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	<title>A Bacia das Almas &#187; Documentos</title>
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	<description>Onde as ideias não descansam</description>
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		<title>Caráter nacional</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Dec 2007 14:02:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Um brasileiro num cartaz de teatro digitalizado pela Biblioteca do Congresso Norte-Americano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/2763056/original"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2007/bits/the-brazilian.jpg" title="Clique para ampliar"></a></p>
<p>Um brasileiro num <a href="http://hdl.loc.gov/loc.pnp/var.0765">cartaz de teatro</a> digitalizado pela Biblioteca do Congresso Norte-Americano.</p>
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		<title>Mas o ensino era tão claro</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Dec 2007 08:02:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[tolstoi]]></category>

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		<description><![CDATA[– Mas o ensino era tão simples e claro – disse Belzebu, ainda relutando em acreditar que seus servos tivessem feito o que não lhe ocorrera fazer. – Era impossível interpretá-lo de forma errada. &#8220;Façais aos outros o que quereis que vos façam!&#8221; Como distorcer isso? – Bem, aconselhados por mim eles utilizaram diversos métodos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>– Mas o ensino era tão simples e claro – disse Belzebu, ainda relutando em acreditar que seus servos tivessem feito o que não lhe ocorrera fazer. – Era impossível interpretá-lo de forma errada. &#8220;Façais aos outros o que quereis que vos façam!&#8221; Como distorcer isso?</p>
<p>– Bem, aconselhados por mim eles utilizaram diversos métodos – respondeu o diabo de capa. – Os homens contam a história de um mágico bom que salvou uma pessoa de um mágico perverso transformando a pessoa num minúsculo grão de trigo; o mágico mau, tendo se transformando num galo, estava prestes a bicar o grãozinho, mas o mágico bom esvaziou uma saca de trigo sobre ele. O mágico mau não tinha como comer todo o trigo, pelo que não conseguiu encontrar o único grão que desejava. Foi isto que a conselho meu fizeram com o ensino daquele que ensinava que a lei consiste em fazer aos outros o que desejamos que façam a nós. Eles aceitaram sessenta e seis livros diferentes como sendo a exposição sagrada da lei de Deus, e declararam que cada palavra desses livros era produção de Deus, o Espírito Santo. Sobre o simples e facilmente compreensível eles derramaram tamanha coleção de verdades pseudo-sacras que tornou-se impossível, por um lado, aceitá-las todas, e por outro encontrar entre elas a única verdade necessária para o homem.</p>
<p>– Este foi o primeiro método. O segundo, que usaram com sucesso por mais de mil anos, consistiu simplesmente em matar e queimar qualquer pessoa que desejasse revelar a verdade. Este método está entrando agora em desuso, mas eles não o abandonam por completo; embora não queimem os que expõem a verdade, caluniam-nos e envenenam as suas vidas de tal forma que são poucos os que arriscam desmascará-los.</p>
<p>– Este foi o segundo método. O terceiro é que, sustentando serem eles mesmos a Igreja e portanto infalíveis, eles ensinam simplesmente, e quando lhes convém, o contrário do que dizem as Escrituras, deixando para seus discípulos extraírem eles mesmos, a partir dessas contradições, o que puderem e o que lhes agrade. Por exemplo, se as Escrituras dizem: &#8220;A ninguém na terra chameis de vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo&#8221;, eles dizem: &#8220;Nós apenas somos os pais, e nós apenas somos os mestres dos homens&#8221;. Foi dito: &#8220;Tu, quando orares, faze-o em oculto, e Deus te ouvirá&#8221;, mas eles ensinam que os homens devem orar em igrejas, na companhia de outros, com cântico e música. As Escrituras dizem: &#8220;De maneira nenhuma jureis&#8221;, mas eles afirmam que é necessário jurar obediência implícita às autoridades qualquer que seja a demanda delas. Foi dito: &#8220;Não matarás&#8221;, mas eles ensinam que podemos e devemos matar, em conformidade com a lei. Foi dito: &#8220;Meu ensino é espírito e vida. Alimentai-vos dele como que de pão&#8221;, mas eles ensinam que se pedacinhos de pão forem molhados em vinho e certas palavras forem proferidas sobre eles, esses pedacinhos de pão tornam-se carne e o vinho torna-se sangue, e que comer este pão e beber este vinho é muito proveitoso para a salvação da alma. As pessoas acreditam nisso e comem obedientemente esses bocados molhados de pão, e depois quando caem nas nossas mãos ficam perplexos de que os bocados não os tenham ajudado.</p>
<p>E o diabo de capa, rolando os olhos e virando as órbitas para cima, sorriu de orelha a orelha.</p>
<p>– Isso é excelente – disse Belzebu, e sorriu. E todos os diabos caíram na risada.</p>
<div class='series_toc'><h3>A restauração do inferno</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/isto-aconteceu-quando-jesus-revelava-sua-doutrina-aos-homens/' title='Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens'>Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/trezentos-anos-se-passaram/' title='Trezentos anos se passaram'>Trezentos anos se passaram</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/que-barulho-e-esse/' title='Que barulho é esse?'>Que barulho é esse?</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/o-que-e-a-igreja/' title='O que é a igreja?'>O que é a igreja?</a></li><li>Mas o ensino era tão claro</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>O que é a igreja?</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Dec 2007 08:48:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[tolstoi]]></category>

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		<description><![CDATA[– O que é &#8220;a Igreja&#8221;? – perguntou Belzebu severamente, relutando em acreditar que seus servos fossem mais espertos do que ele. – Bom, quando uma pessoa diz uma mentira e teme que não vão acreditar nela, chama sempre Deus por testemunha, e diz: &#8220;Por Deus, estou dizendo a verdade!&#8221; Isso, em essência, é &#8220;a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>– O que é &#8220;a Igreja&#8221;? – perguntou Belzebu severamente, relutando em acreditar que seus servos fossem mais espertos do que ele.</p>
<p>– Bom, quando uma pessoa diz uma mentira e teme que não vão acreditar nela, chama sempre Deus por testemunha, e diz: &#8220;Por Deus, estou dizendo a verdade!&#8221; Isso, em essência, é &#8220;a Igreja&#8221;, porém com uma peculiaridade: aqueles que reconhecem a si mesmos como sendo &#8220;a Igreja&#8221; acabam convencidos de que são incapazes de errar, e portanto qualquer besteira que proferem não podem nunca refutar. A Igreja é constituída da seguinte forma: homens asseguram a si mesmos e a outros de que seu mestre, Deus, a fim de assegurar que a lei que revelou aos homens não seja mal interpretada, deu poder a determinados homens que, juntamente com aqueles a quem transferem esse poder, são os únicos capazes de interpretar corretamente o ensino dele. Assim esses homens, que chamam a si mesmos de &#8220;Igreja&#8221;, consideram-se defensores da verdade não porque pregam o que é verdadeiro, mas porque se consideram os únicos verdadeiros sucessores dos discípulos dos discípulos dos discípulos, até os discípulos do próprio mestre, Deus. Embora esse método, como o dos milagres, tenha a desvantagem de que as pessoas possam afirmar simultaneamente, cada uma por si mesma, serem membros da única Igreja verdadeira (como de fato sempre acontece), tem a vantagem de que tão logo os homens declaram que são a Igreja e desenvolvem sua doutrina com base nessa afirmação, não podem mais renunciar ao que já disseram, por mais absurdo que seja, não importa o que digam as outras pessoas.</p>
<h5>A própria posição deles obrigava-os a distorcer o ensino.</h5>
<p>– Mas por que a Igreja distorceu o ensino em nosso favor? – perguntou Belzebu.</p>
<p>– Fizeram isso – prosseguiu o diabo de capa – porque uma vez tendo se declarado os únicos expositores legítimos da lei de Deus, e tendo persuadido os outros disso, tornaram-se os árbitros máximos do destino dos homens e obtiveram portanto o poder máximo. Tendo obtido este poder, ficaram naturalmente orgulhosos e, em sua maior parte, depravados, e deste modo provocaram a indignação e a inimizade de outros contra eles mesmos. E na sua luta contra esses inimigos, não tendo outros meios além de violência, começaram a perseguir, executar e queimar na fogueira todos que não reconheciam a sua autoridade. Portanto a própria posição deles obrigava-os a distorcer o ensino, de modo a justificar tanto suas vidas perversas quanto a crueldade empregada contra os seus inimigos. E foi exatamente isso que fizeram.</p>
