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	<title>A Bacia das Almas &#187; Brasil</title>
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	<description>Onde as ideias não descansam</description>
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		<title>15 de novembro</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 02:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[e os cinco volumes da História da Prostituição no archive.org. Notavelmente ampliada e enriquecida desde 1889. * * * HISTÓRIA DA PROSTITUIÇÃO EM TODOS OS POVOS DO MUNDO DESDE A ANTIGUIDADE ATÉ OS NOSSOS DIAS Obra necessaria aos moralistas, util aos homens de Sciencia e Lettras e interessante para todas as classes ILUSTRADA COM PRIMOROSAS [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>e os<a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o"> cinco volumes da <em>História da Prostituição</em></a> no <a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o">archive.org</a>.</p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/6201874"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/6201874_4d700453e46d3ddc55b3b1671e91f293_standard.jpg" height="339" width="460" title="Clique para ampliar" /><br />
</a></p>
<p>Notavelmente ampliada e enriquecida desde 1889.</p>
<h5>* * *</h5>
<p align="center"><strong>HISTÓRIA DA PROSTITUIÇÃO</strong><br />
EM TODOS OS POVOS DO MUNDO<br />
<small>DESDE A ANTIGUIDADE ATÉ OS NOSSOS DIAS</small><br />
<small><em>Obra necessaria aos moralistas,<br />
util aos homens de Sciencia e Lettras<br />
e interessante para todas as classes</em><br />
ILUSTRADA COM PRIMOROSAS GRAVURAS<br />
</small></p>
<p>Para ler e baixar <a href="http://www.archive.org/search.php?query=hist%C3%B3ria%20da%20prostitui%C3%A7%C3%A3o">clique aqui</a>.</p>
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		<title>10 dias para o fim do mundo</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Oct 2010 02:01:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[bacia]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Faltam agora para a eleição de 31 de outubro, ocasião em que ficará decidido se será o fascismo brasileiro ou o nosso comunismo que contribuirá para o agendado fim do mundo em 2012.Vista o seu candidato nA Bacia das Almas. Aqui no Monastério de São Brabo acreditamos que a anarquia é a única forma de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faltam agora  para a eleição de 31 de outubro, ocasião em que ficará decidido se será o fascismo brasileiro ou o nosso comunismo que contribuirá para o agendado fim do mundo em 2012.<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Vista o seu candidato nA Bacia das Almas.</span> Aqui no Monastério de São Brabo acreditamos que a anarquia é a única forma de governo, e que <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/partido-nao-se-toma-3/">a liberdade de expressão termina onde começa a liberdade de pensamento</a>. Em conformidade com essa convicção e com a admoestação profética do Ivan (&#8220;vocês anarquistas precisam se organizar&#8221;) o Monastério está lançando a campanha de conscientização <em>Vista o seu candidato nA Bacia das Almas</em> &#8211; <em>10 dias para o fim do mundo</em>.</p>
<p>(para vestir o Serra agora mesmo, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-jose-serra">clique aqui</a>. Para vestir a Dilma, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-dilma-roussef">clique aqui</a>)</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4106/5098321704_bc62b4079d_b.jpg" title="Vista o seu candidato nA Bacia das Almas" /></a>
</p>
<p>O que você pode fazer para participar?</p>
<p><strong>1. Divulgue a campanha</strong> no seu sáite ou blog (o código para os banners está logo abaixo), por email, powerpoint ou qualquer outro meio ainda mais irritante. Como esta é uma guerra justa, vale até mesmo o uso de meios de divulgação moralmente dúbios como o twitter. </p>
<p><strong>2. Imprima, recorte e monte o seu candidato ideológico. </strong>Vale canonizar e demonizar sem medo, visto que pastores, periódicos e blogueiros supostamente isentos fazem a mesma coisa (para vestir o Serra agora mesmo, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-jose-serra">clique aqui</a>. Para vestir a Dilma, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-dilma-roussef">clique aqui</a>).</p>
<p><strong>3. Atormente seus amigos com a sua interpretação</strong> do candidato deles. Demonstre além de qualquer dúvida que <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/partido-nao-se-toma-3">nada é mais tendencioso do que uma opinião</a>!</p>
<p><strong>4. Tire uma foto de sua dupla ideológica de candidatos</strong> numa situação engraçada, criativa, impertinente ou ultrajante e mande para o Paulo Brabo no e-mail baciadasalmas@gmail.com até a meia-noite do dia 31. Todos os participantes (e não-participantes!) ganharão, sem sorteio, um país dividido. E algumas das fotos posso resolver mostrar aqui.</p>
<p><strong>5. Divirta-se com seus candidatos sem nutrir a ilusão de estar fazendo qualquer diferença,</strong> precisamente como vai ser quando você votar no dia das eleições!</p>
<h5> * * * </h5>
<p><small>Para divulgar a campanha você pode apontar para a página principal da Bacia:<br />http://www.baciadasalmas.com<br />
Ou para a página da campanha:<br />http://www.baciadasalmas.com/2010/10-dias-para-o-fim-do-mundo<br />
Ou diretamente para as páginas dos candidatos:<br />http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-jose-serra<br />http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-dilma-roussef</p>
<p>Segue ainda o código html dos banners para você recortar e colar na barra lateral do seu blogue ou onde quiser no seu sáite:</small></p>
<p><strong>CÓDIGO PARA O BANNER DA CAMPANHA:</strong><br />
<code>&lt;a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/10-dias-para-o-fim-do-mundo"&gt;&lt;img src="http://web.newsguy.com/carpen/10dias-promo.png" title="Vista o seu candidato nA Bacia das Almas" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</code></p>
<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/10-dias-para-o-fim-do-mundo"><img src="http://web.newsguy.com/carpen/10dias-promo.png" title="Vista o seu candidato nA Bacia das Almas" /></a></p>
<p><strong>CÓDIGO PARA O BANNER &#8220;VISTA O SERRA&#8221;:</strong><br />
<code>&lt;a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-jose-serra"&gt;&lt;img src="http://farm5.static.flickr.com/4017/5097606692_32aa8962e6.jpg" border=0 title="Vista o seu candidato nA Bacia das Almas: José Serra"/&gt;&lt;/a&gt;</code></p>
<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-jose-serra"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4017/5097606692_32aa8962e6.jpg" border=0 title="Vista o seu candidato nA Bacia das Almas: José Serra"/></a></p>
<p><strong>CÓDIGO PARA O BANNER &#8220;VISTA A DILMA&#8221;:</strong><br />
<code>&lt;a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-dilma-roussef"&gt;&lt;img src="http://farm5.static.flickr.com/4153/5097010531_d34b31954f.jpg" border=0 title="Vista o seu candidato nA Bacia das Almas: Dilma Roussef"/&gt;&lt;/a&gt;</code></p>
<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/vista-o-candidato-dilma-roussef"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4153/5097010531_d34b31954f.jpg" border=0 title="Vista o seu candidato nA Bacia das Almas: Dilma Roussef"/></a></p>
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		<title>Mercearia Paraopeba</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 10:03:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Via Tato da Trilha, por email]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
<p align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/aUiWgtIGJwU&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/aUiWgtIGJwU&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
</td>
</tr>
</table>
<p>Via Tato da <a href="http://www.atrilha.blogspot.com/">Trilha</a>, por email</p>
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		<title>Florianópolis em 1780</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 10:21:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Da coleção David Rumsey de mapas. Clique para ampliar. Veja também: Sv. Ekateriny e mais do Brasil na Biblioteca Pública de Nova Iorque]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da coleção <a href="http://www.davidrumsey.com/">David Rumsey</a> de mapas. Clique para ampliar.</p>
<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/5567420/original"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/bits/florianopolis-1780.jpg" alt="Clique para ampliar" /></a></p>
<p>Veja também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/sv-ekateriny/">Sv. Ekateriny e mais do Brasil na Biblioteca Pública de Nova Iorque</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A árvore que chora</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 09:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Amazônia ela era conhecida como “a árvore que chora”, o sangue branco da floresta, e por gerações os índios haviam retalhado o seu tronco, deixando o látex gotejar em folhas, de onde podia ser moldado à mão na forma de vasos e lâminas impermeáveis à chuva. Colombo encontrou índios arauacãs jogando com estranhas bolas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/bits/arvore-que-chora-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/bits/arvore-que-chora.jpg" title="Clique para ampliar" /></a></p>
<p>Na Amazônia ela era conhecida como “a árvore que chora”, o sangue branco da floresta, e por gerações os índios haviam retalhado o seu tronco, deixando o látex gotejar em folhas, de onde podia ser moldado à mão na forma de vasos e lâminas impermeáveis à chuva. Colombo encontrou índios arauacãs jogando com estranhas bolas que quicavam e voavam. Thomas Jefferson e Benjamin Franklin descobriram que o material era ideal para apagar anotações à lápis. Devido à crença generalizada de que se originava nas Índias Ocidentais, a substância era chamada de<em> India rubber</em>. Na verdade o produto vinha do Brasil, onde o rei de Portugal já havia estabelecido uma ativa indústria que produzia sapatos, capas e bolsas de borracha.</p>
<p>Todos esses produtos, no entanto, tinham uma grande falha. No frio a borracha tornava-se tão quebradiça que rachava como porcelana. No verão uma capa de borracha reduzia-se a um manto viscoso. Então, em 1839, <span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Cada um deles precisava de borracha, e a única fonte era a Amazônia.</span>Charles Goodyear descobriu (inteiramente por acidente) a vulcanização, um processo que torna a borracha resistente aos elementos, transformando-a assim de curiosidade num ingrediente essencial da Era Industrial. Em 1888 John Dunlop inventou os pneus infláveis de borracha para que o seu filho pudesse ganhar uma corrida de triciclo em Belfast. Sete anos mais tarde os irmãos Michelin deixaram a crítica boquiaberta ao introduzirem pneus removíveis no rally Paris-Bordeaux. Na virada do século havia cinqüenta fábricas de automóveis nos Estados Unidos. A Oldsmobile, a mais bem sucedida, vendeu 425 carros só em 1901. Menos de uma década depois os primeiros 15 milhões de Modelos T deslizaram para fora da linha de produção de Henry Ford. Cada um deles precisava de borracha, e a única fonte era a Amazônia.</p>
<p>O repente de riqueza foi hipnotizante. Em Londres e Nova Iorque homens jogavam moedas para decidir se sairiam em busca de ouro no Klondike ou borracha no Brasil. No pico da corrida 5.000 aventureiros chegavam à Amazônia por semana. Em 1909 os negociantes estavam despachando rio abaixo 500 toneladas de borracha a cada dez dias. Em 1910 a borracha representava 40 por cento das exportações brasileiras. Um ano depois a produção atingia o seu pico máximo de 44.296 toneladas. Isso valia, numa estimativa conservadora, mais de 200 milhões de dólares. Em Pittsburgh o magnata do aço Andrew Carnegie lamentava: “eu deveria ter escolhido a borracha”.</p>
<p>Manaus, situada no coração do comércio brasileiro de borracha, transformou-se em poucos anos de um modesto vilarejo à beira do rio numa próspera cidade cuja opulência atingia níveis bizarros.<span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Os barões da borracha acendiam charutos com notas de 100 dólares.</span> Os barões da borracha acendiam charutos com notas de 100 dólares e saciavam a sede dos seus cavalos em baldes de prata cheios de champagne francesa gelada. Suas esposas, desdenhosas das águas barrentas do Amazonas, mandavam seus linhos a Portugal para serem lavados. Prostitutas de Tangiers e de São Petesburgo chegavam a ganhar 8.000 dólares por uma noite de trabalho, tarifas que eram freqüentemente pagas em tiaras e jóias; em 1907 os cidadãos de Manaus eram os maiores consumidores <em>per capita</em> de diamantes do mundo.</p>
<p>Ao longo do território do Amazonas o comércio da borracha desencadeou um reino de terror a que não se via igual desde a consquista espanhola. No fim o que salvou a população nativa foi um ato da política imperial britânica. Em 1877 sementes de borracha trazidas pelos ingleses das florestas do Brasil chegaram à Malaia, uma terra tropical de clima similar à Amazônia, mas intocada pela praga da folha. Aqui não era necessário que as árvores crescessem tão separadas umas das outras; plantações densas e eficientes eram possíveis. Em 1909 mais de 40 milhões de pés de seringueira haviam sido plantados na Malaia (hoje em dia parte da Malásia), em intervalos de apenas seis metros, em fileiras regulares que permitiam que um único trabalhador sulcasse 400 árvores por dia. A produção dobrava a cada doze meses.</p>
<p>Com o sucesso das plantações, o boom da borracha da Amazônia implodiu. Em 1910 o Brasil produzia cerca de metade do consumo mundial; em 1918 a cifra caía para 20 por cento. Em 1940 o Brasil era responsável por apenas 1.3 por cento da produção mundial de borracha, e a nação havia se tornado importadora inveterada do produto que havia dado ao mundo.</p>
<p align="right">
<small>Wade Davis, <strong>Shadows In The Sun</strong> (1998)</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug041.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li>A árvore que chora</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>A casa da supplicação</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 08:56:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Logo que o Principe Regente Nosso Senhor com a sua Real Presença felicitou a grande e abençoada terra do Brazil, e nella estabelecêo o seu Throno, este Paiz deixou de facto de ser Colonia, por cujo motivo, ainda bem não tinha sua Alteza Real chegado ao termo da sua jornada, quando na Cidade da Bahia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Logo que o Principe Regente Nosso Senhor com a sua Real Presença felicitou a grande e abençoada terra do Brazil, e nella estabelecêo o seu Throno, este Paiz deixou de facto de ser Colonia, por cujo motivo, ainda bem não tinha sua Alteza Real chegado ao termo da sua jornada, quando na Cidade da Bahia se apressa a quebrar as cadêas, que prendião o commercio, e a industria dos Brazileiros, abrindo os portos deste vastissimo Continente a todas as Nações amigas, e concedendo aos habitantes do Brazil a franquesa do commercio: e nesta Cidade do Rio de Janeiro, onde fixou sua Côrte, passou não só a crear todos os estabelecimentos públicos, indispensaveis ao decoro e magestade da sua Corôa, mas tambem os necessarios, e uteis para o bem, e prosperidade dos seus Vassallos nesta parte do novo Mundo. Assim, além dos arranjos da sua Real Casa, e Familia, e da erecção de huma Capella tão magnifica, e devota, Sua Alteza Real Creou os Regios Tribunaes do Desembargo do Paço, da Mesa da Consciencia, e Ordens, do Conselho da Fazenda, do Supremo Conselho Militar, e de Justiça; creou mais a Casa da Supplicação do Brazil, a Juncta do Commercio e outras Junctas Administrativas, como a do Arsenal Real do Exercito, da Academia Militar, etc.; creou tambem o Erario Regio, a Relação do Maranhão, novas Comarcas, e novas Villas; fundou o Banco do Brazil; mandou abrir estradas pelo interior do Certão até ao Pará, explorar a navegação dos rios, aldear, e civilizar os Indios barbaros e ferozes; promulgou muitas, e saudaveis leis analogas ao liberal Systema Politico, que adoptara, para favorecer, animar, e dar toda a extensão possivel ao commercio, á agricultura, á industria, ás artes, e ás sciencias; mandou estabelecer fabricas de ferro, de polvora e outras de diversos generos; concedêo a Typographia, creou a Academia Militar, e a Escóla Medico-Cirurgica; promovêo a população, já permittindo aos Estrangeiros estabelecimentos ao Brazil, recebendo com affabilidade os que se distinguem pelos seus conhecimentos uteis em quaesquer das artes liberaes, e mechanicas, sem preferencia de Nação, ou de Religião; e concedendo liberalmente sesmarias aos que se propõem exercer a lavoura; já mandando vir dos Açores por diferentes vezes muitos casaes de Ilheos, aos quais benignamente mandou prestar todos os meios de subsistencia, e além disto terras, gado, intrumentos de agricultura, privilegios, isenções; e não havendo hum só ramo de publica prosperidade, que não sentisse os beneficos efeitos da sollicitude de Sua Alteza Real para engrandecer, e fazer prosperar este Estado, como temos visto na primeira parte destas Memorias, com tudo, o seu Generoso, e Magnanimo Coração não se dava ainda por satisfeito. <em>Aliquid maius, et excelsius a Principle postulatur. </em>Sim, o Principe Regente Nosso Senhor desde muito conhecia, que o Brazil exigia da Sua Real Munificencia, e Grandeza cousa maior, e mais relevante: isto he, que ao Brazil faltava ser de Direito hum Reino, por tal conhecido, e havido entre as Nações.</p>
