Manuscritos estocados sob a rubrica '1984'
15 de Janeiro de 2008

Férias feridas [4]

1984, Irmãos Comédia

> mais Irmãos Comédia

* * *

Em homenagem ao grupo de fãs da Ford que foi impedido de imprimir um calendário com fotos que fizeram dos seus próprios carros, porque foram informados pelos advogados da empresa de que a Ford detém os direitos sobre todas as imagens em que eventualmente aparecerem os seus produtos. “Eles detém os direitos das fotos que VOCÊ tira do SEU carro”.

I got some more info from the folks at cafepress and according to them, a law firm representing Ford contacted them saying that our calendar pics (and our club’s event logos – anything with one of our cars in it) infringes on Ford’s trademarks which include the use of images of THEIR vehicles. Also, Ford claims that all the images, logos and designs OUR graphics team made for the BMC events using Danni are theirs as well. Funny, I thought Danni’s title had my name on it … and I thought you guys owned your cars … and, well … I’m not even going to get into how wrong and unfair I feel this whole thing is as I’d be typing for hours, but I wholeheartedly echo everything you guys have been saying all afternoon. I’m not letting this go un-addressed and I’ll keep you guys posted as I get to work on this.

I’m sorry, but at this point we will not be producing the 2008 BMC Calendar, featuring our 2007 Members of the Month, solely due to Ford Motor Company’s claim that THEY own all rights to the photos YOU take of YOUR car. I hope to resolve this soon, and be able to provide the calendar and other BMC merchandise that you guys want and deserve! This thread will remain open for you to comment however you wish, and I’ll update it as needed.

Leia também:
Copyright e criatividade
Copyright e mediocridade

29 de Agosto de 2006

Não baixe esta canção

1984

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Weird Al, Don’t download this song

* * *

Vez por outra você talvez sinta a tentação
De violar as leis internacionais de copyright
Baixando MP3s de sites de compartilhamento de arquivos
Como Morpheus, Grokster, Limewire ou Kazaa

Mas lá no fundo você sabe que a culpa não o deixaria em paz
E a vergonha deixaria uma cicatriz indelével
Porque você começa roubando músicas e logo está assaltando lojas de bebidas,
Vendendo crack e atropelando alunos da pré-escola

Por isso não baixe esta canção
Você deveria estar é numa loja de discos
Vá comprar o CD como um bom cidadão
Oh, não baixe esta canção

Você não vai querer encrenca com a Associação Norte-Americana de Gravadoras de Discos
Eles vão processar se você gravar esse CD
Não importa se você for uma vovó ou uma garotinha de sete anos
Eles lhe tratarão como a escória perversa, obstinada e criminosa que você é

Por isso não baixe esta canção
Não fique aí pirateando música o dia inteiro
Vá comprar o CD como um bom cidadão
Oh, não baixe esta canção

Não ouse tirar dinheiro de artistas como eu
Ou como eu poderia comprar outro jipe de ouro maciço?
E piscinas orladas de diamantes?
Essas coisas não nascem em árvores!
Por isso só o que eu peço de todo mundo é, por favor:

Não baixe esta canção (não faça isso, não)
Até Lars Ulrich sabe que é errado (é só perguntar a ele)
Vá comprar o CD como um bom cidadão (é, sim, a coisa certa a se fazer)
Oh, não baixe esta canção

Não baixe esta canção (deixe que outros baixem pra você)
Você pode acabar na cadeia como Tommy Chong (lembre-se do Tommy)
Vá comprar o CD (agora mesmo) como um bom cidadão (vá comprar de uma vez)
Oh, não baixe esta canção

Não baixe esta canção (na na na na na na)
Ou, logo, logo, estará ardendo no inferno (e por merecer)
Vá comprar o CD como um bom cidadão (seu canalha)
Oh, não baixe esta canção

* * *

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR ESTA CANÇÃO

30 de Junho de 2006

Big Brother: A vigilância sem trégua do espetáculo

1984, Sociedade

Uma das primeiras e mais fundamentadas críticas articuladas contra o capitalismo foi que, em nome da eficiência, ele separava os trabalhadores do produto do seu trabalho. Pela primeira vez na história acontecia de trabalhadores livres encontrarem-se alienados em larga escala do esforço produtivo das suas mãos. Graças à curiosa mágica do capitalismo, você podia trabalhar a vida inteira numa linha de montagem sem chegar a ter um Fiat na garagem; podia trabalhar numa agência de viagens sem chegar a deixar o país.

