O mercado que nos protege

O governo que não deve ser nomeado deflagrou uma semana de rigoroso Choque e pavor – a tática militar de ocupar dando demonstrações múltiplas e espetaculares de força, de modo a desestimular qualquer resistência.

Numa semana, o governo que até segunda ordem é interino divulgou estar pronto para:

Isso só para citar as medidas mais desconcertantes, e sem pausar para examinar a ficha de antecedentes dos ministros apontados, do novo líder do governo e do próprio presidente em exorcismo.

Embora espero que seja poupado desse constrangimento, você vai encontrar brasileiros satisfeitos com esse pacote de propostas. O motivo da satisfação

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Três pontos

Mas o que acho que pode ser dito, entretanto, é que, sendo chamado de golpe ou não, o que está em curso é um abuso da justiça; o uso seletivo e parcial da justiça e das leis para obter seus próprios fins. E a justiça pela metade, longe de ser meio caminho andado, é uma injustiça por inteiro […] Do mesmo modo, Henrique Alves, por exemplo, parece ter a convicção de que o que se pune no Brasil de hoje não é ser corrupto, mas estar ao lado do PT (e desmente, de uma tacada, a ideia de que foro privilegiado, por sua vez, possa ser algo que torne o detentor particularmente imune à condenação). Falando da Justiça como didática

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Os desejos do golpe

Declaro esse texto do Diego Viana a coisa mais bonita, generosa e equilibrada que li em não sei quanto tempo. É na porta do tribunal que Sócrates, o eterno impertinente, convida todas as partes a ponderar o que está por trás das palavras que estão defendendo.

Para além desse caso específico, já podemos ver que, na arquitetura da visão de mundo petista, a noção do golpe ocupa uma posição basilar. Essa centralidade decorre de um certo poder purgativo, até mesmo redentor, que ela detém. Necessariamente alguém que foi vítima de um golpe, de uma remoção forçada, de um conluio, é alguém gostável.

Por isso, o desejo de golpe

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Sobre o manejo eficaz da culpa econômica

Finalmente conseguimos: o Brasil é um exemplo para o mundo.

Não faz ainda três anos, um consórcio internacional de amigos meus decidiu, com a minha conivência, que o Brasil estava no topo da lista dos lugares do mundo em que era menos provável que o fascismo levantasse a sua cara.

Ah, se estávamos errados. Fascismo, só para tirar a sua dúvida, é quando mães são agredidas porque seus bebês estão usando roupas da cor errada. Não deve haver dúvida: quando parte que seja da população acredita poder determinar quem tem razão através de um código de cores, o tecido social está já bem rompidinho.

Outra indicação da vitória do

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A sorte de justiça que fomos quase capazes de prover ao mundo

«Um dia», me disse o Giovanni num bar da Itália, «a música popular brasileira vai salvar o mundo.»

Era a minha primeira vez fora do Brasil e eu estava numa papelariazinha de Florença comprando um caderno decorado. O italiano que me atendia entregou o troco e aproveitou aquele último momento para arriscar:

– Ma lei è brasiliano?

Quando respondi que sim, testemunhei pela primeira vez A Transformação. O cara, que tinha se mostrado até ali cordial mas muito na dele, se encheu de uma alegria ao mesmo tempo solene e indisfarçável, o tipo de alegria que se abre no coração quando você recebe a notícia de que vai ter um filho, ou quando você esbarra no seu artista favorito e ele se mostra um cara muito gente boa e te dá um

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