Mesmo os militantes mais radicais da resistência protestante na Alemanha nazista demoraram anos até passarem a questionar a omissão do sistema eclesiástico em público e em privado; todos, mesmo os terrivelmente lúcidos como Bonhoeffer, simplesmente queriam que a instituição funcionasse. Muitos deles ficaram querendo até o último momento.</p>
<p>A verdade que esta parábola deixa evidente é que a instituição não existe para defender uma causa ou sua coerência ideológica interna, mas para garantir sua própria perpetuação &#8211; pelo que seu modo de operação mais fundamental é a cautela. Quando o governo nazista decretou que os judeus estavam a partir de determinado momento desclassificados para determinadas posições públicas e privadas, não ocorreu à igreja questionar esse julgamento, mesmo quando os que queriam comprovar a sua ascendência ariana recorreram em massa aos arquivos eclesiásticos, que detinham os registros de nascimento &#8211; e cujos responsáveis tiveram de trabalhar em dobro (e em alguns casos contratar assistentes e secretários) a fim de suprir a nova demanda de verificação racial gerada pelo estado.</p>
<p>Quando os judeus convertidos ao cristianismo se tornaram um embaraço inequívoco também dentro das igrejas, muitos sugeriram singelamente que uma solução amorosa seria que esses cristãos de origem &#8220;não-ariana&#8221; abrissem uma igreja só para eles, onde não representariam ameaça para outros além de si mesmos. Isso enquanto toda uma ala da igreja evangélica alemã, a dos chamados &#8220;Cristãos Germânicos&#8221;, propunha a sumária eliminação do Antigo Testamento de todas as Bíblias, de modo a sinalizar sem margem de dúvida o rompimento do cristianismo com a herança judaica.</p>
<p>Diante do ensurdecedor silêncio da igreja perante esses procedimentos, uma facção dela decidiu que era necessário postar-se publicamente contra a onda de insanidade. Esses, mais ou menos liderados por Bonhoeffer, deram a si mesmos o nome de Igreja Confessante, porque criam que confessar o nome/pessoa de Jesus implicava em manifestar-se publicamente contra toda forma de injustiça, mesmo diante de riscos institucionais e pessoais. </p>
<p>O livro de Barnett explica como essas três facções da igreja alemã (a minoria dos Cristãos Germânicos, a maioria conservadora/cautelosa e a minoria confessante) combateram umas com as outras durante o regime nazista de modo a, no fim das contas, se sujeitarem mutuamente ao mais completo silêncio diante das injustiças de Hitler.</p>
<p>Parte essencial da história, na verdade, está em que logo ficou claro que havia diferenças irreconciliáveis de convicção e de estratégia entre moderados e radicais mesmo dentro da Igreja Confessante. Essa polarização apenas se acentuou com o cerrar do cerco nazista, até que aqueles dispostos ao martírio entenderam que mesmo o movimento confessante era insuficiente para se proferir no meio do caos a Palavra, e partiram para a carreira solo no acolhimento de perseguidos ou no terrorismo secular. Entenderam que se haveria uma igreja contra a qual as portas do inferno não resistiriam, essa se manifestaria através de indivíduos e não da instituição. Porém essa sua distração com a fé no sistema custou muito para eles mesmos e para outros: quando esses poucos caras &#8211; a dissidência da dissidência &#8211; sacaram que não podiam e não deviam contar com as soluções institucionais, era essencialmente tarde demais. </p>
<p>O cerne do problema parece ter residido no fato de que, numa tradição que se estendia praticamente até Lutero, igreja e líderes eclesiásticos alemães haviam durante séculos sido incentivados a declarar mútua lealdade para com &#8220;o trono e o altar&#8221;. Nessa visão de mundo governo e igreja eram considerados sistemas independentes, mas unia-os um acordo tácito pelo qual um se comprometia a não interferir nos negócios do outro, e pelo qual ambos se comprometiam a fornecer ao outro legitimidade. Em outras palavras, a igreja não se sentia particularmente devedora a qualquer manifestação do Estado, mas sentia-se menos ainda inclinada a a interferir em negócios que diziam respeito a &#8220;outro domínio&#8221; que não o espiritual. Seu papel cristão era, muito declaradamente, pregar o evangelho e distribuir os sacramentos. Insurreição, resistência, desobediência civil &#8211; numa palavra, protesto &#8211; não desempenhavam qualquer papel no vocabulário prático da tradição protestante.</p>
<p>Essa sacrílega cumplicidade entre igreja e estado tem, evidentemente, raízes ainda mais antigas do que a Reforma, que apenas inseriu na equação o fator competição [à Igreja Católica]. Em sua manifestação original o movimento cristão era apolítico, anti-imperialista e subversivo ao ponto da anarquia funcional, mas o sucesso espetacular da sistematização do cristianismo terminou por apagar por completo os efeitos dessa herança subversiva &#8211; até que, em Constantino, igreja e império se transformaram numa única e abominável coisa. Para o historiador cristão Eusébio, escrevendo no ano 336, o imperador Constantino (o primeiro a conceder favor estatal à fé cristã) representava o modelo do governante espiritual, um &#8220;amigo de Deus&#8221; que &#8220;arranja seu governo terreno de acordo com o padrão do original divino&#8221;. Para Eusébio, Constantino deveria ser visto pelos crentes como &#8220;nosso imperador divinamente favorecido&#8221;, que havia recebido &#8220;como que uma transcrição da soberania divina&#8221; a fim de conduzir &#8220;em imitação do próprio Deus a administração dos negócios do mundo&#8221;<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/pela-alma-do-povo-omissoes-coletivas-e-bravuras-individuais/#footnote_0_2251" id="identifier_0_2251" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Eus&eacute;bio de Cesar&eacute;ia, Discurso em louvor do imperador Constantino. Citado em Richard Fletcher, The Barbarian Conversion. Fletcher tamb&eacute;m observa que &amp;#8220;n&atilde;o &eacute; para Eus&eacute;bio que devemos recorrer para saber que Constantino assassinou seu sogro, sua esposa e seu filho&amp;#8221;.">1</a></sup> &#8211; nada muito diferente do que cristãos alemães opinariam séculos mais tarde a respeito de Hitler.</p>
<p>Nessa única transação com o Poder o movimento cristão passava de frágil a influente, de subversivo a inofensivo, de marginal a detentor do <em>status quo</em>, de incendiário a bombeiro, de incômoda ameaça aos poderes e potestades deste mundo a seu mais valioso selo de confirmação. As tremendas desventuras, grandes vergonhas e pequenas ousadias encenadas pela igreja evangélica alemã durante o regime nazista apenas demonstram o quanto há de contemporâneo e de diabólico nessa aliança, mesmo em regimes que professam oficialmente divisão entre igreja e estado. </p>
<p>É uma história que demonstra muito claramente que o problema não reside na separação entre igreja e estado, porque enquanto permanece como instituição a igreja é obviamente inseparável dos governos deste mundo. Uma instituição é basicamente uma entidade coletiva <em>que tem algo a perder</em> (mesmo que seja apenas sua própria autoridade), e o movimento cristão é por definição bíblica o movimento dos desbravadores do reino &#8211; isto é, o domínio em permanente insurreição dos que confessam não ter nada a perder, e sustentam ao mesmo tempo que o único modo de confessar isso <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-que-havia-sido-usurpado/">é demonstrá-lo</a>.</p>
<p>É algo ao mesmo tempo belo e terrível que a história do protesto protestante contra Hitler só tenha para contar omissões coletivas e bravuras individuais. A segunda metade do século XX e sua extensão no terceiro milênio são resultado sem escalas da experiência coletiva da Segunda Guerra, e sobreviver a ela ensinou-nos não só a questionar incessantemente qualquer ideologia (porque tememos outro Hitler), mas a duvidar da eficácia e da legitimidade de soluções intermediadas/institucionais.</p>
<p>Essa, no entanto, é uma lição de humildade que o terreno beligerante da tradição cristã irá até o último momento recusar-se a absorver. Prova disso é o que aconteceu logo depois &#8211; porque Barnett, para minha surpresa, não termina sua história com o final da guerra. E se o drama da igreja alemã sob Hitler havia confirmado minhas piores suspeitas, nenhuma expectativa me havia preparado para o que veio em seguida.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug022.gif"></p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2251" class="footnote">Eusébio de Cesaréia, <em><a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/a-monarquia-de-deus/">Discurso em louvor do imperador Constantino</a></em>. Citado em Richard Fletcher, <em>The Barbarian Conversion</em>. Fletcher também observa que &#8220;não é para Eusébio que devemos recorrer para saber que Constantino assassinou seu sogro, sua esposa e seu filho&#8221;.</li></ol><div class='series_toc'><h3>A igreja e o Poder</h3><ol><li>Pela alma do povo: omissões coletivas e bravuras individuais</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-fissura-do-mundo-politica-polarizacao-e-paralisia/' title='A fissura do mundo: política, polarização e paralisia'>A fissura do mundo: política, polarização e paralisia</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/capitalismo-socialismo-alienacao-e-o-capeta/' title='Capitalismo, socialismo, alienação e o capeta'>Capitalismo, socialismo, alienação e o capeta</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Os livros com que já dormi</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 10:25:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém deveria ser capaz de lhe dizer o que você deve ler, mas todos tem o direito de perguntar. Acabei de abrir um cadastro na rede de leitores Skoob, e já subi alguns itens para minha estante virtual. Ainda não tem muita coisa mas, acredite, grande parte do que incessantemente me assombra e me povoa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/4602849"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/4602849_add82115cd367897a292b94bbe41b76e_standard.jpg" height="306" width="460" /><br />
