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	<title>A Bacia das Almas &#187; Nostalgia</title>
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	<description>Onde as ideias não descansam</description>
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		<title>Hoje é um lugar que não existe</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 09:31:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Grandes Navegações]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que viver o momento, se o passado é menos desafiador e mais interessante? Combata a ressaca do presente com as pílulas do sáite Como ser um retronauta.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por que viver o momento, se o passado é menos desafiador e mais interessante? Combata a ressaca do presente com as pílulas do sáite <em>Como ser um retronauta</em>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.howtobearetronaut.com/"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2011/bits/retronaut.jpg" title="Como ser um retronauta" /></a></p>
<p> <img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2011/brabo-retronauta.jpg" border=0 class="alignright" /></p>
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		<title>Happy New Year (1980)</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Dec 2008 03:01:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[canções]]></category>
		<category><![CDATA[pop e brega]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet. Nada é mais surreal, mais semelhante a vastas e lentíssimas cócegas cósmicas, do que experimentar a passagem do tempo. A idéia de dividir o tempo, de forma semelhante ao que fazemos com o espaço, ocasiona toda espécie de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p align="center"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3076/3149935803_efc3b8df15_b.jpg" alt="" /></p>
<p>Nada é mais surreal, mais semelhante a vastas e lentíssimas cócegas cósmicas, do que experimentar a passagem do tempo.</p>
<p>A idéia de dividir o tempo, de forma semelhante ao que fazemos com o espaço, ocasiona toda espécie de dissonância cognitiva. É particularmente difícil apreender nossa relação com o passado. Para o futuro o espaço oferece uma metáfora mais ou menos adequada, já que o futuro é o que nos aguarda adiante, o que está além da próxima curva, no virar da esquina.</p>
<p>O passado, no entanto, é um espaço irretornável, e portanto inconcebível. Podemos levar um filho para conhecer uma paisagem da infância, mas a realidade crua aqueles dias está interditada para todos, inclusive para nós. A bagagem que trazemos do passado é ainda menor e mais imponderável do que a proverbial flor que o sonhador arranca no sonho e consegue trazer para a vigília. Não importa o que façamos: com o tempo ninguém vai acreditar no sonho, nem mesmo (e em primeiro lugar) nós mesmos.</p>
<h5>* * *</h5>
<p>À meia noite de 31 de dezembro de 1980, no preciso instante que inaugurou a década de 80 &#8211; a <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/especially-for-you">década do bom-mocismo</a>, e portanto a minha &#8211; a tv sueca lançou o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=dcLMH8pwusw">videoclipe</a> da canção <em>Happy New Year</em>, do grupo ABBA.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=3Uo0JAUWijM">Happy New Year</a> é curiosamente pessimista, quase niilista, para uma canção de final de ano.</p>
<p><strong>Oh yes, man is a fool</strong><em>/Ah, sim, o homem é um tolo</em><br />
<strong>And he thinks he&#8217;ll be okay</strong><em>/E pensa que com ele vai dar tudo certo</em><br />
<strong>Dragging on feet of clay</strong><em>/Arrastando pés de argila</em><br />
<strong>Never knowing he&#8217;s astray</strong><em>/Sem jamais saber que está longe do caminho</em><br />
<strong>Keeps on going anyway</strong><em>/Vai em frente mesmo assim</em></p>
<p>O que me fascina irresistivelmente na canção, no entanto, é a terceira e última estrofe, que pergunta &#8211; anacronicamente para nós, que vivemos literalmente na outra margem dessas especulações, &#8211; &#8220;quem sabe o que iremos encontrar [no fim desta nova década], ao final de 1989?&#8221;</p>
<p><em>Ao final de 1989.</em> Não apenas o futuro dos que cantam é o nosso passado, mas nosso presente é um futuro que eles não ousavam sondar. Vivemos deste lado de 2001, da queda do Muro, da inconcebível internet, do encolhimento da terra, da onipresença de computadores pessoais &#8211; mas, semelhantes a todos em todo o tempo, acreditamos que conosco vai dar tudo certo.</p>
<p>Lembro com toda a clareza de 1980. Ah, sim, o homem é um tolo.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#DDD4C2;">Clique o triângulo para ouvir o clipe</span><br />[Visite a Bacia para ouvir o áudio]<br /><small> A reflexão desconcertante de <strong>Happy New Year,</strong> ABBA, 1980</small></p>
<p><strong>In another ten years time</strong><em>/Daqui a mais dez anos</em><br />
<strong>Who can say what we&#8217;ll find</strong><em>/Quem sabe o que iremos encontrar</em><br />
<strong>What lies waiting down the line</strong><em>/O que jaz aguardando no fim da linha</em><br />
<strong>In the end of 89</strong><em>/Ao final de 1989</em></p>
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		<title>Pasta Jóia, We Dream</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Sep 2007 09:04:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet. Ontem pela manhã fui buscar o Corsa na João Hoffmann e enquanto terminavam o serviço fiquei em pé junto da entrada olhando para o dia friozinho e nublado do Bacacheri, pontuado por cinzas pétreos e verdes pungentes e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#CBD0BE"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>Ontem pela manhã fui buscar o Corsa na João Hoffmann e enquanto terminavam o serviço fiquei em pé junto da entrada olhando para o dia friozinho e nublado do Bacacheri, pontuado por cinzas pétreos e verdes pungentes e coroado por uma garoa ralíssima. Eu vestia camiseta de manga comprida por baixo da camisa de flanela e uma grossa japona por cima, mas o vento gelado e fragrante tocou-me sem constrangimento o rosto – e percebi, numa epifania, que aquela brisa generosa tinha precisamente a mesma natureza, a mesma carga espiritual e sensorial, do vento da Curitiba de mais de 20 anos atrás. Aquela brisa antiga tinha dado a volta ao mundo e retornava agora carregada de lembranças de outro tempo.</p>
<p><span id="more-1352"></span></p>
<p>[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</p>
<p>Lembrei-me da sala de madeira da casa da vó Vergínia, de conversar ali e contar piadas com minha irmã Alice e, pouco mais do que adolescentes, o Igor, o Dario e o Élder. Lembrei-de de ouvir Frank Mills e Zamfir e um LP dos Carpenters que tinha capa preta e <em>Calling Occupants</em> e <em>Don&#8217;t Cry For Me</em> e <em>I Fall In Love Again</em> e <em>Bwana Go Home</em>. Lembrei-me de dormir no assoalho de madeira daquela sala, debaixo de acolchoados de pena, com o tique-taque contínuo e o GON GON GON eventual do relógio de parede do vô Arhur. Lembrei-me da Bê gravando fitas no gravador do Caco, das gerações de cachorros que se chamaram Jeco e do perfume da cor-de-rosa e granulada Pasta Jóia com que o vô lavava as mãos depois de consertar em absoluto silêncio o cabo de alguma panela. Lembrei-me do frango de forno da vó, dos eternos bolinhos de carne, da batuta amarela e fininha do Carlos, feita de fibra de vidro, de ver a tia Lili pelando tomates antes de fazer molho (inusitado) e de sentar-me na caixa de lenha junto do fogão. Lá fora no gramado havia a pereira, e na pereira o perene balanço; dali ouvi o Hellington (irmão mais novo do Élder) apregoando, como quem fala de um futuro distante, o <a href="http://marcopolli.wordpress.com/2007/02/07/realinhamento" target="_blank">alinhamento dos planetas de 1982</a>, que podia representar o fim da civilização. Sentado no mesmo balanço perguntei certa vez ao Caco qual ele achava ser a lição central de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jonathan_Livingston_Seagull" target="_blank">Fernão Capelo Gaivota</a>, livro de Richard Bach que virou filme a que nunca assisti mas cuja trilha sonora (Neil Diamond: &#8220;Dear Father, We Dream&#8221;) gravou-me o Carlos numa <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/o-fim-da-fita">fita cassette</a> e sei absolutamente de cor.</p>
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		<title>Piano de letras</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Sep 2007 03:53:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
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		<description><![CDATA[A Olivetti Studio 44 que me ensinou a escrever. Impossível contar as tardes que passei entre 1980 e 1986, no escritório ensolarado do nosso sobrado em Bauru, reescrevendo os capítulos de livros que nunca cheguei a terminar. Clique nas imagens para ampliar. Deixo-vos, a título de curiosidade e impertinência, o primeiro parágrafo de um desses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443309/view-large?" target="_blank" atomicselection="true"><img src="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443309/standard"></a></p>
<table cellpadding="8" width="50%" align="right" border="0" unselectable="on">
<tbody>
<tr>
<td>
<p align="right"><a title="Clique para ampliar" href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443305/view-large?" target="_blank" atomicselection="true"><img src="http://www.23hq.com/23666/2443305_a62584b639e3d4d0136e50ec5bab47c0_quad100.jpg"></a><a title="Clique para ampliar" href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443312/view-large?" target="_blank" atomicselection="true"><img src="http://www.23hq.com/23666/2443312_04a4fcc5ebc01f1d7243f3dc6cf1570d_quad100.jpg"></a><br /><a title="Clique para ampliar" href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443311/view-large?" target="_blank" atomicselection="true"><img src="http://www.23hq.com/23666/2443311_adeb19d7cf23313a28acfe8f68891ced_quad100.jpg"></a><a title="Clique para ampliar" href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443310/view-large?" target="_blank" atomicselection="true"><img src="http://www.23hq.com/23666/2443310_491c368ddc7e4f1a88cb9f697e088082_quad100.jpg"></a><br /><a title="Clique para ampliar" href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443308/view-large?" target="_blank" atomicselection="true"><img src="http://www.23hq.com/23666/2443308_a3c1ec4f80dc77c95027a5a41545363b_quad100.jpg"></a><a title="Clique para ampliar" href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443306/view-large?" target="_blank" atomicselection="true"><img src="http://www.23hq.com/23666/2443306_8bfa460e7d6d28071d8a5c143793e8cb_quad100.jpg"></a> </p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p align="left">A Olivetti Studio 44 que me ensinou a escrever. Impossível contar as tardes que passei entre 1980 e 1986, no escritório ensolarado do nosso sobrado em Bauru, reescrevendo os capítulos de livros que nunca cheguei a terminar. Clique nas imagens para ampliar.</p>
<p align="left">Deixo-vos, a título de curiosidade e impertinência, o primeiro parágrafo de um desses romances inacabados. De tudo que já escrevi, não há por certo conjunto de palavras que eu tenha reescrito obsessivamente mais do que este.</p>
<blockquote><p align="left">E<small>U E</small> M<small>ATHIAS</small> conduzimos o estranho pelo interior da casa até a presença de Ohimè e Erhard. Mathias mantinha a mão direita apoiada no meu ombro, o arrastar das botas ressoando nas paredes altas e no assoalho de madeira. O empregado de meu pai contava com três vezes os meus dez anos e era proporcionalmente mais alto. A idade do estranho que conduzíamos não excederia, provavelmente, a de Mathias.</p>
</blockquote>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443307/view-large?" target="_blank" atomicselection="true"><img src="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2443307/standard"></a> </p>
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		<title>Hoje é um lugar que não existe</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jul 2007 08:17:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[Passei a manhã de sábado em Curitiba, tirando fotos de Santa Felicidade para mostrar ao meu amigo italiano Paolo, e voltei inteiramente imbuído de uma impressão que sempre esteve comigo mas vai ficando&#160;a cada dia mais unânime: o presente não me interessa. Não encontrei o bairro que retinha na minha memória;&#160;esse foi&#160;substituído&#160;por uma paródia&#160;grotesca, superpopulosa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passei a manhã de sábado em Curitiba, <a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/santa%20felicidade">tirando fotos</a> de Santa Felicidade para mostrar ao meu amigo italiano Paolo, e voltei inteiramente imbuído de uma impressão que sempre esteve comigo mas vai ficando&nbsp;a cada dia mais unânime: o presente não me interessa. Não encontrei o bairro que retinha na minha memória;&nbsp;esse foi&nbsp;substituído&nbsp;por uma paródia&nbsp;grotesca, superpopulosa e arquitetonicamente catastrófica do que antes havia por lá.</p>
<table cellpadding="13" width="185" align="right" border="0" unselectable="on">
<tbody>
<tr>
<td>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://www.baciadasalmas.com/images/2007/bits/safety-last-b.jpg" atomicselection="true"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2007/bits/safety-last.png"></a>&nbsp;<br /><small><font color="#bcbcad">Harold Lloyd tentando fazer o tempo voltar atrás em <em>Safety Last </em>(1923).</font></small></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Meu amigo Julian já opinou que sou obcecado pelo passado;&nbsp;dizer assim é recorrer a&nbsp;um <em>understatement </em>e a uma injustiça. Dito dessa forma parece que meu interesse no passado é doentio&nbsp;porque seu&nbsp;objeto é irreal, quando é na verdade o presente que carece de realidade.
