Parábola do cristão rico e do sem-terra honesto • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 16 de janeiro de 2006

Parábola do cristão rico e do sem-terra honesto

Estocado em Fé e Crença · Política

Dois homens foram certa vez à mesma igreja: um, cristão, e o outro, sem-terra. O cristão, posto em pé, orava consigo mesmo, desta forma: “Ó, Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este comunista. Venho à igreja duas vezes por domingo e dou para a obra a décima parte do meu líquido, que é maior que o bruto acumulado de todos os meus empregados”. O sem-terra, estando em pé, longe, e que havia entrado na igreja para ver se seria recebido com alguma misericórdia, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, lamentando que suas maiores suspeitas fossem justificadas. O cristão voltou para casa sentindo-se justificado; o sem-terra não voltou para casa porque não a tinha.


– Explique-nos esta parábola.

– Vocês não entendem esta parábola? Como, então, entenderão todas as parábolas?

– Seja mais claro.

– Esta é uma parábola sobre coisas que não existem.

– Então Deus não existe? Temos estado enganados todo este tempo?

– Néscios! É claro que Deus existe. O que não existe é sem-terra honesto.

– Oohhh!

– Nem cristão rico.


Leia também:
O fariseu e o cobrador de impostos
Na mesma moeda

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

Clique aqui para receber as publicações deste sáite por email.


 

<
>

Depositado em juízo por Paulo Brabo · Desde 2004 · Sobre o autor e esta Bacia · Receba por email · Leia um livro · Olhe desenhos · Vasculhe os arquivos · A amizade continua a mesma no twitter, no Instagram, no Flickr e até no Google+ · Mas não no Facebook · Assine com RSS · Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais · Fale comigo · A Bacia das Almas é abrigo de argumentos que se repetem