<div class='series_toc'><h3>A restauração do inferno</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/isto-aconteceu-quando-jesus-revelava-sua-doutrina-aos-homens/' title='Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens'>Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/trezentos-anos-se-passaram/' title='Trezentos anos se passaram'>Trezentos anos se passaram</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/que-barulho-e-esse/' title='Que barulho é esse?'>Que barulho é esse?</a></li><li>O que é a igreja?</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/mas-o-ensino-era-tao-claro/' title='Mas o ensino era tão claro'>Mas o ensino era tão claro</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Que barulho é esse?</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Nov 2007 08:39:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[tolstoi]]></category>

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		<description><![CDATA[– Que barulho é esse? – perguntou Belzebu, apontando para o alto. – O que está acontecendo lá em cima? – Só o que costumava sempre acontecer – respondeu o diabo reluzente de capa. – Quer dizer que temos mesmo uns novos pecadores? – quis saber Belzebu. – Muitos – explicou o reluzente. – Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>– Que barulho é esse? – perguntou Belzebu, apontando para o alto. – O que está acontecendo lá em cima?</p>
<p>– Só o que costumava sempre acontecer – respondeu o diabo reluzente de capa.</p>
<p>– Quer dizer que temos mesmo uns novos pecadores? – quis saber Belzebu.</p>
<p>– Muitos – explicou o reluzente.</p>
<p>– Mas que é do ensino daquele de quem não quero dizer o nome? – perguntou Belzebu.</p>
<p>O diabo de capa deu um sorriso que revelou seus dentes pontiagudos, enquanto risadas abafadas ouviam-se entre todos os outros demônios.</p>
<p>– Esse ensino não nos atrapalha de modo algum. As pessoas não acreditam nele – disse o diabo de capa.</p>
<p>– Mas é evidente que esse ensino salvou-as de nós, e isso ele selou pela sua morte – disse Belzebu.</p>
<p>– Mudei tudo isso – disse o diabo de capa, batendo rápido com a cauda no chão.</p>
<p>– O que você fez?</p>
<p>– Consegui que as pessoas não acreditem no ensino dele mas no meu, que chamam pelo nome dele.</p>
<p>– E como conseguiu isso? – quis saber Belzebu.</p>
<p>– Aconteceu espontaneamente. Só dei uma ajudinha.</p>
<h5>&#8220;Passei a sugerir que aquele desacordo era muito importante.&#8221;</h5>
<p>– Conte resumidamente o que aconteceu – disse Belzebu.</p>
<p>O diabo de capa baixou a cabeça e gastou um intervalo em silêncio, como se ponderasse sem pressa. Em seguida começou a sua história:</p>
<p>– Quando aquela coisa terrível aconteceu, quando o inferno foi derrubado e nosso pai e governante nos deixou – disse ele, – fui aos lugares onde o ensino que quase nos arruinara havia sido pregado. Eu queria ver como viviam as pessoas que colocavam-no em prática, e vi que os que viviam de acordo com aquele ensino eram inteiramente felizes e inteiramente fora do nosso alcance. Eles não se enfureciam uns com os outros, não cediam aos charmes das mulheres, não se casavam e, quando casavam, tinham uma única esposa. Não tinham propriedade privada, mas possuíam tudo em comum; não se defendiam de ataque algum, mas retribuíam o mal com o bem. Sua vida era tão virtuosa que um número cada vez maior de pessoas era atraído para o grupo deles.</p>
<p>– Quando vi isso pensei que tudo estava pedido, e tive vontade de desistir. Mas algo aconteceu, algo que embora insignificante em si mesmo pareceu-me merecer atenção, e permaneci. Entre essas pessoas alguns achavam necessário que todos se circuncidassem e que ninguém comesse a carne que havia sido oferecida aos ídolos, enquanto outros achavam que isso não era essencial; criam que não precisavam ser circuncidados e que podiam comer qualquer coisa. Passei então a sugerir para as pessoas dos dois grupos que aquele desacordo era muito importante, e que como a questão dizia respeito ao serviço de Deus, nenhum dos lados deveria ceder. Eles acreditaram em mim, e suas disputas tornaram-se mais violentas. Gente dos dois lados começou a ceder à raiva, e passei então a instilar em cada um deles que poderiam provar a verdade da sua posição através de milagres. Embora seja evidente que milagres não podem provar a verdade de doutrina alguma, eles estavam tão ansiosos para estarem certos que acreditaram em mim, e providenciei milagres para eles. Isso não foi difícil: eles acreditavam em qualquer coisa que confirmasse o seu desejo de demonstrar que apenas eles estavam certos.</p>
<p>– Alguns diziam que línguas de fogo haviam descido sobre eles; outros afirmavam que tinham visto o próprio corpo ressurreto do seu mestre, e muitas outras coisas. Ficavam inventando coisas que nunca tinham acontecido e, no nome daquele que nos chamou de mentirosos, mentiam não menos do que nós. Um dizia para o outro: &#8220;Os seus milagres não são genuínos, os nossos é que são&#8221;. E o outro respondia: &#8220;Não, os de vocês não são genuínos, os nossos é que são&#8221;.</p>
<p>– As coisas estavam indo bem, mas eu tinha medo que, de tão evidente que era, eles pudessem discernir aquele engodo; por isso inventei &#8220;A Igreja&#8221;. E quando eles acreditaram nA Igreja, fiquei em paz. Entendi que estávamos salvos, e que o inferno havia sido restaurado.</p>
<div class='series_toc'><h3>A restauração do inferno</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/isto-aconteceu-quando-jesus-revelava-sua-doutrina-aos-homens/' title='Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens'>Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/trezentos-anos-se-passaram/' title='Trezentos anos se passaram'>Trezentos anos se passaram</a></li><li>Que barulho é esse?</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/o-que-e-a-igreja/' title='O que é a igreja?'>O que é a igreja?</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/mas-o-ensino-era-tao-claro/' title='Mas o ensino era tão claro'>Mas o ensino era tão claro</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Trezentos anos se passaram</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Nov 2007 08:46:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[tolstoi]]></category>

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		<description><![CDATA[II Cem anos, duzentos anos, trezentos anos se passaram. Belzebu não contava o tempo. Ao seu redor o que havia era negra escuridão e silêncio completo. Ele jazia imóvel e tentava não pensar no que havia acontecido, mas pensava assim mesmo, e odiava impotentemente aquele que havia ocasionado a sua queda. Mas de repente – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>II</p>
<p>Cem anos, duzentos anos, trezentos anos se passaram.</p>
<p>Belzebu não contava o tempo. Ao seu redor o que havia era negra escuridão e silêncio completo. Ele jazia imóvel e tentava não pensar no que havia acontecido, mas pensava assim mesmo, e odiava impotentemente aquele que havia ocasionado a sua queda.</p>
<p>Mas de repente – ele não recordava ou não sabia quantas centenas de anos haviam transcorrido – ouviu acima de si sons que lembravam passos, gemidos, gritos e ranger de dentes.</p>
<p>Belzebu ergueu a cabeça e começou a ouvir.</p>
<p>Que o inferno pudesse ser restabelecido depois da vitória de Cristo era incrível demais para ele acreditar, mas os passos, os gemidos, os gritos e o ranger de dentes soavam cada vez mais nítidos.</p>
<p>Ele ergueu o corpo e pôs-se de pé com suas pernas hirsutas e seus cascos crescidos pela falta de uso (para sua perplexidade os grilhões caíram por si mesmos) e, batendo livremente as asas estendidas, deu o assobio pelo qual costumava convocar seus servos e assistentes para junto de si.</p>
<p>Antes que ele pudesse dar o fôlego seguinte uma abertura surgiu acima da sua cabeça, chamas rubras feriram-lhe a vista e uma multidão de diabos, empurrando uns aos outros, desceram pela abertura para aquela região inferior e acomodaram-se ao redor de Belzebu como urubus ao redor de carniça.</p>
<p>Havia diabos grandes e diabos pequenos, diabos gordos e diabos magros, diabos com rabos compridos e diabos com rabos curtos, diabos com chifres pontudos, diabos com chifres retos e diabos com chifres curvos.</p>
<p>Um diabo de um negro reluzente, nu exceto pela capa atirada sobre os ombros, com um rosto redondo sem pelos e uma enorme pança saliente, agachou-se diante do rosto do próprio Belzebu e, rolando os olhos para cima e para baixo, sorria sem cessar, balançando a comprida cauda de modo ritmado, de um lado para o outro.</p>
<div class='series_toc'><h3>A restauração do inferno</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/isto-aconteceu-quando-jesus-revelava-sua-doutrina-aos-homens/' title='Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens'>Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens</a></li><li>Trezentos anos se passaram</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/que-barulho-e-esse/' title='Que barulho é esse?'>Que barulho é esse?</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/o-que-e-a-igreja/' title='O que é a igreja?'>O que é a igreja?</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/mas-o-ensino-era-tao-claro/' title='Mas o ensino era tão claro'>Mas o ensino era tão claro</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Nov 2007 11:03:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Fé e Crença]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[tolstoi]]></category>

