As persistentes persuasões do desenvolvimento

O que o PT e o capitalismo têm em comum? A crença de que de uma produção crescente brotará naturalmente a justiça.

Foi precisamente essa perda de contato com o passado, nosso desenraizamento, que deu origem aos “descontentamentos” da civilização, a uma pressa e uma agitação tão grandes que vivemos mais no futuro com suas quiméricas promessas do que no presente, cujo passo acelerado nosso pano de fundo evolucionário não aprendeu ainda acompanhar. Precipitamo-nos impetuosamente novidade adentro, guiados por um senso cada vez mais acentuado de insuficiência, de insatisfação e de inquietação. Não vivemos mais daquilo que temos, vivemos de promessas; deixamos de viver à Continue lendo →

Sobre o manejo eficaz da culpa econômica

Finalmente conseguimos: o Brasil é um exemplo para o mundo.

Não faz ainda três anos, um consórcio internacional de amigos meus decidiu, com a minha conivência, que o Brasil estava no topo da lista dos lugares do mundo em que era menos provável que o fascismo levantasse a sua cara.

Ah, se estávamos errados. Fascismo, só para tirar a sua dúvida, é quando mães são agredidas porque seus bebês estão usando roupas da cor errada. Não deve haver dúvida: quando parte que seja da população acredita poder determinar quem tem razão através de um código de cores, o tecido social está já bem rompidinho.

Outra indicação da vitória do Continue lendo →

A queda da casa do mundo

– Tem uma página na internet, esqueci o endereço – me disse o Zé Márcio – que mostra um mapa-múndi e uma linha do tempo. Você arrasta para a direita o triângulo que representa um ponto remoto na linha do tempo, e faz com que as fronteiras nacionais mostradas no mapa se ajustem à medida em que as datas destacadas se aproximam da nossa. Você vê o contorno do Império Romano, e no instante seguinte o sul da Europa e o norte da África pertencem já aos muçulmanos. Aqui a Índia e a África pertencem aos portugueses, no momento seguinte a América do Norte aos espanhóis. Agora a Itália ainda não existe, agora a Alemanha engole Continue lendo →

Sobre barragens

O fundamentalismo de mercado requer a fé de que as coisas podem ser mantidas isoladas umas das outras por muros de contenção.
A má notícia é que as barragens funcionam. A notícia pior é que não funcionam indefinidamente.

Em algum momento entre hoje e o instante em que desliguei uma televisão pela última vez, em 2004, o capitalismo tornou-se tudo que existe.

A expressão “espacialização do capital” quer dizer várias coisas, inclusive que não resta espaço – real ou virtual, distinção que o capitalismo trata de ignorar – que não tenha sido ocupado pelo capitalismo ou distorcido pela sua força gravitacional. Faz sentido continuar chamando de Império ao Império que anulou toda a competição? Tendo ocupado todos os espaços, o capitalismo tornou-se indistinguível daquilo com que poderia ser contrastado.

Mas “espacialização do capital” quer Continue lendo →


Depositado em juízo por Paulo Brabo · Desde 2004 · Sobre o autor e esta Bacia · Receba por email · Leia um livro · Olhe desenhos · Vasculhe os arquivos · A amizade continua a mesma no twitter, no Instagram, no Flickr e até no Google+ · Mas não no Facebook · Assine com RSS · Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais · Fale comigo · A Bacia das Almas é filiada ao Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais