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	<title>A Bacia das Almas &#187; Heresias Sensacionais</title>
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	<description>Onde as ideias não descansam</description>
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		<title>Eu mesmo sepultarei Jesus</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 03:01:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[jesus]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. Faça-se puro, meu coração Eu mesmo sepultarei Jesus. Pois daqui em diante ele em mim Mais e mais Repousará docemente. Mundo: fora! Deixe Jesus entrar. Karl Richter, Walter Berry, Bach, e neles toda a humanidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>Faça-se puro, meu coração<br />
Eu mesmo sepultarei Jesus.<br />
Pois daqui em diante ele em mim<br />
Mais e mais<br />
Repousará docemente.<br />
Mundo: fora! Deixe Jesus entrar.</p>
<table border="0" height="640" width="570" align="center" bordercolorlight="White" bordercolordark="White" bgcolor="Black" bordercolor="Black" >
<tr>
<td>
<p align="center"><object width="560" height="368"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/SguNpDynB2k&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/SguNpDynB2k&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;rel=0&#038;color1=0x3a3a3a&#038;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="368"></embed></object></p>
<p><center><span style="color: #565641; font-family: Arial;"><small>Karl Richter, Walter Berry, Bach, e neles toda a humanidade.</span</small></center></p>
</td>
</tr>
</table>
<p>Mache dich, mein Herze, rein,<br />
ich will Jesum selbst begraben.<br />
Denn er soll nunmehr in mir für und für<br />
seine süße Ruhe haben.<br />
Welt, geh aus, laß Jesum ein!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Formas de uma lenda</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Feb 2008 07:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Traduzindo Borges]]></category>
		<category><![CDATA[borges]]></category>
		<category><![CDATA[folclore]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Às pessoas causa repugnância ver um ancião, um enfermo ou um morto, porém estão sujeitas à morte, às enfermidades e à velhice; o Buda declarou que esta reflexão o induziu a abandonar sua casa e seus pais e vestir a roupa amarela dos ascetas. O testemunho consta em um dos livros do cânone; outro registra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Às pessoas causa repugnância ver um ancião, um enfermo ou um morto, porém estão sujeitas à morte, às enfermidades e à velhice; o Buda declarou que esta reflexão o induziu a abandonar sua casa e seus pais e vestir a roupa amarela dos ascetas. O testemunho consta em um dos livros do cânone; outro registra a parábola dos cinco mensageiros secretos enviados pelos deuses; são um louco, um ancião recurvado, um inválido, um criminoso em tormentos e um morto, e avisam que nosso destino é nascer, caducar, enfermar, sofrer justo castigo e morrer. O Juiz das Sombras (na mitologia do Hindustão Yama desempenha esse cargo, porque foi o primeiro homem que morreu) pergunta ao pecador se não viu os mensageiros; este admite que sim, porém não foi capaz de decifrar o aviso; os carrascos o encerram numa casa que está cheia de fogo. Quiçá o Buda não tenha inventado essa ameaçadora parábola; baste-nos saber que a proferiu (<em>Majihima nikaya</em>, 130) e que jamais a vinculou, talvez, à sua própria vida.</p>
<p>A realidade pode ser demasiado complexa para a transmissão oral; a lenda a recria de uma maneira que apenas acidentalmente é falsa e que a permite andar pelo mundo, de boca em boca. Na parábola e na declaração figuram um homem velho, um homem enfermo e um homem morto; o tempo fez dos dois textos um e forjou, confundindo-os, uma outra história.</p>
<p>Siddharta, o Bodhisattva, o pré-Buda, é filho de um grande rei, Suddhodana, da estirpe do sol. Na noite de sua concepção a mãe sonha que em seu lado direito entra um elefante, da cor da neve e com seis dentes de marfim<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/formas-de-uma-lenda/#footnote_0_1477" id="identifier_0_1477" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Este sonho &eacute;, para n&oacute;s, uma mera fealdade. N&atilde;o &eacute; assim para os hindus: o elefante, animal dom&eacute;stico, &eacute; s&iacute;mbolo de mansid&atilde;o; a multiplica&ccedil;&atilde;o de dentes de marfim n&atilde;o tem como incomodar os espectadores de uma arte que, para sugerir que Deus &eacute; o todo, lavra figuras de m&uacute;ltiplos bra&ccedil;os e rostos; o seis &eacute; n&uacute;mero habitual (seis vias de transmigra&ccedil;&atilde;o; seis Budas anteriores ao Buda; seis pontos cardeais, contando o z&ecirc;nite e o nadir: seis divindades que o Yajurveda chama de as seis portas de Brahma).">1</a></sup>. Os adivinhos interpretam que seu filho reinará sobre o mundo ou fará girar a roda da doutrina<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/formas-de-uma-lenda/#footnote_1_1477" id="identifier_1_1477" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Esta met&aacute;fora pode ter sugerido aos tibetanos a inven&ccedil;&atilde;o das m&aacute;quinas de rezar, rodas ou cilindros que giram ao redor de um eixo, cheias de tiras de papel enroladas nas quais se repetem palavras m&aacute;gicas. Algumas s&atilde;o manuais; outras s&atilde;o como grandes moinhos, e move-as a &aacute;gua e o vento.">2</a></sup> e ensinará aos homens como livrarem-se da vida e da morte. O rei prefere que Siddartha conquiste grandeza temporal e não eterna, e encerra-o num palácio do qual foram removidas todas as coisas que podem revelar-lhe que é corruptível. Vinte e nove anos de ilusória tranqüilidade transcorrem dessa forma, dedicados à satisfação dos sentidos, porém Siddharta, certa manhã, sai em seu coche e vê com espanto um homem recurvado, &#8220;cujo cabelo não é como o dos outros, cujo corpo não é como o dos outros&#8221;, que se apóia num bastão para caminhar e cuja carne treme. Pergunta que homem é esse; o cocheiro explica que é um ancião e que todos os homens da terra serão como ele. Siddharta, inquieto, dá ordem que retornem imediatamente, porém em outra saída vê um homem a quem devora a febre, cheio de lepra e de úlceras; o cocheiro explica que é um enfermo e que ninguém está a salvo desse perigo. Em outra saída vê um homem que levam num féretro, esse homem imóvel é um morto, explicam, e morrer é a lei de todo que nasce. Em outra saída, a última, vê um monge das ordens mendicantes que não deseja viver nem morrer. A paz está em seu rosto; Siddharta encontrou o caminho.</p>
<h5>A lenda determinou que o Buda fosse canonizado por Roma.</h5>
<p>Hardy (<em>Der Buddhismus nach älteren Pili-Werken</em>) aplaudiu o colorido desta lenda; um ideólogo contemporâneo, A. Foucher, cujo tom de gracejo nem sempre é inteligente ou urbano, escreve que, admitida a ignorância prévida do Bodhisattva, a história não carece de gradação dramática nem de valor filosófico. No princípio do século V da nossa era o monge Fa-Hien peregrinou aos reinos do Hindustão em busca dos livros sagrados e viu as ruínas da cidade de Kapilavastu e quatro imagens erigidas por Asoka, ao norte, ao sul, ao este e ao leste das muralhas, para celebrar os encontros. No princípio do século VII um monge cristão redigiu a novela que se entitula <em>Barlaam y Josafat</em>; Josafat (Josafat, Bodhisattva) é filho de um rei da Índia; os astrólogos predizem que um dia reinará sobre um reino maior, que é o da Glória: o rei encerra-o num palácio, porém Josafat descobre a desafortunada condição dos homens através das espécies de um cego, de um leproso e de um moribundo e é convertido finalmente à fé pelo ermitão Barlaam. Esta versão cristã da lenda foi traduzida para diversos idiomas, inclusive o holandês e o latim; a pedido de Hákon Hákonarson produziu-se na Islândia, em meados do século XIII, uma <em>Barlaams saga</em>. O cardeal César Baronio incluiu Josafat em sua revisão (1585-1590) do Martirológio Romano; em 1615 Diego de Couto denunciou, em sua continuação das Décadas, as analogias da fingida fábula indiana com a verdadeira e piedosa história de São Josafat. Tudo isso e muito mais achará o leitor no primeiro volume de <em>Origenes de la novela</em> de Menéndez y Pelayo.</p>
<p>A lenda que em terras ocidentais determinou que o Buda fosse canonizado por Roma tinha, no entanto, um defeito: os encontros que postula são eficazes mas são também incríveis. Quatro saídas de Siddharta e quatro figuras didáticas não condizem com os hábitos do azar. Menos atentos ao estético do que à conversão das massas, os doutores quiseram justificar essa anomalia; Koeppen (<em>Die Religion des Buddha</em>, I, 82) anota que na última versão da lenda o leproso, o morto e o monge são simulacros que as divindades produzem para instruir Siddhartha. Assim, no terceiro livro da epopéia sânscrita <em>Buddhacarita</em> está dito que os deuses criaram um morto e que nenhum homem o viu enquanto era levado, a não ser o cocheiro e o príncipe. Numa biografia legendária do século XVI as quatro aparições são metamorfoses de um deus (Wieger: <em>Vies chinoises du Bouddha</em>, 37-41).</p>
<p>Mais longe havia ido o <em>Lalitavistara</em>. Dessa compilação de prosa e verso, escrita num sânscrito impuro, é costume falar com algum sarcasmo; em suas páginas a história do Redentor infla-se até a opressão e até a vertigem. O Buda, a quem rodeiam doze mil monges e trinta e dois mil Bodhisattvas, revela o texto da obra dos deuses; do quarto céu fixou o período, o continente, o reino e a casta em que renasceria para morrer pela última vez; oitenta mil tambores acompanham as palavras do seu discurso e há no corpo de sua mãe a força de dez mil elefantes. O Buda, neste estranho poema, dirige cada etapa de seu destino; faz com que as divindades projetem as quatro figuras simbólicas e, quando interroga o cocheiro, já sabe quem são e o que significam. Foucher vê neste rasgo um mero servilismo dos autores, que não podem tolerar que o Buda não saiba o que sabe um servente; o enigma merece, em meu entender, outra solução. O Buda cria as imagens e logo em seguida pergunta a um terceiro o sentido que encerram. Teologicamente caberia talvez contestar: o livro é da escola de Mahayana, que ensina que o Buda temporal é emanação ou reflexo de um Buda eterno; o do céu ordena as coisa, o da terra as padece e executa (nosso século, com outra mitologia ou vocabulário, fala do inconsciente). A humanidade do Filho, segunda pessoa de Deus, pôde gritar da cruz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste: O Buda, analogamente, pôde espantar-se das formas que havia criado sua própria divindade&#8230; Para desatar o problema, não são indispensáveis, ademais, tais sutilezas dogmáticas, basta recordar que todas as religiões do Hindustão, e em particular o budismo, ensinam que o mundo é ilusório. Minuciosa relação do jogo (de um Buda) representa o <em>Lalitavistara</em>, segundo Winternitz; um jogo ou um sonho é, para o Mahayana, a vida do Buda sobre a terra, que é outro sonho. Siddhartha elege sua nação e seus pais. Siddhartha lavra quatro formas que o encherão de espanto; Siddhartha ordena que outra forma declare o sentido das primeiras; tudo isso é razoável se o consideramos um sonho de Siddhartha. Melhor ainda se o considerarmos um sonho em que figura Siddhartha (da mesma forma que figuram o leproso e o monge) e que ninguém sonha, porque aos olhos do budismo do norte<sup><a href="http://www.baciadasalmas.com/2008/formas-de-uma-lenda/#footnote_2_1477" id="identifier_2_1477" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="Rhys Davids condena essa locu&ccedil;&atilde;o cunhada por Burnouf, por&eacute;m seu emprego nesta frase &eacute; menos inc&ocirc;modo que o de Grande Travessia ou Grande Ve&iacute;culo, que teriam detido o leitor.">3</a></sup> o mundo e os prosélitos e o Nirvana e a roda das transmigrações e o Buda são igualmente irreais. Ninguém se apaga no Nirvana, lemos num tratado famoso, porque a extinção de inumeráveis seres no Nirvana é como o desaparecimento de uma fantasmagoria que um feiticeiro numa encruzilhada cria por artes mágicas, e em outro lugar está escrito que tudo é mera vacuidade, mero nome, e também o livro que o declara e o homem que o lê. Paradoxalmente, os excessos numéricos do poema subtraem, não acrescentam, realidade; doze mil monges e trinta e dois mil Bodhisattvas são menos concretos que um monge e que um Bodhisattva. As vastas formas e os vastos algarismos (o capítulo XII inclui uma série de vinte e três palavras que indicam a unidade seguida de um número crescente de zeros, de 9 a 49, 51 e 53) são vastas e monstruosas bolhas de sabão, ênfases do Nada. O irreal foi assim fraturando a história; primeiro tornou fantásticas as figuras, depois o príncipe e, com o príncipe, todas as gerações e o universo.</p>