<p><small><em>Memorias para servir a&#8217; historia do Brazil</em><br />
Escriptas na Corte do Rio de Janeiro no anno de 1821<br />
e offerecidas a S. Magestade Elrei Nosso Senhor<br />
o Senhor D. João VI pelo<br />
<strong>Padre Luiz Gonçalves dos Sanctos</strong></small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug014.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li>A casa da supplicação</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>É provavelmente verdade</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 09:43:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[Diz-se que aqui os padrões morais do clero são grandemente depravados, e é provavelmente verdade. Homens como os sacerdotes católicos, privados de todas as graças positivas da vida social, têm apenas os recursos da ciência e da literatura para combater suas paixões e vícios. Aqui, no entanto, os próprios nomes de literatura e ciência são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diz-se que aqui os padrões morais do clero são grandemente depravados, e é provavelmente verdade. Homens como os sacerdotes católicos, privados de todas as graças positivas da vida social, têm apenas os recursos da ciência e da literatura para combater suas paixões e vícios. Aqui, no entanto, os próprios nomes de literatura e ciência são quase totalmente desconhecidos. O colégio e a biblioteca de Olinda estão em franco declínio. Em todo o estado de Pernambuco, cuja população totaliza 70.000 almas, há um único vendedor de livros. Um jornal razoavelmente bem escrito, do qual não fui capaz de encontrar o primeiro número, foi lançado em março, mas sinto dizer que esse único periódico não tem circulado há dois meses. Ao que parece se editor tornou-se secretário do governo, não tendo mais tempo para supervisionar a imprensa.<br />
<small><strong>29 de setembro de 1821</strong></small></p>
<p align="right"><small>Maria Graham, <strong>Journal of a Voyage to Brazil</strong><br />
Londres, 1824</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug022.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li>É provavelmente verdade</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Essa pobreza</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Apr 2009 09:51:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Cada colônia neste vasto continente&#8221;, afirma Abbé Raynal, &#8220;tem seus próprios idiomas, mas nenhum desses possui palavras que expressem idéias gerais ou abstratas. Essa pobreza de linguagem, comum a todas as nações da América do Sul, representa prova convincente do diminuto progresso alcançado pela compreensão humana nesses países&#8221;. A History of Brazil, Andrew Grant, M.D. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Cada colônia neste vasto continente&#8221;, afirma Abbé Raynal, &#8220;tem seus próprios idiomas, mas nenhum desses possui palavras que expressem idéias gerais ou abstratas. Essa pobreza de linguagem, comum a todas as nações da América do Sul, representa prova convincente do diminuto progresso alcançado pela compreensão humana nesses países&#8221;.</p>
<p align="right"><small><strong>A History of Brazil,</strong> Andrew Grant, M.D.<br />
London, Henrt Colburn, New Bond Street, 1809</small></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li>Essa pobreza</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>A Câmara dos Deputados</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2009 09:10:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[* * * Bem junto ao paço encontra-se a seu turno a Câmara dos Deputados, uma das raridades mais dignas de se ver nesta original capital imperial. A tolice rude, a protérvia ignorante com que esses representantes da nação brasileira sustentam seus presumidos direitos e muitas vezes abdicam do essencial, para conquistarem ninharias sem importância; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/porcos-b.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/porcos.jpg" title="Clique para ampliar" /></a></p>
<h5>* * *</h5>
<p>Bem junto ao paço encontra-se a seu turno a Câmara dos Deputados, uma das raridades mais dignas de se ver nesta original capital imperial.</p>
<p>A tolice rude, a protérvia ignorante com que esses representantes da nação brasileira sustentam seus presumidos direitos e muitas vezes abdicam do essencial, para conquistarem ninharias sem importância; a arrogância ridícula com que se equiparam às nações européias, até em certos sentidos presumem ultrapassá-las mil vezes; os desaforos verdadeiramente bárbaros com que mutuamente se honram em seus discursos, pondo adequado arremate ao carnaval; tudo se ajunta para oferecer uma das mais degradantes cenas da vida pública do Brasil e do espírito coletivo, para o estrangeiro atônito que a princípio se julgava diante duma assembléia dos homens mais notáveis de uma grande nação.</p>
<p>A língua portuguesa já de si possui quantidade considerável de tão enérgicas, características galanterias do rancor e do vexame, mas os senhores deputados em seu zeloso ardor funcional não se contentam com isso, e ainda muitas vezes sublinham as palavras altamente escabrosas com uma mímica demasiado compreensível, indecente, para que nada se perca da sua grosseira produção<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/#footnote_0_1872" id="identifier_0_1872" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="A l&iacute;ngua alem&atilde;, como se sabe, tamb&eacute;m n&atilde;o se pode dizer pobre de tais palavras e ditos tonitroantes (sic); mas a espanhola como a portuguesa excedem-na em cem por cento. Frases como &amp;#8220;filho de uma . . .&amp;#8221; ou &amp;#8220;. . . que te pariu&amp;#8221;, que me envergonho de traduzir, certamente jamais ser&atilde;o pronunciadas numa assembl&eacute;ia alem&atilde;, nem mesmo sob outra forma (Nota do Autor).">1</a></sup>.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug040.gif"></p>
<p><small>O alemão <strong>Carl Seidler</strong>, no mesmo <a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao">Dez anos no Brasil</a> (1835).<br />
Seidler foi evidentemente um dos primeiros <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/os-agentes-da-ana">agentes da ANA</a>.</small></p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_1872" class="footnote">A língua alemã, como se sabe, também não se pode dizer pobre de tais palavras e ditos tonitroantes (sic); mas a espanhola como a portuguesa excedem-na em cem por cento. Frases como &#8220;filho de uma . . .&#8221; ou &#8220;. . . que te pariu&#8221;, que me envergonho de traduzir, certamente jamais serão pronunciadas numa assembléia alemã, nem mesmo sob outra forma (Nota do Autor).</li></ol><div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li>A Câmara dos Deputados</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Vara de condão</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 09:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil é a terra matriz da natureza e do mundo das fadas, terra da fantasia e da insensatez, da anarquia, da especulação, terra de macacos, frades e mulatos, o estado imperial de um arlequim de traje multicor, que com sua vara de condão transforma ouro em papel, pão em pedra, homens em animais, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil é a terra matriz da natureza e do mundo das fadas, terra da fantasia e da insensatez, da anarquia, da especulação, terra de macacos, frades e mulatos, o estado imperial de um arlequim de traje multicor, que com sua vara de condão transforma ouro em papel, pão em pedra, homens em animais, e que, na velha pantomima <em>Juca, o macaco brasileiro</em>, mostra sua ascendência sobre súditos quadrúpedes.</p>
<p><small><strong>Carl Seidler</strong>, <em>Dez anos no Brasil</em> (1835)</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug041.gif"></p>
<p>O texto integral de <b>Dez anos no Brasil</b> (título original <em>Zehn jahre in Brasilien</em>), saborosa confissão de um mercenário alemão que visitou a terra no início do século XIX e odiou rigorosamente tudo que viu, está disponível na página da série <a href="http://www.senado.gov.br/web/cegraf/conselho/estrangeiros.htm">O Brasil visto por estrangeiros</a> da <a href="http://www2.senado.gov.br/bdsf/">Biblioteca Digital</a> do Senado Brasileiro. O texto está em formato pdf: para ler é preciso ter instalado no seu navegador o <a href="http://www.adobe.com/br/products/acrobat/readstep2.html">Acrobat Reader</a>. A leitura é um pouco truncada, visto que é preciso ler/baixar um capítulo de cada vez. Uma versão mais antiga, mas completa, pode ser subtraída das prateleiras digitais <a href="http://www.archive.org/details/dezanosnobrasil00seiduoft">do armazém archive.org</a>. Se você prefere o cheiro de livro antigo e a sensualidade do papel e da impressão, pode fazer como eu e <a href="http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/busca.cgi?pchave=dez+anos+no+brasil+seidler&#038;tipo=simples&#038;estante=(todas+estantes)&#038;alvo=autor+ou+titulo">comprar um exemplar usado</a>.</p>
<p>Morda-se de inveja, Diogo Mainardi.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2009/dez-anos-no-brasil.jpg" alt="" /></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li>Vara de condão</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Dois dólares</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 09:11:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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		<description><![CDATA[A condição moral do povo [brasileiro] até a chegada do Príncipe Regente de Portugal era deploravelmente corrupta e degradada, e suas circunstâncias políticas destituídas e desfavoráveis. Tudo que é sublime na natureza inanimada, em contraste com tudo que é repugnante na natureza humana, estava abrangido no aspecto e no caráter desta porção do Novo Mundo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A condição moral do povo [brasileiro] até a chegada do Príncipe Regente de Portugal era deploravelmente corrupta e degradada, e suas circunstâncias políticas destituídas e desfavoráveis. Tudo que é sublime na natureza inanimada, em contraste com tudo que é repugnante na natureza humana, estava abrangido no aspecto e no caráter desta porção do Novo Mundo. </p>
<h5>&#8220;Não retinham nem ao menos aquela sombra da virtude, a hipocrisia.&#8221;</h5>
<p>&#8220;As cidades pelas quais Abraão intercedeu, Chipre, Cartago, Creta e Esparta, somavam-se&#8221;, afirma um viajante contemporâneo, &#8220;no período em que comecei a conhecer o país, na formação da ordem social do Rio de Janeiro&#8221;. Tampouco os costumes da capital ultrapassavam muito em torpeza os das demais cidades. &#8220;A devassidão&#8221;, acrescenta ele, &#8220;não era ali redimida por nenhuma qualidade nacional de natureza sólida, ou sequer pavonesca. De modo geral, não era tido como necessário reter nem ao menos aquela sombra da virtude, a hipocrisia. Os vícios que em outros lugares os homens procuram diligentemente ocultar eram vistos avançando a passos largos de um modo tão público e desavergonhado que satisfaria o anseio do maior dos devassos. Não eram apenas os negros e o populacho a contemplá-los com apatia; o sentimento e o gosto moral dos de estirpe mais elevada partilhavam de tal modo da mácula comum que, quando mencionávamos com horror o mais condenável dos crimes, o qual éramos obrigados a testemunhar, eles frequentemente apresentavam alguma coisa em sua defesa, além de parecerem muitos surpresos diante de nosso modo de pensar, como se tivéssemos proposto uma nova religião ou introduzido nas antigas algum escrupuloso capricho. A vida de um cidadão comum não valia dois dólares; por menos do que isso qualquer covarde podia contratar um valentão para eliminá-lo&#8221;.</p>
<p>A mais profunda ignorância e a mais extrema falta de higiene completavam o quadro. As cerimônias da religião católica eram enquanto isso pontualmente celebradas e, como nas cidades européias, à superstição mesclava-se a mais flagrante licenciosidade. Os monges, &#8220;corja ignorante e depravada&#8221;, ao mesmo tempo preguiçosos e libertinos, abarrotavam cada rua.</p>
<p>Tal era e, até certo ponto ainda é, o Brasil &#8211; terra de maravilhas, cujos rios fluem sobre leitos de ouro, onde as rochas brilham com topázios e a areia cintila com diamantes.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug047.gif"></p>
<p align="right"><small><strong>The Modern Traveller, volume 1 &#8211; Brazil and Buenos Aires</strong>,<br />
Londres, James Duncan, 1825</small></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li>Dois dólares</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Prodigiosa</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Feb 2009 09:06:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[demografia]]></category>
		<category><![CDATA[progresso]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil é de tão prodigiosa extensão que seria impossível para o país alcançar um estado sequer mediano de perfeição sob o domínio de um só governo. James Henderson, A HISTORY OF THE BRAZIL Londres, 1821]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil é de tão prodigiosa extensão que seria impossível para o país alcançar um estado sequer mediano de perfeição sob o domínio de um só governo.</p>
<p align="right"><small>James Henderson, <strong>A HISTORY OF THE BRAZIL</strong><br />
Londres, 1821</small></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-brasil-e-os-brasileiros/' title='O Brasil e os brasileiros'>O Brasil e os brasileiros</a></li><li>Prodigiosa</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil e os brasileiros</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2008 09:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Paciência&#8221;, &#8220;amanhã&#8221;, &#8220;espere um pouco!&#8221; Essas palavras em ação contemplam nos olhos, em todo lugar do Brasil, o anglo-americano nervoso, irritado, impaciente e estressado. O ex-governador Kent residiu por quatro anos no Rio de Janeiro como cônsul norte-americano, e era sua deliberada opinião que o Brasil é o melhor lugar do mundo para abrandar um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2008/bits/o-brasil-e-os-brasileiros-b.png"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2008/bits/o-brasil-e-os-brasileiros.png" title="Clique para ampliar" /></a></p>