</a></p>
<p>Ninguém deveria ser capaz de lhe dizer o que você deve ler, mas todos tem o direito de perguntar. Acabei de abrir um cadastro na rede de leitores <em>Skoob</em>, e já subi alguns itens para minha estante virtual. Ainda não tem muita coisa mas, acredite, grande parte do que incessantemente me assombra e me povoa o interior já está ali. Ainda não mencionei nada de Shakespeare, mas o que pode ser mencionado de Shakespeare? O que deuses escrevem só nos cabe ler, na esperança de nos tornarmos vicariamente homens.</p>
<p>Este é o momento em que você deveria me agradecer.</p>
<p>Minha estante no Skoob:<br />
<a href="http://www.skoob.com.br/estante/livros/13/156468/est:h/page:1">PRIMEIRA PRATELEIRA</a> • <a href="http://www.skoob.com.br/estante/livros/13/156468/est:h/page:2/mpage:2">SEGUNDA PRATELEIRA</a></p>
<h5> * * * </h5>
<p>Ninguém deveria ser livre para classificar livros, mas ninguém deveria ser livre para impedir.</p>
<p>CINCO ESTRELAS <strong>*****</strong> Absolutamente indispensáveis na elucidação da minha mitologia pessoal. Sem esses livros, muito claramente, o Brabo não seria quem é.</p>
<p>QUATRO ESTRELAS <strong>****</strong> Altamente recomendados. É deslumbramento garantido ou sua mente fechada de volta.</p>
<p>TRÊS ESTRELAS <strong>***</strong> O meio não existe. Escolha um dos lados.</p>
<p>DUAS ESTRELAS <strong>**</strong> Medíocres, querendo dizer que mal e mal atingem as expectativas que geraram. Se continuar lendo livros assim você se manterá inteiramente a salvo das desconcertantes montanhas de significado que a mente humana pode alcançar.</p>
<p>UMA ESTRELA <strong>*</strong> Livros ruins no sentido perverso da palavra. Até mencioná-los é torpe, mas devem ser evitados de forma apaixonada e militante.</p>
<p>NENHUMA ESTRELA . Caramba, esses ainda não terminei. Mas se me dei ao trabalho de mencioná-los é porque provavelmente estou gostando.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug059.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/a-fraternidade-das-letras/">A fraternidade das letras</a></p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/5552919"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/5552919_f72f29de30378458bf373f95d40a3bf1_standard.jpg" height="306" width="460" /><br />
</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Trailer</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 13:17:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[os livros da bacia]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.mundocristao.com.br/baciadasalmas/"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/inteiro-no-seu-video.jpg" title="A Bacia das Almas, o filme" /></a></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug034.gif"></p>
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		<title>Circulação</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 14:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[os livros da bacia]]></category>

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		<description><![CDATA[É tarde demais: o livro da Bacia já está começando a popular as livrarias, e pode ser comprado pela internet no sáite da editora. Agora é só descansar sobre os louros e comprar aquela villa na Toscana. Leia também: Sobre o livro da Bacia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10721&#038;cod_categoria=150"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/livros/bacia-livro.jpg" title="A bacia das almas, o livro" /></a></p>
<p>É tarde demais: o livro da Bacia já está começando a popular as livrarias, e pode ser comprado pela internet <a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10721&#038;cod_categoria=150">no sáite da editora</a>. Agora é só descansar sobre os louros e comprar aquela <em>villa</em> na Toscana.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug042.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/sobre-o-livro-da-bacia/">Sobre o livro da Bacia</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Este cosmos desolado, parte 2</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 21:41:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[lovecraft]]></category>

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		<description><![CDATA[Criar um grande mito popular é criar um ritual pelo qual o leitor aguarda impacientemente e ao qual pode retornar com prazer crescente, seduzido cada uma das vezes pela repetição de diferentes termos, imperceptivelmente alterados a fim de permitir que ele experimente uma nova intensidade de experiência. Colocadas dessa forma as coisas parecem quase simples, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Criar um grande mito popular é criar um ritual pelo qual o leitor aguarda impacientemente e ao qual pode retornar com prazer crescente, seduzido cada uma das vezes pela repetição de diferentes termos, imperceptivelmente alterados a fim de permitir que ele experimente uma nova intensidade de experiência.</p>
<p>Colocadas dessa forma as coisas parecem quase simples, mas são raros os sucessos deste gênero na história da literatura. Na verdade, não é mais fácil criar-se uma nova religião.</p>
<p>Para demonstrar claramente o que está em jogo, seria necessário experimentar pessoalmente o clima de frustração que invadiu a Inglaterra diante da morte de Sherlock Holmes. Conan Doyle não teve escolha além de ressuscitar o seu herói. Lovecraft, que admirava Conan Doyle, teve êxito em criar um mito igualmente popular, vívido e irresistível.</p>
<p>As histórias de Sherlock Holmes giram ao redor de um personagem, enquanto em<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">«A literatura não é atividade adequada a um cavalheiro.»</span> Lovecraft não se encontra nenhum espécime verdadeiramente humano. Naturalmente esta é uma distinção importante, mas não verdadeiramente essencial, comparável à que separa religiões teístas de ateístas. A característica fundamental que as une, seu caráter religioso, é de resto difícil de definir e de se elucidar diretamente.</p>
<p>Outra pequena distinção que pode ser feita – mínima para a história literária, trágica para o indivíduo – é que Conan Doyle teve abundante oportunidade de perceber que estava criando uma mitologia essencial. Lovecraft não. No momento de sua morte ele tinha a clara impressão de que sua obra criativa mergulharia na obscuridade juntamente com ele.</p>
<p>Não obstante, ele já tinha discípulos – mas não que pensasse neles assim. Lovecraft correspondia-se com jovens autores (Bloch, Belknap Long e outros), porém não necessariamente os aconselhava a assumirem a mesma trilha que havia assumido.</p>
<p>Não se apresentava como mestre ou como modelo. Saudava as primeiras aventuras dos principiantes com delicadeza e modéstia exemplares. Era cortês, atencioso e gentil, mostrando-se seu verdadeiro amigo e nunca professor. Absolutamente incapaz de deixar uma carta sem responder, abstendo-se de exigir pagamento quando seu trabalho de revisão literária deixava de ser reembolsado, sistematicamente subestimando sua contribuição a histórias que sem sua intervenção jamais viriam à luz, Lovecraft portou-se como um autêntico cavalheiro ao longo de toda a sua vida.</p>
<p>Ele, naturalmente, gostava da idéia de tornar-se escritor, porém não apegava-se a esse sonho em detrimento de todo o resto. Em 1925, num momento de desânimo, confessava: &#8220;Estou muito perto de tomar a resolução de não escrever mais histórias, mas meramente sonhá-las quando der por bem, jamais rebaixando-me a algo tão vulgar quanto colocar o sonho por escrito em benefício de um público porcino. Cheguei à conclusão de que a literatura não é atividade adequada a um cavalheiro, e que escrever nunca deve ser considerado mais do que um empreendimento elegante ao qual se deve ceder apenas com infrequência e com critério.&#8221;</p>
<p>Felizmente Lovecraft continuou a escrever, e suas melhores histórias foram escritas depois dessa carta. Porém permaneceu até o fim, como gostava ele mesmo de descrever-se, um velho e gentil cavalheiro de Providence. Nunca, jamais, um escritor profissional.</p>