<p>No final do século XIX Oscar Wilde propôs uma variante; o príncipe feliz morre na reclusão do palácio sem ter descoberto a dor, porém sua efígie póstuma a contempla do alto do pedestal.</p>
<p>A cronologia do Hindustão é incerta; minha erudição muito mais; Koeppen e Hermann Beckh serão talvez tão falíveis quanto o compilador que arrisca esta nota; não me surpreenderia se minha história da lenda fosse ela mesma legendária, feita de verdade substancial e erros acidentais.</p>
<p><small><strong>Jorge Luis Borges</strong>, Otras Inquisiciones (1952)</small></p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_1477" class="footnote">Este sonho é, para nós, uma mera fealdade. Não é assim para os hindus: o elefante, animal doméstico, é símbolo de mansidão; a multiplicação de dentes de marfim não tem como incomodar os espectadores de uma arte que, para sugerir que Deus é o todo, lavra figuras de múltiplos braços e rostos; o seis é número habitual (seis vias de transmigração; seis Budas anteriores ao Buda; seis pontos cardeais, contando o zênite e o nadir: seis divindades que o Yajurveda chama de as seis portas de Brahma).</li><li id="footnote_1_1477" class="footnote">Esta metáfora pode ter sugerido aos tibetanos a invenção das máquinas de rezar, rodas ou cilindros que giram ao redor de um eixo, cheias de tiras de papel enroladas nas quais se repetem palavras mágicas. Algumas são manuais; outras são como grandes moinhos, e move-as a água e o vento.</li><li id="footnote_2_1477" class="footnote">Rhys Davids condena essa locução cunhada por Burnouf, porém seu emprego nesta frase é menos incômodo que o de Grande Travessia ou Grande Veículo, que teriam detido o leitor.</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>Você não acredita para onde vai</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Sep 2007 11:17:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[catolicismo]]></category>
		<category><![CDATA[purgatório]]></category>

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		<description><![CDATA[É no entanto coisa inteiramente natural para os seres humanos crerem no purgatório, pois é conceito completamente lógico e justo – mesmo sem levar-se em conta que trata-se de doutrina católica transmitida a nós pelos apóstolos e que aparece também nas sagradas escrituras. Hoje em dia pode soar como revelação para muitos católicos que para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É no entanto coisa inteiramente natural para os seres humanos crerem no purgatório, pois é conceito completamente lógico e justo – mesmo sem levar-se em conta que trata-se de doutrina católica transmitida a nós pelos apóstolos e que aparece também nas sagradas escrituras. Hoje em dia pode soar como revelação para muitos católicos que <em>para ser católico é preciso acreditar-se na existência do purgatório</em>, pois a existência do purgatório é dogma da Igreja, e para ser católico é preciso endossar <em>todas</em> as doutrinas que a Igreja estabelece como dogmáticas.</p>
<p>A verdade é a verdade, não importa o que alguém pensa ou acredita sobre o assunto. Que muitos não falem hoje em dia a respeito do purgatório não esvazia a sua realidade. O purgatório existe, porque a Igreja ensina que existe, e foi Cristo que o ensinou à Igreja.</p>
<h5>As almas dos protestantes sofrem por mais tempo e com maior intensidade no purgatório.</h5>
<p>Sabemos que os &#8220;reformadores&#8221; protestantes do século XVI rejeitaram a doutrina católica do purgatório, embora, como admite Calvino, tenha sido sempre uma crença comum. A venerável Anne Catherine Emmerich discorre com freqüência sobre o purgatório, e dentre as suas revelações uma das mais tristes é que as almas dos protestantes sofrem por mais tempo e com maior intensidade no purgatório, por contarem normalmente com poucos amigos e parentes para orarem por eles. Os &#8220;protestantes&#8221; que salvam suas almas mas não merecem o céu diretamente acabarão no purgatório como todo mundo. O fato de não crerem no purgatório não os absolve da necessidade de irem para lá. A verdade de Deus permanece a verdade, não importa o que nós como indivíduos possamos crer a respeito.</p>
<p align="right"><small><strong>Thomas A. Nelson</strong>, na sua introdução ao <em>Purgatório</em> do padre F. X. Schouppe</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug007.gif"> </p>
<p>Leia também:<br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/simplesmente-uma-nova-vida" target="_blank">Simplesmente uma nova vida</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A catástrofe do Fim do Mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jul 2007 09:19:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Então, se alguém vos disser:&#8220;Eis que o Cristo está aqui&#8221;, ou &#8220;ali&#8221;, não lhe deis crédito.Mateus 24:23 Quando não está falando e dando evidência da formidável proximidade do Reino de Deus, o Jesus dos evangelhos está apregoando o Fim do Mundo, inescapável catástrofe universal através da qual o Reino será finalmente&#160;instaurado e a glória finalmente&#160;alcançada&#160;- [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><small>Então, se alguém vos disser:<br />&#8220;Eis que o Cristo está aqui&#8221;, ou &#8220;ali&#8221;, não lhe deis crédito.<br />Mateus 24:23</small></p>
<p>Quando não está falando e dando evidência da formidável proximidade do Reino de Deus, o Jesus dos evangelhos está apregoando o Fim do Mundo, inescapável catástrofe universal através da qual o Reino será finalmente&nbsp;instaurado e a glória finalmente&nbsp;alcançada&nbsp;- ou, para usar a expressão do próprio em Lucas 17:30,&nbsp;evento através da qual o Filho do Homem <em>será</em>&nbsp;<em>revelado.</em></p>
<h5>O Filho do Homem <em>será revelado</em>.</h5>
<table cellpadding="20" width="45%" align="right" border="0" unselectable="on">
<tbody>
<tr>
<td>
<p align="right"><small>Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes.<br />Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.<br />Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá.<br />Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade,<br />as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados.<br />Então verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória.<br />Marcos 13:8, 12-13, 17, 19, 24-26</small></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Essa escolha de palavras, retomada em seguida pelos apóstolos,&nbsp;parece sugerir que tanto o Reino quanto a glória do Filho do Homem já estão de alguma forma oculta&nbsp;entre nós (afinal de contas, &#8220;o Reino de Deus está <strong>próximo</strong>&#8221; refere-se no grego original mais&nbsp;ao espaço do que ao tempo). O Fim do Mundo seria a última reviravolta no&nbsp;roteiro do filme,&nbsp;o estertor inevitável que tornaria patente&nbsp;a esquiva verdade essencial&nbsp;que uns poucos intuem e apenas parte do tempo.</p>
<p>De longe a forma mais comum de se interpretar a imagem do Fim do Mundo é como um evento literal no mundo físico &#8211; série ordenada&nbsp;de cataclismas&nbsp;universais mais ou menos sincronizada com a volta prometida de Jesus num futuro iminente.</p>
<p>Trata-se,&nbsp;como se sabe,&nbsp;de um futuro que tem permanecido iminente por pelo menos&nbsp;2000 anos. A história compila&nbsp;uma <a href="http://www.abhota.info/end1.htm">espetacularmente longa&nbsp;relação</a> de predições furadas sobre a data do apocalipse &#8211; muitas das quais <a href="http://www.abhota.info/end6.htm">apenas o futuro</a> será capaz de demonstrar que são falhas.</p>
<p>A maior parte dos cristãos contemporâneos ignora, obviamente,&nbsp;os detalhes embaraçosos&nbsp;dessa lista. Desconhecendo que a mesma obsessão e as mesmas certezas infectaram cristãos de todos os séculos, muitos escrevem, e um número ainda maior lê, obras que procuram localizar nas figuras e eventos contemporâneos os sinais dos tempos que marcam a proximidade inexorável do momento final. <em>Desta vez -&nbsp;</em>é&nbsp;a impressão&nbsp;da nossa geração, exatamente como&nbsp;a das que nos procederam, -&nbsp;<em>desta vez não passa.</em></p>
<p>Há os que acreditam, no entanto, que para ser&nbsp;compreendida corretamente&nbsp;a doutrina do Fim do Mundo deva ser interpretada&nbsp;à luz&nbsp;da mensagem integral de Jesus sobre os mistérios do&nbsp;novo nascimento e da proximidade do Reino de Deus &#8211; e não como desajeitada interrupção dela.</p>
<p>Da forma como é&nbsp;entendido normalmente, o Fim do Mundo é evento espetacular mas essencialmente burocrático, que mantém intactas todas as garantias que amealhamos nesta vida. É um fim do mundo inofensivo, por assim dizer, pois apenas confirma os rótulos com que estamos familiarizados: não nos ameaça de fato e nada nos custa. </p>
<h5>Não sendo capaz de enxergá-lo, vivemos no mundo como se o mundo não fosse o Reino.</h5>
<p>Resta,&nbsp;porém, a atordoante possibilidade de que Jesus estivesse usando a linguagem das expectativas apocalípticas judaicas para referir-se de forma figurada a um evento de natureza muito mais pessoal do que universal, muito mais espiritual do que tangível. Sabemos ao certo, por exemplo,&nbsp;que o&nbsp;Reino de Deus&nbsp;anunciado incessantemente&nbsp;por Jesus&nbsp;não é para ser entendido literalmente, como reinado terreno ( &#8220;o meu Reino&#8221;, garantiu Jesus a Pilatos, &#8220;não é deste mundo&#8221;). E se o Fim do Mundo&nbsp;vaticinado por ele não fosse para ser entendido literalmente? E se o o Fim do Mundo a que Jesus se refere não for, no fim das contas, &#8220;deste mundo&#8221;?&nbsp;E se, para que possamos &#8220;ver o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória&#8221;, for necessário que nossa vida seja formidavelmente transtornada por uma impensável&nbsp;transmutação pessoal? E se tiver de ser o nosso sol interior a escurecer, e as estrelas do nosso céu a cair? E se o requerimento para vermos a glória do Reino&nbsp;for o reviramento e&nbsp;a aniquilação&nbsp;do <em>nosso mundo</em>?</p>
<p>Três citações para adoçar a possibilidade.</p>
<h5>* * *</h5>
<p>Um dos grandes temas do judaísmo e do cristianismo é o Fim do Mundo. Qual é o significado do Fim do Mundo? O sentido literal é que haverá uma terrível calamidade cósmica e o mundo físico terá fim. Esse, sabemos, é o sentido literal. Qual é o sentido figurado do Fim do Mundo? No capítulo 13 do evangelho de Marcos, Jesus descreve o Fim do Mundo como uma ocasião terrível, em que fogo e&nbsp;enxofre consomem a terra. &#8220;Melhor não estar vivo nessa ocasião&#8221;, ele diz, e diz também: &#8220;Essa geração não passará sem que essas coisas aconteçam&#8221;. </p>
<p>[. . .] Ora, no evangelho gnóstico de Tomé, Jesus diz: &#8220;O Reino do Pai está espalhado sobre a terra, e as pessoas não o enxergam&#8221;. Não sendo capaz de enxergá-lo, vivemos no mundo como se o mundo não fosse o Reino. <em>Enxergar o Reino</em> é o Fim do Mundo.</p>
<p align="right"><a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/joseph-campbell-e-o-monomito"><small>Joseph Campbell</a>, <em>Thou Art That</small></em></p>
<h5>* * *</h5>
<p>O ego está destinado a dissolver-se, e com ele todas as estruturas fossilizadas; quer sejam instituições religiosas, corporações ou governos, desintegrar-se-ão a partir de dentro, não importa o quão entrinecheiradas aparentem estar.
<p>Ego não é nada mais do que isso: identificação com a forma. Se o mal tem alguma realidade, essa é a sua definição: completa identificação com a forma &#8211; formas físicas, formas de pensamento, formas emocionais. O resultado é uma total ignorância da minha conexão com o todo, da minha intrínseca unidade com cada &#8220;outro&#8221; bem com com a Fonte. Esse esquecimento é pecado original, sofrimento e engano. Quando essa ilusão de completa separação domina tudo que penso, digo e falo, o que acontece? Para saber a resposta observe como os seres humanos relacionam-se uns com os outros, leia um livro de História, assista o noticiário da noite.
