Os limites físicos da economia: consumo de energia e riqueza são a mesma coisa • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 19 de maio de 2014

Os limites físicos da economia: consumo de energia e riqueza são a mesma coisa

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Esta é a parte 7 de 8 da série O gerenciamento da esperança

► A civi­li­za­ção é um organismo definido pelo modo como consome/transforma energia.

► A riqueza econômica é uma repre­sen­ta­ção da taxa com que uma civi­li­za­ção consegue consumir energia.

► A civi­li­za­ção é um organismo que interage em escala global com os reser­va­tó­rios dis­po­ní­veis de energia e através da trans­for­ma­ção dessa energia.

► O dinheiro é a repre­sen­ta­ção da capa­ci­dade de se realizar coisas nesse espaço físico.

► O PIB não passa de uma repre­sen­ta­ção abstrata da nossa capa­ci­dade de aumentar o consumo de energia no futuro.

► A manu­ten­ção do cres­ci­mento global do PIB requer uma ace­le­ra­ção no cres­ci­mento da capa­ci­dade ener­gé­tica global.

► A civi­li­za­ção está con­ti­nu­a­mente tentando aumentar o seu consumo de energia de modo a acumular mais riqueza, ou tentando reduzir o custo de manu­ten­ção aumentando a efi­ci­ên­cia energética.

► Mais energia dis­po­ní­vel se traduz em mais riqueza acumulada, que por sua vez requer mais energia para sua manu­ten­ção, criando um círculo vicioso de cres­ci­mento.

► A riqueza global coletiva cresce em estrita cor­re­la­ção com a capa­ci­dade global de produção de energia.

► O ritmo das emissões de CO2 está fun­da­men­tal­mente ligado à riqueza da civi­li­za­ção. Não se pode reduzir o ritmo das emissões sem se reduzir a “riqueza” da civi­li­za­ção. Riqueza repre­senta consumo de energia; consumo de energia repre­senta emissões de dióxido de carbono.

► A taxa da emissão de CO2 não pode ser dis­so­ci­ada da riqueza através de ganhos em eficiência.

► Os esforços para se aumentar a efi­ci­ên­cia da energia ou reduzir o consumo ener­gé­tico não produzem economia de energia; ao contrário, aceleram o cres­ci­mento econômico, as taxas de consumo ener­gé­tico e as emissões de CO2.

► “É um imenso engano supor que o uso eficiente do com­bus­tí­vel equivale a uma dimi­nui­ção do consumo. Na verdade é o contrário: cada melho­ra­mento ener­gé­tico no motor resulta numa ace­le­ra­ção no consumo global” (William Stanley Jevons, 1865).

► O aumento da efi­ci­ên­cia ener­gé­tica global ocasiona um consumo maior, não menor, de energia e de materiais brutos.

► De modo a se esta­bi­li­zar as emissões de CO2 seria neces­sá­rio des­car­bo­ni­zar o sistema na mesma taxa de cres­ci­mento do consumo ener­gé­tico. Isso equi­va­le­ria a se construir o equi­va­lente a uma usina nuclear por dia.

► Consumo de energia e riqueza são a mesma coisa.

► Reduzir a emissão de carbono requer uma rápida dimi­nui­ção no tamanho da riqueza.

► É possível dissociar a riqueza econômica das taxas de emissão de dióxido de carbono?
> Não
> … a não ser que haja uma rápida decar­bo­ni­za­ção
> … mas isso não custaria muito caro?
> Então não

Tim Garrett, Professor Associado de Ciências Atmos­fé­ri­cas da Uni­ver­si­dade de Utah
em The physics of long-run global economic growth




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Paulo Brabo @saobrabo

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