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		<description><![CDATA[Leo Tolstoi I Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens. Seu ensino era tão claro, tão fácil de seguir e salvava os homens do mal de forma tão evidente que parecia impossível que não fosse aceito, ou que algo impedisse a sua disseminação. Belzebu, pai e soberano de todos os demônios, ficou apreensivo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><small>Leo Tolstoi</small></p>
<p>I</p>
<p>Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens.</p>
<p>Seu ensino era tão claro, tão fácil de seguir e salvava os homens do mal de forma tão evidente que parecia impossível que não fosse aceito, ou que algo impedisse a sua disseminação.</p>
<p>Belzebu, pai e soberano de todos os demônios, ficou apreensivo. Ele via claramente que seu poder sobre os homens terminaria para sempre, a não ser que Jesus renunciasse ao seu ensino. Ficou apreensivo mas não perdeu as esperanças, e incitou os escribas e fariseus, seus obedientes servos, a que insultassem e atormentassem Jesus o máximo que pudessem, e aconselhou os discípulos de Jesus a que fugissem e o abandonassem. Ele esperava que a condenação a uma execução vergonhosa, a humilhação e o abandono por parte de todos os seus discípulos, e finalmente o sofrimento e a condenação em si, levariam Cristo a renunciar ao seu ensino no último momento, e que essa renúncia destruísse todo o seu poder.</p>
<p>A questão foi decidida na cruz. Quando Cristo exclamou: &#8220;Meu Deus, Meu Deus, por que me desemparaste?&#8221;, Belzebu exultou. Tomou os grilhões que tinha preparado para Jesus e experimentou-os em suas próprias pernas, ajustando-as de modo a que não se soltassem quando colocadas em Jesus.</p>
<p>De repente, no entanto, ouviram-se da cruz as seguintes palavras:</p>
<p>– Pai, perdoe-os porque eles não sabem o que fazem.</p>
<p>Depois disso Cristo exclamou: &#8220;Está consumado!&#8221; e entregou o espírito.</p>
<h5>Belzebu compreendeu que tudo estava perdido.</h5>
<p>Belzebu compreendeu que tudo estava perdido. Tentou libertar as pernas dos grilhões e fugir, mas não conseguiu sair do lugar. Os grilhões haviam se soldado a ele, e atavam seus próprios membros.</p>
<p>Tentou usar suas asas, mas não conseguiu estendê-las. E Belzebu viu como Cristo apareceu nos portões do inferno com uma auréola de luz, e como os pecadores, de Adão a Judas, saíram, e como os diabos fugiram, e como os próprios muros do inferno desabaram em silêncio em todas as quatro laterais. Incapaz de suportar mais disso, caiu pelo assoalho despedaçado, com um grito lancinante, para as regiões inferiores.</p>
<div class='series_toc'><h3>A restauração do inferno</h3><ol><li>Isto aconteceu quando Jesus revelava sua doutrina aos homens</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/trezentos-anos-se-passaram/' title='Trezentos anos se passaram'>Trezentos anos se passaram</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/que-barulho-e-esse/' title='Que barulho é esse?'>Que barulho é esse?</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/o-que-e-a-igreja/' title='O que é a igreja?'>O que é a igreja?</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/mas-o-ensino-era-tao-claro/' title='Mas o ensino era tão claro'>Mas o ensino era tão claro</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>O Livrinho do Coração</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jul 2007 03:16:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Fé e Crença]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Um folheto célebre&#8221; traduzido do alemão&#160;Das Herz des Menschen, ein Tempel Gottes, oder eine Werkstaette des Satans.&#160;In zehn Figuren sinnbildisch dargestellt (O Coração Humano, Templo de Deus ou Oficina de Satanás. Com dez ilustrações alegóricas), que&#160;é, por sua vez, tradução de uma obra francesa de autor desconhecido. Esta versão brasileira, com texto &#8220;vertido livremente do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/000-capa.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/000-capa_t.png"></a> </p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/001-celebre.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/001-celebre_t.png"></a></p>
<p align="left">&#8220;Um folheto célebre&#8221; traduzido do alemão&nbsp;<strong>Das Herz des Menschen</strong>, <em>ein Tempel Gottes, oder eine Werkstaette des Satans.&nbsp;In zehn Figuren sinnbildisch dargestellt</em> (O Coração Humano, Templo de Deus ou Oficina de Satanás. Com dez ilustrações alegóricas), que&nbsp;é, por sua vez, tradução de uma obra francesa de autor desconhecido. </p>
<p align="left">Esta versão brasileira, com texto &#8220;vertido livremente do allemão, prefaciado, adaptado e aumentado com reflexões finais&#8221; por André Jensen, foi publicada em 1914 pela editora Casa Vanorden, de São Paulo. <a href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/012-autor.jpg">Explica</a> o prefácio:</p>
<blockquote>
<p align="left"><strong>O Livrinho do Coração</strong> foi originalmente escripto em lingua franceza, mas sendo então muito differente do que actualmente é, visto ter passado por successivas edições revistas e melhoradas. No anno de 1732 foi traduzido em Würzburg, para o allemão, sendo as estampas obra do gravador universitário. O título então era: «Espelho espiritual em que se pode mirar quem deseja a salvação e, reconhecendo o estado de sua alma, reformar convenientemente a sua vida. Publicado mediante rogos e instancias de pessoas de bellos sentimentos.</p>
</blockquote>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/028-estampa01.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/028-estampa01_t.png"></a> </p>
<p align="left">O coração do livro, por assim dizer, são as dez gravuras ilustrativas, que representam alegoricamente os diferentes estados espirituais do coração do homem, de <a href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/028-estampa01.jpg">entregue ao pecado e governado pelo demônio</a>&nbsp;a trono de Deus e morada do Espírito Santo. Ignoro se as gravuras que ilustram esta <a href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/020-prefacio.jpg">Edição Brazileira</a> são aquelas do gravador da Universidade de Würzburg. Uma edição&nbsp;alemã do livro, disponível no Google Books e <a href="http://books.google.com/books?id=x6xSVu_oAhEC">datada de 1831</a>, traz ilustrações que parecem <a href="http://books.google.com/books?id=x6xSVu_oAhEC&amp;pg=PA8">mais antigas</a>.</p>
<p align="left">O tradutor brasileiro <a href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/012-autor.jpg">conta</a> que a versão alemã do <em>Livrinho do Coração </em>achou grande aceitação &#8220;não somente entre as classes inferiores, mas também nas rodas mais elevadas&#8221;: o naturalista Humboldt empenhou-se na sua distribuição, o imperador russo Alexandre trazia sempre um exemplar no bolso e&nbsp;Bultmann traduziu-o para o inglês. Ao longo dos séculos o <em>Livrinho </em><a href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/014-historia.jpg">alcançou o milagre de ser&nbsp;adotado</a> por &#8220;todos os grandes ramos que constituem a christandade, sendo amado pelos catholico-romanos, orthodoxos e evangelicos&#8221;.</p>
<p align="left">Este exemplar estava numa das [muitas] caixas de livros antigos do&nbsp;meu pai, e&nbsp;parece fazer parte das suas memórias da vida na Colônia leta de Rio Novo, em Santa Catarina.&nbsp;Decidi&nbsp;reproduzir este <em>Livrinho </em>aqui na Bacia, uma estampa de cada vez, mediante rogos e instâncias de pessoas de belos sentimentos.</p>
<p><span id="more-1296"></span></p>
<p align="center"><strong>ESTAMPA Nº 1<br /></strong>O coração do homem que se entrega ao peccado e se deixa governar pelo demonio</p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/028a-estampa01.png" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/028a-estampa01_t.png"></a> </p>
