Manuscritos estocados sob a rubrica 'Jurássicas'
27 de Novembro de 2008

Lápis de Carpinteiro

Jurássicas

Esta é antiga, da minha primavera com o Corel Painter. Era a ilustração de abertura do meu primeiro portfolio na internet, o falecido sáite Lápis de Carpinteiro – ainda em período pré-Brabo, em algum momento constrangedor da década de 1990. Devido a algum irrecuperável e esquecido pau no computador perdi a ilustração original; resta-me somente esta passável redução.

Como a internet não sabe lidar direito com a morte digital, ainda há referências ao sáite Lápis de Carpinteiro em alguns portais de busca, apontando para o hoje 404 Not Found endereço http://mais.sul.com.br/prpurim/index.html. Uma delas traz a descrição oficial: “Ilustrações exclusivas, clipart grátis, cartoons e design gráfico. Galeria online, encomendas e desenhos grátis para você. Paulo Roberto Purim, ilustrador”.

Desenhos grátis. Onde eu estava com a cabeça.

 

20 de Novembro de 2008

Papai Noel 2000

Jurássicas

Encontrei esta num longínquo CD do ano 2000. Talvez meu último Papai Noel do milênio passado.

21 de Outubro de 2008

Papai fazendo o que gosta

Família, Jurássicas

Você tem sete anos e sua lição de casa é desenhar seu pai em duas situações: [1] fazendo o que gosta e [2] no trabalho. Como se vê, a tarefa pressupunha que é absolutamente improvável, talvez impossível, que [1] possa ser igual a [2]. A lição talvez fosse essa.

Reconheço na ilustração da esquerda nossa poltrona, nosso telefone, nosso rádio, a mesinha debaixo da qual ficava a lista telefônica e duas pás do nosso ventilador (um modelo similar, talvez idêntico, aparece no desenho da concessionário Igapó Veículos, onde meu pai trabalhava em Londrina). Um exemplar da falecida revista Visão aparece sobre um banquinho para fornecer alguma cor local.

Meu pai amava ler jornal (hoje o desenho o mostraria lendo via internet), mas nunca jamais estaria lendo, como aqui, a Folhinha, suplemento infantil da Folha [de Londrina?]. Fiz, já naquele tempo, por pura provocação.

Clique para ampliar, etc.

29 de Março de 2008

O Cavaleiro Sem Cabeça!

Jurássicas

A noite estava escura. A minhoca dorminhoca estava perdida. A dorminhoca era muito nova, e por isso a sua vista se embaralhava com as suas duas cabeças. É, ao contrário do que muita gente pensa, a minhoca tem duas cabeças.

Nisso, ao longe, na estrada, se ouviu um tropel. Logo surgiu um vulto de contornos avermelhados. A pequena dorminhoca estremeceu e procurou se esconder atrás de uma grande pedra. Era… era… era o legendário cavaleiro sem cabeça! A dorminhoca se encolheu ainda mais. Um ruído atrás de suas costas a fez olhar para trás. Era uma coruja! Ela precisava sair dali para não ser engolida. Mas, e o cavaleiro? A coruja deu um olhar ameaçador, o que bastou para a minhoca correr até o meio da estrada. Se ao menos ela chegasse até o outro lado da estrada… poderia encontrar a sua casa! Quando ela ia começar a correr, uma lâmina de espada quase lhe corta uma das cabeças. Era a espada do cavaleiro sem cabeça!!!

O cavaleiro deu uma gargalhada e falou:

– Aonde você pensa que vai? Durante séculos eu procurei uma cabeça, e agora, você que tem duas não quer me ceder uma?

– Mas… mas… a minha cabeça é pequenininha… E essa cabeça que o senhor carrega? Não serve?

– Essa é uma simples cabeça de abóbora… Eu só uso para iluminar o caminho.

O cavaleiro já ia cortar a cabeça da minhoca quando de uma estrela apareceu uma fada. Enquanto isso o cavaleiro ficou paralisado como uma estátua.

A fada, com um pequeno gesto, transformou a dorminhoca em um belo príncipe.

– O efeito do encanto – falou a fada – só dura até o amanhecer. – e de súbito, a fada desapareceu.

* * *

Esta história e suas ilustrações são do começo da década de 1980, portanto eu deveria ter entre 13 e 15 anos de idade quando me sentei para escrever. Minha apreciação por temas macabros e humor obscuro já aparece de forma muito clara, bem como minha incapacidade em manter o roteiro seguindo numa direção só.

Ainda mais revelador, embora não aparecerá como surpresa ao impenitente leitor da Bacia, é que deixei a história incompleta e parti imediatamente para desenhar outras coisas.

Tenho 90% de certeza de que foi a ilustração principal na primeira página que inspirou a história, não o contrário. Clique nas imagens para ampliar.



01 de Março de 2008

O ciclo de vida dos cachorros

Jurássicas

Ainda o mesmo caderno que usei no curso de Administração da Federal do Paraná. Inspirado talvez no conteúdo registrado na página anterior, “Economia é o estudo da escassez” – revelação que pareceu-me ao mesmo tempo muito lúcida e ter um estranho sabor de confissão – acabei registrando minha brevíssima versão do ciclo de vida dos cachorros.

Esta é a última página digna de menção deste caderno.