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	<title>A Bacia das Almas &#187; Recomendações</title>
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	<description>Onde as ideias não descansam</description>
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		<title>O caminho da natureza e o caminho da graça</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 11:28:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
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		<description><![CDATA[A propósito, se não tenho coragem de recomendar descaradamente o filme Árvore da vida, de Terrence Malick, é porque às vezes tenho vergonha de quanto descaradamente cristão o filme é, e queria poder evitar esse proselitismo. Mas não se iluda: trata-se de uma obra imensa, luminosa e generosa, ao mesmo tempo ambiciosíssima e tremendamente singela. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A propósito, se não tenho coragem de recomendar descaradamente o filme <em>Árvore da vida</em>, de Terrence Malick, é porque às vezes tenho vergonha de quanto descaradamente cristão o filme é, e queria poder evitar esse proselitismo. Mas não se iluda: trata-se de uma obra imensa, luminosa e generosa, ao mesmo tempo ambiciosíssima e tremendamente singela. <em>Árvore da vida</em> é um filme do Espírito e um filme de Jesus em todos os sentidos, inclusive no que a coisa pode ter de mais constrangedor, a sensação sempre iminente de que talvez se esteja assistindo a uma peça de Natal com ambições cósmicas. Porém é um grande filme e um filme cristão, e não creio que as duas coisas já tenham coexistido neste universo. Fiquei por meses ponderando se tinha assistido ao primeiro filme da minha vida ou ao último.</p>
<p>E o glorioso é que a melhor resenha do filme que cheguei a ler é de um homem que não se dá ao trabalho de acreditar em Deus, <a href="http://antagonie.blogspot.com/2011/06/days-of-malick-you-can-only-be-happy-if.html">Tim Brayton</a>, que lê do seguinte modo a contraposição entre <a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/sobre-manipular-antonimos/">o caminho da natureza e o caminho da graça</a> (ou, para usar a linguagem bíblica, entre carne e espírito):</p>
<blockquote><p>
O que me deixou um pouco perplexo, na primeira vez em que vi o filme, foi pensar que se a obra cinemática de Malick pode ser resumida a um único tema, seria a inseparabilidade entre o caminho da natureza e o caminho da graça, não seria? &#8220;Natureza&#8221;, no entanto, não se refere aqui ao mundo natural, mas à natureza humana. A mulher prossegue sem intervalo a explicar suas palavras, esclarecendo que os que seguem o caminho da natureza são levados a fechar-se para a bondade e para luz; forçam a si mesmos e aos outros a seguir uma espiral desordenada de provarem-se incessantemente os mais fortes, os mais capazes, os mais ricos, os mais poderosos, e assim por diante. Os que seguem o caminho da graça permitem-se simplesmente Ser. Não é o modo como ela coloca, &#8220;Ser&#8221;, mas não resta nenhuma dúvida a partir do seu tom de voz de que, se tivesse usado essas precisas palavras, &#8220;Ser&#8221; viria proferido em inequívocas maiúsculas.</p></blockquote>
<p>Brayton tem a lucidez adicional de enxergar o que pode ter passado despercebido a muitos cristãos que viram o filme, a sacada de que na vida de cada um carne e espírito &#8211; o caminho da natureza e o caminho da graça &#8211; permanecem inseparáveis mesmo quando um consegue ultrapassar em muito o poder do outro. Foi por isso que, com alguma hesitação, coloquei a narração inicial do filme<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/o-caminho-da-natureza-e-o-caminho-da-graca/#footnote_0_2748" id="identifier_0_2748" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="&amp;#8220;As freiras nos ensinaram que h&aacute; dois caminhos: o caminho da natureza e o caminho da gra&ccedil;a. Voc&ecirc; tem de escolher que caminho seguir. A gra&ccedil;a n&atilde;o tenta agradar a si mesma. Aceita ser menosprezada, esquecida, escanteada. Aceita insultos e ofensas. A natureza s&oacute; quer agradar a si mesma. Obriga os outros a agrad&aacute;-la tamb&eacute;m. Tem prazer em controlar, em impor sua vontade. Encontra motivos para ser infeliz quando o mundo inteiro est&aacute; resplandecendo ao seu redor, e o amor est&aacute; sorrindo atrav&eacute;s de todas as coisas.&amp;#8221;">1</a></sup> para introduzir <a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/sobre-manipular-antonimos/">minha nota</a> sobre a manipulação de antônimos. Não deve haver dúvida de que o capitalismo é o caminho da natureza e a herança de Jesus é o caminho da graça, mas natureza e graça, embora antagônicos, não são, infelizmente, antônimos. Carne e espírito não existem separados dentro de nós mesmo quando empreendemos entregar a vida com toda paixão apenas a um. Se temos de &#8220;escolher que caminho seguir&#8221; não é em regime definitivo, o que não seria possível, mas <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/microsalvamentos-como-salvar-o-mundo-um-instante-de-cada-vez/">a cada momento</a>. Nem os mais virtuosos nem os mais perversos dentre nós são consistentes na sua escolha, o que explica em parte a ambivalência e a complexidade da condição humana. Como lembra <a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/gli-altri-siamo-noi/">aquela canção italiana</a> de que gosto, somos todos vítimas e algozes e &#8211; de algum modo misterioso mas muito literal &#8211; os outros somos nós.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug004.gif"></p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2748" class="footnote">&#8220;As freiras nos ensinaram que há dois caminhos: o caminho da natureza e o caminho da graça. Você tem de escolher que caminho seguir. A graça não tenta agradar a si mesma. Aceita ser menosprezada, esquecida, escanteada. Aceita insultos e ofensas. A natureza só quer agradar a si mesma. Obriga os outros a agradá-la também. Tem prazer em controlar, em impor sua vontade. Encontra motivos para ser infeliz quando o mundo inteiro está resplandecendo ao seu redor, e o amor está sorrindo através de todas as coisas.&#8221;</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Dexter Morgan, padroeiro do século XXI</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Oct 2011 08:47:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
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		<description><![CDATA[Não chegou até mim arte televisiva contemporânea mais bem escrita do que Dexter, o seriado norte-americano sobre um assassino em série que mata assassinos em série. E não se trata só dos enredos bem amarrados, do uso inteligente e bem-humorado das narrações em off, das ambições shakespearianas dos arcos narrativos e da construção de edifícios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não chegou até mim arte televisiva contemporânea mais bem escrita do que <em>Dexter</em>, o seriado norte-americano sobre um assassino em série que mata assassinos em série. E não se trata só dos enredos bem amarrados, do uso inteligente e bem-humorado das narrações em off, das ambições shakespearianas dos arcos narrativos e da construção de edifícios de suspense mais altos do que se considerava humanamente concebível. Há a questão do discurso além do discurso, a questão de um arranque criativo semiconsciente que mostra-se tanto uma precisa captura do espírito da época quando uma inclemente reflexão sobre ele.</p>
<p>Sinto-me tentado a escrever volumes sobre Dexter; permita-me impor uma página ou duas.</p>
<p><strong>Dexter, sumo sacerdote da violência redentora</strong></p>
<p>Os norte-americanos, ainda mais do que o restante dos homens, são obcecados com as possibilidades redentoras da violência. Dessa obsessão nascem as paixões nacionais pela pena de morte, pelos super-heróis, pelas glórias militares, pelos filmes de terror, pelo oeste sem lei. A mesma fé no poder redentor da violência inspira os adeptos do vigilantismo (aquelas ordens civis que fazem a justiça com as próprias mãos), inflama os tiroteios suicidas nas escolas e anima as aspirações dos assassinos em série.</p>
<p>Em sua qualidade de assassino impiedoso de assassinos impiedosos, Dexter Morgan é a encarnação de todas as seduções dessa teologia. Impossível não dobrar-se de prazer quando o Dexter elimina um criminoso culpado com a  mesma minuciosa crueldade com que o criminoso que está sendo eliminado costumava matar gente inocente. Há algo de irresistivelmente justo e congruente e libertador nessa simetria; como seres humanos somos incapazes de resistir a uma história que nos conduza até um lugar em que ela possa ser devidamente celebrada.</p>
<p>Dexter nos leva a esse lugar todas as vezes. Quando deixamos de acreditar nas possibilidades da justiça efetuada pelas mãos de homens, não é como se não tivéssemos um sumo sacerdote que se compadecesse de nós. Dexter, que o rubro céu o proteja, é a incorporação da guerra justa e da violência redentora justamente quando podíamos ser tentados a deixar de acreditar nela. Pelos heróis que nascem banhados em sangue, rogai por nós.</p>
<p><strong>Dexter, patrono do gerenciamento de múltiplas identidades</strong></p>
<p>Desde pelo menos Jekyll e Hyde, de cujo legado se apropriaram tantos super-heróis e supervilões, a ficção tem brincado com as possibilidades metafóricas e dramáticas de uma dupla identidade. O jogo cambiante das máscaras pode ser, na verdade, retraçado como o mistério impulsionador de todo teatro e de todo o drama.</p>
<p>Porém, com a extravagante entrada em cena da internet, vive-se o primeiro momento da história em que o homem comum pode se ver pessoalmente envolvido com as tentações e complicações do gerenciamento de identidades. A internet, que é repleta de destinos mas não confere passaportes, é um um convite aberto para que desenvolvamos vários rostos.</p>
<p>É coisa mais do que corriqueira cultivar mais de um blog, sustentar mais de uma conta no Google ou usar nomes diferentes em diferentes redes sociais, cada uma dessas instâncias voltada para um interesse ou para um público. Há o cara da foto no Facebook, que pode não querer usar o mesmo nome quando entra num ambiente da internet em que se folheia pornografia, em que se compartilha conteúdo pirata ou em que se discute a sua preferência sexual. Na verdade, cada vez que precisa escolher um nome de usuário você está sendo convidado a assumir uma nova identidade, a desenhar um novo círculo que não necessariamente interceptará aqueles que em você, sob algum nome, já existe.</p>
<p>Na prática, as contas de usuário servem menos para proteger a sua privacidade do que para orientar a publicidade que será despejada na sua direção, mas a sedução de cada nova máscara permanece. Ninguém precisa mais contentar-se em ser uma pessoa só<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/dexter-morgan-padroeiro-do-seculo-xxi/#footnote_0_2680" id="identifier_0_2680" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Na verdade, uma pequena e inflamada revolta coletiva permanece sendo lan&ccedil;ada contra o rec&eacute;m-lan&ccedil;ado Google+, porque essa rede social exige formalmente (ao contr&aacute;rio do que na internet &eacute; a pr&aacute;tica usual) que seus usu&aacute;rios utilizem o seu nome verdadeiro para identificar o seu perfil. Depois que aprendemos a viver sob a luz eles, a treva do banimento dos pseud&ocirc;nimos nos parece inteiramente incompreens&iacute;vel e inaceit&aacute;vel, coisa que se espera mais de um governo totalit&aacute;rio do que de uma corpora&ccedil;&atilde;o moderna e antenada.">1</a></sup>.</p>
<p>Na narrativa de Dexter, a centralidade do problema do gerenciamento de identidades reflete as complicações dessa nossa nova condição. Dexter é na luz do dia um policial quietão mas gente boa, profissional de primeira, amigo leal e pai de família, mas no abrigo da noite persegue sem trégua a sua obsessão, o &#8220;passageiro sombrio&#8221; que exige recorrentes derramamentos de sangue para manter-se mais ou menos sob controle. Nas histórias de super-heróis a problemática da identidade dupla é em geral tratada com leveza de farsa e descartada sem maiores problemas, mas a iminente e impensável sobreposição de mundos opostos é o que define toda a tensão na trajetória de Dexter. </p>
