Manuscritos estocados sob a rubrica 'Família'
07 de Setembro de 2007

Destino

Família

Folheando os arquivos virtuais do sáite ancestry.com, minha irmã Alice encontrou o procuradíssimo registro da viagem transatlântica do nosso bisavô paterno, que trocou a Letônia pelo Brasil na última década do século XIX. Está documentado: a 5 de novembro de 1891, com 28 anos de idade, o carpinteiro Janis Purens (ou “João Purim”, que aqui aparece disfarçado de Iwan Upurim), embarcou em Hamburgo no vapor Tijucas, com destino ao Rio de Janeiro. Iwan Purens, que havia servido no exército russo em São Petesburgo e chegara (reza a lenda familiar) a participar da guarda pessoal do Czar Nicolau I (pai de Anastácia), fixou-se com outros imigrantes letos na Colônia do Rio Novo, em Santa Catarina. Ali, no pé da serra de Urubici, Janis casou-se com minha bisavó Lisete Rose; ali tiveram cinco filhos, dentre os quais Otto, meu avô; ali, incrivelmente, nasceu meu pai.

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22 de Abril de 2007

A persistência da memória

Família

Meu tio Alberto Edmundo Purim, irmão do meu pai, faleceu hoje às 18h30; o câncer pensa, tolamente, que tomou-o de nós.

O tio Alberto deixou cinco filhos e mais netos que me cabem na memória.

15 de Abril de 2007

Música de Domingo de Manhã, LADO A

Família, Nostalgia

Quando éramos pequenos nosso pai nos acordava, todos os domingos de manhã, colocando para tocar algum LP de música sacra – com maior freqüência um álbum de capa preta do Coro Ford-Willys, que tem aquele Sanctus Credo de Schubert que todo mundo já ouviu, ou um LP de negro spirituals de selo vermelho cuja última música (e minha favorita) era Let My People Go. Era a convocação dele para saírmos da cama, tomarmos café e nos prepararmos para a Escola Dominical na igreja (que começava as nove da manhã).

Definitivamente não era ruim: havia algo de familiar, algo de bem-aventurança, em ser despertado daquela maneira e apenas naquele dia da semana. Aguardavam-nos o pão caseiro (macio, branquinho e perfumado) da minha mãe, as roupas impecáveis de domingo, as horas de perplexidade na igreja, depois a mais tranqüila das tardes. Se tudo desse certo o pai nos levaria para passear de carro até algum matagal ou ponte de rio antes de voltarmos à noite para a igreja. Algumas vezes ele nos levava para passear de carro, estrada afora e sob as estrelas, depois do culto da noite – e não havia forma mais gentil de aplacar a ameaça iminente da nova semana.

Até hoje, por essa razão, determinadas músicas corais e determinadas estirpes de música instrumental evocam-me irresistivelmente aquelas manhãs e suas promessas de bem-aventurança. Eu e minha irmã Alice ainda falamos em “Música de Domingo de Manhã”.

Mais tarde, quando nos mudamos para Bauru e eu era quase adolescente, meu pai chegou um dia de viagem trazendo um álbum que se tornaria, no que me diz respeito, o mais brilhante ícone da Música de Domingo de Manhã: Der Himmel steht offen, – FROHE BOTSCHAFT IM LIED, uma compilação de hinos evangélicos arranjados por um norueguês, Mons Leidvin Takle, lançada em STEREO (Auch mono abspielar) na Alemanha pela gravadora HSW e reempacotada no Brasil com o título de “PAZ MAIOR” pela RTM Editora (Caixa Postal 18.300, 01000, São Paulo).

Embora se trate de música instrumental, e não de música coral como a MDDDM deveria em princípio ser, esses arranjos (austeros, comedidos, minimalistas) me trazem à memória as mais rigorosas associações da anatomia daqueles dias.

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24 de Março de 2007

História de um cavanhaque

Família

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CLIPE: Cavaignac, Cantor Faria

Outro dia minha sombrinha sobrinha de sete anos me olhou muito séria e perguntou porque uso cavanhaque.
Lembrei que minha amiga australiana Maeve Vella me fez uma vez a mesma pergunta via messenger, e o único modo que achei de responder foi que “sem cavanhaque fico inócuo”. Maeve então contou que uma vez um namorado seu raspou o cavanhaque e deixou-a absolutamente decepcionada. “Boy was he inocuous”, ela disse. Para responder minha sobrinha bastou eu andar até a cômoda e pegar um porta-retrato.

– Este sou eu sem cavanhaque.

Ela entendeu.

21 de Março de 2007

Em Seis Passos: O LIVRO

Família, Fé e Crença

Agora sim, inteira no seu vídeo, a versão completa de Em Seis Passos Que Faria Jesus: as 29 páginas que abalaram o mundo, desta vez em formato PDF, pronto para você visualizar, imprimir ou (muita calma nessa hora) repassar por e-mail. Incluí, a título de conclusão, Deuses e homens, um texto inédito na Bacia e que escrevi para a versão online da Revista Ultimato.

Para baixar/ler o arquivo em formato PDF clique aqui ou aqui. Para ler o livro sem baixar o PDF, folheie o arquivo virtualmente numa janela maior.

 

 

LETRAS MIÚDAS

Se o seu computador não abre arquivos PDF você está precisando do Acrobat Reader, que é gratuito e você pode baixar aqui.

Estou distribuindo o livro com uma licença da Creative Commons, que dá permissão para você distribuir livremente o texto, mas não comercializar. Você também pode citar onde quiser, desde que mencione a fonte, mas não pode alterar o conteúdo sem a permissão do Brabo.