<p>Paradoxalmente, a personalidade de Lovecraft permanece fascinante em parte porque seus valores são tão diametralmente opostos aos nossos. Fundamentalmente racista, abertamente reacionário, Lovecraft glorificava as inibições puritanas e, obviamente, considerava repulsivas todas as &#8220;manifestações eróticas diretas&#8221;. Decididamente anticomercial, desprezava o dinheiro, considerava a democracia uma tolice e o progresso uma ilusão. A palavra &#8220;liberdade&#8221;, tão apreciada pelos americanos, inspirava-lhe apenas uma gargalhada triste e sarcástica. Ao longo de toda vida Lovecraft sustentou uma postura tipicamente aristocrática, desdenhosa com relação à humanidade em geral e extremamente generosa com relação aos indivíduos em particular.</p>
<p>Qualquer que fosse o caso, todos que de alguma forma se relacionavam com Lovecraft como indivíduo sentiram imensa tristeza quando souberam de seu falecimento. Robert Bloch disse que se tivesse sabido do verdadeiro estado da saúde física do amigo teria se arrastado de joelhos até Providence para vê-lo. August Derleth dedicou o restante de sua existência a reunir, compilar e publicar os fragmentos póstumos de seu amigo falecido.</p>
<p>E é graças a Derleth e alguns outros (porém principalmente Derleth) que o corpo da obra de Lovecraft acabou impactando o mundo. Hoje sua obra ergue-se diante de nós como imponente estrutura barroca, seus elevados estratos içando-se em inúmeros círculos concêntricos superimpostos, ostentando cada um largo e suntuoso patamar – sendo que o todo circunda um vértice de horror puro e absoluto assombro. </p>
<p>> O primeiro círculo, o mais exterior, corresponde a sua correspondência e seus poemas. Estes permanecem apenas em parte publicados, e ainda mais parcialmente traduzidos. A correspondência é particularmente vertiginosa: quase 100.000 cartas, algumas das quais chegam a 30 ou 40 páginas. Quando aos poemas, uma estimativa presente da sua quantidade não existe. </p>
<p>> Um segundo círculo conteria as histórias das quais Lovecraft participou – seja as que foram concebidas dede o primeiro momento como colaborações (como as histórias que escreveu com Kenneth Starling e Robert Barlow, por exemplo) ou as demais, cujos autores podem ter se beneficiado das revisões de Lovecraft (há dentro dessa categoria um número extremamente grande de casos; o teor da colaboração de Lovecraft variava, e algumas vezes representava uma reelaboração completa do texto). A essas podemos acrescentar ainda as histórias escritas por Derleth com base nas notas e fragmentos deixados por Lovecraft.</p>
<p>> No terceiro círculo chegamos às histórias escritas na prática por Howard Phillips Lovecraft. Neste caso, naturalmente, cada palavra conta; todas foram publicadas em francês e não devemos esperar que seu número total chegue a aumentar.</p>
<p>> Finalmente, podemos delinear muito distintamente um quarto círculo, o absoluto cerne da mitologia de Lovecraft, que contém aquilo que os mais apaixonados lovecraftianos continuam a chamar, a despeito de si mesmo, de &#8220;grandes textos&#8221;. Devo citá-los pelo prazer puro e simples de fazê-lo, juntamente com a data de sua composição:</p>
<ul>
<li>O chamado de Cthulhu &#8211; <em>The Call of Cthulhu</em> (1926)</li>
<li>A cor que caiu do espaço &#8211; <em>The Colour Out of Space</em> (1927)</li>
<li>O horror de Dunwich &#8211; <em>The Dunwich Horror</em> (1928)</li>
<li>Um sussurro nas trevas &#8211; <em>The Whisperer in Darkness</em> (1930)</li>
<li>Nas montanhas da loucura &#8211; <em>At the Mountains of Madness</em> (1931)</li>
<li>Os sonhos da Casa das Bruxas &#8211; <em>The Dreams in the Witch House</em> (1932)</li>
<li>Uma sombra sobre Innsmouth &#8211; <em>The Shadow Over Innsmouth</em> (1932)</li>
<li>Sombras perdidas no tempo &#8211; <em>The Shadow Out of Time</em> (1934)</li>
</ul>
<p>Além disso, suspensa sobre o castelo da obra de Lovecraft, como uma névoa espessa e instável, paira a insólita sombra de sua própria personalidade.<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">É natural que se erga um culto ao redor de figura que obsequia com tamanhos benefícios.</span> É possível que alguém ache um tanto exagerada, ou mesmo mórbida, a atmosfera de culto construída ao redor de sua pessoa, de seus gestos e atividades e até mesmo do mais insignificante de seus fragmentos escritos. Posso no entanto garantir que essa opinião estará fatalmente destinada a uma revisão depois de um mergulho nos seus &#8220;grandes textos&#8221;. É natural que se erga um culto ao redor de figura que obsequia com tamanhos benefícios.</p>
<p>E foi o que fizeram sucessivas gerações de lovecraftianos. Como sempre acontece, &#8220;o recluso de Providence&#8221; tornou-se agora figura quase tão mítica quando uma de suas criações. E o que é mais surpreendente é que todas as tentativas de desmistificá-lo fracassaram. Nenhum grau de detalhamento biográfico foi capaz de dissipar a aura peculiar de páthos que cerca seu pessoa.</p>
<p>A obra de Lovecraft pode ser comparada a uma ciclópica máquina de sonhos, de alcance e eficácia estarrecedores. Não há nada de tranquilo ou discreto em seus textos. Seu impacto na mente do leitor é selvagemente e assustadoramente brutal, bem como perigosamente vagarosa para dissipar-se. A releitura não produz nenhuma alteração notável nessa impressão, até que acabamos nos perguntando: como ele consegue?</p>
<p>No caso específico de H. P. Lovecraft não há nada de ridículo ou ofensivo nessa pergunta. Na verdade, o que há de distintivo em sua obra em relação a uma obra &#8220;normal&#8221; de literatura é que seus discípulos podem sentir-se capazes, pelo menos em teoria, através do uso judicioso dos mesmos ingredientes indicados pelo mestre, de obter resultados de qualidade comparável ou superior.</p>
<p>Ninguém jamais considerou seriamente a idéia de dar continuidade à obra de Proust, mas a obra de Lovecraft sim. E não se tratam de obras secundárias apresentadas como homenagem, nem tampouco de paródias: representam verdadeira continuação, e portanto caso único na história da literatura contemporânea.</p>
<p>Não apenas isso: o papel de gerador de sonhos assumido por Lovecraft não se limita apenas à literatura. Sua obra, pelo menos na mesma medida em que a de Robert E. Howard (embora de modo menos evidente), tem sido fator preponderante na renascença da ilustração de fantasia. Até mesmo a música rock, normalmente tão suspeitosa de tudo que é literário, fez questão de prestar-lhe homenagem – homenagem, pode-se dizer, prestada de um grande poder a outro, de uma a outra mitologia. Quanto às implicações da obra de Lovecraft nos domínios da arquitetura e do cinema, estas serão imediamente aparentes para o leitor atento. Trata-se da construção de um novo mundo.</p>
<p>Daí a importância dos materiais e das técnicas de construção: a fim de prolongar o impacto.</p>
<p align="right"><small><strong>Michel Houellebecq<br />
</strong><em>H. P. Lovecraft: Against the World, Against Life</small></em></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/o-horror-de-argila/">O horror de argila</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/post-mortem/">Post mortem</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-depoimento-de-randolph-carter/">O depoimento de Randolph Carter</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/a-fraternidade-das-letras/">A fraternidade das letras</a></p>
<div class='series_toc'><h3>Lovecraft contra o tempo</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/o-bloco-amarelo/' title='O bloco amarelo'>O bloco amarelo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/benjamin-franklin-em-1935/' title='Benjamin Franklin em 1935'>Benjamin Franklin em 1935</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/este-cosmos-desolado/' title='Este cosmos desolado'>Este cosmos desolado</a></li><li>Este cosmos desolado, <small>parte 2</small></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Imperdível, imperdoável</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 13:09:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Inteligência e poesia nunca deveriam andar juntas, sob pena de demolirem rancores estabelecidos e despertarem os mais transtornadores afetos do espírito. No que me diz respeito o lançamento mais esperado do ano era Salvos da perfeição &#8211; Mais humanos e mais perto de Deus, de Elienai Cabral Jr., que corre as prateleiras há alguns meses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/salvos.jpg"></p>
<p>Inteligência e poesia nunca deveriam andar juntas, sob pena de demolirem rancores estabelecidos e despertarem os mais transtornadores afetos do espírito.</p>
<p>No que me diz respeito o lançamento mais esperado do ano era <em><strong>Salvos da perfeição</strong> &#8211; Mais humanos e mais perto de Deus</em>, de Elienai Cabral Jr., que corre as prateleiras há alguns meses mas só chegou-me às mãos nesta segunda-feira pela mão do autor. É evidentemente o primeiro livro de que encontro a última capa desde <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/pedir-demais">Uma ortodoxia generosa</a>.</p>