<p>Acompanhamos os seus trabalhos no sentido de manter as suas esferas separadas, mas entendemos simultaneamente que ninguém tem como manter partes de si mesmo independentes por tempo indeterminado. Por outro lado, as ferramentas da internet tem nos dado tamanha tarimba na prática da compartimentalização que nos tornamos incapazes de considerar como desejável a perspectiva de abrir mão de qualquer uma de nossas identidades paralelas.</p>
<p>Se o grande desafio da maturidade psicológica é o que Jung chama de individuação &#8211; o processo de nos tornarmos um <em>in-divíduo</em>, harmonizando num todo não-dividido as partes de nós mesmos que vivem em esferas separadas, &#8211; Dexter serve de formidável parábola sobre as dificuldades desse processo na presente experiência. Os dois mundos de Dexter não têm como colidir sem catástrofe; da mesma forma, temos aprendido a sustentar uma árvore inteira de narrativas pessoais que em outro tempo seriam consideradas irreconciliáveis. Pelos desafios do gerenciamento de identidades, rogai por nós.</p>
<p><strong>Dexter, santo protetor dos alienados e perplexos</strong></p>
<p>O aspecto mais ressonante e original da narrativa de Dexter, no entanto, é sua alienação essencial do mundo que o rodeia. Tendo sua estrutura psíquica precariamente organizada depois de sobreviver a um devastador trauma de infância, Dexter não sabe e não entende o que o mundo exterior espera dele. Não sabe sentir ou agir &#8220;naturalmente&#8221;. Suas reações são todas simuladas, fundamentadas na observação. Incapaz de encontrar dentro de si uma fonte genuína de convicção e de sentimento, seu método é oferecer em cada momento ao mundo o que ele imagina que o mundo espera dele naquele momento &#8211; e surpreende-se quando funciona na maioria dos casos. As pessoas ao seu redor o tomam por um cara um pouco esquisito mas simpático, sensível e de confiança &#8211; porém ele mesmo entende ser uma completa farsa.</p>
<p>É por esse milagre, pela sua ascendência como ícone espetacular de nossa própria alienação essencial, que vejo em Dexter a figura altaneira do padroeiro deste século.</p>
<p>Eis um cara que, como grande parte de nós, ou como todos nós grande parte do tempo, relaciona-se com o mundo como um observador, não como um participante. Dexter vive imerso numa experiência que lhe parece inteiramente estranha e impenetrável. Não tendo sido poupado de enxergar o caráter arbitrário e artificial das reações e princípios que tomamos por naturais, ele aprendeu a resignar-se a olhar o mundo com o fascínio e o horror com que observaríamos uma civilização extraterrestre.</p>
<p>O poder da metáfora está em que, devido a uma vasta cadeia de causas interligadas, nenhum conceito representa com mais acerto a condição do habitante deste milênio do que este: alienação. Não importa quão saudável ou natural lhe pareça o seu cotidiano, nosso próprio modo de viver está inteiramente permeado de pacotes de estranheza e de distanciamento. Karl Marx entreviu o capitalismo como fonte inexorável de alienação, mas absolutamente não tinha como prever os extremos vertiginosos aos quais içaríamos essa tendência.</p>
<p>Não há como não identificar-se em alguma medida com Dexter e sua precária relação com um mundo alheio e indecifrável. Tornamo-nos, no modo que vida que aprendemos a tolerar, gente assim. Como os personagens de um mau filme de ficção científica da madrugada, aprendemos a nos relacionar uns com outros e com o mundo pela intermediação de máquinas, tendo perdido a arte do contato direto com o que quer que seja. Nada no mundo real gera em nós uma verdadeira conexão, e todas as nossas reações dentro dele são simuladas. Onde deixei o meu celular? Pelo horror de um mundo que não nos diz respeito, rogai por nós.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug024.gif"></p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2680" class="footnote">Na verdade, uma pequena e inflamada revolta coletiva permanece sendo lançada contra o recém-lançado Google+, porque essa rede social exige formalmente (ao contrário do que na internet é a prática usual) que seus usuários utilizem o seu nome verdadeiro para identificar o seu perfil. Depois que aprendemos a viver sob a luz eles, a treva do banimento dos pseudônimos nos parece inteiramente incompreensível e inaceitável, coisa que se espera mais de um governo totalitário do que de uma corporação moderna e antenada.</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Hoje é um lugar que não existe</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 09:31:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por que viver o momento, se o passado é menos desafiador e mais interessante? Combata a ressaca do presente com as pílulas do sáite Como ser um retronauta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por que viver o momento, se o passado é menos desafiador e mais interessante? Combata a ressaca do presente com as pílulas do sáite <em>Como ser um retronauta</em>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.howtobearetronaut.com/"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2011/bits/retronaut.jpg" title="Como ser um retronauta" /></a></p>
<p> <img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2011/brabo-retronauta.jpg" border=0 class="alignright" /></p>
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		<title>O Monstro do Mar</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Aug 2011 09:22:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<title>Stop forwarding that crap to me</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 09:16:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era inevitável: alguém um dia criaria a coragem de dizer com todas as letras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era inevitável: alguém um dia criaria a coragem de dizer com todas as letras.</p>
<p align="center"><iframe width="560" height="349" src="http://www.youtube-nocookie.com/embed/KCSA7kKNu2Y?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>A sonegação da graça</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 01:21:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os capítulos censurados de Culpa e Graça &#160; É conhecida a observação do Abade Mugnier que, quando lhe perguntaram se acreditava no inferno, respondeu: “Certamente acredito nele; mas também acredito que não há ninguém lá.” Isso me parece mais do que um lampejo espirituoso. É um ponto de vista que é inerente a toda a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2011/culpa-e-graca.png" alt="" /></p>
<p><center><span style="color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family:calibri, georgia, times new roman, serif; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Os capítulos censurados de <em>Culpa e Graça</em></span></center></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>É conhecida a observação do Abade Mugnier que, quando lhe perguntaram se acreditava no inferno, respondeu: “Certamente acredito nele; mas também acredito que não há ninguém lá.” Isso me parece mais do que um lampejo espirituoso. É um ponto de vista que é inerente a toda a perspectiva da Bíblia, de que a severidade e as ameaças de Deus – ou o que o homem em seu remorso atribuem a Deus – são destinadas a nada menos que a sua salvação e a conservá-lo fora do abismo.<br />
<small>Um dos textos censurados do livro de Paul Tournier. Três capítulos e este parágrafo foram suprimidos na edição brasileira.</small></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ele está lá, o número 22 na lista de Ricardo Quadros Gouvêa dos <a href="http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/315/quarenta-livros-que-fizeram-a-cabeca-dos-evangelicos-brasileiros-nos-ultimos-quarenta-anos">quarenta livros que fizeram a cabeça dos evangélicos brasileiros nos últimos quarenta anos</a>. Uma edição despretensiosa, a capinha azul ciano coroada por um austero retângulo preto, uma tradução por vezes truncada e uma redação nem sempre fluente. Nada disso impediu que <em>Culpa e Graça</em>, do médico suíço Paul Tournier, se mostrasse no meio evangélico brasileiro um livro absolutamente seminal: uma semente, mas uma semente cuja potência e singeleza bastaram para produzir nos leitores o seu próprio solo fértil &#8211; o tipo de obra cuja onda de impacto se estende muito além dos limites das páginas e da data de publicação.</p>
<p>Rolava ainda a década de 1980 quando encontrei o livro no apartamento da minha tia Lauriza e rendi-me imediatamente à sua lucidez. Lembro claramente meu assombro ao deparar-me, expostos ao ar livre, sem meias medidas mas com toda a compaixão, com os mecanismos que eu havia lutado desde sempre para permanecerem ocultos no meu interior.</p>
<blockquote><p>&#8220;Minha irmã é tão categórica em suas opiniões&#8221;, disse-me uma senhora, &#8220;que me sinto sempre um pouco culpada se não tenho a sua opinião&#8221;. E uma outra: &#8220;Eu chego a evitar ir visitar a minha irmã, porque no momento em que quero ir embora, ela diz: &#8216;Como? Já vai?&#8217;, com um tom de reprovação que até me faz sentir culpada&#8221;. </p></blockquote>
<p>Que direito tinha esse sujeito de falar publicamente de mim (e das minhas irmãs)? E logo em seguida:</p>
<blockquote><p>Porque a verdadeira culpa é, essencialmente, você não ousar ser você mesmo. É o medo do julgamento dos outros que nos impede de sermos nós mesmos, de nos mostrarmos tal como somos, de manifestarmos nossos gostos, desejos e convicções, de nos desenvolvermos, de nos expandirmos segundo a nossa própria natureza, livremente. É o medo do julgamento dos outros que nos esteriliza, que nos impede de produzir todos os frutos que somos chamados a produzir. &#8220;Fiquei com medo&#8221; diz, na parábola dos talentos, o servo que escondeu o seu talento na terra, em lugar de fazê-lo valorizar.</p></blockquote>
<p>Meu Deus, meu Deus: <em>a verdadeira culpa é você não ousar ser você mesmo</em>. E ainda estávamos no segundo capítulo.</p>
<p><em>Culpa e graça</em> foi lançado no Brasil em 1985, pela Aliança Bíblica Universitária (ABU). Essa versão resiste ao tempo e circula teimosamente em sua forma original (o livro da minha tia transita há décadas entre a minha casa e a dela; às vezes, como agora, não temos certeza de com quem ele está), em cópias reprográficas e em <a href="http://www.scribd.com/doc/60801282/Download">versões pirateadas</a>. </p>
<p>O que pouca gente sabe ou percebeu é que, por alguma razão que os editores não declaram no livro (e, que eu saiba, em nenhum outro lugar) os três últimos capítulos da versão original foram suprimidos da versão brasileira. A explicação mais simples e mais provável para essa omissão é que os textos em questão foram considerados fortes ou heterodoxos demais para o público a que se dirigia. Os dois últimos capítulos da versão brasileira, numerados 20 e 21, são intitulados <em>Tudo deve ser pago </em>e <em>Foi Deus quem pagou</em> &#8211; e já são bastante subversivos em si mesmos, mas aparentemente os capítulos seguintes iam ainda mais longe.</p>
<p>Há quase dois anos venho sonhando em rastrear, traduzir e divulgar esses capítulos proibidos, como parte do meu ministério de ver o circo pegar fogo. Poupou-me desse trabalho e dessa glória o Zenon Lotufo Junior, que mandou-me há alguns dias esses textos, na tradução de seu amigo Antonio Augusto Martins Ribeiro. Seu conteúdo subversivo você pode agora avaliar por si mesmo pela primeira vez.</p>
<p>Há por exemplo, o capítulo 24, <em>A ordem de Melquisedeque</em>, com sua ênfase num sacerdócio universal que transcende a esfera da igreja e a engloba. Há o capítulo 23, <em>O caminho da confissão</em>, que sugere que a graça é tão ampla e eficaz que qualquer um pode imprimir, e sobre qualquer um, a divina absolvição. E há em especial o capítulo 22, <em>Amor incondicional</em>, que demonstra que Tournier pensava sobre a graça, em 1962, essencialmente o mesmo que J. Harold Ellens pensa nos nossos dias: é a natureza incondicional do amor divino que possibilita a cura humana &#8211; <a href="http://www.baciadasalmas.com/2011/o-deus-que-nao-tem-ninguem-na-sua-lista/">Deus não tem ninguém na sua lista</a>:</p>
<blockquote><p>Portanto, insisto na palavra “incondicionalmente”, porque ela me parece muito importante na prática. A maioria das pessoas admite que, se há um Deus, Ele deve nos amar. Mas existe uma diferença decisiva entre um grande amor, ou um amor muito grande, ou um amor muito, muito grande e um amor que é incondicional. É à distância que existe entre o que é finito, seja tão grande quanto for, e o que é infinito.</p></blockquote>