<p>&#8220;Paciência&#8221;, &#8220;amanhã&#8221;, &#8220;espere um pouco!&#8221; Essas palavras em ação contemplam nos olhos, em todo lugar do Brasil, o anglo-americano nervoso, irritado, impaciente e estressado. O ex-governador Kent residiu por quatro anos no Rio de Janeiro como cônsul norte-americano, e era sua deliberada opinião que o Brasil é o melhor lugar do mundo para abrandar um ianque fervoroso, fazedor de discursos e agitador da comunidade.</p>
<p>&#8220;Há para o homem maduro, calado e temperado, que já presenciou muito dos aspectos brutos da humanidade, algo de agradável e gratificante nos hábitos tranquilos, calmos e silenciosos dos brasileiros. Passar um ano inteiro sem estar presente a uma convenção partidária ou manifestação, ouvir nada sobre eleições, não presenciar nenhuma aglomeração de pessoas, não ler cartazes incitando a reivindicação de direitos, não ouvir discursos nas esquinas ou palestras em jantares, jamais ser importunado a participar de uma passeata política&#8230;&#8221;</p>
<h5>* * *</h5>
<p>Informaram-me no Rio que alguns anos antes o sr. Gordon, de Boston, então cônsul norte-americano, ofereceu ao governo brasileiro para imprimir ao seu serviço postal o mesmo grau de eficiência que existe nos Estados Unidos. Sua oferta não foi aceita, porque os brasileiros, embora mais progressivos do que a maioria dos povos sul-americanos, herdam ainda muitas das características de seus ancestrais portugueses, e uma proeminente dessas é a aversão à mudança (. . .) Uma vez Adão pediu permissão para visitar a terra, e um anjo foi designado para acompanhá-lo. Porém tudo lhe pareceu tão mudado e estranho que em lugar algum Adão sentiu-se em casa, até chegar à Portugal. &#8220;Agora sim&#8221;, exclamou ele, &#8220;ponha-me no chão. Tudo aqui está como eu deixei&#8221;.</p>
<h5>* * *</h5>
<p>A gôndola [do Rio de Janeiro] em tudo se assemelha ao seu ônibus, exceto que nenhum condutor a acompanha. Você paga no Largo do Paço ao senhor Bernardo ou senhor fulano, e se há tarifas adicionais são recebidas pelo cocheiro. A gôndola não possui a conveniência que tem os ônibus de Nova Iorque, na forma de um cordão de couro pelo qual o passageiro quando deseja leva o cocheiro a parar para que ele desça. Em lugar disso, os passageiros fazem livre uso de bengalas, guarda-chuvas e punhos, massacrando à razão máxima a extremidade da gôndola mais próxima ao cocheiro; e ocasionalmente a perna desse último é agarrada de forma mais esquentada do que afetuosa pelo indivíduo sentado junto à janela próxima.</p>
<p>Algumas vezes a gôndola não pode ser propelida pelos seus remos vivos; e, nessas circunstâncias, enquanto um escocês, um americano ou um francês despejarão palavras duras sobre o cocheiro infeliz, os brasileiros permanecem perfeitamente calmos, sem se rebaixarem a descer para ver qual é o problema, conversando uns com os outros de forma filosófica como se nada tivesse acontecido.</p>
<p>(. . .) Tendo chegado a uma espécie de transtorno filosófico, perguntei certa vez porque esses transportes públicos haviam recebido o nome de gôndolas. Não demorou e descobri que havia sido concedido a determinadas empresas de ônibus um monopólio, o qual fora considerado oneroso. O governo municipal não podia em são consciência abolir esse contrato ou conferir uma nova concessão a outra <em>companhia de ônibus</em>, porém todos os escrúpulos foram vencidos quando se decidiu conceder a uma <em>empresa de gôndolas</em> o direito de transportar passageiros.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug067.gif"></p>
<p align="right"><small>Rev. D. P. Kidder e Rev. J. C. Fletcher<br />
<strong>Brasil e os brasileiros retratados em ensaios históricos e descritivos</strong>,<br />
Filadélfia, 1857</small></p>
<p>Veja também:<br />
<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_%C3%B4nibus_urbano_no_Rio_de_Janeiro">História do ônibus urbano no Rio de Janeiro</a></p>
<div class='series_toc'><h3>O Brasil e os brasileiros</h3><ol><li>O Brasil e os brasileiros</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/prodigiosa/' title='Prodigiosa'>Prodigiosa</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/dois-dolares/' title='Dois dólares'>Dois dólares</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/vara-de-condao/' title='Vara de condão'>Vara de condão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-camara-dos-deputados/' title='A Câmara dos Deputados'>A Câmara dos Deputados</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/essa-pobreza/' title='Essa pobreza'>Essa pobreza</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-especie-de-luxo/' title='&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;'>&#8220;Uma espécie de luxo&#8230;&#8221;</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/e-provavelmente-verdade/' title='É provavelmente verdade'>É provavelmente verdade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-casa-da-supplicacao/' title='A casa da supplicação'>A casa da supplicação</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/perdidos-para-o-mundo/' title='Perdidos para o mundo'>Perdidos para o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-arvore-que-chora/' title='A árvore que chora'>A árvore que chora</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Apartai-vos de mim</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 11:31:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais um espetáculo eleitoral requer dez minutos da minha paciência e, para completar, meu pai (que certamente o é) me encaminha um e-mail de um sujeito que confessa incessantemente ser &#8220;reacionário&#8221; &#8211; porque, exige ele, não gosta dos sem-terra nem de outros &#8220;sem&#8221;; não gosta dos congressistas que aprovam a demarcação de áreas indígenas; não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um espetáculo eleitoral requer dez minutos da minha paciência e, para completar, meu pai (que certamente o é) me encaminha um e-mail de um sujeito que confessa incessantemente ser &#8220;reacionário&#8221; &#8211; porque, exige ele, não gosta dos sem-terra nem de outros &#8220;sem&#8221;; não gosta dos congressistas que aprovam a demarcação de áreas indígenas; não gosta de índios que querem deter a construção de usinas hidrelétricas; não gosta da intervenção de esquerdistas estrangeiros nos negócios nacionais; não gosta de governantes semi-analfabetos; não gosta da distribuição de bolsas-família, vale-gás e outros bônus semelhantes.</p>
<p>O que posso dizer em favor do autor desse texto é que seu diagnóstico está correto: ele é de fato reacionário, e escreve como um. Eu gostaria de poder discutir com você, anônimo autor dessa reflexão, mas quando o máximo que você tem a dizer contra determinada postura é este rasíssimo &#8220;não gosto&#8221;, devo tomá-lo como criança e tratá-lo como tal. Eu, de minha parte, não gosto de peixe nem de reacionários, mas não vejo mal no livre consumo de um ou de outros. Conversaremos quando você tiver algo a dizer.</p>
<h5>* * *</h5>
<p>O que temem os reacionários, evidentemente, é que o mundo seja finalmente engolido pelo comunismo.</p>
<p>Ai de nós! Embora eu simpatize de coração com os ideais do socialismo, considero-me lúcido o suficiente para ter me tornado finalmente anarquista &#8211; entendido como alguém que não espera absolutamente nada de bom de qualquer iniciativa institucional. O governo, senhoras e senhores, é uma ilusão &#8211; só estamos aqui eu e você, e cada dilema moral e cada embaraço social cabe a nós dois resolver.</p>
<p>O que governos muito suavemente esquerdistas (como o nosso) tentam fazer é suavizar de modo artificial (isto é, instititucional) as brutais diferenças de distribuição de renda geradas pelo capitalismo tecnológico nu &#8211; diferenças que acabam patrocinando todas as formas de marginalidade, tráfico e exclusão. </p>
<p>Por um lado, não vejo como condenar o governo por estar empreendendo algo que deveríamos nós mesmos estar fazendo (e condená-lo por isso é a missão de vida dos reacionários); por outro, não nutro qualquer ilusão de que uma iniciativa institucional possa ser bem-sucedida nessa tarefa. Se eu, Brabo, não fizer (se você, possivelmente reacionário leitor, não fizer), absolutamente nada  será feito. Disso não tenha dúvida.</p>
<p>Afinal de contas, muitos dirão naquele dia: &#8220;&#8216;Vossa excelência, Vossa excelência, não fizemos justiça em nome dos impostos que te pagamos? Em teu nome  não expulsamos o demônio da fome? Em teu nome não fizemos muitos milagres sociais?&#8217; Então ele lhes dirá claramente: &#8216;Nunca vos conheci, e certamente não vos convidaria para um coquetel; apartai-vos de mim, vós que acreditastes no sistema&#8217;&#8221;.</p>
<h5>* * *</h5>
<p>Estou condenado a repetir Tolkien:</p>
<blockquote><p>A tarefa mais imprópria para qualquer homem, até mesmo para santos (que seriam de qualquer forma os menos dispostos a assumi-la) é mandar em outros homens. Nem mesmo um em um milhão está capacitado para ela, e os que menos são são os que buscam a oportunidade.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>A moral camaleônica</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Sep 2008 13:28:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[comunismo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[A população vê com bons olhos a chance de renovar os mandatos dos que vêm a se mostrar bons governantes.Editorial da Folha de São Paulo, (5/1/1996) Guilherme Scalzilli Os governos Lula suscitaram extensas discussões sobre a compatibilidade entre discurso ético e pragmatismo político-eleitoral. Talvez para dissociar-se dos defensores do presidente e estigmatizar seu constrangimento relativista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A população vê com bons olhos a chance de renovar os mandatos dos que vêm a se mostrar bons governantes.</em><br /><span style="font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant: small-caps">Editorial da Folha de São Paulo, (5/1/1996)</span></p>
<p align="right"><strong><small><a title="No Le Monde Diplomatique" href="http://diplo.uol.com.br/2008-09,a2592">Guilherme Scalzilli</a></strong></small></p>
<p>Os governos Lula suscitaram extensas discussões sobre a compatibilidade entre discurso ético e pragmatismo político-eleitoral. Talvez para dissociar-se dos defensores do presidente e estigmatizar seu constrangimento relativista sobre o assunto, a imprensa oposicionista lançou-se numa cruzada de ultralegalismo cívico, que logo receberia colorações partidárias.</p>
<table bordercolor="black" bordercolordark="white" cellpadding="10" width="40%" align="right" bordercolorlight="white" border="0">
<tbody>
<tr>
<td><em><strong>
<p align="right">É delicioso resgatar os argumentos lançados pela mídia em 1997, em favor da reeleição de FHC. Comparados com a grita contra um terceiro mandato de Lula, eles revelam a tendência a adaptar-se às circunstâncias, típica do camaleão.</p>
<p></strong></em></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Um dos aspectos negativos dessa vertente “cidadã” de tolerância zero é, paradoxalmente, sua permissividade conceitual. A abrangência normativa permite a assimilação de uma grande variedade de preceitos, entre os quais aqueles que aspiram a certa superioridade moral, mas não passam de enunciados discutíveis, contraditórios ou apenas tolos, que a ortodoxia acrítica transforma em dogmas sobrenaturais.
<p>O fetichismo da conduta ideal do administrador revela então seu caráter artificial e ideológico, permitindo a deterioração da moralidade (sistema pessoal de valores) em moralismo oportunista, alimentado para enquadrar adversários e isentar aliados em tempos pré-eleitorais. A manipulação da subjetividade “transcendental” dos princípios morais confere imanência atemporal e incontestável a repertórios de condutas engendrados circunstancialmente, sujeitos às conveniências de seus formuladores.
<p>Analisemos, como exemplo, as reações ao suposto terceiro mandato de Lula.
<p>Hoje parece consensual que mudar as regras eleitorais para favorecer governantes em exercício significa uma afronta aos princípios que regem (ou deveriam reger) a conduta do homem público. A simples hipótese de permitir a Lula candidatar-se em 2010 suscitou indignação uníssona. Os precedentes plebiscitários utilizados por Hugo Chávez e Evo Morales rondam as redações como fantasmas hostis arrastando picaretas. Editoriais e colunas horrorizados defendem a alternância de poder e vociferam que nada justifica a perpetuação de governantes.
<p>Mas não foi sempre assim.
<p>Lembremos a fatídica noite de 28 de janeiro de 1997: por volta das nove horas, o presidente da Câmara dos Deputados, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), decretou a primeira vitória da emenda que permitia a reeleição para cargos executivos. Gritos de “Uh, tererê!” soaram no plenário. Luís Eduardo foi abraçado pelo pai, o senador Antônio Carlos Magalhães, em prantos. Meia hora depois, através do porta-voz Sérgio Amaral, o presidente Fernando Henrique Cardoso rejubilava-se por saber que o Congresso votara “em sintonia com a opinião pública”.
<p>Ressalte-se que a decisão dos deputados, depois confirmada pelos senadores, era juridicamente problemática. Segundo certas interpretações, a reeleição de mandatários em pleitos subseqüentes significava alteração de cláusula pétrea da Constituição de 1988 (Direitos e Garantias Fundamentais), que teoricamente só poderia ser realizada por Assembléia Constituinte. Também o artigo 5º da Carta (Isonomia) teria sido aviltado.
<p>Desde a proposição da mudança, dois anos antes, a imprensa debatia quase diariamente o tema. Alheios à controvérsia legal, todos os grandes veículos defenderam a reeleição, com destaque para o jornal Folha de São Paulo. Editorial de 8 de novembro de 1985 já afirmava “não haver maiores inconvenientes em defender a reeleição.” Depois (5/1/1996), o editorial “Reeleição popular” comemorou pesquisa de opinião sobre o tema: “a população vê com bons olhos a chance de renovar os mandatos dos que vêm a se mostrar bons governantes. (&#8230;) Entre a candidatura e a renovação do mandato estará sempre o democrático e o inquestionável veredicto das urnas.”
<p>O Tribunal Superior Eleitoral, presidido pelo ministro Ilmar Galvão, atestou que os ocupantes de cargos executivos não precisariam se desincompatibilizar para disputar suas reeleições. Diversos juristas renomados, como Miguel Reali Júnior, apoiaram a decisão. Os analistas concordaram: “Não é o caso de defender que o presidente também se desincompatibilize”, escreveu Valdo Cruz, entre muitos, na Folha (3/2/97).
<p>Mas será que aqueles argumentos não corroborariam a tese do terceiro mandato de Lula? No parecer que permitiu aos mandatários continuarem em seus cargos, os ministros do TSE entenderam que a emenda da reeleição pressupunha o direito do eleitor optar pela continuidade administrativa (daí a desincompatibilização ser desnecessária). Ora, seguindo rigorosamente essa abordagem doutrinária, o número de reeleições jamais poderia ser limitado.
<p>A mesma preferência popular pela manutenção do administrador, soberana e legítima, poderia ser estendida para novos mandatos, além do segundo. O eleitor, que possui prerrogativas para instituir (e eventualmente depor) governantes, também é capaz de decidir por quanto tempo ficarão no poder. Seria antidemocrático frustrar o “inquestionável veredicto das urnas” também quanto ao terceiro mandato.
<p>Para dirimir possíveis questionamentos sobre a vontade popular, a Constituição Federal prevê o instrumento do plebiscito, um dos pilares da democracia participativa. Aliás, foi justamente a consulta popular que a Folha e outros veículos defenderam em 97, para evitar o fisiologismo nas decisões do Congresso.
<p>Se há algum vestígio de golpismo ou manobra casuística nesses argumentos, devemos então creditá-los ao egrégio TSE, à Carta Magna e aos apologistas da reeleição. Acontece que, há onze anos, o governo FHC desfrutava de amplo apoio midiático. A execução de seu programa reformista e a sobrevivência do Plano Real pareciam depender da continuidade reeleitoral, ostensivamente defendida por editoriais e colunas políticas. A popularidade do presidente bastava para legitimar uma discutível intervenção legislativa e até o recurso extremo do referendo – expedientes que, naquele momento, soavam “democráticos”.