<p>Elienai, tudo o que tenho a dizer é que nenhum outro livro que me ofereça a memória foi capaz de levar-me a lágrimas da mais desconjuntada emoção <em>a cada capítulo</em>. Meus advogados devem entrar em contato com você em breve, propondo um valor que consideramos justo para você me ressarcir deste embaraço.</p>
<p>Salvos da perfeição <a href="http://ultimato.com.br/blogs/salvos_perfeicao/">aqui</a> e em todo lugar.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug048.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://elienaijr.wordpress.com/">Blog do Elienai</a><br />
<a href="http://amarelofosco.wordpress.com/">Alysson Amorim</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Em Seis Passos: O LIVRO</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 22:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[os livros da bacia]]></category>

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		<description><![CDATA[Agora sim: Em 6 passos o que faria Jesus foi lançado em setembro de 2009 pelos impenitentes da Garimpo EditorialSe não encontrar o livro na livraria mais suspeita ou mais próxima, você pode comprá-lo online no sáite da Garimpo. O último capítulo, que deve amarrar todo o conteúdo anterior (para quem acha esse tipo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/livros/6-passos-inedito.png" alt="" /></a></p>
<p><span style="float:left;width:30%;font-family:calibri,arial,serif;font-size:1.3em;font-weight:bold;margin:0px 20px 0px 0px;">Agora sim: <em>Em 6 passos o que faria Jesus</em> foi lançado em setembro de 2009 pelos impenitentes da <a href="http://www.garimpoeditorial.com.br">Garimpo Editorial</a></span>Se não encontrar o livro na livraria mais suspeita ou mais próxima, você pode <a href="http://www.garimpoeditorial.com.br/hotsite_em6passos/index.html">comprá-lo online no sáite da Garimpo</a>.</p>
<p>O último capítulo, que deve amarrar todo o conteúdo anterior (para quem acha esse tipo de coisa necessária), estará disponível apenas na edição em papel; chama-se <em>Além da memória</em> e foi instigado por uma sacada do insubmisso Rondinelly Gomes de Medeiros.</p>
<p>O livro não tem capa, mas com conteúdo tão precário quem precisa dessas definitudes? Partamos sem entraves <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/seis-teaser-b.jpg">para as entranhas</a>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.garimpoeditorial.com.br/hotsite_em6passos/index.html"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/em-6-passos-promo.jpg" title="Em seis passos o que faria Jesus" /></a></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug044.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>Em seis passos que faria Jesus</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/1-viva-a-intolerancia/' title='PRIMEIRO PASSO: Viva a intolerância contra os religiosos'>PRIMEIRO PASSO: Viva a intolerância contra os religiosos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/2-faca-o-que-os-outros-nao-esperam/' title='SEGUNDO PASSO: Faça o que os outros não esperam'>SEGUNDO PASSO: Faça o que os outros não esperam</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/terceiro-passo-desfrute-sem-possuir/' title='TERCEIRO PASSO: Desfrute sem possuir'>TERCEIRO PASSO: Desfrute sem possuir</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/quarto-passo-viva-inteiramente-inserido-no-seu-mundo/' title='QUARTO PASSO: Viva inteiramente inserido no seu mundo'>QUARTO PASSO: Viva inteiramente inserido no seu mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/quinto-passo-permaneca-disponivel-para-o-momento/' title='QUINTO PASSO: Permaneça disponível para o momento'>QUINTO PASSO: Permaneça disponível para o momento</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/sexto-passo-sensualize-a-sua-espiritualidade/' title='SEXTO PASSO: Sensualize a sua espiritualidade'>SEXTO PASSO: Sensualize a sua espiritualidade</a></li><li>Em Seis Passos: O LIVRO</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Uma história</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 09:57:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Contada pelo Tuco da Trilha. Clique para ler.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Contada pelo Tuco <a href="http://atrilha.blogspot.com">da Trilha</a>. Clique para ler.</p>
<p align="center"><a href="http://es.calameo.com/read/000044262810253e69d9d"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/bits/violino-magico.png" title="Clique para ler a história" /></a></p>
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		<title>Bluteau redefine a internet</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 09:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gírias e Falares]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Navegações]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[O formidável dicionário de Raphael Bluteau, escrito entre 1712 e 1728, pode ser agora consultado na íntegra pela internet. Basta visitar esta página dos Instituto de Estudos Brasileiros da USP, e na coluna da esquerda escolher o link Vocabulario Portuguez. Para ler minha recomendação original à obra de Bluteau, clique aqui. Bluteau na internet Bluteau, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O formidável <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/bluteau-o-magnifico">dicionário de Raphael Bluteau</a>, escrito entre 1712 e 1728, pode ser agora consultado na íntegra pela internet. Basta visitar <a href="http://www.ieb.usp.br/online">esta página</a> dos <em>Instituto de Estudos Brasileiros</em> da USP, e na coluna da esquerda escolher o link <em><strong>Vocabulario Portuguez</strong></em>. Para ler minha recomendação original à obra de Bluteau, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/bluteau-o-magnifico">clique aqui</a>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.ieb.usp.br/online"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/bits/bluteau.gif" title="Bluteau, o magnífico" /></a></p>
<p><a href="http://www.ieb.usp.br/online">Bluteau na internet</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/bluteau-o-magnifico/">Bluteau, o magnífico</a></p>
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		<title>Vara de condão</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 09:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil é a terra matriz da natureza e do mundo das fadas, terra da fantasia e da insensatez, da anarquia, da especulação, terra de macacos, frades e mulatos, o estado imperial de um arlequim de traje multicor, que com sua vara de condão transforma ouro em papel, pão em pedra, homens em animais, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil é a terra matriz da natureza e do mundo das fadas, terra da fantasia e da insensatez, da anarquia, da especulação, terra de macacos, frades e mulatos, o estado imperial de um arlequim de traje multicor, que com sua vara de condão transforma ouro em papel, pão em pedra, homens em animais, e que, na velha pantomima <em>Juca, o macaco brasileiro</em>, mostra sua ascendência sobre súditos quadrúpedes.</p>
<p><small><strong>Carl Seidler</strong>, <em>Dez anos no Brasil</em> (1835)</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug041.gif"></p>
<p>O texto integral de <b>Dez anos no Brasil</b> (título original <em>Zehn jahre in Brasilien</em>), saborosa confissão de um mercenário alemão que visitou a terra no início do século XIX e odiou rigorosamente tudo que viu, está disponível na página da série <a href="http://www.senado.gov.br/web/cegraf/conselho/estrangeiros.htm">O Brasil visto por estrangeiros</a> da <a href="http://www2.senado.gov.br/bdsf/">Biblioteca Digital</a> do Senado Brasileiro. O texto está em formato pdf: para ler é preciso ter instalado no seu navegador o <a href="http://www.adobe.com/br/products/acrobat/readstep2.html">Acrobat Reader</a>. A leitura é um pouco truncada, visto que é preciso ler/baixar um capítulo de cada vez. Uma versão mais antiga, mas completa, pode ser subtraída das prateleiras digitais <a href="http://www.archive.org/details/dezanosnobrasil00seiduoft">do armazém archive.org</a>. Se você prefere o cheiro de livro antigo e a sensualidade do papel e da impressão, pode fazer como eu e <a href="http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/busca.cgi?pchave=dez+anos+no+brasil+seidler&#038;tipo=simples&#038;estante=(todas+estantes)&#038;alvo=autor+ou+titulo">comprar um exemplar usado</a>.</p>