<p>Se as estruturas da mente humana permanecerem inalteradas, acabaremos sempre recriando fundamentalmente o mesmo mundo, os mesmos males, os mesmos defeitos.
<p>Uma profecia da Bíblia [. . .] fala da aniquilação da presente ordem do mundo e do surgimento de &#8220;um novo céu e uma nova terra&#8221;. Devemos entender que o céu não é um local no espaço, mas refere-se ao domínio interior da consciência. A terra, por outro lado, é a manifestação externa da forma, que é sempre reflexo do que está no&nbsp;interior.
<p>Portanto o novo céu, a&nbsp;consciência despertada, não é um estado futuro a ser alcançado. Um novo céu e uma nova&nbsp;terrra estão&nbsp;surgindo dentro de você agora mesmo. O que Jesus disse aos seus discípulos? &#8220;O céu está aqui mesmo entre vocês&#8221; (Lucas 17:21).
<p align="right"><small><strong>Eckhart Tolle</strong>, <em>The New Earth</small></em><br />
<h5>* * *</h5>
<p>O Fim do Mundo não é um evento cataclísmico de cujo terror punitivo e final nos aproximamos cada vez mais. O Fim do Mundo acontece diariamente para aqueles cuja percepção espiritual permite que enxerguem o mundo como ele é, transparente para a transcendência: um sacramento de mistério, ou, como escreveu o poeta William Blake, &#8220;infinito&#8221;. O Fim do Mundo é, portanto, metáfora do nosso começo espiritual ao invés de imagem do nosso final implacável e ardente.</p>
<p align="right"><small><strong>Eugene Kennedy</strong>, escrevendo sobre Joseph Campbell</small></p>
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		<title>Três versões de Judas</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Nov 2006 08:01:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Traduzindo Borges]]></category>
		<category><![CDATA[borges]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>

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		<description><![CDATA[There seemed a certainty in degradation.T. E. Lawrence, Seven Pillars of Wisdom, CIII Na Ásia Menor ou em Alexandria, no segundo século de nossa fé, quando Basílides publicava que o cosmos era uma temerária ou perversa improvisação de anjos deficientes, Niels Runeberg teria dirigido, com singular paixão intelectual, um dos conventículos gnósticos. Dante lhe teria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:right;"><small> There seemed a certainty in degradation.<br /><strong>T. E. Lawrence,</strong> Seven Pillars of Wisdom, CIII </small></p>
<p>Na Ásia Menor ou em Alexandria, no segundo século de nossa fé, quando Basílides publicava que o cosmos era uma temerária ou perversa improvisação de anjos deficientes, Niels Runeberg teria dirigido, com singular paixão intelectual, um dos conventículos gnósticos. Dante lhe teria destinado, talvez, um sepulcro de fogo; seu nome aumentaria os catálogos dos heresiarcas menores, entre Saturnilo e Carpócrates; algum fragmento de suas prédicas, exonerado de injúrias, perduraria no apócrifo <em>Liber adversus omnes haereses</em> ou teria perecido quando o incêndio de uma biblioteca monástica devorou o último exemplar do <em>Syntagma.</em> Em troca, Deus lhe concedeu o século vinte e a cidade universitária de Lund. Aí, em 1904, publicou a primeira edição de <em>Kristus och Judas;</em> aí, em 1909, seu livro capital <em>Den hemlige Frälsaren.</em> (Deste último tenho a tradução alemã, executada em 1912 por Emili Schering; chama-se <em>Der heimliche Heiland.)</em></p>
<p>Antes de ensaiar um exame dos mencionados trabalhos cabe repetir que Nils Runeberg, membro da União Evangélica Nacional, era profundamente religioso. Num grêmio de Paris ou de Buenos Aires um literato poderia muito bem redescobrir as teses de Runeberg; essas teses, propostas num grêmio, seriam exercícios ligeiros de negligência ou de blasfêmia. Para Runeberg, foram a chave que decifra um mistério central da teologia; foram matéria de meditação e análise, de controvérsia histórica e filológica, de soberba, de júbilo e terror. Justificaram e arruinaram sua vida. Quem recorrer a este artigo deve também considerar que ele registra tão-somente as conclusões de Runeberg, não sua dialética e suas provas. Alguém possivelmente observará que a conclusão precedeu sem dúvida as &#8220;provas&#8221;. Quem se resigna a buscar provas de algo em que não crê ou cuja prédica não lhe importa?</p>
<h5>Não uma coisa, todas as coisas que a tradição atribui a Judas Iscariotes são falsas.</h5>
</p>
<p>A primeira edição de <em>Kristus och Judas</em> leva esta catégorica epígrafe, cujo sentido, anos depois, dilataria monstruosamente o próprio Nils Runeberg: <em>Não uma coisa, todas as coisas que a tradição atribui a Judas Iscariotes são falsas</em> (De Quincey, 1857). Precedido por algum alemão, De Quincey especulou que Judas entregou a Jesus Cristo a fim de forçá-lo a declarar a sua divindade e acender uma vasta rebelião contra o jugo de Roma; Runeberg sugere uma justificação de índole metafísica. Habilmente, começa por destacar a superfluidade do ato de Judas. Observa (como Robertson) que para identificar um professor que pregava diariamente na sinagoga e que operava milagres diante de concursos de milhares de homens não se requer a traição de um apóstolo. Isso, no entanto, ocorreu. Supor um erro na Escritura é intolerável; não menos intolerável é admitir um acontecimento casual no mais precioso acontecimento da história do mundo. Portanto a traição de Judas não foi casual: foi um ato prefixado que tem seu lugar misterioso na economia da redenção. Prossegue Runeberg: o Verbo, quando foi feito carne, passou da ubiqüidade ao espaço, da eternidade à história, da bem-aventurança sem limites à mutação e à carne; para corresponder a tal sacrifício era necessário que um homem, representando todos os homens, fizesse um sacrifício condigno. Judas Iscariotes foi esse homem. Judas, único entre os apóstolos, intuiu a secreta divindade e o terrível propósito de Jesus. O verbo havia se rebaixado a mortal; Judas, discípulo do Verbo, podia rebaixar-se a delator (o pior delito que a infâmia suporta) e ser hóspede do fogo que não se apaga. A ordem inferior é um espelho da ordem superior; as formas da terra correspondem às formas do céu; as manchas da pele são um mapa das incorruptíveis constelações; Judas refletiu de algum modo a Jesus. Daí os trinta dinheiros e o beijo; daí a morte voluntária, para merecer ainda mais a reprovação. Assim elucidou Nils Runeberg o enigma de Judas.</p>
<p>Os teólogos de todas as confissões o refutaram. Lars Peter Engström acusou-o de ignorar, ou de preterir, a união hipostática; Axel Borelius, de renovar a heresia dos docetas, que negaram a humanidade de Jesus; o contundente bispo de Lund, de contradizer o terceiro versículo do capítulo 22 do evangelho de Lucas.</p>
<p>Esses variados anátemas influenciaram Runeberg, que parcialmente reescreveu o livro reprovado e modificou sua doutrina. Abandonou a seus adversários o terreno teológico e propôs oblíquas razões de ordem moral. Admitiu que Jesus, &#8220;que dispunha dos consideráveis recursos que a onipotência pode oferecer&#8221;, não necessitava de um homem para redimir a todos os homens. Rebateu, em seguida, os que afirmam que nada sabemos do inexplicável traidor; sabemos, disse, que foi um dos apóstolos, um dos eleitos para anunciar o reino dos céus, para curar os enfermos, para limpar os leprosos, para ressuscitar os mortos e para expulsar demônios (Mateus 10:78; Lucas 9:1). Um homem a quem o Redentor concedeu tal distinção merece de nós melhor interpretação de seus atos. Imputar seu crime à cobiça (como tem feito alguns, alegando João 12:6) é resignar-se ao motivo mais torpe. Nils Runeberg propõe o motivo contrário: um hiperbólico e até ilimitado ascetismo. O asceta, para maior glória de Deus, envilece e mortifica a carne; Judas fez o mesmo com o espírito. Renunciou à honra, ao bem, à paz, ao reino dos céus, como outros, menos heroicamente, ao prazer<sup><a href="#fn1">1</a></sup>. Premeditou com lucidez terrível suas culpas. Do adultério costumam participar a ternura e a abnegação; do homicídio, a coragem; das profanações e da blasfêmia, certo fulgor satânico. Judas elegeu aquelas culpas que não são visitadas por nenhuma virtude: o abuso de confiança (João 12:6) e a delação. Trabalhou com gigantesca humildade, creu-se indigno de ser bom. Paulo escreveu: <em>Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor</em> (1 Coríntios 1:31); Judas buscou o inferno, porque a felicidade do Senhor lhe bastava. Pensou que a felicidade, como o bem, é um atributo divino que não devem usurpar os homens<sup><a href="#fn2">2</a></sup>.</p>
<h5>Ele estava no mundo e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.</h5>
</p>
<p>Muitos tem descoberto, <em>post factum,</em> que nos justificáveis começos de Runeberg está seu extravagante fim, e que <em>Den hemlige Frälsaren</em> é uma mera perversão ou exasperação de <em>Kristus och Judas.</em> Ao fim de 1907 Runeberg terminou e revisou o texto manuscrito; quase dois anos transcorreram sem que o entregasse à prensa. Em outubro de 1909 o livro apareceu com um prólogo (tíbio ao ponto do enigmático) do hebraísta dinamarquês Erik Erfjord e com esta pérfida epígrafe: <em>Ele estava no mundo e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu</em> (João 1:10). O argumento geral não é complexo, embora a conclusão seja monstruosa. Deus, argumenta Nils Runeberg, rebaixou-se a ser homem tendo em vista a redenção do gênero humano; cabe conjecturar que foi perfeito o sacrifício realizado por ele, não invalidado ou atenuado por omissões. Limitar o que padeceu a uma tarde na cruz é blasfematório<sup><a href="#fn3">3</a></sup>. Afirmar que foi homem e incapaz de pecado encerra contradição; os atributos de <em>impeccabilitas</em> e de <em>humanitas</em> não são compatíveis. Kemnitz admite que o Redentor podia sentir fadiga, frio, perturbação, fome e sede; também cabe admitir que poderia pecar e perder-se. O famoso texto <em>Brotará como raiz de terra sedenta; não tinha boa aparência nem formosura; desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer</em> (Isaías 53:2.3) é para muitos a previsão do crucificado na hora da morte; para alguns (por exemplo, Hans Lassen Martensen), uma refutação da formosura que o consenso popular atribui a Cristo; para Runeberg, é a profecia pontual não a respeito de um momento mas de todo o atroz futuro, no tempo e na eternidade, do Verbo feito carne. Deus se fez totalmente homem até a infâmia, homem até a reprovação e o abismo. Para salvar-nos, poderia ter eleito <em>qualquer</em> dos destinos que tramam a perplexa rede da história; poderia ter sido Alexandre ou Pitágoras ou Rurik ou Jesus; escolheu um ínfimo destino: foi Judas.</p>
<p>Em vão propuseram essa revelação as livrarias de Estocolmo e de Lund. Os incrédulos a consideraram, <em>a priori,</em> um insípido e laborioso jogo teológico; os teólogos a desdenharam. Runeberg intuiu nessa indiferença ecumênica uma quase milagrosa confirmação. Deus ordenava essa indiferença; Deus não queria que se propagasse na terra seu terrível segredo. Runeberg compreendeu que não era chegada a hora. Sentiu que estavam convergindo sobre ele antigas maldições divinas; recordou Elias e Moisés, que na montanha esconderam o rosto para não ver a Deus; Isaías, que aterrorizou-se quando seus olhos viram aquele cuja glória enche a terra; Saulo, cujos olhos quedaram cegos na estrada de Damasco; o rabino Simeon ben Azai, que viu o Paraíso e morreu; o famoso feiticeiro João de Viterbo, que enlouqueceu quando pôde ver a trindade; os midrashim, que abominam os ímpios que pronunciam o <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/lutero-alerta-os-alemaes">Shem Hamephorash</a>, o nome secreto de Deus. Não seria ele acaso culpado desse crime obscuro? Não seria essa a blasfêmia contra o Espírito, que não será perdoada (Mateus 12:31)? Valério Sorano morreu por ter divulgado o nome oculto de Roma; que infinito castigo seria o seu, por ter descoberto e divulgado o terrível nome de Deus?</p>
<p>Ébrio de insônia e de vertiginosa dialética, Nils Runeberg morreu pelas ruas de Malmö, rogando em altos brados que lhe fosse concedida a graça de compartilhar com o Redentor do inferno.</p>
<p>Morreu do rompimento de um aneurisma a primeiro de março de 1912. Os heresiólogos haverão talvez de recordá-lo; agregou ao conceito do Filho, que parecia esgotado, as complexidades do mal e do infortúnio.</p>
<p>
