O gerenciamento da esperança [5] • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 10 de abril de 2014

O gerenciamento da esperança [5]

Estocado em Manuscritos

Esta é a parte 6 de 8 da série O gerenciamento da esperança

O que não consigo deixar de pensar é no seguinte: que se você resolvesse mudar de vida, e passasse a ir de bicicleta para o trabalho e com meios públicos para a faculdade; se começasse a fazer o seu próprio pão e a plantar na jardineira a sua própria cebolinha verde e o seu próprio manjericão; se arrendasse ou colocasse em uso dez metros quadrados de terreno para cultivar as suas batatas e os seus tomates ou criar galinhas; se passasse a comer carne uma vez por semana e reduzisse a um quarto da quantidade atual o seu consumo de comida processada que vem em latas e em embalagens; se levasse a bolsa de pano para o supermercado e encarasse os custos (e a economia) de não ter jamais um automóvel só para você; se passasse a dar preferência a produtores locais de alimento e a restaurantes e mercados que dão preferência a esses produtores; se batalhasse para a imposição de limites legais à emissão de gás carbônico e para o fim do subsídio à extração de combustíveis fósseis; se dividisse um automóvel, uma horta comunitária e duas refeições ao dia com um grupo de amigos; se abrisse mão do smartfone, da tv e do Facebook para ter tempo de descobrir o que você gosta de fazer; se plantasse uma árvore a cada 100 quilos de carne que consome ou a cada 1000 quilômetros que percorre de automóvel; se passasse a reciclar o lixo, se deixasse de jogar óleo de cozinha no ralo e começasse a reutilizar produtos e embalagens; se começasse a dar preferência a produtos frescos em detrimento de congelados e ao varal em detrimento da secadora; se aprendesse as artes da compostagem e da costura e da boa cozinha e da confecção de macarrão fresco e compotas e sucos, bem como os segredos de fazer e cuidar do seu próprio fermento; se fizesse tudo isso e o aquecimento global retrocedesse ou não se mostrasse tão severo, você ainda acreditaria que teria perdido alguma coisa.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.


 

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