O fortuna • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 16 de junho de 2007

O fortuna

Estocado em Manuscritos

Às vezes tudo de que precisamos para sermos salvos é um pouco de má sorte. Porém é preciso muita sorte para achar-se azar na hora certa.

Todas os contos de fadas, todas as lendas, todas as fábulas, todos os heróis de quadrinhos e todos os filmes de Hollywood falam de gente colocada numa situação de desvantagem – gente de uma forma ou de outra agraciada por um golpe de má sorte. O que nos atrai nessas histórias é a intuição de que um golpe bem dado de azar poderia quem sabe salvar a nós, se tivéssemos como os heróis a coragem de enfrentar de peito aberto o infortúnio.

É preciso muita sorte para achar-se azar na hora certa.

O que estamos cegos para ver até o último momento é que a onipresente fortuna que nos rodeia (todos os confortos, todas as facilidades, todas as distações) representa de fato uma tremenda desvantagem. A prosperidade é o nosso golpe de má sorte e poderia de fato nos salvar, se tivéssemos como os heróis a coragem de agir em conformidade com o que precisa ser feito (vender tudo que possuímos e dar aos pobres, ou coisa que o valha).

Felizes dos tristes, porque são bem-aventurados e, ao contrário de nós, não ousariam vangloriar-se disso.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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