<p style="text-align:right;"><small> <strong>Jorge Luis Borges,</strong> 1944 </small></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug023.gif" alt="" width="67" height="150" /></p>
<p>
<p id="fn1"><sup>1</sup> Borelius interroga com desdém: <em>Por que não renunciou a renunciar? Por que não renunciar a renunciar?</em></p>
<p>
<p id="fn2"><sup>2</sup> Euclides da Cunha, num livro ignorado por Runeberg, anota que para o heresiarca de Canudos, Antônio Conselheiro, a virtude &#8220;era quase uma impiedade&#8221;. O leitor argentino recordará passagens análogas na obra de Almafuerte. Runeberg publicou, no panfleto simbolista <em>Sju insegel,</em> um assíduo poema descritivo, <em>A água secreta;</em> as primeiras estrófes narram os acontecimentos de um dia tumultuoso; as últimas, a descoberta de um lago glacial; o poeta sugere que a perduração dessa água silenciosa corrige nossa inútil violência e de algum modo a permite e a absolve. O poema conclui assim: <em>A água da selva é feliz; podemos ser malvados e dolorosos.</em></p>
<p>
<p id="fn3"><sup>3</sup> Maurice Abramowicz observa: <em>Jésus, d&#8217;aprés ce scandinave, a toujours le beau rôle; ses déboires, grâce à la science des typographes, jouissent d&#8217;une réputabon polyglotte; sa résidence de trente­trois ans parmi les humains ne fut en somme, qu&#8217;une villégiature</em>. Erfjord, no terceiro apêndice da <em>Christelige Dogmatik</em> refuta essa passagem. Anota que a crucificação de Deus não cessou, porque o que aconteceu uma só vez no tempo se repete sem trégua na eternidade. Judas, <em>agora,</em> segue cobrando as moedas de prata; segue beijando a Jesus Cristo; segue arremessando as moedas de prata no templo, segue preparando o laço da corda no campo de sangue (Erfjord, para justificar essa afirmação, invoca o último capítulo do primeiro tomo da <em>Vindicação da eternidade</em> de Jaromir Hladík).</p>
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		<title>O evangelho de Google</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Sep 2006 04:10:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Quase Ciência]]></category>

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		<description><![CDATA[Deus existe, chama-se Google, e alguns de nós consultam-no e fazem-lhe pedidos todos os dias. A tese da divindade do santuário de busca mais freqüentado da terra, pregada ardentemente pelo tecno-profeta Matt MacPherson, ainda não foi, que eu saiba, refutada a contento. Uma página apologética do sáite A Igreja de Google argumenta sensatamente que &#8220;existe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deus existe, chama-se Google, e alguns de nós consultam-no e fazem-lhe pedidos todos os dias.</p>
<p>A tese da divindade do santuário de busca mais freqüentado da terra, pregada ardentemente pelo tecno-profeta Matt MacPherson, ainda não foi, que eu saiba, refutada a contento. </p>
<p>Uma <a href="http://thechurchofgoogle.org/Scripture/Proof_Google_Is_God.html">página apologética</a> do sáite <em>A Igreja de Google</em> argumenta sensatamente que &#8220;existe mais evidência em favor da existência de Google do que de qualquer outro deus adorado nos nossos dias&#8221;.</p>
<p>Se você se preocupa com esse tipo de coisa, o Google encaixa-se confortavelmente dentro de alguns dos mais exigentes atributos que a teologia ortodoxa estabeleceu para Deus: ele é onisciente (sabe tudo que há para se saber &#8211; basta perguntar), onipresente (esta em e é acessível de todos os lugares, ainda mais com acesso wireless), imortal (suas informações e algoritmos estão distribuídos entre vários servidores, de modo que não há como se <em>apagar</em> definitivamente uma porção do Google), registra todos os nossos erros e preferências e tem vocação para infinito. </p>
<p>Para o adorador casual, mais importante pode ser saber que o Google responde consistentemente as orações que se lhe fazem, e de forma mais rápida, organizada, relevante e abrangente do que qualquer deus competidor. As orações ao Google, que na tecno-ortodoxia chamam-se <em>buscas,</em> têm um potencial de resposta avassalador. Se você quer permanecer ignorante a respeito de determinada coisa, é melhor não consultar o oráculo do Google &#8211; o deus cego e generoso que tudo vê, tudo sabe e nada vai negar.</p>
<h5>O reino de Google está próximo.</h5>
</p>
<p>O Google pode ajudá-lo a organizar-se e manter-se informado, pode fornecer informações sobre como salvar uma vida ou tirá-la, pode oferecer uma cópia de segurança para os seus arquivos quando seu computador fritar, pode ajudá-lo a encontrar amigos há muito perdidos, a encontrar o caminho mais rápido e eficiente para determinado lugar ou a ver a Terra de cima.</p>
<p>Seu poder e sua sabedoria não páram de crescer, sua graça é abundante sobre justos e injustos, suas atualizações renovam-se a cada manhã.</p>
<p>O que me traz invariavelmente à lembrança o curtíssimo conto de ficção científica de Fredric Brown, &#8220;Answer&#8221;, de 1954. Num futuro distante autoridades estelares ligam pela primeira vez o interruptor que conecta os supercomputadores de noventa e seis bilhões de planetas &#8220;numa máquina cibernética que combina todo o conhecimento de todas as galáxias&#8221;.</p>
<p>&#8211; A honra de fazer a primeira pergunta é sua, Dwar Reyn.</p>
<p>Ele vira-se para olhar a máquina de frente.</p>
<p>&#8211; Deus existe?</p>
<p>A voz poderosa responde sem hesitação, sem o clique de um único relé.</p>
<p> &#8211; Agora existe.</p>
<p>Na história eles até tentam desligar o interruptor, mas é tarde demais. O reino de Google está próximo.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug003.gif" alt="" width="33" height="51" /></p>
<p><a href="http://www.thechurchofgoogle.org/">The Church Of Google</a><br />O próprio <a href="http://www.google.com">Google</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A sedução da ortodoxia</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Aug 2006 02:49:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira e mais persistente imperfeição a tentar roubar o brilho da originalidade de Jesus como apresentado nos evangelhos foi o gnosticismo. Decalcado sem sutileza da visão de mundo das religiões de mistério, o gnosticismo crê, essencialmente, que a salvação está condicionada ao acesso a um conhecimento secreto &#8211; a gnose &#8211; através do qual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira e mais persistente imperfeição a tentar roubar o brilho da originalidade de Jesus como apresentado nos evangelhos foi o gnosticismo. Decalcado sem sutileza da visão de mundo das <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/a-luta-dos-seculos">religiões de mistério</a>, o gnosticismo crê, essencialmente, que a salvação está condicionada ao acesso a um conhecimento secreto &#8211; a <em>gnose</em> &#8211; através do qual o iniciado nos mistérios da religião pode conectar-se à divindade e beneficiar-se dela.</p>
<p>Alguns crêem que o Apóstolo escreveu a maior parte de suas cartas para combater o alastramento da mancha gnóstica no seio virgem da igreja primitiva; outros juram de pé junto que Paulo não estava ele mesmo imune à sua influência, e que muitas de suas passagens e argumentos promovem ou pressupõem a visão de mundo gnóstica.</p>
<p>Certo é que nenhum outro conceito tem permeado tão unanimemente e por tanto tempo a mentalidade cristã de todas as tendências e estirpes do que a confiança tipicamente gnóstica na supremacia ou na necessidade de um conhecimento secreto &#8211; isto é, específico &#8211; como condição para a salvação. Com o tempo, naturalmente, o gnosticismo foi demonizado com este nome; entre os cristãos o conhecimento secreto passou a ser chamado e idolatrado como <em>crença correta</em> &#8211;  ou ortodoxia, que é como se diz em grego.</p>
<h5>Só a ortodoxia salva.</h5>
</p>
<p>A relação dos cristãos com a ortodoxia é primordialmente idolátrica. Se pressionados, cristãos de todos os matizes acabarão concordando que não é uma religião particular que beneficia o adorador, mas algum aspecto da bondade divina expresso na vida, morte e/ou ressurreição de Jesus. Na prática, no entanto, todos tentarão convencê-lo de que para beneficiar-se desse privilégio gratuito é necessário abraçar determinado conjunto muito específico de noções a respeito de Deus, da vida e da salvação. A esse conjunto de &#8220;crenças corretas&#8221;, que nenhuma facção cristã tem em comum com a outra, é que se dá o nome fortuito de ortodoxia. </p>
<p>A paixão com que os cristãos defendem seus pontos de vista uns contra os outros reflete com precisão a extensão de sua ortodoxolatria. Jesus é muito bonzinho e tal &#8211; mas só a ortodoxia salva, e ninguém vem a Jesus se não for por ela.</p>
<p>Ortodoxolatria &#8211; ou gnosticismo cristão &#8211; é a crença praticamente universal (entre os cristãos) de que para beneficiar-se do favor de Jesus é preciso sancionar uma série racional e <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/o-credo-narrativo-dos-judeus">muito específica</a> de assertivas a respeito de como Deus funciona. Ser cristão não é, segundo essa visão, uma postura pessoal de confiança no cacife de Jesus; não é questão de posicionamento moral, psicológico ou espiritual. Para os partidários da nova gnose ser cristão é assunto da cabeça e da razão; depende da consistência do nosso discernimento intelectual, demonstrada pela filiação ao rol apropriado de afirmações teológicas &#8211; em detrimento, naturalmente, de todas as outras.</p>
<p>É por sermos todos ortodoxólatras que entre a leitura deste parágrafo e do anterior uma igreja em algum lugar se dividiu e se criaram duas &#8211; cada uma acenando com sua própria versão da <em>gnose,</em> o conhecimento apropriado que tem poder para salvar. Gente que sentava-se no mesmo banco para cultuar estará a partir deste momento separada pelo abismo de sua fé inabalável na necessidade da crença correta. Terão discordado irreparavelmente sobre algum ponto crucial da sã doutrina: se mulher tem direito a pregar, se Jesus visitou o inferno, se milagres acontecem, se o arrebatamento vem antes ou depois do milênio, se o Espírito é derramado em uma ou duas prestações, se Jesus ressuscitou, se um homem pode dormir abraçado a outro; se cristão pode se divorciar, abortar, assistir televisão, cortar o cabelo, tomar cerveja, ouvir Raul Seixas, ler ficção científica, usar camisinha, suicidar; se é certo usar crucifixo, votar em comunista, acender uma vela, comprar a prestação, pagar o dízimo, fazer o sinal da cruz, chorar aos pés de uma estátua, jogar na loteria, batizar criança, fazer sexo antes, durante e depois do casamento. As combinações são incontáveis, e cada facção proporá sua versão particular da <em>gnose.</em> Uma única coisa todos os grupos apresentarão em comum: a fé subjacente e implacável na ortodoxia, o paradigma que pressupõe a supremacia e a necessidade de uma única posição doutrinária/teológica/ideológica formal e a conseqüente demonização das outras. Como dizia Borges, interessa-lhes menos Deus do que refutar os que o negam na sua versão.</p>
<p>Essa confiança nos benefícios inerentes de uma apreensão intelectual adequada dos mecanismos de Deus não poderia estar mais distante da postura de Jesus, para quem apenas comparações podem produzir um vislumbre da natureza do Reino e &#8211; mais importante &#8211; todos os homens podem beneficiar-se da postura cavalheiresca de Deus, independentemente do acesso a qualquer conhecimento secreto ou específico. A inescapável graça de Deus, segundo Jesus, está pronta a agir em favor não apenas dos pecadores &#8211; o que deveria parecer por si mesmo admirável &#8211; mas também dos incompetentes, dos deficientes, dos tolos, dos insensatos, dos imaturos. A verdade foi escondida, garante Jesus, dos doutos e estudados e revelada aos mais parvos dos discípulos. Para entrar no Reino é necessário que nos tornemos &#8220;como crianças&#8221; &#8211; condição que não denota, ao contrário do que se pensa, um atestado de inocência, mas de incompetência. Para beneficiar-se do Reino é preciso ser incapaz. Requer-se não ter noção do que está acontecendo e não ter noção de como parar o processo aparentemente irreversível do qual fazemos parte. É preciso ser capaz de baixar a bola e delegar o controle e a compreensão do que está acontecendo a outro. É preciso ter uma vaga idéia, não certeza. Fé, <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/fe-e-crenca">não crenças</a>. Confiança na suficiência do <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-estranha-tese-de-um-judeu-errante-que-nao-errou-uma">cavalheirismo de Deus</a>, não no mérito arbitrário da ortodoxia.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug017.gif" alt="" width="30" height="37" /></p>