<p>O presente, senhoras e senhores, é uma afronta e uma piada. Somos a continuação medíocre, a parte 2&nbsp;que&nbsp;o bom senso não deveria ter deixado chegar aos cinemas. Somos o capítulo mais fraquinho de uma série de ficção científica que o roteirista não tem mais criatividade ou saco para terminar.&nbsp;O autor deveria ter sabido parar enquanto a coisa estava fluindo, mas daí viemos nós e colocamos tudo a perder. Somos <em>Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo.</em><br />
<h5>Somos ficção.</h5>
<p>Deveria ficar evidente que somos ficção, porque a realidade quando era escrita&nbsp;costumava ter personagens verdadeiramente encorpados e extravagantes, não a sopa rala que somos obrigados a engolir&nbsp;hoje. Nem a superpopulação&nbsp;nem a revolução da informação, que deveriam contar em nosso favor,&nbsp;nos ajudaram nesse sentido.
<p>No início do século XX o mundo se arrepiava de um pólo a outro diante das idéias originais e apavorantemente contundentes de gente como Planck,&nbsp;Einstein,&nbsp;Freud e Jung -&nbsp;isso porque, trinta anos antes, havia <em>Darwin</em> e havia <em>Marx</em>.&nbsp;E hoje, que temos&nbsp;a benção onipresente de São&nbsp;Google e processadores de texto e email e iPods e webcams e&nbsp;edição colaborativa e wikipédia e mais livros do que leitores e software de conferências, onde estão as grandes sacadas revolucionárias e seus proponentes? Onde está&nbsp;o profundo&nbsp;conhecedor das questões deste século? Onde estão os protagonistas da história?
<p>Sinto dizer, moçada, mas eu e você somos a terrível prova de que&nbsp;dessa novela não sai mais personagem que preste. O lance é o universo mudar de canal e investir nas rêmoras ou nos marcianos. Os efeitos especiais não são ruins, mas não há reviravolta que salve&nbsp;este último episódio.
<p>Decidi por isso, como medida paliativa nesses últimos estertores da criação,&nbsp;deixar oficializado nesta nota que, no que me diz respeito, apenas o passado tem peso, coerência interna&nbsp;e credibilidade.
<p>Fica então decidido que:
<ol>
<li>Nada que aconteceu depois de 1950 sobrevive ao mínimo critério da verossimilhança, e será devidamente ignorado (e/ou talvez ridicularizado) como história e como narrativa por mim e pelos meus seguidores;
<li>Se você tem 40 anos é uma criança no sentido mais literal do termo,&nbsp;e receberá de mim tratamento condigno &#8211; ou seja, não me encha o saco. Volte quando tiver mais de 65, menos deslumbrado e mais na sua, e quem sabe a gente encontre do que conversar.
<li>[Embora seja evidente,] registre-se que nenhuma página com menos de cinqüenta anos merece ser lida, muito menos página digital, muito menos minha.
<li>Se você tem iPod, cale a boca.
<li>Se você tem endereço de email, cale a boca.
<li>Se você tem acesso a internet, cale a boca.
<li>Se você tem iPhone ou Nintendo Wii, <em>cale muito</em> a boca.
<li>Se você nunca leu as obras completas de Shakespeare, cale a boca.
<li>Se você lê blogs, cale a boca.
<li>Se você escreve blogs &#8211; putz.
<li>Que os últimos 70 anos não constem nas atas.
<li>Substituam-se por uma errata formal&nbsp;com a seguinte inscrição: &#8220;Foi mal&#8221;.
<li>Revogam-se todas as disposições contemporâneas.</li>
</ol>
<p>Quando <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/final-feliz">declarou o fim da História</a>, Francis Fukuyama&nbsp;cria que havíamos no capitalismo e na democracia&nbsp;alcançado a Jerusalém celeste e a glória.&nbsp;Ignora ele que a história de fato acabou, mas&nbsp;pela via da&nbsp;mediocridade, da irrealidade&nbsp;e da estagnação. Atingimos nosso nível de incompetência. Somos o bloqueio do autor. Hoje é um lugar que não existe.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug024.gif"></p>
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		<title>O fim da fita</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2007 03:11:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[Currys, a maior rede de eletro-eletrônicos da Grã-Bretanha, anunciou hoje que vai parar de vender fitas cassettes – medida que&#160;soa como&#160;tiro de misericórdia&#160;para a fita de compilação, usada por toda uma geração de jovens apaixonados para seduzir suas namoradas.telegraph.co.uk7 de maio de 2007 Diretamente do arquivo&#160;de&#160;links da semana:Cassette Jam &#8211; Você já teve uma Gerador [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2007/bits/mixtape.png"> </p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/neilw/383238404/" atomicselection="true" title="Clique para ampliar" ><img style="margin: 5px 0px 0px 15px" src="http://farm1.static.flickr.com/181/383238404_34a7ac4f30_m.jpg" align="right"></a>Currys, a maior rede de eletro-eletrônicos da Grã-Bretanha, anunciou hoje que vai parar de vender fitas cassettes – medida que&nbsp;soa como&nbsp;tiro de misericórdia&nbsp;para a <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mixtape">fita de compilação,</a> usada por toda uma geração de jovens apaixonados para seduzir suas namoradas.<br /><a href="http://www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2007/05/07/ntapes07.xml">telegraph.co.uk</a><small><br />7 de maio de 2007</small></p>
<p>Diretamente do arquivo&nbsp;de&nbsp;<a title="" href="http://www.baciadasalmas.com/2005/arquivo-de-links-da-semana">links da semana</a>:<br /><a href="http://earth.prohosting.com/th0715/cassettes/top.htm"><strong>Cassette Jam &#8211; Você já teve uma</strong></a> </p>
<p>Gerador virtual de fita cassette &#8211; faça a sua:<br /><a href="http://www.says-it.com/cassette/index.php"><strong>Cassette Generator</strong></a></p>
<p>Ainda:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.flickr.com/photos/tags/cassette/clusters/tape-music-tapes/">Fitas cassette no Flickr</a></li>
<li><a href="http://www.tapedeck.org">http://www.tapedeck.org</a></li>
<li><a href="http://mycassettes.blogspot.com">http://mycassettes.blogspot.com</a></li>
<li><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Compact_Cassette">Entrada &#8220;Compact Cassette&#8221; na wikipédia</a></li>
</ul>
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		<title>Música de Domingo de Manhã, LADO A</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Apr 2007 13:18:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[música de domingo de manhã]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando éramos pequenos nosso pai nos acordava, todos os domingos de manhã, colocando para tocar algum LP de música sacra &#8211; com maior freqüência um álbum de capa preta do Coro Ford-Willys, que tem aquele Sanctus Credo de Schubert que todo mundo já ouviu, ou um LP de negro spirituals de selo vermelho cuja última [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando éramos pequenos nosso pai nos acordava, todos os domingos de manhã, colocando para tocar algum LP de música sacra &#8211; com maior freqüência um álbum de capa preta do Coro Ford-Willys, que tem aquele <del>Sanctus</del> <ins>Credo</ins> de Schubert que todo mundo já ouviu, ou um LP de <em>negro spirituals</em> de selo vermelho cuja última música (e minha favorita) era <em>Let My People Go.</em> Era a convocação dele para saírmos da cama, tomarmos café e nos prepararmos para a Escola Dominical na igreja (que começava as nove da manhã). </p>
<p>Definitivamente não era ruim: havia algo de familiar, algo de bem-aventurança, em ser despertado daquela maneira e apenas naquele dia da semana. Aguardavam-nos o pão caseiro (macio, branquinho e perfumado) da minha mãe, as roupas impecáveis de domingo, as horas de perplexidade na igreja, depois a mais tranqüila das tardes. Se tudo desse certo o pai nos levaria para passear de carro até algum matagal ou ponte de rio antes de voltarmos à noite para a igreja. Algumas vezes ele nos levava para passear de carro, estrada afora e sob as estrelas, <em>depois do culto da noite</em> &#8211; e não havia forma mais gentil de aplacar a ameaça iminente da nova semana.</p>
<p>Até hoje, por essa razão, determinadas músicas corais e determinadas estirpes de música instrumental evocam-me irresistivelmente aquelas manhãs e suas promessas de bem-aventurança. Eu e minha irmã Alice ainda falamos em &#8220;Música de Domingo de Manhã&#8221;.</p>
<p>Mais tarde, quando nos mudamos para Bauru e eu era quase adolescente, <img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2007/bits/der-himmel.png" class="right" />meu pai chegou um dia de viagem trazendo um álbum que se tornaria, no que me diz respeito, o mais brilhante ícone da Música de Domingo de Manhã: <em>Der Himmel steht offen,</em> &#8211; FROHE BOTSCHAFT IM LIED, uma compilação de hinos evangélicos arranjados por um norueguês, <a href="http://www.monstakle.no">Mons Leidvin Takle</a>, lançada em STEREO (Auch mono abspielar) na Alemanha pela gravadora HSW e reempacotada no Brasil com o título de &#8220;PAZ MAIOR&#8221; pela RTM Editora (Caixa Postal 18.300, 01000, São Paulo).</p>
<p>Embora se trate de música instrumental, e não de música coral como a MDDDM deveria em princípio ser, esses arranjos (austeros, comedidos, minimalistas) me trazem à memória as mais rigorosas associações da anatomia daqueles dias.</p>
<p></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#DDD4C2;">Clique uma vez em qualquer título para ouvir</span><br /><embed src="http://www.box.net/static/flash/box_explorer.swf?widgetHash=32493c05df&#38;v=1" width="400" height="314" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash"></embed></p>
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		<title>O bloco amarelo</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2007 11:14:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[lovecraft]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu tinha vinte anos e escrevia nesses blocos de notas, será que cheguei a pensar que um grisalho fracassado de quase quarenta e cinco anos de idade estaria garatujando sobre as mesmas páginas amarelas no virtualmente fabuloso ano de 1935? 1935&#8230; mesmo hoje a data soa irreal, pertencente a um futuro distante. Pode ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu tinha vinte anos e escrevia nesses blocos de notas, será que cheguei a pensar que um grisalho fracassado de quase quarenta e cinco anos de idade estaria garatujando sobre as mesmas páginas amarelas no virtualmente fabuloso ano de 1935? 1935&#8230; mesmo hoje a data soa irreal, pertencente a um futuro distante. Pode ser verdade que <em>eu</em> esteja vivendo num ano cujo número parece tão extraordinariamente remoto quanto 2000 ou 2500 ou 5000? <em>Onde foram</em> parar todos os períodos de doze meses intervenientes? Mesmo 1910 soa fantástico para alguém cuja existência parece estar curiosamente orientada ao redor de 1903. E será verdade que o mundo de 1910 dará lugar a algo tão diferente quanto 1910 é de 1450?</p>
<p>Ai de mim! Ai de mim! E ainda assim esse suposto calendário acima da minha escrivaninha <em>de fato</em> diz 1935&#8230; e aqui está o mesmo bloco amarelo de notas e o mesmo velhinho e as mesmas (ou talvez piores) garatujas indecifráveis.</p>
<p>
<p style="text-align:right;"><small> <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/post-mortem">H. P. Lovecraft</a>,<br />em carta de 4 de abril de 1935 a James F. Morton </small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug043.gif" alt="" width="35" height="55" /></p>