<p>Todas essas posições, bem como a menção, como mera possibilidade, de que a função do inferno é permanecer vazio (conforme a anedota do Abade Mugnier que abre esta nota), podem ter parecido controversas ou pouco ortodoxas o bastante para justificarem a censura.</p>
<p>Resta porém a possibilidade de que o motivo da supressão tenha sido ainda mais prosaico e mais mesquinho. Afinal de contas, o universalismo de Tournier parece ficar bastante estabelecido no capítulo 21, que não foi censurado da versão brasileira:</p>
<blockquote><p>Salvação não é mais uma idéia remota de perfeição, para sempre inacessível; é  uma  pessoa:  Jesus  Cristo,  que  veio  a  nós,  veio  para  ficar  conosco,  em  nossas casas,  em  nossos  corações.  O  remorso  é  silenciado  pela  sua  absolvição. Todos os homens podem se beneficiar desta expiação única; todos os homens, de fato, &#8220;todo o mundo&#8221; como João afirmou (1 Jo 2:2). Jesus Cristo morreu por todos  sem  qualquer  distinção,  para  homens  de  todas  as  idades  e  regiões,  para hindus, para budistas, para muçulmanos, para pagãos e para ateus; basta que nele creiam. </p></blockquote>
<p>Não é impossível, portanto, que a raiz da controvérsia tenha sido as duas ou três ocasiões em que, no capítulo 22, Tournier sugere que os católicos acolhem e aplicam de modo menos neurótico do que os protestantes a boa notícia da graça:</p>
<blockquote><p>É significativo o que um dos meus pacientes protestantes tenha dito: “O protestantismo me parece com um enorme esforço para se ganhar a graça pela boa conduta, enquanto que o catolicismo distribui esta mesma graça a todo aquele que a procura com um padre”.</p></blockquote>
<p>Também aqui:</p>
<blockquote><p>O moralismo restabeleceu a ideia de mérito, de uma graça que é condicional. E, em certos círculos protestantes, estas condições se proliferaram tanto e ficaram tão rígidas que se tornaram opressivas.</p></blockquote>
<p>E aqui:</p>
<blockquote><p>Em um dos círculos intelectuais católicos, um teólogo, Jean Guitton, afirma que “uma das implicações da doutrina cristã da graça é a natureza gratuita dos dons que são oferecidos a nós”. Fico agradavelmente surpreso ao vê-lo acrescentar que “esta é uma implicação sobre a qual os protestantes pensam, talvez com mais frequência do que nós”. Infelizmente, tenho a impressão que esta homenagem ao protestantismo seja imprecisa.</p></blockquote>
<p>E aqui:</p>
<blockquote><p>Contudo, noto uma maior proporção de pessoas oprimidas por esta deturpação entre os protestantes do que entre os católicos.</p></blockquote>
<p>Pois, como eu mesmo já tive ocasião de aprender, em muitos círculos evangélicos desafiar abertamente a ortodoxia é visto como pecado menor do que mencionar o catolicismo numa luz positiva. Essa imprudência, em conjunto com a ameaça de ecumenismo do capítulo 24, podem ter representado a ofensa sem perdão que mereceu o silenciamento de Tournier.</p>
<p>O que é certo é que Paul Tournier (1898-1986) não escreveu <em>Culpa e graça</em> para gerar controvérsia ou para produzir uma revisão na ortodoxia. Seu propósito declarado foi ensinar seus colegas médicos a tratarem seus pacientes como gente &#8211; aquela postura que viria a ser conhecida como &#8220;medicina integral&#8221; e da qual Tournier é um dos mais celebrados precursores.</p>
<p>Tournier sonhava com um dia em que os médicos deixassem de olhar seus pacientes como pedaços de carne que só carecem de cura física, um dia em que os cristãos deixassem de ver as pessoas como almas desencarnadas que só carecem de salvação.</p>
<p>Os médicos já estão fazendo a sua parte.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p>Para ler em tela inteira visite <a href="http://www.scribd.com/fullscreen/60945265?access_key=key-3fw4bfb07yahjpfg0hk">esta página</a> ou <a href="http://www.baciadasalmas.com/culpa-e-graca/">clique aqui</a>.</p>
<p><iframe class="scribd_iframe_embed" src="http://www.scribd.com/embeds/60945265/content?start_page=1&#038;view_mode=list&#038;access_key=key-3fw4bfb07yahjpfg0hk&#038;secret_password=1naxmhm3bw7vg4p8v0cp" data-auto-height="true" data-aspect-ratio="0.707514450867052" scrolling="no" id="doc_55341" width="100%" height="600" frameborder="0"></iframe><script type="text/javascript">(function() { var scribd = document.createElement("script"); scribd.type = "text/javascript"; scribd.async = true; scribd.src = "http://www.scribd.com/javascripts/embed_code/inject.js"; var s = document.getElementsByTagName("script")[0]; s.parentNode.insertBefore(scribd, s); })();</script></p>
<p><strong><a href="http://www.scribd.com/fullscreen/60945265?access_key=key-3fw4bfb07yahjpfg0hk">Os capítulos censurados de <em>Culpa e graça</em> (tela cheia)</a></strong></p>
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		<title>Pra mim basta um dia</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Apr 2011 14:39:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. O que acontece quando você pede que o mundo inteiro registre, em vídeo, um único dia na Terra? Você recebe 80.000 vídeos e 4.500 horas de filmagem de 192 países. O produtor Ridley Scott e o diretor Kevin [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>O que acontece quando você pede que o mundo inteiro registre, em vídeo, um único dia na Terra? Você recebe 80.000 vídeos e 4.500 horas de filmagem de 192 países. O produtor Ridley Scott e o diretor Kevin Macdonald, vencedor do Oscar, pegaram esse material bruto &#8211; todo ele filmado em 24 de julho de 2010 &#8211; e criaram Life in a Day/<em>A vida num dia</em>, um documentário que retrata esse caleidoscópio de imagens a que chamamos de vida. Estréia nos Estados Unidos em 24 de julho de 2011.</p>
<p>&nbsp;</p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
<p><object width="560" height="349"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/bT_UmBHMYzg?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/bT_UmBHMYzg?fs=1&amp;hl=en_US&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="349"></embed></object></p>
</td>
</tr>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<p>Veja também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/gli-altri-siamo-noi/">Gli altri siamo noi</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/basta-um-dia/">Basta um dia</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/dois-bebes/">Dois bebês</a></p>
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		<item>
		<title>Nos capítulos anteriores de Lost</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Mar 2011 08:22:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[pop e brega]]></category>
		<category><![CDATA[rondinelly]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet. Ilustração que fiz para o podcast em que Allyson Irlesh, Zé Márcio e Rondinelly Gomes Medeiros, do seu quartel-general no sertão da Paraíba, reviram o túmulo vazio da série Lost sob a luz inclemente de Nietsche, Freud, René [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p align="center"><a href="http://jerimumbeta.com.br/jerimum-podcast-lost-is-everything-but-not-all-is-lost"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/6590970_e552efa634ef15be7d133ae03d1936b5_standard.jpg" height="414" width="460" /><br />
</a></p>
<p>Ilustração que fiz para o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Podcasts">podcast</a> em que Allyson Irlesh, Zé Márcio e Rondinelly Gomes Medeiros, do seu quartel-general no sertão da Paraíba, reviram o túmulo vazio da série <em>Lost </em>sob a luz inclemente de Nietsche, Freud, René Girard, Jesus, Borges, a religião egípcia, teoria literária, o eterno retorno, a espiritualidade hindu, a blogosfera brasileira e o sertão. Duas horas dessa conversa parecerão muito, mas só para quem não sente na brisa mais inesperada a inequívoca nostalgia da Ilha. Este é provavelmente só para os apreciadores de <em>Lost</em>, mas esses serão talvez mais numerosos entre nós do que nosso silêncio deixa entrever.</p>
<p>Deixo-vos com um aperitivo de três minutos, que saberá impactar os não-iniciados e deverá bastar entre outras coisas para comprovar a vertigem que é ouvir o Rondinelly pensando alto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center>[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</center></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E o link para a coisa toda sem cortes:<br />
<a href="http://jerimumbeta.com.br/jerimum-podcast-lost-is-everything-but-not-all-is-lost"><strong>Lost is everything, but not all is lost</strong></a> &#8211; Podcast em duas partes ancorado no tecno-arretado <a href="http://jerimumbeta.com.br/jerimum-podcast-lost-is-everything-but-not-all-is-lost">Jerimum Beta</a></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug047.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/a-peca-ininterrupta/">A peça ininterrupta</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/o-desenho-e-seu-nome/">O desenho e seu nome</a></p>
<p>Ouça também:<br />
<em>Nietzsche e o cristianismo</em>, <a href="http://jerimumbeta.com.br/jerimum-podcast-2-nietzsche-e-o-cristianismo">parte um</a> e <a href="http://jerimumbeta.com.br/jerimum-podcast-2-parte-b-nietzsche-e-o-cristianismo">parte 2</a></p>
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		<title>A infância em 1977</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 22:16:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[1970s]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[O ilustrador Daniel Lieske acaba de colocar no ar a versão em português do primeiro capítulo de sua série Wormwood Saga &#8211; uma história em quadrinhos concebida para ser lida na tela do computador, de preferência com o botão de rolagem do mouse. Aparentemente a partir deste ponto a história deve tomar um rumo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ilustrador Daniel Lieske acaba de colocar no ar a versão em português do primeiro capítulo de sua série <em>Wormwood Saga</em> &#8211; uma história em quadrinhos concebida para ser lida na tela do computador, de preferência com o botão de rolagem do mouse. Aparentemente a partir deste ponto a história deve tomar um rumo de fantasia mais ou menos formulaico, mas a reconstrução emocional de 1977, neste primeiro capítulo, ressoou em mim de modo potentíssimo. Clique na imagem <a href="http://chapter01.wormworldsaga.com/BR/Index.php">ou aqui</a> para ler.</p>
<p align="center"><a href="http://chapter01.wormworldsaga.com/BR/Index.php"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2011/bits/wormwood-saga.jpg" title="Clique para ler a história" /></a></p>
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		<title>O poeta e o pescador</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 07:17:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gírias e Falares]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Meu pai, pode ser necessário lembrar, usa o termo &#8220;poeta&#8221; como insulto. Encontro em Luis da Camara Cascudo &#8211; Geografia dos mitos brasileiros, prefácio &#8211; um uso análogo: Nas praias do Rio Grande do Norte, poeta é sinônimo de bicho-de-pé. &#8220;Estou aqui vendo se tiro esse poeta&#8221;, respondeu um pescador a Henrique Castriciano que lhe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu pai, pode ser necessário lembrar, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/a-bacia-das-almas-2/">usa o termo &#8220;poeta&#8221; como insulto</a>. Encontro em Luis da Camara Cascudo &#8211; <em>Geografia dos mitos brasileiros</em>, prefácio &#8211; um uso análogo:</p>
<blockquote><p>Nas praias do Rio Grande do Norte, poeta é sinônimo de bicho-de-pé. &#8220;Estou aqui vendo se tiro esse poeta&#8221;, respondeu um pescador a Henrique Castriciano que lhe perguntara por que estava escavacando os dedos com uma ponta-de-faca.</p></blockquote>
<h5>* * *</h5>
<p>O livro oferta ainda generosidades como esta: &#8220;O sertão respira [atualmente] pelas mil bocas das estradas e paga o conforto da eletricidade com o esquecimento das estórias antigas e saborosas&#8221;.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug065.gif"></p>