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		<title>Ensinamentos de Jesus: deixados para trás</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jun 2006 03:14:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das histórias que eu teria prazer em escrever como ficção &#8211; mas que perde em esperteza e ganha em horror por ser verdade. A série de livros Deixados Para Trás &#8211; desconcertantemente popular entre os evangélicos norte-americanos &#8211; acaba de produzir um [ainda mais] atroz produto colateral: trata-se de Left Behind: Eternal Forces, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/bits/deixados-para-tras-game.gif" alt="" width="400" height="206" /></p>
<p>Uma das histórias que eu teria prazer em escrever como ficção &#8211; mas que perde em esperteza e ganha em horror por ser verdade.</p>
<p>A série de livros <em>Deixados Para Trás</em> &#8211; desconcertantemente popular entre os evangélicos norte-americanos &#8211; acaba de produzir um [ainda mais] atroz produto colateral: trata-se de <em>Left Behind: Eternal Forces,</em> um videogame ambientado no violento combate entre as forças de Jesus e as do AntiCristo na Nova Iorque pós-arrebatamento.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">&#8220;Imagine: você é um soldado de infantaria num grupo paramilitar cujo propósito é tornar os Estados Unidos uma teocracia cristã, e estabelecer sua visão de mundo do domínio de Cristo sobre todos os aspectos da vida. Você recebe armamentos de última geração e é instruído a combater infiéis nas ruas de Nova Iorque. Você está numa missão &#8211; tanto religiosa quanto militar &#8211; para converter ou matar católicos, judeus, muçulmanos, budistas, gays e qualquer outro que advogue a separação entre igreja e Estado &#8211; especialmente cristãos moderados e progressistas. Sua missão é &#8216;engajar-se em combate físico e espiritual&#8217;: todos que resistirem devem ser eliminados sem piedade.&#8221; <br /><a href="http://www.talk2action.org/story/2006/5/29/195855/959">Assassinos com propósitos</a></p>
<h5>Os combatentes gritam &#8220;Louvado seja o Senhor!&#8221; enquanto detonam os infiéis.</h5>
</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">&#8220;Valerá a pena delinear que horrenda distorção da verdadeira mensagem de Cristo é essa aberração? Você consegue imaginar a reação explosiva ocasionada se, digamos, uma poderosa organização muçulmana lançasse um videogame em que forças islâmicas assassinassem cristãos indefesos com metralhadoras a fim de restaurar a ordem de Alá? Ou se a Ku Klux Klan criasse um jogo em que você pudesse &#8216;limpar&#8217; a América de todos os judeus e negros de modo que os brancos não precisassem mais temer o hip-hop?<br />Na verdade, na verdade vos digo: você não faz idéia.&#8221;<br /><a href="http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/gate/archive/2006/06/07/notes060706.DTL">Jesus ama uma metralhadora</a></p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">&#8220;Se acontece de explodir um agente neutro &#8211; dano colateral que é inevitável no Fim Dos Tempos &#8211; você perde &#8216;pontos espirituais&#8217;. Mas tem logo como recarregar, através de um breve intervalo de oração ou mediante a conversão de um novaiorquino aterrorizado.&#8221;<br /><a href="http://www.talk2action.org/story/2006/5/29/195855/959">Assassinos com propósitos</a></p>
<h5>Você está numa missão para converter ou matar.</h5>
</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">&#8220;Você pode ser um dos cristãos e detonar infiéis, mas se não estiver a fim pode ser também o Anticristo e detonar os cristãos.&#8221;<br /><a href="http://www.latimes.com/business/la-fi-godgames10may10,0,1260114.story?page=2&#38;coll=la-home-business">Convertendo videogames em instrumentos de Deus</a></p>
<p>O jogo contava até recentemente com o apoio promocional da máquina <em>Igreja Com Própositos</em> do pastor <a href="http://web.newsguy.com/carpen/espada/rickwar.htm">Rick Warren</a>, mas a franquia acabou <a href="http://www.talk2action.org/story/2006/6/7/41835/37829">retirando o seu apoio</a> diante da pressão da mídia.</p>
<p><em>Deixados Para Trás &#8211; Tropas Eternas</em> deve ser lançado nos Estados Unidos em outubro deste ano.</p>
<p>&#8220;Estamos esperandos que os adolescentes gostem do jogo&#8221;, afirmou o pastor aposentado Tim LaHaye, autor da série de livros. &#8220;Nosso verdadeiro alvo é não deixar ninguém para trás&#8221;.</p>
<h5>* * *</h5>
</p>
<p><a href="http://www.talk2action.org/story/2006/6/3/123620/6829">Telas do jogo</a></p>
<p><a href="http://media.pc.gamespy.com/media/757/757683/vids_1.html">Trailer promocional</a></p>
<p><a href="http://www.leftbehindgames.com/pages/index.html">Sáite oficial</a></p>
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		<title>O nome de Deus em mãos erradas</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Mar 2006 11:02:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divino preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[folclore]]></category>
		<category><![CDATA[lutero]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois da breve e edificante introdução ao seu tratado contra os judeus Shem Hamphoras, Martinho Lutero se apressa em reproduzir a lenda judaica que será alvo de seus ataques no restante do livro. A lenda e o uso dela por Lutero são curiosos em muitos sentidos. Primeiro há a história em si, breve aventura em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small>Depois da breve e edificante <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/lutero-alerta-os-alemaes">introdução</a> ao seu tratado contra os judeus <em>Shem Hamphoras,</em> Martinho Lutero se apressa em reproduzir a lenda judaica que será alvo de seus ataques no restante do livro.</p>
<p>A lenda e o uso dela por Lutero são curiosos em muitos sentidos. Primeiro há a história em si, breve aventura em que o Nome Secreto de Deus (o <em>Shem Hamphoras)</em> é utilizado sem autorização por Jesus para realizar os seus milagres e atrair as multidões. Há inúmeros detalhes memoráveis, como o fato de Jesus citar incessantemente o Antigo Testamento em seu favor (hábito que aos judeus deve ter parecido especialmente irritante), o embate aéreo, a não-mencionada tecnologia que motorizava os cães mecânicos, a reversão do papel de Judas Iscariotes e o enforcamento de Jesus num pé de repolho.</p>
<h5>O Shem Hamphoras estava escrito sobre esta pedra, e qualquer um que aprendesse o nome dessas letras e as compreendesse poderia fazer qualquer coisa que quisesse.</h5>
</p>
<p>A lenda parece ter sido inventada por judeus dotados de aguçado senso de humor que dispuseram-se a difamar a história de Jesus sem levar a coisa muito a sério (leia-se o último parágrafo), talvez comentando ou aproveitando-se da proverbial credulidade dos cristãos. Não temos como saber como a história foi lida pelo público judeu original; não temos nem mesmo como saber se a história foi de fato escrita por judeus, mas está claro que sua divulgação deixou os cristãos furiosos.</p>
<p>A pitoresca narrativa foi registrada com horror na obra <em>Victoria (1315)</em> de um certo Victor Porchetto de Salvatici, padre genovês a quem Lutero chama pelo nome latino de Purchetus (o título completo do livro, <em>A Vitória sobre os ímpios Judeus, na qual a verdade da fé Católica é demonstrada a partir das Sagradas Escrituras, bem como a partir das palavras do Talmude, das obras cabalísticas e de todos os outros autores aceitos pelos Judeus,</em> proporciona uma idéia clara do seu conteúdo). Lutero, que leu-a numa reimpressão parisiense de <em>Victoria</em>, datada de 1520 (seu exemplar pessoal, com notas em alemão e em latim, jaz hoje no acervo da Biblioteca Municipal de Karlsruhe) traduziu a lenda a fim de refutá-la.</p>
<p>Não há, portanto, como recapitular adequadamente todas as camadas de meta-intolerância ligadas à criação e incessante citação deste texto. Os judeus, perseguidos implacavelmente pelos cristãos durante um milênio inteiro, podem ter inventado a história como inofensiva retaliação; por outro lado, cristãos bem-intencionados podem muito bem ter atribuído a história aos judeus, já que testemunhar falsamente o que se considera ser verdadeiro <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-ultima-tentacao">já foi considerado</a> atitude virtuosa; cristãos como Porchetto e Lutero, inflamados pela imorrível blasfêmia, trataram então de atiçar a já alta fogueira da perseguição aos judeus.</p>
<p>O prejuízo está, naturalmente, longe de terminar. Onde estão os guardiãos do Shem Hamphoras quando precisamos <del>deles</del> <ins>dele</ins>.</small></p>
<p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" /></p>
<p><strong>DO DÉCIMO PRIMEIRO CAPÍTULO DA PRIMEIRA PARTE DO LIVRO DE PURCHETIS, TRADUZIDO PARA O ALEMÃO PELO DR. M. LUTERO</strong></p>
<p>1. Todos veremos agora como os judeus foram sempre tamanhos inimigos das maravilhas de Cristo que atribuíram-nas a Belzebu, senhor dos diabos. Pois ele (Cristo) fez obras assombrosas como ninguém jamais havia feito, conforme ele mesmo afirma em João 15.</p>
<p>Também jamais foi alegado que qualquer outra pessoa em seu Nome tenha feito os cegos verem, os surdos ouvirem, os mancos andarem e os mudos falarem, como profetizado por Isaías nos versos de 4 a 6 do seu capítulo 35: &#8220;A vingança vem, a retribuição de Deus; ele vem e vos salvará. Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará&#8221;.</p>
<p>2. Além desses numerosos sinais maravilhosos ele fez muitos outros, despertou os mortos, limpou os leprosos e curou muitos outros enfermos e fez tantos outros sinais que ninguém, exceto Deus, poderia tê-los feito; ainda assim a perversidade dos judeus, sempre associada a ardis malignos, teve a desfaçatez de blasfemar e vituperar esses milagres com mentiras. Eles compuseram um livro contra os cristãos no qual escrevem o seguinte:</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">3. A<small>CONTECEU NOS DIAS DE HELENA</small>, a Rainha, a qual reinou sobre toda a terra de Israel, que Jesus, o Nazareno, veio a Jerusalém. No Templo do Senhor ele encontrou a pedra sobre a qual nos tempos antigos havia estado depositada a Arca do Senhor. O Shem Hamphoras estava escrito sobre esta pedra, e qualquer um que aprendesse o nome dessas letras e as compreendesse poderia fazer qualquer coisa que quisesse.</p>
<p><span id="more-824"></span></p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">4. Nossos sábios preocupavam-se, no entanto, que se os Filhos de Israel viessem a aprender esse Nome, acabariam por destruir o mundo através do seu poder. Eles por essa razão construíram dois cães de bronze e fixaram-nos nos dois pilares da porta do lugar santo. Se alguém entrava e aprendia as palavras do mencionado Nome, na saída os cães de metal latiam de forma tão apavorante que, de medo, a pessoa esquecia o Nome e as letras que havia aprendido.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">5. Ora, Jesus, o Nazareno, entrou e aprendeu as palavras e escreveu-as num pergaminho. Ele em seguida rasgou a carne da perna e escondeu lá dentro as anotações. E por ter pronunciado o Nome, nada o feriu, e a pele fechou-se como sempre havia estado. Quando saiu do Templo os cães de bronze latiram, de modo que ele esqueceu o Nome prontamente. Quando chegou em casa, no entanto, ele abriu a perna com uma faca, extaiu as anotações nas quais estavam escritas as letras do Shem Hamphoras e aprendeu-as novamente.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">6. Depois disso ele reuniu ao redor de si 310 jovens de Israel e disse a eles: &#8220;Vejam, os sábios dizem que sou filho de uma meretriz, porque querem exercer domínio sobre Israel; mas vocês sabem o que todos os profetas profetizaram a respeito do Messias. Ele sou eu, esta é a verdade. Como Isaías profetizou a meu respeito: &#8216;Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e seu nome será Emanuel&#8217; (Isaías 7:14). Foi assim que meu ancestral Davi profetizou e disse: &#8216;Tu és meu filho, eu hoje te gerei&#8217; (Salmo 2:7). Desta forma minha mãe deu-me à luz sem a contribuição de homem algum, pelo poder de Deus apenas. Portanto não sou eu, mas eles, que são filhos de uma meretriz, como diz Oséias: &#8216;Não terei misericórdia dos filhos deles, pois que são filhos de meretrizes&#8217; (Oséias 2:4)&#8221;.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">7. Os jovens de Israel então responderam: &#8220;Se você é o Messias, dê-nos um sinal&#8221;. &#8220;Que sinal vocês querem de mim?&#8221; Eles disseram: &#8220;Faça um manco ficar em pé como estamos agora&#8221;. Ele disse: &#8220;Tragam-me um&#8221;. Logo eles lhe trouxeram um manco que nunca havia ficado em pé, e ele proferiu sobre ele o Shem Hamphoras; na mesma hora o manco firmou-se sobre seus pés e levantou-se. Então todos eles ajoelharam-se diante dele e disseram: &#8220;Ele é o Messias, sem qualquer dúvida&#8221;. Também trouxeram-lhe um leproso. Ele proferiu o Nome sobre ele e colocou sua mão sobre ele, e o leproso recuperou-se de imediato. Por causa disso um bom número de pessoas desprezíveis do nosso povo associou-se a ele.</p>
