O que você não deve saber sobre o livro da Bacia • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 21 de janeiro de 2011

O que você não deve saber sobre o livro da Bacia

Estocado em Pormenor

É fato conhecido que ao longo do século XX o que as pessoas ganharam em longevidade os livros perderam. Tendo sido lançado em dezembro de 2009, A bacia das almas tem hoje, em vida de livro, mais de 35 anos. De um livro de meia-idade talvez não seja injusto fazer reminiscências; seguem uma ou duas coisas que você absolutamente deve ignorar sobre ele.

  • O título era outro. Até o último momento A bacia das almas era para se chamar O último cristão (a partir deste texto); só resolvi mudar isso pouco antes de mandar o manuscrito final para a editora. Quando decidi que o título devia ser o mais ou menos genérico A bacia das almas, intuí a necessidade de um subtítulo; minha primeira ideia foi “Confissões de um ex-consumidor de igreja” (que era, por sua vez, o título original deste documento) — mas o departamento de marketing dentro de mim absolutamente exigiu algo mais apelativo.

  • O primeiro capítulo foi roubado de outro livro. Quando fui convidado a simular um volume mais ou menos coerente a partir do material heterogêneo da Bacia, entrei num pânico cordial; minha maior preocupação, sem qualquer dúvida, era o que colocar logo no começo (The beginning is a very delicate time, a primeira coisa que ensinou-me a princesa Irulan). A solução mais à mão, como frequentemente acontece, foi apelar para a reciclagem. O primeiro capítulo de A bacia das almas (que você pode ler aqui) é na verdade o primeiro capítulo de um livro que eu já havia decidido que não valia à pena terminar, e era para se chamar A pedra angular e a igreja da esquina. Deste livro tenho concluídos mais dois capítulos que nada têm que valha pena resgatar, com a possível exceção da passagem Satã roga pelos homens, que já estoquei aqui.

  • Os cortes foram feitos pelo autor. A primeira seleção de material que fiz para compor o livro tinha 127.897 palavras. A versão que mandei para a editora — e que, para minha surpresa, foi aprovada na íntegra, resultando no presente calhamaço — tinha 102.125. Ou seja, a edição e os cortes que houve foram feitos por mim; o material que ficou de fora você jamais saberá.

  • Dois capítulos não foram escritos. De material inédito, como se sabe, o livro da Bacia só tem o último capítulo, Os livros não mudam ninguém. Com receio de que um só texto novo não bastasse para imprimir a devida marketability ao volume, fiz notas para dois capítulos adicionais que não cheguei a concluir para o livro, e deveriam se chamar A igreja que existe fora das portas e O encontro de Bonhoeffer com Gandhi. O primeiro, um ano depois, resultou mais ou menos no meu capítulo de contribuição para O que eles estão falando da igreja; o segundo nunca comecei a redigir.

  • As parábolas que não são. A seção de ficção do livro da Bacia tem o nome de Parabólicas, mas fora um exemplo ou outro, não consta de parábolas. Há nesse paradoxo uma parábola, mas a lição não devo revelar. Incidentalmente, esta é a única seção do livro que ponderei muito seriamente eliminar — não por outro motivo, mas porque planejava reservar essas histórias para um possível livro de contos curtos que espero um dia venha ainda à luz. Incidentalmente, é também nessa seção que está aquele que do livro inteiro é o texto de que mais gosto e pelo qual não me importaria de ser lembrado: este Blefe.

 

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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