<div class='series_toc'><h3>Lovecraft contra o tempo</h3><ol><li>O bloco amarelo</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/benjamin-franklin-em-1935/' title='Benjamin Franklin em 1935'>Benjamin Franklin em 1935</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/este-cosmos-desolado/' title='Este cosmos desolado'>Este cosmos desolado</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/este-cosmos-desolado-2/' title='Este cosmos desolado, parte 2'>Este cosmos desolado, <small>parte 2</small></a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Партия Ленина</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Dec 2006 02:55:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Soyuz nerushimy respublik svobodnykhSplotila naveki velikaya Rus&#8217;!Da zdravstvuyet sozdanny voley narodovYediny, moguchy Sovetsky Soyuz! Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,Druzhby narodov nadyozhny oplot,Partiya Lenina &#8211; sila narodnayaNas k torzhestvu kommunizma vedyot! Skvoz&#8217; grozy siyalo nam solntse svobody,I Lenin veliky nam put&#8217; ozaril,Na pravoye delo on podnyal narody,Na trud i na podvigi nas vdokhnovil! V pobede bessmertnykh idey [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Soyuz nerushimy respublik svobodnykh<br />Splotila naveki velikaya Rus&#8217;!<br />Da zdravstvuyet sozdanny voley narodov<br />Yediny, moguchy Sovetsky Soyuz!</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;">Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,<br />Druzhby narodov nadyozhny oplot,<br />Partiya Lenina &#8211; sila narodnaya<br />Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!</p>
<p>Skvoz&#8217; grozy siyalo nam solntse svobody,<br />I Lenin veliky nam put&#8217; ozaril,<br />Na pravoye delo on podnyal narody,<br />Na trud i na podvigi nas vdokhnovil!</p>
<p>V pobede bessmertnykh idey kommunizma<br />My vidim gryadushcheye nashey strany,<br />I krasnomu znameni slavnoy otchizny<br />My budem vsegda bezzavetno verny! </p>
<p><center>[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</center></p>
<h5>* * *</h5>
</p>
<p>A mais notável experiência humana do século XX foi sem sombra de dúvida a União Soviética. Estamos condicionados a descartar a experiência toda em vista do seu fracasso final, relegando o regime soviético ao mesmo balaio indistinto de impérios do mal que alberga a Alemanha de Hitler. </p>
<p>Essa nossa sentença é desleal em mais de um sentido. O discurso de Hitler sustentou a Alemanha nazista por meros 12 anos, enquanto que o idealismo proletariado definiu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas por quase 70 anos, de 1922 a 1991. Os nazistas nunca chegaram a conquistar a Europa inteira; a URSS cobriu mais de 22 milhões de quilômetros quadrados, compreendendo 16 repúblicas, 150 grupos étnicos e um número vertiginoso de fusos horários. Como experiência cultural, a União Soviética manteve suas singularidades e idiossincrasias diante do contrabando incessante de Elvis Presley, dos Beatles, de Woodstock, do grupo Abba, de Michael Jackson.</p>
<p>Ao longo de décadas a defasagem no desenvolvimento técnico em relação ao ocidente manteve a União Soviética como uma imensa ilha de pitoresco anacronismo na face do mapa-mundi. A URSS era um improvável mundo à parte, um misto de país de conto de fadas e reino do mal, uma larguíssima terra-de-ninguém entre o ocidente e o oriente, uma estranha sentinela entre o sono e a vigília.</p>
<p>Jamais houve experiência maior e mais ambiciosa em idealismo; continente algum jamais decidira antes definir-se por uma única idéia. Enquanto o restante do mundo perdia a fé, a União Soviética mantinha teimosamente a sua.</p>
<p>Participei como todo mundo da coreografada celebração diante da queda do muro e da implosão do regime. Sapateei e chorei de alegria. Hoje creio que o que matou a União Soviética não foi a falência interna de um sonho, mas o proselitismo insidioso do capitalismo ocidental, que encontra farisaico prazer em esmagar manifestações culturais que vê como incompatíveis e julga portanto inferiores. Sou culpado de preconceito, e creio hoje que é tremenda simplificação dizer que o bem venceu no final. </p>
<p>Para algumas coisas é naturalmente tarde demais. Com o recuo do idealismo soviético o mundo ganhou um mercado; por outro lado, tivemos de arcar com vasto prejuízo no campo imponderável e irrecuperável da &#8220;biodiversidade&#8221; cultural. Com a anulação de mais um idealismo, o mundo caminha a passos largos para tornar-se a massa cultural informe cuja mera possibilidade aterrorizava Tolkien.</p>
<p>Em 1991, para festejar sua recém-adquirida liberdade, um grupo de músicos e cantores da falecida União gravou uma versão bem-humorada do seu antigo hino nacional, num videoclipe com ecos muito evidentes de <em>We Are The World.</em> A intenção declarada desses artistas era fazer uma &#8220;paródia&#8221;, mas as imagens de arquivo utilizadas na edição acabam emprestando à celebração um clima pungente de &#8220;o sonho acabou&#8221;.</p>
<p>O pessoal do <a href="http://blog.wfmu.org">excelente blog</a> da rádio WFMU, de onde roubei o clipe, fez ainda questão de salientar a semelhança entre esta versão do hino e a canção <a href="http://www.youtube.com/watch?v=1wc-AQJ2MYo">Go West</a> do grupo <em>Village People</em>.</p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0">Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (&nbsp;<img src="http://www.baciadasalmas.com/images/fullscree-button.png">&nbsp;) na barra de reprodução.</span></p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
[Visite a Bacia para ver o filme]
</td>
</tr>
</table>
<p>Visite também o saboroso blog <a href="http://www.englishrussia.com">englishrussia.com</a> &#8211; &#8220;Porque todo dia acontece algo interessante em 1/6 da terra&#8221;.</small></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sonhos esquecidos: Leroy Anderson</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Sep 2006 03:12:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[canções]]></category>
		<category><![CDATA[pop e brega]]></category>

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		<description><![CDATA[Permita-me reapresentá-lo a Leroy Anderson (1908-1975), ilustre desconhecido, compositor norte-americano cuja especialidade era música clássica ligeira &#8211; aquela facção pop da música de concerto caracterizada por ritmos imediatamente cativantes e melodias fáceis de digerir, e que existe a um perigoso passo da música de elevador. Digo reapresentar porque você já conhece a música do sujeito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Permita-me reapresentá-lo a Leroy Anderson (1908-1975), ilustre desconhecido, compositor norte-americano cuja especialidade era música clássica <em>ligeira</em> &#8211; aquela facção <em>pop</em> da música de concerto caracterizada por ritmos imediatamente cativantes e melodias fáceis de digerir, e que existe a um perigoso passo da música de elevador.</p>
<p>Digo reapresentar porque você já conhece a música do sujeito se viu Jerry Lewis tocando seu concerto para máquina de escrever em <em>Errado pra Cachorro</em> (Who&#8217;s Minding the Store?, 1963).</p>
<p align="center">[Visite a Bacia para ver o filme]
<p>Sem contar essa consagração universal de <em>The Typewriter,</em> você certamente não escapou ou não vai escapar de ouvir, em algum momento e alguma versão, outras manjadíssimas composições de Leroy &#8211; coisas como <a href="http://www.leroy-anderson.com/html/rams/The-Syncopated-Clock.ram">O Relógio Sincopado</a> e a natalina <a href="http://www.leroy-anderson.com/html/rams/Sleigh-Ride.ram">Sleigh Ride</a>.</p>
<p>Em sua inequívoca americanidade, Leroy Anderson é uma espécie de versão musical do pintor <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/norman-rockwell">Norman Rockwell</a>. Os filmes de Hollywood, embalados pelo visual idealista de Rockwell e por trilhas açucaradas como as de Leroy, ajudaram a dar forma ao irresistível mito americano. A música de Leroy já era nostálgica na época em que foi produzida, exatamente como as pinturas de Rockwell e, naturalmente, os filmes de Jerry Lewis. Juntas, essas iniciativas artísticas ajudaram a <em>inventar uma tradição</em> &#8211; e criaram retroativamente uma inegociável América da idade do ouro, com suas cidades pequenas, corações puros e valores imortais.</p>
<p>Minha composição favorita de Leroy Anderson é a singela <em>Forgotten Dreams</em> (&#8220;Sonhos esquecidos&#8221;, 1954), cuja melodia, nostálgica até a náusea, evoca precisamente essa era ao mesmo tempo perdida e inexistente em que ainda se sonhava com finais felizes.</p>
<p>Da série <strong>Música que você não ouviria se não fosse aqui</strong>:</p>
<p>	[Visite a Bacia para ouvir o áudio]<br /><small> Clipe de áudio: <strong>Forgotten Dreams,</strong> Leroy Anderson </small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug009.gif" alt="" width="35" height="36" /></p>
<p>Sáite oficial (em inglês), com biografia e outros clipes de música:<br /><a href="http://www.leroy-anderson.com/">Leroy Anderson Official Website</a></p>
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		<title>A bem-aventurança do creme amarelo, ou o padeiro que vinha do céu</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Aug 2006 10:40:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[A última das três casas em que moramos em Londrina, na rua Mamoré, era muito simples mas era nossa &#8211; nossa primeira casa própria. Eu tinha perto de dez anos, jogava futebol todas as tardes na rua de baixo, beijava a vizinha de cinco anos na boca pela fresta da grade (a Renata, onde quer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A última das três casas em que moramos em Londrina, na rua Mamoré, era muito simples mas era nossa &#8211; nossa primeira casa própria. Eu tinha perto de dez anos, jogava futebol todas as tardes na rua de baixo, beijava a vizinha de cinco anos na boca pela fresta da grade (a Renata, onde quer que esteja, fazendo terapia por minha causa), observava as batalhas aéreas dos que soltavam pipa no campinho e, quando tudo isso faltava, desembainhava um volume aleatório da enciclopédia <em>Conhecer</em> e sentava no sofá que ainda hoje assombra a sala da casa dos meus pais. Era uma vida justa.</p>
<p>Mas tinha seus momentos de especial epifania, quando descia a rua, vinda da Araguaia, uma carroça guiada por um santo, puxada por um Rocinante e seguida por procissões de quebrantados fiéis que éramos nós. O carroceiro segurava as rédeas numa mão e usava a outra para abrir a tampa do baú de madeira atrás de si e nos tentar com as cintilantes moedas do seu tesouro: pilhas douradas de pães arredondados, perfumados, açucarados e macios, coroados com uma espiral grossa de creme amarelo &#8211; aquele tipo de pão que já vi chamarem de chineque e brioche, mas que chamávamos com menos controvérsia de <em>pão doce.</em></p>
<p>Em casa estávamos, como eu ia dizendo, longe de sermos ricos, e a rígida filiação de meus pais à <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/a-teologia-do-capital">ética protestante</a> impedia que caísse nas mãos de nós, filhos, qualquer dinheiro que pudéssemos gastar &#8220;com bobagem&#8221;. Na prática isso significava que nunca &#8211; jamais, senhoras e senhores &#8211; levávamos dinheiro para comprar lanche na escola; que nunca abrilhantávamos a fila do pátio com o mais novo modelo de tênis ou os cadernos da moda; e &#8211; no que me diz respeito muito mais sério &#8211; que não lembro ter experimentado uma única vez aqueles bem-aventurados pães-doces nos anos em que moramos naquela rua.</p>
<p>A centrada economia de meus pais, por outro lado, permitia que convivêssemos com engenhos com que o pessoal da rua nem sequer sonharia: TV em cores, <a href="http://www.80smusiclyrics.com/games/pong/pong2.swf">telejogo</a>, microscópio, máquina fotográfica Minolta, telescópio desmontável, um número obsceno e sempre crescente de enciclopédias e livros. Esse tipo de bobagem.</p>