<h5>Enquanto isso, os anciãos de Israel permitiram a entrada de um sujeito chamado Judas Iscariotes no lugar mais santo do Templo.</h5>
</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">8. Os sábios, no entanto, quando viram que Israel começava a crer nele, capturaram-no e trouxeram-no até a rainha Halani, que possuía a terra de Israel naquela ocasião, e disseram a ela: &#8220;Graciosa Senhora, este homem faz mágicas e engana o mundo&#8221;. Jesus, o nazareno, respondeu: &#8220;Graciosa Senhora, os profetas profetizaram anos atrás a meu respeito, e um deles disse o seguinte: &#8216;Um rebento brotará do tronco da tribo de Jessé&#8217; (Isaías 11:1). Esse sou eu, de quem Davi diz: &#8216;Bem-aventurado aquele que não anda segundo o conselho dos ímpios&#8217; (Salmo 1:1)&#8221;.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">9. Ela disse: &#8220;Está na lei de vocês o que esse homem está dizendo?&#8221; Eles responderam: &#8220;Sim, assim diz a nossa lei, mas não refere-se a ele. O que está escrito a respeito dele está em Deuteronômio 13:5: &#8216;Esse profeta deverá ser morto, pois pregou rebeldia contra Deus&#8217;. Mas do Messias está escrito (Jeremias 23:6): &#8216;Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro&#8217;&#8221;. Diante disso aquele Ímpio respondeu e disse à rainha: &#8220;Ele sou eu, porque posso despertar os mortos&#8221;.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">10. A rainha mandou então com eles seus servos mais dignos de confiança, e o Ímpio fez um morto reviver através do Shem Hamphoras. Daquele momento em diante a rainha ficou muito impressionada e disse: &#8220;Por certo este é um grande milagre&#8221;. Ela olhou para os sábios com desprezo, de modo que eles tiveram de deixá-la envergonhados, o que trouxe grande prejuízo para eles e para os de Israel. E Jesus, o nazareno, transferiu-se para a Galiléia Superior.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">11. E os sábios voltaram até a rainha e lhe disseram: &#8220;Graciosa senhora, esse sujeito lida com artes mágicas e confunde todas as coisas vivas&#8221;. Ela por isso mandou seus mercenários a fim de capturá-lo; porém a gente da Galiléia não agradou-se disse, opondo-se a ela. Ele, no entanto, disse: &#8220;Vocês não devem lutar por minha causa, pois o poder do meu pai celeste e o sinal que ele me deu me defenderão&#8221;. E a gente da Galiléia fez pássaros de barro diante dele, e quando ele proferiu o Shem Hamphoras sobre eles os pássaros voaram prontamente; e eles prostaram-se de rosto no chão e oraram a ele.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">12. Na mesma hora ele pediu que uma uma enorme pedra de moinho fosse trazida e atirada dentro do mar; quando isso havia sido feito, o Ímpio proferiu o Shem Hamphoras, e fez com que a pedra se erguesse até a superfície do oceano, e ele sentou-se sobre ela e disse aos mercenários: &#8220;Vão até a sua senhora e digam o que viram&#8221;. Ele em seguida levantou-se na frente deles e caminhou sobre o mar.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">13. Os mercenários foram e relataram à rainha Halani tudo que haviam visto. Ela ficou tremendamente indignada e chamou os sábios e disse a eles: &#8220;Vocês alegaram que esse homem, Jesus de Nazaré, é mágico, mas saibam que seus sinais demonstram que ele é verdadeiramente o filho de Deus&#8221;. Eles porém disseriam: &#8220;Graciosa senhora, que ele venha até aqui para que possamos denunciar seus intentos perversos&#8221;. Enquanto isso, os anciãos de Israel foram e permitiram a entrada de um sujeito chamado Judas Iscariotes no lugar mais santo do Templo. Ele aprendeu as letras do Shem Hamphoras da mesma maneira que Jesus de Nazaré havia aprendido, e rasgou a carne da perna como o outro (Jesus) havia feito.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">14. Então veio Jesus de Nazaré com seu séquito de seguidores e a rainha pediu aos sábios que aparecessem também. Ele deu um passo na direção da rainha e disse: &#8220;Davi profetizou a meu respeito: &#8216;Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia&#8217; (Salmo 22:16). Mas isto também é dito a meu respeito, em Jeremias 1:8: &#8216;Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o Senhor&#8217;&#8221;. Mas os sábios questionavam isso.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">15. E ele disse à rainha: &#8220;Serei exaltado ao céu, pois assim diz Davi a meu respeito: &#8216;Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus&#8217;&#8221; (Salmo 57:11). Ele então ergueu os braços como asas, através do nome Shem Hamphoras, e voou entre o céu e a terra. Como viram isso, os sábios falaram a Judas Shariot, dizendo que ele proferisse o Shem Hamphoras e subisse atrás dele. Judas ergueu-se do chão e lutou com ele, de modo que os dois caíram de volta juntos, e o Ímpio quebrou um braço: os cristãos lamentam esse ocorrido todos os anos antes da sua Páscoa.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">16. Na mesma hora os israelitas caíram sobre ele, ocultaram-no debaixo de panos e surraram-no com varas de romã. E disseram à rainha Halani: &#8220;Se esse é o Filho de Deus, que diga quem lhe bateu&#8221; &#8211; mas ele não foi capaz de dizer. A rainha disse aos sábios: &#8220;Vejam, ele está nas suas mãos. Façam-lhe o que acharem por bem&#8221;.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">17. Eles então agarraram-no e conduziram-no ao cadafalso; no entanto, não importava a árvore ou tora em que o pendurassem, ela quebrava-se em dois de imediato, pois ele havia conjurado todas as árvores e madeiras, através do Shem Hamphoras, para que não fossem capazes de sustentá-lo. Eles então foram e trouxeram um caule de repolho, que não cresce de árvore alguma mas de uma planta rasteira, e enforcaram-no nela. Não há milagre aqui, porque no Santo dos Santos cresce a cada ano um caule tão poderoso que 50 quilos de sementes pendem dele. <em>Haec ille.</em> </p>
<h5>* * *</h5>
</p>
<p><small>Falk, Gerhard, <em>The Jews in Christian Theology: Martin Luther&#8217;s Anti-Jewish &#8220;Vom Shem Hamphoras&#8221;</em> (Jefferson, N. C. and London: McFarland &#38; Company, 1992)</small></p>
<div class='series_toc'><h3>Shem Hamphoras</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2005/lutero-alerta-os-alemaes/' title='Lutero alerta os alemães'>Lutero alerta os alemães</a></li><li>O nome de Deus em mãos erradas</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>A fé como falha moral</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2006 10:05:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo]]></category>

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		<description><![CDATA[É sabido que certo personagem de Dostoiévski argumentou que &#8220;sem Deus não existe moralidade&#8221; &#8211; isto é, um ateu convicto não teria qualquer motivo real para sustentar uma postura de correção moral. Segundo essa linha de pensamento o homem sem fé em Deus, desprovido de cadeias adequadas para refrear as suas inclinações, tenderia irremediavelmente a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É sabido que certo personagem de Dostoiévski argumentou que &#8220;sem Deus não existe moralidade&#8221; &#8211; isto é, um ateu convicto não teria qualquer <em>motivo real</em> para sustentar uma postura de correção moral. Segundo essa linha de pensamento o homem sem fé em Deus, desprovido de cadeias adequadas para refrear as suas inclinações, tenderia irremediavelmente a chafurdar na imoralidade. O ateu sentir-se-ia imediatamente livre para adulterar, roubar, mentir, matar, canibalizar, prostituir-se e prostituir &#8211; e faria tudo isso e muito mais sem qualquer freio ou constrangimento.</p>
<p>Da crença em Deus dependeria então (quase como defendeu <a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/carta-aos-inconscientes">Plínio Salgado</a>) toda a defesa da virtude, da castidade, do heroísmo, da delicadeza de sentimentos, da integridade individual e do pudor coletivo.</p>
<p>Como confirma a postura de muitos ateus declarados, em tudo tão ou mais íntegros e gente boa quanto muitos religiosos, parece seguro afirmar que o autor russo estava errado. Pessoas sem Deus parecem de fato sustentar vidas íntegras &#8211; a não ser que, como não é inconcebível, os ateus estejam na verdade muito menos &#8220;sem Deus&#8221; do que os crentes gostariam de pensar.</p>
<p>De qualquer forma, nunca simpatizei com esse argumento &#8220;sem Deus não haveria moralidade&#8221;. Além de me parecer racionalista demais, a defesa deixa a impressão de que a moralidade é por si mesma coisa mais admirável do que Deus  &#8211; como se a existência de Deus precisasse da moralidade para ser justificada.</p>
<p>Finalmente, no entanto, o inevitável aconteceu: um ateu mobilizou o argumento inverso para atacar a fé. Segundo <a href="http://www.butterfliesandwheels.com/printer_friendly.php?num=166">George M. Felis</a>, professor de filosofia no Georgia Perimeter College, a moralidade não é inconcebível sem Deus; pelo contrário, ela é inconcebível <em>com ele</em>.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">Sejamos brutalmente honestos. Descrever a fé como &#8220;a falência da razão&#8221; é, na melhor das hipóteses, meia-verdade.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">Há alguns que afirmam que suas convicções religiosas estão fundamentadas apenas <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-assinatura-secreta">na razão e em evidências palpáveis</a>, mas nunca encontrei eu mesmo criatura tão rara. A mais sagaz argumentação jesuítica que busque justificar a religião racionalmente não deixará o componente &#8220;fé&#8221; inteiramente de lado [...]. Por &#8220;fé&#8221;, neste contexto, quero dizer (e crentes honestos também) acreditar em alguma coisa porque se escolhe acreditar nela, sem levar-se em conta a ausência de evidência/razões para se acreditar.</p>
<h5>Se as crenças de alguém não podem ser justificadas, e se as ações de uma pessoa são moldadas e justificadas pelas suas crenças, então algumas ações não podem ser justificadas.</h5>