<p>Mudaram os fundamentos do Estado de Direito ou mudou a imprensa? Pergunta retórica. A permanência dos primeiros independe das conveniências dos grupos momentaneamente hegemônicos. Quanto à flagrante incoerência jornalística, ela apenas evidencia um padrão de comportamento: adaptar-se às circunstâncias define a própria natureza do camaleão. Mesmo que ele, confirmando sua essência, finja ser outro animal.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug065.gif"></p>
]]></content:encoded>
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		<title>As pérolas do Enem e os que usam-nas como colares</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Sep 2008 08:49:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Recebo pela enésima vez a edição [talvez] mais recente da relação de respostas oficialmente escandalosas coletadas no exame do Enem. A recomendação breve: se você se considera uma pessoa inteligente, ou quer pelo menos dar essa impressão, faça um favor a você mesmo, e não só a mim, e nunca mais encaminhe um email dessa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebo pela enésima vez a edição [talvez] mais recente da relação de respostas oficialmente escandalosas coletadas no exame do Enem. A recomendação breve: se você se considera uma pessoa inteligente, ou quer pelo menos dar essa impressão, faça um favor a você mesmo, e não só a mim, e nunca mais encaminhe um email dessa natureza a quem quer que seja. Segue a resposta longa.</p>
<p>Primeiro, se tem acesso à internet e tempo livre para encaminhar mensagens que não escreveu, está imediatamente demonstrado que você respira na rala camada mais privilegiada de um país que tem uma das <a title="10% mais ricos no Brasil detém 75% da riqueza" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u402034.shtml">distribuções de renda mais</a> <a title="Brasil &#233; oitavo país em desigualdade social" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u112798.shtml">espetacularmente desiguais do planeta</a>, o que deveria bastar para você ficar muito quietinho no seu canto, e para sempre. Segundo, se você se acha pessoa tão notável, culta e articulada, deveria estar usando os seus recursos para reverter a crise do sistema educacional, ou quem sabe canalizando a sua criatividade para cobrir o espaço da nulidade da nossa produção cultural. Terceiro, se acha realmente engraçado dar risada das mancadas homéricas de quem você acredita ser menos notável do que sua própria pessoa, você é patife muitas vezes mais condenável e perigoso do que os ignorantes de quem está zombando. Conforme adverte a pérola atribuída (talvez ignorantemente) a Diderot, a ignorância está mais perto da verdade do que o preconceito.</p>
<p>Pegue a sua relação de pérolas do Enem e esconda na lixeira da sua consciência, ao invés de ficar usando como colar. A verdadeira demonstração da falência do país não está nos alunos despreparados que deitam respostas absurdas nos exames do Enem, mas nos esclarecidos que remetem-nas uns aos outros na forma de congratulações. Vão à merda. Ou, para ser mais geograficamente preciso, não saiam daí.</p>
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		<title>O romance do macho solitário</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Oct 2007 08:18:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[A elite de um homem só TROPA DE ELITE é um filme passavelmente bom e tremendamente ruim; sutilmente verdadeiro e também uma farsa terrível. Não consigo pensar em filme brasileiro mais revolucionário, nem outro mais pelego. Ser enlatado ou não Tropa de Elite é permeado por um terrível dilema de consciência &#8211; e não se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="font-family:Georgia; font-size:1.5em; line-height: 1.2em;">A elite de um homem só</span></p>
<p>T<small>ROPA DE</small> E<small>LITE</small> é um filme passavelmente bom e tremendamente ruim; sutilmente verdadeiro e também uma farsa terrível. Não consigo pensar em filme brasileiro mais revolucionário, nem outro mais pelego.</p>
<p><strong>Ser enlatado ou não</strong><br />
Tropa de Elite é permeado por um terrível dilema de consciência &#8211; e não se trata dos fantasmas que perseguem o capitão Nascimento ou da controvérsia extra-tela sobre se o filme é de fato fascista (é), se apresenta com justiça as complexidades do tráfico (não) ou faz apologia da tortura (faz).</p>
<p>O dilema do qual Tropa de Elite não consegue escapar é mais constrangedor do que todas essas questões porque é mais irrelevante do que todas elas; ele diz respeito à decisão (ou indecisão) do filme de ser um blockbuster, uma história convencional de polícia e ladrão, um grande filme de ação como os que Hollywood injeta incessantemente nos canais usuais. Um filme de herói.</p>
<p>Como não há precedente, a audiência não sabe exatamente como deve reagir diante de atores de tevê com pistola na mão, ostentando expressões faciais que pertencem por direito a Clint Eastwood e Bruce Willis. Será uma comédia? Uma esquete dos Trapalhões? &#8220;O que estou fazendo aqui?&#8221; parece se perguntar o ator principal. &#8220;Devo mesmo tentar encarnar a sério um herói brasileiro?&#8221; &#8220;Devo engoli-lo?, parece perguntar-se o espectador.</p>
<p>Fica a dúvida.</p>
<p>Por si só, um filme em que o policial é o herói viola a grande regra não-escrita da produção cinematográfica brasileira contemporânea, gravada a estilete na lente desfocada de Glauber Rocha: um cineasta de verdade não deve rebaixar-se a imitar uma produção hollywoodiana – em especial, não deve cometer jamais um filme com herói incorruptível e final feliz.</p>
<h5>Vilões, para Nascimento, são todos os que não tem a felicidade de serem ele mesmo.</h5>
<p>Na tentativa de ocultar essa contravenção, Tropa de Elite comete mais erros do que acertos – mas tratam-se de erros reveladores. Para começar, Tropa rejeita por completo a convenção mais usual dos filmes de ação norte-americanos, o fato de serem em geral buddy movies – isto é, o protagonista tem um parceiro que se contrapõe a ele e o completa. Há uma infinidade de razões dramáticas para o sucesso da fórmula da dupla, mas Tropa de Elite não quer saber delas. O capitão Nascimento não apenas não tem um parceiro: ele não tem amigos. Nascimento não tem paz em lugar algum e com ninguém, nem mesmo em casa e com a esposa. Em termos dramáticos, isto quer dizer que o protagonista não tem, em momento algum, onde aliviar a sua tensão ou onde acentuá-la em contraste com uma outra vontade que ele respeite (na cena no consultório psiquiátrico ele deliberadamente, estoicamente, rejeita essa oportunidade). Por outro lado, também quer dizer que o filme não fornece ao espectador qualquer ferramenta que o ajude a identificar-se com o conflito do protagonista. Nossa alienação deve refletir, aparentemente, a do capitão Nascimento.</p>
<p>Talvez pela mesma razão, o filme rechaça outra convenção de Hollywood, a inclusão de um vilão nítido e memorável, um antagonista cuja eliminação possa fornecer uma completa e satisfatória catarse. Baiano, o dono do morro, não é esse cara, nem tampouco o são os burgueses da faculdade ou os policias corruptos da polícia convencional. Tropa de Elite não tem vilões – ou melhor: vilões, para Nascimento, são todos os que não tem a felicidade de serem ele mesmo.</p>
<p>Porém o mais fundamental ingrediente dramático que falta para que o protagonista de Tropa de Elite exista num verdadeiro filme policial é o mais genérico de todos: um dilema de lealdades, um conflito de interesses. Nascimento vive dizendo para si mesmo que precisa de alguém para substituí-lo no BOPE a fim de poder &#8220;voltar para a família&#8221;, mas em determinado momento da história ele mesmo deixa de sustentar essa balela. Seu conflito de lealdades não é entre a corporação e a família, porque sua lealdade para com a corporação não sofre qualquer risco.</p>
<p>Nascimento é um cara claramente atormentado, que se entope de pílulas como um bom policial de filme noir, mas não pela razão dramática usual, o conflito de lealdades. A raiz de sua piração deve estar em outro lugar.</p>
<p><strong>O discurso da guerra</strong><br />
Para o capitão Nascimento, a relação do policial honesto com o tráfico é, sem rodeios, uma guerra. Esta é sua imagem favorita, e ele volta repetidamente a ela nas suas reflexões em off – e discursos em off Tropa de Elite tem muito, mais do que qualquer outro filme brasileiro ou estrangeiro que me sugira a memória. Nascimento cede constantemente à compulsão de justificar a sua postura, e sua justificativa mais freqüente é precisamente essa que nada explica: &#8220;isto aqui é uma guerra&#8221;.</p>
<p>Mas sua guerra é mesmo contra quem? Contra a corrupção? Contra a lei que sustenta o tráfico proibindo-o? Contra burgueses superficiais? Contra mortes desnecessárias? Contra um sistema mutilador de crianças? Contra os traficantes? Qual defeito da sociedade ele está querendo eliminar? Quem ele está querendo defender?</p>
<p>Nunca ficamos sabendo, porque a guerra não é aparentemente momento de se oferecer explicações. Devem-nos bastar, supõe-se, verdades soltas como &#8220;enquanto o traficante tiver dinheiro para se armar a guerra continua&#8221; ou &#8220;só rico com consciência social é que não entende que guerra é guerra&#8221; ou &#8220;o treinamento do BOPE ensina a matar com eficiência e dignidade&#8221; ou (sobre essa última afirmação) &#8220;acredite, isso é possível&#8221;.</p>
<h5>Ao Brasil, que nunca teve uma verdadeira mitologia de guerra, Tropa de Elite oferece uma.</h5>
<p>Nascimento tortura e mata, portanto, protegido pelo mesmo discurso à prova de balas com que Bush invade o Iraque; sua guerra contra o tráfico, como a guerra contra o terrorismo, é credencial que justifica todas as pontarias.</p>
<p>Ao Brasil, que nunca teve uma verdadeira mitologia de guerra, Tropa de Elite oferece uma, com direito a bandeira do Brasil sobre o caixão do herói tombado na batalha.</p>
<p>Nesse sentido sua vocação secreta é mais para filme de guerra do que para filme policial. Afinal de contas, numa guerra os dois lados fazem simplesmente o que tem que fazer. Nascimento talvez não goste de torturar adolescentes, e Baiano talvez preferisse não ter de assar vivo o alemão da ONG, mas o combate exige esse tipo de distanciamento. Guerra é guerra. Não está em questão qual lado está certo, mas qual dos dois vence.</p>
<p>É especialmente revelador que ao capturar Baiano na seqüência final e antes de puni-lo exemplarmente pela morte de um policial honesto, Nascimento escolha fornecer ao traficante uma única explicação:</p>
<p>– Você perdeu.</p>
<p>Tudo, meu irmão, não passa de um jogo.</p>
<p><strong>O romance do macho solitário</strong><br />
Uma matéria da revista VEJA opinou que o apelo popular de Tropa de Elite deve-se ao fato do filme evitar um clichê do cinema nacional, a romantização do bandido, a glorificação do marginal.</p>
<p>De fato.</p>
<p>Não se iluda, no entanto, porque o filme encontra um alvo para glorificar, um alvo pelo menos tão arbitrário quanto a figura do bandido. Tropa de Elite romantiza, e o faz espetacularmente, o drama do macho solitário – a dura sina do homem &#8220;de verdade&#8221;, afogado em testosterona, destinado a vagar por um oceano de incompetentes e efeminados sem saber se existe no mundo alguém tão notável quanto ele.</p>
<p>De certa forma, portanto, o apelo de Tropa de Elite está no fato do filme conseguir ocultar, a custo de muita voz grossa e tiroteio, o que de fato é: uma história de amor.</p>
<p>Embora seja protagonizado pelo protótipo do homem com H, Tropa de Elite é essencialmente uma jornada romântica. Eis o seu conflito: Nascimento, o macho e o compenetrado, está à procura de um homem que o entenda e que lhe corresponda, um homem que esteja à sua altura, um homem para chamar de ele mesmo.</p>
<h5><em>Tropa de Elite</em> é uma história de amor.</h5>
<p>Nascimento vive dizendo que está buscando apenas um substituto, mas sua linguagem e sua obsessão sugerem mais do que isso. Basta ponderar sobre efusões como &#8220;se o Neto tivesse a inteligência do Mathias, minha escolha teria sido fácil&#8221; ou, perto do final do filme, &#8220;faltava ainda conquistar o coração do Mathias&#8221;.</p>
<p>O capitão Nascimento incorpora o paradoxo do macho que é tão macho que não consegue efetivar qualquer ligação importante com mulheres, nem mesmo com sua esposa. Significativamente, os únicos momentos em que o herói usa de alguma ternura para falar com a esposa é ao celular, onde os companheiros de equipe podem ouvi-lo e talvez admirá-lo. Quando está sozinho com ela, a mulher é apenas motivo de irritação. &#8220;Pior do que aquela mancada no serviço&#8221;, explica ele em determinado momento, &#8220;era ter de ouvir a mulher me dizendo o que fazer&#8221;. Um macho de verdade, ele deixa logo muito claro, não agüenta esse tipo de desaforo. Afinal de contas, ele pode perder a família desde que tenha tempo para se dedicar à prioridade de encontrar o seu homem.</p>
<p>No final o herói acaba perdendo tudo, mas lhe resta o coração de Mathias. Corta para o final feliz, e Hollywood venceu.</p>
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		<title>A urgência de uma reforma no vestuário oficial da República</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Oct 2007 08:04:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>

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		<description><![CDATA[O que os nativos brasileiros sabiam e os portugueses ignoravam? Que é simultânea insensatez e imoralidade usar gravata, paletó, meia preta e sapato fechado numa terra tropical como esta de Santa Cruz. Muitas vezes mais pertinente do que uma reforma ortográfica seria uma reforma no guarda-roupa oficial do país. A crise é de graves proporções. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.flickr.com/photos/82705724@N00/125950315"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2007/bits/125950315_7216733f9e_m.jpg"></a></p>
<p>O que os nativos brasileiros sabiam e os portugueses ignoravam? Que é simultânea insensatez e imoralidade usar gravata, paletó, meia preta e sapato fechado numa terra tropical como esta de Santa Cruz. Muitas vezes mais pertinente do que uma <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/de-quem-foi-a-ideia">reforma ortográfica</a> seria uma reforma no guarda-roupa oficial do país.</p>
<p>A crise é de graves proporções. O rei de Sião andava descalço no seu palácio, os líderes africanos caminham pelo saguão das Nações Unidas em arejadas roupas coloridas, e aqui, no Brasil dos índios, o rei não está nu.</p>
<p>Tudo bem, não exijo a nudez diplomática compulsória, pelo menos não ainda – me dê cinco minutos – mas devo insistir no saneamento mais básico:</p>
<p>1. Todos os cidadãos que recebem dinheiro público, de escriturários a presidentes da república, deverão andar descalços em seus ambientes de trabalho.</p>
<p>1.1 Pessoas com necessidades especiais (tipo bombeiros, policiais e capitães do BOPE) poderão usar alpercatas de couro cru, havaianas ou – em casos extremos e com porte de arma – tênis.</p>
<p>2. Gravatas, sapatos fechados e colarinhos fechados de qualquer natureza são símbolos decadentes do imperialismo e relíquias dos regimes monárquicos antidemocráticos; serão banidos sob multa de extradição.</p>
<p>2.1 Paletós serão permitidos, desde que usados sobre camisetas ou camisas de colarinho aberto.</p>
<p>3. Para homens, calções e bermudas terão preferência sobre calças, e camisetas sobre camisas.</p>
<p>4. Para mulheres, saias, vestidos e calções terão preferência sobre calças.</p>
<p>5. Para todos, tecidos crus terão preferência sobre tecidos tingidos, tecidos naturais terão preferência sobre tecidos sintéticos e tecidos estampados terão preferência sobre tecidos lisos.</p>
<p>6. Toda nudez não é obrigatória, mas nenhuma será castigada.</p>
<p>7. Revogam-se as disposições em contrário.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug004.gif"></p>
<p align="right"><small>Photo by <a href="http://www.flickr.com/photos/82705724@N00">mr oji</a></small></p>
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		<title>A tristeza de todos os Jecas</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Aug 2007 02:50:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[canções]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet. &#8220;Lá no mato tudo é triste&#8221;, resume celebremente um verso triste&#160;de Tristeza do Jeca,&#160;obra do compositor paulista&#160;Angelino de Oliveira (1888-1964). Nesta viola eu cantoe gemo de verdadeCada quadraRepresenta uma saudade A letra de Tristeza do Jeca é apenas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><small><strong>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na </strong><a href="http://www.baciadasalmas.com"><strong>página da Bacia</strong></a><strong> na internet.</strong></small></p>
<p>&#8220;Lá no mato tudo é triste&#8221;, resume celebremente um verso triste&nbsp;de <em>Tristeza do Jeca</em>,&nbsp;obra do compositor paulista&nbsp;<a href="http://ferbinder.sites.uol.com.br/angelino/angelino.htm">Angelino de Oliveira</a> (1888-1964).</p>
<h5>Nesta viola eu canto<br />e gemo de verdade<br />Cada quadra<br />Representa uma saudade</h5>
<p>A letra de <em>Tristeza do Jeca </em>é apenas a mais famosa das poesias sertanejas a associar o mato (isto é, a zona rural, o campo&nbsp;–&nbsp;a &#8220;roça&#8221; em oposição à &#8220;cidade&#8221;) à tristeza, ao choro e à lamentação. Está longe de ser a única. Antes de resvalar no country e no brega romântico a música sertaneja brasileira era um gemido só -&nbsp;um lamento de rasgar o coração motivado não pela desilusão amorosa, mas, estranhamente,&nbsp;pela leitura direta da tristeza na &#8220;paisagem existencial&#8221; do sertão.</p>
<p>Desconheço outro país que tenha desenvolvido uma mitologia como a nossa, em que o mato seja, essencialmente, triste.&nbsp;Desertos, estepes&nbsp;e savanas (como os da África, Rússia e Austrália) são tidos em geral como solitários, opressivos e&nbsp;brutais, mas não particularmente tristes. Na Europa e na sua filha&nbsp;América do Norte a floresta é&nbsp;vista como ameaçadora, intimidadora, traiçoeira; estar longe da cidade é estar à mercê do perigo. Essa visão de mundo explica, em parte, a obsessão do hemisfério setentrional com histórias de terror &#8211; gênero que nunca chegou a ter verdadeira penetração entre nós, porque no Brasil o mato não dá medo, dá vontade de chorar. Não é ameaçador, é triste.</p>
<h5>Lá no mato tudo é triste<br />Desde o jeito de falar<br />Pois o jeca quando canta<br />Tem vontade de chorar</h5>
<p>O folclorista e compositor Cornélio&nbsp;Pires, responsável pela gravação do <a href="http://www.violatropeira.com.br/cornelio%20pires.htm">primeiro disco de música caipira no Brasil</a>, cria que o cárater lamentoso da música sertaneja tem raízes profundas na história tupiniquim. O lamento caipira, explicava Pires, &#8220;reflete diretamente a tristeza do <strong>índio</strong> escravizado, a condição do <strong>escravo</strong> no cativeiro e a saudade que o <strong>português</strong> tem da sua terra [na Europa]&#8220;.