<p>Morda-se de inveja, Diogo Mainardi.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/dez-anos-no-brasil.jpg" alt="" /></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li>Vara de condão</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>A cidade e a memória</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 09:02:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Inutilmente, magnanimo Kublai, tenterò di descriverti la città di Zaira dagli alti bastioni. Potrei dirti di quanti gradini sono le vie fatte a scale, di che sesto gli archi dei porticati, di quali lamine di zinco sono ricoperti i tetti; ma so già che sarebbe come non dirti nulla. Non di questo è fatta la [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Inutilmente, magnanimo Kublai, tenterò di descriverti la città di Zaira dagli alti bastioni. Potrei dirti di quanti gradini sono le vie fatte a scale, di che sesto gli archi dei porticati, di quali lamine di zinco sono ricoperti i tetti; ma so già che sarebbe come non dirti nulla. Non di questo è fatta la città, ma di relazioni tra le misure del suo spazio e gli avvenimenti del suo passato: la distanza dal suolo d&#8217;un lampione e i piedi penzolanti d&#8217;un usurpatore impiccato; il filo teso dal lampione alla ringhiera di fronte e i festoni che impavesano il percorso del corteo nuziale della regina; l&#8217;altezza di quella ringhiera e il salto dell&#8217;adultero che la scavalca all&#8217;alba; l&#8217;inclinazione d&#8217;una grondaia e l&#8217;incedervi d&#8217;un gatto che si infila nella stessa finestra; la linea di tiro della nave cannoniera apparsa all&#8217;improvviso dietro il capo e la bomba che distrugge la grondaia; gli strappi delle reti da pesca e i tre vecchi che seduti sul molo a rammendare le reti si raccontano per la centesima volta la storia della cannoniera dell&#8217;usurpatore, che si dice fosse un figlio adulterino della regina, abbandonato in fasce lì sul molo.</p>
<p>Di quest&#8217;onda che rifluisce dai ricordi la città s&#8217;imbeve come una spugna e si dilata. Una descrizione di Zaira quale è oggi dovrebbe contenere tutto il passato di Zaira. Ma la città non dice il suo passato, lo contiene come le linee d&#8217;una mano, scritto negli spigoli delle vie, nelle griglie delle finestre, negli scorrimano delle scale, nelle antenne dei parafulmini, nelle aste delle bandiere, ogni segmento rigato a sua volta di graffi, seghettature, intagli, svirgole.</p>
<p align="right"><small><strong>Italo Calvino</strong>,</small> <span style="font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps">Le Città Invisibili</span></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug071.gif"></p>
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		<title>Pedir demais</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2007/pedir-demais/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=pedir-demais</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Nov 2007 08:21:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[jesus]]></category>

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		<description><![CDATA[Deve fazer pelo menos cinco anos que não vejo a última página de um livro. Na verdade, grande parte dos livros na minha mesa de cabeceira comecei a ler bem antes disso, e permanecem aguardando pacientemente pela atenção que não sei quando vou dar. Deve significar alguma coisa, portanto, que terminei em dois dias a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://editorapalavra.com.br/ortodoxia"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2007/ortodoxia-generosa.jpg" title="Uma Ortodoxia Generosa"/></a></p>
<p>Deve fazer pelo menos cinco anos que não vejo a última página de um livro. Na verdade, grande parte dos livros na minha <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/mesinhadecabeceiromancia">mesa de cabeceira</a> comecei a ler bem antes disso, e permanecem aguardando pacientemente pela atenção que não sei quando vou dar.</p>
<p>Deve significar alguma coisa, portanto, que terminei em dois dias a leitura de <em>Uma Ortodoxia Generosa</em> do líder emergente Brian McLaren, publicado no Brasil pela editora Palavra.</p>
<p>Mais generosa do que eu jamais seria ou recomendaria ser, <a href="http://editorapalavra.com.br/ortodoxia">Uma Ortodoxia Generosa</a> é porém perfeitamente ortododoxa em sua heterodoxia. Basta verificar o efeito acumulado dos títulos de alguns capítulos: Por que sou evangélico, Por que sou pós-protestante, Por que sou bíblico, Por que sou liberal/conservador, Por que sou fundamentalista/calvinista, Por que sou metodista, Por que sou católico, Por que sou verde, Por que sou depressivo-mas-esperançoso, Por que sou emergente, Por que sou não-acabado.</p>
<p>Dito de outra forma, Por que você deve ler este livro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p>Estou cada vez mais convencido de que Jesus não veio começar outra religião ou competir no mercado religioso. Creio que ele veio extinguir o padrão de competitividade religiosa (que Paulo chamou de &#8220;lei&#8221;) ao cumpri-lo.</p>
<p>À luz disso, embora eu não espere que todos os budistas se tornem cristãos (culturais), espero que todos que se sintam chamados se tornem budistas seguidores de Jesus; creio que eles deveriam ter essa oportunidade e receber esse convite. Não espero que todos os judeus ou hindus se tornem membros da religião cristã. Mas espero que todos os que se sentirem chamados se tornem judeus ou hindus seguidores de Jesus.</p>
<p>Finalmente, espero que Jesus salve o budismo, o islamismo e todas as outras religiões, incluindo a religião cristã, que na maioria das vezes parece carecer tanto de salvação quanto qualquer outra religião. (Nesse contexto, desejo que todos os cristãos se tornem seguidores de Jesus, mas talvez seja pedir demais).</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O segredo do sucesso</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jul 2007 09:32:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé e Crença]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[teologia narrativa]]></category>

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		<description><![CDATA[Já li mais livros sobre&#160;técnicas de administração,&#160;gerenciamento de pessoas e&#160;sucesso corporativo do que meu estômago pode suportar impunemente; cheguei, perdoem-me os céus, a traduzir alguns. No meio&#160;desse lodaçal de mediocridade e redundância&#160;a exceção mais brilhante&#160;permanece sendo&#160;(não julgue o livro pela capa &#8211; ou pelo título) Consultoria -&#160;O Segredo do Sucesso, de Gerald M. Weinberg&#160;(The Secrets [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já li mais livros sobre&nbsp;técnicas de administração,&nbsp;gerenciamento de pessoas e&nbsp;sucesso corporativo do que meu estômago pode suportar impunemente; cheguei, perdoem-me os céus, a traduzir alguns. No meio&nbsp;desse lodaçal de mediocridade e redundância&nbsp;a exceção mais brilhante&nbsp;permanece sendo&nbsp;(não julgue o livro pela capa &#8211; ou pelo título) <strong>Consultoria -&nbsp;O Segredo do Sucesso</strong><em>,</em> de Gerald M. Weinberg<em>&nbsp;</em>(<em>The Secrets of Consulting, </em>publicado no Brasil pela <em>McGraw Hill </em>em&nbsp;1990, esgotado).</p>
<p>Weinberg é um cara peculiar. Consultor de tecnologia da informação, sua curiosa especialidade (se é que posso atribuir-lhe essa falha; a especialização é <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-infortunio-da-especializacao">sempre uma desvantagem</a>, particularmente num consultor) é a <strong>psicologia</strong> e a <strong>antropologia</strong> do <strong>desenvolvimento de software</strong>. Mais recentemente Weinberg&nbsp;abandonou a estante de não-ficção e começou a escrever histórias de ficção científica, argumentando que a narrativa é a forma mais poderosa de comunicação e de transformação entre seres humanos.</p>
<p>Como descrever o estilo do sujeito? Fluente? Bem-humorado? Xamânico? Tangencial? O subtítulo original de <em>O Segredo do Sucesso&nbsp;</em>explica um pouco melhor a pegada universal do estilo de Weinberg:&nbsp;<em>Um guia para se dar e se receber conselhos de forma bem sucedida. </em></p>
<p>Consultor é o improvável&nbsp;profissional que recebe dinheiro para dar conselhos a empresas. À primeira vista, pode parecer que o segredo do sucesso&nbsp;do consultor está em ser capaz de [1] diagnosticar com acerto a condição de uma instituição e [2] delinear as recomendações adequadas para reverter ou aprimorar essa situação. Segundo Weiberg, essa é <em>a parte fácil.&nbsp;</em>Difícil mesmo, e particularmente arriscado para a reputação do consultor, é [3] fazer com que a empresa implemente as mudanças que você afirma que são necessárias.</p>
<h5>Certifique-se de cobrar o bastante para que coloquem em prática as suas recomendações.</h5>
<p>Uma das regras essencias da consultoria segundo Weinberg é, portanto &#8220;certifique-se de cobrar o bastante [como consultor] para que [aqueles que estão contratando você]&nbsp;coloquem em prática as suas recomendações&#8221;. Caso contrário, se o serviço do consultor não parecer &#8220;caro o bastante&#8221; para aqueles que o estão contratando, esses poderão sentir-se tentados a não levar a sério as sugestões dele &#8211; pelo menos não ao ponto de fazerem o esforço final&nbsp;de colocarem-nas em prática.</p>
<p>Ser barato demais é, portanto, pecado mortal para a reputação e para a eficácia de um consultor. Ele corre o risco de não ver implantadas as soluções que sabe necessárias. Quando estiver vendendo conselhos portando, vale a regra: na dúvida,&nbsp;cobre mais caro.</p>
<h5>* * *</h5>
<p>Nisso está, naturalmente, o <strike>mecanismo</strike> <u>segredo</u> do sucesso das religiões&nbsp;que aliam promessas atraentes a&nbsp;regras rígidas, padrões exigentes de comportamento e rituais elaborados e repetitivos. Quanto maior for o <strong>preço comportamental</strong> exigido pela religião, maior é a probabilidade de que o cultuante sinta-se inclinado a <strong>acreditar nas suas sugestões</strong>.</p>
