“Era informe… sobre a face do abismo.”
Gênesis 1:2
Nos episódios anteriores de A Bacia das Almas… expliquei que estou preparando para publicação uma segunda compilação dos manuscritos arquivados neste sáite: uma continuação, por assim dizer, de A Bacia das Almas, o livro. Disse também que o que está atrasando a vinda ao mundo dessa mítica obra, que se deve chamar A linhagem interrompida, é que estou escrevendo para engrossá-la uma pequena série de artigos inéditos sobre a ideia de carne no Novo Testamento.
Um parágrafo, tirado do primeiro desses artigos, você pode ler clicando aqui.
Deixo agora, a quem interessar possa, e para você ter certeza que é para esse lado mesmo que a coisa está degringolando, dois parágrafos do segundo desses artigos:
Embora não cheguem a tratar explicitamente da questão, entendo que para os autores do Novo Testamento o fato de Jesus não ter deixado descendentes de carne é tão importante para a compreensão de sua missão e para a interpretação da sua mensagem quanto o fato de ele ter morrido e ressuscitado.
Intérpretes contemporâneos tendem a encontrar na tácita castidade de Jesus um indício precoce da demonização do sexo que sequestraria a mentalidade cristã logo nas primeiras décadas depois da saída de cena dos apóstolos. De minha parte, enxergo na resoluta infertilidade do Filho do Homem uma carga mais exigente e subversiva, e penso poder demonstrar que os autores do Novo Testamento viam a coisa de modo semelhante. Em questão não estava a demonização do sexo, mas uma denúncia e um convite implícito a uma ampla reavaliação e ressignificação da ideia da supremacia e da suficiência da carne.
A linhagem interrompida deve vir à luz quando ficar pronto.