Manuscritos estocados sob a rubrica 'Grandes Navegações'
24 de Setembro de 2007

Realidade virtual

Grandes Navegações

Este documento contém recursos que só podem ser vizualizados na página da Bacia na internet.

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[3] Veja outros panoramas virtuais no sáite viewat.org.

05 de Maio de 2007

Os blogs do eterno retorno

Grandes Navegações

Há alguns dias o Lou, precipitadamente como em tudo que faz, agraciou a Bacia com o Thinking Blog Award – o prêmio de Blog Pensante. Como se sabe, não tenho a fibra moral de passar adiante corrente alguma, mesmo as mais generosas e lisonjeiras, porém a gentileza do Lou não deve passar em brancas nuvens.

O Thinking Blog Award foi idealizado para promover “a divulgação de blogues que nos fazem pensar, que nos transmitem ideias, pensamentos…” Forçado a pensar nisso, tive de reconhecer que não tenho verdadeiro interesse por sáites pensantes no sentido mais estrito do termo. Minha verdadeira paixão (na net e em geral) é por conteúdo que me ajuda a elaborar minhas próprias idéias (isto é, conteúdo que me faz pensar), e em geral faço isso com mais facilidade quando a outra pessoa não está pensando. Reflexões me interessam menos que narrativas, imagens e fragmentos de informação.

Dito isso, meus interesses e leituras virtuais são – como em tudo que faço, como minhas leituras e projetos pessoais, como a Bacia – ecléticos e dispersivos. Minha página no netvibes remetem a conteúdo sobre discos voadores, generalidades, softwares de desenho, programas gratuitos e de código aberto, música, ilustração, páginas de história, arte, biologia, neurologia, ficção científica, cinema, arte experimental, ateístas sensatos, crentes insensatos, tecnologia, informática, animação e amigos.

Resolvi mencionar, no entanto, a quem interessar possa, os cinco blogs a que mais volto – os blogs do eterno retorno. Os cinco me fazem pensar e refletem minhas obsessões, mas em comprimentos de onda tão distintos que sua menção na mesma página pode causar confusão nas constituições mais delicadas.

Com vocês, então, em ordem crescente de assombro, os blogs que assombram o Brabo:

5º lugar: Donation Coder Blog

Sim, tenho um lado geek – um lado grande. Donation Coder é uma comunidade de programadores e geeks que reúne-se embevecida ao redor dos autores da que talvez seja a mais notável coleção de programas gratuitos da internet. O blog remete às discussões mais interessantes do agitado fórum de discussão da comunidade.

http://www.donationcoder.com/blog/

4º lugar: Um lugar para quem acredita que acredita

Se há um blog pensante que apesar disso me atrai irreversivelmente é o do Elienai, um homem que amo sem nunca ter conhecido pessoalmente e que embora seja pastor é tremendamente sensato e gente boa. A originalidade desse sujeito é vertiginosa, sua compaixão sem tamanho. O homem que revelou-me que morremos por socorro divino terá por todas as eternidades a minha reverente admiração.

http://elienaijr.wordpress.com

3º lugar: Talk to Action

Um blog colaborativo sobre os abusos e barbaridades perpetrados pela direita fundamentalista norte-americana. É ali que encontro pérolas como o jogo de computador da série Deixados para trás e singelezas como God Hates the World. Um blog semelhante é o Bartholomew Notes On Religion.

http://www.talk2action.org

2º lugar: BibliOdissey

Bendito seja Peacay, autor do BibliOdissey. Alá o recompense, ó Deleite do Profeta e Protetor dos Pobres! Que as Peris do Paraíso sejam gentis com quem poupa os internautas da solidão de Eblis! Que todos os teus ancestrais se banqueteiem com os sultãos pré-adamitas, e tornem-se todos os teus filhos califas de opulentos impérios além do Oriente!

Já escrevi sobre o Bibliodissey e voltarei inevitavelmente a fazê-lo.

http://bibliodyssey.blogspot.com

1º LUGAR: WFMU’S BEWARE OF THE BLOG

A internet é grande, mas nenhum outro destino me atrai tanto quanto este blog colaborativo dos DJs e colaboradores da WFMU, uma rádio independente da região de Nova Iorque e do vale do Hudson. Eclético, inclassificável, experimental, vertiginoso, diferente.

Recomendado em altas doses.

http://blog.wfmu.org

24 de Outubro de 2006

BibliOdissey

Grandes Navegações

“If it looks like I know anything
then the mirrors are working.”

Meu relacionamento com a internet é circular: percorro maravilhado o labirinto, mas há destinos a que volto sempre. Para o amante de livros em mim (e estarei mentindo se der a entender que exista em mim outro), nenhum desses – absolutamente nenhum – compete em exuberância e fascínio com o sáite BibliOdissey.