<p>Ou seja: dos três elementos que, mesclados no cadinho mítico das raças, teriam formado a figura do brasileiro, não havia um sequer satisfeito com a sua sorte. Todos &#8211; índio brasileiro, escravo africano&nbsp;e colonizador português &#8211; haviam sido arrancados de uma condição de bem-aventurança anterior, e só lhes restava lamentar o seu destino. Somos nostalgia pura.</p>
<p>Dá vontade de chorar.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug017.gif">
<p>Mais música caipira de cortar o coração:</p>
<ul>
<li><a href="http://www.box.net/shared/oqdr72dsb0">Tristeza do Jeca (1937) &#8211; Paraguassu</a> (a gravação que popularizou a música)
<li><a href="http://www.box.net/shared/gyyllp0nuq">Tristeza do Jeca &#8211; Tonico e Tinoco</a>
<li><a href="http://www.box.net/shared/84rcjguqml">Três nascentes &#8211; João Pacífico</a>
<li><a href="http://www.box.net/shared/s8gqrb67zx">Luar do sertão (1936) &#8211; Paraguassu</a>
<li><a href="http://www.box.net/shared/5158fei47a">Luar do sertão &#8211; Paulo Tapajós</a>
<li><a href="http://www.box.net/shared/s875izlehr">Teus óio &#8211; Gastão Formenti</a></li>
</ul>
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		<title>Como diz o outro</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2007 09:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Gírias e Falares]]></category>

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		<description><![CDATA[O TEXTO QUE DEU ORIGEM À BACIA! Em 2004, com a conclusão de um projeto no qual trabalháramos dez anos juntos, deixei de conviver diariamente com meu amigo Ivan e experimentei uma severa crise. Percebi que não tinha mais em quem despejar minha dose diária de reflexões infundadas e fragmentos de leituras sacrílegas. Um dia, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong>O TEXTO QUE DEU ORIGEM À BACIA!</strong></p>
<p><small>Em 2004, com a conclusão de um projeto no qual trabalháramos dez anos juntos, deixei de conviver diariamente com meu amigo Ivan e experimentei uma severa crise. Percebi que não tinha mais em quem despejar minha dose diária de reflexões infundadas e fragmentos de leituras sacrílegas. Um dia, sem ter com quem dividir determinada percepção que me acometera no ônibus, resolvi colocá-la por escrito junto com a experiência que a inspirara. </p>
<p>A meio caminho da composição do texto lembrei da internet. Quem sabe eu devesse reivindicar a posse de uma ilha no mar global em que pudesse me desvencilhar de todo o conteúdo que me assombrava havia décadas; quem sabe eu pudesse, no caminho,&nbsp;descobrir alguma ligação entre partes de mim que permaneciam até aquele momento desconectadas umas das outras; quem sabe eu pudesse finalmente superar minha egrégia falta de disciplina e&nbsp;escrever algo que tivesse começo, meio e fim. Ai de nós! Acreditei insensatamente nessas promessas e levantei a Bacia. </p>
<p>Por alguma razão, no entanto, o episódio que deu origem à série permaneceu offline por todos esses anos, informe,&nbsp;inconcluso, cheio de pontas soltas.&nbsp;O estilo do Brabo estará talvez todo aí, mas sem muita convicção, tadinho. Está aqui, incipiente,&nbsp;o espírito que me levaria a deitar minha <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/os-agentes-da-ana">série de confissões sobre a ANA</a>&nbsp;(&#8220;o paradoxo está em que somos um dos povos menos proeminentes da história&#8221;).</p>
<p>Deixo-o aqui&nbsp;então, para livrar-me dele, incompleto como o deixei, de interesse apenas para os completistas.</small></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>COMO DIZ O OUTRO (2004)</h2>
<p align="center"><i>Apreensões sobre o Brasil, o mundo e acervo étnico</i>
<p>Não era, que eu soubesse, representativa em sentido algum aquela conversa entreouvida no ônibus. Era até mesmo incomum, porque na civilizada cidade em que resido (embora seja no Brasil) três estranhos normalmente não conversam em voz alta dentro de um coletivo sobre seja o que for – e estava claro que os três protagonistas eram isso mesmo, desconhecidos entre si, trocando opiniões com a&nbsp;desajeitada retórica&nbsp;de quem percebe ter uma audiência cativa.
<p>– No meu tempo – dizia o veterano do trio, um baixinho grisalho que aparentava ser mais velho do que os sessenta e poucos anos que em determinado momento afirmou ter, – quando eu cheguei em 76 a essa Curitiba, a coisa não era assim. Tinha emprego pra todo mundo. Eu ganhava por semana, chegava o final de semana e eu recebia 600, 700 reais, réis na época, que a gente gastava e ainda sobrava pra semana seguinte. O sujeito saía de um emprego e já tinha outro esperando ali na esquina. A coisa era diferente, eu pude até construir alguma coisa. Mas agora, do jeito que vão as coisas, nesses últimos vinte anos não deu pra fazer nada.
<p>Olhei de relance para o velho, que numa rápida avaliação profissional não me pareceu o tipo que tivesse construído alguma coisa, mesmo vinte anos atrás.
<p>– Pois já diz o meu avô, ele lutou na Segunda Guerra – retomou depressa o segundo interlocutor, trinta e tantos anos de idade, cabelos pretos engomados, o que falava mais e mais alto dos três – que pra consertar mesmo esse país era só mesmo colocando os militares na rua. Tirar tudo que é deputado e vereador e deixar só os militares e o presidente no governo. Fechar o Palácio, deixar um vereador ou outro e fazer essa gente trabalhar o dia inteiro. Tem vereador aí ganhando oito mil reais pra não fazer nada. Acabar com essa roubalheira, e vê se o país não vai pra frente.
<p>O velhinho concordou de imediato, e o terceiro participante, um jovem prematuramente barrigudo&nbsp;que usava&nbsp;óculos e barba por fazer, evidentemente mais politizado e convicto de não nutrir opiniões tão simplistas, calou e deu um meio sorriso.
<p>– Pois com os <i>bilhões</i> que gastam esses deputados – concluiu o velho, empolgado pela sensatez da sua argumentação – imagine o que não dava pra fazer.
<p>Enquanto eu tentava assuntar o mais desapaixonadamente que podia as eventuais vantagens e riscos de uma rigorosa intervenção militar, o segundo interlocutor, o falador, voltou à carga.
<p>– Trabalha comigo um cara que veio da China. Ele disse que na China, se alguém rouba, o sujeito é algemado em praça pública e leva um tiro na cabeça, e ainda vão cobrar a bala da família.
<p>– Pois aqui deveria ser assim – concordou na mesma hora o velhinho, empolgadamente.
<p>O terceiro, o jovem, claramente incomodado pelo rumo reacionário que a conversa estava tomando, não conseguiu mais ficar quieto.
<p>– É, mas se fosse tão bom lá ele não teria vindo pra cá.
<p>O segundo entendeu e não ousou responder, mas o velhinho tentou impor a sua própria lógica.
<p>– É – disse ele. – Essa gente ouve que aqui é bom, que aqui é primeiro mundo, e vem pra ver como é. Depois vem a decepção.
<p>– Só sei que o Brasil é muito complicado – voltou o segundo. Sem interrupção, para preencher o vácuo, ele lançou a estocada seguinte. – A culpa toda é mesmo dos estrangeiros que vieram aqui colonizar. Vieram, <em>como diz o outro,</em> roubar as nossas terras.
<p>– Pera lá – retrucou o jovem, que a essa altura não estava disposto a deixar passar mais nada. – Você é descendente de europeus. Você não tem como dizer que eles vieram roubar “as nossas terras”. Você não é descendente dos índios.
<p>– Sou descendente de espanhóis – reconheceu o outro. E arrematou, como se explicasse alguma coisa: – Mas se pelo menos tivesse sido um povo só.
<p>A platéia ao redor guardava desinteressado silêncio, entre um solavanco e outro, e quem deu a última palavra foi ele mesmo, o falador.
<p>– Só sei que esse país não tem mais jeito – disse ele. – A gente vai morrer e daqui a cinqüenta anos isso aqui vai estar a mesma coisa.
<p>O jovem e o velho, sem acrescentarem nada à discussão e sem se despedirem, desceram no ponto seguinte. Ficamos só eu, que não havia dito nada, e o falador, que agora desviava os olhos de todos porque não tinha com quem conversar.
<p>Sem deixar de observar impassivelmente a paisagem urbana que passava janela afora (eu, como todos os outros, não havia dado indicação alguma de que tinha estado prestando atenção; estávamos aparentemente acima daquele tipo de coisa), fiquei tentando diagnosticar o que naquele trecho roubado de conversa havia me perturbado&nbsp;ao ponto de não conseguir tirá-lo da cabeça.
<p>Tive de concluir que, extraídos os lugares-comuns, três questões levantadas naquela conferência coletiva haviam colocado meu giroscópio interior para funcionar: a menção de passagem à Segunda Guerra, uma das minhas obsessões mais caras; a questão da diversidade dos povos na formação do país; e as implicações da expressão “como diz o outro”.
<p>Aproveito esse pretexto, então, para expor certas impressões pessoais que me são muito caras e talvez não tenha oportunidade de deixar registradas em outro lugar. Só algumas dizem respeito ao Brasil. Mesmo que eu e você não estejamos no mesmo ônibus, essas impressões&nbsp;talvez sejam de interesse coletivo; mesmo se fazendo de desentendido, você pode querer ouvir.<br />
<h5>* * *</h5>
<p>Gosto muito, para minha vergonha, do jeitão do brasileiro (digo &#8220;jeitão&#8221; no esforço de evitar abstrações ainda maiores, abominações como &#8220;povo brasileiro&#8221;). Não quero defender e não tenho como justificar o nosso desempenho econômico e político, mas não são esses, deixo logo claro, os quesitos que levo em conta na minha avaliação.
<p>Devo admitir,&nbsp;por outro lado,&nbsp;que não há como separar uma coisa da outra: é nosso jeitão como povo que determina em última instância a natureza&nbsp;– peculiar, para dizer&nbsp;pouco&nbsp;– do nosso desempenho econômico e político. Não vou dizer que para se produzir um país verdadeiramente bem-sucedido nas arenas econômica e financeira requer-se um povo tão insuportável quanto o norte-americano – mas, pensando bem, acabei de dizer. Para se gerar um país improvável como o Brasil, um imenso e sublimado Portugal, um gigante marginal, pacato, generoso, reflexivo e submisso, requer-se um povo tão absurdo e tão impagável quanto o nosso.
<p>No desenrolar do enredo étnico, nos anais da destilação dos povos, o brasileiro é&nbsp;talvez o resultado mais&nbsp;prodigioso. Por todos os testemunhos que contam (o meu), o mais inclassificável, mais&nbsp;redundante e subutilizado; ao mesmo tempo o mais e o menos presunçoso de todos.
<p>O paradoxo está em que somos um dos povos menos proeminentes da história. Deixamos, em quinhentos anos, pegada nenhuma que não seja de chuteira. Nenhuma bandeira fincada, nenhum número importante, nenhum nome de destaque, nenhuma causa exageradamente meritória, nenhuma revolução de monta, nem um conflito que mereça lugar nas crônicas do futuro. Mais ou menos como Portugal na periferia da Europa, passamos nossa história sem quaisquer ocorrências especiais, à margem do que acontece no resto mundo – porque, por definição, nada <i>acontece</i> no Brasil. Se <i>acontece, </i>foi fora daqui.
<p>Somos uma nação de <i>voyeurs, </i>um dos povos mais bem informados do mundo, mas residentes no mirante dos fatos alheios, sobrevivendo com injeções regulares de cinema e noticiários estrangeiros. Como o <i>Popular </i>da crônica de Veríssimo, somos o curioso que aparece em segundo plano quando alguém está dando uma entrevista na rua a um repórter de televisão. É sempre &#8220;o outro&#8221; que opina, não a gente:&nbsp;<em>como diz o outro</em>.&nbsp;Somos meros observadores desinteressados no meio dessa confusão.