<p align="left"><span style="font-family:Georgia; font-size:1.5em; line-height: 1.2em;">Representa esta estampa o estado do coração do homem mundano que se entrega, inteiramente, aos prazeres desta vida transitoria, e está, como diz S. Paulo, <em>morto em seus delictos e peccados. </em>(Ephesios II.1).</span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Georgia; font-size:1.5em; line-height: 1.2em;"><em>Satanaz</em> reside tranquillamente no centro como dominador absoluto, e conserva a pobre creatura peccadora escravizada pelos peccados, vicios e appetites carnaes.</span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Georgia; font-size:1.5em; line-height: 1.2em;">[. . .] O <em>pavão</em>, com a sua extendida cauda, é o symbolo do orgulho [. . .] O <em>bóde</em> é o emblema da impudicia e de toda impureza, o <em>porco</em> o é da glotoneria, da bebedice e de toda intemperança e excesso.</span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Georgia; font-size:1.5em; line-height: 1.2em;">A <em>rã</em>, que vive em lugares pantanosos e no lôdo, representa a mesquinhez e a <em>avareza, raiz de todos os males.</em></span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Georgia; font-size:1.5em; line-height: 1.2em;">A <em>serpente</em> [. . .] é o verdadeiro emblema da astucia, da inveja e da traição. A <em>tartaruga</em> que ociosamente se deita ao sol representa, por sua natureza indolente, a preguiça e a tibieza que rouba do homem toda a inclinação para o bem. O <em>tigre</em>, animal ferocissimo, é o symbolo da ira, do odio e da vingança, peccados estes, que muitas vezes, degradam o homem tão horrendamente que o tornam mil vezes peior do que as feras.</span></p>
<p align="left"><span style="font-family:Georgia; font-size:1.5em; line-height: 1.2em;">O <em>bom anjo</em>, emblema da graça de Christo, esforça-se para despertar o peccador pelo poder da Palavra Divina [. . .], mas o desejo e o goso do peccado o estorvam para que não attenda á voz celestial.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/002-proebe.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/002-proebe_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/004-aureos.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/004-aureos_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/006-anteloquio-nome.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/006-anteloquio-nome_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/008-nome-simbolismo.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/008-nome-simbolismo_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/010-simbolismo.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/010-simbolismo_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/012-autor.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/012-autor_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/014-historia.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/014-historia_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/016-estampas.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/016-estampas_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/018-estampas.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/018-estampas_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/020-prefacio.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/020-prefacio_t.png"></a></p>
<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/022-prefacio.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/022-prefacio_t.png"></a></p>
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<p align="center"><a title="Clique para ampliar" href="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/030-oracao.jpg" atomicselection="true"><img src="http://ia300235.us.archive.org/3/items/livrinho_01/small/030-oracao_t.png"></a></p>
<p align="center">*<br />* &nbsp;&nbsp; *</p>
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		<title>E isso acontece durante todo o ano nessa terra do Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Oct 2006 10:23:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Documentos]]></category>

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		<description><![CDATA[TIVEMOS DESDE ENTÃO vento de oeste que nos foi propício e permaneceu tão constante que a 26 de fevereiro de 1557, pelas oito horas da manhã, avistamos a Índia Ocidental ou terra do Brasil, quarta parte do mundo, desconhecida dos antigos e também chamada América, do nome daquele que em 1497 primeiro a descobriu. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>T<small>IVEMOS DESDE ENTÃO</small> vento de oeste que nos foi propício e permaneceu tão constante que a 26 de fevereiro de 1557, pelas oito horas da manhã, avistamos a Índia Ocidental ou terra do Brasil, quarta parte do mundo, desconhecida dos antigos e também chamada América, do nome daquele que em 1497 primeiro a descobriu. Não é preciso dizer que muito nos alegramos e rendemos graças a Deus por estarmos tão perto do lugar que demandávamos. Com efeito há cerca de quatro meses não víamos porto e flutávamos no mar não raro com a idéia de que nos encontrávamos num exílio sem solução. Por isso logo que verificamos ser o continente que víamos, pois muitas vezes nos enganaram as nuvens, velejamos para a terra e no mesmo dia, com nosso almirante à frente fomos ancorar a meia légua de um lugar montanhoso chamado <em>Huuassú (Iguaçu)</em> pelos selvagens. Botamos nágua o escaler e depois de ter disparado alguns tiros de peça para avisar os habitantes, conforme o costume de quem chega a esse país, vimos reunirem-se na praia homens e mulheres em grande número. Nenhum de nossos marinheiros, já viajados, reconheceu bem o sítio; entretanto os selvagens eram da nação Margaiá, aliada dos portugueses e por conseqüência tão inimiga dos franceses que se nos apanhassem em condições favoráveis, não só não nos teriam pago resgate algum mas ainda nos teriam trucidado e devorado. E logo pudemos admirar as florestas, árvores e ervas desse país que, mesmo em fevereiro, mês em que o gelo oculta ainda no seio da terra todas essas coisas em quase toda a Europa, são tão verdes quanto na França em maio e junho. E isso acontece durante todo o ano nessa terra do Brasil.</p>
<h5>Seis homens e uma mulher não hesitaram em vir visitar-nos no navio.</h5>
</p>
<p>Não obstante a inimizade entre margaiás e franceses, muito bem dissimulada de parte a parte, nosso mestre, que lhes conhecia um pouco a língua, meteu-se num escaler com alguns marujos e dirigiu-se à praia cheia de selvagens. Não se fiando nestes entretanto, e temerosos de serem agarrados e moqueados, mantiveram-se fora do alcance de suas flechas acenando-lhes de longe com facas, espelhos, pentes e outras bugigangas. Ouvindo as nossas vozes apressaram-se os índios mais próximos em vir ao encontro dos nossos, com alguns companheiros. Desse modo obteve o nosso contramestre farinha fabricada de certa raiz, usada pelos da terra em vez de pão, e ainda carne de javali, frutas e mais coisas que a terra produz em abundância. Seis homens e uma mulher não hesitaram em vir visitar-nos no navio para vê-lo e dar-nos boas-vindas. Como eram os primeiros selvagens que eu via de perto, é natural que os observasse atentamente e embora os descreva minuciosamente noutro lugar, quero desde já dizer alguma coisa a seu respeito. Tanto os homens quanto as mulheres estavam tão nus como ao saírem do ventre materno mas para parecer mais garridos tinham o corpo todo pintado e manchado de preto.</p>
<p>[ . . . ]</p>
<p>Depois que os margaiás admiraram as nossas peças e tudo mais que desejaram no navio, pensando em outros franceses que por acaso lhes caíssem nas mãos, não os quisemos molestar nem reter; e pedindo eles regresso à terra tratamos de pagar-lhes os víveres que nos haviam trazido. Mas como desconhecessem o pagamento em moeda, foi o mesmo feito com camisas, facas, anzóis, espelhos e outras mercadorias usadas no comércio com os índios. Essa boa gente que não fôra avara, ao chegar, de mostrar-nos tudo quando trazia no corpo, do mesmo modo procedeu ao partir, embora já vestisse camisa. Ao sentarem-se no escaler os índios arregaçaram-se até o umbigo a fim de não estragar as vestes e descobriram tudo que convinha ocultar, querendo, ao despedir-se, que lhes víssemos ainda as nádegas e o traseiro. Agiram sem dúvida como honestos cavalheiros e embaixadores corteses. Contrariando o provérbio comum entre nós que a carne é mais cara do que a roupa revelaram a magnificência de sua hospedagem mostrando-nos as nádegas, na opinião de que valem mais as camisas do que a pele.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug002.gif" alt="" width="30" height="34" /></p>
<p>
<p style="text-align:right;"><small> <strong>Jean de Léry,</strong> Viagem à terra do Brasil (1577),<br />Capítulo V &#8211; DO DESCOBRIMENTO E PRIMEIRA VISTA QUE TIVEMOS DA ÍNDIA OCIDENTAL OU TERRA DO BRASIL, BEM COMO DE SEUS HABITANTES SELVAGENS E DO MAIS QUE NOS ACONTECEU ATÉ O TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO </small></p>
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		<title>Bula Romanus Pontifex</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Sep 2006 03:18:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Fé e Crença]]></category>