<p>Não se pode ter tudo. Sempre fui um cara mais ou menos frugal, e meus sonhos de consumo naqueles dias eram um pão doce do tio da carroça e o exemplar seguinte da coleção <em>Os Bichos.</em> Meu pai nunca &#8211; jamais, senhoras e senhores &#8211; deixou faltar o segundo. Meus amigos da rua tinham os dois ou três pães doces que as mães deles levavam para casa; eu examinava uma movimentada gota d&#8217;água no microscópio da Alice. Difícil dizer quem se saciava mais.</p>
<p>Fato é que data daquela época minha fascinação, meu absoluto delírio, por broas e pães doces, especialmente aqueles cuja configuração me remete à rua Mamoré e ao padeiro que vinha do céu. Sei por essa razão, de fonte fidedigna, que o Paraíso é terra que mana creme amarelo &#8211; e falo daqueles cremes de um amarelo vivo, absolutamente não-sofisticado, que se alinham com freqüência a farpas de coco e vomitam às vezes os sonhos.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/creme.gif" alt="" width="300" height="443" /></p>
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		<title>Bôa noite</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jun 2006 11:39:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem nunca se demorou no mato talvez não tenha sido exposto ao inesquecível aroma catinga dessas espirais que se usa queimar no sítio para repelir mosquito. Comprei uma caixinha no supermercado Santa Helena aqui em Campina Grande do Sul, absolutamente fascinado pela honestidade singeleza das ilustrações. Clique para ampliar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem nunca se demorou no mato talvez não tenha sido exposto ao inesquecível <del>aroma</del> catinga dessas espirais que se usa queimar no sítio para repelir mosquito. Comprei uma caixinha no supermercado Santa Helena aqui em Campina Grande do Sul, absolutamente fascinado pela <del>honestidade</del> singeleza das ilustrações. </p>
<p>Clique para ampliar.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/boanoite00-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/boanoite00.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="266" /></a></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/boanoite01-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/boanoite01.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="266" /></a></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/boanoite02-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/boanoite02.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="267" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Fim da National Geographic</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jun 2006 11:49:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Faz meses que tento escrever sobre isso, mas trata-se de assunto para mim tão aterrador que não encontro o jeito de criar o impacto certo. Quero apenas mencionar, então, um momento concebível do futuro que me apavora: o fim da revista National Geographic. A revista, carro-chefe das atividades da norte-americana National Geographic Society e também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/bits/nationalgeographic.gif" alt="" width="67" height="96" /></p>
<p>Faz meses que tento escrever sobre isso, mas trata-se de assunto para mim tão aterrador que não encontro o jeito de criar o impacto certo.</p>
<p>Quero apenas mencionar, então, um momento concebível do futuro que me apavora: o fim da revista <a href="http://www.nationalgeographic.com/ngm">National Geographic</a>. </p>
<p>A revista, carro-chefe das atividades da norte-americana National Geographic Society e também editada <a href="http://nationalgeographic.abril.com.br/ngbonline">em português</a>, circula desde 1888, mas num mundo pós-<a href="http://earth.google.com">Google Earth</a> não tem como subsistir indefinidamente dentro dos moldes originais. Quando todos os destinos do planeta se esgotarem, quando todas as culturas e distinções locais forem engolfadas pelo tsunami civilizatório do ocidente, quando não houver mais local que mereça o nome de inóspito, a revista dos bravos exploradores deixará de existir. Então horror será universal, e os homens pedirão que as montanhas desabem sobre as suas cabeças.</p>
<p>E, na eventualidade de continuar a ser publicada nesse mundo esgotado, a revista terá perdido a razão de ser, o que me parece destino ainda pior.</p>
<p>Posso encontrar talvez algum consolo em saber que Tolkien sentia-se como eu já em 1943:</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><em>Mas o horror particular do presente mundo jaz em que a porcaria toda está dentro de um saco só. Não há lugar algum para onde fugir. Mesmo os pobres samoiedos [siberianos], suspeito, comem comida em lata e o alto-falante da vila conta histórias pra dormir de Stalin, sobre a democracia ou sobre fascistas que comem bebês e cães-de-trenó.</em></p>
<p>Pode ser ainda necessário refletir que a porcaria toda estava dentro de um saco só já em 1888, quando a revista foi criada. A diferença em relação aos nossos dias é de intensidade, não de visão de mundo prevalente. As niveladoras tendências de massificação e descaracterização já estavam <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/aldeia-padrao">nitidamente presentes</a>. E alguém poderá até argumentar, com algum fundamento, que iniciativas como as da própria National Geographic Society acabaram contribuindo para o sepultamento final da diversidade nesta terra plana e indiferenciada.</p>
<p>Michael Crichton estava bem certo quando profetizou, numas [das poucas] linhas memoráveis do seu <em>A Linha do Tempo,</em> que num mundo saturado e superlotado como o nosso o único destino concebível <em>é o passado.</em></p>
<p>O que explica em parte toda a <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/hung-up-a-nova-cultura-da-remixagem">remixagem</a>.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug030.gif" alt="" width="34" height="47" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Geografia cinematográfica curitibana</title>
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		<pubDate>Sun, 14 May 2006 03:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[Finalmente aconteceu, e até que demorou. Estou finalmente na exata condição do meu pai, e todos os cinemas de Curitiba que lembro da infância e da adolescência estão fechados. O Cine Plaza, o último cinema de rua da cidade ainda em funcionamento, e que vinha capengando admiravelmente há anos diante da concorrência implacável de shoppings [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Finalmente aconteceu, e até que demorou.</p>
<p>Estou finalmente na exata condição do meu pai, e todos os cinemas de Curitiba que lembro da infância e da adolescência estão fechados. O Cine Plaza, o último cinema de rua da cidade ainda em funcionamento, e que vinha capengando admiravelmente há anos diante da concorrência implacável de shoppings e home theaters, fechou nesta quinta-feira por por falta de pagamento &#8211; de energia elétrica, de funcionários, de distribuidoras.</p>
<h5>* * *</h5>
</p>
<p>Eu tinha onze anos quando, em 1979, nos mudamos de Londrina para Bauru &#8211; cidade no exato centro do estado se São Paulo e em que, para meu horror e eterno escândalo, não havia na época nenhuma sala de cinema. Tive que restringir minhas idas ao cinema às nossas eventuais viagens de férias e finais de semana a Curitiba, para onde vieram estudar a Isa e depois a Alice. Tinha de ser portanto coisa muito bem planejada, e estamos falando de um tempo antes de recursos como o 139 e do <em>Bom Programa</em> &#8211; para não falar da inimaginável internet.</p>
<p>Embora seja [e permaneça!] minha cidade natal, eu havia me mudado de Curitiba para Londrina com menos de dois anos de idade, e nada sabia sobre a geografia da cidade.</p>
<p>Uma das coisas que define e entrelaça meu amor por filmes e por Curitiba é, portanto, o fato de ter aprendido a geografia do centro através dos mapas que minha irmã Isa fazia ilustrando o caminho que eu devia tomar para chegar da ponto final do Cajuru na Praça Carlos Gomes até o cinema que eu desejava. Eu seguia à risca aqueles mapas, não me desviando nem para a direita nem para a esquerda.</p>
<p>O centro de Curitiba é por essa razão necessariamente mapeado, para mim, por cinemas &#8211; e cinemas que não existem mais. O nobre Vitória, onde vi O Império Contra-Ataca e Krull. O Itália, onde vi Gremlins com a Isa na noite de um dia de Natal. O Lido II, onde assisti a Indiana Jones e o Templo da Perdição. O arquetípico Condor, onde vi Cortina de Fogo e, pelo menos onze vezes, E.T. o Extra-Terrestre. O Rivoli, onde assisti ao atroz O Abismo Negro dos estúdios Disney. O Plaza, onde vi A Mosca e Predador. O mais recente Astor, onde vi [sozinho!] uma infinidade de comédias românticas. Até mesmo o São João, onde eu e pulgas assistimos ao Predador II.</p>
<p>Minha cabeça está cheia dos detalhes dessas salas e de suas bilheterias e escadarias e bomboniéres e banheiros e ante-salas. Vejo com clareza o rosto cansado mas bondoso da bilheteira do Condor &#8211; em cujo saguão acarpetado e cheirando a pipoca multidões agasalhadas acotovelavam-se civilizadamente aguardando o término da sessão para dobrar à direita escadaria acima, rumo ao auditório. A sala de projeção do Condor era tão grande que meia-dúzia de helicópteros por certo manobrariam por ali sem maiores incidentes; recordo em particular o padrão das luminárias vermelhas nas paredes altíssimas, seis figuras geométricas alinhadas em grupos de dois, formando um desenho que às vezes me lembrava o robô de O Abismo Negro ou os cilônios de Galactica.</p>
<p>Posso evocar com a mesma facilidade o corredor da galeria que separava o Lido I do II e o estacionamento que ficava do lado; as escadarias opostas que levavam ao auditório do Astor a partir de sua estéril sala de espera; a ambiciosa arquitetura da entrada do Vitória; o carrinho de pipoca do saguão do Plaza, que ficava à direita de quem entra, separado da bomboniére no topo da escadaria; o ângulo da escada na sala de espera do Itália onde eu e a Isa aguardamos sentados a sessão anterior de Gremlins terminar, enquanto eu ficava tentando conceber que criaturas horríveis [e interessantíssimas] poderiam se esconder por trás dos sons que vinham lá de dentro.</p>
<p>O nome dessas salas perdidas no tempo me dizem infinitamente mais do que Barão do Rio Branco, Dr. Muricy, Ébano Pereira, Cruz Machado, Ermelino de Leão &#8211; ruas que estou fadado a nunca saber ao certo onde estão.</p>
<p>Mas me fale da esquina do Condor, e terá um ouvinte.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug048.gif" alt="" width="77" height="82" /></p>
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		<title>61 versões de Tico-tico no fubá</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2006 21:13:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[Num momento de lucidez os loucos do blog da rádio WFMU compilaram e disponibilizaram online 61 gravações (em mp3) da música Tico-tico no Fubá, de Zequinha de Abreu. Nem eu me dispus a ouvir todas, mas posso recomendar pelo exotismo esta versão em inglês das adoráveis Andrews Sisters, esta versão viajandona da Banda Black Rio, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/bits/no_fuba_poster_2.jpg"> <img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/bits/no_fuba_poster_1.jpg" title="Clique para ampliar" border=0 class="left" /> </a>Num momento de lucidez os loucos do blog da rádio WFMU compilaram e disponibilizaram online 61 gravações (em mp3) da música <em>Tico-tico no Fubá,</em> de Zequinha de Abreu.</p>
<p>Nem eu me dispus a ouvir todas, mas posso recomendar pelo exotismo <a href="http://tinyurl.com/cwjdr">esta versão em inglês</a> das adoráveis Andrews Sisters, <a href="http://tinyurl.com/awuvx">esta versão viajandona</a> da Banda Black Rio, <a href="http://tinyurl.com/8pwoe">este tango</a> da Família Lima e a grandiloqüente gravação da <a href="http://tinyurl.com/d7q7z">Orquestra do Hollywood Bowl</a>. Marcam presença ainda Henry Mancini (do tema de <em>A Pantera Cor-de-rosa),</em> o piano esvoaçante de Liberace, o violão másculo de Paco de Lucia, as cordas da pausterizada 101 Cordas e até mesmo o indomável saxofone de Charlie &#8220;Bird&#8221; Parker (para não mencionar a versão Bando da Lua/Disney do desenho animado <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/saludos-amigos">Saludos Amigos</a>).</p>