<p>Assistimos com perplexidade ao desfile de problemas internacionais,&nbsp;na bem-intencionada tentativa de compreender o que na nossa ótica faz pouco ou nenhum sentido.&nbsp;Pois, aparentemente, nenhum dos conflitos que impulsionam as agendas internacionais nos movem ou nos dizem respeito: o partidarismo, o fanatismo religioso, a ambição territorial, a devoção a idéias, as obsessões éticas. Nenhum desse motores nos motiva ou nos faz seguir adiante. Somos literalmente <i>hours-concours, </i>fora da competição – cem milhões de personagens complexos perdidos num enredo sem conflito, reclinados com enfado e alguma volúpia na proverbial mas apropriada imagem do berço esplêndido. <i>Eternamente.</i>
<p>Sem virtude, mas também sem ambição. Talvez estejamos nos preservando para um momento em que nossos recursos especiais sejam realmente necessários. Como o personagem de Chico Buarque, passamos pela vida nos reservando para ocasião oportuna.<br />
<blockquote>
<p>Quem me vê sempre parado, distante,<br />garante que eu não sei sambar<br />Tô me guardando prá quando o carnaval chegar<br />Eu tô só vendo, sabendo, sentindo,<br />escutando, não posso falar<br />Tô me guardando prá quando o carnaval chegar<br />E quem me ofende, humilhando,<br />pisando, pensando que eu vou aturar<br />Tô me guardando prá quando o carnaval chegar<br />E quem me vê apanhando da vida<br />duvida que eu vá revidar<br />Tô me guardando prá quando o carnaval chegar.</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>AO VIVO: La Domenica del Corriere</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2007 10:55:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de ser deposta pela fotografia e finalmente pela televisão, a ilustração reinava absoluta no campo da comunicação visual. Na imprensa e na publicidade cabia à ilustração transmitir todo o drama, o impacto e o movimento que associamos hoje à imagem &#8220;ao vivo&#8221;. O Brasil teve revistas notáveis movidas basicamente à ilustração, publicações como a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://farm1.static.flickr.com/157/433480423_21d7f8306d_o.jpg"><img src="http://farm1.static.flickr.com/157/433480423_b9048f4a3a.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="370" height="500" /></a></p>
<p>Antes de ser deposta pela fotografia e finalmente pela televisão, a ilustração reinava absoluta no campo da comunicação visual. <a href="http://farm1.static.flickr.com/165/432711150_caa80608a4_o.jpg"> <img src="http://farm1.static.flickr.com/165/432711150_aac4bbcbc6_m.jpg" title="Clique para ampliar" border=0 class="right" /> </a>Na imprensa e na publicidade cabia à ilustração transmitir todo o drama, o impacto e o movimento que associamos hoje à imagem &#8220;ao vivo&#8221;.</p>
<p>O Brasil teve revistas notáveis movidas basicamente à ilustração, publicações como a <a href="http://www.traca.com.br/?mod=expcrono&#38;ano=1929">Revista da Globo</a> (quando eu imaginaria ver uma <a href="http://www.traca.com.br/?mod=expilu&#38;ilu=VER%CDSSIMO&#38;codlivro">ilustração de Érico Veríssimo?</a>) e o &#8220;Magazine Mensal Ilustrado&#8221; <a href="http://www.traca.com.br/?tema=padrao&#38;pag=euseitudotematica&#38;mod=inicial">Eu Sei Tudo</a>. Porém quero hoje recomendar a exposição virtual de uma curiosa publicação italiana, <a href="http://it.wikipedia.org/wiki/La_Domenica_del_Corriere">La Domenica del Corriere</a> (1899-1989), encarte dominical do <em>Corriere della Sera</em> (Correio da Tarde) de Milão.<a href="http://farm1.static.flickr.com/183/433477864_e364bfbbf7_o.jpg"> <img src="http://farm1.static.flickr.com/183/433477864_66276daef7_m.jpg" title="Clique para ampliar" border=0 class="left" /> </a></p>
<p>Precisando de um pouco de drama na sua segunda-feira? Você pode começar o dia visitando as seções de <a href="http://www.illustrated-history.org/asp/trovati.asp?data=&#38;autori=&#38;Argomento=&#38;soggetto=Animali&#38;luoghi=&#38;best_of_year=&#38;keywords=&#38;B5=TROVA">animais</a> (que dizer desta <a href="http://www.illustrated-history.org/asp/zoom.asp?id=1232">hiena roubando um bebê</a>, deste <a href="http://www.illustrated-history.org/asp/zoom.asp?id=1022">gorila à solta na Bélgica</a> ou deste <a href="http://www.illustrated-history.org/asp/zoom.asp?id=1196">cachorro salvando uma menina de um atropelamento?</a>) e de <a href="http://www.illustrated-history.org/asp/trovati.asp?data=&#38;autori=&#38;Argomento=Incidenti&#38;soggetto=&#38;luoghi=&#38;best_of_year=&#38;keywords=&#38;B5=TROVA">acidentes</a> da Domenica &#8211; e isso só para começar.</p>
<p>Nos arquivos virtuais da revista encontrei <a href="http://www.illustrated-history.org/asp/trovati.asp?luoghi=America+Latina+-+Brasile&#38;B2=TROVA">seis capas dedicadas ao Brasile</a>.  Selecionei quatro para colocar aqui: pancadaria no futebol, perigo no Rio de Janeiro, monstros marinhos e discos voadores &#8211; reminiscências de um tempo em que o Brasil era interessante.</p>
<p>Clique como sempre para ampliar.</p>
<p></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><strong>A PATADA DO VELHO LEÃO</strong><br />22 de julho de 1951</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><small> &#8220;Em São Paulo, Brasil, durante a partida de futebol entre Juventus e Stella Rossa, o ex-campeão europeu de peso-pesado Erminio Spalla, ao ouvir frases de expectadores ofensivas aos italianos, faz voar arquibancada abaixo, ao som de murros, quatro dos insolentes. Detido pela polícia, é solto na mesma tarde.&#8221; </small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://farm1.static.flickr.com/181/432675613_febb1d6de7_o.jpg"><img src="http://farm1.static.flickr.com/181/432675613_75cd091b2b.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="364" height="500" /></a></p>
<p></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><strong>RESGATE SOBRE O ABISMO</strong><br />Março de 1951</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><small> &#8220;No teleférico do Pão de Açúcar, sobre o Rio de Janeiro, uma cabine fica presa a 300 metros do chão. Os vinte passageiros são trazidos à segurança em várias levas, através de acrobática manobra, por meio de um bondinho de serviço preso a um cabo secundário.&#8221; </small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://farm1.static.flickr.com/160/432674545_6732139874_o.jpg"><img src="http://farm1.static.flickr.com/160/432674545_478b0f058d.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="365" height="500" /></a></p>
<p></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><strong>O MONSTRO DO RIO</strong><br />23 de fevereiro de 1958</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><small> &#8220;Os pescadores da baía defronte a capital do Brasil viram um estranho e gigantesco monstro de cerca de vinte metros de comprimento, com um pescoço de girafa coroado por uma cabeça de serpente. A existência do monstro é colocada em dúvida por outros pescadores, que sustentam tratar-se de uma alucinação. Alucinação ou não, o fato é que muitos não ousam enfrentar as águas da baía com medo de um encontro com a fabulosa criatura.&#8221; </small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://farm1.static.flickr.com/172/432675213_650e8ddee8_o.jpg"><img src="http://farm1.static.flickr.com/172/432675213_3b9670a15a.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="366" height="500" /></a></p>
<p></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><strong>RAPTADO PELO DISCO VOADOR</strong><br />30 de setembro de 1962</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><small> &#8220;Raimundo Aleluia Mafra, um menino de nove anos, conta que seu pai, Rivalino Mafra, foi raptado por um disco voador em Duas Pontas, junto a Belo Horizonte. &#8216;O disco &#8211; conta o pequeno Raimundo &#8211; pousou na frente da nossa casa quando estávamos tomanda a fresca [da tarde] e &#8220;sugou&#8221; meu pai para dentro dele. Depois desapareceu&#8217;. O garoto está sob observação. Vítima de uma alucinação? Certo é que seu pai está realmente desaparecido.&#8221; </small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://farm1.static.flickr.com/161/432671162_a00505c1fe_o.jpg"><img src="http://farm1.static.flickr.com/161/432671162_77d69a4540.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="365" height="500" /></a></p>
<p></p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">REFERÊNCIA:<br /><a href="http://www.illustrated-history.org">La Domenica del Corriere</a><br /><small> Para uma busca por assunto procure <strong>Ricerca avanzata</strong> em qualquer uma das páginas e clique no correspondente <strong>Clicca quì</strong>; escolha um assunto em <strong>Selezione un suggetto</strong> e clique finalmente em <strong>TROVA</strong>. </small></p>
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		<title>Em câmera lenta</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Feb 2007 00:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Na sociedade do espetáculo a ética, como tudo mais, é coreografada pela mídia e obedientemente dançada pela sociedade. São os meios de comunicação que selecionam, embalam e entregam em domicílio o que deve propriamente nos chocar, motivar e comover. Num mundo inteiramente esvaziado de absolutos, é apenas pelos olhos seletivos da mídia que sentimo-nos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na sociedade do espetáculo a ética, como tudo mais, é coreografada pela mídia e obedientemente dançada pela sociedade. São os meios de comunicação que selecionam, embalam e entregam em domicílio o que deve propriamente nos chocar, motivar e comover. Num mundo inteiramente esvaziado de absolutos, é apenas pelos olhos seletivos da mídia que sentimo-nos de alguma forma capazes de enxergar o que é certo e errado.</p>
<p>Estou falando, naturalmente, das recentes e espetaculares violências divulgadas pela televisão e do rastro de indignação <del>extraoficial</del> oficial que se seguiu. </p>
<p>Pode-se dizer que estou indignado com essa indignação &#8211; tão ou mais do que com a violência que dizem-me tê-la inspirado.</p>
<p>Pretendo ser bem entendido pelo menos numa coisa: não tenho prazer em ouvir de crianças sendo torturadas e de balas perdidas que encontram seus destinos, seja no Rio de Janeiro ou no Iraque, que é menos violento; não creio, com a mesma intensidade, que a onipresença da violência deva ser de alguma forma maquiada, omitida ou censurada. Deem-me a vida como ela é &#8211; não tenho escolha a não ser encará-la de frente, e prefiro não ter.</p>
<p>O que me incomoda na recente onda de indignação é que ela toma invariavelmente o caminho testado e aprovado da demonização do outro &#8211; o caminho que sancionou todos os derramamentos de sangue da história, inclusive aqueles que estamos agora condenando. E não é, sabemos disso, menos que derramamento de sangue o que estamos pedindo. Somos personagens da vigília circular prevista e denunciada por René Girard. O que queremos, o que estamos <em>exigindo,</em> é um bode expiatório no qual possamos afogar espetacularmente o nosso furor. Deem-nos um rei do crime, um magnífico Al Capone para crucificar; deem-nos a pena de morte, um maldito cujo sangue nos forneça a indelével impressão de purificação comunitária. Deem-nos uma punição exemplar, algo que corresponda em riqueza visual à pirotecnia da violência a que fomos submetidos pelas imagens da televisão.</p>
<p>Sou, devo confessar aos que ainda não perceberam, um idealista e um anarquista. Não sou porém idealista o bastante para crer que não há culpados, ou anarquista o bastante para crer que culpados não devam ser punidos. Apenas estou convicto de que há culpados em mais arenas do que gostaríamos de admitir, e violências cuja magnitude simplesmente não comportam os dois ou três palmos da tela azul.</p>
<p>Não é preciso mais do que meia hora para se fazer pelas ruas da cidade um desenho com o sangue e a carne de uma criança viva. Não é preciso mais do que minutos para abrir com o estilete uma garganta, para violentar uma garotinha, derrubar o fósforo aceso sobre um corpo vivo fedendo a gasolina ou apertar um cano fumegante contra uma têmpora.</p>
<p>A maior parte de nós, seres humanos, optaria por só fazer essas coisas em último caso. Preferimos em geral não ter de recorrer à violência. Preferimos que ninguém morra na nossa frente. Preferimos não ter de matar ninguém. Se matar for finalmente necessário, preferimos que não seja doloroso para quem morre.</p>
<p>Nós humanos somos assim. Não inerentemente bons, mas inerentemente cheios de melindres e nove horas. </p>
<p>As atrocidades espetaculares com que temos nos ocupado são jogo rápido e produzem resultados brutais, feitos sob medida para a nota de primeira página do jornal. São vistosas em sua abominação, e cabem justinho entre um comercial e outro do noticiário.</p>
<h5>A tela é azul.</h5>
</p>
<p>Essas violências são especialmente convenientes para o nosso consumo porque deixam claro, pelo seu próprio caráter de aberração, que não dizem respeito a gente do nosso convívio e da nossa estirpe. Ficamos chocados com elas e exigimos restituição na exata proporção em que cremos não ter nenhuma culpa no cartório. </p>
<p>A culpa, no entanto, é coisa insidiosa e comum. A violência é rápida, mas o processo de desumanização que a possibilita, que torna a violência concebível e até desejável para quem a pratica, é lento e complexo. É preciso muita coisa para fazer de um homem menos que um homem, mas temos conseguido &#8211; e tenho feito obedientemente a minha parte na criação desse admirável mundo novo.</p>
<p>É minha convicção de que somos todos &#8211; individualmente, já que coletivamente nada acontece &#8211; culpados dessa violência secreta que desconstrói eficientemente a humanidade de crianças, mulheres e homens. </p>
<p>Desconhecemos ou esquecemos o que é passar consistentemente fome, o que é ser barrado consistentemente no shopping, o que é constatar consistentemente que trabalho honesto gera menos sobrevivência do que fornecer entorpecentes malfeitos a distraídos ricos e classe-medianos. Não sabemos ou esquecemos o que é dormir na rua, o que é ver a mãe apanhando do pai, o que é ter a ordem de despejo no nariz, o cuspe no rosto, o chute no lado. Não sabemos ou esquecemos o que é ver o dia como ameaça, a noite como dia e a lata de cola por companheiro. Essas e outras violências secretas trabalham em perfeita coordenação para desfazer gente em menos do que gente, mas são coisa por demais comum e rasteira para merecer espaço na televisão. Não fazem e nunca farão, portanto, parte da nossa ética. Não têm qualquer relação com a verdadeira violência que estamos lamentando nos e-mails que repassamos.</p>
<p>Era novembro de 2005 e eu estava com meu amigo inglês Julian na Paraíba, no calçadão da perfumada Campina Grande, tomando suco e maravilhando da chuva e do friozinho que fazia ali tão na beira do sertão nordestino. Anoitecia e adiávamos, comentando sobre a extraordinário abundância de farmácias e garotas bonitas na cidade, a hora de voltar para o Hotel Gandhi. Espalhada pelo calçadão desfilava sem pressa uma procissão sem fim de crianças de rua e catadores de papel: meninos descalços, maltratados, vestidos de pano de chão, pedindo sem stress um centavo, um pedaço de comida, muitos empurrando ou puxando, como mulas, carrinhos de madeira dez vezes maiores do que eles mesmos.</p>
<p>O Julian já tinha visto cena semelhante em outras de nossas capitais, mas ali em Campina Grande, naquela noite e no meio daquelas crianças que o cercavam como a um loiro redentor, o inglês desembuchou.</p>
<p> &#8211; Por que vocês não fazem nada a respeito dessas crianças? &#8211; perguntou ele ternamente, serenamente, e falava em nome e a respeito das crianças de rua de todo o Brasil.</p>
<p>Nesse momento, senhoras e senhores, o Brabo desfiou um discurso que faria a delícia ou a vergonha de qualquer candidato em qualquer comício. Expliquei com toda a diligência que a solução não era simples, que o problema era congênito, que o governo não fazia nada, que a sociedade se omitia, que a maldição tinha raízes históricas que garantiam a sua perpetuação; falei sobre desvios de recursos, sobre reforma agrária, sobre prostituição infantil, sobre tráfico de drogas e de influências e sobre crime organizado. Falei sobre a história do Rio do Janeiro, sobre evasão rural, sobre nordestinos em São Paulo; expliquei sobre favelas e morros e falanges vermelhas e escadinhas, e quanto mais eu falava mais percebia que estava longe, cada vez mais longe, de responder a pergunta que meu amigo havia feito.</p>
<p>Meu amigo não me pedira estatísticas ou respostas prontas. Ele me perguntava por que eu &#8211; por que alguém &#8211; não fazia nada para humanizar a vida daquelas crianças e crianças como elas. Eu não soube o que responder. Não tinha o que responder, e finalmente confessei isso a ele.</p>
<p> &#8211; Pergunto &#8211; ele disse, apontando para um menino de uns seis anos absolutamente loiro, absolutamente lindo e absolutamente miserável que nos observava maravilhado conversando em inglês, como se testemunhasse anjos &#8211; por que esse menino poderia ser o meu filho.</p>
<p>A desumanização é uma violência muda que depende da contribuição de todos para funcionar. Basta um de nós virar a casaca para colocar tudo a perder. Eu mesmo tive meus momentos de fraqueza, mas o Julian voltou graças a Deus para sua Londres perfeita e não representa mais risco para a minha consciência. Minha eficiente omissão tem feito com que crianças sejam arrastadas pelas ruas, uma de cada vez, com a mesma inclemência impensável que os bandidos dispensaram a um menino que não conheci e cuja foto apareceu na televisão. Esse trajeto desumanizante é, no entanto, lentíssimo; acontece em câmera lenta demais para caber nos limites do noticiário de televisão. É devagar como um filme francês, e da mesma forma impotente para angariar pontuação no IBOPE. No final, no entanto, haverá um rastro de sangue e um ser humano a menos sobre a terra.</p>