Estamos ainda aprendendo a sobreviver às seqüelas dessa alienação. Muitos críticos sensatos sugerem que a separação entre o trabalhador e fruto do seu trabalho criou uma forma incapacitadora de castração mental: sob o capitalismo, o operário abre deliberadamente mão do privilégio fundamental de autocondução da vida; vende a primogenitura da liberdade pela segurança da benção do sistema. O que o operário vende é o seu trabalho (e portanto sua vida) à máquina capitalista, renunciando dessa forma a privilégios de autodeterminação de que ainda desfrutam, em alguma escala, trabalhadores rurais, artesãos, mendigos, militares, artistas, pescadores e professores.

O problema essencial dessa concessão é que ela abre espaço para inúmeras outras. O capitalismo acaba separando não apenas o trabalhador do fruto do seu trabalho: separa também o consumo das necessidades. O consumidor capitalista não consome porque precisa ou mesmo porque quer: sua vida de consumo subsiste inteiramente à parte das suas verdadeiras necessidades, quaisquer que sejam, com as quais ele perdeu todo o contato.

O primeiro passo abre precedente para o segundo: sob o capitalismo o trabalhador não abre mão apenas de (1) o trabalho das suas próprias mãos, mas também de (2) determinar quais sejam as suas próprias necessidades. O sistema fechado que o protege e sustenta deixará muito claro aquilo que ele deve consumir e desejar. Veja esta torradeira, este laptop, este iogurte. Agora com nova embalagem. Você sabe que quer um igual – o sistema alimentou-o direitinho. Resistir é inútil.

* * *

A questão mais recente e por certo mais grave é no entanto outra. Até recentemente restava ao trabalhador capitalista vestígios de autodeterminação na maneira como ele decidia conduzir a sua vida social e utilizar o seu tempo livre. Essas brechas possibilitavam alguma liberdade e espaço para desintoxicação. Mesmo que tivesse de se dobrar à máquina 8 horas por dia, cinco dias por semana, sobrava ao operário o resto da vida, – preciosíssimo nicho dentro do qual ele podia recuperar o espectro total do potencial humano através da prática criativa.

A sociedade do espetáculo é o momento em que o consumo conquistou a ocupação total da vida social.

Isso foi antes que a sociedade capitalista fosse inteiramente engolida pela onipresença do espetáculo – e entenda-se como espetáculo tudo que, não sendo trabalho, também não é vida social ou prática criativa: cinema, TV, esportes e shows pela TV, teatro, conteúdo da internet, jogos de computador, noticiários, shows de música, documentários, apresentações de powerpoint, desenhos animados, jornais, Reality TV, revistas, CDs de música, DVDs, programas de calouros, de perguntas e respostas, trailers, pornografia, videocassetadas, rádio, filmes da internet, arquivos mp3, cartuns, histórias em quadrinhos, animações da internet – e, muito mais freqüentemente do que uma vez já foi, também formaturas, bailes, festas, cultos, missas e cerimônias de casamento.

Vivemos o que a Escola de Frankfurt (Horkheimer e Adorno em 1972; Marcuse em 1964), chama de sociedade “totalmente administrada” ou “unidimensional”. Ou, segundo Guy Debord: “A sociedade do espetáculo é o momento em que o consumo conquistou a ocupação total da vida social”. E este, senhoras e senhores, é um dos conceitos mais fundamentais do nosso tempo.

“Essa transição estrutural para uma sociedade do espetáculo envolve a transformação em mercadoria de setores previamente não-colonizados da vida social, e a extensão do controle burocrático aos domínios do lazer, do desejo e da vida cotidiana”
(Douglas Kellner: Media Culture and the Triumph of the Spectacle).

A diferença entre ontem e hoje está em que nossos hobbies e nossa vida social éramos nós mesmos que definíamos; o espetáculo sem trégua da TV/internet nós consumimos de forma inerte e – eis a pegada – o tempo todo. Da Copa do Mundo ao Big Brother ao novo Super-Homem aos canais da TV fechada ao cartum da internet ao culto dominical à formatura de judô da Mariana – só nos resta tempo livre para o espetáculo.

