Of Course
The Net
Meu amigo Julian Crouch. Não nos víamos pessoalmente desde a conclusão da Cordelorum Expeditione em outubro de 2005, mas neste fim de semana nossos caminhos voltaram a se cruzar por algumas horas, entre o sábado e o domingo.
Em São Paulo, que é supostamente “como Londres, but bigger,” comemos como reis no Baby Beef e colocamos a conversa em dia sobre corações e espetáculos. A pé, em homenagem aos nosso dias no sertão, visitamos juntos o MASP (exposições de Darwin e Goya - “Darwin is overrated“) e ao Parque do Ibirapuera, que o Julian insistia em chamar, para me provocar, de Central Park. O Julian ficou mais impressionado com o desenho que as raízes das árvores formam nas calçadas do Ibirapuera do que com os bad Picassos do Masp, mas está na índole dele crer que a beleza é comum.
Despedimo-nos ao meio-dia de domingo e voltei para o Monastério trazendo, agradecido, os três pequenos volumes da série de cordéis britânicos que Julian produziu sobre O Grande Incêndio de Londres.
“I’ll be back”, ele sorriu, enquanto tomávamos nosso último suco de laranja numa padaria.
Devo muita coisa a esse sujeito, mas devo aqui confessar pelo menos uma. Pirateei do Julian o uso muito peculiar que ele faz de expressões como ”é claro”, “naturalmente”, ”obviamente”. Se Borges me ensinou o poder do “talvez” especulativo, Julian ensinou-me o poder do “naturalmente” em lugares inesperados.
Algumas semanas atrás, por exemplo, ao anunciar que vinha ao Brasil para uma semana de oficinas com o pessoal de sua companhia de teatro, disse-me o Julian que estava sendo tão espetacularmente abençoado pela vida que quando nos encontrássemos novamente eu não seria capaz de reconhecê-lo.
– I will be much younger, of course - explicou ele.
“Estarei muito mais jovem, naturalmente”.