<h5>* * *</h5>
</p>
<p>Deixamos o filho de Julian dormindo na rua e fomos para o quarto do hotel, caindo no sono sob a benção azul da novela Bang-Bang. Na manhã seguinte partimos para Recife.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug022.gif" alt="" width="77" height="161" /></p>
<p>Leia também:</p>
<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/big-brother">Big Brother &#8211; A vigilância sem trégua do espetáculo</a><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-problema-com-a-virtude">O problema com a virtude</a></p>
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		<title>O Protocolo Mainardi</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Dec 2006 08:34:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[humor]]></category>

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		<description><![CDATA[Pouca gente sabe, mas todos os banheiros públicos do Brasil são interligados, através de uma intrincada rede subterrânea de caríssima e embaraçosa manutenção, ao enorme Complexo de Inteligência da ANA no Planalto Central. Quando todas as linhas 0800 estão saturadas ou se o celular encontra-se ocupado ou fora de área, nossos agentes estão instruídos a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pouca gente sabe, mas todos os banheiros públicos do Brasil são interligados, através de uma intrincada rede subterrânea de caríssima e embaraçosa manutenção, ao enorme Complexo de Inteligência da <acronym title="Agência Nacional de Acobertamento">ANA</acronym> no Planalto Central. Quando todas as linhas 0800 estão saturadas ou se o celular encontra-se ocupado ou fora de área, nossos agentes estão instruídos a recorrer a esse canal direto de comunicação com a nossa Inteligência: qualquer sanitário público do território nacional.</p>
<p>Os banheiros de botecos e postos de beira de estrada estão entre os mais procurados pelos agentes; são essas as unidades que contam com recursos mais sofisticados e valiosos de comunicação e exigem, por essa razão, os maiores esforços de camuflagem. Equipes inteiras da ANA visitam esses lugares públicos sob os mais variados disfarces e contribuem abnegadamente para os esforços de acobertamento &#8211; seja riscando recados e diagramas em código na fórmica das portas, mijando altruisticamente no chão ou entupindo as privadas pelo emprego das soluções mais criativas. Esses banheiros-chave da Inteligência são mantidos em estado de permanente imundície para que simplesmente não ocorra a um civil entrar neles por vontade própria; semelhantemente, os poucos contraventores devem sentir-se compelidos a partir de imediato, antes que descubram o acesso às maravilhas da tecnologia embutidas em cada canto do recinto. É um serviço sujo, mas alguém tem de fazer.</p>
<p>Era uma tarde pelante do verão de 2004 quando estacionei meu Corsa 1.0 naquele posto isolado da BR 101. Pedi uma coxinha em voz alta o bastante para vencer a opilência do ventilador e fui servido diretamente no balcão sebento por um sujeito sem camisa que talvez fosse um agente, tendo em vista a barriga esférica de cerveja e o imenso crucificixo que ele mantinha nas costas de modo a não prender nos cabelos do peito. Perguntei onde ficava o banheiro.</p>
<p>Protegi o assento com uma camada tripla de papel higiênico e estava prestes a digitar  meu código pessoal de sete dígitos no painel de azulejos à minha direita quando bateram na porta. Eu disse que estava ocupado e o homem lá fora respondeu com a contra-senha correspondente, por isso cancelei a comunicação e no momento seguinte caminhávamos lado a lado, falando em voz baixa no pátio abarrotado de caminhões.</p>
<p> &#8211; Quem me mandou foi o Bira &#8211; revelou-me meu contato, um caminhoneiro irriquieto e miúdo com sotaque cantado de catarina, que arrastava pelo saibro havaianas brancas ainda menores que os pés que calçavam.</p>
<p>O Bira eu não via pessoalmente fazia anos, mas eu sabia que trabalhava agora na Inteligência. O Bira tinha sido meu aliciador, mentor e treinador nos meus primeiros anos de ANA em Bauru; nossa despedida não tinha sido das mais civilizadas, mas guardávamos o candor de nos desprezarmos lealmente apesar da distância.</p>
<p> &#8211; Porque não veio ele mesmo dar o recado? &#8211; reclamei.</p>
<p>&#8211; Ele veio &#8211; confidenciou o outro, parando para juntar distraidamente uma arruela do chão &#8211; mas estamos sob vigilância cerrada, você não faz idéia. Os dissidentes, cara. O Bira está nos observando a uma distância segura.</p>
<p>E olhou significativamente para lugar nenhum à sua direita. Não movi um músculo diante da revelação, mas pensei ter visto com o canto do olho algum movimento atrás de uma pilha de pneus.</p>
<p> &#8211; Qual é a missão? &#8211; perguntei, irritado, voltando a caminhar pelo pátio e esperando que o baixinho me seguisse com as instruções.</p>
<p>&#8211; Você sabe muito bem &#8211; resmungou ele, adiantando o passo para me acompanhar e passando a arruela de uma mão para a outra &#8211; Sua missão é deixar de cumprir as suas missões de forma tão eficaz.</p>
<p>Parei entre um passo e outro, indignado, e encarei o catarina de frente.</p>
<p> &#8211; Não faça essa cara &#8211; exigiu ele. &#8211; Ou você vai me dizer que desconhece o Protocolo Mainardi?</p>
<p>&#8211; É evidente que conheço.</p>
<p>&#8211; Recite pra mim &#8211; pediu ele com falsa delicadeza, e cuspi as palavras em resposta:</p>
<p>&#8211; &#8220;Consagração é tanto ser odiado quanto ser amado. Para permanecer invisível o Brasil precisa ser mantido na <a href="http://headrush.typepad.com/creating_passionate_users/2005/01/be_brave.html">Zona da Mediocridade</a>, a terra de ninguém em que ninguém nos ama nem odeia&#8221;.</p>
<p>&#8211; Essa, meu caro, é a <em>sua</em> missão. Pare de ser tão competente dentro da nossa organização. Você está destoando, está chamando a atenção, e nenhum dos peixes graúdos gosta de sentir-se ameaçado por um subordinado.</p>
<p>&#8211; O que eles esperam que eu faça?</p>
<p><span id="more-1097"></span></p>
<p>&#8211; É óbvio: não lute contra a corrente. Não se destaque. Procastine. Se a missão demora um dia, gaste nela quatro. Se custa cinco mil reais, apresente notas para dez. Se sua missão é salvar o mundo, salve metade. A sua metade. Não seja amado nem odiado. Então qual é, companheiro, a diretriz primeira da Agência Nacional de Acobertamento?</p>
<p>&#8211; Esconder dos brasileiros a grandeza do Brasil &#8211; recitei.</p>
<p>&#8211; Pois trate de esconder a sua &#8211; disse o baixinho, dando as costas e partindo em direção ao seu caminhão sem se dar ao trabalho de erguer dos quadris a bermuda.</p>
<p>Neste momento ouvi o clique de uma pistola sendo engatilhada, e o baixinho estacou a cinco passos de mim. Alguém cujo rosto eu não podia ver, oculto atrás de um caminhão de soja, apertara-lhe uma arma contra a têmpora. Reconheci na mesma hora a mão engordurada do atendente da lanchonete.</p>
<p>&#8211; Eu tenho exigências &#8211; disse o homem com a pistola.</p>
<p>&#8211; Brabo, me salve &#8211; implorou o catarina.</p>
<p> &#8211; O Protocolo Mainardi &#8211; disse eu, e dei as costas em direção ao Corsa.</p>
<p>Minha alegria era saber que o Bira estava observando tudo, e foi obrigado a me mandar uma comenda mesmo depois que o banheiro do posto explodiu, mandando faxes para todos os lados.</p>
<div class='series_toc'><h3>Os Anais da ANA</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2005/os-agentes-da-ana/' title='Os agentes da ANA'>Os agentes da ANA</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/a-central-de-piadas-da-ana/' title='A Central de Piadas da ANA'>A Central de Piadas da ANA</a></li><li>O Protocolo Mainardi</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/o-ultimo-show-do-abba/' title='O último show do ABBA'>O último show do ABBA</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/a-primavera-de-mccain/' title='A primavera de McCain'>A primavera de McCain</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>E isso acontece durante todo o ano nessa terra do Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Oct 2006 10:23:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Documentos]]></category>

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		<description><![CDATA[TIVEMOS DESDE ENTÃO vento de oeste que nos foi propício e permaneceu tão constante que a 26 de fevereiro de 1557, pelas oito horas da manhã, avistamos a Índia Ocidental ou terra do Brasil, quarta parte do mundo, desconhecida dos antigos e também chamada América, do nome daquele que em 1497 primeiro a descobriu. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>T<small>IVEMOS DESDE ENTÃO</small> vento de oeste que nos foi propício e permaneceu tão constante que a 26 de fevereiro de 1557, pelas oito horas da manhã, avistamos a Índia Ocidental ou terra do Brasil, quarta parte do mundo, desconhecida dos antigos e também chamada América, do nome daquele que em 1497 primeiro a descobriu. Não é preciso dizer que muito nos alegramos e rendemos graças a Deus por estarmos tão perto do lugar que demandávamos. Com efeito há cerca de quatro meses não víamos porto e flutávamos no mar não raro com a idéia de que nos encontrávamos num exílio sem solução. Por isso logo que verificamos ser o continente que víamos, pois muitas vezes nos enganaram as nuvens, velejamos para a terra e no mesmo dia, com nosso almirante à frente fomos ancorar a meia légua de um lugar montanhoso chamado <em>Huuassú (Iguaçu)</em> pelos selvagens. Botamos nágua o escaler e depois de ter disparado alguns tiros de peça para avisar os habitantes, conforme o costume de quem chega a esse país, vimos reunirem-se na praia homens e mulheres em grande número. Nenhum de nossos marinheiros, já viajados, reconheceu bem o sítio; entretanto os selvagens eram da nação Margaiá, aliada dos portugueses e por conseqüência tão inimiga dos franceses que se nos apanhassem em condições favoráveis, não só não nos teriam pago resgate algum mas ainda nos teriam trucidado e devorado. E logo pudemos admirar as florestas, árvores e ervas desse país que, mesmo em fevereiro, mês em que o gelo oculta ainda no seio da terra todas essas coisas em quase toda a Europa, são tão verdes quanto na França em maio e junho. E isso acontece durante todo o ano nessa terra do Brasil.</p>
<h5>Seis homens e uma mulher não hesitaram em vir visitar-nos no navio.</h5>
</p>
<p>Não obstante a inimizade entre margaiás e franceses, muito bem dissimulada de parte a parte, nosso mestre, que lhes conhecia um pouco a língua, meteu-se num escaler com alguns marujos e dirigiu-se à praia cheia de selvagens. Não se fiando nestes entretanto, e temerosos de serem agarrados e moqueados, mantiveram-se fora do alcance de suas flechas acenando-lhes de longe com facas, espelhos, pentes e outras bugigangas. Ouvindo as nossas vozes apressaram-se os índios mais próximos em vir ao encontro dos nossos, com alguns companheiros. Desse modo obteve o nosso contramestre farinha fabricada de certa raiz, usada pelos da terra em vez de pão, e ainda carne de javali, frutas e mais coisas que a terra produz em abundância. Seis homens e uma mulher não hesitaram em vir visitar-nos no navio para vê-lo e dar-nos boas-vindas. Como eram os primeiros selvagens que eu via de perto, é natural que os observasse atentamente e embora os descreva minuciosamente noutro lugar, quero desde já dizer alguma coisa a seu respeito. Tanto os homens quanto as mulheres estavam tão nus como ao saírem do ventre materno mas para parecer mais garridos tinham o corpo todo pintado e manchado de preto.</p>
<p>[ . . . ]</p>
<p>Depois que os margaiás admiraram as nossas peças e tudo mais que desejaram no navio, pensando em outros franceses que por acaso lhes caíssem nas mãos, não os quisemos molestar nem reter; e pedindo eles regresso à terra tratamos de pagar-lhes os víveres que nos haviam trazido. Mas como desconhecessem o pagamento em moeda, foi o mesmo feito com camisas, facas, anzóis, espelhos e outras mercadorias usadas no comércio com os índios. Essa boa gente que não fôra avara, ao chegar, de mostrar-nos tudo quando trazia no corpo, do mesmo modo procedeu ao partir, embora já vestisse camisa. Ao sentarem-se no escaler os índios arregaçaram-se até o umbigo a fim de não estragar as vestes e descobriram tudo que convinha ocultar, querendo, ao despedir-se, que lhes víssemos ainda as nádegas e o traseiro. Agiram sem dúvida como honestos cavalheiros e embaixadores corteses. Contrariando o provérbio comum entre nós que a carne é mais cara do que a roupa revelaram a magnificência de sua hospedagem mostrando-nos as nádegas, na opinião de que valem mais as camisas do que a pele.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug002.gif" alt="" width="30" height="34" /></p>
<p>
<p style="text-align:right;"><small> <strong>Jean de Léry,</strong> Viagem à terra do Brasil (1577),<br />Capítulo V &#8211; DO DESCOBRIMENTO E PRIMEIRA VISTA QUE TIVEMOS DA ÍNDIA OCIDENTAL OU TERRA DO BRASIL, BEM COMO DE SEUS HABITANTES SELVAGENS E DO MAIS QUE NOS ACONTECEU ATÉ O TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO </small></p>
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		<title>O culto do ócio</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jul 2006 09:54:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[ócio]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de encerrar esta série sobre o papel do espírito protestante na formação e na glorificação do capitalismo (a despeito do choque muito evidente com a pregação de Jesus a respeito da acumulação de riquezas), não tenho como não enfatizar que tudo que discutimos até aqui aplica-se diretamente apenas às nações ocidentais do hemisfério norte. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de encerrar esta série sobre o papel do espírito protestante na formação e na glorificação do capitalismo (a despeito do choque muito evidente com <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-rico-e-seu-camelo">a pregação de Jesus</a> a respeito da acumulação de riquezas), não tenho como não enfatizar que tudo que discutimos até aqui aplica-se diretamente apenas às nações ocidentais do hemisfério norte.</p>
<p>Nosso aquário ideológico aqui no Brasil é outro, e é apenas recentemente (digamos, sessenta anos) que a pregação americana do <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-culto-da-performance">culto da perfomance</a> tem alcançado verdadeira penetração entre nós &#8211; especialmente na metade meridional do país e nas capitais em geral &#8211; e, mesmo assim, com assimilação e resultados mistos.</p>
<h5>Eu não ganho pra isso.</h5>
</p>
<p>Graças a uma colonização diferente, o que professamos e praticamos aqui é uma postura virtualmente oposta a de americanos e europeus: eles têm o culto da performance, nós temos <em>o culto do ócio.</em></p>
<p>Fomos colonizados por senhores católicos e portanto latinos; o espírito protestante não deixou mais do que uma marca de dente nos anos da nossa história colonial. Nossos colonizadores criam de todo o coração em desfrutar das riquezas deste mundo, mas desconfiavam com a mesma convicção do mérito do trabalho. Sujar as mãos era coisa de escravo, e trocar a nossa roupa e dar-nos banho trabalho de criado. A agenda do senhor colonial era bocejar entediado, fazer o filho de cada dia, olhar pela janela e ver o espetáculo dos que davam o sangue para acumulhar riquezas em seu nome.</p>
<p>O <em>culto do ócio</em> é a crença de que feliz mesmo é quem é rico sem ter de trabalhar. Pela sua onipresente influência, vivemos todos no Brasil a eterna expectativa de ganhar na loteria, de arranjar algum emprego público, de granjear um cargo de confiança, de encontrar o padrinho perfeito, de descansar numa aposentadoria precoce. <em>Eu não ganho pra isso</em> &#8211; é sua rancorosa profissão de fé.</p>
<p><span id="more-956"></span></p>
<h5>Invejamos os ricos, mas não ao ponto de nos dobrarmos à baixeza de <em>economizar.</em></h5>
</p>
<p>Invejamos os ricos, mas não ao ponto de nos dobrarmos à baixeza de <em>economizar</em> para alcançar uma posição financeira mais confortável. Trabalhar, sentimos, já é humilhação suficiente.</p>
<p>Pela mesma razão, o trabalho para nós não tem o mesmo objetivo que tem para americanos e europeus. Para eles trabalhar é uma maneira de garantir um futuro melhor; para nós, é um modo <em>de prover alguma gratificação instantânea</em>. Se cometemos a baixeza de trabalhar é para vivermos mesmo que por um instante como se não o precisássemos.</p>
<p>É como resume magistralmente o refrão do <em>Forró pé-de-chinelo</em> de Marinês:</p>
<p>
<blockquote>
<p>Coisa melhor é ver o dia amanhecer<br />Não querer nem saber que a gente tem que trabalhar<br />Que trabalhar é pra poder ganhar dinheiro<br />Ganhar dinheiro pra poder se esbandalhar</p>
<p></p></blockquote>
<p>
<p style="text-align:center;">[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</p>
<h5>***</h5>
</p>
<p>De um lado então, estão protestantes americanos, que crêem que há evidente mérito em trabalhar, porque possibilita a acumulação de riquezas; do outro, católicos brasileiros, que crêem que há evidente mérito em desfrutar de riquezas, desde que não exija a acumulação de trabalho.</p>