<p>Se você acha muito, convém notar que o sáite allmusic.com dá testemunho de <a href="http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&#38;token=ADFEAEE47F16DD4EAE7620D69E38539A946AF301D14CB48D112D5657D3B733499E1E6AB00DBAD8C8AEF875B47CE3FE2FAE5F0BD9CBE6468DA1&#38;sql=17:1562305">269 gravações diferentes</a> da música. Deixo você por enquanto com meras</p>
<p><a href="http://blog.wfmu.org/freeform/2005/11/61_versions_of_.html#more">61 versões de Tico-Tico no Fubá</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A família pré-industrial</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2006 08:59:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Papai tá lá na roça, mamãe foi ajudar Não adianta: nossa tendência é idealizar o passado. Nada é mais belo e admirável ou idealizável do que o passado, especialmente à medida que vai se ficando velho, e com o devido tempo todo mundo fica. Exigimos que as coisas sejam como sempre foram, porque é verdade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://memory.loc.gov/service/pnp/nclc/00000/00097v.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/bits/working-family.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="319" /></a></p>
<p>
<p style="text-align:right;"><small>Papai tá lá na roça, mamãe foi ajudar</small></p>
<p>Não adianta: nossa tendência é idealizar o passado. Nada é mais belo e admirável ou idealizável do que o passado, especialmente à medida que vai se ficando velho, e com o devido tempo todo mundo fica.</p>
<p>Exigimos que as coisas sejam como sempre foram, porque é verdade auto-evidente que eram melhores antes. A família, por exemplo. Já deixei registrada <a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/a-grande-familia-grande">aqui</a> e <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/crossroads/">aqui</a> a falta que ela me faz: a família grande, relíquia de um tempo irrecuperável. </p>
<p>Hoje em dia as famílias são pequenas, a mãe trabalha fora, papai foi passear, talvez não volte.</p>
<p>Pode ser útil então respirar fundo e lembrar que a família nuclear papai-trabalha/mamãe-cuida-da-casa-e-dos-filhos, por mais icônica e nostálgica que possa aparecer, é coisa relativemente moderna na história, e teve vida tristemente curta. Quem viu, viu; quem viver, não verá.</p>
<p>A curiosa invenção que chamamos de família existiu sob as mais diversas formas ao longo da história. O nome e a idéia central sobreviveram a tremendas crises e mudanças, mas não o formato.</p>
<p>Antes do século XIX e da industrialização, a família era basicamente uma unidade econômica: todos trabalhavam e o pai era o chefe do empreendimento familiar.</p>
<p><a href="http://memory.loc.gov/service/pnp/nclc/00700/00753v.jpg"> <img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/bits/trabalho-infantil.jpg" title="Clique para ampliar" border=0 class="left" /> </a>As crianças eram, particularmente, vistas como adultos em miniatura, versões maçantes e irritantemente imperfeitas dos seres verdadeiramente funcionais que as cercavam. Crianças trabalhavam como todo mundo e não recebiam qualquer atenção especial, com exceção de uma certa impaciência para que crescessem logo. A adolescência não havia sido inventada, e a transição para a fase adulta começava assim que a criança se mostrava capaz de empunhar a primeira ferramenta. Crianças serviam para ajudar o pai e a mãe em suas tarefas, e a cuidar dos irmãos menores, que sucediam-se em ritmo alucinante.</p>
<p>As mulheres faziam &#8220;trabalho de verdade&#8221;, isto é, estavam diretamente engajadas na produção do que quer que fosse. Se não ajudavam no ofício do marido, produziam comida, costuravam roupas, teciam.</p>
<p>Em geral o homem trabalhava e comia em casa, e não era visto portanto como &#8220;o provedor&#8221;. Como trabalhavam todos juntos, homem, mulher e filhos, a convivência familiar era espantosamente mais intensa do que nos nossos dias.<span id="more-772"></span></p>
<p>Tampouco o termo &#8220;família&#8221; era usado, como hoje em dia, para descrever essa <em>família nuclear</em> que só comporta marido, mulher e filhos. Havia invariavelmente mais gente na casa e portanto na família: avós, tios, primos, empregados. A educação que havia era, primariamente, responsabilidade da família.</p>
<p>Pense numa versão menos requintada de <em>Os Waltons</em>, sem qualquer paparicação por parte dos pais e avós sobre os John Boys e as Mary Ellens.<a href="http://memory.loc.gov/service/pnp/nclc/01300/01319v.jpg"> <img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/bits/trabalho-infantil2.jpg" title="Clique para ampliar" border=0 class="right" /> </a></p>
<p>Então algum sujeito desavisado inventou a máquina a vapor, e colocou tudo a perder.</p>
<p>Veja também:<br /><a href="http://lcweb2.loc.gov/cgi-bin/query/p?pp/nclc:@FIELD(COLLID+nclc)::SortBy=CALL">Trabalho infantil na América do Norte</a><br />(de onde chupei as imagens que ilustram este documento)</p>
<div class='series_toc'><h3>A conturbada história da família</h3><ol><li>A família pré-industrial</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/a-familia-entrincheirada-e-a-invencao-da-privacidade/' title='A família entrincheirada e a invenção da privacidade'>A família entrincheirada e a invenção da privacidade</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>O paradoxo da escolha</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Dec 2005 10:06:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos condicionados a pensar que mais é mais. Parece-nos uma verdade evidente &#8211; daquelas que não requerem demonstração &#8211; que quanto maior o número de opções maior é nossa liberdade e maior o nosso nivel geral de satisfação. Barry Schwartz, professor de Teoria Social e Ação Social da Universidade de Swarthmore, escreveu The Paradox of [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estamos condicionados a pensar que mais é mais. Parece-nos uma verdade evidente &#8211; daquelas que não requerem demonstração &#8211; que quanto maior o número de opções maior é nossa liberdade e maior o nosso nivel geral de satisfação. Barry Schwartz, professor de Teoria Social e Ação Social da Universidade de Swarthmore, escreveu <strong>The Paradox of Choice: Why More is Less</strong> (<em>O Paradoxo da Escolha &#8211; Porque menos é mais</em>) para provar que podemos estar errados.</p>
<p>Dito claramente, nunca houve tantas opções e em tudo quanto nos nosso dias. <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/bits/choice-b.jpg"> <img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/bits/choice.jpg" title="Clique para ampliar" border=0 class="right" /> </a>Carros, telefones celulares, programas de computador, cremes dentais, filmes, blogs, livros, biscoitos, planos de seguro, bonecas, músicas, parques de diversões, marcas de margarina, páginas da internet, restaurantes, religiões e relacionamentos &#8211; virtualmente cada possibilidade da vida arrasta atrás de si uma miríade de opções e subopções que cruzam-se e multiplicam-se promiscuamente &#8211; coisa sem precedentes na história da civilização, em que se costumou definir o valor de cada coisa pela sua <em>escassez</em>.</p>
<h5>&#8220;A maioria das pessoas acha que a diversidade de opções é uma coisa boa. Afinal de contas, associamos escolha com autonomia, controle, independência e resultados desejados. Na realidade não é esse o caso&#8221;.</h5>
</p>
<p>O paradoxo, segundo Schwartz, é que pensamos que queremos mais escolhas, mas quanto mais opções temos menos satisfeitos ficamos. Os tempos de escassez são invariavelmente vistos nostalgicamente, e com algum acerto, como tempos mais felizes.</p>
<p>Schwartz identifica quatro possíveis razões para essa insatisfação com a diversidade de opções:</p>
<p><strong>1. O custo da oportunidade.</strong> Nossas decisões são maculadas por uma vantagem específica que tivemos de <em>abrir mão</em> no ato de fazermos determinada escolha. Analisando duas opções, você pode acabar concluindo que cada uma oferece algo que a outra deixa de oferecer; você percebe que, escolhendo uma, você estará invariavelmente perdendo alguma coisa que a outra opção podia garantir. Trata-se do <em>custo da oportunidade</em>: quanto mais alternativas você considera, maiores os custos de oportunidade de uma decisão.</p>
<p><strong>2. Arrependimento.</strong> Há também o peso das opções integrais que <em>deixamos de fazer.</em> &#8220;Se aceito um emprego com um bom salário, posso me arrepender de não ter aceito um emprego numa boa localização. Posso me arrepender até mesmo de não esperar por um emprego hipotético com uma boa localização e um bom salário. Todas as outras possibilidades diminuem o prazer da minhas escolha&#8221;.</p>
<p><strong>3. Capacidade de adaptação.</strong> Nossa capacidade de adaptação pode também trabalhar contra nós, quando uma decisão que parecia a princípio empolgante e inteiramente satisfatória perde gradualmente o brilho, ao ponto de deixar-nos insatisfeitos com a escolha original.</p>
<p><strong>4. O peso da comparação.</strong> Finalmente, como estamos constantemente <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/em-comparacao-o-dinheiro-compra-felicidade">comparando-nos com as outras pessoas</a>, acabamos concluindo sempre &#8211; e com todo o acerto &#8211; que alguém sempre está sempre em situação mais favorável.</p>
<p>Com base em como encaram a diversidade de opções, Schwartz divide as pessoas entre <em>maximizadores</em> e <em>satisfazedores.</em> Os maximizadores buscam incessamente e a qualquer custo a opção mais vantajosa &#8211; vasculham todas as lojas de todos os shoppings até encontrar <em>o</em> sapato que oferece o melhor custo-benefício. Os satisfazedores, por outro lado, procuram uma opção que lhes pareça satisfatória para o critério que determinaram para si mesmos. Assim que encontram uma opção que lhes pareça boa, param de procurar.</p>
<p>A evidência é de que não apenas os maximizadores gastam uma parcela muito significativa do seu tempo fazendo decisões, mas tendem ainda a ser menos felizes com as decisões que fizeram. Gastam mais tempo arrependendo-se e comparando-se com os outros ao seu redor, torturando-se com as opções mais vantajosas do que a que fizeram.</p>
<p>O paradoxo está em que a diversidade de opções pode produzir não a liberdade, mas a paralisia.</p>
<p>Olhai, senhoras e senhores, os lírios do campo.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug026.gif" alt="" width="134" height="131" /></p>
<p>Leia também:<br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/a-ansiedade-das-coisas">A ansiedade das coisas</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/vitimas-do-seculo-xx/">Vítimas do século XX</a></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Três Reis</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2005/tres-reis/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=tres-reis</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2005 00:15:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Homens e Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem à tarde precisei fazer uma visita em Curitiba e estiquei para assistir no Cinemark do Mueller o último King Kong, dirigido pelo Peter Jackson de O Senhor dos Anéis. Com este são três King Kongs na minha vida. O primeiro foi o passável King de 1977 (a loira era Jessica Lange), memorável para mim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem à tarde precisei fazer uma visita em Curitiba e estiquei para assistir no Cinemark do Mueller o último King Kong, dirigido pelo Peter Jackson de <em>O Senhor dos Anéis</em>. Com este são três King Kongs na minha vida.</p>