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		<title>15 de novembro</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 02:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
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		<description><![CDATA[e os cinco volumes da História da Prostituição no archive.org. Notavelmente ampliada e enriquecida desde 1889. * * * HISTÓRIA DA PROSTITUIÇÃO EM TODOS OS POVOS DO MUNDO DESDE A ANTIGUIDADE ATÉ OS NOSSOS DIAS Obra necessaria aos moralistas, util aos homens de Sciencia e Lettras e interessante para todas as classes ILUSTRADA COM PRIMOROSAS [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>e os<a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o"> cinco volumes da <em>História da Prostituição</em></a> no <a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o">archive.org</a>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/6201874"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/6201874_4d700453e46d3ddc55b3b1671e91f293_standard.jpg" height="339" width="460" title="Clique para ampliar" /><br />
</a></p>
<p>Notavelmente ampliada e enriquecida desde 1889.</p>
<h5>* * *</h5>
<p align="center"><strong>HISTÓRIA DA PROSTITUIÇÃO</strong><br />
EM TODOS OS POVOS DO MUNDO<br />
<small>DESDE A ANTIGUIDADE ATÉ OS NOSSOS DIAS</small><br />
<small><em>Obra necessaria aos moralistas,<br />
util aos homens de Sciencia e Lettras<br />
e interessante para todas as classes</em><br />
ILUSTRADA COM PRIMOROSAS GRAVURAS<br />
</small></p>
<p>Para ler e baixar <a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o">clique aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Adagio</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/um-passeio-pelo-interior/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=um-passeio-pelo-interior</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Nov 2010 06:28:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet. Do concerto para piano e violino de Mendelssohn. [Visite a Bacia para ouvir o áudio]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>Do concerto para piano e violino de Mendelssohn.</p>
<p><center>[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</center></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O advento do Scrivener</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2010 06:21:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[software]]></category>

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		<description><![CDATA[Não custa repetir: o MS Word não foi feito para escritores. Se quer escrever um livro ao invés de uma carta ou um relatório, você precisa ao mesmo tempo de muito menos e muito mais do que o MS Word foi desenhado para oferecer. Como máquina de escrever, tenho usado o writemonkey (gratuito), e para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não custa <a href="http://www.baciadasalmas.com/?p=2261">repetir</a>: o MS Word não foi feito para escritores. Se quer escrever um livro ao invés de uma carta ou um relatório, você precisa ao mesmo tempo de muito menos e muito mais do que o MS Word foi desenhado para oferecer.</p>
<p>Como <a href="http://www.baciadasalmas.com/?p=2261">máquina de escrever</a>, tenho usado o <a href="http://writemonkey.com/">writemonkey </a>(gratuito), e para organizar séries mais longas, o <a href="http://squirreltech.sitesled.com/software/index.html">Notebox Disorganizer</a> (gratuito). Nem mesmo o <em>Disorganizer</em>, no entanto, foi capaz de me ajudar a levar avante projetos mais complexos (sim, estou falando com você, <a href="http://www.baciadasalmas.com/?p=1130">Ciro</a>).</p>
<p>Para levar avante projetos como esse, fiquei sonhando por mais de dois anos com o lançamento da versão para Windows do mítico <a href="http://www.literatureandlatte.com">Scrivener </a>(US$ 40,00), o mais desejado dos programas desenhados para escritores, que até agora estava reservado para os usuários do Mac.</p>
<p>Projetado para acompanhar autores em projetos de qualquer complexidade, o Scrivener gosta de deixar que você componha o seu texto (seja poema ou odisseia) em porções menores que podem ser tão pulverizadas quanto você quiser (seja um capítulo ou um parágrafo) e rearranjadas (via outline ou cartões num quadro de cortiça) como melhor lhe parecer.  Em qualquer momento as unidades que compõem o seu texto/projeto podem ser visualizadas e editadas individualmente ou em conjunto, e ainda exportadas para destinos menos nobres como o Word.</p>
<p>A notícia que venho dar é que a primeira versão beta<em>/teste</em> do Scrivener para Windows acaba de ser lançada, e pode <a href="http://www.literatureandlatte.com/scrivenerforwindows/">ser baixada aqui</a>. O programa fala inglês, mas seu grau de desajuste com a língua não deve impedi-lo de tentar. </p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/6152104/original"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/6152104_f1fe400b7189c98dd4cf963079d7eb5d_standard.jpg" height="348" width="460" title="Clique para ampliar" /></p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/6152103/original"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/6152103_b35c420dcc7cd6bc24f552421c5078fc_standard.jpg" height="348" width="460" title="Clique para ampliar" /><br />
</a></p>
<p></a></p>
<p>Nem sei o que dizer.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug071.gif"></p>
<p>Visite:<br />
<a href="http://www.literatureandlatte.com/scrivenerforwindows/">Scrivener for Windows</a></p>
<p align="center"><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AdwnHo23Ub8?fs=1&amp;hl=en_US"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/AdwnHo23Ub8?fs=1&amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object></p>
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		<title>Uma encruzilhada de humanidades</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/uma-encruzilhada-de-humanidades/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=uma-encruzilhada-de-humanidades</link>
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		<pubDate>Sun, 17 Oct 2010 03:56:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Navegações]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[Desconstruir concepções infundadas e preconceituosas é talvez a aventura mais extraordinária e comovente que vivo na Europa. Uma a uma, diversas idéias tortas que trouxe comigo do Brasil são sistematicamente moídas. [...] Ah, quão maravilhoso é o tempo em que meu coração fica aberto à humanidade alheia, em que vivo o tempo de que fala [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desconstruir concepções infundadas e preconceituosas é talvez a aventura mais extraordinária e comovente que vivo na Europa. Uma a uma, diversas idéias tortas que trouxe comigo do Brasil são sistematicamente moídas.</p>
<p>[...]</p>
<p>Ah, quão maravilhoso é o tempo em que meu coração fica aberto à humanidade alheia, em que vivo o tempo de que fala Drummond, no poema “Mãos Dadas”:</p>
<blockquote><p>O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,<br />
A vida presente</p></blockquote>
<p>Quantas experiências e pessoas lindas eu tenho visto nesse tempo presente…</p>
<p>O judeu suíço que, terminado seu estágio no hospital em que trabalho, me deu um ótimo armário que ficava em sua casa… E ainda me ajudou a trazê-lo (de metrô) ao meu apartamento, que fica no sexto andar de um prédio sem elevador. Não recebeu nada em troca: foi movido somente pela amizade.</p>
<p>A moça tcheca que, sabendo que eu visitaria Praga durante alguns dias, me dá as chaves de seu apartamento para que eu dele usufruísse. A explicação para tão nobre gesto é infinitamente bela na sua simplicidade: ela o fez apenas por me ter como amigo. Nada mais do que isso.</p>
<p>A jovem parisiense, sempre atolada de atividades, mas sempre generosa, que encontrou um tempo precioso para reler minha monografia de fim de curso e corrigir meu francês espaguetônico.</p>
<p>A médica italiana que deu três meses de sua juventude para cuidar de crianças pobres no sertão pernambucano.</p>
<p>O filósofo ateu que, há mais de dois anos, ao me alugar o studio, vê minhas evidentes dificuldades no idioma e vai paternalmente comigo até o banco, me ajudar a abrir uma conta.</p>
<p>A norte-americana estudante de arte, elegante e culta, que me brindou com a dádiva de uma amizade sincera.</p>
<p>O casal chileno que não me deixou sozinho no meu primeiro Natal no hemisfério norte, convidando-me para cear com eles.</p>
<p>A colega muçulmana que, tendo ganhado uns convites de cortesia, propõe-me a assistir a um concerto de música clássica.</p>
<p>O paciente egípcio que beija a mão da fonoaudióloga que o atendeu, em sinal de gratidão.</p>
<p>O rapaz francês que sempre se lembra deste perna-de-pau que vos escreve na hora de organizar a pelada do fim de semana.</p>
<p>Ah, Houellebecq, se você – e todos nós – abríssemos os nossos olhos e nos dispuséssemos a ver!</p>
<p>Entenderíamos que o mundo é uma maravilhosa encruzilhada de humanidades, repleta de um caleidoscópio de pessoalidades lindas e incoerentes, sujas e mágicas.</p>
<p>Perceberíamos brasileiros truculentos, mas contemplaríamos entre eles muitos brazucas gentis e cultos; enxergaríamos franceses doces em meio a outros ranzinzas.</p>
<p>Compreenderíamos que a nacionalidade, a etnia ou a religião a que pertencemos não são as raízes de nossas virtudes e defeitos; na verdade, nada disso nos faz melhores.</p>
<p>Vislumbraríamos que não há brasileiros, nem franceses, nem negros, nem árabes, nem judeus, nem católicos, nem protestantes, nem homossexuais, nem heterossexuais. “Existe é homem humano”, lembra Riobaldo. E existem essas minhas lágrimas que, ante a contemplação do homem, escorrem neste meu rosto crispado de humanidades.</p>
<p align="right"><small><strong>Leonardo de Souza</strong>, falando da <a href="http://aterceiramargemdosena.opsblog.org">Terceira margem do Sena.</a><br />
Minas ainda existe.</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug077.gif"></p>
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		<title>Es ist das höchste der Gefühle</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 03:01:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&#160;&#160;) na barra de reprodução. [Visite a Bacia para ver o filme]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/papageno-e-papagena/">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/fullscree-button.png">&nbsp;) na barra de reprodução.</span></p>
<table border="0" height="900" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
<p><center>[Visite a Bacia para ver o filme]</center></p>
</td>
</tr>
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		<title>A divina anarquia de Rossini</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 12:30:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[rossini]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. Eu não tinha ainda 18 anos quando fui apresentado à ópera (e à língua italiana, mas essa é outra história) pela mais abençoada e anárquica (como se houvesse diferença) das mãos: Gioachino Rossini. Rossini (1792-1868) era um homem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>Eu não tinha ainda <a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/quem-e-esse-cara/">18 anos</a> quando fui apresentado à ópera (e à língua italiana, mas essa é outra história) pela mais abençoada e anárquica (como se houvesse diferença) das mãos: Gioachino Rossini.</p>
<p>Rossini (1792-1868) era um homem gordinho apaixonado pela boa mesa (na Itália alguns pratos ainda trazem a magnífica marca &#8220;alla Rossini&#8221;). Rossini era um compositor que produzia melodias com a dificuldade que o resto de nós respira. Rossini era um anjo e um duende que elevou a música cômica a um nível que, é concebível supor, jamais será superado. Quem quer testemunhar o poder da música para expressar abandono, delírio e a mais destilada das euforias deve abandonar a rave e a discoteca e correr para uma casa de ópera em busca de algum Rossini.</p>
<p>Foi graças a Rossini que consegui entender o que me disse certa vez Joseph Campbell, que na Antiguidade a comédia era tida como expressão de uma verdade mais contundente e mais profunda do que a tragédia. Porque em Rossini é possível entender, numa voz em que as palavras pouco importam, que a brincadeira, a ironia e a provocação tem algo de sublime. A anarquia tem um pezinho no céu, e em Rossini ela é inteiramente indistinguível de sua alegria.</p>