E como é a aplicação do tempo livre que determina o que somos (ou sentimos que somos), não nos resta autodeterminação alguma. Não restamos. Somos recortes de papelão numa sociedade unidimensional.

* * *

É a absolutização da política do pão e circo: enquanto está consumindo o espetáculo você não representa ameaça alguma. E não corre o risco de descobrir quem é.

“Para Debord, o espetáculo é uma ferramenta de pacificação e de despolitização; é uma ‘guerra do ópio permanente’, que estupidifica os agentes sociais e distrai-os da tarefa mais urgente da vida real. O conceito de Debord de espetáculo está intimamente relacionado aos conceitos de separação e passividade, pois em espetáculos consumidos passivamente o espectador é alienado de produzir ativamente a sua própria vida”
(Douglas Kellner: Media Culture and the Triumph of the Spectacle).

Na novela 1984 George Orwell imagina uma sociedade inteiramente subjugada por um governo burocrático e totalitário: todas as casas e aposentos são monitorados por câmeras ocultas de vídeo, e o mundo tem suas iniciativas esmagadas pela vigilância eterna do Grande Irmão (Big Brother).

Orwell, embora se julgasse pessimista, nos superestimou. A realidade é muitas vezes menos inteligente e certamente mais incrível. Nossa sociedade é absolutamente controlada e inofensiva, não porque o Big Brother nos vigia o tempo todo, mas porque assistimos o tempo todo ao Big Brother.

19 de Junho de 2006

Hung Up: a nova cultura da remixagem

1984, Sociedade

O canto remix do pássaro-lira me trouxe à lembrança uma das críticas que muitos intelectuais fazem à cultura do nosso tempo: a de que somos uma época de muita reciclagem e pouca originalidade; de muito material requentado e pouca coisa nova.

O ícone e valente precursor dessa tendência é mesmo o remix – “nova mistura” ou “remexida”. Um remix é uma música feita a partir de trechos (samples, em inglês) de outra, dispostos contra um ritmo diferente, de modo a criar uma coisa nova a partir de retalhos do que já existe. Os remixes nasceram, pela iniciativa dos DJs (disk-jockeys), do desejo de reaproveitar uma música conhecida numa versão mais dançante, devidamente palátavel à pista de dança da discoteca ou da rave. Graças à mágica do remix é possível reinventar um sucesso dos anos 80 apertando-o contra uma mais contemporânea batida trance, ou contemporizar Beethoven emuldurando-o num obstinado tuche-tuche. A remixagem vive no limbo entre a criação e a cópia: trata-se de recortar e colar, pinçar, reciclar, redispor, reemoldurar.

Parente próximo da remixagem é o sampling, técnica pela qual se utiliza um trecho de uma gravação como um novo instrumento ou como base para uma nova gravação. Foi assim que a cantora Madonna criou em 2005 uma canção inteira, Hung Up, a partir da repetição de uma base instrumental do megasucesso de 1979, Gimme, Gimme, Gimme (A Man After Midnight), do grupo sueco Abba.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Madonna e Abba: Hung Up

A remixagem e o sampling são sem dúvida características proeminentes da nossa cultura – e em vários níveis além do musical. Somos uma metacultura: uma cultura que faz constantes referências a si mesma. No mundo do cinema, em especial, a remixagem está presente em inúmeras instâncias:

  • nas seqüências comerciais de filmes de sucesso (Parque dos Dinossauros 3, Velocidade Máxima 2, Alien 4, Sexta-feira 13 13);
  • nos filmes baseados em séries de televisão antigas (As Panteras, Os Gatões, Starsky & Hutch, O Fugitivo, A Feiticeira);
  • nos filmes baseados em livros ou histórias de quadrinhos (Homem-Aranha, Harry Potter, Batman, O Código Da Vinci, V de Vingança, Sin City, O Senhor dos Anéis, Corpo Fechado);
  • nas refilmagens de filmes de sucesso (King Kong, Cabo do Medo, O Pai da Noiva, Sabrina, O Massacre da Serra Elétrica, A Gaiola das Loucas, Onze Homens e Um Segredo)
  • nas sátiras de filmes de sucesso (Todo Mundo em Pânico, Top Gang);
  • nos filmes baseados ou “inspirados” em fatos reais (A Luta pela Esperança, Erin Brockovich, A Lista de Schindler).