<p>Quando for inventar uma religião, portanto, certifique-se de cobrar o bastante para que as pessoas que estão pagando em&nbsp;renúncias pessoais e ofertas&nbsp;monetárias acreditem nos conselhos que você está dando.</p>
<p>Aqui reside, obviamente,&nbsp;a&nbsp;falha&nbsp;fundamental no planejamento de&nbsp;marketing do cristianismo: o fato de estar fundamentado <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-estranha-tese-de-um-judeu-errante-que-nao-errou-uma">na graça</a> &#8211; ou seja,&nbsp;em preço nenhum. Como Jesus não cobra nada, ninguém sente-se nem de perto tentado a levar a sério o que ele diz &#8211; quanto mais <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/1-viva-a-intolerancia">colocá-lo em prática</a>. O barato sai caro, porque ninguém quer comprar.</p>
<p>Melhor seria para os cristãos, antes que nos vejamos obrigados a fechar a porta da lojinha, contratar um consultor que nos ensine a vender por bom preço o que Jesus está oferecendo de graça. Afinal de contas, será com a melhor das boas intenções: Jesus terá os convertidos que quer, o crente será poupado da liberdade que não quer e nós idealizadores desfrutaremos apenas da recompensa pecuniária pela nobreza dos&nbsp;nossos esforços.</p>
<p>Todo mundo sairá ganhando &#8211; se isso não é graça, não sei dizer o que é.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug021.gif"> </p>
<p align="left"><a href="http://www.geraldmweinberg.com/">geraldmweinberg.com</a></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/por-que-as-religioes-rigidas-prosperam/">Porque as religiões rígidas prosperam</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Joseph Campbell e o monomito</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jun 2007 09:12:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Pense comigo]]></category>
		<category><![CDATA[joseph campbell]]></category>
		<category><![CDATA[mito]]></category>

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		<description><![CDATA[Devidamente iluminado por Carl Jung, o antropólogo Joseph Campbell enxergou um dia o que tinha passado despercebido por incontáveis gerações de seres humanos: que todo os mitos e todas as lendas e todos os épicos e todas as narrativas sagradas de todas as culturas da humanidade contam essencialmente uma mesma história.&#160;Intuiu, maravilhado,&#160;que todas as narrativas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Devidamente iluminado por Carl Jung, o antropólogo Joseph Campbell enxergou um dia o que tinha passado despercebido por incontáveis gerações de seres humanos: que todo os mitos e todas as lendas e todos os épicos e todas as narrativas sagradas de todas as culturas da humanidade contam essencialmente uma mesma história.&nbsp;Intuiu, maravilhado,&nbsp;que todas as narrativas com peso universal, de Adão a Homer Simpson, passando por Dom Quixote, o Homem-Aranha, Abraão, Dante,&nbsp;Darth Vader, Buda, Frodo, Jesus, Gandhi, Osíris, Harry Potter, João Grilo, Enéas, Hamlet&nbsp;e os formidáveis protagonistas de <em>Gladiador </em>e <em>O Sexto Sentido,</em> descrevem incessantemente a mesma trajetória primordial do mesmo herói primordial &#8211; figura que esconde-se por trás de diferentes máscaras mas&nbsp;aponta na eternidade para uma mesma verdade espiritual: a nossa.<br />
<blockquote>
<p>Quer escutemos a arenga de um feiticeiro do Congo ou leiamos&nbsp;a tradução de um soneto místico de Lao-Tsé; quer decifremos o sentido de um argumento de São Tomas de Aquino ou entendamos o sentido de um conto de fadas esquimó, é sempre com a mesma história que nos deparamos.</p>
</blockquote>
<p>Campbell (1904-1987) dedicou a vida a descrever a trajetória desse vertiginoso&nbsp;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monomito">monomito</a> (&#8220;mito único&#8221;, neologismo que emprestou de James Joyce) e registrar suas pegadas nas lendas de todas as culturas:
<ol>
<li>um chamado à aventura, que o herói pode aceitar ou declinar;
<li>um trajeto de provas, nas quais o herói pode ser bem-sucedido ou falhar;
<li>a conquista do objetivo&nbsp;ou&nbsp;obtenção&nbsp;do &#8220;elixir&#8221;,&nbsp;momento que com freqüência resulta numa importante auto-descoberta;
<li>trajeto de volta ao mundo da experiência comum, percurso no qual novamente o herói pode ser bem-sucedido ou falhar;
<li>aplicação do elixir, no qual aquilo que o herói conquistou pode ser usado para melhorar o mundo.</li>
</ol>
<blockquote><p>Um herói vindo do mundo cotidiano se aventura numa região de prodígios sobrenaturais; ali encontra fabulosas forças e obtém uma vitória decisiva; o herói retorna de sua misteriosa aventura com o poder de trazer benefícios a seus semelhantes.</p>
</blockquote>
<p>Para Campbell, havia&nbsp;um excelente motivo por trás da onipresença do monomito e da <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/o-fortuna">universal paixão humana</a>&nbsp;pelas narrativas heróicas: a trajetória do herói das lendas reflete em idioma coletivo os desafios, as armadilhas e as possíveis recompensas do desenvolvimento psíquico de cada ser humano. Freud concluíra que os sonhos&nbsp;trazem&nbsp;revelações essenciais sobre&nbsp;a trajetória da psique e valiosas pistas para o seu avanço; Jung e Campbell concluíram que os mitos são os <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/as-sementes-douradas-nao-perecem">sonhos coletivos</a> da humanidade, e descrevem o arco completo da inocência à maturidade/auto-descoberta.<br />
<blockquote>
<p>A função primária da mitologia e dos ritos sempre foi a de fornecer os símbolos que levam o espírito humano a avançar, opondo-se àquelas fantasias humanas constantes que tendem a levá-lo para trás. Com efeito, pode ser que a incidência tão grande de neuroses no nosso meio decorra do declínio, entre nós, desse auxiliar espiritual efetivo. Mantemo-nos ligados às imagens não exorcizadas de nossa infância, razão pela qual não nos inclinamos a fazer as passagens necessárias para a vida adulta.</p>
</blockquote>
<p>A jornada <em>externa</em> do herói reflete, naturalmente, a viagem <em>interior</em> do indivíduo rumo &#8211; se tudo der certo -&nbsp;à maturidade espiritual. O terreno de perigos, trevas e armadilhas em que o herói é forçado a penetrar são as regiões ameaçadoras e desconhecidas do inconsciente. Os ajudantes e objetos mágicos&nbsp;que ele encontra pelo caminho representam nossos próprios recursos interiores, que nem imaginávamos que estavam lá. O inimigo que o herói precisa matar para sobreviver e salvar o mundo (e essa é a reviravolta inevitável de todas as histórias) somos&nbsp;sempre nós mesmos; na narrativa do herói&nbsp;o momento da vitória é o preciso momento da sua morte: o momento&nbsp;da auto-descoberta (o inimigo sou eu), da morte do ego&nbsp;e da passagem para a maturidade com o elixir da vida eterna. O herói que recusa-se a morrer recusa-se a crescer; recusa-se a ressuscitar e, por ser incapaz de conhecer e ajudar a si mesmo, é incapaz de conhecer e ajudar os outros.</p>
<h5>O herói que recusa-se a morrer recusa-se a crescer.</h5>
<p>Em&nbsp;seu assombroso <em>O Herói de Mil Faces</em> Campbell convida o leitor a refazer, como Teseu na ilha de Minos com a ajuda do fio de Ariadne, o trajeto labirinto adentro (e quem sabe afora) pelos motivos universais que demarcam a&nbsp;trajetória do herói. &#8220;Nem sequer teremos de correr os riscos da aventura sozinhos&#8221;, esclarece Campbell, &#8220;pois os heróis de todos os tempos nos procederam; o labirinto é totalmente conhecido. Temos apenas de seguir o fio da trilha do herói. E ali onde pensávamos encontrar uma abominação, encontraremos uma divindade; onde pensávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos; onde pensávamos viajar para o exterior, atingiremos o centro da nossa própria existência; e onde pensávamos estar sozinhos, estaremos com o mundo inteiro.&#8221;</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug027.gif"> </p>
<p>Leia também:</p>
<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/mito-e-metafora">Mito e metáfora</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/os-outros">Os outros</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/3-maneiras-de-reconciliar-se-com-o-universo">3 maneiras de reconciliar-se com o universo</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/o-trabalho-da-nemesis">O trabalho da Nêmesis</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/as-sementes-douradas-nao-perecem">As sementes douradas não perecem</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/o-homem-universal">O homem universal</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-heroi-e-a-tentacao">O herói e a tentação</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/pala-pantir-e-o-mar-de-bal-perthez">Pala-Pantír e o Mar de Bal-Perthez</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/sesulis">Sesulis</a></p>
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		<title>POST MORTEM</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2006 10:52:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[horror]]></category>