<p>O primeiro foi o passável <em>King</em> de 1977 (a loira era Jessica Lange), memorável para mim porque aquela foi a primeira vez que fui ao cinema <em>sozinho</em>, sem os meus pais, com três amigos da escola. Era Londrina e eu tinha 10 anos.</p>
<p>Lembro que um dos colegas que arrastamos para aquela sessão nunca tinha ido ao cinema &#8211; coisa que aos dez anos de idade (decidimos os outros três) era inconcebível e constrangedor e precisava ser corrigido a todo custo. O sujeito acabou dormindo a maior parte do filme. Recordo que tive de ir ao banheiro durante a sessão; os banheiros ficavam na parte da frente da imensa sala de cinema, um em cada canto da tela, o dos meninos à esquerda. Quando voltei para a sala de projeção o rosto King Kong urrava enchendo a tela e meus amigos dizem que saí correndo de medo.</p>
<p>Depois veio o de 1933, em preto e branco e assistido pela primeira vez numa madrugada qualquer, e que permanece meu favorito. O mais recente <em>King</em> de Peter Jackson segue em inúmeros pontos o de 1933, (alguns muito curiosos, como a fala final do produtor diante do monstro morto e a maneira como Kong abre e fecha a boca do tiranossauro depois de matá-lo), mas trilha também muitos e congestionados caminhos novos.</p>
<p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" /></p>
<p>Embora o filme de 1977 tenha atualizado a ação &#8220;para os nossos dias&#8221;, a história é definitivamente a mesma nos três filmes. King Kong poderia se chamar <em>O Fim do Reinado do Macho Protetor.</em> Trata-se, na verdade, de um tratado velado sobre as relações entre homens e mulheres &#8211; especialmente sobre as contradições do recente papel &#8220;civilizado&#8221; da masculinidade.</p>
<p>King Kong é um trágico triângulo amoroso entre a Mulher, o Macho Protetor e o Homem Civilizado. Os perigos na Ilha da Caveira são impossivelmente numerosos, para que fique claro que uma mulher que não tenha um King Kong para chamar de seu não tem qualquer chance de sobreviver. Mesmo no lento filme de 1933, em menos de quinze minutos o Macho Protetor tem de matar três monstros diferentes para salvar a mocinha. Diante de um desempenho desses, os olhos da loirinha (todas as três) enchem-se de admiração, gratidão e amor pelos irresistíveis charmes do Macho Protetor &#8211; não importa que você tenha mau hálito e oito metros de altura, você matou um tiranossauro <em>por mim?</em></p>
<p>Mas meia hora depois mudam os pesos na balança, e também o amor da mocinha. Estamos agora na cidade mais civilizada do mundo, onde o Macho Protetor é uma intrusão e uma anacronia: não tem mais função e precisa ser eliminado. Os filmes deixam bem claro (especialmente o de Jackson) que toda a destruição que o monstro faz em Nova Iorque é motivada exclusivamente pela devoção e pelo amor do Macho Protetor &#8211; King Kong só quer proteger a mocinha de trens e aviões, como fez na ilha com serpentes e pterodáctilos. </p>
<p>Porém o terreno é agora do Homem Civilizado. Na civilização a Mulher não precisa e não quer ser protegida. O Macho Protetor é uma relíquia e portanto uma ameaça, e acaba saindo do caminho para que vença a sanidade e a mocinha fique com o mocinho. Saia para lá com esse peito peludo e esse braço forte, que o que eu preciso é de um homem que me satisfaça emocionalmente.</p>
<p>Aquela história.</p>
<p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" /></p>
<p>Neste último filme incomodaram-me, em especial, as infindáveis panorâmicas: tudo é visto simultaneamente em vertiginosas <em>pans</em>, de cima e de todos os ângulos. O <em>King Kong</em> de 2005 é definitivamente 3D &#8211; e no que me diz respeito aí reside seu maior defeito (maior mesmo do que a perda do sentido de proporção de algumas das aventurosas adições, que fazem as Missões Impossíveis de Tom Cruise parecerem inteiramente cabíveis).</p>
<p>Estou falando de uma preferência minha, mas tudo no <em>King Kong</em> de 1933 era admiravelmente 2D; cada cena parecia ter sido arrancada de uma página de livro ou de uma gravura de naturalista. O Kong de 1933 habitava num mundo que só existia &#8211; em luz, sombra e design &#8211; numa gravura de <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/lembrancas-a-dore">Gustave Doré</a>.</p>
<p>Ah, que saudade.</p>
<p><small>Clique em qualquer imagem para ver do que estou falando</small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk01.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk01_1.jpg" title="" alt="" width="155" height="119" /></a> <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk02.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk02_1.jpg" title="" alt="" width="155" height="119" /></a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk03.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk03_1.jpg" title="" alt="" width="155" height="119" /></a> <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk04.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk04_1.jpg" title="" alt="" width="155" height="119" /></a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk05.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk05_1.jpg" title="" alt="" width="155" height="119" /></a> <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk06.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk06_1.jpg" title="" alt="" width="155" height="119" /></a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk07.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk07_1.jpg" title="" alt="" width="155" height="119" /></a> <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk08.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/kk08_1.jpg" title="" alt="" width="155" height="119" /></a></p>
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		<title>Os requintados prazeres do filme de monstro</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2005 08:31:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[horror]]></category>

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		<description><![CDATA[Há no paraíso uma ala inteira em que é sempre de madrugada e em todas as televisões está passando incessantemente filmes de monstro. Um após o outro. Desde que me conheço por gente, e nisso não mudei nada, poucas coisas me dão maior prazer do que filme de monstro &#8211; especialmente se for preto e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-00-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-00.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a></p>
<p>Há no paraíso uma ala inteira em que é sempre de madrugada e em todas as televisões está passando incessantemente filmes de monstro. Um após o outro.</p>
<p>Desde que me conheço por gente, e nisso não mudei nada, poucas coisas me dão maior prazer do que filme de monstro &#8211; especialmente se for <em>preto e branco</em>, da década de 50. Se o monstro for gigante (formiga, aranha, gafanhoto) melhor ainda. Se for gigante e pré-histórico e invadir alguma cidade &#8211; alcançou a perfeição.</p>
<p>Recentemente extraí da internet (por aqueles meios que não se menciona), um irretocável filme de monstro que nunca havia assistido, mesmo tendo sido submetido à lavagem cerebral de duas mil e uma sessões da tarde. Trata-se de <em>The Giant Behemoth</em>, de 1959 &#8211; dirigido pelo russo Eugène Lourié, que também dirigiu em 1953 <em>The Beast from 20000 Fathoms</em> (este você com certeza assistiu: o monstro invade Nova Iorque e é destruído na cena final num incêndio numa <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/thebeastfrom20000fathoms.jpg">montanha russa</a>).</p>
<p>O monstro de <em>The Beast</em>, animado em stop-motion pelo classudo Ray Harryhausen, é muito superior a esse de <em>Behemoth</em>. Mas o enredo do segundo filme [até o monstro aparecer] é mais ágil, e as locações britânicas muito pitorescas. No todo, <em>The Giant Behemoth</em> traz inúmeras pequenas recompensas para os iniciados nos requintados prazeres do filme de monstro.</p>
<p>Clique em qualquer imagem para ampliá-la.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-01-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-01.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>O sensato cientista &#8211; que embora seja <em>tio</em>, é o mocinho &#8211; adverte contra o perigo dos resíduos nucleares depositados no oceano.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-02-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-02.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Regra número 1: <em>nunca more perto do mar,</em> de onde os monstros podem surgir a qualquer momento para te pegar. Também, se você espera vê-lo de novo, nunca vá para casa fazer o jantar deixando seu pai sozinho na praia. <em>Nunca</em>.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-03-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-03.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>O pai da mocinha é fritado pelos raios radiativos emitidos pelo monstro.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-04-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-04.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Quando for ao pub mais próximo procurar um sujeito para ajudar a encontrar o seu pai desaparecido, ele é o mais jovem (embora não seja exatamente mocinho), tem o queixo quadrado e uma covinha.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-05-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-05.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Sim, é ele. E se você for a mocinha, não esqueça de ser loira.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-06-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-06.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Na teologia dos filmes de monstro, nenhuma morte é inútil. Elas ajudam a avançar o roteiro.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-07-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-07.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>&#8220;Que tal darmos um passeio na praia na cena seguinte, agora que já enterramos o seu pai? Ei, de onde vem todos esses peixes? <em>E aí, fico bem ou não de preto?</em>&#8220;</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-08-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-08.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Talvez esse peixe radioativo traga algumas respostas.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-09-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-09.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Regra número 2: se a pegada for pequena demais&#8230;</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-10-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-10.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>&#8230;você pode sempre usar uma lupa.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-11-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-11.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Quando os carros de polícia eram classudos.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-12-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-12.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>O momento que estavam todos esperando: o monstro finalmente aparece, mas é grande demais para caber na telinha. Embora o resultado não apareça aqui, a regra número 3 é: <em>nunca fique dentro do carro.</em></small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-13-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-13.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Perfeito: gente correndo. Morra de inveja, <em>Independence Day</em>.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-14-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-14.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Se correr o bicho pega. Meus olhos não sabem o que acompanhar: se o monstro ou a vizinhança nostálgica que ele está para destruir.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-15-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-15.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>A família reunida ouve pela BBC que um monstro pré-histórico invadiu Londres. <em>Mas na hora do chá?</em> Vovó, eu falei que valia votar contra o desarmamento.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-16-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-16.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Se ao menos as autoridades fizessem alguma coisa para acabar com essa violência.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-17-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-17.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Se tudo der certo o torpedo com a ogiva nuclear vai cair bem na boca do monstro.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-18-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-18.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Tudo deu certo.</small>