<p>A oferta que trago aqui, em duas versões muito distintas, é a porção final do primeiro ato de <em>L&#8217;Italiana in Algeri </em>(A italiana em Argel), <em>dramma giocoso</em> que Rossini compôs em 18 dias quando tinha 21 anos de idade. As duas produções propõem soluções cênicas muito distintas, quase opostas; se você for assistir apenas uma das versões, que seja a segunda, que tem a melhor orquestra e em que a ação que expressa literalmente a histeria da música (a primeira, em compensação, oferece caras e bocas impagáveis por parte dos intérpretes). Apenas devo pedir, pela nossa amizade, por tudo que é sagrado e por todos os santos, que uma vez começado você assista até o final. Você não faz ideia.</p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Ricardo Frizza, 2008</span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
[Visite a Bacia para ver o filme]
</td>
</tr>
</table>
<p>***</p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Ralf Weikert, 1987</span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
[Visite a Bacia para ver o filme]
</td>
</tr>
</table>
<p>A fim de apreender todas as possibilidades desta cena pode ser necessário abraçá-la num número ainda maior de versões. Te vira:</p>
<p>• <a href="http://www.youtube.com/watch?v=KhMoUIIBe2s">Marilyn Horne, 1986</a><br />
• <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HJoD2IHIzx0">James Levine, 1983</a><br />
• <a href="http://www.youtube.com/watch?v=gDW2gVgDtHw">RAI, 1957</a><br />
• <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zITT5cff5lU&#038;hd=1 ">Agnes Baltsa, 1989</a><br />
• <a href="http://www.youtube.com/watch?v=JUllx28k8-w&#038;hd=1">Lawrence Brownlee, 2008</a></p>
<p>Finalmente, uma versão completa de<em> L&#8217;Italiana,</em> na versão de Ricardo Frizza, está disponível em vídeo <a href="http://tvopera.blogspot.com/2008/02/rossini-litaliana-in-algeri-frizza-aix.html">aqui</a>.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug040.gif"></p>
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		<title>Parting Words</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/parting-words-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=parting-words-2</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/parting-words-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 26 May 2010 09:51:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet. &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; &#160; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
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<p><center>[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</center></p>
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<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug045.gif"></p>
<p>Ouça também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/a-historia/">A história</a></p>
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		<title>Pela alma do povo: omissões coletivas e bravuras individuais</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/pela-alma-do-povo-omissoes-coletivas-e-bravuras-individuais/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=pela-alma-do-povo-omissoes-coletivas-e-bravuras-individuais</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/pela-alma-do-povo-omissoes-coletivas-e-bravuras-individuais/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 May 2010 11:50:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[nazismo]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[Nós e o cristianismo só temos uma coisa em comum: exigimos a pessoa toda! O juiz nazista Roland Freisler a Helmut Moltke, durante o julgamento de Moltke pelo seu envolvimento no atentado de 20 de julho Eu estava a meio caminho da interminável biografia de Dietrich Bonhoeffer (que ainda não terminei) quando comecei a ler [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><small><strong>Nós e o cristianismo só temos uma coisa em comum:<br />
exigimos a pessoa toda!</strong><br />
O juiz nazista Roland Freisler a Helmut Moltke,<br />
durante o julgamento de Moltke pelo seu envolvimento<br />
no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_de_20_de_julho">atentado de 20 de julho</a></small></p>
<p>Eu estava a meio caminho da interminável biografia de Dietrich Bonhoeffer (que ainda não terminei) quando comecei a ler <em>For the soul of the people: Protestant protest against Hitler</em> [<strong>Pela alma do povo: Protesto protestante contra Hitler</strong>], da historiadora Victoria Barnett. Pus de lado esta semana a última página do livro, e posso dizer que encontrei o que não procurava &#8211; talvez justamente porque (e eis a necessária reviravolta) não encontrei o que procurava.</p>
<p>O título do livro é ao mesmo tempo enganador e significativo porque, como  a autora vai deixando agonizantemente claro,<em> não houve protesto protestante contra Hitler</em>. Não na Alemanha nazista. Não quando era necessário. Não quando um protesto poderia fazer diferença. Não com qualquer ênfase ou visibilidade, não por parte de um grupo significativo e certamente não por parte da instituição como um todo.</p>
<p>O que houve, e disso a história fornece redentora e incômoda evidência, foi protesto <em>individual</em> de protestantes contra Hitler. A instituição essencialmente nada fez, mas naquele mais vigiado, preconceituoso, intolerante e opressor dos regimes levantaram-se uns poucos heróis solitários que, precisamente como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dietrich_Bonhoeffer">Bonhoeffer</a>, colocaram-se publicamente em pé diante da máquina simplesmente porque não concordavam com a direção em que ela estava indo, e por causa de quem estava sendo esmagado no caminho. A maioria desses, precisamente como Bonhoeffer, não escapou com vida para testemunhar a primavera de 1945, quando o planeta despedaçado acordou perplexo para o fim da inocência mundial.</p>
<p>É uma narrativa que confirma da forma mais excruciante o que venho intuindo há muito tempo (&#8220;repita comigo: as instituições não existem, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/microsalvamentos-como-salvar-o-mundo-um-instante-de-cada-vez/">só existem pessoas</a>&#8220;) sobre a insuficiência das instituições e a facilidade com que podem tornar-se carimbos coletivos que o sistema usa para endossar a injustiça. Na história como apresentada por Barnett é terrível constatar o tempo que perde, esperando alguma reação ou posicionamento da igreja formal, o punhado de pessoas realmente disposta a se levantar contra o regime &#8211; ou, talvez ainda mais importante, disposta a ajudar quem está sendo prejudicada por ele. Mesmo os militantes mais radicais da resistência protestante na Alemanha nazista demoraram anos até passarem a questionar a omissão do sistema eclesiástico em público e em privado; todos, mesmo os terrivelmente lúcidos como Bonhoeffer, simplesmente queriam que a instituição funcionasse. Muitos deles ficaram querendo até o último momento.</p>
<p>A verdade que esta parábola deixa evidente é que a instituição não existe para defender uma causa ou sua coerência ideológica interna, mas para garantir sua própria perpetuação &#8211; pelo que seu modo de operação mais fundamental é a cautela. Quando o governo nazista decretou que os judeus estavam a partir de determinado momento desclassificados para determinadas posições públicas e privadas, não ocorreu à igreja questionar esse julgamento, mesmo quando os que queriam comprovar a sua ascendência ariana recorreram em massa aos arquivos eclesiásticos, que detinham os registros de nascimento &#8211; e cujos responsáveis tiveram de trabalhar em dobro (e em alguns casos contratar assistentes e secretários) a fim de suprir a nova demanda de verificação racial gerada pelo estado.</p>
<p>Quando os judeus convertidos ao cristianismo se tornaram um embaraço inequívoco também dentro das igrejas, muitos sugeriram singelamente que uma solução amorosa seria que esses cristãos de origem &#8220;não-ariana&#8221; abrissem uma igreja só para eles, onde não representariam ameaça para outros além de si mesmos. Isso enquanto toda uma ala da igreja evangélica alemã, a dos chamados &#8220;Cristãos Germânicos&#8221;, propunha a sumária eliminação do Antigo Testamento de todas as Bíblias, de modo a sinalizar sem margem de dúvida o rompimento do cristianismo com a herança judaica.</p>
<p>Diante do ensurdecedor silêncio da igreja perante esses procedimentos, uma facção dela decidiu que era necessário postar-se publicamente contra a onda de insanidade. Esses, mais ou menos liderados por Bonhoeffer, deram a si mesmos o nome de Igreja Confessante, porque criam que confessar o nome/pessoa de Jesus implicava em manifestar-se publicamente contra toda forma de injustiça, mesmo diante de riscos institucionais e pessoais. </p>
<p>O livro de Barnett explica como essas três facções da igreja alemã (a minoria dos Cristãos Germânicos, a maioria conservadora/cautelosa e a minoria confessante) combateram umas com as outras durante o regime nazista de modo a, no fim das contas, se sujeitarem mutuamente ao mais completo silêncio diante das injustiças de Hitler.</p>
<p>Parte essencial da história, na verdade, está em que logo ficou claro que havia diferenças irreconciliáveis de convicção e de estratégia entre moderados e radicais mesmo dentro da Igreja Confessante. Essa polarização apenas se acentuou com o cerrar do cerco nazista, até que aqueles dispostos ao martírio entenderam que mesmo o movimento confessante era insuficiente para se proferir no meio do caos a Palavra, e partiram para a carreira solo no acolhimento de perseguidos ou no terrorismo secular. Entenderam que se haveria uma igreja contra a qual as portas do inferno não resistiriam, essa se manifestaria através de indivíduos e não da instituição. Porém essa sua distração com a fé no sistema custou muito para eles mesmos e para outros: quando esses poucos caras &#8211; a dissidência da dissidência &#8211; sacaram que não podiam e não deviam contar com as soluções institucionais, era essencialmente tarde demais. </p>
<p>O cerne do problema parece ter residido no fato de que, numa tradição que se estendia praticamente até Lutero, igreja e líderes eclesiásticos alemães haviam durante séculos sido incentivados a declarar mútua lealdade para com &#8220;o trono e o altar&#8221;. Nessa visão de mundo governo e igreja eram considerados sistemas independentes, mas unia-os um acordo tácito pelo qual um se comprometia a não interferir nos negócios do outro, e pelo qual ambos se comprometiam a fornecer ao outro legitimidade. Em outras palavras, a igreja não se sentia particularmente devedora a qualquer manifestação do Estado, mas sentia-se menos ainda inclinada a a interferir em negócios que diziam respeito a &#8220;outro domínio&#8221; que não o espiritual. Seu papel cristão era, muito declaradamente, pregar o evangelho e distribuir os sacramentos. Insurreição, resistência, desobediência civil &#8211; numa palavra, protesto &#8211; não desempenhavam qualquer papel no vocabulário prático da tradição protestante.</p>
<p>Essa sacrílega cumplicidade entre igreja e estado tem, evidentemente, raízes ainda mais antigas do que a Reforma, que apenas inseriu na equação o fator competição [à Igreja Católica]. Em sua manifestação original o movimento cristão era apolítico, anti-imperialista e subversivo ao ponto da anarquia funcional, mas o sucesso espetacular da sistematização do cristianismo terminou por apagar por completo os efeitos dessa herança subversiva &#8211; até que, em Constantino, igreja e império se transformaram numa única e abominável coisa. Para o historiador cristão Eusébio, escrevendo no ano 336, o imperador Constantino (o primeiro a conceder favor estatal à fé cristã) representava o modelo do governante espiritual, um &#8220;amigo de Deus&#8221; que &#8220;arranja seu governo terreno de acordo com o padrão do original divino&#8221;. Para Eusébio, Constantino deveria ser visto pelos crentes como &#8220;nosso imperador divinamente favorecido&#8221;, que havia recebido &#8220;como que uma transcrição da soberania divina&#8221; a fim de conduzir &#8220;em imitação do próprio Deus a administração dos negócios do mundo&#8221;<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/pela-alma-do-povo-omissoes-coletivas-e-bravuras-individuais/#footnote_0_2251" id="identifier_0_2251" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Eus&eacute;bio de Cesar&eacute;ia, Discurso em louvor do imperador Constantino. Citado em Richard Fletcher, The Barbarian Conversion. Fletcher tamb&eacute;m observa que &amp;#8220;n&atilde;o &eacute; para Eus&eacute;bio que devemos recorrer para saber que Constantino assassinou seu sogro, sua esposa e seu filho&amp;#8221;.">1</a></sup> &#8211; nada muito diferente do que cristãos alemães opinariam séculos mais tarde a respeito de Hitler.</p>
