Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet.
Não é com pouca freqüência que sonho com música (veja, por exemplo, aqui), mas nunca antes eu havia conseguido agarrar-me a uma música de tal modo a arrastá-la comigo para o mundo da vigília.
Foi na noite de 1º para 2 de dezembro deste ano, e do sonho em si lembro muito pouco. Sei que era um entarceder frio mas ensolarado, e eu estava numa cidade que podia ser Curitiba ou algum lugar da Europa que me falta conhecer. Pelas ruas e galerias do centro da cidade homens de capacete de construção e mulheres de lenço na cabeça (precisamente como num cartaz de propaganda soviético) caminhavam cantando um hino marcial numa língua que eu não soube reconhecer. Cantavam entusiasticamente, como se a música fosse parte de sua constituição e de seus destinos. A melodia era simples, mas a harmonia ia para lugares que eu não esperava; acordei solfejando e gravei imediatamente a primeira versão da música no computador.
A música é simples demais para não existir em alguma versão na vida real; não é mesmo impossível que eu tenha esquecido sua fonte na vigília só para poder recordá-la triunfalmente no sonho. Se você souber de algum pé da música na vida real, fique à vontade para me dar um toque por email.
Na tentativa de adoçar o acompanhamento de orgão amontoei instrumentos de orquestra, mas foi inutilmente. Na qualidade de hino, para sentir a extensão do seu poder seria necessário ouvi-lo sendo cantado por gente, mesmo que seja a gente que só existe nos meus sonhos.
Gravado na Capelinha de Melão do Monastério de São Brabo, etc. Clique no triângulo para ouvir.
Sapnis Himna - Hino da República dos Sonhos
Atualização
14h30 > escreve-me o Anderson para observar a semelhança entre o Hino da República dos Sonhos e Deus dos Antigos.
Quando nasceu meu sobrinho Arthur Cantos, há cinco anos (parece que foi ontem etc), coincidiu de eu estar com muita empolgação no coração e muito tempo nas mãos. Compus para celebrar o nascimento dele uma suíte de músicas com aspirações a trilha sonora: As aventuras de Arthur no século XXI.
A banda new age sueca Sextessence está no Brasil reunindo material e inspiração para seu álbum Remanassaince, que deverá consistir de regravações de clássicos bicho-grilo dos anos 60 e 70. Os integrantes me visitaram este final de semana e entre uma jam session e outra pediram que eu sugerisse uma canção brasileira para ser reimaginada no álbum. Não hesitei em propor Nuvem passageira, de 1976, único e mega-sucesso do gaúcho Hermes Aquino (e trilha da novela O Casarão). Ocorreu-me que sempre vale uma regravação a música que tem uma das frases mais memoráveis de toda a literatura setentista: “e a namorada analisada por sobre o divã”.
Com vocês, o Sextessence interpretando, de Hermes Aquino, Nuvem passageira – gravada na Capelinha de Melão do Monastério de São Brabo em 7 de abril do ano 2007.