<p></p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-19-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tgb-19.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="400" height="225" /></a><br /><small>Sobe a orquestra, que agora está tudo bem&#8230; por enquanto. A vantagem é que podemos usar essas mesmas bolhinhas no próximo filme. </small></p>
<p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" /></p>
<p style="text-align:center;"><strong>THE END</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Caco Postal</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2005 09:31:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[Houve um tempo em que ninguém andava na Rua XV, em que as pessoas mandavam cartões postais umas para as outras e em que todos os toldos das barraquinhas e bancas do centro de Curitiba eram de acrílico roxo. Quem mandou-me este, para meu endereço de Bauru, foi Carlos, o Bondoso (Caco, para os sobrinhos). [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Houve um tempo em que ninguém andava na Rua XV, em que as pessoas mandavam cartões postais umas para as outras e em que todos os toldos das barraquinhas e bancas do centro de Curitiba eram de acrílico roxo. Quem mandou-me este, para meu <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=94">endereço</a> de Bauru, foi <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=189">Carlos, o Bondoso</a> (<strong>Caco</strong>, para os sobrinhos). O ano é 1979, como comprova este <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/mdc-cacod.jpg">detalhe</a>.</p>
<p>O que não mudou é que as mensagens do Caco continuam brevíssimas.</p>
<p>Carlos, como creio que nunca respondi às perguntas que você faz neste cartão, nunca é tarde. <em>Quando venho para Curitiba?</em> Estou aqui desde 1987. <em>Devo ter crescido bastante, né?</em> Amigo, você não tem noção.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/mdc-cacopostal.jpg" alt="" width="400" height="574" /></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/mdc-cacoverso.jpg" alt="" width="400" height="280" /></p>
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		<title>Casa Edith</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2005 09:29:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[A Alice contou-me ontem de uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos que ela foi visitar. Melhor deixar ela mesma contar a história, mas nossa conversa me fez pensar na Casa Edith, na Praça Generoso Marques em Curitiba &#8211; construída em 1879 e onde comprei há vinte anos meu chapéu de Indiana Jones. Sempre que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Alice contou-me ontem de uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos que ela foi visitar. Melhor deixar ela mesma contar a história, mas nossa conversa me fez pensar na <em>Casa Edith</em>, na Praça Generoso Marques em Curitiba &#8211; construída em 1879 e onde comprei há vinte anos meu chapéu de Indiana Jones.</p>
<p>Sempre que passo pela <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/towntown06.jpg">praça</a> surpreendo-me que a Casa Edith ainda esteja lá, suspensa no tempo, mais ou menos como devia ser na década de 1940 e certamente muito antes. A loja é um estranho sobrevivente, um dos últimos remanescentes do tempo da <em>Tecidos Urca</em>, na Praça Tiradentes, onde minha <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=466">mãe</a> (que também se chama Edith) trabalhava quando mocinha. Como a loja clássica das Papelarias Requião, que fechou há algum tempo depois de 80 anos, sei que a Casa Edith (que vende ainda hoje chapéus e gravatas-borboleta que ninguém usa mais) não tem como durar muito tempo numa era implacável como a nossa.</p>
<p>Um dia vou passar por ali e não vou encontrar mais aquela entradinha perfumada com piso de madeira para olhar os arranjos ordeiros na vitrine. Não vou poder mais espiar para dentro e ver as caixas empilhadas umas sobre as outras, os balcões de madeira e vidro, os chapéus presos no teto, nas paredes e na parte inferior da escada que sobe para o segundo andar. Não vou mais poder olhar para o passado nos olhos.</p>
<p>Como tirei essas fotos no ano passado e raramente passo por ali, talvez a Casa Edith nem esteja mais lá.</p>
<p>Ah, que mundo.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/edith01.jpg"></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/edith02.jpg"></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/edith03.jpg"></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Episódio III</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2005/episodio-3/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=episodio-3</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Jun 2005 09:10:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando meu pai levou-nos para ver Guerra Nas Estrelas no shopping center Com-Tour em Londrina, eu tinha dez anos e expectativa nenhuma. Não era a primeira vez que eu ia ao cinema, mas era certamente a primeira vez que ia a um cinema num shopping &#8211; sem contar que era também meu primeiro shopping. Se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando meu pai levou-nos para ver <em>Guerra Nas Estrelas</em> no shopping center Com-Tour em Londrina, eu tinha dez anos e expectativa nenhuma. Não era a primeira vez que eu ia ao cinema, mas era certamente a primeira vez que ia a um cinema num shopping &#8211; sem contar que era também meu primeiro shopping. </p>
<p>Se não me engano aquela tarde foi também a primeira vez que bebi refrigerante em lata &#8211; meu pai, absolutamente decidido a tornar a ocasião memorável, comprou um perfumadíssimo guaraná Skol <em>só pra mim</em>. Éramos eu e o guaraná de tal natureza que a lata me parecia inesgotável, no bom sentido. Isso foi talvez antes do filme.</p>
<p>O guaraná Skol e o shopping Com-Tour passaram, mas o filme permaneceu comigo.</p>
<p>Há duas semanas assisti o Episódio III. Em 1977 eu não tinha expectativa alguma. </p>
<p>George Lucas pode não achar-se responsável pelas minhas expectativas, mas ele é. Antes de ver o primeiro <em>Guerra Nas Estrelas</em> eu não havia assistido <em>Matrix</em>  nem <em>E.T.</em> nem <em>Contatos Imediatos</em> nem <em>V- A Batalha Final</em> nem <em>O Senhor Dos Anéis</em> &#8211; porém também é fato que nenhum desses teria vindo à luz sem o assombroso empurrão que foi <em>Guerras Nas Estrelas</em>. Se minhas expectativas subiram assustadoramente nesses trinta anos a culpa é de Lucas: foi ele que começou.</p>
<p>Ah, o Episódio III. Dramaticamente falando, (quase) todas as seqüências &#8211; os acontecimentos brutos &#8211; funcionam para mim. Todas se encaixam, sinto, na narrativa principal. São bem imaginadas. São, num certo sentido, muito satisfatórias.</p>
<p>Não quer dizer que não poderiam ter sido melhor dirigidas. E atuadas. E escritas.</p>
<p>As atuações tem um jeito de atuação de cinema mudo &#8211; baseadas em amplas gesticulações fora de moda e olhares sempre significativos, muito maquiados e perversos. Não acho isso ruim a princípio; pelo menos nos filmes mudos você não é obrigado a de fato <em>ouvir</em> diálogos fracos sendo falados em voz alta. Faz diferença. Gostaria especialmente de ter sido poupado, na primeira parte do filme, das inúmeras piadinhas curtas de filme de ação que fazem &#8220;Asta la vista, baby&#8221; parecerem Shakespeare.</p>
<p>Também não gosto quando personagens que conheço agem de forma diferente da que aprendi a esperar deles. Todos sabíamos que Anakin era um pulha, mas mais é irritante ver gente que já foi inteligente, perspicaz e astuta agindo como patetas incapazes de ver o que está acontecendo literalmente diante dos seus olhos, nos olhos de Anakin &#8211; e estou falando, é claro, de Padme Amidala e Obi-Wan Kenobi.</p>
<p>Cara, o amor é cego. Agora eu sei.</p>
<p>De qualquer modo, a coisa toda funciona de um modo meio atrapalhado. Nossas expectativas trabalham contra o filme, mas nossas memórias trabalham a favor, especialmente quando as coisas começam a se encaixar. Gosto especialmente do toque das últimas palavras de Padme &#8211; a palavra que ela não chega a dizer mas que está no título do Episódio IV.</p>
<p>Não devo, porém, me estender no Lado Negro da crítica.</p>
<p>Medo, ira e frustração eles são.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug009.gif" alt="" width="35" height="36" /></p>
<p>PS para Bart:<br />Burt, você <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=479#comment-5462">disse</a> que eu não sentiria falta de nada. Você estava errado. Senti falta de você e da sua paixão pelas coisas, de quando saíamos à uma da tarde do trabalho para assistir uma estréia e de quando ouvíamos a mesma música do Coolio a manhã inteira.</p>
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		<title>Saludos Amigos</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2005 09:24:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[canções]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[O Pato Donald visita Zé Carioca no Brasil disneydealizado de 1942. O malandro, você deve lembrar, tentou até ensinar o pato a sambar. Quem canta é Aloysio de Oliveira com o Bando da Lua (famoso por acompanhar Carmen Miranda). Saludos Amigos &#8211; todas as faixas em mp3 ADVERTÊNCIA: Brasileiras mesmo apenas a faixa 3, Aquarela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/saludos-amigos.jpg" alt="" width="400" height="375" /></p>
<p>O Pato Donald visita Zé Carioca no Brasil disneydealizado de 1942. O malandro, você deve lembrar, tentou até ensinar o pato a <a href="http://www.kiddierecords.com/week_18/album_cover_inside.jpg">sambar</a>. Quem canta é <a href="http://www.cifrantiga.hpg.ig.com.br/Crono1/aloysio_de_azevedo.htm">Aloysio de Oliveira</a> com o Bando da Lua (famoso por acompanhar Carmen Miranda).</p>
<p><a href="http://www.kiddierecords.com/archive/week_18.htm"><strong>Saludos Amigos</strong> &#8211; todas as faixas em mp3</a></p>
<p>ADVERTÊNCIA: Brasileiras mesmo apenas a faixa 3, <a href="http://media.sas.upenn.edu/pennsound/groups/Kiddie-Records/Week_18/Wolcott-Charles_Saludos-Amigos_03_1945.mp3">Aquarela do Brasil</a> e a 5,  <a href="http://media.sas.upenn.edu/pennsound/groups/Kiddie-Records/Week_18/Wolcott-Charles_Saludos-Amigos_05_1945.mp3">Tico-Tico no fubá</a>. Essa última está imperdível. </p>