<p>Nessa única transação com o Poder o movimento cristão passava de frágil a influente, de subversivo a inofensivo, de marginal a detentor do <em>status quo</em>, de incendiário a bombeiro, de incômoda ameaça aos poderes e potestades deste mundo a seu mais valioso selo de confirmação. As tremendas desventuras, grandes vergonhas e pequenas ousadias encenadas pela igreja evangélica alemã durante o regime nazista apenas demonstram o quanto há de contemporâneo e de diabólico nessa aliança, mesmo em regimes que professam oficialmente divisão entre igreja e estado. </p>
<p>É uma história que demonstra muito claramente que o problema não reside na separação entre igreja e estado, porque enquanto permanece como instituição a igreja é obviamente inseparável dos governos deste mundo. Uma instituição é basicamente uma entidade coletiva <em>que tem algo a perder</em> (mesmo que seja apenas sua própria autoridade), e o movimento cristão é por definição bíblica o movimento dos desbravadores do reino &#8211; isto é, o domínio em permanente insurreição dos que confessam não ter nada a perder, e sustentam ao mesmo tempo que o único modo de confessar isso <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-que-havia-sido-usurpado/">é demonstrá-lo</a>.</p>
<p>É algo ao mesmo tempo belo e terrível que a história do protesto protestante contra Hitler só tenha para contar omissões coletivas e bravuras individuais. A segunda metade do século XX e sua extensão no terceiro milênio são resultado sem escalas da experiência coletiva da Segunda Guerra, e sobreviver a ela ensinou-nos não só a questionar incessantemente qualquer ideologia (porque tememos outro Hitler), mas a duvidar da eficácia e da legitimidade de soluções intermediadas/institucionais.</p>
<p>Essa, no entanto, é uma lição de humildade que o terreno beligerante da tradição cristã irá até o último momento recusar-se a absorver. Prova disso é o que aconteceu logo depois &#8211; porque Barnett, para minha surpresa, não termina sua história com o final da guerra. E se o drama da igreja alemã sob Hitler havia confirmado minhas piores suspeitas, nenhuma expectativa me havia preparado para o que veio em seguida.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug022.gif"></p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2251" class="footnote">Eusébio de Cesaréia, <em><a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/a-monarquia-de-deus/">Discurso em louvor do imperador Constantino</a></em>. Citado em Richard Fletcher, <em>The Barbarian Conversion</em>. Fletcher também observa que &#8220;não é para Eusébio que devemos recorrer para saber que Constantino assassinou seu sogro, sua esposa e seu filho&#8221;.</li></ol><div class='series_toc'><h3>A igreja e o Poder</h3><ol><li>Pela alma do povo: omissões coletivas e bravuras individuais</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-fissura-do-mundo-politica-polarizacao-e-paralisia/' title='A fissura do mundo: política, polarização e paralisia'>A fissura do mundo: política, polarização e paralisia</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/capitalismo-socialismo-alienacao-e-o-capeta/' title='Capitalismo, socialismo, alienação e o capeta'>Capitalismo, socialismo, alienação e o capeta</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Trailer &#124; A versão completa de Metropolis</title>
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		<pubDate>Sat, 01 May 2010 08:57:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. No verão de 2008 o curador do Museo del cine de Buenos Aires encontrou uma cópia integral, em negativo, de Metropolis (1927, Fritz Lang), um dos filmes mais espetaculares, visualmente impecáveis e influentes de toda a história &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>No verão de 2008 o curador do <em>Museo del cine</em> de Buenos Aires encontrou uma cópia integral, em negativo, de <em>Metropolis </em>(1927, Fritz Lang), um dos filmes mais espetaculares, visualmente impecáveis e influentes de toda a história &#8211; mas que praticamente ninguém tinha visto em versão completa. Até agora.</p>
<p>Uma nova restauração de <em>Metropolis</em> <a href="http://www.kino.com/metropolis/main.html">está sendo lançada</a> com 25 minutos de cenas inéditas &#8211; cerca de 1/5 do filme &#8211; que nunca haviam sido vistas desde a sua estréia em Berlim. Deve ter havido poucas oportunidades na história da cultura em que o termo &#8220;imperdível&#8221; se aplicasse de modo tão apropriado.</p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/fullscree-button.png">&nbsp;) na barra de reprodução.</span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
[Visite a Bacia para ver o filme]
</td>
</tr>
</table>
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		<title>Os livros com que já dormi</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 10:25:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém deveria ser capaz de lhe dizer o que você deve ler, mas todos tem o direito de perguntar. Acabei de abrir um cadastro na rede de leitores Skoob, e já subi alguns itens para minha estante virtual. Ainda não tem muita coisa mas, acredite, grande parte do que incessantemente me assombra e me povoa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/4602849"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/4602849_add82115cd367897a292b94bbe41b76e_standard.jpg" height="306" width="460" /><br />
</a></p>
<p>Ninguém deveria ser capaz de lhe dizer o que você deve ler, mas todos tem o direito de perguntar. Acabei de abrir um cadastro na rede de leitores <em>Skoob</em>, e já subi alguns itens para minha estante virtual. Ainda não tem muita coisa mas, acredite, grande parte do que incessantemente me assombra e me povoa o interior já está ali. Ainda não mencionei nada de Shakespeare, mas o que pode ser mencionado de Shakespeare? O que deuses escrevem só nos cabe ler, na esperança de nos tornarmos vicariamente homens.</p>
<p>Este é o momento em que você deveria me agradecer.</p>
<p>Minha estante no Skoob:<br />
<a href="http://www.skoob.com.br/estante/livros/13/156468/est:h/page:1">PRIMEIRA PRATELEIRA</a> • <a href="http://www.skoob.com.br/estante/livros/13/156468/est:h/page:2/mpage:2">SEGUNDA PRATELEIRA</a></p>
<h5> * * * </h5>
<p>Ninguém deveria ser livre para classificar livros, mas ninguém deveria ser livre para impedir.</p>
<p>CINCO ESTRELAS <strong>*****</strong> Absolutamente indispensáveis na elucidação da minha mitologia pessoal. Sem esses livros, muito claramente, o Brabo não seria quem é.</p>
<p>QUATRO ESTRELAS <strong>****</strong> Altamente recomendados. É deslumbramento garantido ou sua mente fechada de volta.</p>
<p>TRÊS ESTRELAS <strong>***</strong> O meio não existe. Escolha um dos lados.</p>
<p>DUAS ESTRELAS <strong>**</strong> Medíocres, querendo dizer que mal e mal atingem as expectativas que geraram. Se continuar lendo livros assim você se manterá inteiramente a salvo das desconcertantes montanhas de significado que a mente humana pode alcançar.</p>
<p>UMA ESTRELA <strong>*</strong> Livros ruins no sentido perverso da palavra. Até mencioná-los é torpe, mas devem ser evitados de forma apaixonada e militante.</p>
<p>NENHUMA ESTRELA . Caramba, esses ainda não terminei. Mas se me dei ao trabalho de mencioná-los é porque provavelmente estou gostando.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug059.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/a-fraternidade-das-letras/">A fraternidade das letras</a></p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/5552919"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/5552919_f72f29de30378458bf373f95d40a3bf1_standard.jpg" height="306" width="460" /><br />
</a></p>
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		<title>Cinco minutos de Guerra nas Estrelas</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 11:23:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Montados a partir de clipes de 15 segundos reencenados por uma multidão de fãs ao redor do mundo. A versão completa de Star Wars &#8211; Uncut estréia 19 de abril em Copenhagen. Não deixe de assistir também o trailer.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Montados a partir de clipes de 15 segundos reencenados por uma multidão de fãs ao redor do mundo. A versão completa de <em><a href="http://www.starwarsuncut.com/">Star Wars &#8211; Uncut</a></em> estréia 19 de abril em Copenhagen. </p>
<p><center><object width="640" height="480"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=10821312&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=62bfe1&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=10821312&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=62bfe1&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="640" height="480"></embed></object></center></p>
<p>Não deixe de assistir também <a href="http://www.starwarsuncut.com/trailer">o trailer</a>.</p>
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		<title>Cristianismo Xique</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 04:01:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre que surge uma voz revolucionária, explicando que &#8220;está tudo errado&#8221; &#8211; e nada mais fácil de explicar &#8211; junta-se ao redor do cara um grupo de seguidores que representa o nascimento de uma nova elite, a Elite Dos Que Enxergam As Coisas Com Mais Clareza. Trata-se de gente que tem por missão secundária mudar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre que surge uma voz revolucionária, explicando que &#8220;está tudo errado&#8221; &#8211; e nada mais fácil de explicar &#8211; junta-se ao redor do cara um grupo de seguidores que representa o nascimento de uma nova elite, a Elite Dos Que Enxergam As Coisas Com Mais Clareza. Trata-se de gente que tem por missão secundária mudar o mundo, e por primeira lamentar a pobreza de espírito e a estreiteza da visão dos que não pertencem à elite.</p>
<p>Foi mais ou menos o que aconteceu quando o rabi de Nazaré começou a insultar as elites há dois mil anos; multidões insaciáveis saíram pelas cidades e pelos desertos no rastro de suas aparições públicas, na esperança de encontrar uma brecha e se integrar à nova nata. </p>
<p><strong>RT <em>@joaobatista</em> Chegando a Betânia. O culto vai ser de derrubar! <em>#muitafé</em></strong></p>
<p>Nem todos, é verdade, abraçaram esse deslumbramento. Enquanto alguns aplaudiam ardentemente a originalidade do Mestre, outros cruzavam os braços e explicavam: &#8220;Mais um com o velho discurso &#8216;estou cansado&#8217;. Isaías já estava cansado há 400 anos! A fila anda!&#8221;</p>
<p>Os mais antenados, no entanto, estavam dispostos a tudo para perfilhar a nova onda e serem contados entre os escolhidos.</p>
<p>&#8211; Salomé, você ouviu que a nova moda é vender tudo e dar aos pobres?</p>
<p>&#8211; Querida, então já não fiz? Levou seis meses só para tirar as fotos e colocar no<em> Mercado Livre</em>. Estou paupérrima mas minha pele nunca esteve tão boa!</p>
<p>Como a nova elite precisa ser constantemente recriada, a boa nova é que você tem hoje mesmo a chance de ser incluído na onda mais recente, atualizada e badalada do cristianismo. Para ajudá-lo a se diferenciar da massa indistinta dos fiéis, <a href="http://melivro.com/">Thiago Bomfim</a> alçou o sáite <em>Cristianismo Xique</em>, com dicas excelentes para você agregar valor e articular a sua inclusão. </p>
<p>Curti especialmente a dica número 7: <a href="http://cristianismoxique.com/dica-7-dar-algum-parecer-teolgico-sobre-desastres-naturais/">Dar algum parecer teológico sobre desastres naturais</a>. Espero que <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-pronunciamento/">meu próprio parecer</a> tenha se mostrado vago o bastante para merecer inclusão nas duas colunas. Isso sim é que seria chique <em>#xique</em>.</p>