Vertiginoso é adjetivo que se deveria reservar para experiências como o BibliOdissey. Repositório de links, galeria de imagens históricas, coleção de curiosidades, altar bibliófilo, armazém paraliterário: BibliOdissey é um blog para bibliófilos hedonistas – e como se sabe, todo bibliófilo é hedonista. A plaquinha diz apenas Books ~~ Illustrations ~~ Science ~~ History ~~ Visual Materia Obscura ~~ Eclectic Bookart – e penso que a descrição seja essencialmente justa.

Mas o amante de livros não ignora que um livro não é apenas livro, é fetiche: quem pensa que falar de livros é falar apenas do espírito não cheirou jamais o amarelado perfume de um sebo, não sentiu o afago da gaze que une duas capas duras. BibliOdissey existe para cartografar na rede esse aspecto sensorial da experiência literária, o improvável rastro que livros de verdade deixam na irreal internet. Ali estão o desenho da capa, a pressão dos tipos sobre o papel, o formato das fontes, as curvas das iniciais, as filigranas das caligrafias, os ornamentos de fim de página e as gravuras – especialmente as gravuras (quem mais teria me remetido a jóias como o Flora Brasiliensis ou às gravuras que ilustram O Rico e seu Camelo?).

Muitas vezes penso o que estou fazendo atualizando a Bacia quando deveria estar me refestelando no BibliOdissey. Não me intriga menos que meus leitores não estejam fazendo percurso semelhante.

* * *

O blog BibliOdissey
Os arquivos anotados de BibliOdissey

Veja também:
O alfabeto de Basolis
A anatomia de um pigmeu

BibliOdissey

13 de Maio de 2006

“Araucaria brasiliana” na Flora brasiliensis

Grandes Navegações, História

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Flora brasiliensis

Flora brasiliensis

Flora brasiliensis

O pinheiro-do-paraná, com grinfas, pinhas e pinhões, conforme descrito na obra Flora brasiliensis, produzida entre 1840 e 1906 pelos editores Carl Friedrich Philipp von Martius, August Wilhelm Eichler e Ignatz Urban, com a participação de 65 especialistas de vários países. Flora brasiliensis contém tratamentos taxonômicos de 22.767 espécies de angiospermas brasileiras, reunidos em 15 volumes, divididos em 40 partes, com um total de 10.367 páginas. Até hoje a Flora brasiliensis, que recebeu apoio financeiro do Imperador Ferdinando I da Áustria, do Rei Ludovico I da Baviera e do nosso Dom Pedro II, é a única obra a [procurar] mapear a flora completa do Brasil.

Imagens extraídas do impecável sáite florabrasiliensis, que traz o conteúdo integral da obra, incluindo uma interessante introdução histórica. No sáite você pode inquirir as imagens em alta resolução, com opções de zoom e slideshow, e baixar até dez páginas por vez em formato PDF. De especial interesse parecem ser as pranchas do Volume I, que ilustram a vegetação das diferentes áreas geográficas do Brasil e contém preciosidades como esta árvore imensa sendo abraçada por mais de dez homens:

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Both em português and in English.

Flora brasiliensis

29 de Março de 2006

Agência Eureka

Grandes Navegações

Uma das primeiras coisas que aprendi lendo Borges é que os bons livros tem a extraordinária virtude adicional de indicar outros bons livros e autores. A excelência é generosa e aponta sempre para fora.

Os sáites da internet têm, naturalmente, o mesmo defeito e a mesma virtude. A oferta é tanta que fica difícil garimpar a excelência; mas basta encontrar uma única pérola para encontra o mapa do tesouro.

O notabilíssimo Giornale Nuovo apresentou-me, por exemplo, ao vertiginoso BibliOdissey, que por sua vez conduziu-me à indecifrável Agência Eureka, que estou indicando agora.

Nada sei sobre a Agência, a não ser que é pilotada pela adorável Pita de seu posto privilegiado na província de Ródano-Alpes, na França – onde mora (aparentemente só) numa casa com paredes amarelas e portas verdes com uma gata chamada (creia-me) Mimi. No que me diz respeito, poucos sáites da internet são mais irresistíveis do que a Agência – que já me custou tantas horas de prazer ilícito que posso ter de processar a Pita por causa disso.

Há aqui tudo que é nostálgico, retrô, kitsch, antiquado, de bibelô, arquetípico, cheirando a guardado. Fotos de artistas de cinema, cartões postais, bonecas de papel, livros infantis, gravuras, ilustrações, anúncios de revista, moda, perfume, folhetos turísticos, decalcomanias: tudo deliciosamente clicável, levando sempre a versões maiores, e com links preciosos para as coleções originais. A Agência é uma atordoante e aleatória (por isso completa) coleção das efêmeras artes visuais da primeira (e única) metade do século XX.

Veja com seus próprios olhos e não diga que não avisei:
Agência Eureka

Depois de conferir a página principal certifique-se de devassar os generosos arquivos (acessíveis no sáite pela coluna da direita).

* * *

Pita tem também um repositório de imagens aqui.