<p>Da coleção de LPs infantis disponíveis em <a href="http://www.kiddierecords.com">www.kiddierecords.com</a>. </p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug030.gif" alt="" width="34" height="47" /></p>
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		<title>Reforma</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2005 08:14:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Se os anos 80 são a minha época, há dois lugares aos quais sempre volto &#8211; lugares que freqüentam os meus sonhos e que freqüento nos meus sonhos: Urubici e o velho edifício da igreja batista do Cajuru. São destinos da minha infância, os dois, que vejo transmutados mas plenamente reconhecíveis em sonho por incontáveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se os <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=354">anos 80</a> são a minha <strong>época,</strong> há dois <strong>lugares</strong> aos quais sempre volto &#8211; lugares que freqüentam os meus sonhos e que freqüento nos meus sonhos: <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=33">Urubici</a> e o velho edifício da igreja batista do Cajuru.</p>
<p>São destinos da minha infância, os dois, que vejo transmutados mas plenamente reconhecíveis em sonho por incontáveis noites na minha história. Meus sonhos com Urubici e com o prédio do Cajuru são sonhos de <em>atmosfera</em>, nos quais pouco efetivamente acontece, mais claramente caracterizados pela embriagante sensação de se estar num lugar acolhedor e assustadoramente rico em possibilidades.</p>
<p>Fiquei sabendo que a reforma no edifício do Cajuru está quase concluída mas não tive ainda coragem de conferí-la, especialmente por saber que as mudanças se concentraram na parte de trás e nos andares superiores, precisamente a região do prédio onde concentram-se os meus sonhos.</p>
<p>Embora pense que reformas e alterações institucionais sejam talvez inevitáveis, essa em particular me incomoda, emocionalmente falando. O prédio do Cajuru contém grande parte do que efetivamente sou e daquilo com que sonho e do que me lembro. Sinto como se meu patrimônio de nostalgia estivesse sendo devassado; isso acontece com esperada freqüência, mas raramente com um alvo que me é tão particular.</p>
<p>A igreja do Cajuru é em grande parte a minha casa, minha arquétipica casa, e o único destino digno para uma casa, fora a preservação, é a decrepitude e o abandono. Qualquer reforma que não vise a preservação deixa uma casa assombrada com o presente, o que é de certa forma o destino mais assustador de todos.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug058.gif" alt="" width="99" height="121" /></p>
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		<title>Especially for you</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2005 08:14:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[canções]]></category>
		<category><![CDATA[pop e brega]]></category>
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		<description><![CDATA[Um dia desses re-ouvi Especially for you (1988), um duetinho romântico cantado por Jason Donovan (quem quer que seja o sujeito) e uma ainda jovenzinha Kylie Minogue, e fui varrido &#8211; arrebatado, sugado, abduzido &#8211; de volta para os anos 80. Fui forçado a admitir que para mim Aqueles Dias são a irrecuperável, açucarada e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dia desses re-ouvi <em>Especially for you</em> (1988), um duetinho romântico cantado por Jason Donovan (quem quer que seja o sujeito) e uma ainda jovenzinha Kylie Minogue, e fui <em>varrido</em> &#8211; arrebatado, sugado, abduzido &#8211; de volta para os anos 80. Fui forçado a admitir que para mim <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=137">Aqueles Dias</a> são a irrecuperável, açucarada e idealista década de 1980.</p>
<p>Meu amigo Ivan ponderou certa vez que no paraíso encontraremos todas as melhores versões de nós mesmos, em todas as idades. Haverá ali diversos <em>eus</em>, por assim dizer: o bebê, a criança, o adolescente, o adulto e o idoso &#8211; convivendo juntos, criativamente e independentemente, e finalmente em paz. O céu deverá produzir então essa definitiva terapia, em que todas as nossas idades serão redimidas.</p>
<p>Na inesgotável realidade geográfica e histórica do paraíso, depois que eu e todos os meus <em>eus</em> tivermos devassado todas as eras e todos os possíveis destinos, depois de me demorar na década 1940 e nas cidades perdidas da Índia e nos penhascos do Nepal, depois que tivermos derramado por incontáveis eras as primeiras gotas de gratidão aos pés do Admirável, sei que voltarei sempre a <em>Aqueles Dias</em> de 1980.</p>
<p>É sempre ali que estará minha casa, por assim dizer. Tudo que veio antes será para sempre passado, tudo que veio depois apenas futuro. Minha própria plenitude dos tempos, por assim dizer.</p>
<p>
<p style="text-align:center;">[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</p>
<p>
<p style="padding-left:3em;"><em>I wanna let you know what I was going through<br />All the time we were apart I thought of you<br />You were in my heart<br />My love never changed<br />I still feel the same<br />I wanna tell you I was feeling that way too<br />And if dreams were wings, you know<br />I would have flown to you<br />To be where you are<br />No matter how far<br />And now that I&#8217;m next to you<br />No more dreaming about tomorrow<br />Forget the loneliness and the sorrow<br />I&#8217;ve got to say<br />It&#8217;s all because of you<br />And now we&#8217;re back together, together<br />I wanna show you my heart is oh so true<br />And all the love I have is<br />Especially for you</em></p>
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		<title>O Mundo Perdido, última parte</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2005 08:27:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[A eternidade é uma plantação de arroz, mas nem mesmo o eterno precisa manter necessariamente a mesma feição.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A eternidade é uma plantação de arroz, mas nem mesmo o eterno precisa manter necessariamente a mesma feição.</p>
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		<title>O Mundo Perdido, parte 2</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2005 08:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[progresso]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[tolkien]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada me interessa mais na viagem do que desenterrar da paisagem prédios, objetos e gestos devidamente não-contemporâneos, artigos esquecidos de um tempo mais são. Essas marcas sólidas do passado sobrevivendo num insubstancial mundo contemporâneo trazem-me à mente, inevitavelmente, os sentimentos de Tolkien, que escreveu ao filho depois de uma visita que fez à sua cidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada me interessa mais na viagem do que desenterrar da paisagem prédios, objetos e gestos devidamente não-contemporâneos, artigos esquecidos de um tempo mais são.</p>
<p>Essas marcas sólidas do passado sobrevivendo num insubstancial mundo contemporâneo trazem-me à mente, inevitavelmente, os sentimentos de <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=211">Tolkien</a>, que escreveu ao filho depois de uma visita que fez à sua cidade natal durante a Segunda Guerra:</p>
<blockquote><p>Exceto por um desmoronamento medonho [a cidade] não parece muito danificada: <u>não pelo inimigo.</u> O dano principal foi causado pelo crescimento de insípidos edifícios modernos desprovidos de qualquer característica notável.
</p></blockquote>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug005.gif"></p>
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		<title>O Mundo Perdido</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Feb 2005 08:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Querendo a todo custo passar um Carnaval desplugado, parti com Ivan, o Justo, para o interior de Santa Catarina. O céu nos sorriu e encontramos, entre uma pequena propriedade e outra, incontáveis relíquias de um mundo perdido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Querendo a todo custo passar um Carnaval desplugado, parti com Ivan, o Justo, para o interior de Santa Catarina. O céu nos sorriu e encontramos, entre uma pequena propriedade e outra, incontáveis relíquias de um mundo perdido.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lembranças a Doré</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Feb 2005 08:02:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[The Net]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Esbarramo-nos, eu e o inesgotável Luiz Fernando Farah, num pacato lugar da net que basicamente desonra discute a obra irretocável de Jorge Luis Borges. Ainda não estive pessoalmente diante das suas barbas aparadas, mas já sei sobre o Luiz o fundamental: que gosta de Borges, que esteve em Urubici e joga de vez em quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/lafon_s.gif" alt="" width="400" height="560" /></p>
<p>Esbarramo-nos, eu e o inesgotável Luiz Fernando Farah, num pacato lugar da net que basicamente <del>desonra</del> <ins>discute</ins> a obra irretocável de <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=168">Jorge Luis Borges</a>. Ainda não estive pessoalmente diante das suas barbas aparadas, mas já sei sobre o Luiz o fundamental: que gosta de Borges, que esteve em Urubici e joga de vez em quando uma oferta na Bacia.</p>
<p>Nesse curto vai-e-vem virtual escavamos afinidades adicionais, celebramos Monteiro Lobato, ele me apresentou a Robert Heinlein, e o próprio Luiz lembrou que é feliz possuidor de uma das minhas mais caras memórias: a edição das fábulas de La Fontaine ilustrada por Gustave Doré que eu gostava de folhear quando criança na Biblioteca Pública de Londrina, e que aparece em <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=48">Redimido pela amizade</a>. Ele fez a gentileza de escanear e enviar-me algumas páginas para que eu exibisse aqui.</p>
<p>Como vivo dizendo, Doré é meu ilustrado favorito. Eu folheava as suas páginas totalmente assombrado com o poder intrínseco daqueles ricos traçados e ênfases, extasiado com a possibilidade de que fosse humanamente possível alguém desenhar daquele jeito.</p>
<p>Eu, naturalmente, estava errado: é humanamente impossível desenhar como Doré.</p>
<p><iframe src="http://www.google.com.br/search?q=dor%C3%A9&#038;oe=utf-8&#038;um=1&#038;ie=UTF-8&#038;tbm=isch&#038;source=og&#038;sa=N&#038;hl=en&#038;tab=wi&#038;tbo=1&#038;biw=1278&#038;bih=688" width="100%" height="700"></p>
<p>Your browser does not support iframes.</p>
<p></iframe></p>
<p>Um detalhe do retrato de La Fontaine:</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/lafon_d.gif" alt="" width="400" height="560" /></p>
<p>Obrigado de novo, Luiz, pela generosidade de fábula.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Game Portátil</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2005 08:40:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nostalgia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[AURAPIRACARALIMOCABOMULASELARUMOMUROTELA Eu passava tardes e tardes me divertindo com isso, eu que hoje não tenho paciência para lidar por mais de um ou dois dias com o mais pirotécnico e espetacular jogo de computador.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>AURA<br />PIRA<br />CARA<br />LIMO<br />CABO<br />MULA<br />SELA<br />RUMO<br />MURO<br />TELA</p>
<p>Eu passava tardes  e tardes me divertindo com isso, eu que hoje não tenho paciência para lidar por mais de um ou dois dias com o mais pirotécnico e espetacular jogo de computador.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/handgame.jpg" alt="" width="400" height="300" /></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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