<p>Então, o que você está esperando? Visite e coloque em prática você também o <a href="http://cristianismoxique.com/">Cristianismo Xique</a>. Porque não é chique enquanto você entende o que está acontecendo.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug004.gif"></p>
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		<title>Isso também vai passar [2]</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 14:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&#160;&#160;) na barra de reprodução. Veja também: Isso também vai passar Here it goes again]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/fullscree-button.png">&nbsp;) na barra de reprodução.</span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
<p><object width="560" height="340"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qybUFnY7Y8w&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/qybUFnY7Y8w&#038;hl=en_US&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"></embed></object></p>
</td>
</tr>
</table>
<p>Veja também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/isso-tambem-vai-passar/">Isso também vai passar</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/here-it-goes-again/">Here it goes again</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Isso também vai passar</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 17:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. São os caras da banda norte-americana OK Go, parando mais uma vez o trânsito da internet, e desta vez é pra gente ver, literalmente, a banda passar. This too shall pass, when the morning comes: isso tambem vai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>São os caras da banda norte-americana <em><strong>OK Go</strong></em>, parando mais uma vez o trânsito da internet, e desta vez é pra gente ver, literalmente, a banda passar.</p>
<p><em>This too shall pass, when the morning comes</em>: isso tambem vai passar, quando a manhã chegar.</p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/fullscree-button.png">&nbsp;) na barra de reprodução.</span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
<p><center><object width="570" height="321"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8718627&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=8718627&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="570" height="321"></embed></object></center></p>
</td>
</tr>
</table>
<p>O mp3 da música pode ser baixado de graça na <a href="http://www.okgo.net/">página da banda da internet</a>. <em>Don&#8217;t let it go: this too shall pass.</em></p>
<h5>* * *</h5>
<p>Veja também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/magnificat/">Magnificat</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/noche/">Embora seja noite</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/here-it-goes-again/">Here it goes again</a></p>
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		<title>Madredeus</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 09:26:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. Se nunca ouviu o conjunto português Madredeus, você nunca ouviu nada parecido. Uma poesia inesperada, uma coordenação excelsa, uma voz que traz em si um vento mais velho que o Velho Mundo. Talvez seja mais indicado você aproximar-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>Se nunca ouviu o conjunto português <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Madredeus">Madredeus</a>, você nunca ouviu nada parecido. Uma poesia inesperada, uma coordenação excelsa, uma voz que traz em si um vento mais velho que o Velho Mundo.</p>
<p>Talvez seja mais indicado você aproximar-se do som do conjunto com o mesmo senso de assombro e reverência do protagonista do lírico <em>Lisbon Story</em>, de Wim Wenders. Não se preocupe em tentar assimilar tudo na primeira vez. A própria guitarra ensina.</p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/fullscree-button.png">&nbsp;) na barra de reprodução.</span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
[Visite a Bacia para ver o filme]
</td>
</tr>
</table>
<p>Quando uma guitarra trina<br />
Nas mãos de um bom tocador<br />
A própria guitarra ensina<br />
A cantar seja quem for</p>
<p>Eu quero que o meu caixão tenha uma forma bizarra<br />
A forma de um coração, a forma de uma guitarra<br />
Guitarra, guitarra querida, eu venho chorar contigo<br />
Sinto mais suave a vida quando tu choras comigo</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center><object width="400" height="300"><param name="movie" value="http://listen.grooveshark.com/widget.swf"></param><param name="wmode" value="window"></param><param name="allowScriptAccess" value="always"></param><param name="flashvars" value="hostname=cowbell.grooveshark.com&#038;widgetID=18518138&#038;style=metal&#038;bbg=000000&#038;bfg=666666&#038;bt=FFFFFF&#038;bth=000000&#038;pbg=FFFFFF&#038;pbgh=666666&#038;pfg=000000&#038;pfgh=FFFFFF&#038;si=FFFFFF&#038;lbg=FFFFFF&#038;lbgh=666666&#038;lfg=000000&#038;lfgh=FFFFFF&#038;sb=FFFFFF&#038;sbh=666666&#038;p=0"></param> <embed src="http://listen.grooveshark.com/widget.swf" type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="300" flashvars="hostname=cowbell.grooveshark.com&#038;widgetID=18518138&#038;style=metal&#038;bbg=000000&#038;bfg=666666&#038;bt=FFFFFF&#038;bth=000000&#038;pbg=FFFFFF&#038;pbgh=666666&#038;pfg=000000&#038;pfgh=FFFFFF&#038;si=FFFFFF&#038;lbg=FFFFFF&#038;lbgh=666666&#038;lfg=000000&#038;lfgh=FFFFFF&#038;sb=FFFFFF&#038;sbh=666666&#038;p=0" allowScriptAccess="always" wmode="window"></embed></object></center></p>
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		<title>Trailer</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 13:17:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[os livros da bacia]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.mundocristao.com.br/baciadasalmas/"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/inteiro-no-seu-video.jpg" title="A Bacia das Almas, o filme" /></a></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug034.gif"></p>
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		<title>Circulação</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 14:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[os livros da bacia]]></category>

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		<description><![CDATA[É tarde demais: o livro da Bacia já está começando a popular as livrarias, e pode ser comprado pela internet no sáite da editora. Agora é só descansar sobre os louros e comprar aquela villa na Toscana. Leia também: Sobre o livro da Bacia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10721&#038;cod_categoria=150"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/livros/bacia-livro.jpg" title="A bacia das almas, o livro" /></a></p>
<p>É tarde demais: o livro da Bacia já está começando a popular as livrarias, e pode ser comprado pela internet <a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10721&#038;cod_categoria=150">no sáite da editora</a>. Agora é só descansar sobre os louros e comprar aquela <em>villa</em> na Toscana.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug042.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/sobre-o-livro-da-bacia/">Sobre o livro da Bacia</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Este cosmos desolado, parte 2</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2009/este-cosmos-desolado-2/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=este-cosmos-desolado-2</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 21:41:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[lovecraft]]></category>

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		<description><![CDATA[Criar um grande mito popular é criar um ritual pelo qual o leitor aguarda impacientemente e ao qual pode retornar com prazer crescente, seduzido cada uma das vezes pela repetição de diferentes termos, imperceptivelmente alterados a fim de permitir que ele experimente uma nova intensidade de experiência. Colocadas dessa forma as coisas parecem quase simples, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Criar um grande mito popular é criar um ritual pelo qual o leitor aguarda impacientemente e ao qual pode retornar com prazer crescente, seduzido cada uma das vezes pela repetição de diferentes termos, imperceptivelmente alterados a fim de permitir que ele experimente uma nova intensidade de experiência.</p>
<p>Colocadas dessa forma as coisas parecem quase simples, mas são raros os sucessos deste gênero na história da literatura. Na verdade, não é mais fácil criar-se uma nova religião.</p>
<p>Para demonstrar claramente o que está em jogo, seria necessário experimentar pessoalmente o clima de frustração que invadiu a Inglaterra diante da morte de Sherlock Holmes. Conan Doyle não teve escolha além de ressuscitar o seu herói. Lovecraft, que admirava Conan Doyle, teve êxito em criar um mito igualmente popular, vívido e irresistível.</p>
<p>As histórias de Sherlock Holmes giram ao redor de um personagem, enquanto em<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">«A literatura não é atividade adequada a um cavalheiro.»</span> Lovecraft não se encontra nenhum espécime verdadeiramente humano. Naturalmente esta é uma distinção importante, mas não verdadeiramente essencial, comparável à que separa religiões teístas de ateístas. A característica fundamental que as une, seu caráter religioso, é de resto difícil de definir e de se elucidar diretamente.</p>
<p>Outra pequena distinção que pode ser feita – mínima para a história literária, trágica para o indivíduo – é que Conan Doyle teve abundante oportunidade de perceber que estava criando uma mitologia essencial. Lovecraft não. No momento de sua morte ele tinha a clara impressão de que sua obra criativa mergulharia na obscuridade juntamente com ele.</p>
<p>Não obstante, ele já tinha discípulos – mas não que pensasse neles assim. Lovecraft correspondia-se com jovens autores (Bloch, Belknap Long e outros), porém não necessariamente os aconselhava a assumirem a mesma trilha que havia assumido.</p>
<p>Não se apresentava como mestre ou como modelo. Saudava as primeiras aventuras dos principiantes com delicadeza e modéstia exemplares. Era cortês, atencioso e gentil, mostrando-se seu verdadeiro amigo e nunca professor. Absolutamente incapaz de deixar uma carta sem responder, abstendo-se de exigir pagamento quando seu trabalho de revisão literária deixava de ser reembolsado, sistematicamente subestimando sua contribuição a histórias que sem sua intervenção jamais viriam à luz, Lovecraft portou-se como um autêntico cavalheiro ao longo de toda a sua vida.</p>
<p>Ele, naturalmente, gostava da idéia de tornar-se escritor, porém não apegava-se a esse sonho em detrimento de todo o resto. Em 1925, num momento de desânimo, confessava: &#8220;Estou muito perto de tomar a resolução de não escrever mais histórias, mas meramente sonhá-las quando der por bem, jamais rebaixando-me a algo tão vulgar quanto colocar o sonho por escrito em benefício de um público porcino. Cheguei à conclusão de que a literatura não é atividade adequada a um cavalheiro, e que escrever nunca deve ser considerado mais do que um empreendimento elegante ao qual se deve ceder apenas com infrequência e com critério.&#8221;</p>
<p>Felizmente Lovecraft continuou a escrever, e suas melhores histórias foram escritas depois dessa carta. Porém permaneceu até o fim, como gostava ele mesmo de descrever-se, um velho e gentil cavalheiro de Providence. Nunca, jamais, um escritor profissional.</p>
<p>Paradoxalmente, a personalidade de Lovecraft permanece fascinante em parte porque seus valores são tão diametralmente opostos aos nossos. Fundamentalmente racista, abertamente reacionário, Lovecraft glorificava as inibições puritanas e, obviamente, considerava repulsivas todas as &#8220;manifestações eróticas diretas&#8221;. Decididamente anticomercial, desprezava o dinheiro, considerava a democracia uma tolice e o progresso uma ilusão. A palavra &#8220;liberdade&#8221;, tão apreciada pelos americanos, inspirava-lhe apenas uma gargalhada triste e sarcástica. Ao longo de toda vida Lovecraft sustentou uma postura tipicamente aristocrática, desdenhosa com relação à humanidade em geral e extremamente generosa com relação aos indivíduos em particular.</p>
