Manuscritos estocados sob a rubrica 'Família'
14 de Novembro de 2008

Fortissimo

Família, The Net

É Páolo, e não Paôlo.

Tive de atravessar monti e mari para descobrir o verdadeiro nome do meu irmão meio toscano meio lombardo. Foi só no meu terceiro ou quarto dia na Toscana (chamávamos um ao outro de “mano”) que descobri que na Itália o nome Paolo não se pronuncia Paôlo, como dizemos comumente aqui, mas semplicemente Páolo, que em tudo soa como o nosso Paulo (da mesma forma, “Paola” pronuncia-se italianamente Páola, não Paôla).

Essa descoberta de um nome secreto que é um reflexo ignorado de meu próprio (il nome mio nessun saprà, já profetizava Nessun Dorma) é emblema suficiente da minha sacrossanta peregrinação ao Velho Mundo na figura da Itália.

Sobre a viagem em si nada tenho a dizer que possa ser expresso em palavras. Terá de bastar dizer que estive em lugares em que “milenar” não é uma metáfora; que beijei com os lábios e pés descalços as ruas de Dante, as logge de Florença e as pontes da Toscana; que meus olhos pousaram nus sobre o vivo pé esquerdo de David, sobre os vertiginosos prigioni de Michelangelo e sobre as expressões surrealmente contemporâneas de Masaccio; que maravilhei com a Pisa pré-cristã, pisei descalço o monumento aos pracinhas brasileiros em Pistóia e chorei na igreja onde foi sepultada Beatriz.

Não será inacurado dizer que não retornei dessa viagem à Itália. Fui irremediavelmente transformado pelo peso da história, pela variedade da criação, pela generosidade das pessoas. Não sou mais quem era, e portanto nada mais será como era. Il colpo è fatto.

Minha gratidão a Hélio Rotth Cantos, o Caronte às avessas que transportou-me do Inferno à Mansão dos Vivos, e a Paolo, o Virgílio que mostrou-me nela as réstias muito claras do Paraíso. Lasciate ogni speranza, vós que amigos não tendes.

21 de Outubro de 2008

Papai fazendo o que gosta

Família, Jurássicas

Você tem sete anos e sua lição de casa é desenhar seu pai em duas situações: [1] fazendo o que gosta e [2] no trabalho. Como se vê, a tarefa pressupunha que é absolutamente improvável, talvez impossível, que [1] possa ser igual a [2]. A lição talvez fosse essa.

Reconheço na ilustração da esquerda nossa poltrona, nosso telefone, nosso rádio, a mesinha debaixo da qual ficava a lista telefônica e duas pás do nosso ventilador (um modelo similar, talvez idêntico, aparece no desenho da concessionário Igapó Veículos, onde meu pai trabalhava em Londrina). Um exemplar da falecida revista Visão aparece sobre um banquinho para fornecer alguma cor local.

Meu pai amava ler jornal (hoje o desenho o mostraria lendo via internet), mas nunca jamais estaria lendo, como aqui, a Folhinha, suplemento infantil da Folha [de Londrina?]. Fiz, já naquele tempo, por pura provocação.

Clique para ampliar, etc.

27 de Setembro de 2008

Dois minutos de Saule, Pērkons, Daugava

Família

Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet.

“O sol, o trovão e o [rio] Daugava”, no encerramento do Festival de Música da Letônia, em julho deste ano. O compositor (e tecladista) é Martins Braunš; a regência é de Sigvards Klava.

Absolutamente, por tudo que é mais sagrado, assista até o final.

Pode ser conveniente aumentar o som no seu computador.

05 de Novembro de 2007

E naquele dia (dia)

Família

Junto com meus irmãos

Brabo no alto do trator,
novembro de 1999
[Foto: Leandro Musenek]

13 de Setembro de 2007

Tanto tempo depois e ainda 14 dias mais novo

Família

Feliz aniversário, amigo velho.