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		<description><![CDATA[1 &#8211; NÃO SEM GRANDE ALEGRIA chegou ao nosso conhecimento que o nosso dileto filho Infante D. Henrique, incendido no ardor da fé e zelo da salvação de almas, se esforça, como verdadeiro soldado de Cristo, por fazer conhecer e venerar em todo orbe, até os mais remotos lugares, o nome do gloriosíssimo Deus, reduzindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1 &#8211; N<small>ÃO SEM GRANDE ALEGRIA</small> chegou ao nosso conhecimento que o nosso dileto filho Infante D. Henrique, incendido no ardor da fé e zelo da salvação de almas, se esforça, como verdadeiro soldado de Cristo, por fazer conhecer e venerar em todo orbe, até os mais remotos lugares, o nome do gloriosíssimo Deus, reduzindo à sua fé não só os sarracenos inimigos dela, como também quaisquer outros infiéis; depois da conquista de Ceuta por seu pai, muito contra aqueles inimigos foi realizado pelo mesmo infante, às vezes com sua pessoal intervenção, não sem trabalhos, despesas e morte de sua gente; e sempre incansavelmente e cada vez mais animado do mesmo propósito, povoou de fiéis as ilhas desertas onde fez construir igrejas e outras casas piedosas, fez batizar e converter os habitantes de outras, para propagação da fé e aumento do culto divino.</p>
<p>2 &#8211; Além disso, tento este Infante conhecimento de que jamais, ao menos desde que há memória, o mar Oceano foi navegado em suas extensões orientais e meridionais, pelo que nada se sabe dos povos daquelas partes, julgou prestar grande serviço a Deus, tornando-o navegável até aqueles Índios que consta adorarem a Cristo. Assim poderia levar estes a auxiliar os cristãos contra os sarracenos, fazendo pregar o santo nome de Cristo entre os povos que a seita do nefando Mafoma infesta. Sempre munido de autoridade régia, há vinte e cinco anos que com grandes trabalhos, perigos e despesas não cessava com suas velozes naus, chamadas caravelas, devassar o mar, em direção das partes meridionais e Pólo Antártico. Aconteceu assim que foram perlustrados portos, ilhas e mares, atingida e ocupada a Guiné e portos, ilhas e mares adjacentes, navegando depois até a foz do rio reputado como o Nilo (Niger), fazendo guerra aos povos daquelas partes e apoderando-se das ilhas e mar adjacentes. Guinéus e negros tomados pela força, outros legitimamente adquiridos por contrato de compra foram trazidos ao reino, onde em grande número se converteram à fé católica, o que esperamos progrida até a conversão do povo ou ao menos de muitos mais.</p>
<h5>Guinéus e negros tomados pela força, outros legitimamente adquiridos por contrato de compra, em grande número se converteram à fé católica.</h5>
</p>
<p>3 &#8211; Tivemos, porém, conhecimento de que o Rei (D. Afonso) e o Infante, receando que tudo quanto obtiveram com tais perigos, trabalhos e despesas e possuem como verdadeiros senhores, outros, movidos de malícia e cupidez, venham usurpar ou danar, levando aos gentios o que os habilite a resistir-lhes mais fortemente, impedindo assim, não sem ofensa de Deus, o prosseguimento de tal obra, para a isso obviar, proibiram que se navegue para aquelas Províncias e por lá se trafique a não ser em suas naus e com seus nautas, licença expressa do Rei ou do Infante e pagamento de tributo. Pode, porém, suceder que, pelo decorrer dos tempos, pessoas de outros reinos ou nações sejam arrastadas pela cobiça, inveja ou malícia a infringir tal proibição, do que poderão resultar ódios, dissensões, rancores, guerras e escândalos ofensivos a Deus e perigosos para as almas.</p>
<p>4 &#8211; Por isso nós, tudo pensando com devida ponderação, por outras cartas nossas concedemos ao dito rei Afonso a plena e livre faculdade, dentre outras, de invadir, conquistar e subjugar quaisquer sarracenos e pagãos, inimigos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão e tudo aplicar em utilidade própria e dos seus descendentes. Por esta mesma faculdade, o mesmo D. Afonso ou, por sua autoridade, o Infante legitimamente adquiriram mares e terras, sem que até aqui ninguém sem sua permissão neles se intrometesse, o mesmo devendo suceder a seus sucessores. E para que a obra mais ardentemente possa prosseguir.</p>
<p>5 &#8211; De moto próprio, e depois de amadurecida reflexão, em plenitude do poder apostólico, queremos que o teor daquelas cartas se considere, palavra por palavra, inserto nesta com todas e cada uma das cláusulas nelas contidas, vigorando até para quanto foi adquirido antes da data daquela faculdade, como para quanto posteriormente pode ou possa ser conquistado aos infiéis e pagãos, províncias e ilhas,  portos e mares, incluindo ainda a conquista desde os cabos do Bojador e Não até toda a Guiné e, além dela, toda a extensão meridional; tudo declaramos pertencer de direito <em>in perpetuum</em> aos mesmos D. Afonso e seus descendentes, e ao Infante.</p>
<h5>Concedemos ao dito rei Afonso a plena e livre faculdade, dentre outras, de invadir, conquistar e subjugar quaisquer sarracenos e pagãos, inimigos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão e tudo aplicar em utilidade própria e dos seus descendentes.</h5>
</p>
<p>6 &#8211; Determinamos e declaramos que o mesmo Rei Afonso, e seus sucessores, e o Infante poderão livremente e licitamente estabelecer naqueles, tal como nos outros seus domínios, proibições, estatutos e leis mesmo penais, assim como tributações, tanto nas terras já adquiridas como nas que venham a adquirir.</p>
<p>7 &#8211; Poderão eles ou as pessoas a quem o tenham permitido contratar ou negociar como convier com os sarracenos e infiéis em tudo que não sejam armas, naus, ferramentas, cordame, para o que vigoram os indultos já anteriormente concedidos.</p>
<p>8 &#8211; Poderão fundar nessas terras igrejas ou mosteiros para lá enviar eclesiásticos seculares e, com autorização dos superiores, regulares das ordens mendicantes, sendo lícito a tais eclesiásticos ali exercer suas funções e juridição própria.</p>
<p>9 &#8211; E a todos e cada um dos fiéis e eclesiásticos seculares e regulares, de qualquer categoria ou dignidade, exortamos e rogamos em nome de Deus que não transportem para os infiéis destas terras, adquiridas ou conquistadas, armas, ferro ou cordame.</p>
<h5>Tudo declaramos pertencer de direito <em>in perpetuum</em> aos mesmos D. Afonso e seus descendentes, e ao Infante.</h5>
</p>
<p>10 &#8211; E também que sem especial licença do mesmo Rei Afonso e seus sucessores e Infante ninguém, direta ou indiretamente, se intrometa na atividade do tráfego ou navegação dessas partes, ou por qualquer forma tente impedir a sua pacífica posse.</p>
<p>11. Se alguém, indivíduo ou coletividade, infringir estas determinações, seja excomungado, só podendo ser absolvido se, satisfeitos o Rei Afonso e seus sucessores ou Infante, eles nisso concordarem.</p>
<p>
<p style="text-align:right;"><small> <strong>Papa Nicolau V,</strong> 8 de janeiro de 1454 </small></p>
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		<title>Matutino da Casa, Nr.3 Ano 1</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2006 09:48:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sabia que falávamos de antes de 1978, mas a capa deste número 3 do Matutino da Casa traz a data 11-4-76, portanto cabe supor que o número 2 seja mais antigo. Eu tinha oito anos. O tédio parece ter tomado conta da casa da Rua Florianópolis em Londrina, mas isso não era empecilho para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-1.jpg" alt="" width="200" height="294" /></p>
<p>Eu sabia que falávamos de antes de 1978, mas a capa deste número 3 do <em>Matutino da Casa</em> traz a data 11-4-76, portanto cabe supor que o <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/o-matutino-da-casa-nr-2-ano-1">número 2</a> seja mais antigo. Eu tinha oito anos.</p>
<p>O tédio parece ter tomado conta da casa da Rua Florianópolis em Londrina, mas isso não era empecilho para os intrépidos redatores do <em>Matutino.</em> Não importa o que não aconteça, não parem as rotativas &#8211; esse parece ter sido o nosso lema.</p>
<p>Sinto dizer que há pouco de notável neste número. Destaque absoluto para a <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-8-1.jpg">capa</a>, desenhada pela Isa. Até os <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-4-5.jpg">classificados</a> parecem ter sido sugados pelo tédio (&#8220;dá-se preguiça aos montes, montinhos e montões&#8221;).</p>
<p>De algum interesse é a <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-6-7.jpg">página 6</a>, com texto e ilustração deste que vos fala e a <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-6-7.jpg">página 7</a>, que contém uma receita de Bolo Fofinho© (&#8220;que o pai acha <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/dicionario-do-pae">palhoso</a>&#8230; mas é gostoso&#8221;) &#8211; testada e aprovada pela &#8220;cozinha experimentada Isa&#8221; &#8211; e uma declaração apócrifa de amor do pae para a mãe.<span id="more-759"></span></p>
<p>Finalmente, a convoluta poesia da Alice na <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-8-1.jpg">última capa</a> (&#8220;O luar é como um manto alvo&#8230;&#8221;) serve de motivo de reflexão.</p>
<p><strong>Capa e última página</strong><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-8-1.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-8-1-t.jpg" title="" alt="" width="160" height="120" /></a></p>
<p><strong>Páginas 2 e 3</strong><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-2-3.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-2-3-t.jpg" title="" alt="" width="160" height="120" /></a></p>
