A história da loucura

Para entender como isso funciona pode ser útil prover um sumário da história da ideia de doença mental. Nesta seção quero resumir A história da loucura de Michael Foucault, valendo-me ainda de Deviance and Medicalization: From Badness to Sickness, de Peter Conrad e Joseph W. Schneider. Enquanto examinamos essa história é fundamental que reflitamos sobre a nossa própria experiência nos serviços sociais. O quanto nossas instituições refletem os valores, trajetórias e estruturas das instituições que descobrimos aqui?

Surgia a compreensão de que os pobres eram benéficos para a riqueza das nações e dos capitalistas

A sociedade ocidental é singular na sua compreensão de que a “loucura” é uma “doença mental”. De que Continue lendo →

Árvores que andam

Há porém muitas espécies de ortodoxia, não somente aquelas ligadas explicitamente a credos religiosos, e a ortodoxia que quero mencionar hoje é a que domina o modo como vemos a pobreza e os sem-teto.

Os serviços sociais engajados com gente que experimenta pobreza e vida sem-teto acabaram sendo dominados por uma perspectiva médica. As pessoas hoje em dia veem a pobreza e os sem-teto como questões de saúde pública ou comunitária. Quando olha as fotos abaixo, por exemplo – você acha que está vendo o contraste entre um pessoa má que se tornou boa ou entre uma pessoa doente que se tornou sadia?
 

Modos de se ver

Daniel Oudshoorn

Quero começar reconhecendo que falo na qualidade de ocupante da terra que o Criador deu ao cuidado dos Anishinaabe e compartilhou com as tribos Haudenosaunee e Lenape. Ergo as mãos aos cuidadores desta terra e agradeço a eles por permitirem que gente como eu viva, trabalhe, brinque e e viva nos territórios que pertencem a eles ao lado do Askunessippi e ao longo de toda a ilha Turtle.

Na qualidade de colono, beneficio-me do projeto em andamento de colonialismo como se desenrola nos territórios ocupados que recebem o nome de “Canadá” nos mapas que estudamos na escola (mapas que deixaram de mostrar colônias europeias Continue lendo →

O que há de errado (e de bom) no capitalismo

Foto: Alexey Titarenko

O trajeto usual é este: quem se aproxima do socialismo é porque sente que há algo de errado com o capitalismo.

Como neste mundo o capitalismo é praticamente tudo que existe, é relativamente raro que as pessoas enxerguem no sistema (que é o seu mundo) falhas que as levem a concluir que o sistema precisa ser revisto ou substituído. Essa infrequência tem diversos motivos, mas deve-se antes de tudo à profundidade das transformações que o regime capitalista produziu no rastro da sua ascensão.

O capitalismo existiu em regime embrionário em todas as gerações dos homens, mas foi por milênios contido por restrições técnicas, morais Continue lendo →

O triunfo do simulacro

Daniel Oudshoorn, escrevendo sobre porque não tenho uma conta do Facebook, ou explicando de que modo posso um dia voltar a ter (já tive como ele uma conta secreta, por dois ou três anos: dois amigos, deve ter sido uma espécie de recorde):

O fim da história

Ao proclamar e viver dentro da memória subversiva do evangelho de Jesus, ao revelar a natureza triúna do Deus sofredor, ao testemunhar o reino de Deus e o senhorio de Jesus e ao anunciar o perdão dos pecados, a igreja profere um enfático “não” à declaração de Fukuyama de que a História terminou com a vitória do capitalismo de livre-mercado e com as democracias liberais ocidentais. Essa quádrupla proclamação está fundamentada numa escatologia cristã que declara que foram a crucificação e a ressurreição de Jesus que assinalaram o fim da História.

A História não terminou com a queda da União Soviética; ela terminou Continue lendo →

Proclamando o reino de Deus: Jesus é Senhor

NOTAS
  1. Moltmann, The Church in the Power of the Spirit, 10. []

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