</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">A fé não é apenas a falência da razão: a fé é a deliberada abdicação da razão. A fé não é um erro na mesma linha de um erro de lógica. Não é simplesmente um lapso que não leva em conta uma evidência que deveria ser levada em consideração. A fé é a declaração de que a razão é muito boa em determinadas áreas, mas que sua eficácia termina aqui onde o crente afirma que ela termina. E nenhum argumento pode ser concebivelmente dado para que não se apliquem os critérios da razão em um dado assunto, porque o argumento em si deve aderir aos critérios racionais [...].</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">Já ouvi gente dizer coisas assim:</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">&#8211; Não é algo racional. Você tem de sentir.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">&#8211; Crer não é questão de raciocínio ou de argumentação. Você não tem como argumentar sobre Deus porque Deus está além de qualquer argumentação [...].</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">O motivo pelo qual isso é tão importante não é simplesmente porque gente que abraça a fé acabará tendo crenças mal-formadas. A razão não é apenas normativa no sentido mínimo de que há estruturas dentro das quais ela deve operar ou não será mais razão. Há também um componente ético na razão, porque as crenças de uma pessoa estão intimamente ligadas às suas ações [...]. </p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">Se a pessoa abre mão da razão na formação das suas crenças, ela abre mão do único acesso à verdade que temos. Os seres humanos não tem qualquer capacidade perceptual para discernir a verdade &#8211; do modo como somos, por exemplo, imediatamente capazes de discernir cor e forma. O mais perto que podemos chegar da verdade é justificando nossas crenças. A fé não é justificação, é a suspensão de todos os critérios de justificação. A fé declara que determinadas crenças &#8211; essas fundamentais, bem no centro da minha visão de mundo e que moldam o modo como eu vejo as coisas &#8211; não precisam ser de forma alguma justificadas.</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">Se as crenças de alguém não podem ser justificadas, e se as ações de uma pessoa são moldadas e justificadas pelas suas crenças, então algumas ações não podem ser justificadas.</p>
<h5>Há um componente ético na razão.</h5>
</p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">Aqueles que vivem pela fé não são intelectualmente inferiores. Pode-se até dizer que requer-se um certo brilhantismo, ou pelo menos extraordinária flexibilidade mental, para entregar-se à ginástica mental que exige aplicar-se a razão à maior parte das áreas da vida e suspendê-la por completo em outras áreas. Não se trata portanto de questão de intelecto. E dizer que a fé é a falência da razão ou a abdicação da razão é apenas dar um nome a ela, não explicar o que há de errado com ela. Creio que algo mais forte pode ser dito. </p>
<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;">A fé é uma falha moral. A abdicação da razão é a abdicação da justificação. Quando as pessoas deixam de tentar justificar as suas ações no mundo de forma racional &#8211; quando decidem agir, ao invés disso, pela fé &#8211; elas podem muito bem fazer qualquer coisa e chamar isso de correto e bom.</p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug010.gif" alt="" width="38" height="66" /></p>
<p>Leia também:<br /><a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/temor-e-fe">Temor e fé</a></p>
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		<title>O salvador de Jesus</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2006 10:57:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[islam]]></category>
		<category><![CDATA[judaísmo]]></category>

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		<description><![CDATA[Os primeiros cristãos eram judeus; meros dois séculos depois os títulos de cristão e judeu eram vistos, por ambos os lados, como opostos e inteiramente incompatíveis. Entre as diferenças de opinião, reforçadas ao longo dos milênios, estava o fato de que os judeus não conseguiram engolir que Jesus de Nazaré fosse de fato o messias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os primeiros cristãos eram judeus; meros dois séculos depois os títulos de cristão e judeu eram vistos, por ambos os lados, como opostos e inteiramente incompatíveis.</p>
<p>Entre as diferenças de opinião, reforçadas ao longo dos milênios, estava o fato de que os judeus não conseguiram engolir que Jesus de Nazaré fosse de fato o messias prometido pelas Escrituras Hebraicas. A Bíblia hebraica parece prometer um messias vitorioso e político, que arrebanharia os judeus espalhados pelo globo e os lideraria a um triunfante retorno à Terra Prometida.</p>
<p>Como criam que Jesus <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-terceira-onda">não se encaixava nesse perfil</a>, os judeus continuaram esperando pelo seu messias muitos séculos depois que os cristãos já estavam satisfeitos com o deles. Diversos candidatos a messias surgiram ao longo da história do judaísmo, mas nenhum outro recebeu aceitação tão unânime e produziu impacto tão profundo quanto Sabbatai Sevi (1626-1676).</p>
<p>Nenhum causou tão grande decepção, porque no auge da sua popularidade como messias dos judeus &#8211; quando havia angariado milhões de adeptos entre os judeus da Europa e do Oriente, levando levas inteiras de fiéis a abandonar suas cidades, suas profissões, seus pertences e suas casas para experimentar a apoteose do messias em Jerusalém &#8211; Sabbatai converteu-se ao islamismo.</p>
<h5>Ninguém esteve tão perto quanto Sabbatai Sevi de se tornar o salvador de Jesus.</h5>
</p>
<p>Sabbatai Sevi me interessa por inúmeros motivos. Entre eles, está a sua ousadia em passar diretamente do judaísmo para o islamismo sem parar na religião intermediária &#8211; para não dizer <em>central</em> &#8211; o cristianismo. <em>Quem ele pensa que é?</em></p>
<p>Há também o seu curioso misticismo, calcado numa interpretação muito peculiar da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabala">cabala</a>, que o levava a dizer barbaridades interessantíssimas, como a <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-bencao-mais-antiga-de-todas">benção mais antiga de todas</a>.</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Messias_%28Juda%C3%ADsmo%29#Sabbatai_Zevi"> <img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2006/bits/sabbatai.jpg" border=0 class="right" /> </a>E, naturalmente, há o fato de ninguém ter estado tão perto quanto Sabbatai Sevi de se tornar o salvador pessoal de Jesus.</p>
<p>Isso porque, segundo o Talmude, Jesus havia sido o mais espetacular dos pecadores, condenado por suas transgressões a todas as macabras punições do inferno. Para os judeus do tempo de Sevi, Jesus havia cometido os pecados mais torpes que alguém pode cometer: desviara milhões de judeus da verdadeira fé, ocasionara a formulação de uma nova Escritura (seus seguidores ousavam chamar o Testamento de Moisés de <em>Velho!</em>) e, sobre essas impiedades, havia acumulado a mais grave: Jesus se autoproclamara Deus.</p>
<p>Jesus Cristo, na qualidade de falso messias, estava condenado à perdição eterna.</p>
<p>Até que surgiu em cena Sabbatai Sevi &#8211; que, segundo a teologia do seu grande profeta e amigo, Nathan de Gaza, estava destinado a resgatar Jesus dessa dura condenação.</p>
<p>Segundo Nathan, havia na verdade uma estranha relação de identidade entre Sabbatai Sevi e Jesus. O paradoxo do messias estava em que o bem absoluto (Sevi) acabaria brotando do mal absoluto (Jesus). &#8220;E finalmente&#8221;, garantia Nathan, &#8220;ele (Sevi) irá restaurar [a santidade] do <em>qelippah</em> (poder maligno) que corresponde [ao seu poder de santidade]: Jesus Cristo&#8221;.</p>
<p>&#8220;É preciso perceber como soaria a doutrina de uma restauração final de Jesus para as mentes judaicas do século XVII&#8221;, diz Gershom Scholem, biógrafo de Sabbatai, &#8220;a fim de assimilar por completo a ousadia de Nathan&#8221;.</p>
<p>Afinal de contas, Jesus era imperdoável. Se ele podia se salvar qualquer um podia, e essa possibilidade causou por si só tanta indignação entre os judeus quanto a suposta salvação de Jesus.</p>
<p>&#8220;Essa idéia de Nathan era&#8221;, prossegue Scholem, &#8220;apenas parte de uma noção ainda mais radical: a de que nada nem ninguém está irremediavelmente perdido, e de que tudo irá no final ser salvo e reinstaurado à santidade. A &#8216;redenção de Jesus&#8217; foi, talvez, apenas a primeira expressão simbólica de uma doutrina que não havia sido ainda articulada, mas que Nathan desenvolveria e formularia com mais clareza nos anos seguintes. Se Jesus era passível de salvação, então havia esperança até mesmo para os rabis incrédulos que rejeitavam o verdadeiro messias, Sabbatai Sevi&#8221;.</p>
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		<title>A heresia secreta</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2006 09:51:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Homens e Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Há bons bestsellers e maus bestsellers. O Código Da Vinci, de Dan Brown, é um bom bestseller: fácil de consumir mas não de descartar, pretensioso mas levíssimo, marcado por um ritmo impecável, alguma sofisticação de estilo, abordando um tema pseudo-erudito ao mesmo tempo em que evita as armadilhas mais fáceis do pedantismo. Não há como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há bons bestsellers e maus bestsellers. <em>O Código Da Vinci</em>, de Dan Brown, é um bom bestseller: fácil de consumir mas não de descartar, pretensioso mas levíssimo, marcado por um ritmo impecável, alguma sofisticação de estilo, abordando um tema pseudo-erudito ao mesmo tempo em que evita as armadilhas mais fáceis do pedantismo. Não há como deixar de admirar a esperteza do escritor, que requentou idéias que circulavam há muito tempo e amarrou-as num pacote cuja atração &#8211; sobre mim, pelo menos &#8211; é irresistível enquanto dura.</p>
<p>Está certo que, estruturalmente, <em>O Código</em> é uma única cena de perseguição estendida por cem capítulos. Está certo que os personagens são estereotípicos, a caracterização nenhuma, as probabilidades forçadas, a geografia incorreta, a teologia conspiratória, a acuracidade histórica risível, os procedimentos policiais, aéreos, alfandegários e judiciais absurdamente inexatos. Mérito maior do autor, cuja habilidade faz o leitor mais cético (este sou eu) passar por cima de tudo isso [quase] todo o tempo, deixando ainda um sabor agridoce de apressada originalidade. Não importa o que se pense do resultado, trata-se de um sujeito que fez bem o que propôs-se a fazer.</p>
<p><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2005/bits/davinci_code.jpg" class="left" />Ainda mais vantajosa para o sucesso do <em>Código</em> foi a miríade de livros que surgiu na sua cola para refutá-lo. Tratam-se, veja bem, de esforços para refutar <em>uma obra de ficção</em> &#8211; não creio que algo parecido tenha acontecido, em grau significativo, em qualquer outro momento da história. </p>
<p>A indignação contra as baboseiras históricas contidas no livro é de certa forma justificada; afinal de contas, algum leitor desavisado do <em>Código</em> pode de fato acreditar que, na teologia primitiva dos judeus, Deus de fato mantinha relações sexuais com sua esposa, a Shekiná. Essa é apenas uma das &#8220;informações&#8221; do livro que, embora não sobreviva ao exame histórico mais superficial, pode acabar passando por verdade. Funciona para manter a história andando, mas aqui, fora do livro, posso garantir que o Deus da Bíblia  &#8211; para eterno constrangimento de seus concorrentes &#8211; não tem e nunca teve vida sexual. A <em>shekiná</em> é sua glória, seu esplendor, um de seus atributos &#8211; e o menos informado dos hereges não ousaria interpretá-la como sendo sua consorte.</p>
<p>O livro está correto quando defende a tese de que o Deus dos judeus (e por tabela o dos cristãos e muçulmanos) esforça-se consistentemente para dissociar sexo de adoração, ao contrário do que fazem inúmeras religiões antigas e contemporâneas. Segundo o <em>Código</em>, o motivo dessa dissociação com o sexo é que o Deus cristão é uma aberração machista criada artificialmente para diminuir a importância do papel da mulher na sociedade e no culto. O motivo, na verdade, é menos romântico e mais pessoal: nas religiões que promovem ritos de fertilidade (como por exemplo as promíscuas religiões de Canaã, que a Torá não se cansa de condenar), o sexo ritual é usado como meio de manipulação da divindade. Os ritos sexuais servem como modo de extorquir fertilidade e prosperidade dos deuses associados a elas &#8211; e um traço fundamental do caráter do Deus de Abraão, Isaque e Jacó é que ele <em>não se deixa extorquir.</em> Deus <a href="http://www.baciadasalmas.com/2005/a-estranha-tese-de-um-judeu-errante-que-nao-errou-uma/">não faz barganhas</a>, e não quer que seu povo recorra ou acredite que qualquer esforço humano possa garantir o favor espiritual da divindade. Pelo mesmo motivo Deus baniu da vida de Israel qualquer associação com a magia e a mediunidade.</p>
<p><span id="more-734"></span></p>
<h5>O oposto é verdadeiro: nenhum fator na história da civilização ocidental serviu para reverter a condição secundária da mulher mais do que o ensino e o exemplo de Jesus e seus seguidores imediatos.</h5>