<p>Tanto um pensamento quanto o outro afastam-se a seu modo da posição radical de Jesus, que cria não haver qualquer mérito na acumulação ou no desfrutar de riquezas. A postura de Jesus não prescinde do trabalho mas não o glorifica; não glorifica o ócio mas exige tranqüilidade. <em>As aves não acumulam reservas, e ainda assim o Pai as alimenta</em> &#8211; argumentava ele, não querendo com isso dizer que as aves não trabalham. Pelo contrário, a força do exemplo está em que as aves trabalham incessantemente, mas não movem um músculo para acumularem aquilo de que em última instância não precisam.</p>
<p>Os frugais é que são felizes, e rico é quem não precisa de nada.</p>
<div class='series_toc'><h3>O rico e seu camelo</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/o-rico-e-seu-camelo/' title='O Rico e seu Camelo'>O Rico e seu Camelo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/a-teologia-do-capital/' title='A teologia do Capital'>A teologia do Capital</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/o-culto-da-performance/' title='O culto da performance'>O culto da performance</a></li><li>O culto do ócio</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Morretes</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Jul 2006 11:14:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Clique nas fotos para ampliar Tenho fascínio irrestrito por cidades que se espraiam à margem de rios, especialmente as que tem a decência de manterem-se pequenas e subdesenvolvidas. Passei em Morretes, que fica a meio caminho das praias para quem desce a Serra do Mar pela Estrada da Graciosa, parte do dia e a noite [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><small> Clique nas fotos para ampliar </small><br /><a href="http://flagrantdisregard.com/flickr/onblack.php?id=194226582&#38;size=Large"><img src="http://static.flickr.com/44/194226582_6b7911ad32_m.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="240" height="164" /></a></p>
<p>Tenho fascínio irrestrito por cidades que se espraiam à margem de rios, especialmente as que tem a decência de manterem-se pequenas e subdesenvolvidas. </p>
<p>Passei em Morretes, que fica a meio caminho das praias para quem desce a Serra do Mar pela Estrada da Graciosa, parte do dia e a noite de quarta para quinta-feira desta semana. Anoitecia e a energia elétrica da cidade inteira começou a falhar ocasionalmente, como se Deus brincasse irrefletidamente com um imenso interruptor. Em determinado momento, enquanto eu caminhava pela rua principal, a luz acabou de vez e quedei perplexo diante do espetáculo da escuridão completa e surreal que engoliu as calçadas de pedra, as casas velhas que nascem sem quintal diretamente na rua, os pedestres voltando para casa e as banquinhas de xis-salada. Debaixo de um canteiro obscenamente belo de estrelas, começamos a assobiar para não atropelarmos uns aos outros, pois éramos cegados periodicamente pela luz eventual dos faróis dos carros. De vez em quando perolava um vagalume, um satélite cruzava o céu, ardia o cigarro de uma bicicleta que passava.</p>
<p>Nessa treva acolhedora, passando por um botequim ou outro iluminado por vela, caminhei de volta para o Hotel Nhundiaquara, onde aguardava um quarto com pé direito impossivelmente alto, como se falasse de uma época em que a terra era habitada por gigantes.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><small> A queda da noite, vista da janela do quarto do hotel </small><br /><a href="http://flagrantdisregard.com/flickr/onblack.php?id=194226811&#38;size=Large"><img src="http://static.flickr.com/47/194226811_08396f434c_m.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="240" height="164" /></a></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><small> Os morros de Morretes na manhã de quinta-feira </small><br /><a href="http://flagrantdisregard.com/flickr/onblack.php?id=194227385&#38;size=Large"><img src="http://static.flickr.com/58/194227385_fa92800986_m.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="240" height="164" /></a></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><small> O quarto do Hotel Nhundiaquara,<br />com pé direito de quatro metros de altura </small><br /><a href="http://flagrantdisregard.com/flickr/onblack.php?id=194227524&#38;size=Large"><img src="http://static.flickr.com/69/194227524_21e2a17384.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="251" height="500" /></a></p>
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		<title>O balé dos retornos</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jul 2006 07:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Estive este final de semana no estado de São Paulo (Nova Odessa!) e pude verificar que minha memória não me enganava: motoristas paulistas e paranaenses fazem retorno de forma diferente. O cenário é uma avenida de mão dupla com um canteiro entre as pistas. A ilustração [A] mostra como se faz o retorno em São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estive este final de semana no estado de São Paulo (Nova Odessa!) e pude verificar que minha memória não me enganava: motoristas paulistas e paranaenses fazem retorno de forma diferente. </p>
<p>O cenário é uma avenida de mão dupla com um canteiro entre as pistas. A ilustração [A] mostra como se faz o retorno em São Paulo &#8211; foi assim que aprendi <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/aprendendo-a-dirigir-parte-1">na auto-escola em Bauru</a>. A ilustração [B] mostra como se faz o retorno no Paraná.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/retornos.gif" alt="" width="400" height="554" /></p>
<p>Embora eu seja e permaneça paranaense de vocação e estado de espírito, a solução de São Paulo me parece esteticamente mais elegante; se não me engano fornece também espaço marginalmente maior para a manobra.</p>
<p>Outra curiosidade: em Sumaré (junto a Nova Odessa), ao contrário de qualquer lugar de que eu me lembre, a preferência é de quem está <em>entrando</em> numa rotatória.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug021.gif" alt="" width="245" height="181" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Inútil</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Jul 2006 10:22:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>

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		<description><![CDATA[A gente não sabemos escolher presidenteA gente não sabemos tomar conta da genteA gente não sabemos nem escovar o denteTem gringo pensando que nós é indigenteInútilA gente somos inútilInútilA gente somos inútilA gente faz carro e não sabe guiarA gente faz trilho e não tem trem pra botarA gente faz filho e não consegue criarA [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<blockquote>
<p>A gente não sabemos escolher presidente<br />A gente não sabemos tomar conta da gente<br />A gente não sabemos nem escovar o dente<br />Tem gringo pensando que nós é indigente<br />Inútil<br />A gente somos inútil<br />Inútil<br />A gente somos inútil<br />A gente faz carro e não sabe guiar<br />A gente faz trilho e não tem trem pra botar<br />A gente faz filho e não consegue criar<br />A gente pede grana e não consegue pagar<br />Inútil<br />A gente somos inútil<br />Inútil<br />A gente somos inútil<br />A gente faz música e não consegue gravar<br />A gente escreve livro e não consegue publicar<br />A gente escreve peça e não consegue encenar<br />A gente joga bola e não consegue ganhar<br />Inútil</p>
<p></p></blockquote>
<p>	[Visite a Bacia para ouvir o áudio]<br /><small> <strong>Ultraje a Rigor</strong> </small></p>
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		<title>Como pensar sobre o governo</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jun 2006 11:24:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Traduzindo Borges]]></category>
		<category><![CDATA[borges]]></category>

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		<description><![CDATA[O argentino, à diferença dos americanos do norte e de quase todos os europeus, não se identifica com o Estado. Isso pode atribuir-se à circunstância de que, neste país, os governos costumam ser péssimos, ou ao fato geral de que o Estado é uma inconcebível abstração (o Estado é impessoal: o argentino só concebe uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O argentino, à diferença dos americanos do norte e de quase todos os europeus, não se identifica com o Estado. Isso pode atribuir-se à circunstância de que, neste país, os governos costumam ser péssimos, ou ao fato geral de que o Estado é uma inconcebível abstração (o Estado é impessoal: o argentino só concebe uma relação pessoal. Por isso, para ele, roubar dinheiro público não é crime).</p>
<p>O certo é que o argentino é um indivíduo, não um cidadão. Aforismos como o de Hegel, &#8220;o Estado é a realidade da idéia moral&#8221; parecem-lhe piadas sinistras. Os filmes elaborados em Hollywood repetidamente propõem à admiração o caso de um homem (geralmente um repórter) que busca a amizade de um criminoso para entregá-lo depois à polícia; o argentino, para quem a amizade é uma paixão e a polícia uma <em>máfia,</em> sente que esse &#8220;herói&#8221; é um incompreensível canalha.</p>
<p>[...]</p>
<p>O mundo, para o europeu, é um cosmos, em que cada um corresponde intimamente à função que exerce; para o argentino, é um caos. O europeu e o americano do norte julgam que deverá ser bom um livro que mereceu um prêmio qualquer, o argentino admite a possibilidade de que não seja ruim, apesar do prêmio.</p>
<p>
<p style="text-align:right;"><small><a href="http://www.baciadasalmas.com/rubricas/goiabas-roubadas/traduzindo-borges">Jorge Luis Borges</a>, em 1946, escrevendo sem saber sobre as semelhanças entre brasileiros e argentinos. </small></p>
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		<title>Os evangélicos e a impunidade</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jun 2006 10:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Fé e Crença]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos Estados Unidos os cristãos evangélicos são freqüentemente associados a uma reputação de obtusidade. Não são conhecidos, digamos assim, pelo seu brilhantismo ou independência intelectual. Trata-se em geral de gente simplória e pouco sofisticada, direitona e tradicional, que vota no George W. Bush, que quer ver o criacionismo sendo ensinado como ciência nas escolas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos Estados Unidos os cristãos evangélicos são freqüentemente associados a uma reputação de <em>obtusidade.</em> Não são conhecidos, digamos assim, pelo seu brilhantismo ou independência intelectual. Trata-se em geral de gente simplória e pouco sofisticada, direitona e tradicional, que vota no George W. Bush, que quer ver o criacionismo sendo ensinado como ciência nas escolas e lamenta balançando a cabeça a vida desregrada e as idéias de liberais yankees como Clinton (ele e ela). São republicanos, freqüentam alguma igrejinha branca todos os domingos, vivem no Cinturão da Bíblia no interior do país a fim de manter-se a salvo dos pecados do mar.</p>
<p>Mas não se engane: são gente bem-intencionada e correta, que defende a validade permanente dos mandamentos, todos os dez, inclusive as partes que falam em não roubar, não adulterar e não dar falso testemunho.</p>
<h5>* * *</h5>
</p>
<p>Ignoro se no Brasil os evangélicos já adquiriram, tendo em vista a sua recém-adquirida visibilidade, alguma reputação tão unânime. Penso que para a vasta maioria dos brasileiros os <em>crentes</em> são aqueles malas-sem-alça, hare-krishnas de terno e gravata, que poluem as ondas do rádio com músicas que pedem que o rio flua e sermões que pedem que o fogo caia.</p>
<p>Politicamente falando, apesar do apadrinhamento dos missionários norte-americanos, muitos dos mais sonoros porta-vozes evangélicos brasileiros pendem sensivelmente (por motivos que espero poder analisar em outra ocasião) para a esquerda &#8211; porém a tendência não chega a ser unânime, como atestam os evangélicos direitões que profetizam o apocalipse comunista que desencadeará inexoravelmente o governo Lula (catástrofe que pensam poder evitar enchendo a caixa de entrada do meu email).</p>
<h5>Permita-me associar os evangélicos brasileiros à impunidade.</h5>
</p>
<p>Que há mais evangélicos entre as camadas mais pobres da sociedade é também fato conhecido, embora não seja dado especialmente notável, já que no Brasil a distribuição de renda é tão surrealmente desigual que qualquer fatia fortuita da sociedade, de ornitólogos a corintianos, estará fadada a conter mais pobres do que ricos.</p>
<p>No fim das contas, nem especialmente obtusos nem especialmente brilhantes; nem especialmente esquerdistas nem especialmente direitistas; nem especialmente pobres, nem especialmente ricos. Os evangélicos brasileiros são uma amostra aguardando classificação.</p>
<h5>* * *</h5>
</p>
<p>Até agora.</p>
<p>Requeiro o privilégio de ser o primeiro a associar os evangélicos brasileiros àquilo que lhes é, histórica e ideologicamente, de direito: a impunidade.</p>
<p>Se os evangélicos norte-americanos cultivam uma relação compulsiva e para nós incompreensível com a correção e a integridade, nossa ambição ética é oposta: queremos ser incessantemente perdoados pelo que a ninguém se perdoa. Exigimos imunidade completa, anistia total e irrestrita pelas nossas patifarias, que são muitas. Queremos errar com gosto, e exigimos impunidade.</p>
<p>Deveria ser para nós ironia descomunal que a Reforma Protestante tenha se originado da luta de Lutero contra abusos como as indulgências católicas, conveniente sistema de créditos que permitia que o cidadão adquirisse &#8211; com dinheiro, naturalmente &#8211; perdão para as faltas que estava ainda para cometer. É irônico porque no Brasil o sistema evangélico de créditos é mais avançado: o perdão é liberado e distribuído em regime <em>just-in-time,</em> à medida que vamos pisando deliberadamente na bola. </p>
<h5>Não temos como errar.</h5>
</p>
<p>Graças a essa sofisticação teológica, refinada em solo tupiniquim, nossos evangélicos sentem-se inteiramente à vontade para defraudar, roubar, espoliar, extorquir e gatunar. Sabemo-nos livres para violar todos os dez mandamentos e aquele novo também; como o perdão flui incessantemente, <em>não temos</em> &#8211; mesmo que queiramos &#8211; <em>como errar.</em></p>
<p>Meu amado Shayllon Marinho, quando era ainda atraente e agnóstico &#8211; ou seja, antes de abraçar Jesus e engordar como punição &#8211; encontrou nessa monumental patifaria evangélica um tremendo obstáculo à sua conversão. Mandou-me uma vez essas linhas indignadas:</p>
<p><p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><em>Os evangélicos estão tão atolados no pecado e na permissividade quanto eu. Mas se justificam pela salvação. Tipo: eu posso pecar, mas minha barra é limpa. Posso [fazer tal coisa], porque eu estou salvo, e você não&#8230; </em></p>
<p>Como agente de dentro, reconheci imediatamente a eficácia e a difusão interna desse raciocínio. A teologia neo-evangélica da impunidade cobre com sua credencial todas as esferas da atividade e permeia todo o espectro de requerimentos éticos. Onde há um de nós, ninguém está seguro.</p>
<p>Dito de outra maneira, minha gente, a verdade é que muitos evangélicos &#8211; um número colossal deles &#8211; em todos os níveis e posições, em todas as possíveis nuanças entre a sutileza e o descaramento, <em>são trapaceiros e ladrões</em> &#8211; e talvez não por outro motivo além de serem evangélicos, e sentirem-se assim perdoados de antemão em suas falcatruas. </p>
<p>Prefiro não inquirir nomes, escândalos ou litígios específicos, mas creia-me quando digo que os há. Falo de gente muito respeitável que estabelece uma reputação como representante credenciado de Deus e pilar da comunidade e desaparece anos depois com o dinheiro que arrecadou de inúmeros outros para fins outros, deixando atrás de si incontáveis prejuízos, rancores e contas para pagar. Falo de recursos desviados, de falsidade ideológica, de empréstimos esquecidos, de transgressores transferidos para localidades distantes a fim de abafar escândalos sempre mais financeiros (e portanto aparentemente mais atraentes) do que sexuais. Falo de casos abundantes, de impensáveis reincidências, de somas assombrosas. Falo de gente que tem certeza da salvação. Falo de impunidade.</p>
<h5>Onde há um de nós, ninguém está seguro.</h5>
</p>
<p>Num país em que a ladroagem ameaça dos dois lados de todas as portas não deveria ser surpresa encontrá-la entre essa raça tão singular de pecadores que é a dos cristãos evangélicos. A diferença não está em se tratar de gente que faz uso de uma imagem de pureza para aproveitar-se da boa fé alheia (conduta esperada em se tratando de ladrões), mas em ser gente que se <em>julga</em> inocente e baterá o pé pela impunidade neste tribunal e no próximo, e evitará se puder os dois. Falo de lobos que se acreditam ovelhas e por isso abrem mão até mesmo do disfarce.</p>
<p>E, pense comigo, quem se protege na religião para deitar e rolar em causa própria não tem como ser melhor do que quem se abraça a uma carga explosiva e morre pelo que crê ser o avanço da sua. Ambos matam, mas haverá naquele dia mais paciência para este do que para aquele.</p>
<p>Nesse Brasil nosso em que a impunidade é catalisador infalível nas veias de todas as instituições (mesmo entre gente de somenos como os católicos e pagãos), cabe aos evangélicos o duvidoso mérito de termos criado uma justificação teológica e totalmente eficaz para a patifaria: a conivência de Deus.</p>
<p><p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug074.gif" alt="" width="166" height="275" /></p>
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