		<category><![CDATA[lovecraft]]></category>

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		<description><![CDATA[à minha transcrição do depoimento de Randolph Carter. Em primeiro lugar, a advertência: nenhum lugar é mais apropriado a H. P. Lovecraft do que o papel, e este de preferência trancafiado entre as capas de um livro cheirando a mofo e a suor de mãos estranhas e preferencialmente estrangeiras. Outra advertência: embora mereçam talvez a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>à minha transcrição do <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-depoimento-de-randolph-carter">depoimento de Randolph Carter</a>.</p>
<p>Em primeiro lugar, a advertência: nenhum lugar é mais apropriado a H. P. Lovecraft do que o papel, e este de preferência trancafiado entre as capas de um livro cheirando a mofo e a suor de mãos estranhas e preferencialmente estrangeiras.</p>
<p>Outra advertência: embora mereçam talvez a classificação marginal de &#8220;contos de horror&#8221;, estão ausentes das obras de Lovecraft todas as convenções que você aprendeu a associar ao gênero. Você não encontrará aqui zumbis, lobisomens, vampiros, esqueletos atrás da porta do armário, fantasmas, possessões demoníacas ou absolutamente qualquer forma de horror <em>sobrenatural</em>. Lovecraft acreditava que o medo que essas entidades podiam conjurar havia sido esgotado pela mentalidade científica e pela desconfiança moderna diante do sobrenatural.</p>
<p>Ele substituiu essas coisas por, digamos, <em>conteúdo original</em>. Trocou o horror sobrenatural convencional pelo que ele chamava, apropriadamente, de &#8220;horror cósmico&#8221; &#8211; um horror que é ao mesmo tempo uma espécie de solidão e uma fatalidade e uma piada e perfeitamente plausível e (em particular) muito mais velho do que a humanidade.</p>
<p>Dito isto, e como as obras de Lovecraft estão esgotadas em português, posso ser forçado a revelar um terrível segredo: há determinado lugar na internet onde os contos de Lovecraft foram depositados há milhões de anos, e ali aguardam com paciência eterna (como aqueles casulos dos filmes da série <em>Alien</em>) serem colhidos diretamente para a área de trabalho do seu computador.</p>
<p>Se você cometer a transgressão de colocar os pés nessa cripta de horror primal, não deixe &#8211; absolutamente não deixe &#8211; de começar por <em>Um sussurro nas trevas;</em> siga diretamente para <em>A cor que caiu do céu</em> e, caso lhe reste sanidade, penetre os corredores atordoantemente singulares de <em>Nas montanhas da loucura</em>. Depois disso qualquer trajeto será igualmente imprudente, desde que inclua necessariamente:</p>
<p><em>O chamado de Cthulhu<br />Os sonhos da casa assombrada<br />A casa abandonada</em></p>
<p>Ali você encontrará ainda outra tradução de <em>O Depoimento de Randolph Carter,</em> muitas vezes mais ressonante do que a minha. Dos melhores contos de Lovecraft, a ausência mais notável aqui é a de <em>Sombras perdidas no tempo</em>.</p>
<p>Ainda mais do que a originalidade do seu conteúdo, o que mais aprecio em Lovecraft é a <em>tonalidade</em> peculiar da sua narração, que às vezes me parece mais universal e literária do que a do próprio Borges. Lovecraft está para nos fazer revelações terríveis, mas não abre mão da cadência, da pomposa lucidez e da austeridade. Seu texto é invariavelmente classudo. Os primeiros parágrafos de <em>Um sussurro nas trevas:</em></p>
<blockquote><p>Faço questão de dizer que não me vi diante de qualquer horror concreto no final das contas. Dizer que um choque mental foi a causa do que inferi &#8211; a gota d&#8217;água que me fez fugir em disparada da solitária fazenda de Akeley, pelos morros em meia-lua de Vermont, num veículo de que lancei mão sem cerimônia &#8211; equivale a ignorar os fatos mais simples da minha experiência final. Não obstante a enormidade das coisas que vi e escutei, e apesar da confessada nitidez da impressão que tais coisas produziram em mim, mesmo agora não posso provar se eu estava certo ou errado em minha terrível inferência. Afinal de contas, o desaparecimento de Akeley nada prova. Não se encontrou nada de estranho em sua casa, apesar das marcas de balas por dentro e por fora. Era como se ele houvesse saído casualmente para um passeio pelas colinas e não voltasse. Não havia sequer sinais de um hóspede ou de que aqueles horríveis cilindros e máquinas tivessem ficado guardados no seu estúdio. Por outro lado, nada significa também o fato de que ele temesse mortalmente as inúmeras colinas verdes e os regatos intermináveis entre os quais nascera e se criara, pois milhares de pessoas estão sujeitas a esses mesmos receios mórbidos. A excentricidade, ademais, poderia facilmente explicar os atos estranhos e as apreensões esquisitas que ele vinha demonstrando ultimamente.
</p></blockquote>
<blockquote><p>No que me diz respeito, tudo começou com as inundações que assolaram Vermont a 3 de fevereiro de 1927 [...]</p></blockquote>
<p>De <em>Nas montanhas da loucura:</em></p>
<blockquote><p>
Sou forçado a falar, uma vez que homens de ciência recusaram-se a seguir meu conselho, sem saberem por quê. É muito a contragosto que descrevo as razões pelas quais me oponho a essa pretendida invasão da Antártica &#8211; que há de ser acompanhada de generalizada caça a fósseis e indiscriminada perfuração e descongelamento das antigas calotas glaciais. E reluto tanto mais quanto talvez minha advertência caia em ouvidos moucos.</p>
<p>É inevitável que se ponham em dúvida os fatos reais, tal como devo revelá-los. No entanto, se eu calasse o que pode parecer bizarro e inacreditável nada restaria. As fotografias até aqui escamoteadas, tanto ordinárias quanto aéreas, contarão em meu favor, porquanto são funestamente vívidas e convincentes. Ainda assim, serão postas em dúvida devido ao elevado grau a que se pode levar uma hábil contrafação. Os desenhos a tinta serão, naturalmente, objeto de zombaria, serão tachados de embustes grosseiros, não obstante uma singularidade técnica que deveria causar perplexidade aos conhecedores da arte.</p>
<p>Ao cabo, terei de confiar na judiciosidade e na reputação dos poucos próceres científicos que têm, por um lado, suficiente independência intelectual para avaliar minhas informações com base em seus próprios méritos, medonhamente concludentes, ou à luz de certos ciclos míticos primevos e extremamente enigmáticos; e, por outro lado, influência bastante para impedir que os meios científicos em geral se aventurem a qualquer programa temerário ou exageradamente ambicioso na região daquelas montanhas de loucura. É lamentável que homens relativamente obscuros, como eu e meus colegas, ligados apenas a uma pequena universidade, tenhamos poucas possibilidades de causar impressão duradoura no que tange a assuntos de natureza extravagantemente demente ou em alto grau polêmica.</p>
<p>Labora ademais contra nós o fato de não sermos, em sentido rigoroso, especialistas nos campos em que se situam basicamente as revelações que farei. Na qualidade de geólogo, meu intuito ao dirigir a Expedição da Universidade de Miskatonic consistia inteiramente em coletar amostras de rochas e solo, a grande profundidade, em várias partes do continente antártico, auxiliado pela extraordinária perfuratriz projetada pelo professor Frank H. Pabodie [...]</p></blockquote>
<p>Sem mais para o momento, deixo-os com</p>
<p><a href="http://www.sitelovecraft.com/ficcao.html">Os contos de H. P. Lovecraft em português</a>, cortesia do <a href="http://br.groups.yahoo.com/group/cultolovecraftiano">Yahoo E-Group Culto Lovecraftiano</a>.</p>
<p>Os arquivos estão em formato PDF (compactados em zip) e requerem o Acrobat Reader.</p>
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		<title>A heresia secreta</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2006 09:51:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Homens e Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Há bons bestsellers e maus bestsellers. O Código Da Vinci, de Dan Brown, é um bom bestseller: fácil de consumir mas não de descartar, pretensioso mas levíssimo, marcado por um ritmo impecável, alguma sofisticação de estilo, abordando um tema pseudo-erudito ao mesmo tempo em que evita as armadilhas mais fáceis do pedantismo. Não há como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há bons bestsellers e maus bestsellers. <em>O Código Da Vinci</em>, de Dan Brown, é um bom bestseller: fácil de consumir mas não de descartar, pretensioso mas levíssimo, marcado por um ritmo impecável, alguma sofisticação de estilo, abordando um tema pseudo-erudito ao mesmo tempo em que evita as armadilhas mais fáceis do pedantismo. Não há como deixar de admirar a esperteza do escritor, que requentou idéias que circulavam há muito tempo e amarrou-as num pacote cuja atração &#8211; sobre mim, pelo menos &#8211; é irresistível enquanto dura.</p>
