Manuscritos estocados sob a rubrica 'The Net'
11 de Outubro de 2012

A conexão não é um problema

The Net

«Um homem bar­budo que é um gênio e um santo que nunca conheci pes­so­al­mente me recon­ci­liou com a inter­net. Talvez.»

Meu primeiro artigo na Forja Universal.

11 de Janeiro de 2011

Como escrever como o Paulo Brabo

Gírias e Falares, The Net

Escrevendo sobre teologia e outras coisas sem grande importância, o impertinente (e mineiro, como se houvesse diferença1) Rogerio Brandão revelou sem querer cinco dos sete segredos que compõem o meu estilo. Seguindo esses cinco passos muito simples você alcançará rejeição imediata na terra, etc.

  1. Apresente-se como “principal dos pecadores” usando termos marcantes. Ex: patife, canalha, farsa, maltrapilho, etc.
  2. Vincule o Evangelho e escritos sacros com expressões fortes que são normalmente usadas para coisas “profanas”. Ex: rebeldia do Reino, subversão de Jesus, sensualidade da mensagem, transgredir para o bem.
  3. Use, de igual modo, termos chocantes e metafóricos para destacar ideias principais. Ex: prenhe de esperanças, parir escritos, beijar a ferida aberta pelo própria pena.
  4. Procure roubar termos da literatura e das ciências literárias. O pior deles ainda é: O protagonista.
  5. Esbanje advérbios ou adjetivos (ou a união dos dois) para deixar claro o modo, a forma e a intensidade do que você quer dizer. Lembre-se sempre de uma contradição de sentidos. Ex. desesperadamente correto, constrangedoramente lúcido, lucidamente constrangedor, vivendo absurdamente na linha do possível.

Rogério Brandão, em Being Paulo Brabo

NOTAS
  1. Este é, naturalmente, o oitavo segredo: apresente duas coisas diferentes e depois finja acreditar que são uma mesma. E este é também o nono: apresente uma conclusão arbitrária e emoldure-a com um “naturalmente”, de modo a gerar perplexidade universal. []
21 de Setembro de 2010

Como efetivamente não me seguir

The Net

Um impenitente abriu em meu nome uma conta no twitter – estou lá, como brabo_sp (sp?), com fotografia, endereço e tudo – e já tenho seguidores sem que seja eu mesmo a estar guiando.

Não me incomoda tanto a apropriação da imagem, porque eu mesmo me aproprio constantemente da minha e da de alguns outros, mas é no mínimo curioso ver alguém fazendo em meu nome o que eu jamais faria e me apresentando como eu jamais me apresentaria. Aparentemente não há escapatória: o que eu não quero, isso faço, e o infortúnio dessa contradição se infiltra na realidade mesmo quando tomo todas as providências para evitá-lo.

Deixe-me atestar, então, muito candidamente, que não sou eu. Não sei quem está falando e não sei quem está ouvindo. Como já disse a quem perguntou, minha religião não me permite ter uma conta no twitter, e sinto-me grandemente bem-aventurado por essa graça, além de manter-me inteiramente disposto a dividi-la.

Portanto, se você quiser não me seguir ao mesmo tempo em que dá ao mundo e a si mesmo a impressão de que está me seguindo, vai encontrar um simulacro de mim no twitter, dizendo coisas que eu aparentemente já disse. Para efetivamente me seguir, basta não me seguir – em grande parte porque não sou eu quem você pensa que está seguindo.

Deve haver alguma lição nisso tudo.

Leia também:
Os rumores a seu respeito
Não me sigam

22 de Agosto de 2010

Una confesión necesaria

Manuscritos, The Net

El otro día un cristiano, alterado por la precariedad de mi profesión de fe, me llevó a un rincón y me pidió que admitiera de una vez por todas si creo en el cielo y el infierno, la resurrección y la naturaleza dual, en el cielo y en el lago fuego, en la divinidad de Cristo y el nacimiento virginal, en la Trinidad y la creación en siete días, en el regreso de Cristo en las nubes y el Armagedón, en el Anticristo y los cuatro jinetes, en los milagros de Jesús y las plagas de Egipto, en el juicio y la vida eterna.

La respuesta ya la tenía lista, y no se asombre de verme usándola nuevamente:

– Conozco gente mucho mejor que yo – dije – que cree en cosas mucho peores.

Este meu texto,
vertido por Héctor Moreno

30 de Janeiro de 2010

Brabo em castelhano

Fé e Crença, The Net

La intolerancia religiosa ha de ser tan antigua propia­mente como la idea de religión. Pero el dudoso mérito de los cristianos (a partir de ahora uso el término “cristianos” en su peor acepción, que es también la única acepción) es la de haber refinado el concepto de intolerancia religiosa asociándolo alternativa­mente a la esclavitud, a la tortura y a la muerte en gran escala.

A impenitentíssima e incansável Monja Guerrillera, que tem dado meritório e abundante testemunho de sua fidelidade ao Primeiro Passo, está (com minha conivência e de seu posto monacal no Monte dos Eucaliptos1), traduzindo meu panfleto Em seis passos o que faria Jesus para o idioma de Borges e de Cervantes.

A quem interessar possa cabe, portanto, recomendar e embarcar na leitura (a tradução está em andamento) de Lo que Ha­ría Jesús en Seis Pasos.

Quanto a você, Gaby, este é o tipo de disciplina monástica que traz embutida em si sua própria punição; é o tipo de glória que traz em si sua própria vergonha. Apenas não nos cabe imaginar que nosso trabalho se verá concluído, ou que nossos sucessos devam ser capazes de nos prover qualquer conforto. Esta é a natureza da guerrilha, e seu único método.

A luta continua.

NOTAS
  1. Uma porção aérea, alada e imaginária da grande Buenos Aires. []