<p><strong>Páginas 4 e 5</strong><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-4-5.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-4-5-t.jpg" title="" alt="" width="160" height="120" /></a></p>
<p><strong>Páginas 6 e 7</strong><br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-6-7.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/mat3-6-7-t.jpg" title="" alt="" width="160" height="119" /></a></p>
<div class='series_toc'><h3>O Matutino da Casa</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2005/o-matutino-da-casa-nr-2-ano-1/' title='Matutino da Casa, Nr.2 Ano 1'>Matutino da Casa, Nr.2 Ano 1</a></li><li>Matutino da Casa, Nr.3 Ano 1</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Lutero alerta os alemães</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2005 10:37:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divino preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[lutero]]></category>
		<category><![CDATA[nazismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Dos panfletos que Martinho Lutero escreveu contra os judeus o Shem Hamphoras talvez seja o mais virulento. Estou pensando em traduzir, com fins históricos e educativos e em doses homeopáticas, pelo menos parte dele. A minha é uma tradução da tradução literal de Gerhard Falk, que por sua vez trabalhou a partir do truncado original [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small>Dos panfletos que Martinho Lutero escreveu contra os judeus o <em>Shem Hamphoras</em> talvez seja o mais virulento. Estou pensando em traduzir, com fins históricos e educativos e em doses homeopáticas, pelo menos parte dele. A minha é uma tradução da tradução literal de Gerhard Falk, que por sua vez trabalhou a partir do truncado original alemão: <em>Von Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi</em> &#8211; Do Nome Oculto e das Gerações de Cristo.</p>
<p>Antes que passe pela sua cabeça que concordo com o que está sendo dito aqui, leia todas as advertências em <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-solucao-final-de-lutero">A solução final de Lutero</a>.</p>
<p>Lutero não tinha como estar pensando nos nazistas quando escreveu 400 anos antes deles, mas não há como saber: talvez os nazistas estivessem pensando em Lutero quando colocaram-no em prática 400 anos depois.</small></p>
<p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" /></p>
<h5>&#8220;Não é minha opinião que eu possa escrever aos judeus na esperança de convertê-los.&#8221;</h5>
</p>
<p>1. No meu último panfleto <em>(Sobre os Judeus e Suas Mentiras)</em> anunciei que irei de agora em diante ignorar aquilo que os ferozes e miseráveis judeus mentem a respeito do seu Shem Hamphoras<sup><a href="#fn1">1</a></sup>, conforme descrito por Purchetus em seu livro <em>Victoria</em>.</p>
<p>Isso tenho feito em honra da nossa fé e em oposição às mentiras diabólicas dos judeus, de modo que aqueles que querem tornar-se judeus possam ver em que espécie de dogmas &#8220;magníficos&#8221; deverão acreditar e terão de observar entre os malditos judeus.</p>
<h5>&#8220;Um coração de judeu é duro como pedra, e não pode ser movido por quaisquer meios.&#8221;</h5>
</p>
<p><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/bits/jew.jpg" class="left" />Pois, conforme estipulei claramente naquele panfleto, não é minha opinião que eu possa escrever aos judeus na esperança de convertê-los. Eis porque não dei àquele panfleto o nome de <em>Contra os Judeus,</em> mas <em>Contra os Judeus e Suas Mentiras,</em> para que os alemães possam conhecer através da evidência histórica o que é um judeu, de modo a poderem alertar nossos cristãos contra eles da mesma forma que os alertamos contra o próprio Diabo, a fim de fortalecermos e honrarmos nossa crença; não para converter os judeus, o que seria quase tão impossível quanto converter o Diabo.</p>
<p><span id="more-594"></span></p>
<p>2. Pois da mesma forma que devemos ensinar e escrever a respeito do Diabo, do inferno e da morte e do pecado, o que eles são e o que podem ser, assim escrevo sobre os judeus para que possamos nos guardar de todos esses. Não que possamos fazer do Diabo um anjo, do inferno um céu, da morte vida, ou, do pecado, santidade. Todas essas coisas são impossíveis.</p>
<h5>&#8220;Ainda que os judeus fossem punidos da forma mais cruenta, de modo que as ruas se enchessem do seu sangue e seus mortos não pudessem ser contados, não na ordem de milhares mas na de milhões.&#8221;</h5>
</p>
<p>Um judeu ou um coração de judeu é duro como pedra e como ferro, e não pode ser movido por quaisquer meios. Mesmo se Moisés e os profetas viessem e fizessem todas as suas maravilhosas obras diante dos seus olhos, como fizeram Cristo e os apóstolos, para que abandonassem a sua insensatez, seria ainda assim inútil.</p>
<p>Ainda que eles fossem punidos da forma mais cruenta, de modo que as ruas se enchessem do seu sangue e seus mortos não pudessem ser contados, não na ordem de milhares mas na de milhões, como aconteceu sob Vespasiano em Jerusalém e para pior sob Adriano, ainda assim afirmariam estarem certos, mesmo se depois desses 1.500 anos vivessem em miséria por outros 1.500. Ainda assim Deus é mentiroso e eles estão certos.</p>
<p>Em suma, são eles filhos do Diabo condenados ao inferno; se, no entanto, algo de humano restar ainda neles, talvez este ensaio possa lhes ser útil e gerar algum bem. Alguns, que têm essa inclinação, podem esperar o melhor de toda essa corja, da forma como desejam. Eu não vejo mais ali qualquer esperança, e não conheço qualquer escritura que fale a respeito dessa esperança. Não conseguimos nem ao menos converter a maioria dos cristãos, sendo obrigados a nos satisfazermos com um pequeno número; muito mais impossível, portanto, será converter os filhos do Diabo. Embora haja muitos que derivem, a partir do décimo-primeiro capítulo da epístola aos Romanos, a insana noção de que todos os judeus forçosamente se converterão, na verdade não é assim. São Paulo falava de algo bem diferente.</p>
<p><strong>Março de 1543, Doutor Martinho Lutero</strong><br /><small>Falk, Gerhard, <em>The Jews in Christian Theology: Martin Luthers Anti-Jewish Vom Shem Hamphoras</em> (Jefferson, N. C. and London: McFarland &#38; Company, 1992)</small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug022.gif" alt="" width="77" height="161" /></p>
<p>
<p id="fn1"><sup>1</sup> <em>Shem Hamphoras</em> &#8211; hebraico para &#8220;nome oculto&#8221; ou &#8220;nome impronunciável&#8221;: o nome secreto de Deus. Lutero escreveu este panfleto motivado pelo conteúdo do livro de Purchetus, que acusava os judeus de alegarem que Jesus usou o nome secreto de Deus, em conjunção com artes mágicas, para realizar os seus milagres.</p>
<p>Veja também:</p>
<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-solucao-final-de-lutero/">A solução final de Lutero</a></p>
<p><a href="http://chgs.umn.edu/histories/otherness/index.html">Visualizando o outro: Representações de judeus na Alemanha Nazista</a><br /><a href="http://tinyurl.com/c6j97"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/bits/arianoxjudeu.jpg" title="" alt="" width="175" height="126" /></a></p>
<div class='series_toc'><h3>Shem Hamphoras</h3><ol><li>Lutero alerta os alemães</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/o-nome-de-deus-em-maos-erradas/' title='O nome de Deus em mãos erradas'>O nome de Deus em mãos erradas</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Aventura tenebrosa</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2005 10:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Jurássicas]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Num caderno (de recuperação?) da quarta série, numa tarde da última semana de setembro de 1977, escrevi o que pode ter sido a minha primeira história de terror (mas nem de longe a última). Eu havia acabado de completar dez anos; já havia assistido Guerra Nas Estrelas mas demoraria outros dez anos antes de ler [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num caderno (de recuperação?) da quarta série, numa tarde da última semana de setembro de 1977, escrevi o que pode ter sido a minha primeira história de terror (mas nem de longe <a href="http://www.baciadasalmas.com/?p=664">a última</a>). Eu havia acabado de completar dez anos; já havia assistido <em>Guerra Nas Estrelas</em> mas demoraria outros dez anos antes de ler H. P. Lovecraft.</p>
<p>Fica provado também que sempre gostei de finais dúbios.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tenebrosa00.jpg" alt="" width="400" height="296" /></p>
<p>