Esse hábito de Hollywood de requentar material testado e aprovado e servi-lo sob nova roupagem está ligado à mesma lógica do trailer que conta tudo: a certeza de que as pessoas preferem submeter-se a conteúdo com a qual já estão previamente familiarizadas.

O problema dessa visão de mundo, opinam os críticos da cultura, é que ela glorifica a reciclagem em detrimento da criação de material original.

Outra instância em que essa tendência fica muito evidente é na blogosfera – o universo dos blogs – que subsiste basicamente do reaproveitamento circular de material encontrado pelo autor em outro lugar da net. Paradoxalmente, poucos blogs são de fato logs – “registros de atividade” ou “diários de bordo” Na verdade, muitos dos blogs mais populares da net, como o vertiginoso boingboing ou o eclético growabrain, são na verdade repositórios de links: o que eles fazem é redirecionar o leitor para uma série de endereços externos que podem ou não ser do seu interesse. “Está vendo?” exigem triunfantemente os críticos. “Muita reciclagem e pouco conteúdo original.” Como resultado, acusam eles, todos os blogs tendem a apontar para os mesmos destinos da rede, requentando incessantemente os mesmos materiais, afogando a criatividade e gerando uma temerária “mentalidade de colmeia”.

O paradoxo final está em que a remixagem toca terrenos perigosos no domínio do copyright. Tecnicamente, um DJ não pode usar legalmente no seu remix um trecho de uma gravação (nem um blogueiro copiar um parágrafo de outro) sem a autorização expressa do detentor dos direitos do material em questão; e, como a obsessão com os direitos autorais é outra característica dominante da nossa época, a dita autorização é freqüentemente difícil de conseguir, especialmente na ausência de alguma compensação financeira e muitas vezes mesmo diante da possibilidade dela.

O paradoxo está em que nossa cultura, que escolheu definir-se pela remixagem, tornou a remixagem particularmente difícil de legalizar.

* * *

02 de Maio de 2006

O imperialismo liberal

1984, Política

Quando os valores de uma pessoa são aceitos em todas as direções, a linguagem absoluta do que parece evidente por si mesmo fica fácil de ouvir. Esse é portanto o clima do absolutismo norte-americano: a austera fé de que a validade de suas normas é evidente por si mesma. Trata-se de um dos mais poderosos absolutismos do mundo[...]. Ele tem tanta certeza de si mesmo que não precisa nem mesmo ser articulado, tão seguro está de que pode de fato sustentar um pragmatismo que parece na superfície camuflá-lo. O pragmatismo americano sempre foi ilusório porque, como um iceberg, jaz sobre quilômetros e quilômetros de convicção submersa.

O resultado [da doutrina de Bush de uma democratização militarizada do Oriente Médio] é tornar a crítica parecer uma crítica à liberdade.

Essa convicção submersa é essencial para entendermos a estabilidade, a longevidade e o poder do sistema político americano. É também essencial para compreender-se a postura dos EUA para com o mundo. Pois embutida nesta convicção está também, como diz Lieven, a “crença de que os Estados Unidos são singulares em sua lealdade à democracia e à liberdade – e que são, conseqüentemente, singularmente bons”. Embora essa tese seja então otimista e aberta ao abraçar a desejabilidade universal da liberdade e da individualidade, ela envolve também um excepcionalismo que acha que o modo de vida americano é axiomaticamente certo para todo mundo. Apesar de relativamente inofensiva por si mesma, essa crença pode em tempos de tensão levar a uma postura messiânica disposta a ignorar os interesses legítimos de outros e até mesmo justificar em certos casos atrocidades como meras pedras de tropeço na marcha do progresso.

[...]

