O mundo ao reverso (e outros versos)

Nada é mais sério do que uma festa: nada concilia e emblema melhor a dupla paixão humana pela liberdade por um lado e pelo ritual por outro. Uma festa é um dia programado para ser fora do programa, e essa contradição encarna mais do que qualquer outro aspecto da cultura os contrastes da condição humana.

Os antropólogos entenderam há muito tempo o engano que seria continuar dividindo festas populares entre sagradas e profanas, visto que cada festa que encontrou ocasião de se entremear no calendário das gentes celebra a seu modo uma entrada no domínio do que não pode ser dito, visto ou explicado: o domínio do sagrado, que só pode

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A peleja do Carnaval com a Quaresma

Óleo de Pieter Bruegel, datado 1559.

Esse título – A peleja do Carnaval com a Quaresma, – ainda que o li pela primeira vez esta manhã, é o subtítulo que a Bacia nasceu para ter.

Na tradição europeia, o Carnaval era a temporada de excessos e glutonaria que precedia a temporada de austeridade e jejuns que culminava na Páscoa. Em alguns casos a oposição era celebrada ostensivamente num festival (de Carnaval), em que Carnaval e Quaresma, personificados, batalhavam pela alma do povo.

A necessária reviravolta: entrou em cena a Reforma, e ambos os lados perderam.


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