Manuscritos estocados sob a rubrica 'The Net'
01 de Junho de 2008

Em cores

The Net

Ricardo Oliveira, jornalista de cultura e Irmão Comédia, em sua passagem pelo Monastério semana passada.

 

05 de Abril de 2008

15 minutos de infâmia

The Net

> Insurreição mineira
Impedidos antidemocraticamente de deixar as suas contribuições na Bacia, um punhado de revolucionários, liderados por um mineiro alemão, estão cometendo comentários sobre as postagens da Bacia numa comunidade rebelde do orkut (!). Informamos que esses insurretos serão acionados e perseguidos por todos os meios legais até a eliminação total. Toda resistência é futil.

> Salvo engano, a novela
Informa-me a Evellyn que um páragrafo da Bacia foi citado em mais uma prova de língua portuguesa da Fundação Carlos Chagas. Anotação para mim mesmo: escrever mais sobre pessimismo, porque pode dar certo. Clique aqui para ver a página inteira.

Scribd

Leia também:
Salvo engano
Salvo engano de novo
Salvo engano, etc

> Irmãos Komezia
Escreve-me o Tuco por email para contar que, ao fazer no oráculo do Google uma busca por imagens do escritor russo Dostoiévski, deparou-se com resultados inusitados. Clique aqui para fazer a mesma busca no Google e quem sabe encontrar a mesma coisa.

Imagens de Dostoiévski no Google

Se não encontrar nada que lhe pareça relevante, veja esta captura da página de respostas do Google e encontre o Wally com esta.

20 de Dezembro de 2007

Tom Grando e o Resgate da Curicaca de Ouro

Ilustração, The Net

Meu camarada Tom Grando, gente boníssima e força da natureza, está fazendo aniversário. O poster que fiz para marcar a data, que não é pequena:

Leia também:
O bolicho do Guartelá

11 de Junho de 2007

O bolicho do Guartelá

Quase Ciência, The Net

A convite do agrônomo e empresário e cantante Alessandro Casagrande (que havia sido por sua vez convidado pelo Tom) passei 48 horas, entre sexta e domingo, acampado na fazenda/reserva Curucaca, nos campos que derramam-se escarpa abaixo no cânion do Guartelá (na estrada entre Castro e Tibagi).

A reserva Curucaca é formidável propriedade do Tom e da Gi (e do Francisco, de três anos), que são biólogos e matutos e pessoas extraordinárias. Os dois receberam-nos com graça e exuberância, mantendo sempre um abraço à mão, uma piada na ponta da língua e muita comida na mesa. Compunham ainda o grupo a Dany (geneticista e líder de torcida), os italianos Enzo e Maria e seus filhos gêmeos Eva e Tiago - sem contar a Cuca, a impassível esfinge canina do Guartelá.

Sou testemunha de que o Tom e a Gi chegam aos mais encantadores (e sensatos) extremos para preservar a fauna, a flora e a cultura local da região. Na fazenda Curucaca a eletricidade vem de uma bateria solar, a água límpida vem do banhado, as cervejas resfriam-se na nascente e a água quente vem da mangueira exposta ao sol do meio do dia (banho quente, cari amici, só entre as onze e as três da tarde). O banheiro é visitado por cobras venenosas que não ocorreria a ninguém expulsar, quanto mais matar, e o pequeno Francisco faz carinho sem qualquer intimidação em pererecas e répteis ápodes (sem patas, que parecem cobras. Um desses, que aparece na minha mão na fotografia, me mordeu, o bandidinho).

Porém a grande paixão do Tom e da Gi (e seu maior interesse do na região e na reserva) é preservar o que resta dos campos gerais, vegetação de estepe que já cobriu a maior parte do interior do Paraná, e de cuja cobertura original resta menos de um por cento. Explicou-me o Tom que um pequeno trecho de campos e banhado com a feição dos campos gerais fixam carbono C4, capturam a luz solar, retém e purificam água e emitem oxigênio na atmosfera de forma muitas vezes mais eficiente do que uma exuberante floresta tropical que ocupe a mesma superíficie. “Não é à toa que os quatro maiores rios do estado nascem nas regiãos dos campos”.