<p>Qualquer que fosse o caso, todos que de alguma forma se relacionavam com Lovecraft como indivíduo sentiram imensa tristeza quando souberam de seu falecimento. Robert Bloch disse que se tivesse sabido do verdadeiro estado da saúde física do amigo teria se arrastado de joelhos até Providence para vê-lo. August Derleth dedicou o restante de sua existência a reunir, compilar e publicar os fragmentos póstumos de seu amigo falecido.</p>
<p>E é graças a Derleth e alguns outros (porém principalmente Derleth) que o corpo da obra de Lovecraft acabou impactando o mundo. Hoje sua obra ergue-se diante de nós como imponente estrutura barroca, seus elevados estratos içando-se em inúmeros círculos concêntricos superimpostos, ostentando cada um largo e suntuoso patamar – sendo que o todo circunda um vértice de horror puro e absoluto assombro. </p>
<p>> O primeiro círculo, o mais exterior, corresponde a sua correspondência e seus poemas. Estes permanecem apenas em parte publicados, e ainda mais parcialmente traduzidos. A correspondência é particularmente vertiginosa: quase 100.000 cartas, algumas das quais chegam a 30 ou 40 páginas. Quando aos poemas, uma estimativa presente da sua quantidade não existe. </p>
<p>> Um segundo círculo conteria as histórias das quais Lovecraft participou – seja as que foram concebidas dede o primeiro momento como colaborações (como as histórias que escreveu com Kenneth Starling e Robert Barlow, por exemplo) ou as demais, cujos autores podem ter se beneficiado das revisões de Lovecraft (há dentro dessa categoria um número extremamente grande de casos; o teor da colaboração de Lovecraft variava, e algumas vezes representava uma reelaboração completa do texto). A essas podemos acrescentar ainda as histórias escritas por Derleth com base nas notas e fragmentos deixados por Lovecraft.</p>
<p>> No terceiro círculo chegamos às histórias escritas na prática por Howard Phillips Lovecraft. Neste caso, naturalmente, cada palavra conta; todas foram publicadas em francês e não devemos esperar que seu número total chegue a aumentar.</p>
<p>> Finalmente, podemos delinear muito distintamente um quarto círculo, o absoluto cerne da mitologia de Lovecraft, que contém aquilo que os mais apaixonados lovecraftianos continuam a chamar, a despeito de si mesmo, de &#8220;grandes textos&#8221;. Devo citá-los pelo prazer puro e simples de fazê-lo, juntamente com a data de sua composição:</p>
<ul>
<li>O chamado de Cthulhu &#8211; <em>The Call of Cthulhu</em> (1926)</li>
<li>A cor que caiu do espaço &#8211; <em>The Colour Out of Space</em> (1927)</li>
<li>O horror de Dunwich &#8211; <em>The Dunwich Horror</em> (1928)</li>
<li>Um sussurro nas trevas &#8211; <em>The Whisperer in Darkness</em> (1930)</li>
<li>Nas montanhas da loucura &#8211; <em>At the Mountains of Madness</em> (1931)</li>
<li>Os sonhos da Casa das Bruxas &#8211; <em>The Dreams in the Witch House</em> (1932)</li>
<li>Uma sombra sobre Innsmouth &#8211; <em>The Shadow Over Innsmouth</em> (1932)</li>
<li>Sombras perdidas no tempo &#8211; <em>The Shadow Out of Time</em> (1934)</li>
</ul>
<p>Além disso, suspensa sobre o castelo da obra de Lovecraft, como uma névoa espessa e instável, paira a insólita sombra de sua própria personalidade.<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">É natural que se erga um culto ao redor de figura que obsequia com tamanhos benefícios.</span> É possível que alguém ache um tanto exagerada, ou mesmo mórbida, a atmosfera de culto construída ao redor de sua pessoa, de seus gestos e atividades e até mesmo do mais insignificante de seus fragmentos escritos. Posso no entanto garantir que essa opinião estará fatalmente destinada a uma revisão depois de um mergulho nos seus &#8220;grandes textos&#8221;. É natural que se erga um culto ao redor de figura que obsequia com tamanhos benefícios.</p>
<p>E foi o que fizeram sucessivas gerações de lovecraftianos. Como sempre acontece, &#8220;o recluso de Providence&#8221; tornou-se agora figura quase tão mítica quando uma de suas criações. E o que é mais surpreendente é que todas as tentativas de desmistificá-lo fracassaram. Nenhum grau de detalhamento biográfico foi capaz de dissipar a aura peculiar de páthos que cerca seu pessoa.</p>
<p>A obra de Lovecraft pode ser comparada a uma ciclópica máquina de sonhos, de alcance e eficácia estarrecedores. Não há nada de tranquilo ou discreto em seus textos. Seu impacto na mente do leitor é selvagemente e assustadoramente brutal, bem como perigosamente vagarosa para dissipar-se. A releitura não produz nenhuma alteração notável nessa impressão, até que acabamos nos perguntando: como ele consegue?</p>
<p>No caso específico de H. P. Lovecraft não há nada de ridículo ou ofensivo nessa pergunta. Na verdade, o que há de distintivo em sua obra em relação a uma obra &#8220;normal&#8221; de literatura é que seus discípulos podem sentir-se capazes, pelo menos em teoria, através do uso judicioso dos mesmos ingredientes indicados pelo mestre, de obter resultados de qualidade comparável ou superior.</p>
<p>Ninguém jamais considerou seriamente a idéia de dar continuidade à obra de Proust, mas a obra de Lovecraft sim. E não se tratam de obras secundárias apresentadas como homenagem, nem tampouco de paródias: representam verdadeira continuação, e portanto caso único na história da literatura contemporânea.</p>
<p>Não apenas isso: o papel de gerador de sonhos assumido por Lovecraft não se limita apenas à literatura. Sua obra, pelo menos na mesma medida em que a de Robert E. Howard (embora de modo menos evidente), tem sido fator preponderante na renascença da ilustração de fantasia. Até mesmo a música rock, normalmente tão suspeitosa de tudo que é literário, fez questão de prestar-lhe homenagem – homenagem, pode-se dizer, prestada de um grande poder a outro, de uma a outra mitologia. Quanto às implicações da obra de Lovecraft nos domínios da arquitetura e do cinema, estas serão imediamente aparentes para o leitor atento. Trata-se da construção de um novo mundo.</p>
<p>Daí a importância dos materiais e das técnicas de construção: a fim de prolongar o impacto.</p>
<p align="right"><small><strong>Michel Houellebecq<br />
</strong><em>H. P. Lovecraft: Against the World, Against Life</small></em></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/o-horror-de-argila/">O horror de argila</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/post-mortem/">Post mortem</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-depoimento-de-randolph-carter/">O depoimento de Randolph Carter</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/a-fraternidade-das-letras/">A fraternidade das letras</a></p>
<div class='series_toc'><h3>Lovecraft contra o tempo</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/o-bloco-amarelo/' title='O bloco amarelo'>O bloco amarelo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/benjamin-franklin-em-1935/' title='Benjamin Franklin em 1935'>Benjamin Franklin em 1935</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/este-cosmos-desolado/' title='Este cosmos desolado'>Este cosmos desolado</a></li><li>Este cosmos desolado, <small>parte 2</small></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Imperdível, imperdoável</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 13:09:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Inteligência e poesia nunca deveriam andar juntas, sob pena de demolirem rancores estabelecidos e despertarem os mais transtornadores afetos do espírito. No que me diz respeito o lançamento mais esperado do ano era Salvos da perfeição &#8211; Mais humanos e mais perto de Deus, de Elienai Cabral Jr., que corre as prateleiras há alguns meses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/salvos.jpg"></p>
<p>Inteligência e poesia nunca deveriam andar juntas, sob pena de demolirem rancores estabelecidos e despertarem os mais transtornadores afetos do espírito.</p>
<p>No que me diz respeito o lançamento mais esperado do ano era <em><strong>Salvos da perfeição</strong> &#8211; Mais humanos e mais perto de Deus</em>, de Elienai Cabral Jr., que corre as prateleiras há alguns meses mas só chegou-me às mãos nesta segunda-feira pela mão do autor. É evidentemente o primeiro livro de que encontro a última capa desde <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/pedir-demais">Uma ortodoxia generosa</a>.</p>
<p>Elienai, tudo o que tenho a dizer é que nenhum outro livro que me ofereça a memória foi capaz de levar-me a lágrimas da mais desconjuntada emoção <em>a cada capítulo</em>. Meus advogados devem entrar em contato com você em breve, propondo um valor que consideramos justo para você me ressarcir deste embaraço.</p>
<p>Salvos da perfeição <a href="http://ultimato.com.br/blogs/salvos_perfeicao/">aqui</a> e em todo lugar.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug048.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://elienaijr.wordpress.com/">Blog do Elienai</a><br />
<a href="http://amarelofosco.wordpress.com/">Alysson Amorim</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Em Seis Passos: O LIVRO</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 22:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[os livros da bacia]]></category>

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		<description><![CDATA[Agora sim: Em 6 passos o que faria Jesus foi lançado em setembro de 2009 pelos impenitentes da Garimpo EditorialSe não encontrar o livro na livraria mais suspeita ou mais próxima, você pode comprá-lo online no sáite da Garimpo. O último capítulo, que deve amarrar todo o conteúdo anterior (para quem acha esse tipo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/livros/6-passos-inedito.png" alt="" /></a></p>
<p><span style="float:left;width:30%;font-family:calibri,arial,serif;font-size:1.3em;font-weight:bold;margin:0px 20px 0px 0px;">Agora sim: <em>Em 6 passos o que faria Jesus</em> foi lançado em setembro de 2009 pelos impenitentes da <a href="http://www.garimpoeditorial.com.br">Garimpo Editorial</a></span>Se não encontrar o livro na livraria mais suspeita ou mais próxima, você pode <a href="http://www.garimpoeditorial.com.br/hotsite_em6passos/index.html">comprá-lo online no sáite da Garimpo</a>.</p>
<p>O último capítulo, que deve amarrar todo o conteúdo anterior (para quem acha esse tipo de coisa necessária), estará disponível apenas na edição em papel; chama-se <em>Além da memória</em> e foi instigado por uma sacada do insubmisso Rondinelly Gomes de Medeiros.</p>
<p>O livro não tem capa, mas com conteúdo tão precário quem precisa dessas definitudes? Partamos sem entraves <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/seis-teaser-b.jpg">para as entranhas</a>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.garimpoeditorial.com.br/hotsite_em6passos/index.html"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/em-6-passos-promo.jpg" title="Em seis passos o que faria Jesus" /></a></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug044.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>Em seis passos que faria Jesus</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/1-viva-a-intolerancia/' title='PRIMEIRO PASSO: Viva a intolerância contra os religiosos'>PRIMEIRO PASSO: Viva a intolerância contra os religiosos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/2-faca-o-que-os-outros-nao-esperam/' title='SEGUNDO PASSO: Faça o que os outros não esperam'>SEGUNDO PASSO: Faça o que os outros não esperam</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/terceiro-passo-desfrute-sem-possuir/' title='TERCEIRO PASSO: Desfrute sem possuir'>TERCEIRO PASSO: Desfrute sem possuir</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/quarto-passo-viva-inteiramente-inserido-no-seu-mundo/' title='QUARTO PASSO: Viva inteiramente inserido no seu mundo'>QUARTO PASSO: Viva inteiramente inserido no seu mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/quinto-passo-permaneca-disponivel-para-o-momento/' title='QUINTO PASSO: Permaneça disponível para o momento'>QUINTO PASSO: Permaneça disponível para o momento</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/sexto-passo-sensualize-a-sua-espiritualidade/' title='SEXTO PASSO: Sensualize a sua espiritualidade'>SEXTO PASSO: Sensualize a sua espiritualidade</a></li><li>Em Seis Passos: O LIVRO</li></ol></div>]]></content:encoded>
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