A doutrina de Bush de uma democratização militarizada do Oriente Médio é poderosa porque alia nacionalismo e imperialismo a uma espécie de progressivismo liberal normalmente classificado como “wilsoniano”, quer dizer, internacionalista e favorável à democracia, embora beligerante. O resultado é tornar a crítica parecer uma crítica à liberdade. O que com freqüência o crítico está tentando apontar é que deveríamos separar esses diferentes aspectos de nossas políticas, apoiando ao mesmo tempo movimentos externos genuinamente pluralistas sem recorrer a guerras desnecessárias e contraproducentes. Aqui, no entanto, a negatividade da crítica colide com determinados fatos no solo. O partidário de Bush pode sempre dizer: “Veja bem. Já estámos no Oriente Médio. Você não quer apoiar os radicais de Baath, quer? Você sem dúvida quer apoiar a democracia e a liberdade?” E o crítico vai dizer: “Claro que apoio a liberdade; não sou contra as nossas forças armadas de jeito nenhum.” Mas uma vez que isso é dito a discussão termina, porque a esta altura já nos comprometemos favoravelmente com uma posição diretamente imperialista na região, mesmo que “liberal”. Aqui, no entanto, os termos “democracia” e “liberdade” foram hábil e tacitamente pressupostos pelo oponente.

Creio que é seguro dizer que entre o 11 de setembro e o começo da Guerra do Iraque muitos intelectuais liberais sucumbiram quando confrontados com essa lógica. Alguns liberais não tinha recursos ou armadura mental para resistir a essa lógica, enquanto outros deliberada e entusiasticamente submeteram-se a ela. Como argumenta Lieven, eles não apenas deixaram de perceber o pernicioso nacionalismo presente no cerne da administração, mas também abraçaram de forma positiva o messianismo e o utopianismo implícito na retórica da guerra. Seria necessário voltar à temerosa reação liberal à Primeira Grande Guerra para encontrar-se um precedente útil. Esse colapso auxiliou e contribuiu para o desastre do Iraque e fortaleceu a mão do poder conservador radical em sua contínua busca para entricheirar-se de forma permanente na vida política norte-americana.

Steven M. Levine, What went Wrong?
em Radical Society

When one’s ultimate values are accepted wherever one turns, the absolute language of self-evidence comes easily enough. This then is the mood of America’s absolutism: the sober faith in its norms as self-evident. It is one of the most powerful absolutisms in the world…. It was so sure of itself that it hardly needed to become articulate, so secure that it could actually support a pragmatism which seems on the surface to belie it. American pragmatism has always been deceptive because, glacier-like, it has rested on miles of submerged conviction.

This submerged conviction is essential for understanding the stability, longevity, and power of the American political system. It is also essential for understanding the U.S.’s posture towards the world. For embedded in this conviction is also, as Lieven says, the “belief that the United States is exceptional in its allegiance to democracy and freedom and is therefore exceptionally good.” So while the thesis is optimistic and open-ended in embracing the universal desirability of freedom and individuality, it also involves an exceptionalism that thinks the American way of life is self-evidently right for everyone. Although relatively harmless on its own, this can lead in times of stress to a messianic attitude that stands willing to ignore the legitimate interests of others and even in certain cases to justify the worst atrocities as mere stumbling blocks in the march of progress.

The Bush Doctrine of militarized democratization in the Middle East is very powerful because it ties nationalism and imperialism to a kind of liberal progressivism normally thought of as “Wilsonian,” which is to say, internationalist and pro-democracy, if belligerent. The result is to make the critic seem like a critic of freedom. The critic is often trying to point out that we should untangle these aspects of our policies, supporting genuinely pluralistic movements abroad without resorting to unnecessary and counterproductive wars. Here, however, the negativity of critique collides with certain facts on the ground. The pro-Bush partisan can always say: “Look. We’re in the Middle East already. Surely you don’t want to be on the side of the Baathists? Surely you want to support democracy and freedom?” And then the critic is going to say: “Right, I support freedom; I support the troops, really I do!” But once that is said the real argument is over, for now we have already committed ourselves to a directly imperialistic position in the region, even if it is “liberal.” Here, however, the terms “democracy” and “freedom” have been deftly assumed by the other side.

I think it is safe to say that between 9/11 and the start of the Iraq War many liberal intellectuals collapsed when confronted with this logic. Some liberals did not have the resources or the mental armor to resist this logic, while others willingly and enthusiastically submitted to it. As Lieven argues, they not only missed the malignant nationalism at the core of the administration but also positively embraced the messianism and utopianism implicit in the rhetoric of the war. One would have to go back to the timorous liberal response to WWI to find a useful precedent. This collapse aided and abetted the Iraq disaster and strengthened the hand of radical conservative power in its ongoing quest to entrench itself permanently in American political life.