<p>Está certo que, estruturalmente, <em>O Código</em> é uma única cena de perseguição estendida por cem capítulos. Está certo que os personagens são estereotípicos, a caracterização nenhuma, as probabilidades forçadas, a geografia incorreta, a teologia conspiratória, a acuracidade histórica risível, os procedimentos policiais, aéreos, alfandegários e judiciais absurdamente inexatos. Mérito maior do autor, cuja habilidade faz o leitor mais cético (este sou eu) passar por cima de tudo isso [quase] todo o tempo, deixando ainda um sabor agridoce de apressada originalidade. Não importa o que se pense do resultado, trata-se de um sujeito que fez bem o que propôs-se a fazer.</p>
<p><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/bits/davinci_code.jpg" class="left" />Ainda mais vantajosa para o sucesso do <em>Código</em> foi a miríade de livros que surgiu na sua cola para refutá-lo. Tratam-se, veja bem, de esforços para refutar <em>uma obra de ficção</em> &#8211; não creio que algo parecido tenha acontecido, em grau significativo, em qualquer outro momento da história. </p>
<p>A indignação contra as baboseiras históricas contidas no livro é de certa forma justificada; afinal de contas, algum leitor desavisado do <em>Código</em> pode de fato acreditar que, na teologia primitiva dos judeus, Deus de fato mantinha relações sexuais com sua esposa, a Shekiná. Essa é apenas uma das &#8220;informações&#8221; do livro que, embora não sobreviva ao exame histórico mais superficial, pode acabar passando por verdade. Funciona para manter a história andando, mas aqui, fora do livro, posso garantir que o Deus da Bíblia  &#8211; para eterno constrangimento de seus concorrentes &#8211; não tem e nunca teve vida sexual. A <em>shekiná</em> é sua glória, seu esplendor, um de seus atributos &#8211; e o menos informado dos hereges não ousaria interpretá-la como sendo sua consorte.</p>
<p>O livro está correto quando defende a tese de que o Deus dos judeus (e por tabela o dos cristãos e muçulmanos) esforça-se consistentemente para dissociar sexo de adoração, ao contrário do que fazem inúmeras religiões antigas e contemporâneas. Segundo o <em>Código</em>, o motivo dessa dissociação com o sexo é que o Deus cristão é uma aberração machista criada artificialmente para diminuir a importância do papel da mulher na sociedade e no culto. O motivo, na verdade, é menos romântico e mais pessoal: nas religiões que promovem ritos de fertilidade (como por exemplo as promíscuas religiões de Canaã, que a Torá não se cansa de condenar), o sexo ritual é usado como meio de manipulação da divindade. Os ritos sexuais servem como modo de extorquir fertilidade e prosperidade dos deuses associados a elas &#8211; e um traço fundamental do caráter do Deus de Abraão, Isaque e Jacó é que ele <em>não se deixa extorquir.</em> Deus <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-estranha-tese-de-um-judeu-errante-que-nao-errou-uma/">não faz barganhas</a>, e não quer que seu povo recorra ou acredite que qualquer esforço humano possa garantir o favor espiritual da divindade. Pelo mesmo motivo Deus baniu da vida de Israel qualquer associação com a magia e a mediunidade.</p>
<p><span id="more-734"></span></p>
<h5>O oposto é verdadeiro: nenhum fator na história da civilização ocidental serviu para reverter a condição secundária da mulher mais do que o ensino e o exemplo de Jesus e seus seguidores imediatos.</h5>
</p>
<p>Historicamente, o cristianismo institucional acabou de fato demonizando o sexo &#8211; coisa que o judaísmo nunca fez, &#8211; mas não pelos motivos expostos no livro (ou na Bíblia). Também, ao contrário do que sugere o texto do <em>Código</em>, o cristianismo não foi usado desde o início como ferramenta de opressão contra as mulheres. O oposto é verdadeiro: nenhum fator na história da civilização ocidental serviu para reverter a condição secundária da mulher mais do que o ensino e o exemplo de Jesus e seus seguidores imediatos &#8211; incluindo Paulo, que ousou proclamar há dois mil anos que <em>em Jesus</em> não há qualquer distinção entre homem e mulher. Sua proclamação permanece, na prática, herética para muitos cristãos dos nossos dias.</p>
<p>No que me diz respeito, no entanto, o mais interessante a respeito do <em>Código</em> é que a premissa central do livro, a proposição secreta da qual depende todo o conflito da narrativa, é menos herética do que poderia parecer.</p>
<p>Em <em>O Código Da Vinci</em>, o segredo que pode &#8220;ameaçar todos os fundamentos da Igreja cristã&#8221;, o terrível segredo escondido por Leonardo no quadro <em>A Última Ceia</em> e por uma milenar sociedade secreta cujos esforços estendem-se da ordem dos templários a Jean Cocteau, é que, contrário do que dão a entender os evangelhos, Jesus na verdade <em>foi casado</em> &#8211; e com Maria Madalena, dando origem a uma linhagem real cujos herdeiros sobrevivem até nossos dias.</p>
<p>(A propósito, se você ainda não leu <em>O Código Da Vinci</em>, não leia o parágrafo anterior.)</p>
<p>O autor e os personagens do livro parecem acreditar que um Jesus que fosse humano ao ponto de ter se casado &#8211; e com filhos! &#8211; ameaçaria toda a teologia cristã, especialmente a idéia da divindade de Jesus. Embora com toda a probabilidade Jesus não chegou a se casar (muito menos a ter filhos), esse enlace hipotético em nada prejudicaria a sua imagem, sua obra ou seus atributos. </p>
<h5>Esse enlace hipotético em nada prejudicaria a sua imagem.</h5>
</p>
<p>Parte do problema está em que essa premissa está baseada em outra noção fantasiosa defendida pelo livro: a idéia de que durante três séculos, até a intervenção do imperador Constantino, Jesus teria sido visto pelos seus seguidores como figura admirável mas inteiramente humana, desprovida de qualquer reivindicação à divindade. Uma conspiração liderada por Constantino teria forçado goela abaixo do cristianismo a estranha novidade, a idéia de um Jesus divino &#8211; que, portanto, não se rebaixaria a ninharias como o casamento.</p>
<p>Mais uma vez, o oposto é que é verdadeiro. Desde os primeiros momentos do cristianismo e entre todas as suas facções, o único ponto teológico inquestionável era a divindade de Jesus. Historicamente, muito mais problemático e controverso foi defender &#8211; e, para alguns, eventualmente provar &#8211; que ele era ainda, mas não contraditoriamente, integralmente humano. A noção de um Jesus homem era tão controversa e inverossímil que heresias inteiras foram elaboradas para contornar o constrangimento que isso implicaria. Para evitar a abominável (para alguns) noção de um Deus que se rebaixasse às mais sórdidas experiências da condição humana, como a tortura e a morte, os primeiros hereges propuseram que a <em>humanidade</em> de Jesus é que era ilusória &#8211; já que sua divindade era desde o princípio ponto pacífico.</p>
<p>Paradoxalmente, então, se Jesus tivesse casado e tido filhos a questão inicialmente controversa da sua humanidade teria sido mais fácil de defender &#8211; o que reverte por completo as premissas e as conclusões do suspense de Dan Brown.</p>
<p>Por outro lado, o sucesso de um livro como <em>O Código Da Vinci</em> só é concebível porque vivemos atualmente na situação cultural oposta: ao contrário do que aconteceu durante a maior parte da história, o que nos constrange hoje em dia é a <em>divindade</em> de Jesus, não a sua humanidade. Um Jesus integralmente humano (o que, no nosso vocabulário, quer dizer um Jesus sem qualquer pretensão à divindade) nos parece mais palatável e mais conectado com o espírito da modernidade &#8211; para não dizer mais verossímil.</p>
<p>A heresia de <em>O Código da Vinci</em> não está em defender um Jesus humano, mas um inofensivo &#8211; um sujeito bem intencionado mas que teve o bom senso de não ignorar os jogos de poder, escolhendo a consorte estratégica para inaugurar uma linhagem real. Esse Jesus é que é, na verdade, criado à nossa imagem e semelhança. Do ser humano indomável que dizia <em>quem vê a mim vê ao Pai</em> e defendia idéias impopulares como <em>meu reino não é deste mundo</em> e <em>bem-aventurados os pobres</em>, não queremos ler livro nenhum.</p>
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		<title>Cristão apesar da igreja</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2004 09:21:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fé e Crença]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>

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<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/almasobrevivente.jpg" title="Alma Sobrevivente" alt="Alma Sobrevivente" width="200" height="289" /></a></p>
<p>Há alguns meses fiquei chateado com um escritor que me intriga bastante, Philip Yancey, porque fiquei sabendo que ele se adiantou em escrever um livro que eu gostaria de ter escrito. O livro <em>Soul Survivor: How My Faith Survived the Church</em> acaba de ser lançado em português pela Editora Mundo Cristão, sob o título <strong>Alma Sobrevivente &#8211; Sou cristão apesar da Igreja</strong>. Recomendado irrestritamente para quem fica matutando sobre a distância entre as ênfases da igreja institucional e a originalidade do ensino de Jesus.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug008.gif" alt="" width="85" height="72" /></p>
<p>Leia também:<br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=516">Desventuras em série</a></p>
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