<p style="padding-left:4em;">Numa noite tempestuosa, quando trovejava e relampejava, numa estrada lamacenta e num lugar realmente tenebroso, um viajante perdido, sem casa e sem rumo, avista um grande castelo. A princípio sente medo, mas pela chuva e pelo vento ele é obrigado a entrar.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;">O ruído da porta faz passar um arrepio por sua gélida espinha. Ao entrar vê armaduras, móveis e uma escada. Lá em cima, uma porta. Ali, naquele instante, se sentiu observado.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;">Começa a ouvir gargalhadas tenebrosas. Instintivamente abre a porta. É a sala de armas.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;">No meio da sala, Uma guilhotina. A lâmina sobe e desce várias vêzes.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;">&#8211; Socorro! Socorro! Socorro! e desce rápidamente a escada.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;">&#8211; Você nunca sairá daqui! Ah! Ah! Ah! Ah!</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;">Ele corre a porta desesperadamente. Trancada. Arranja uma espada. Uma armadura se levanta. Uma espetada em seu pescoço faz sua cabeça cair. Fica tudo <del>escura</del> <ins>escuro</ins>. A porta abre-se lentamente. A tempestade passou. Sobre a escorregadia estrada, relembrava a estranha aventura.</p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" />
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tenebrosa01.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/thumb-tenebrosa01.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="112" height="160" /></a> <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tenebrosa02.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/thumb-tenebrosa02.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="113" height="160" /></a></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/tenebrosa03.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/thumb-tenebrosa03.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="158" height="160" /></a></p>
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		<title>MEUS PRIMEIROS E ÚLTIMOS SONETOS: Picapau Amarelo</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Sep 2005 09:17:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[«Picapau Amarelo» Dele recordo: Dona benta;Uma velha, meio criançaQuando ela senta,A cadeira quase «dança». Visconde e Emilia; um sabugoque só pensa no estudo,Uma bonecaDe todas a mais sapeca Pedrinho e Narizinho,Que só não comem três coisas;Sabão, pedra e vinho Tia Nastácia: Tem mais medo,É a melhor doceira,E a que acorda mais cedo. Leia também:MEUS PRIMEIROS [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align ="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/companheiro02.jpg" alt="" width="400" height="506" /></p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" />
<p>
<p style="text-align:center;"><strong>«Picapau Amarelo»</strong></p>
<p>
<p style="padding-left:5em;">Dele recordo: Dona <em>benta</em>;<br />Uma velha, meio criança<br />Quando ela senta,<br />A cadeira quase «dança».</p>
<p>
<p style="padding-left:5em;">Visconde e <em>Emilia</em>; um sabugo<br />que só pensa no estudo,<br />Uma boneca<br />De todas a mais sapeca</p>
<p>
<p style="padding-left:5em;">Pedrinho e Narizinho,<br />Que só não comem três coisas;<br />Sabão, pedra e vinho</p>
<p>
<p style="padding-left:5em;">Tia <em>Nastácia</em>: Tem mais medo,<br />É a melhor doceira,<br />E a que acorda mais cedo.</p>
<p align ="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/companheiro03.jpg" alt="" width="400" height="547" /></p>
<p>Leia também:<br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=581">MEUS PRIMEIROS E ÚLTIMOS SONETOS: Ó Patria Amada</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>MEUS PRIMEIROS E ÚLTIMOS SONETOS: Ó Patria Amada</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Aug 2005 09:38:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Achei há algum tempo, soterrado numa caixa, um antiqüissimo caderno de &#8220;charadas, poesias, histórias e piadas&#8221; com meu nome &#8211; sem data, mas de quando eu deveria ter cerca de dez anos de idade. Neste caderninho estão, descobri, alguns dos primeiros e talvez os últimos sonetos que escrevi. Separei uma ou duas dessas lamentáveis memoráveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Achei há algum tempo, soterrado numa caixa, um antiqüissimo caderno de &#8220;charadas, poesias, histórias e piadas&#8221; com meu nome &#8211; sem data, mas de quando eu deveria ter cerca de dez anos de idade. Neste caderninho estão, descobri, alguns dos primeiros e talvez os últimos sonetos que escrevi. Separei uma ou duas dessas <del>lamentáveis</del> <ins>memoráveis</ins> experiências para deixar aqui na Bacia.</p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" />
<p>
<p style="text-align:center;"><strong>Ó patria amada</strong></p>
<p>
<p style="padding-left:5em;">Minha <em>patria</em> querida<br /><em>tú </em>és minha casa;<br />Sou pequena ferida<br /><em>Parace</em> um prato que <em>vasa!</em></p>
<p>
<p style="padding-left:5em;">Ó <em>patria</em> amada<br />do meu peito varonil<br />Tu és uma fada,<br />E eu sou um vil</p>
<p>
<p style="padding-left:5em;">Tu tens uma bandeira,<br />Verde amarelo azul; Verde:<br />Palmeira, côco, parreira</p>
<p>
<p style="padding-left:5em;">Amarelo: couve e cenoura<br />e <em>pare</em> seus braços espanar,<br />Uma escova, uma vassoura</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Matutino da Casa, Nr.2 Ano 1</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Mar 2005 08:50:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Família]]></category>

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		<description><![CDATA[A Bacia não é nem de longe o primeiro empreendimento jornalístico em que o Brabo está envolvido. Quando morávamos ainda na casa da rua Florianópolis em Londrina (ou seja, o ano tem de ser antes de 1978) eu e minhas irmãs, sob a liderança inquieta da Alice (que mais tarde estudaria Jornalismo na Federal do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/matunum2.jpg" alt="" width="278" height="400" /></p>
<p>A Bacia não é nem de longe o primeiro empreendimento jornalístico em que o Brabo está envolvido. Quando morávamos ainda na casa da rua Florianópolis em Londrina (ou seja, o ano tem de ser antes de 1978) eu e minhas irmãs, sob a liderança inquieta da Alice (que mais tarde estudaria Jornalismo na Federal do Paraná) lançamos uma série de periódicos de consumo interno e vida curta.</p>
<p>O único desses dos quais sobreviveram alguns números foi o seminal <em>Matutino da Casa</em>. Agora você pode ler na íntegra, com exclusividade na Bacia das Almas, o único exemplar sobrevivente (acredite, fazíamos mais de um) do número 2 (o número 1, talvez misericordiosamente, se perdeu).</p>
<p>De maior interesse são, talvez, os impagáveis classificados da página 6 (na página 7 há um desenho meu). Há um totalmente incompreensível artigo de minha autoria, sobre política doméstica, na página 4, e as amenas notícias sociais (&#8220;a mãe esta semana estava boazinha&#8221;) estão na página 3.</p>
<p>Os exemplares do <em>Matutino da Casa</em> era manuscritos artesanalmente nas folhas de papel que estivessem mais à mão. A ilustração do planeta Terra é minha. A letra das páginas 5 e 6 é da Isa; do restante das páginas, da Alice. Minha letra, com todo acerto, não era considerada madura o suficiente.</p>
<p><iframe class="scribd_iframe_embed" src="http://www.scribd.com/embeds/59809674/content?start_page=1&#038;view_mode=slideshow&#038;access_key=key-yt332mv5e76scxfgyn1" data-auto-height="true" data-aspect-ratio="1.41666666666667" scrolling="no" id="doc_35024" width="100%" height="600" frameborder="0"></iframe><script type="text/javascript">(function() { var scribd = document.createElement("script"); scribd.type = "text/javascript"; scribd.async = true; scribd.src = "http://www.scribd.com/javascripts/embed_code/inject.js"; var s = document.getElementsByTagName("script")[0]; s.parentNode.insertBefore(scribd, s); })();</script></p>
<div class='series_toc'><h3>O Matutino da Casa</h3><ol><li>Matutino da Casa, Nr.2 Ano 1</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2006/o-matutino-da-casa-nr3-ano-1/' title='Matutino da Casa, Nr.3 Ano 1'>Matutino da Casa, Nr.3 Ano 1</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>1926, Appoio moral</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2004 09:38:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divino preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim como foi pela fraqueza da mulher que Satanaz logrou arruinar a raça, assim outra vez, no fim dos seculos, o mesmo inimigo está fazendo seu esforço derradeiro &#8211; pelas mulheres. O grande paradoxo do cristianismo é que os mesmos que professam-se seguidores daquele que disse &#8220;não julgueis para que não sejais julgados&#8221; (Mateus 7:1) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/sinaldostempos.jpg"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/sinaldostempos_t.jpg" title="Clique para ampliar" alt="Clique para ampliar" width="291" height="400" /></a></p>
<blockquote><p>Assim como foi pela fraqueza da mulher que Satanaz logrou arruinar a raça, assim outra vez, no fim dos seculos, o mesmo inimigo está fazendo seu esforço derradeiro &#8211; pelas mulheres.</p></blockquote>