O problema é que existem leis que limitam a exploração de florestas nativas, mas lei alguma regulamenta o uso dos campos no Brasil. As charmosas árvores da mata atlântica têm onde reclinar a cabeça, mas não as gramíneas, flores minúsculas, líquens e lobos-guarás das estepes e cerrados brasileiros. No Paraná, o que resta dos campos gerais dá cada vez mais lugar a pastos, plantações de soja e florestas comerciais de eucalipto e pinus, e o mesmo cenário repete-se no interior do Rio Grande do Sul. Quando o casal de biólogos chegou à região do Guartelá, na virada do milênio, a vegetação ao redor dos limites da Curucaca estava passavelmente preservada. Hoje o horizonte mudou: em virtualmente todas as propriedades vizinhas (com exceção do Parque do Guartelá) o bege-savana dos campos foi substituído pelo verde pasteurizado das plantações de soja e pelo rubro das mudas eucalipto - plantas que, nem de longe, serão capazes de preservar os recursos de água, oxigênio e carbono da forma como faz o delicado ecossistema dos campos gerais.


O novo horizonte do Guartelá:
a soja avançando sobre as estepes

É pela consciência da seriedade dessa situação que 95% da área da fazenda Curucaca é mantida radicalmente intocada. Quando um vizinho perguntou se ele não temia ter nas mãos tanta terra “improdutiva”, o Tom respondeu exuberantemente e com acerto: “Como improdutiva? Eu produzo água! A água que você bebe vem da minha propriedade”. E mostrou-me os canos para comprovar que a água de um único banhado da Curucaca supre de água potável quatro outras propriedades ao redor.

Como preservar algo de que ninguém reconhece a importância? Uma liga de ambientalistas da qual o Tom é militante e porta-voz está lutando para fazer avançar um projeto que regulamenta a exploração dos campos, mas o lobby das indústrias conta com a dura eloqüência do patrocínio. O Tom e a Gi estão praticamente sozinhos nos seus esforços para salvar a Terra, mesmo sabendo que é quase certamente tarde demais.

continue lendo >

29 de Maio de 2007

Of Course

The Net

Meu amigo Julian Crouch. Não nos víamos pessoalmente desde a conclusão da Cordelorum Expeditione em outubro de 2005, mas neste fim de semana nossos caminhos voltaram a se cruzar por algumas horas, entre o sábado e o domingo.

Em São Paulo, que é supostamente “como Londres, but bigger,” comemos como reis no Baby Beef e colocamos a conversa em dia sobre corações e espetáculos. A pé, em homenagem aos nosso dias no sertão, visitamos juntos o MASP (exposições de Darwin e Goya - “Darwin is overrated“) e ao Parque do Ibirapuera, que o Julian insistia em chamar, para me provocar, de Central Park. O Julian ficou mais impressionado com o desenho que as raízes das árvores formam nas calçadas do Ibirapuera do que com os bad Picassos do Masp, mas está na índole dele crer que a beleza é comum.

Despedimo-nos ao meio-dia de domingo e voltei para o Monastério trazendo, agradecido, os três pequenos volumes da série de cordéis britânicos que Julian produziu sobre O Grande Incêndio de Londres.

“I’ll be back”, ele sorriu, enquanto tomávamos nosso último suco de laranja numa padaria.

Devo muita coisa a esse sujeito, mas devo aqui confessar pelo menos uma. Pirateei do Julian o uso muito peculiar que ele faz de expressões como ”é claro”, “naturalmente”, ”obviamente”. Se Borges me ensinou o poder do “talvez” especulativo, Julian ensinou-me o poder do “naturalmente” em lugares inesperados.

Algumas semanas atrás, por exemplo, ao anunciar que vinha ao Brasil para uma semana de oficinas com o pessoal de sua companhia de teatro, disse-me o Julian que estava sendo tão espetacularmente abençoado pela vida que quando nos encontrássemos novamente eu não seria capaz de reconhecê-lo.

– I will be much younger, of course - explicou ele.

“Estarei muito mais jovem, naturalmente”.