Batman, Sócrates e Jesus:
buscai primeiro a sua justiça

Nunca deixe Sócrates perguntar ao Batman o que é justo

Um dos motivos pelos quais sou 100% impermeável ao apelo dos quadrinhos e filmes de super-herói é que a obsessão norte-americana com a justiça não faz qualquer sentido para um sujeito nas minhas latitudes. As narrativas de super-herói são ensaios e variações na sondagem dos extremos da aplicação da justiça, e o sertanejo/letão/italiano dentro de mim não consegue conceber exercício mais almofadinha e mais maçante.

Os uniformes e narrativas de origem mudam, mas o arcabouço é o mesmo: o super-herói é compelido a agir porque tem despertado o seu senso de justiça, e este é despertado quando ele entende que a justiça tradicional Continue lendo →

Na cama com a Bíblia

Os últimos quarenta anos testemunharam sensíveis impulsos de acomodação cultural por parte da igreja evangélica. Porém, na batalha contra a plena identificação com o mundo, a sexualidade é a última grande trincheira atrás da qual a igreja procura defender a sua identidade. Entendemos (e somos ensinados a entender) que um cristão pode ceder com relação a tudo que o Novo Testamento ensina – pode, por exemplo, encontrar lugar para abençoar a guerra ou a acumulação de bens, – mas não deve haver espaço para que se contornem as demarcações tradicionais do exercício da sexualidade.

A linhagem interrompida

Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
Mateus 1:1

 

Antes de nos aproximarmos dessa conclusão poderá ser útil que nos detenhamos por um momento diante desta única ideia: o quanto o conceito de perpetuação – perpetuação da herança, perpetuação da história e dos valores, mas acima de tudo perpetuação da linhagem – está incrustado na noção de família (e portanto de valor) que prevaleceu ao longo dos milênios.

Uma família, no sentido tradicional, é uma máquina construída para repetir e multiplicar sucessos; porém, mesmo quando tudo dava errado numa determinada derivação da história, Continue lendo →

O acalentado conforto da proibição

 

Só os grandes articuladores da fé, que vivem e pensam em esferas distantes da multidão, é que falam da sua religião em termos profundos e categorias teológicas. Para uma pessoa normal, ou para alguém que observa de fora, uma religião é mais claramente definida pelas suas proibições.

A herança perdida

A história do cristianismo é também a história da dança pública de um número limitado de palavras. É a história de para onde essa inusitada coreografia acabou conduzindo tanto as palavras que estavam dançando quanto as pessoas que estavam ouvindo.

Perdão e poder

Não é de estranhar que Jesus de Nazaré tenha se recusado a reduzir a virtude a um conjunto confortável de regras; não é de estranhar que ele tenha se negado firmemente a indicar que a conduta do reino pudesse ser domada em normas ou esgotada pela obediência passiva. Essas suas cautelas se enquadram de modo natural em seu projeto de rejeitar o uso de qualquer ferramenta de manipulação e de poder. Legislar é poder, legislar é condicionar, e nada está mais distante da postura que Jesus assumiu para si mesmo e sonhou para os seus amigos.

Também não é de estranhar que a igreja tenha ignorado por completo esse sonho de Jesus, tendo Continue lendo →


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