</p>
<p>Historicamente, o cristianismo institucional acabou de fato demonizando o sexo &#8211; coisa que o judaísmo nunca fez, &#8211; mas não pelos motivos expostos no livro (ou na Bíblia). Também, ao contrário do que sugere o texto do <em>Código</em>, o cristianismo não foi usado desde o início como ferramenta de opressão contra as mulheres. O oposto é verdadeiro: nenhum fator na história da civilização ocidental serviu para reverter a condição secundária da mulher mais do que o ensino e o exemplo de Jesus e seus seguidores imediatos &#8211; incluindo Paulo, que ousou proclamar há dois mil anos que <em>em Jesus</em> não há qualquer distinção entre homem e mulher. Sua proclamação permanece, na prática, herética para muitos cristãos dos nossos dias.</p>
<p>No que me diz respeito, no entanto, o mais interessante a respeito do <em>Código</em> é que a premissa central do livro, a proposição secreta da qual depende todo o conflito da narrativa, é menos herética do que poderia parecer.</p>
<p>Em <em>O Código Da Vinci</em>, o segredo que pode &#8220;ameaçar todos os fundamentos da Igreja cristã&#8221;, o terrível segredo escondido por Leonardo no quadro <em>A Última Ceia</em> e por uma milenar sociedade secreta cujos esforços estendem-se da ordem dos templários a Jean Cocteau, é que, contrário do que dão a entender os evangelhos, Jesus na verdade <em>foi casado</em> &#8211; e com Maria Madalena, dando origem a uma linhagem real cujos herdeiros sobrevivem até nossos dias.</p>
<p>(A propósito, se você ainda não leu <em>O Código Da Vinci</em>, não leia o parágrafo anterior.)</p>
<p>O autor e os personagens do livro parecem acreditar que um Jesus que fosse humano ao ponto de ter se casado &#8211; e com filhos! &#8211; ameaçaria toda a teologia cristã, especialmente a idéia da divindade de Jesus. Embora com toda a probabilidade Jesus não chegou a se casar (muito menos a ter filhos), esse enlace hipotético em nada prejudicaria a sua imagem, sua obra ou seus atributos. </p>
<h5>Esse enlace hipotético em nada prejudicaria a sua imagem.</h5>
</p>
<p>Parte do problema está em que essa premissa está baseada em outra noção fantasiosa defendida pelo livro: a idéia de que durante três séculos, até a intervenção do imperador Constantino, Jesus teria sido visto pelos seus seguidores como figura admirável mas inteiramente humana, desprovida de qualquer reivindicação à divindade. Uma conspiração liderada por Constantino teria forçado goela abaixo do cristianismo a estranha novidade, a idéia de um Jesus divino &#8211; que, portanto, não se rebaixaria a ninharias como o casamento.</p>
<p>Mais uma vez, o oposto é que é verdadeiro. Desde os primeiros momentos do cristianismo e entre todas as suas facções, o único ponto teológico inquestionável era a divindade de Jesus. Historicamente, muito mais problemático e controverso foi defender &#8211; e, para alguns, eventualmente provar &#8211; que ele era ainda, mas não contraditoriamente, integralmente humano. A noção de um Jesus homem era tão controversa e inverossímil que heresias inteiras foram elaboradas para contornar o constrangimento que isso implicaria. Para evitar a abominável (para alguns) noção de um Deus que se rebaixasse às mais sórdidas experiências da condição humana, como a tortura e a morte, os primeiros hereges propuseram que a <em>humanidade</em> de Jesus é que era ilusória &#8211; já que sua divindade era desde o princípio ponto pacífico.</p>
<p>Paradoxalmente, então, se Jesus tivesse casado e tido filhos a questão inicialmente controversa da sua humanidade teria sido mais fácil de defender &#8211; o que reverte por completo as premissas e as conclusões do suspense de Dan Brown.</p>
<p>Por outro lado, o sucesso de um livro como <em>O Código Da Vinci</em> só é concebível porque vivemos atualmente na situação cultural oposta: ao contrário do que aconteceu durante a maior parte da história, o que nos constrange hoje em dia é a <em>divindade</em> de Jesus, não a sua humanidade. Um Jesus integralmente humano (o que, no nosso vocabulário, quer dizer um Jesus sem qualquer pretensão à divindade) nos parece mais palatável e mais conectado com o espírito da modernidade &#8211; para não dizer mais verossímil.</p>
<p>A heresia de <em>O Código da Vinci</em> não está em defender um Jesus humano, mas um inofensivo &#8211; um sujeito bem intencionado mas que teve o bom senso de não ignorar os jogos de poder, escolhendo a consorte estratégica para inaugurar uma linhagem real. Esse Jesus é que é, na verdade, criado à nossa imagem e semelhança. Do ser humano indomável que dizia <em>quem vê a mim vê ao Pai</em> e defendia idéias impopulares como <em>meu reino não é deste mundo</em> e <em>bem-aventurados os pobres</em>, não queremos ler livro nenhum.</p>
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		<title>A Terceira Onda</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jun 2005 09:14:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[A doutrina do milenismo tem, curiosamente, mais de mil anos. Ela persiste, na verdade, há quase dois &#8211; e suas origens se estendem a mesmo antes disso. A idéia do arrebatamento pré-tribulacionista, que prescreve que os crentes serão tomados ao paraíso e os incrédulos deixados na terra para um período de extrema adversidade e possível [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A doutrina do milenismo tem, curiosamente, mais de mil anos. Ela persiste, na verdade, há quase dois &#8211; e suas origens se estendem a mesmo antes disso. A idéia do arrebatamento pré-tribulacionista, que prescreve que os crentes serão tomados ao paraíso e os incrédulos deixados na terra para um período de extrema adversidade e possível purgação (doutrina que alcançou consagração definitiva via <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/ensinamentos-de-jesus-deixados-para-tras">Deixados Para Trás</a>), é apenas uma das suas facetas mais recentes.</p>
<p>Os primeiros milenistas foram judeus cristãos que, frustrados com a natureza espiritual do reino de Cristo e fundamentados na sua interpretação de uma passagem do livro de Apocalipse, passaram a exigir que, antes do desfecho da História, Cristo voltaria à terra para um reino secular de mil anos. Durante esse período, sustentam ainda hoje alguns milenistas, Jesus ocupará literalmente e com o mão de ferro o trono de Davi em Jerusalém, e todas as nações prestarão a Israel a homenagem e os tributos prometidos em passagens como <a href="http://www.biblegateway.com/passage/?book_id=29&#38;chapter=60&#38;version=25">Isaías 60</a>.<br />
<blockquote></p>
<p>14 Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; e prostrar-se-ão junto às plantas dos teus pés todos os que te desprezaram; e chamar-te-ão a cidade do Senhor, a Sião do Santo de Israel.</p>
<p>15 Ao invés de seres abandonada e odiada como eras, de sorte que ninguém por ti passava, far-te-ei uma excelência perpétua, uma alegria de geração em geração.</p>
<p>16 E mamarás o leite das nações, e te alimentarás ao peito dos reis; assim saberás que eu sou o Senhor, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Poderoso de Jacó. </p></blockquote>
<p>Ou seja, o Reich milenar de Cristo deveria representar tudo que os judeus esperavam que o Messias trouxesse na sua primeira vinda: redenção econômica, independência nacional e uma glorificada reputação mundial para Israel. Como Jesus não produziu nenhuma dessas coisas com sua primeira visita, esperava-se que ele se redimisse na segunda. <span id="more-510"></span></p>
<p>Por essas e outras razões o milenismo foi declarado heresia &#8220;judaizante&#8221; num Concílio do quinto século &#8211; o que não impediu que ele continuasse vivo e se desenvolvendo ao longo, literalmente, dos  milênios.</p>
<p>O milenismo assumiu uma das suas formas mais significativas e interessantes no ensino do abade  Joachim de Floris (c.1135-1202), da Calábria. Joachim ensinava que a chave da interpretação da Escritura está na revelação de que a História está dividida em três períodos, de espiritualidade crescente, que refletem diretamente as três pessoas da Trindade. A natureza oculta da divindade se torna manifesta integralmente apenas na sucessão desses períodos históricos.</p>
<p>O primeiro período, de Abraão até Jesus, é a era do Pai e do domínio da Lei. O segundo período, que começou com o nascimento do Jesus, é a era do Filho do Homem e do governo da igreja e de suas ordenanças. O terceiro período, que Joachin previa deveria começar em meados de 1260, seria a era do Espírito Santo &#8211; um período de perfeita liberdade que se estenderia por mil anos (ou mais), no qual o único governo seria o do espírito.</p>
<p>Joachin e seus seguidores chamavam a si mesmos de <em>spirituales</em>, &#8220;homens de espírito&#8221;, e criticavam duramente os erros e a corrupção da igreja &#8220;segundo a carne&#8221;. Na visão deles, no reino do Espírito e do espírito entraves como a Lei, a igreja e suas ordenanças seriam inevitavelmente deixados para trás.</p>
<hr style="width: 30%; height: 2px;" />
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		<item>
		<title>O purgatório é aqui</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jun 2005 09:19:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Heresias Sensacionais]]></category>
		<category><![CDATA[livre-arbítrio]]></category>
		<category><![CDATA[purgatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Aos cristãos, que são tecnicamente interditados de acreditar na reencarnação (&#8220;é dado aos homens morrer uma única vez&#8221;, diz o Novo Testamento), restou sempre brincar com as possibilidades da pré-encarnação &#8211; a exata natureza da alma antes da existência. Os teólogos já queimaram muitos neurônios tentando imaginar o que Deus fazia antes de criar o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos cristãos, que são tecnicamente interditados de acreditar na reencarnação (&#8220;é dado aos homens morrer uma única vez&#8221;, diz o Novo Testamento), restou sempre brincar com as possibilidades da pré-encarnação &#8211; a exata natureza da alma antes da existência.</p>
<p>Os teólogos já queimaram muitos neurônios tentando imaginar o que Deus fazia antes de criar o universo. Mais pessoal seria perguntar o que <em>você </em>fazia antes que sua mãe desse à luz a você &#8211; mas igualmente problemático responder sem recair numa heresia ou duas.</p>
<p>Há basicamente duas teorias: a primeira sustenta que <em>todas</em> as almas humanas foram criadas num passado remoto por Deus, que retira itens desse banco de almas (sou tentado a dizer &#8220;<a href="http://www.baciadasalmas.com/index.php?p=489">bacia</a>&#8221;) para implantar em cada ser humano que nasce. A segunda defende que as almas são criadas segundo a demanda, em regime <em>just-in-time,</em> no exato momento em que o espermatozóide vencedor adentra em triunfo os átrios do óvulo, fecundando-o &#8211; ou talvez algumas semanas depois.</p>
<p>Segundo a lógica exigente das teologias, ambas as teorias são problemáticas. Se as almas não existem desde sempre, argumentam alguns, como Deus pode ter predestinado alguns? Como pode Jesus ter morrido por uma alma que tecnicamente não existia?</p>
<p>Para contornar essas heresias inventaram-se desde cedo heresias novas. Um dos primeiros bastiões da idéia da preexistência das almas foi Orígenes(185-254 d.C.), de resto um sujeito muito sensato. </p>
<p>Orígenes não se limitou a propor que as almas foram criadas numa única fornada antes que a primeira delas encarnasse em Adão. Ele também sustentava que as almas preexistentes possuíam consciência e livre-arbítrio &#8211; e que, nesse imponderável período antes da história, todas acabaram de alguma forma caindo e rebelando-se contra Deus. As almas que pegaram leve viraram anjos; as que pecaram de modo moderadamente grave encarnaram em corpos humanos, e as almas realmente perversas e toscas viraram demônios.</p>
<p>Segundo essa interessante teoria, nossas desventuras terrenas são reflexo de um karma que trazemos de uma preexistência desencarnada anterior. Se sofremos aqui é porque pisamos seriamente na bola do lado de lá. <em>Ali se faz, aqui se paga.</em> </p>
<p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug013.gif" alt="" width="30" height="39" /></p>
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