<p>O grande paradoxo do cristianismo é que os mesmos que professam-se seguidores daquele que disse &#8220;não julgueis para que não sejais julgados&#8221; (Mateus 7:1) mostram-se (na maioria histórica das vezes) os primeiros a emitir os julgamentos mais mesquinhos, preconceituosos, precipitados e injustos &#8211; e não acham dificuldade em encontrar outros crentes que se apressem em concordar com esses seus julgamentos.</p>
<blockquote><p>Esta ultima manifestação do desequilibrio feminino &#8211; de <em>cortar os cabellos</em> &#8211; é das peiores e das mais significantes.</p></blockquote>
<p>O grande paradoxo do cristianismo é que historicamente a ninguém mais do que os cristãos aplicam-se as críticas e advertências ferozes que Jesus promulgou contra os fariseus, que davam &#8220;o dízimo da hortelã, do endro e do cominho&#8221;, mas negligenciavam &#8220;o mais importante da lei: a justiça, a misericórdia e a fé&#8221; (Mateus 23:23) &#8211; isto é, preocupavam-se com ninharias ao mesmo tempo em que davam as costas à essência da mensagem: &#8220;coavam o mosquito e engoliam o camelo&#8221; (Mateus 23:24).</p>
<blockquote><p>Não deixa de ser um revolta, uma espécie de Bolchevismo feminino.</p></blockquote>
<p>As tentações do cristão não são, aparentemente, as paixões da carne, mas as do espírito: tolerar o erro em si mesmos e condená-lo sem misericórdia nos outros; confundir os sinais da passagem do tempo com sinais dos fins dos tempos; desonrar a memória do seu Mestre recusando-se a aprender de fato com ele; manchar a obra do seu Salvador usurpando o papel que ele mesmo permanece adiando assumir, o de Condenador e Juiz.</p>
<blockquote><p>O evangelho emancipou a mulher, mas não a livrou do castigo do Éden.</p></blockquote>
<p>Leia o <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/sinaldostempos.jpg">texto completo</a> da carta de 1926 da qual extraí as passagens em destaque acima. </p>
<p>Curioso é que um cristão <em>evangelicamente correto</em> dos dias de hoje fatalmente julgará os argumentos e as conclusões do autor da carta muito rasos, obtusos e inconsistentes à luz da mensagem mais abrangente da Bíblia; ignoro se seremos capazes de avaliar tão rigorosamente e com tamanha lucidez os nossos próprios julgamentos &#8211; hoje.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug023.gif" alt="" width="67" height="150" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Manual da futura dona de casa</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Sep 2004 09:06:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Homens e Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Você sabe&#8230; &#8230; que a cozinha tem seus encantos?&#8230; que mamãe se sentirá bem feliz em ter uma filha prestimosa?&#8230; fritar um ovo?&#8230; que os seus cabelos são lindos, mas na sua cabeça?&#8230; que a personalidade da mulher se fortaleceu e ela ingressou em outros campos sem deixar muitas vezes o setor doméstico?&#8230; a diferença [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Você sabe&#8230;</strong></p>
<p>&#8230; que a cozinha tem seus encantos?<br />&#8230; que mamãe se sentirá bem feliz em ter uma filha prestimosa?<br />&#8230; fritar um ovo?<br />&#8230; que os seus cabelos são lindos, mas na sua cabeça?<br />&#8230; que a personalidade da mulher se fortaleceu e ela ingressou em outros campos sem deixar muitas vezes o setor doméstico?<br />&#8230; a diferença entre <em>guarnecer</em> e <em>polvilhar?</em><br />&#8230; que pode preparar-se para o futuro, para quando for uma dona de casa de verdade?</p>
<p>Não??? Você precisa então do MANUAL DA FUTURA DONA DE CASA, elaborado pelo Centro Nestlé de Economia Doméstica. Agora disponível ONLINE na sua Bacia das Almas, onde as massas cinzentas não descansam antes de ir para o forno.</p>
<p><center><br />
	<object width="576" height="380"><param name="flashvars" value="offsite=true&#038;lang=en-us&#038;page_show_url=%2Fphotos%2Fpaulobrabo%2Fsets%2F72157625689445843%2Fshow%2F&#038;page_show_back_url=%2Fphotos%2Fpaulobrabo%2Fsets%2F72157625689445843%2F&#038;set_id=72157625689445843&#038;jump_to="></param><param name="movie" value="http://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=71649"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=71649" allowFullScreen="true" flashvars="offsite=true&#038;lang=en-us&#038;page_show_url=%2Fphotos%2Fpaulobrabo%2Fsets%2F72157625689445843%2Fshow%2F&#038;page_show_back_url=%2Fphotos%2Fpaulobrabo%2Fsets%2F72157625689445843%2F&#038;set_id=72157625689445843&#038;jump_to=" width="576" height="380"></embed></object><br />
</center></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><iframe src="http://www.flickr.com/search/show/?q=manual+da+futura+dona+de+casa&#038;ss=2m" style="border: medium none ; overflow: hidden" allowtransparency="true" align="center" frameborder="0" height="380" scrolling="no" width="576"></iframe></p>
<p><i><em></i><i></em></i><i><em></i></em>__</p>
<p>Vale lembrar que o ano aqui é 1962. Meros 20 anos antes, os Estados Unidos haviam acabado de decidir <em>entrar</em> na Segunda Guerra Mundial. Meros 20 anos depois, eu já estudava com o Paulo Henrique no <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=48">Luiz Zuiani</a>. O tempo é uma vertigem.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug002.gif" alt="" width="30" height="34" /></p>
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		<title>1936, Plínio Salgado: Carta aos inconscientes</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2004 09:08:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Plínio Salgado era, por tudo que se sabe, um sujeito bem-intencionado. O escritor e sociólogo participou ativamente da Semana de 22, publicou um romance que ergueu-o por diversos anos ao posto de figura mais proeminente do Modernismo brasileiro, foi Deputado Estadual e membro da Academia Brasileira de Letras; católico zeloso, escreveu uma reverente Vida de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/bits/1936-carta-salgado_t.gif" alt="" width="125" height="168" /></p>
<p>Plínio Salgado era, por tudo que se sabe, um sujeito bem-intencionado. O escritor e sociólogo participou ativamente da Semana de 22, publicou um romance que ergueu-o por diversos anos ao posto de figura mais proeminente do Modernismo brasileiro, foi Deputado Estadual e membro da Academia Brasileira de Letras; católico zeloso, escreveu uma reverente <em>Vida de Jesus</em>  &#8211; que, pelo tamanho do volume que vi na casa do meu tio João, tem de ser mais extensa do que o próprio Novo Testamento. Mesmo anos depois que o movimento político que deflagrou virou estigma e perdeu todo destaque que teve no cenário nacional, nada no seu currículo deixa entrever que Plínio Salgado tenha agido de má-fé.</p>
<h5>&#8220;A direita é a união sagrada em torno da Bandeira da Pátria, das tradições nacionaes, é a virtude, é a castidade, é o heroísmo, é a religiosidade, é a delicadeza de sentimentos, é o pudor individual e collectivo, é o sacrifício, é a honra de uma nação.&#8221;</h5>
</p>
<p>Em 1932, dois anos depois de uma viagem à Europa na qual conheceu o fascismo italiano e encontrou-se com Mussolini, <a href="http://www.integralismo.com.br">Salgado</a> fundou a Ação Integralista Brasileira &#8211; uma contrapartida tupiniquim dos movimentos fascistas europeus. Embora sustentasse algumas idéias poderosas e originais e apresentasse o Integralismo como &#8220;a última expressão do espírito bandeirante&#8221;, é tentador enxergar o movimento integralista como uma aventura cabocla calcada na máquina ideológica de <a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=53">Hitler</a> &#8211; completa com suas próprias versões da <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/bits/integralismo-bandeira.jpg">suástica</a>, da <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/bits/intergralismo-saudacao.jpg">saudação nazista</a>, dos <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/bits/integralismo-desfile.jpg">ambiciosos desfiles</a>, do antisemitismo (veja a menção aos &#8220;livrecos enviados pela França judaizada&#8221;, na página 3 da Carta abaixo) e da <a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/bits/integralismo-juventude.gif">Juventude Hitlerista</a>.</p>
<p>Os integralistas defendiam, como os nazistas, um discurso político muito peculiar: entre outras coisas, eles eram radicalmente contra os comunistas-marxistas, contra a democracia liberal e contra o capitalismo. </p>
<p>Encontrei esta <em>Carta aos inconscientes</em> entre os documentos do meu tio-avô Reynaldo Purim.</p>
<p><span id="more-133"></span></p>
<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/bits/1936-carta-salgado-01.gif">Clique para ver as páginas 1 e 4</a></p>
<p><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2004/bits/1936-carta-salgado-02.gif">Clique para ver as páginas 2 e 3</a></p>
<h5>&#8220;Chamam-n&#8217;os de extremistas. Não somos extremistas da ambição e da violência mas somos extremistas da dignidade do Brasil. Somos extremistas em nosso amor a Deus. Somos extremistas no culto das virtudes.&#8221;</h5>
</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug019.gif" alt="" width="33" height="52" /></p>
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