Batman, Sócrates e Jesus:
buscai primeiro a sua justiça

Nunca deixe Sócrates perguntar ao Batman o que é justo

Um dos motivos pelos quais sou 100% impermeável ao apelo dos quadrinhos e filmes de super-herói é que a obsessão norte-americana com a justiça não faz qualquer sentido para um sujeito nas minhas latitudes. As narrativas de super-herói são ensaios e variações na sondagem dos extremos da aplicação da justiça, e o sertanejo/letão/italiano dentro de mim não consegue conceber exercício mais almofadinha e mais maçante.

Os uniformes e narrativas de origem mudam, mas o arcabouço é o mesmo: o super-herói é compelido a agir porque tem despertado o seu senso de justiça, e este é despertado quando ele entende que a justiça tradicional Continue lendo →

A linhagem interrompida

Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
Mateus 1:1

 

Antes de nos aproximarmos dessa conclusão poderá ser útil que nos detenhamos por um momento diante desta única ideia: o quanto o conceito de perpetuação – perpetuação da herança, perpetuação da história e dos valores, mas acima de tudo perpetuação da linhagem – está incrustado na noção de família (e portanto de valor) que prevaleceu ao longo dos milênios.

Uma família, no sentido tradicional, é uma máquina construída para repetir e multiplicar sucessos; porém, mesmo quando tudo dava errado numa determinada derivação da história, Continue lendo →

Sexo e poder

Que as três grandes ortodoxias que brotaram do tronco bíblico são sexualmente conservadoras não deve haver dúvida, mas às vezes penso que não gastamos tempo suficiente tentando determinar porquê. À primeira vista pode parecer que as coisas são assim porque religiões lineares como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo tendem à ordenação e ao controle, e em seu processo civilizatório sentem-se impelidas a produzir mecanismos que refreiem o poder socialmente disruptivo do sexo. Desde o primeiro momento, afinal de contas, Deus aparece Continue lendo →

A herança perdida

A história do cristianismo é também a história da dança pública de um número limitado de palavras. É a história de para onde essa inusitada coreografia acabou conduzindo tanto as palavras que estavam dançando quanto as pessoas que estavam ouvindo.

Hitler teve ajuda

Adolf Hitler foi completamente responsável pelo Holocausto. Mas Hitler teve ajuda.

Henry Ford e os Protocolos dos Sábios de Sião

Quem forneceu a Hitler a base inicial a fim de trasmutar séculos de ódio religioso no novo antisemitismo político do século vinte? Foi Henry Ford, agindo diretamente através da Ford Motor Company. Em 1920 o crédulo porém arrebatado Ford adquiriu um texto datilografado forjado, que convenceu-o da existência de uma conspiração judaica maléfica e internacional, determinada a subjugar o mundo pela manipulação indireta de governos, jornais e sistemas econômicos. “Tenho Continue lendo →


Depositado em juízo por Paulo Brabo · Desde 2004 · Sobre o autor e esta Bacia · Receba por email · Leia um livro · Olhe desenhos · Vasculhe os arquivos · A amizade continua a mesma no twitter, no Instagram, no Flickr e até no Google+ · Mas não no Facebook · Assine com RSS · Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais · Fale comigo · A Bacia das Almas não quer partir do pressuposto de que só porque discordamos um de nós está necessariamente certo